Invasão de Privacidade

23 State of love, trust and grace!


Notas iniciais
Olha só quem perdeu o sono!! Olá flores, bom dia! Este capitulo era pra ter sido postado no carnaval mas acabou que não deu certo. Antes trade que nunca!! Estou com vários em andamento na verdade, porque a louca está escrevendo um ai surge a ideia para outro e ai paro um e vou para outro. Coisa de maluco,kkk. Bem, parando de enrolação. Emoções diversas e a flor da pele! Só digo isto! Grata pelas rewiews, que ainda irei responder...Mais rewiews please...boa leitura...bjinhos flores. P.S: uma leitora me chamou atenção a uma falha que irei corrigir próximo capitulo.

“When I’m lost in the rain;

In your eyes I know;

I’ll find my light to light my way;

When I’m scared, losing ground;

When my world is going crazy;

You can turn it all around;

And when I’m down you’re there;

Pushing me to the top;

You’re always there giving me all you’ve got;

For a shield from the storm;

For a friend, for a love;

To keep me safe and warm;

I turn to you...”

I Turn To You

Christina Aguilera

Mansão Queen (quinta, 28/12 – 9:00 a.m)

Felicity

—Ok, vai dar tudo certo. Você consegue Felicity, eu sei que consegue. Tenha confiança em si! – motivo a mim mesma diante do espelho no banheiro tentando, desesperadamente, encontrar a calma necessária para executar a tarefa que precisava, melhor dizendo, para ter a conversa que precisava ter – Ai que droga! Sou capaz de enfrentar uma diretoria repleta de machões críticos loucos pra derrubar um projeto meu e no entanto estou suando frio, tremendo e quase engasgando só em pensar de falar com uma garotinha de cinco anos!! – exclamo, encarando-me firme – Sério Felicity? Chega a ser ridículo sabia? – provoco-me, suspirando – Qual o problema comigo? Além dos benditos hormônios, evidente – digo, revirando os olhos – Olha só a que ponto cheguei: pondo a culpa da minha covardia na biologia. Patético! – ridicularizo, quase tendo um enfarte quando a porta é aberta sem aviso prévio – Puta merda Oliver, quer fazer minha alma abandonar meu corpo é?? – dramatizo levando as duas mãos ao peito.

—Jamais faria isto Sweet, pelo simples fato de que significaria pôr fim a sua vida e consequentemente a minha visto que não existo sem você! – declara, piscando daquele seu jeito sexy e cafajeste que tanto amo — Amor, sabe o quanto adoro seus monólogos por revelarem coisas que conscientemente não diria, mas será poderia encurtar um pouco? Estamos em cima da hora e ainda nem tomamos café da manhã! – reclama, apoiando-se ao dormente.

—Estou ciente disto Oliver, mas preciso de um tempo para me preparar psicologicamente para a conversa que terei com Amy Lee – admito vendo-o rir com o canto da boca.

—Sabe que está falando de uma garotinha de quase cinco anos e não de um dos tubarões da diretoria da QC, não sabe?- questiona e sinto ânsias de esgana-lo, chego mesmo a preparar as mãos para fazê-lo porém é salvo pelo toque de seu telefone – Sam Winchester – avisa, aumentando meu nível de estresse consideravelmente – Vou atender e deixa-la terminar sua preparação para a batalha! – provoca-me, escapando por muito pouco de um encontro face a face com minha escova de cabelo!

—Humpf!! Queria ver se fosse ele no meu lugar. Aposto que estaria tão nervoso que esqueceria o próprio nome! – bufo, enrolando e prendendo cabelo com ele mesmo, truque que Sara ensinara – Se bem que é sempre tão seguro e dono de si que duvido estivesse com tanto medo assim – pondero, retorcendo os lábios numa careta de insatisfação – Mas numa coisa está certo: não posso me esconder aqui dentro o dia inteiro. Tenho que encarar mais este desafio em minha vida. Além do mais, não vou sossegar enquanto não souber se Amy é minha filha – admito, respirando profundamente, encarando-me uma vez mais antes de sair do banheiro para o quarto vazio.

Enrugo o cenho, olhando a volta a procura de Oliver, escutando-o na varanda. Sigo até ele a passos rápidos, abrindo um pouco mais a porta de vidro no exato momento em que volta-se, seu semblante tranquilo me trazendo alivio. Se estava calmo era sinal de que as coisas estavam bem em Seattle.

—Ok , Sam, eu entendo. Obrigado pela ajuda e por manter-me informado. Manteremos contato. Dá um abraço no Dean e agradece a ele por mim... ok. Outro. Até breve – despede-se, voltando sua atenção para mim.

—Novidades? — pergunto antes mesmo que tenha chance de dizer algo – Me diz que tem boas notícias – peço, unindo as mãos.

—Não sei se são boas mas ao menos não são ruins – diz e arqueio a sobrancelha – Não houve nenhuma queixa por parte do tal sujeito nem ele voltou ao orfanato a procura de Amy – informa, prosseguindo antes que eu dissesse alguma coisa – No entanto um carro preto tem sido visto com certa frequência nos arredores desde a noite de Natal. Erica e Vitoria pensaram em dar queixa, mas como o ocupante não tentou nenhuma aproximação com qualquer pessoa ligada ao orfanato e o carro nunca demora mais do que alguns minutos defronte, não constitui sinal de perigo ou mesmo que esteja ali vigiando-as – relata e sinto meu estomago revirar – Dean pediu a um amigo de confiança para ficar de olho nos próximos dias – avisa, me encarando de uma maneira estranha.

—O que foi? Algo mais acontecendo? – questiono-o, pressentindo que não iria gostar do que ouviria.

—Mesmo não tendo havido nenhuma denúncia ainda – frisa – Temos que levar Amy de volta – solta e abro a boca para protestar mas não permite – Sweet, Erica e Vitoria são legalmente responsáveis por ela e não podem simplesmente deixa-la permanecer fora do orfanato, menos ainda em outro Estado, sem a devida autorização de um juiz. Já foi uma tremenda sorte Thea não ter sido questionada por viajar com uma menor sem autorização. Se tivesse sido interpelada em qualquer dos aeroportos poderia ter sido presa, Amy poderia estar nas mãos do tal sujeito e corríamos risco de sequer sabermos do que estava acontecendo – conjectura, me fazendo calar – Com toda loucura que enfrentamos aqueles dias, seria difícil para qualquer de nós nos atentarmos a ausência prolongada dela salvo se fossemos contatados pela polícia alfandegaria – relata e devo concordar estar com a razão – Por mais que queiramos e até sintamos que Amy é sua filha e de Tommy, precisamos de provas para dar início ao processo de reconhecimento parental ou, se for o caso, o pedido de guarda provisória ou mesmo adoção. Até lá temos que devolve-la ao orfanato ou correremos o risco de um processo que irá dificultar e muito obterem a guarda dela – constata.

—Eu sei amor, mas....é tão difícil! – exclamo, sentindo as lágrimas aflorarem – Mesmo que não seja minha filha, já a amo. Não consigo imaginar minha vida, nossa vida, sem ela por perto e sinto que se a levarmos de volta irei perde-la novamente. Talvez para sempre. Não sei se suporto isto uma segunda vez – confesso, esforçando-me para não chorar.

—Eu sei meu amor, e este era meu maior medo desde o começo, quando a dúvida se formou em minha mente – conta, me abraçando carinhosamente – Sei que vai ser imensamente difícil separar-se dela, mas é preciso – reitera, beijando o topo de minha cabeça, mantendo-me em seus braços um tempo impreciso, sem nada dizer, transmitindo-me a calma que precisava – Pronta? – pergunta suavemente.

—Agora estou – digo, aspirando seu perfume amadeirado antes de me afastar devagar, erguendo o rosto para olhar o seu – Vamos descer – convido, ganhando um sorriso.

De mãos dadas e em silencio, saímos do quarto seguindo pelo corredor direto para a escada e de lá para a área externa em volta da piscina, onde fôramos avisado que meus pais e os dele estariam juntamente com Thea e Amy, estancando alguns passos ao escutar o rápido dialogo.

—Tá certo tia Vick....fico sim...tá. Também amo vocês...tô com saudades! – Amy declara, desligando logo a seguir, entregando o celular a Thea com uma carinha triste.

—O que foi anjinho? Pensei que ficaria mais alegre depois de falar com as tias – questiona minha cunhada – Não falei que elas não estavam bravas por você ter passado o Natal com a gente e que podia ficar quanto tempo quisesse? – acresce e retenho o ar apertando a mão de Oliver com força.

—Falou tia Thê – anui ainda tristonha.

—E não estava certa? – Thea insiste, esticando a mão para limpar algo no rostinho de minha filha.

—Estava sim – concorda novamente.

—Então qual o problema? Por que está chorando minha querida? – é a minha sogra quem pergunta, preocupada – Soube de algo triste sobre algum amiguinho pelos quais perguntou? – pressupõe, afagando os cabelos dela, segurando um cacho entre os dedos.

—Não – diz, apertando as mãozinhas antes de continuar – Andie foi adotado antes do Natal e Sofia vai ser amanhã – conta, um soluço mínimo escapando.

—E vai sentir falta deles quando voltar ao orfanato – conclui minha, dirigindo-me um olhar pidão quando me aproximo junto com Oliver.

—T-também – admite, soluçando novamente – E..eu ... não ...queria ...ir – afirma, não dando tempo nenhum de nós responder – N-na-não quero ir! Que- que-quero ... ficar ...aqui...com vocês! Quero...um papai...e uma... ma-mamãe... mesmo não sendo de verdade.. me adota tia...Thê,..por favor!! – pede, atirando-se nos braços de Thea que já estava aos prantos – Oo-ou pede pros tios me ...ad..ado...ta...rem – reitera entre soluços, levando todos nós as lágrimas.

—Hei, venha aqui princesinha – Oliver chama, estendendo-lhe os braços, não se preocupando em esconder o choro – Caso não tenha ficado claro ainda, não vamos te deixar. Você é Nossa senhorita. Minha, de Felicity, da Thea, do Tommy, de todos aqui – enumera, limpando seu rostinho com o dorso da mão, olhando-a demoradamente antes de pô-la de pé sobre a mesa, me estendendo a mão num convite mudo, trazendo-me para junto de si, me dirigindo um olhar tão carinhoso que fico emocionada – Parece que no final das contas seu monologo foi em vão – brinca e rio entre as lágrimas que teimavam em continuar a cair pesadamente – Você...- recomeça, dando atenção a ela novamente, parecendo refletir acerca de algo ou a procurar as palavras certas a dizer – Amy, vou te contar uma historinha rápida. Ela é meio longa mas vou encurtar. Mais adiante, quando estiver mais velha, te conto ela por completo, ok? – sugere, recebendo um aceno afirmativo – A uns cinco anos atrás, um pouquinho mais que isso, eu servia ao exército e fui lutar num pais distante onde acabei preso. Então meus amigos, que não tinham ido comigo, foram me buscar. Um deles, teve de deixar a namorada sem avisar e quando voltou após ter me salvado, não conseguiu reencontra-la – explica cautelosamente – Ele até tentou, pra dizer a ela porque tinha ido embora tão de repente e pedir desculpas, mas não conseguiu. Então seguiu com a vida, assim como ela tinha feito. O que ele não soube é que a namorada estava grávida e em breve seria pai – faz outra pausa para dar tempo a ela processar o que dissera.

—E ela não tentou contar pra ele? Não tinha telefone? – Amy questiona, enxugando o rosto com o dorso da mãozinha, olhando-o atenta.

—Não, ela não tinha porque os dois foram muito burros e não trocaram telefones – adianto-me, arrancando um sorriso gostoso – E ela estava muito, muito brava com ele porque pensou que ele não tinha levado a sério o namoro dos dois, sabe. É que eles mal se conheciam e ela descobriu, despois que ele tinha partido, que não era o tipo de cara que se envolve por muito tempo entende? – pergunto.

—Como o ex da tia Erica? Ele não quis casar com ela e foi embora – conta e rio da comparação esdruxula.

—Mais ou menos – anuo, fungando – O fato é que ela estava brava, muito brava mesmo e não quis procurar por ele mesmo depois que descobriu que teriam um filho. E depois ela também descobriu que tinha conseguido uma vaga no curso que tanto desejava fazer e mudou-se da cidade aonde ele sabia que ela morava para outra bem longe – conto.

—E não deixou endereço? – quer saber, atenta.

—Sim e não – digo, fazendo uma careta – Ela pediu que os pais não contassem nada, que depois, quando a raiva passasse ela veria o que fazer – relembro, suspirando – Foi um erro. Devia ter procurado logo – lamento, perdendo-me em lembranças.

—O fato é que os dois se desencontram, o tempo passou e ai ela teve o bebê sozinha – Oliver reassume ante meu silencio prolongado – Uma linda menininha...que lhe foi tirada ainda no hospital. Disseram a ela e aos pais dela que a garotinha havia morrido pouco tempo depois de nascer, mas era mentira. Só que ela e os pais não sabiam e acreditaram – revela e sinto as lágrimas voltarem com força total – Ela sofreu muito. E os pais dela também. E anos depois, quando o destino a fez reencontrar o pai da garotinha e ela contou ele tudo que tinha acontecido, ele sofreu também – afirma, afagando o rostinho meigo e agora curioso – Sofreu por ter partido sem se explicar, por não ter conseguido encontra-la antes de o bebê nascer, por não ter estado ao lado dela durante este momento difícil... Mas agora, o destino agiu novamente e a garotinha que pensavam morta, apareceu. E apareceu para alguém que conhece os dois....alguém que viu as semelhanças com eles... que se perguntou se seria possível....- cala-se, encarando o rostinho atento durante alguns segundos antes de perguntar – Amy, sabe por que estou te contei essa história?

Depois de um silencio que me pareceu durar uma eternidade, Amy finalmente responde.

—Porque a menininha...sou eu?? – devolve, enrugando o cenho – Sou eu tio Ollie? – repete, duvidosa.

—É sim – Thea adianta-se, Oliver a corrigindo rapidamente.

—Pode ser – diz, advertindo a irmã com o olhar – Poder ser que seja meu anjo – reitera, voltando-se para ela – Há muita coisa em sua historia que bate com a que contei, mas não tenho como te dizer com certeza absoluta que é você – afirma.

—Para isto, para termos a certeza da qual Oliver fala, precisamos fazer um exame demorado mas que nos dirá se é ou não você – meu padrasto intervém, aproximando-se, segurando uma de suas mãos – E sabe a quem ele se referiu? Quem são as pessoas da história? – inquire, esperançoso, Amy me surpreendendo ao virar-se para mim sem hesitar.

—Felicity – diz, me encarando séria – Você é... minha...mamãe? – interroga.

—A-acho que sim – gaguejo, respirando fundo – Sim. Eu sou sua mãe porque independente de qualquer exame, de qualquer teste, eu já te amo como minha filha e como Oliver disse, você é Nossa! É Minha e não vou te perder. Nunca mais! – asseguro, recebendo-a em meus baços quando se atira sobre mim – Minha bebê! Minha filhinha!! Eu te amo tanto! – exclamo, deixando o pranto me tomar outra vez , pondo-a sentada sobre a mesa, prendendo seu rosto entre minhas mãos, examinando cada traço, cada mínimo detalhe seu – Te amei desde o primeiro momento em que te vi no exame. Te amei a cada chute, e como você chutou meu amor! – brinco, fazendo-a rir – Te amo tanto...tanto...tanto – repito sem parar, enchendo-a de beijos, apertando-a forte em meus braços.

—Para Fel! Vai sufocar minha sobrinha! – Thea resmunga, e rio, afrouxando o abraço, olhando em seus olhinhos curiosos outra vez, enlevada.

—E sabe quem é seu pai meu anjo? – meu padrasto pergunta, não a deixando responder de imediato – Mas antes, saiba que eu e está chorona aqui somos os avós mais felizes da face da terra! – exagera, lhe dando um beijo demorado na fronte, repetindo meu gesto – Então, sabe quem é seu pai? – repete, ela hesitando, dirigindo um olhar confuso a Oliver, depois a meu padrasto novamente e finalmente para mim.

—Tommy – respondo a pergunta muda contida em seus olhos – Tommy é seu pai – confirmo, pondo uma mecha solta para trás de sua orelha – Melhor dizendo, pode ser seu pai. O exame é que irá nos dizer – corrijo-me.

—Eu gostei dele. É bobo mas gostei dele – diz, nos fazendo rir – Mas ele não vai casar com você vai? – quer saber.

—Não amor. Vou me casar com Oliver – afirmo, segurando a mão de meu noivo.

—Então....- cala-se , levando o dedinho a boca.

—Então o que anjinho? Qual a dúvida?- Thea quer saber.

—Se ele for meu papai e você minha mamãe...com quem vou morar? – questiona e rio novamente.

—Isso foi tão....Felicity!! – Thea exclama me fazendo rolar os olhos.

—Não se preocupe com isso agora anjo. Quando o resultado sair, tudo se ajeitara – meu padrasto se adianta – E enquanto isto, daremos entrada no pedido formal de adoção – avisa, pegando a mim e Oliver de surpresa – Já andei me inteirando do que é preciso, no caso especifico dela, com uma amiga juíza, de minha total confiança – pontua – Que legisla na área. Ela, aliás, ficou de me indicar um advogado especialista. Não me leve a mal Robert, o setor jurídico da QC conta com profissionais de alto nível, não tenho dúvidas, mas precisamos de alguém com experiência na área — pede.

—Concordo plenamente – anui o senhor – Agora, que tal terminarmos nosso dejejum para que possam ir ao hospital fazer a coleta do material para exame? – sugere, evitando falar qual tipo de exames faríamos.

—Têm certeza de que não querem buscar por uma clinica particular? Me sentiria bem mais confortável e tranquila – Moira declara.

—A amiga de Cait é de nossa inteira confiança e fará tudo em sigilo, o que também é importante agora, mãe – Oliver rebate.

—Neste caso, vamos ao café da manhã – convida, indicando a mesa.

—Você gostou das novidades docinho? – pergunto quando Ollie pega Amy no colo.

—Uhum...muito – diz, me brindando com um sorriso encantador.

—Meu pai...é uma miniatura do Tommy só que saias! – Thea solta, provocando risos em todos.

Durante a refeição, envio uma mensagem a Cait pedindo que avisasse April que iriamos nos atrasar e poderia, se pudesse, ir adiantando a coleta do Tommy. Aproveito para saber como ele está, ela respondendo que bem melhor. Respiro aliviada muito embora me referisse especificamente a seu humor do que propriamente a saúde física.

Apesar de ter tido uma pequena piora em seu quadro (nada grave ou que o colocasse em risco de morte), Tommy se recuperava bem dos ferimentos sofridos no ataque. O problema estava em seu comportamento. Desde que soubera tanto dos acontecimentos que se seguiram no condomínio quanto da possibilidade de Amy ser nossa filha, ficara estranho.

Cait fora a primeira a notar, ainda na manhã de Natal após o super café da manhã que minha mãe organizara. Depois Oliver e Thea, ao visita-lo no dia seguinte, também notaram e Jay só confirmou as suspeitas de todos quando relatou tê-lo surpreendido sendo grosseiro com uma enfermeira, atitude pouco comum a ele.

Nossa esperança é que isto fosse apenas um reflexo por estar irritado com o fato de os irmãos Chase e a vadia ruiva não terem sido pegos ainda e ele não estar podendo agir, e nada tivesse a ver com Amy.

—Ah, as vantagens de ser criança! – mamãe exclama, me tirando do devaneio – Até a pouco estava toda tristinha e chorosa. Agora está feliz e risonha correndo atrás dos malucos da Cait! – relata me fazendo olhar em direção ao jardim aonde Amy e Thea corriam junto com os pugs enquanto os gatos se mantinham sobre uma das espreguiçadeiras tomando seu banho matinal – Acho que irão precisar de um cachorro quando ela for morar com vocês, bebê.

—Também acho – anuo, olhando-a maravilhada.

—Sei que não é o correto, mas depois do que ouvimos, não tem como deixa-la partir – Damien me surpreende com a declaração – Não dá pra leva-la de volta ao orfanato a milhares de quilômetros daqui. Não fará bem a ninguém. Este ponto deve ser inegociável – frisa, pensativo.

—Podemos ver com o advogado uma brecha na lei que nos permita mante Amy conosco durante todo o processo e enquanto aguardamos o resultado do DNA – é a vez de Ollie me surpreender – Eu sei que tida dito o contrario Sweet, mas como o juiz disse, não dá pra manter os planos – justifica-se ante meu olhar inquisidor.

—E ainda tem os tal sujeito que não sabemos quem é e o que quer com minha netinha – mamãe lembra, um calafrio percorrendo minha espinha – Podem usar isso em nosso favor não podem? – questiona, olhando de Damien para Oliver.

—Não sem complicar a vida da senhorita Queen, infelizmente – Damien afirma, massageando o queixo – A não ser....- deixa a insinuação no ar.

—A não ser o que?? – quero saber.

—Nada, por hora – diz, sacudindo a mão – Quando constituírem advogado trataremos desta questão.

—Assim espero, porque mesmo concordando com tudo que foi dito, não quero minha filha presa – Moira afirma, sincera.

—Não será – Oliver garante, levantando-se – Vamos Sweet, já perdemos muito tempo. Ainda temos que ir a Verdant, entre outras coisas – lembra e levanto.

—Vamos sim – anuo – Thea, Amy, vamos indo – chamo, as duas correndo em nossa direção – Venha aqui mocinha. Está toda suada – ralho, pegando um guardanapo, enxugando o rostinho vermelho de minha filha – Está com sede? Que água antes de irmos? – ofereço.

—Não. Agora não – diz, voltando-se para Moira – Posso pegar uma maçã? – pede.

—Claro meu bem – responde ela – Mas seria melhor um banana porque estava correndo feito um atleta e precisa de potássio – oferece, pondo ambas frutas dentro de um potinho de vidro e me entregando – Melhor comer no carro – sugere.

—Certo. Vamos indo – reforço, segurando-a pela mão – Dê tchau pra seus avós meu anjo.

—Tchau vovós – obedece, soltando beijos.

—Oh meu Deus do céu, que coisa mais fofa da vó!! – mamãe exclama, inclinando-se até segurar o rosto de Amy em suas mãos, apertando forte.

—Mãe, pare, vai machuca-la...e assustar também – peço, libertando-a, acompanhando Thea e Oliver que já adiantavam-se em direção ao carro.

—Deem notícias – ouço mamãe pedir e aceno sem me voltar, aumentando o passo.

—As outras coisas que se referiu são..?? – quero saber tão logo emparelho com Oliver.

—QC, Câmara de vereadores de Starling para conversar com Blood....e uma reunião com os rapazes. Temos novidades sobre os Chase – revela, me deixando tensa – Podemos ter descoberto o paradeiro deles – acresce, destravando e abrindo a porta do carona para mim enquanto Thea entra atrás com Amy.

—Isso é bom ou ruim? – pergunto assim que me acomodo, voltando-me a fim de verificar se Amy estava acomoda corretamente.

—Bom né não? – Thea questiona, ajustando o cinto de segurança em minha filha.

—Depende de onde e como estão – responde, misterioso.

—Não entendi – assumo, ficando parcialmente de frente para ele.

—Explico depois – avisa, olhando as duas no banco de trás – Prontas? – pergunta, recebendo acenos afirmativos – Pronta Sweet?

—Sim – respondo, o frio no estomago voltando mal põe o carro em movimento, a importância do exame que estava prestes a realizar me atingindo como um raio.

Não era apenas minha vida e de Ollie que iria mudar, mas a de Tommy e Cait também. E honestamente, torcia para que estivessem preparados para isto.

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“...I can do anything;

‘Cause your love is so amazing;

‘Cause your love inspire me;

And when I need a friend;

You’re always on my side;

Giving me Faith, taking me through the nigh..”

Hospital de Starling ( 9:55 a.m)

Cait

—Senhorita, quando a liberei para caminhar não estava implícito clinicar! – ouço a bronca e imediatamente levo as mãos ao rosto enxugando as lágrimas, tentando, em vão, esconder de Layla que estava chorando – Seus ferimentos podem não ter sido tão severos, mas tem de descansar e...O que houve Cait? Está sentindo dor? – preocupa-se sentando a meu lado, inclinando a cabeça a fim de ver meu rosto – Aconteceu alguma coisa? – insiste quando não respondo, seu olhar desviando-se para minha mão direita – O que....? O resultado!! – conclui, olhando em meus olhos – Você...

—Estou grávida -informo, o nó em minha garganta aumentando quase a ponto de me sufocar – Não era resquício de nenhum aborto espontâneo. Estou grávida de duas e três dias contando com o dia de hoje – completo, estendendo-lhe o papel – Devido a meu histórico recente, doutora Lacerda quer fazer a ultrassom o mais rápido possível para verificar as condições de meu útero e do embrião. Já pediu uma bateria completa de exames – conto, fungando forte.

—O quão rápido ela quer a ultrassom? – escutamos o questionamento e ambas nos voltamos encontrando Isabel a nossas costas.

—Hoje ainda – informo, voltando a posição na qual Layla encontrara-me, apoiando a cabeça em minhas mãos, suspirando, as lágrimas caindo mansamente.

—Escute Caitlin, sabemos que não estava em seus planos um bebê agora, em meio a toda esta confusão que sua vida se tornou, mas não está sozinha. Estamos aqui pra te apoiar. Todos nós – Layla garante, esfregando minhas costas com uma mão – Fará os exames que Valeria pedir e, se for o caso, estou certa que Isabel concederá licença para que cuide de sua saúde, não é? – tranquiliza-me.

—Sei disso, mas... não é apenas isto que me preocupa – digo antes que Isabel se pronunciasse – Eu... eu...- titubeio, sem saber bem o que dizer, como justificar minha tristeza.

—É Thomas não é? Teme a reação que terá quando souber do bebê – Isabel verbaliza o que não tive coragem de dizer.

—Mas por que? Vocês se amam. Estou certa de que ele ficara feliz em saber da novidade, mesmo com toda essa loucura acontecendo – Layla contesta.

—Não sei se irá ficar feliz ou até se gostara de saber de uma gravidez não programada, ainda mais uma que podem nem vingar! – rebato, soluçando alto, fazendo-a se agachar a minha frente, obrigando-me a encara-la.

—Cait, eu sei que as coisas não serão fáceis, que seu corpo precisava de mas tempo para se recuperar, que sua relação com Thomas está apenas começando, que não planejaram, etc e tal... Mas aconteceu! – abre os braços – O que há para fazer de agora em diante é cuidar de você e do bebê – afirma, erguendo o olhar para Isabel num pedido mudo de ajuda.

—Concordo – anui ela, sentando-se a meu lado esquerdo – Quanto a Thomas... bem, tenha paciência e dê um pouco de tempo a ele. Sei que vem agindo estranho recentemente, mas precisa entender que teve de assimilar muita coisa – pede e a olho, confusa – Primeiro o ataque a vocês dentro do apartamento dele, onde supostamente deveriam estar seguros. Conheço meu enteado o suficiente para saber que sente-se culpado por não podido te proteger – afirma, trazendo-me a mente a fala de Thomas na manhã de Natal, quando acordou – Depois soube da possibilidade de a filha que julgava morta pode estar viva e aqui em Starling. E ainda tem todos os problemas com os quais estavam lidando antes: os problemas comuns na administração da boate, o projeto nos Glades que por sua vez o levou a um atrito com o pai, as ameaças do tal stalker...sei que estava ao lado dele na maioria destes acontecimentos, porém sabemos que nós mulheres lidamos um pouco melhor com tantas coisas ao mesmo tempo – compara, arrancando um meio sorriso de mim – É fato notório, como devem saber, que o neurônio a mais que os homens possuem é para ajuda-los abrir tampas de potes que enroscam! – brinca e acabamos por rir, as três, juntas -Brincadeiras a parte, imagino o quanto deve ter sido frustrante para ele não ter conseguido te defender daquela coisa que atacou vocês. Falando nele, o que era aquilo? Malcom e eu ficamos assustados quando vimos as imagens – revela.

—Também fiquei e olha que já vi muita coisa estranha quando estive a serviço da A.R.G.U.S – Layla comenta, esfregando os braços – A força daquele homem não era normal. Mal posso esperar para lê o resultado da autopsia – diz.

—Ainda não saiu? – pergunto, enxugando o rosto na manga do casaco que usava. Estava frio no terraço, mas não sentia-me incomodada.

—Saiu ontem mas John ainda não me mostrou – revela – E parece que Eddie iria cruzar os dados com um arquivo de um caso em aberto do ano passado – acrescenta, o som de mensagem em meu celular chamando nossa atenção.

O retiro do bolso lendo o que Lissy escrevera.

—Felicity e Oliver vão se atrasar. Pediram para avisar April – digo, guardando o aparelho novamente – É justamente por saber o que Thomas tem enfrentado que estou pensando em não lhe contar sobre o bebê ainda – revelo, as duas trocando olhares tensos – Não sei se lhe faria bem criar expectativa por algo que pode não se concretizar – justifico-me.

—Desculpa Cait mas vou discordar. Acho que deve sim contar que pode ser pai uma segunda vez, ainda mais que desta poderá acompanhar de perto, coisa que, me perdoe a franqueza, Felicity tirou dele – Layla argumenta – Não estou inteirada de todos os fatos, mas em minha opinião, por mais que estivesse com raiva na época, quando ele procurou por ela deveria ter falado da gravidez. Ele é o pai – completa.

—Não é tão simples Layla. Havia muita coisa acontecendo na vida deles naquele tempo e...

—Perdão Cait, mas acho que ambos erraram. Thomas por ter sumido sem deixar ao menos um bilhete com o numero do telefone e Felicity por ter sido teimosa em não permitir aos pais contar da gravidez. Como Layla disse, ele é o pai – Isabel me interrompe – Eu, melhor do que ninguém, sei que tudo nem sempre é preto no branco, mas as vezes precisamos usar de prudência – diz – Por essa razão quero reforçar o pedido de Layla. Conte pra ele. Thomas não merece ser privado dessa emoção, qualquer que seja ela – reforça.

—Certo. Vou pensar com carinho – prometo, sorrindo sem vontade – Deixa ir avisar April – me levanto – Obrigada por me ouvirem e aconselharem – agradeço, ambas sorrindo de volta – Até mais – despeço-me, saindo, seguindo direto para a Patologia onde encontro com minha amiga.

—Bom dia! Já esta podendo zanzar por ai é?- cumprimenta-me animadamente, abraçando com carinho.

—Digamos que me dei meia alta – brinco, abrindo e despindo o casaco, ficando com o pijama de flanela que Thea me dera de presente – Felicity vai atrasar um pouco – aviso, recostando na bancada.

—Neste caso vou adiantar e coletar o material de Thomas – diz, pegando seu kit de coleta – Vem comigo? – convida.

—Claro – respondo, vestindo o casaco novamente, aguardando-a.

—Antes que eu esqueça, parabéns. Soube do resultado de seu exame – declara, me olhando sorridente – Está feliz? – quer saber e escapo da resposta quando seu colega a interpela sobre um resultado qualquer.

—Vou te esperar lá fora – aviso, saindo sem esperar resposta.

Recosto-me a parede tão logo deixo a sala, abraçando meu ventre, suspirando. Na verdade não saberia o que responder. Logico que um filho é sempre uma dadiva, mas não posso dizer que estou completamente feliz.

—Vamos? – April chama, me tirando do devaneio.

Anuo com um gesto de cabeça, seguindo-a. Para meu alivio, o assunto gravidez somente volta a pauta quando estamos a porta do quarto onde Thomas está internado e trazido por mim.

—April, ainda não contei ao Thomas sobre o bebê. Se puder evitar falar sobre o assunto te agradeço – peço, sorrindo gentilmente.

—Claro. Esta noticia deve ser dada com os dois Ces – diz e a olho sem entender – Calma e Carinho! – esclarece, batendo a porta antes de abri-la – Olá, podemos entrar? – pergunta, ficando de lado para me dar passagem.

—Evidente – a voz do pai de Thomas libera – Bom dia Caitlin. Como está? – pergunta, gentil.

—Melhor senhor Merlyn – respondo, ido direto ao leito – Bom dia meu amor. Como está? – pergunto após lhe dá um beijo casto e rápido.

—Bem – limita-se responder, sem animo, segurando minha mão.

—Que bom – digo, tentando esconder minha frustração por sua recepção pouco calorosa – Está é April. Ela trabalha no laboratório de Patologia do hospital e veio coletar seu sangue para o exame de DNA – apresento.

—Já fez a coleta nas duas? – Malcom Merlyn questiona, pondo-se de pé, mostrando mais interesse do que o filho.

—Ainda não. Eles atrasaram e por isso resolvi adiantar coletando logo o sangue de Thomas – April explica, voltando sua atenção para ele – Tudo bem pra você? – pergunta, recebendo um mexer de ombros em resposta – Ok...vamos lá então – minha amiga diz, me dando um olhar interrogativo, pondo-se a preparar o material para coleta.

Durante todo o processo permanecemos em silencio, Malcom e eu registrando cada mudança de expressa no rosto de Thomas.

—Prontinho. Agora é só aguardar as duas chegarem, fazer a coleta e enviar o material – avisa, identificando a amostra antes de guarda-la na maleta do kit – Dou notícias sobre o andamento do exame. Até mais ver – despede-se, me dirigindo um sorriso cumplice.

—Gostaria de lembra-lo que as pessoas aqui estão cuidando de sua saúde e não merecem serem destratadas – o pai de Thomas dispara assim que ela sai e retenho o ar – Nenhum deles tem culpa pelo que aconteceu muito menos por sua filha ter sido afastada de você antes mesmo de nascer – prossegue, caminhando em direção a porta – Portanto, sugiro que melhore esse humor antes que todos lhe virem as costas, incluindo essa bela jovem que se arriscou por você – declara, me dando um beijo na testa, encarando o filho por um segundo, saindo sem mais nada dizer.

Sem saber o que dizer, permaneço calada, sentindo a pressão em minha mão diminuir até se transformar numa caricia suave.

—Thomas, como está se sentindo em relação a Amy? – quero saber, quebrando o silencio que nos envolvia, olhando em seu rosto.

—Bem. Por que? – devolve e decido ser franca com ele.

—Porque desde que soube está agindo estranho. Até seu pai notou e seu pai notou. Reconheço que deve estar sendo bem difícil lidar com essa novidade neste momento, mas...

—Estou com raiva Cait – admite, me cortando – Com raiva por ter sido pego de surpresa pelo ataque. Raiva por não ter feito uma avaliação melhor sobre o stalker e ter te colocado, mesmo sem pretender, em perigo – declara, acariciando meu rosto – Deveríamos, os rapazes e eu, termos reavaliado nossa estratégia depois dos assassinatos e mudado de estratégia. Tenho raiva de não ter conseguido evitar que fosse atacada. Até de quase ter te feito perder seus pets me recinto– enumera, puxando ar com força – E sim, estou com raiva de não ter, em primeiro lugar, podido escolher conhecer minha filha quando Felicity descobriu que estava gravida. Pensei que havia superado isto mas saber que ela pode estar viva, que foi sequestrada como forma de vingança contra o pai dela, mexeu muito comigo, não nego – confessa, fechando os olhos um segundo – Sei que errei indo embora sem deixar rastros, mas o juiz já sabia da gravidez quando fui a procura dela e agora fico me perguntando se teria feito diferença saber de sua existência – conjectura.

—Tommy, não pode ficar se torturando com este tipo de suposição. Felicity só deu a luz prematuramente por um acidente provocado pela tal família Cruz. Você saber ou não poderia não fazer diferença alguma – argumento – A menos que estivessem casados e vivendo juntos – suponho vendo-o fazer uma careta – Não dá pra ficar teorizando em cima disso – insisto, me sentindo desconfortável.

—Eu sei meu amor, o que não impede que eu sinta raiva por isso. Felicity me tirou a chance de saber que seria pai, de escolher se queria acompanhar sua gravidez mesmo que de longe – lamenta, o conselho de Isabel ecoando dentro de minha cabeça – Não tem sido fácil lidar com tudo isso ainda mais sabendo que aqueles lunáticos estão a solta e podem voltar a ameaçar todos nós – declara soltando um longo suspiro e novamente a dúvida sobre contar ou não me assola.

Não vai conseguir esconder isso por muito tempo Cait, caso essa gravidez vingue. E ai, que fará? Como vai justificar ter escondido dele sua gravidez tal e qual sua prima fez? Pior: se os malucos voltarem e perder seu bebê, como irá se explicar?— Thomas, lembra que disse ter um assunto a tratar com você? – me pego dizendo após travar uma pequena batalha mental.

—Lembro – diz, me encarando, sério – O que há Cait? O que está te incomodando? – pergunta quando demoro a falar.

—Eu...eu...- titubeio sentindo as lágrimas aflorarem.

—Cait...

—Não, me deixe falar antes que perca a coragem – peço, o interrompendo. Respiro profundamente – Sei que não é o melhor momento e não planejamos, sequer conversarmos a respeito e pensei muito se deveria te contar sobre isto, acredite, não apenas por toda esta loucura que estamos vivenciando, mas também por não ter certeza de que irá ...que ele, ou ela, não sei ainda, até porque não dá pra saber, irá sobreviver ...

—Cait, o que há, que está acontecendo a você? – me corta, sentando-se ereto – Alguém te ameaçou? – quer saber, tenso.

—Não, nenhuma ameaça – tranquilizo-o, enchendo-me de coragem – Estou gravida Thomas. Espero um filho seu, nosso, mas não sei se essa gravidez irá até o final porque meu corpo pode não estar preparado para isto ainda – revelo de uma vez por todas – Nem deveria ter acontecido. A gravidez, quero dizer e admito que pensei em não te contar para não criar uma expectativa que possa ser frustrada – concluo, respirando aliviada, abaixando a vista.

—Que bom que decidiu me contar – ouço-o dizer, meu rosto sendo erguido com gentileza – Porque frustrando ou não, quero estar a seu lado a cada passo, em todo momento que precisar. Quero sentir ele crescer dentro de seu ventre, sentir os chutes e cada movimento que fizer. E se isto não acontecer, quero estar a seu lado pra te apoiar e chorar junto, confortarmos um ao outro porque te amo Cait – declara-se, e o abraço, reivindicando um lugar a seu lado no leito.

—Também te amo Tommy – retribuo, mordendo o lábio, insegura – Mas quero te pedir uma coisa – ergo-me parcialmente, encarando-o – Não vamos contar a mais ninguém além das poucas pessoas que já sabem, as quais pedirei o mesmo, até que tenha certeza que vou conseguir mantê-lo. Não quero comemorações ou chás, nada até me certificar que irei levar esta gravidez a termo, até o fim – peço.

—Concordo desde que me prometa que não irá me esconder nada, nenhum detalhe, nenhuma dor ou mal estar por menor que seja. Quero fazer parte de tudo Cait – pede e sorrio.

—Então melhor descansar se quiser me acompanhar ao primeiro exame, hoje a tarde, dos muitos que irei fazer esta daqui por diante – aviso.

—Já? – espanta-se.

—Uhum. Já – confirmo – Minha obstetra, doutora Lacerda, quer verificar como está o embrião por isso farei uma ultrassom – explico.

—Embrião? – pergunta, enrugando o cenho – Por que não bebê, ou feto? – quer saber.

—Por que ...- vacilo – Estou terminando minha primeira quinzena – digo, vendo a expressão de espanto em seu rosto – Sim, já estava gravida quando fomos atacados mas ainda não sabia – confirmo o questionamento mudo.

—Por Deus Cait, você...- para, cerrando os punhos – Agora tenho mais um motivo pra pegar aqueles infelizes. Puseram a vida da mulher que amo e de nosso filho em risco. Não vou descansar até vê-los, todos, atrás das grades – determina, suavizando voz e expressão logo em seguida, rindo com o canto da boca – E ainda duvida que irá conseguir levar a gravidez até o final! Esse bebê já provou que é durão, ou durona – brinca, acariciando meu ventre – É bom já ir pensando em nomes doutora, porque vamos sim ter esse filho! – exclama, me puxando para um beijo demorado ao final do qual me limito rir de volta, deitando a cabeça em seu peito, em silencio, entrelaçando nossos dedos, tentando desesperadamente compartilhar do mesmo otimismo que ele.

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Patologia (10:33 a.m)

Narrador

—Olá, bom dia. Podemos entrar? – Felicity questiona, abrindo a porta da sala minimamente, a mulher sentada junto a bancada voltando-se para vê-la – Layla disse que podíamos vir direto para cá – justifica-se ante o olhar inquisidor.

—Felicity Smoak? – pergunta a morena, sorrindo gentil quando a loira confirma com um aceno – Estava a sua espera. Entre – convida, ela o fazendo timidamente – April Choi, muito prazer – apresenta-se.

—Prazer – retribui, olhando em volta – É aqui mesmo que iremos coletar? – quer saber, justificando-se – É que pensei que seria em uma sala decorada por causa da Amy. Ela ainda não sabe que tipo de exame faremos – explica, rindo sem graça.

—Ah, entendo. Podemos ir para uma das salas na pediatria se preferir – sugere April.

—Se não for pedir muito quero sim – Felicity diz, apertando as mãos nervosamente – Não vai doer não é? Digo, não precisa de muito sangue né? Não é nada que vá demorar pra coletar é? – dispara fazendo a Patologista rir discretamente.

—Não é preciso uma quantidade grande mas pode demorar um pouco, não vou mentir. Tudo vai depender se ela ficar quieta – avisa, pegando sua maleta de coleta – Quanto a dor, só o normal, mas se não tem costume pode ser que ache ruim e chore.

—Ai droga, é disso que tenho medo. Não sei se consigo segurar ela. Vou ficar com pena. Sou capaz de chorar junto! – confessa.

—Tudo bem. Caso não consiga peço ajuda a uma enfermeira ou mesmo a Pediatra – April diz, tocando seu ombro – Só preciso que passe calma para ela porque, como disse, se ficar quietinha será rápido – reitera.

—Vou tentar – Felicity promete, seguindo-a para fora da sala, indo ao encontro de Oliver, Thea e Amy – Vamos a outro local – avisa quando se aproximam.

—Ok – Oliver anui, pondo a garotinha nos braços outra vez, acompanhando a noiva e a médica, Thea seguindo-os alguns passos atrás – Speedy? – chama ele ao notar sua ausência quando entram na sala de paredes alegres com mesa e vários brinquedos em estantes além de uma cadeira própria para coleta.

—Aqui – apresenta-se a jovem, fazendo uma careta quando a Patologista começa a preparar o material para coleta – Hã, vou pegar uns docinhos para depois. Pode né? – questiona, olhando diretamente para April.

—Pode. Inclusive tenho uns aqui comigo – revela a médica, exibindo um pirulito – Quer pequena? – oferece a uma desconfiada Amy, que aceita, hesitante – Que mocinha mais linda e comportada – elogia, indicando a cadeira – Quem for ficar com ela no colo pode sentar- pede, dando as costas ao casal a fim de finalizar os preparativos.

—Eu fico Sweet – Oliver se prontifica, sentando-se com Amy no colo.

—E eu vou ficar aqui pertinho o tempo inteiro, tá certo meu bem? – Felicity avisa ao perceber a expressão de choro da menina quando visualiza a seringa.

—E eu vou sair pra não atrapalhar – Thea avisa, deixando a sala rapidamente.

—Certo mocinha, agora preciso que estique seu braço e fique bem quietinha – April pede, ela balançando a cabeça negativamente.

—Não! – exclama, tentando se voltar para agarrar-se em Oliver – Não quero tio. Quero ir embora!! – pede, chorosa.

—Nós vamos meu bem. Daqui a pouco. Antes precisamos pegar um pouquinho do seu sangue pra fazer aquele exame que falamos mais cedo, lembra? – Oliver argumenta, tentado mantê-la quieta enquanto Felicity observa, aflita – Amy, por favor meu anjo, se ficar quietinha não vai demorar, não é doutora?

—Vai ser rápido, eu prometo. E depois te dou mais doce – negocia, exibido outro pirulito.

—Quero não. Quero ir embora!! – rebate a garotinha, estendendo os braços em direção a Felicity, chorando copiosamente – M-mamãe, mamãe... quero...não... me leva embora mamãe! Me leva...mãe...- implora, tentando se soltar dos braços de Oliver.

—Amy, por favor meu anjo... precisamos fazer o exame pra você poder ficar com a gente – lembra, forçando-a contra seu corpo, dirigindo um olhar desesperado a noiva.

—N-não quero mais...não..mamãe, ajuda mamãe! – volta implorar, esticando-se na tentativa de soltar-se, fazendo Felicity sair do torpor.

—Ok, me dê ela Ollie – ordena – Me dê Oliver – repete, imperiosa quando o noivo não obedece – Oliver, por favor, me entregue minha filha! – pede, ele cedendo – Tudo bem meu amor, tudo bem! – acalenta a garotinha balançando de um lado para outro, dizendo palavras de carinho – April, pode coletar o meu primeiro? – pergunta após alguns minutos.

—Sim, sem problema – concorda a médica.

—Certo – Felicity diz, afastando os cabelos do rosto da menina em seus braços, que ainda chorava baixinho – Olha só meu amor, mamãe vai sentar na cadeira com você pra tia April poder coletar o meu sangue tá certo? – avisa, sentando-se lentamente com ela grudada em si – Amy, preciso que sente direito pra poder esticar meu braço amor, senão tia April não consegue coletar – pede, conseguindo fazê-la girar e sentar em seu colo – Certo, vamos lá – diz a loira, esticando o braço, uma ideia lhe vindo a mente – Amy, que acha de ajudar a mamãe e a tia April? É que a mamãe tá um pouquinho cansada e meu braço pode tremer. Você segura ele firme pra mim? – pede, a menina olhando-a desconfiada, anuindo após algum tempo – Isso amor, segure firme. Pode coletar April – libera, a médica fazendo o garrote, coletando a amostra sem dificuldade – Prontinho. Viu como foi rápido? – pergunta, olhando a garotinha, afastando uma mecha de cabelo de seu rosto – Você achou que a mamãe foi valente? – questiona, ela anuindo com um gesto de cabeça – Que bom. Agora será que você pode ser valente como a mamãe foi, hum? A mamãe segura seu bracinho como você segurou o meu e ai a tia faz bem rápido. Vai parecer que uma formiguinha te deu uma mordidinha assim, o! – dá um beliscão leve no braço da menina, que ensaia um sorriso – Doeu? Não né? Só um pouquinho assim não foi? -indaga, fazendo cocegas na filha – Você vai ser valente como a mamãe vai? – pergunta novamente, a menina anuído ainda hesitante – Bom. Então vamos lá tia April, vamos coletar...antes que ela mude de ideia – cochicha o final da frase, segurando o braço da garotinha delicadamente, esticando-o.

—Vai doer? – questiona Amy, chorosa, olhando a agulha.

—Vai ser igual a mamãe mostrou anjinho – Oliver diz, fazendo-a olhar para ele – Hei, que acha de irmos ver seu pai depois que terminar e você coletar o sangue dele? – sugere, segurando eu rosto quando faz menção voltar-se – Anjo, que me diz? Quer coletar o sangue de seu papai? – insiste, mantendo-a firme.

—Mamãe!! – recomeça a chorar.

—Prontinho boneca. Já foi – April anuncia, soltando o garrote – Que garotinha valente você foi!! – exclama, pegando dois band aid – Você da princesa ou da Minnie pra você e sua mamãe? – pergunta, mostrando-os a ela.

—Princesas – escolhe, soluçando, atenta aos movimentos da médica.

—Olha só amor, temos curativos iguais!! – Felicity exclama, beijando a bochecha da filha – Estou orgulhosa de você meu bem – diz, beijando-a outra vez.

—Já acabou? – Thea aparece a porta, mordendo o lábio.

—Já corajosa — Oliver a provoca, piscando para Amy, ajudando Fleicity a levantar com a menina no colo.

—Ah mas com agulha não sou mesmo, não tenho vergonha nenhuma em admitir – afirma, levando as mãos a cintura – E agora, para onde vamos? – quer saber.

—Visitar meu papai – Amy responde, concentrada em abrir a embalagem do pirulito.

—Isso – Oliver anui, voltando-se para April – Tommy...

—Coletei mais cedo – avisa a médica – Agora é só enviar e aguardar. Manterei vocês informados – promete – Tchau mocinha valente – despede-se, acenando para Amy, que retribui – Ah, tem injeção de brinquedo ali no canto. Pode levar se quiser – libera, acenando aos três adultos antes de sair.

—Pra que injeção de brinquedo? – Thea questiona ao ver o irmão ir até o local indicado pela Patologista.

—Pra Amy coletar o sangue do pai – explica o loiro – Vamos indo? – convida.

—Pera, na vai levar pirulito pra ele também? – Amy pergunta.

—Logico que vamos meu bem – Thea adianta-se, pegando vários doces.

—Pra que tudo isso?- Felicity questiona-a.

—É que do jeito eu certa pessoa anda azeda, só com dose extra de açúcar pra adoçar! – exclama, fazendo-os rolarem os olhos.

—Vamos – Oliver convida novamente, abrindo a porta para que saíssem – Só espero que seja o suficiente! – exclama baixinho, seguindo-as.

“...For a shield, from the storm, for a friend;

For a love to keep me safe and warm;

I turn to you;

For the strengh, to be strong;

For the will to carry on;

For everything you do;

I turn to you..”

Notas finais
Ate breve. bjinhos flores