Invasão

35 De volta ao lar


Sarah despertou lentamente com o calor da fogueira iluminando o ambiente. Sua cabeça latejava, e ela levou um instante para entender onde estava. As vozes baixas à sua frente chamaram sua atenção. Ela se ajeitou levemente, observando através das mechas de seus cabelos ruivos enquanto o grupo discutia ao redor do fogo.


– "Na reserva, eles nem desconfiam que somos parte do grupo de rebeldes," – comentou Collin, parecendo tenso.


– "E daí? Isso não muda nada. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto o vilarejo começa a passar necessidade," – rebateu Claire, cruzando os braços e lançando um olhar de desafio aos outros.


– "Você sabe que Josh não vai gostar disso," – disse Seth, balançando a cabeça. – "Ele quer que a gente mantenha a discrição até termos mais certeza dos movimentos do exército."


Claire suspirou com frustração. – "Josh não está vendo o que estamos vendo. Eles precisam de ajuda agora, Seth."


Antes que Seth pudesse responder, Claire olhou na direção de Sarah e percebeu que ela estava acordada.


– "A prisioneira acordou," – disse Claire, em tom de aviso.


Seth virou-se, os olhos imediatamente se fixando em Sarah. Ele deu um passo à frente e estreitou os olhos, como se tentasse reconhecê-la.


– "Você me lembra alguém..." – murmurou ele, confuso.


Sarah piscou lentamente, sentindo a boca seca. – "Água. Por favor," – pediu, sua voz rouca.


Brad resmungou, mas pegou uma garrafinha de água ao lado da fogueira e aproximou-se. Ele estendeu a garrafa em direção a Sarah, mas Claire riu levemente, apontando para as mãos amarradas da jovem.


– "Como ela vai pegar se está amarrada, gênio?"


Seth deu um passo à frente e, sem hesitar, começou a desamarrar os pulsos de Sarah.


– "O que você está fazendo, Seth?" – Brad protestou, franzindo a testa.


– "Ela não vai fazer nada sozinha," – respondeu Seth, em um tom calmo, mas firme.


Brad hesitou, mas acabou recuando, resmungando algo inaudível.


Sarah moveu os pulsos, agora livres, massageando-os por um momento antes de pegar a garrafa que Brad ofereceu. Ela bebeu rapidamente, o líquido fresco aliviando sua garganta seca.


Claire observou em silêncio, enquanto Seth continuava olhando para Sarah, como se ainda estivesse tentando decifrar algo sobre ela. – "E agora, o que vamos fazer com ela?" – perguntou Claire, com um olhar de preocupação.

Sarah ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo a conversa ao seu redor. Eles não pareciam perigosos, pelo contrário, havia algo quase... familiar na maneira como falavam e agiam. Ela decidiu arriscar.


– "Vocês estão indo para La Push?" – perguntou, sua voz suave, mas firme.

Claire imediatamente virou a cabeça na direção dela, o olhar afiado. – "E por que você quer saber, cadete?" – perguntou com desconfiança.

Sarah respirou fundo. – "Porque eu vivi em La Push."

Os três ficaram em silêncio por um momento, surpresos. Seth franziu a testa, dando um passo à frente e olhando para o nome bordado na camisa dela. – "McCartney? Eu nunca ouvi falar de nenhum McCartney em La Push."

Sarah sorriu levemente, um sorriso cheio de segredos. – "Esse não é meu verdadeiro nome."

Brad soltou uma risada curta e se levantou, ajeitando o casaco. – "Olha, seja qual for o seu nome verdadeiro, precisamos ir. Temos que estar em La Push antes do amanhecer ou teremos problemas." Ele olhou para Sarah com uma expressão séria. – "Você está livre, cadete. Pode ir, mas seria melhor seguir para o seu comboio."

Ele hesitou e acrescentou: – "Ou não vai nos dizer nada sobre os suprimentos?"

Claire riu, divertida. – "Como se ela fosse nos dar informações de graça."

Sarah, no entanto, deu um passo à frente, determinada. – "Eu quero ir com vocês."

Seth deu uma risada seca, balançando a cabeça. – "Nem pensar. Não vou levar uma cadete com a gente."

– "E se eu for como uma civil?" – Sarah insistiu, sua voz carregada de determinação. – "Por favor, me levem."

Seth cruzou os braços, a encarando com intensidade. – "Por que você quer tanto ir para La Push?"

Sarah hesitou. Não podia dizer a verdade – se falasse seu nome eles já deviam saber sobre seu pai. Isso os alarmaria e ela não queria que começassem a com as bajulação.

– "É um lugar importante para mim."

Seth continuou encarando-a, como se tentasse ler sua alma. Por fim, suspirou, derrotado. – "Tudo bem. Mas se você der qualquer problema, vou te dar de comida para a Joana."

Sarah piscou, confusa. – "Quem é Joana?"

Claire soltou uma risada alta, apontando para Seth. – "É aquela joaninha gigante que atacou o comboio. Ela é de Seth."

Sarah abriu um sorriso involuntário, tanto pela ideia absurda quanto pelo tom divertido de Claire. – "Entendido. Vou me comportar."

Seth balançou a cabeça, ainda desconfiado, mas começou a organizar as coisas para a partida. Sarah sabia que tinha conseguido uma chance preciosa. Agora, tudo dependia de como usaria o tempo que teria em La Push.

A chegada a La Push foi um turbilhão de emoções para Sarah. Quando o grupo cruzou os limites da reserva, um misto de nostalgia e dor tomou conta dela. As paisagens familiares estavam lá – as árvores altas, o cheiro salgado do mar ao longe – mas algo parecia diferente. A energia do lugar, antes acolhedora e vibrante, agora era marcada pelo silêncio e pela tensão.

Seth olhou para ela com um tom sério. – "Você não pode ser vista com esse uniforme do exército. Vai chamar atenção indesejada."

Claire, sempre prática, interveio. – "Eu dou um jeito nisso. Me acompanhe."

Sarah seguiu Claire até uma casa modesta, mas aconchegante, com sinais de que era bem cuidada, apesar da simplicidade. Claire desapareceu em um dos quartos e voltou minutos depois com uma calça jeans e uma camiseta de algodão.

– "Aqui, vista isso."

Sarah pegou as roupas e, ao notar o tom gentil de Claire, disse com sinceridade: – "Obrigada. De verdade."

Claire inclinou a cabeça, como se considerasse algo. – "Qual é o seu nome? Quero dizer, seu verdadeiro nome."

Sarah hesitou por um momento, mas decidiu não mentir. – "Sarah."

Claire sorriu levemente. – "Você tem um nome lindo."

As duas trocaram um olhar breve, uma compreensão silenciosa que parecia um começo de amizade. Sarah vestiu as roupas e, ao se preparar para sair, olhou para Claire. – "Preciso ir a um lugar."

Claire assentiu. – "Tudo bem, mas tome cuidado. La Push não é mais um lugar seguro para turistas."

Sarah agradeceu, com um leve sorriso. – "Vou me cuidar."

Ao sair, Sarah foi tomada por um misto de antecipação e tristeza. As trilhas que conhecia tão bem estavam ali, quase inalteradas. Enquanto caminhava, ela viu à distância a casa de seu avô Billy. O coração dela apertou ao perceber que a casa estava vazia, com as janelas escuras e nenhum sinal de vida. Ela parou por um momento, tentando imaginar onde Billy estaria agora.

– "Espero que você esteja bem, vovô," – murmurou, antes de continuar sua caminhada.

Ao chegar à casa onde havia crescido, Sarah sentiu as lágrimas começarem a brotar. A fachada estava desgastada pelo tempo, a pintura descascando, e a porta principal parecia meio torta, como se ninguém a tivesse fechado adequadamente por anos. O quintal estava coberto de ervas daninhas, mas o balanço de madeira ainda estava lá, pendurado no velho carvalho.

Sarah caminhou até ele e tocou a corda com dedos trêmulos. As lembranças inundaram sua mente – os risos de quando ela e sua mãe balançavam juntas, as tardes em que Jacob a empurrava enquanto contava histórias, o cheiro de café vindo da cozinha.

Ela sentou-se no balanço, deixando as lágrimas caírem livremente. – "Por que tudo teve que mudar assim?" – sussurrou para o vazio, a dor da perda pesando sobre seu peito.

...

Jacob, ou melhor, Josh, como agora era conhecido, estava no centro do acampamento, sua postura rígida demonstrando claramente sua irritação. Quando Brad e Seth se aproximaram, já sabiam que ele estava furioso. Embry e Paul estavam ao lado dele, com expressões que oscilavam entre irritação e preocupação.

– "O que vocês dois pensaram que estavam fazendo?" – Jacob começou, sua voz baixa, mas carregada de autoridade. – "Atacar soldados sozinhos? Esse não é o nosso modo de resolver as coisas!"

Brad tentou se justificar. – "Josh, nós só queríamos ajudar os habitantes. Eles estão passando fome enquanto o governo os ignora."

Jacob deu um passo à frente, seus olhos brilhando com intensidade. – "E você acha que atacar um comboio sozinho vai mudar isso? Tudo o que vocês fizeram foi chamar atenção para nós!"

Seth tentou intervir. – "Nós só queríamos—"

– "Não quero ouvir desculpas, Seth," – interrompeu Jacob. – "Vocês não têm ideia do que isso pode causar. Não estamos aqui para começar uma guerra. Estamos aqui para proteger nosso povo, e isso não se faz com ataques imprudentes!"

Embry pigarreou e olhou diretamente para Jacob. – "Josh, eles tinham uma prisioneira."

Jacob virou-se para ele, os olhos se estreitando. – "Uma prisioneira? Vocês perderam completamente o juízo?"

Brad cruzou os braços defensivamente. – "Ela é uma cadete. Mas está com Claire agora."

Quil, que estava ao lado, arregalou os olhos. – "Claire? Você colocou essa confusão toda na porta dela?"

Jacob esfregou o rosto com as mãos, tentando controlar a raiva. Ele olhou para Riley, que estava quieto até então. – "Riley, vá com Quil. Tragam a cadete até mim. E sejam discretos. Não precisamos de mais problemas do que já temos."

Riley assentiu e trocou um olhar preocupado com Quil antes de sair em direção à casa de Claire.

Jacob voltou sua atenção para Brad e Seth, sua voz mais controlada, mas ainda firme. – "Ouçam bem. Isso não vai acontecer de novo. Vocês querem ajudar? Então sigam as diretrizes. Porque da próxima vez que um de vocês agir por conta própria, vou ter que tomar medidas que vocês não vão gostar."

Seth abaixou a cabeça, claramente envergonhado. Brad, por outro lado, segurava seu orgulho, mas sabia que Jacob estava certo.

– "Entendido," – Brad murmurou, embora relutante.

Jacob assentiu, sua expressão dura suavizando levemente. – "Agora, vamos consertar essa bagunça antes que fique pior."