Invasão
34 Seattle
Sarah abriu a porta da frente com cuidado, tentando não fazer barulho, mas assim que deu o primeiro passo para dentro, a luz do abajur iluminou a sala. Renesmee estava sentada no sofá, com os braços cruzados e um olhar que mesclava preocupação e alívio.
– "Se divertiu, cadete Black?" – disse com uma leve ironia na voz, mas um sorriso pequeno no rosto.
Sarah suspirou e deixou a mochila no chão.
– "Mãe, são só algumas horas até minha missão... você tinha que ficar me esperando?"
– "Eu sou sua mãe. Esperar por você faz parte do pacote. Além disso, você tem apenas quatro horas pra dormir antes de ir para o prédio do exército."
Sarah soltou um suspiro cansado e, em vez de responder, caminhou até o sofá e deitou, colocando a cabeça no colo de Renesmee.
– "Eu sei que parece irresponsável, mas eu precisava desse momento antes de partir. E... mãe, eu quero te pedir desculpas."
– "Desculpas? Pelo quê?"
– "Pelo jeito que tenho tratado o Nahuel. Sei que ele só quer ajudar, e Júlia realmente precisa de uma figura paterna. Eu só... acho difícil aceitar outra pessoa no lugar do papai. Mas eu sei que ele é um bom homem, e... talvez eu devesse dar uma chance a ele."
Renesmee passou os dedos pelos cabelos de Sarah, um gesto que sempre a acalmava desde criança.
– "Eu entendo como você se sente, filha. É difícil pra todos nós. Mas saiba que nunca tentaria substituir seu pai. Ele sempre será insubstituível. Nahuel está aqui porque ele quer ajudar, porque ele se preocupa conosco. Só isso."
Sarah sorriu levemente, fechando os olhos.
– "Eu sei, mãe. E prometo tentar ser melhor com ele... por você e por Júlia."
– "Isso é tudo que eu poderia pedir. Agora, vá dormir, Sarah. Você tem um dia importante amanhã."
Sarah se levantou com relutância, abraçou Renesmee rapidamente e subiu para seu quarto.
– "Boa noite, mãe. Te amo."
– "Boa noite, minha filha. Eu também te amo."
Enquanto Sarah desaparecia pelas escadas, Renesmee ficou por um momento sozinha na sala, sentindo uma mistura de orgulho e saudade antecipada. Ela sabia que sua filha estava destinada a grandes coisas, mas a cada passo que Sarah dava, o vazio deixado por Jacob parecia um pouco mais profundo.
...
Jacob estava na varanda da casa em La Push. A brisa carregava o cheiro familiar do mar, e o som das ondas quebrando nas pedras preenchia o ar. Ele olhava para o horizonte, mas não conseguia afastar a sensação de que algo estava incompleto. Ao virar-se, viu uma mulher de cabelos ruivos dentro da casa, movimentando-se com naturalidade, como se aquele fosse o lar que dividiam.
– "Bom dia," – Jacob disse, a voz suave, mas carregada de afeto. A mulher não respondeu imediatamente, apenas continuou mexendo em algo sobre a bancada da cozinha. Ele tentou se aproximar, mas seu rosto permanecia oculto.
De repente, uma risada infantil ecoou pelo ambiente. Ele se virou e viu um garotinho de cabelos castanhos correndo em sua direção com os braços abertos. Antes que Jacob pudesse reagir, o menino o abraçou com força e disse com uma voz animada:
– "Papai!"
O toque do abraço parecia tão real que Jacob sentiu o calor da pequena mão do menino contra sua pele. Ele olhou para baixo, confuso, mas sentiu uma onda de alegria misturada com uma melancolia inexplicável.
Foi então que ele acordou. O quarto estava escuro, apenas a luz fraca do abajur de Hope iluminava o ambiente. Ele estava ofegante, o peito subindo e descendo rapidamente. Ao seu lado, Hope, sua atual namorada, se virou preocupada.
– "Josh, você está bem?" – ela perguntou, a voz sonolenta, mas carregada de preocupação.
Jacob esfregou o rosto com as mãos, tentando afastar a confusão do sonho.
– "Foi só um pesadelo," – ele respondeu, tentando soar convincente.
Hope sentou-se na cama, olhando para ele com atenção.
– "Você tem sonhado muito ultimamente. É sempre o mesmo?"
Jacob hesitou antes de responder, ainda sentindo a intensidade do abraço do menino.
– "Sim... é sempre na mesma casa, com a mesma mulher de cabelos ruivos. E sempre tem crianças. Não sei se são só sonhos ou... algo mais. Se eu tiver filhos, por que Sam não me contou? Por que ninguém disse nada?"
Hope colocou a mão no ombro dele, apertando suavemente.
– "Talvez sua mente esteja tentando te dizer algo. Ou talvez... sejam apenas ecos do que você gostaria que fosse real."
Jacob não respondeu. Ele se deitou novamente, encarando o teto enquanto as palavras de Hope ecoavam em sua mente. Era um sonho? Ou fragmentos de uma memória perdida? Se ele realmente tinha filhos, por que ninguém mencionou? E aquela mulher... quem ela era?
A inquietação permaneceu com ele, mesmo quando o sono finalmente o venceu.
...
Na manhã seguinte, o galpão do exército estava movimentado com os preparativos das missões. Sarah entrou com passos firmes, ajustando o uniforme enquanto seus olhos vasculhavam o local. Ela avistou sua mãe conversando com Edward ao lado de Rosalie e Alice. Ao se aproximar, Renesmee abriu um sorriso ao vê-la.
– "Bom dia, meu amor," – Renesmee cumprimentou, tocando levemente o braço da filha.
Sarah respondeu com um sorriso discreto antes de voltar sua atenção para Edward, que a observava com um olhar misto de carinho e saudade.
– "Como vai, Sarah?" – ele perguntou.
– "Bem, senhor presidente," – Sarah respondeu com um tom distante, colocando-se ao lado de Emma e Amanda, deixando claro que não havia espaço para proximidade.
Edward suspirou, trocando um olhar preocupado com Renesmee.
– "Ela sempre vai me culpar," – ele murmurou para Nessie. – "Culpa-me pelo que aconteceu com Jacob. Talvez ela tenha razão."
Renesmee tocou a mão dele com gentileza.
– "Dê tempo a ela, pai. Sarah é forte, mas carrega muito no coração. Ela vai entender um dia."
Sarah, por sua vez, despediu-se rapidamente da mãe com um breve abraço.
– "Cuide-se, mãe. Nos vemos em breve."
Ela então caminhou em direção ao setor de embarque, sinalizando discretamente para Emma. Ambas se afastaram, encontrando um canto mais reservado.
– "Pronta?" – Sarah perguntou, enquanto começava a tirar o casaco com o nome bordado.
– "Não muito," – Emma respondeu com um sorriso nervoso. – "Mas se você está, então eu também estou."
As duas trocaram os casacos rapidamente, ajustando os bonés para esconder os cabelos presos.
– "Boa sorte," – Emma sussurrou, dando um tapinha no ombro de Sarah.
– "Você também," – Sarah respondeu com um sorriso conspiratório.
Ambas riram brevemente antes de se separarem, caminhando para os setores de embarque opostos. Sarah, agora vestida como Emma, seguiu em direção ao avião que a levaria a Seattle.
Ao entrar no avião, um soldado olhou para ela e chamou:
– "Cadete McCartney?"
Sarah respirou fundo, mantendo a compostura, e respondeu com confiança:
– "Sim, senhor."
O plano tinha dado certo. Sarah estava oficialmente a caminho de Seattle, carregando consigo mais do que apenas sua missão – mas também a chance de retornar para casa como se algo a chamasse de volta para lá.
O voo de cerca de uma hora entre Washington e Seattle foi tranquilo, mas Sarah não conseguiu relaxar. O peso do que estava prestes a fazer pairava sobre seus ombros. Ao pousar, ela ajustou o uniforme e desembarcou com os outros cadetes, mantendo a postura profissional enquanto se juntava ao grupo que esperava pelas instruções.
No hangar militar, um oficial de alta patente começou a explicar a missão:
– "Cadetes, a missão de hoje é crucial para a manutenção da ordem e do bem-estar da população. Vocês irão formar comboios para a entrega de suprimentos essenciais às áreas residenciais fora da zona de proteção. Esses locais são arriscados, pois ficam em território exposto e sujeitos a ataques de rebeldes ou ataques ocasionais de mutantes. Sigam as rotas designadas e evitem desvios desnecessários. A comunicação deve ser constante, e, em caso de emergência, recuem imediatamente para os pontos de extração."
Sarah assentiu junto aos outros, recebendo seu mapa e designação de veículo. Ela sabia que precisaria ser cautelosa. Apesar da vigilância rigorosa, o plano para se desvincular do comboio e seguir para Forks pela floresta ainda parecia possível.
O comboio começou a se mover, caminhões e jipes carregados de caixas avançando em fila pela estrada desgastada. Sarah, sentada na parte traseira de um dos veículos, observava o mapa com atenção.
O comboio seguia pela estrada deserta em direção a Port Angeles. O clima era tenso, como sempre acontecia em missões fora da zona de proteção. Sarah estava no terceiro veículo, seus olhos atentos varrendo a paisagem pela janela enquanto seus colegas mantinham as armas prontas.
De repente, o motorista do veículo da frente freou bruscamente, forçando os demais a parar.
– "O que foi isso?" – Sarah perguntou, saindo rapidamente do caminhão junto com os outros.
Foi então que o som chegou a seus ouvidos: um estrondo surdo, seguido pelo rugido mecânico de algo massivo. Na estrada, um inseto gigante emergiu de uma área coberta por vegetação. Suas patas enormes esmagaram o asfalto enquanto ele avançava, seu corpo repleto de placas brilhantes
"Alerta! Todos aos postos!" – gritou o líder do comboio, empunhando sua arma.
Os soldados se preparavam para enfrentar a criatura quando outro perigo se revelou. Dos lados da estrada, homens com máscaras de lobos surgiram, atacando o comboio com armas improvisadas e explosivos caseiros.
– "São rebeldes! Protejam a carga!" – alguém gritou.
O caos se instaurou. Tiros ecoaram, soldados e rebeldes entraram em confronto direto enquanto o inseto continuava a se aproximar, ameaçando destruir tudo em seu caminho.
Sarah pegou sua arma e se posicionou ao lado de um dos soldados antes de partir para o confronto.
Ela enfrentou um dos rebeldes, que investiu contra ela com uma barra de ferro. Com reflexos rápidos, Sarah desviou e o golpeou com a coronha de sua arma, derrubando-o.
– "Não vão nos parar!" – murmurou entre dentes, mas antes que pudesse reagir, sentiu uma pancada violenta na cabeça.
Tudo escureceu.
Quando Sarah caiu desacordada, o campo de batalha continuou em tumulto. Soldados tentavam recuar e proteger os veículos, enquanto o inseto gigante finalmente se afastava, atraído por algo na floresta.
Os rebeldes, aproveitando o momento, recolheram alguns suprimentos antes de baterem em retirada.
Enquanto os rebeldes recolhiam os suprimentos antes de baterem em retirada, Brad notou Sarah caída entre os destroços. Ele largou a caixa de suprimentos que carregava e se aproximou, verificando se ela ainda respirava.
– "O que você está fazendo, Brad?" – perguntou Seth, vindo logo atrás, carregando uma mochila cheia de mantimentos. Ele parou ao ver Brad inclinar-se sobre a cadete inconsciente.
– "Vou levá-la." – Brad disse simplesmente, erguendo Sarah e colocando-a no ombro com facilidade.
Seth arregalou os olhos, alarmado. – "Você enlouqueceu? Isso vai dar problema! A última coisa que precisamos é de uma prisioneira."
Brad bufou, começando a caminhar em direção ao ponto de retirada. – "Relaxa, Seth. Não vamos fazer nada com ela. Só quero informações sobre o próximo comboio."
– "Informações? Ela é só uma cadete, Brad! Duvido que saiba alguma coisa relevante. E se o exército descobrir que estamos pegando prisioneiros, eles vão nos caçar ainda mais!"
Brad parou, girando a cabeça para olhar Seth. – "E você acha que já não estão nos caçando? Olha, não vamos machucá-la, está bem? Só vamos conversar. Se ela não souber de nada, soltamos ela."
– "Você acha que vai ser tão simples assim? Brad, isso pode complicar tudo. O que o líder vai dizer quando você aparecer com uma soldado desmaiada?"
– "Ele vai entender que estou tentando proteger a gente. Se quisermos continuar lutando, precisamos de vantagem. E, honestamente, não podemos deixar ela aqui. O exército vai usá-la contra nós se a encontrarem viva."
Seth suspirou profundamente, claramente desconfortável. – "Tudo bem, mas a responsabilidade é sua. Espero que saiba o que está fazendo."
Brad assentiu, ajustando Sarah em seu ombro antes de se apressar em direção à floresta com Seth relutantemente seguindo atrás.
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