Invasão
29 Última mensagem
Renesmee andava de um lado para o outro, o som de seus passos ecoando pela sala enquanto Bella, Alice e Rosalie observavam em silêncio. O clima estava tenso, pesado, como se o ar fosse denso demais para respirar.
– Já passou uma hora! – Nessie exclamou, parando de repente e olhando para as mulheres ao redor. – Por que ainda não temos notícias? Isso não é normal!
– Calma, querida. – Bella tentou, a voz suave. – Eles devem estar analisando tudo antes de nos avisar. Precisamos confiar que Jacob está bem. Ele prometeu voltar.
– É mais fácil falar do que fazer. – Alice murmurou, abraçando os próprios braços. – Essa espera está me matando.
Rosalie balançou a cabeça, o rosto sério.
– Minha Emma não para de ter crises de ansiedade por causa de tudo isso. Eu nem sei como vou explicar... se algo der errado...
Alice apertou o ombro de Rosalie em um gesto de conforto, mas os olhos dela também estavam marejados.
– Não podemos pensar assim, Rosalie. Não podemos. – Alice insistiu, mesmo que a própria voz vacilasse.
Nessie estava prestes a responder quando a porta da sala se abriu abruptamente. Edward entrou, sua expressão séria e carregada.
– Finalmente! – Nessie exclamou, aproximando-se do pai. – Como foi? Como está Jacob?
Edward hesitou por um momento, o que foi suficiente para gelar o sangue de Renesmee.
– A missão foi completada com sucesso. – Edward começou, a voz pesada. – A nave dos invasores foi abatida.
Nessie franziu o cenho, a aflição aumentando.
– E os pilotos? Eles já voltaram? Jacob já voltou?
Edward desviou o olhar, o silêncio dele falando mais alto do que qualquer palavra. Finalmente, ele respondeu, a voz carregada de pesar.
– Jacob... usou a bomba especial para destruir a nave.
Nessie deu um passo à frente, a esperança ainda presente em seus olhos.
– Então ele está bem, não é? Ele conseguiu sair antes?
Edward fechou os olhos por um momento, como se buscando força para continuar.
– Renesmee... eu sinto muito. Nenhum dos pilotos sobreviveu.
O mundo de Nessie desabou naquele instante.
– Não! Você está mentindo! – ela gritou, a dor cortando sua voz. – Jacob prometeu que voltaria! Ele prometeu!
Bella tentou segurá-la, mas Nessie se afastou, os olhos cheios de lágrimas fixos em Edward.
– Ele não pode ter feito isso... Ele não pode...
Edward não conseguiu responder. Nessie sentiu suas pernas fraquejarem, e Bella a segurou antes que caísse, enquanto Rosalie e Alice choravam em silêncio ao fundo.
Renesmee estava sentada, o olhar perdido no vazio, incapaz de processar o peso da notícia. Bella segurava sua mão enquanto tentava acalmar Alice e Rosalie, que também estavam devastadas. Nessie pensava em seus filhos, na difícil tarefa de contar a eles que o pai não voltaria. O pensamento a sufocava.
Edward, parado à porta, respirou fundo antes de falar:
– Renesmee, tem algo que você precisa ouvir.
Bella virou-se para ele, irritada:
– Edward, ela não está em condições! Não agora!
Nessie ergueu os olhos, a voz fraca mas decidida:
– Eu quero ouvir. O que é?
Edward hesitou, mas fez um gesto para que ela o acompanhasse.
– Venha comigo.
Nessie se levantou lentamente, suas pernas tremendo, mas seguiu o pai. Bella e Alice a acompanharam de perto, oferecendo apoio silencioso. Eles chegaram à sala de controle da missão, onde Edward liberou a entrada. Assim que entraram, ele fez um sinal para os técnicos presentes.
– Mostrem a ela.
Uma tela grande foi ativada, e, no centro, surgiu a imagem de Jacob. Ele estava sentado na cabine da aeronave, o rosto sério mas cheio de determinação. Seu olhar parecia atravessar a tela, diretamente para Renesmee.
– Ness... se você está vendo isso, significa que eu não consegui voltar. Eu não queria deixar você e as crianças, não assim... mas não havia outra escolha. – A voz dele vacilou por um momento, mas logo retomou o tom firme.
– Você sabe que eu faria qualquer coisa por vocês. Qualquer coisa para proteger nossa família. E é por isso que eu precisei fazer isso. Para garantir que Sarah e Will possam ter um futuro. Para garantir que o mundo deles seja seguro.
Jacob fez uma pausa, os olhos enchendo-se de lágrimas.
– Eu te amo, Nessie. Desde o momento em que te vi, você foi meu tudo. Meu amor, minha força, minha razão para continuar. Eu só quero que você saiba disso. Por favor, conte aos nossos filhos o quanto eu os amo e o quanto eu queria estar com eles. Mas se eu não estiver, é porque fiz o que era necessário para eles viverem.
Ele respirou fundo, como se tentando controlar a emoção.
– Cuide deles, Ness. Cuide de você. Você é forte, mais forte do que acredita. E eu sempre estarei com você, em cada passo que der. Eu te amo... para sempre.
A gravação foi cortada abruptamente. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, como se todo o ar tivesse sido sugado da sala. Renesmee caiu de joelhos, as lágrimas desabando sem controle.
– Não... – ela murmurou, a dor na voz dilacerante. – Jacob... por que você me deixou? Por que você nos deixou?
Bella e Alice se ajoelharam ao lado dela, tentando consolá-la, mas Nessie parecia inconsolável. A despedida de Jacob havia destruído qualquer barreira que ela tentava manter de pé.
Renesmee respirou fundo, tentando reunir toda a força que ainda lhe restava. A dor ainda pulsava em seu peito, mas ela sabia que precisava enfrentar os filhos. Eles mereciam a verdade, por mais cruel que fosse.
Ao abrir a porta do quarto, Sarah estava sentada em sua cama, abraçando um dos ursinhos de Will. Ela levantou o olhar para a mãe, e o silêncio pairou por alguns instantes.
– A missão terminou? – perguntou Sarah, sua voz baixa e hesitante. – Papai já voltou?
Renesmee engoliu em seco. Sentiu as lágrimas ameaçarem cair novamente, mas lutou contra elas. Ela não podia fraquejar agora. Caminhou até Sarah e ajoelhou-se à sua frente, segurando suas mãos.
– Querida... a missão terminou. Seu pai foi... foi muito corajoso. Ele salvou a todos nós.
Sarah franziu o cenho, um sentimento de inquietação surgindo em seus olhos.
– Mas onde ele está? Por que ele não está aqui? Ele disse que voltaria.
Will, que brincava no canto do quarto com alguns bloquinhos de montar, parou ao ouvir o tom da irmã. Ele olhou para a mãe, confuso, e se aproximou devagar.
Renesmee sentiu o peso das palavras que precisava dizer. Com uma voz trêmula, mas gentil, ela continuou:
– Sarah... Will... o papai não vai voltar para casa. Ele... ele se foi. Ele fez um grande sacrifício para garantir que todos nós estivéssemos seguros. Ele nos amava muito e fez isso por nós, pelos filhos que ele tanto amava.
Sarah ficou em silêncio por alguns instantes, seu rosto pálido. Então, ela balançou a cabeça lentamente.
– Não... não, isso não é verdade. Você está mentindo! Ele prometeu que voltaria! Ele não faria isso! – a voz dela cresceu em um grito, enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Renesmee tentou segurá-la, mas Sarah se afastou, cruzando os braços contra o peito.
– Ele mentiu para mim! Ele não nos amava de verdade, se amasse, não teria nos deixado!
– Sarah, por favor, me escute. Ele nos amava mais do que tudo. Ele fez isso para que você e Will pudessem ter um futuro melhor, para que ficassem seguros.
Enquanto Sarah chorava inconsolável, Will começou a puxar a barra do vestido da mãe.
– Mamãe, o papai está no céu agora? – perguntou com a inocência de uma criança pequena.
Renesmee engoliu em seco e pegou o filho no colo, segurando-o com força.
– Sim, meu amor, ele está. E ele está olhando por nós, cuidando da gente lá de cima. Ele sempre vai estar com a gente, em nossos corações.
Will encostou a cabeça no ombro da mãe, murmurando baixinho:
– Eu sinto falta dele...
Renesmee acariciou os cabelos dele, enquanto lágrimas finalmente escapavam de seus olhos.
– Eu também, querido. Eu também.
Sarah, ainda chorando, finalmente deixou a mãe se aproximar. Renesmee a abraçou junto com Will, segurando-os firmemente, como se isso pudesse protegê-los de toda a dor que sentiam. A promessa de Jacob ecoava em sua mente: “Você é forte, mais forte do que acredita.” E agora, mais do que nunca, ela sabia que precisaria ser.
Renesmee respirou fundo, tentando reunir toda a força que ainda lhe restava. A dor ainda pulsava em seu peito, mas ela sabia que precisava enfrentar os filhos. Eles mereciam a verdade, por mais cruel que fosse.
.........
Em uma sala secreta, protegida por grossas paredes de aço e uma equipe de guardas armados, Edward se sentava à cabeceira de uma longa mesa. Ao redor dele estavam os outros líderes de Washington, rostos sérios e marcados pela tensão. No centro da mesa, uma projeção holográfica mostrava as movimentações da batalha que havia acabado de acontecer.
Um dos líderes, um homem de meia-idade com um distintivo da União Europeia no paletó, falou primeiro, rompendo o silêncio.
– Senhor Presidente, nem todas as naves foram abatidas.
Edward ergueu o olhar, sua expressão ficando ainda mais severa.
– Explique.
– Quatro naves conseguiram escapar. Entre elas, a nave do General Black. Ele e os soldados que estavam com ele sobreviveram. Temos razões para acreditar que estão escondidos e tentando se reorganizar.
Um burburinho inquieto tomou conta da sala. Edward bateu na mesa, silenciando-os.
– Isso é inaceitável. A missão foi clara: nenhum deles deveria sair vivo. Eles sabem de coisas que não podem ser divulgadas, segredos que colocam em risco tudo pelo qual trabalhamos.
Uma mulher, representando a Ásia-Pacífico, interveio.
– E se o General Black tentar revelar o que sabe? O público não deve descobrir a verdade sobre as naves e os drone.
Isso pode causar um colapso global.
Edward respirou fundo, sua mandíbula se contraindo.
– Não se ele não tiver chance de falar. Vasculhem cada centímetro das áreas próximas às coordenadas da última transmissão. Use todos os recursos necessários. Quero drones, satélites e equipes terrestres caçando-os. Terminem o que começaram.
Outro líder, com um tom de hesitação, perguntou:
– Está dizendo que devemos... eliminar Jacob Black e seus homens?
Edward olhou diretamente para ele, sua voz fria e firme.
– Sim. Black e os outros soldados sabem de tudo. Eles sabem que as naves espaciais não eram o que pareciam, que os "invasores" eram uma fachada. Se essa informação vazar, perdemos o controle. Eles não podem viver. Essa é uma ordem.
A tensão na sala aumentou, mas ninguém ousou contestar. Edward sabia que estava andando em um fio de navalha, mas proteger o segredo era mais importante do que qualquer vida individual.
– Isso não é negociável. Façam o necessário. Quero resultados em 48 horas. Estamos entendidos?
Todos assentiram, alguns com relutância. Edward se levantou, encerrando a reunião.
- Muito bem. Dispensados.
Enquanto os líderes deixavam a sala, Edward permaneceu por um momento, olhando para o holograma da batalha. Ele sabia que Jacob Black era um homem resiliente, mas dessa vez, ele não tinha espaço para falhas. O segredo precisava morrer com Jacob e seus homens.
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