Invasão
33 O plano
Renesmee estacionou o veículo diante da Rising Stars Academy, uma das poucas escolas infantis ainda em funcionamento na zona segura de Washington. O som das crianças brincando no pátio era uma rara lembrança de tempos mais tranquilos. Assim que o carro parou, uma pequena menina de cabelos escuros e cacheados avistou o veículo. Seus olhos brilharam de alegria, e ela soltou a mão da supervisora antes de disparar em direção ao carro.
– "Mamãe! Sarah! Will!" – a voz aguda da menina ecoou enquanto corria com entusiasmo.
Will abriu a porta de trás, rindo.
– "Cuidado, furacão! Vai tropeçar desse jeito!"
Antes que Júlia pudesse responder, Sarah já havia saído do carro e a acolhido nos braços com um sorriso caloroso.
– "Ei, minha princesa! Como foi seu dia?" – Sarah perguntou enquanto girava a irmã no ar.
Júlia gargalhou, segurando firme no pescoço de Sarah.
– "Foi incrível! A gente aprendeu sobre as estrelas! Você sabia que as estrelas também nascem e morrem, igual gente?"
Renesmee fechou a porta do carro e se aproximou, com um sorriso carinhoso.
– "É mesmo? E o que mais você aprendeu, meu amor?"
Júlia virou-se no colo de Sarah, ainda radiante.
– "A professora disse que as estrelas que brilham mais forte são as mais especiais! Eu disse pra ela que o papai é uma estrela dessas, e ela disse que eu tenho muita sorte."
Houve um breve silêncio. As palavras inocentes de Júlia tocaram Renesmee, Sarah e Will profundamente.
– "Você tem toda razão, pequena," – Sarah respondeu, tentando segurar a emoção. "O papai é mesmo a estrela mais especial de todas. E sabe de uma coisa? Ele brilha aqui dentro, sempre." – disse, apontando para o coração da irmãzinha.
Júlia sorriu, sem perceber o peso do momento, e voltou a falar animadamente.
– "Ah, e eu fiz um desenho! Tá na minha mochila. É da nossa família. Tem você, Will, a mamãe, e o papai também!"
Will bagunçou os cachinhos da irmã.
– "E eu tô parecendo um super-herói no desenho, né?"
Júlia revirou os olhos, rindo.
– "Não! Você tá igualzinho! Com esse cabelo bagunçado e tudo!"
Todos riram, e Renesmee se abaixou para abraçar as três crianças ao mesmo tempo.
– "Eu amo vocês. Nunca se esqueçam disso."
Júlia se inclinou para beijar o rosto da mãe e sussurrou.
– "Eu também te amo, mamãe. E o papai também. Ele sempre diz isso nas estrelas."
Renesmee respirou fundo, segurando as lágrimas, e guiou os filhos de volta para o carro, aproveitando o momento de união que parecia brilhar mais forte que qualquer estrela no céu.
Ao estacionarem em frente à casa, Renesmee sentiu um cheiro familiar de comida caseira ao sair do carro. Ela franziu o cenho, intrigada, enquanto as crianças desciam do veículo. Assim que abriram a porta, Júlia soltou um grito animado.
– "Tio Nahuel!" – exclamou a pequena, correndo para os braços do homem que estava na cozinha, usando um avental azul.
Nahuel se abaixou e a ergueu em um abraço caloroso.
– "Minha pequena Júlia! Como foi seu dia na escola?" – ele perguntou, sorrindo enquanto colocava a menina de volta no chão.
Will entrou logo atrás, com o semblante fechado. Ele olhou para Nahuel e o cheiro da comida, mas não disse nada.
– "Preparei o prato favorito de vocês," – Nahuel disse, tentando aliviar a tensão. "Macarrão com molho especial e pão de alho."
Will cruzou os braços e bufou.
– "Não tô com fome."
A sala ficou em silêncio por um momento. Nahuel ficou visivelmente constrangido, mas antes que ele pudesse responder, Sarah entrou e observou a cena.
– "Will..." – Renesmee começou, tentando repreendê-lo, mas Sarah a interrompeu.
– "Ele tá certo, mãe. É difícil pra gente ver outro homem no lugar do nosso pai."
Nahuel abaixou os olhos, tirando o avental.
– "Sarah..." – Renesmee começou novamente, agora com mais firmeza.
– "Desculpa, mãe, mas é verdade," – Sarah disse, erguendo o queixo. "Eu também perdi a fome. Vou pro meu quarto."
Renesmee observou a filha subir as escadas e suspirou profundamente. Ela fechou a porta atrás de Will, que também subiu, e voltou-se para Nahuel.
– "Me desculpe por isso," – disse ela, com um tom de tristeza na voz. "Eles ainda estão lidando com muita coisa. Isso não é sobre você, Nahuel."
Nahuel colocou o avental sobre a mesa e ofereceu um sorriso fraco.
– "Eu entendo, Nessie. Eles ainda sentem a ausência de Jacob, e eu jamais esperaria substituir o pai deles."
Renesmee se aproximou, colocando uma mão no ombro dele.
– "Você tem sido um grande amigo e um apoio para nós. Só peço paciência. O tempo vai ajudar a curar algumas dessas feridas."
Nahuel assentiu, tentando demonstrar confiança.
– "Eu não vou desistir de estar aqui para vocês. Eu só quero que vocês sejam felizes, Nessie."
Renesmee sorriu, embora seus olhos mostrassem a dor que ainda carregava.
– "E nós queremos o mesmo para você, Nahuel. Obrigada por tudo."
Enquanto isso, lá em cima, Sarah olhava pela janela com os braços cruzados, enquanto Will se deitava na cama, ambos imersos em seus próprios pensamentos e lembranças do pai.
Sarah estava deitada em sua cama, tentando relaxar antes do dia seguinte, quando o celular ao lado dela vibrou. Ela pegou o aparelho e viu que era uma mensagem no grupo que tinha com Amanda e Emma, suas colegas cadetes e amigas próximas.
Amanda: – "Ok, Sarah. Eu sei que amanhã é o grande dia, mas precisamos de um momento pra descontrair. Que tal a gente dar uma escapada agora à noite?"
Sarah: – "Amanda, sério? Temos que acordar às cinco da manhã pra nossa primeira missão! Vocês são loucas."
Emma: – "Loucas? Não. Só conscientes de que se não relaxarmos um pouco, vamos explodir de ansiedade antes mesmo de entrar no helicóptero. Uma saída rápida, só pra aliviar a tensão."
Sarah: – "Eu não sei, gente... Minha mãe já acha que eu estou me arriscando demais. Se souber que saí hoje, vai surtar."
Amanda: – "Oh, por favor! Não vamos pra uma guerra agora. Vamos só sair, conversar, talvez tomar um café ou algo leve. Nada demais. Você merece isso, Sarah."
Emma: – "E pense assim: quem sabe essa não é a última noite que temos pra rir e falar besteira antes de sermos jogadas em um mundo ainda mais louco? Eu estou dentro, e você deveria estar também."
Sarah olhou para o teto, suspirando. Elas tinham razão – ela estava tensa demais, e uma pequena pausa talvez fosse o que precisava para entrar na missão com a cabeça limpa.
Sarah: – "Tudo bem, mas nada de estender muito. Quero estar 100% amanhã."
Amanda: – "Essa é a nossa garota! Vamos passar na sua casa em 15 minutos."
Emma: – "E se prepare: vamos aproveitar ao máximo cada segundo dessa noite."
Sarah riu e colocou o celular de lado. Elas tinham um jeito de convencê-la, e, no fundo, sabia que estava precisando disso tanto quanto elas. Ela levantou, vestiu uma jaqueta e respirou fundo. Era sua última noite antes de oficialmente começar sua nova jornada – e estaria ao lado de quem entendia exatamente o que isso significava.
Sarah, Emma, Mike, e James estavam sentados em um dos bancos do National Mall, com a imponente silhueta do Capitólio iluminada ao fundo. O ar noturno de Washington era fresco, e o grupo aproveitava o momento para descontrair antes de suas designações oficiais.
Mike: – "Então, pessoal, já sabem para onde vão? Parece que as missões estão bem divididas dessa vez."
Emma: – "Eu vou para Seattle. Dizem que é só uma missão de reforço logístico, mas nunca se sabe, né?"
Sarah: – "Seattle? Sério? Isso é praticamente ao lado de Forks e La Push."
James: – "Ah, entendi... Alguém está de olho em uma visita ao passado, hein?" – disse, levantando as sobrancelhas com um sorriso provocativo.
Sarah: – "Não é isso! Mas... seria interessante passar perto de casa."
Mike: – "Olha, se você quer tanto ir pra lá, por que não troca de lugar com a Emma? Vocês duas são cadetes, e ninguém vai notar."
Emma: – "O quê? Trocar de lugar? Você tá maluco, Mike? Isso é contra as regras, e se descobrirem, estamos ferradas!"
Sarah: – "Emma, calma. Ninguém vai descobrir. É uma missão simples, certo? Você sabe que eu daria conta, e você também. Só trocamos os nomes nos registros."
Emma: – "Não sei... e se algo der errado? Eu não sou boa em quebrar regras, Sarah. Isso me dá calafrios."
Mike: – "Ah, vai, Emma. Vai ser uma aventura! Além disso, se fosse algo perigoso, o general não teria colocado cadetes nisso."
James: – "Concordo com Mike. Além disso, quem vai checar? As missões são longe uma da outra, e ninguém está esperando que algo extraordinário aconteça."
Emma: – "Fácil pra vocês dizerem. Se eu for pega, acabou pra mim."
Sarah: – "Emma, confie em mim. Vamos fazer isso dar certo. Eu já tenho um plano."
Emma: – "Ah, não. Eu conheço esse seu 'plano', Sarah. E geralmente envolve riscos que eu não estou pronta pra assumir."
Sarah: – "Relaxa. Deixe comigo. Amanhã cedo, antes de embarcarmos, eu dou um jeito de ajustar os registros. Você só precisa estar disposta a entrar no transporte pra outra base, e pronto. Simples."
Emma: – "Eu não acredito que vou fazer isso. Mas tudo bem... só espero que você saiba o que está fazendo."
Mike: – "Vocês vão ficar bem. E, honestamente, isso só mostra que vocês sabem o que querem. Isso é admirável."
James: – "Ou completamente insano. Mas, hey, insano também pode ser divertido, certo?"
Sarah riu e deu um tapinha no ombro de Emma.
Sarah: – "Você não vai se arrepender. Prometo."
Enquanto os quatro continuavam a conversar e rir, o peso da missão parecia menos esmagador. Ao menos, por aquela noite.
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