Invasão de Privacidade
21 Simply having a peaceful Christmas time! (I)
Notas iniciais
“Please come home for Christmas;
Bells will be ringing this sad sad News;
Oh what a Christmas to have the blues;
My baby’s gone I have no friends;
To wish me greetings once again;
Choirs will be singing Silent Night;
Christmas carols by candle light;
Please come home for Christmas;
Please come home for Christmas;
If not for Christmas by New Years night...”
Please Come Home For Christmas
Eagles
Torre três Cond. Ilhas Gregas (algumas horas antes)
Greg “Mouse”
—Greg, não foi uma boa ideia termos vindo sem avisar ninguém!! – Mônica sussurra em meu ouvido enquanto seguimos pelo extenso corredor a nossa frente. Havíamos adentrado o lugar após uma breve desorientação de minha parte. Ok, eu me perdi, admito, mas só por um breve momento! – Greg, está me ouvindo? – insiste cutucando minha costela e de imediato me encolho devido as cocegas provocadas pelo gesto.
—Não faz isso! Sabe que tenho cocegas! – reclamo, parando, me voltando para ela – Em primeiro lugar, deixei mensagem para Jay, que a esta altura já deve estar a caminho de Starling. Em segundo lugar, não dava para deixar passar essa oportunidade! Já deu pra notar que este pessoal sabe o que faz ou já os teríamos pego. Em terceiro lugar, tenho treinamento para este tipo de ação e o único erro que cometi foi ter permitido que viesse comigo – enumero, bufando – Jay e o cap. vão comer meu rim com cebola quando descobrirem! – exclamo, balançando a cabeça negativamente.
—E por acaso preferia vir sozinho? E se fosse pego, como saberíamos que estaria precisando de ajuda? – interroga, erguendo o queixo ao me encarar.
—E por acaso Alguém irá saber caso Nós sejamos pego, gata? – devolvo.
—Vai porque deixei uma pista do lado de fora daquele buraco por onde entramos meu bem, assim Jay e os demais saberão por onde entramos. Apo´s ouvirem sua mensagem, evidente – declara e abro a boca para reclamar, mas ela é mais rápida -. Acha mesmo que iria me enfiar aqui sem deixar uma dica para que seguissem? – desafia-me e novamente abro a boca entre irritado e surpreso, desistindo de argumentar.
Evidente que se por um lado ela tivesse feito a coisa direito, o tal sinal seria útil a meu colegas de farda no caso de algo acontecer não conseguirmos sair em segurança (o que espero não ocorra), por outro também indicaria ao stalker que descobríramos uma forma de acessar sua “fortaleza”. Bem, eu descobri após examinar exaustivamente as plantas originais e as alterações realizadas nas mesmas.
—Te surpreendi, admita! – Mônica comemora e mesmo tenso com a situação rio.
—É, surpreendeu sim – admito em alta (não tão alta assim) voz o que pensara – Mas agora melhor fazermos silencio. Não quero alertar ninguém, caso estejam em casa, sobre nossa presença – alerto, fazendo aspas no ar.
—Tem certeza de que não daremos de cara com ninguém gatinho? Você é treinado mas eu não! – relembra, fazendo a culpa me assolar outra vez. Paro, refletindo um segundo.
Já havíamos chegado longe, é verdade, e pelo que consegui concluir nas poucas imagens que consegui de nossos suspeitos (sim, eram mais de um incluindo a ruiva devoradora de homens, o falecido sindico e um cara que não consegui identificar ainda) tínhamos chance reais de adentrar a “toca” sem sermos descobertos.
Estava ali o tempo todo, bem debaixo de nossos narizes e não vimos, o que me deixou deveras revoltado e irritado comigo mesmo! A chave para descobrir como entravam e saiam eram os não tão cuidadosos Anelise e Bristow.
Não saberia a ligação entre eles e o stalker/assassino até que os prendêssemos, logico, porém foram os dois que me deram a pista que precisava para descobrir uma forma de acessar a torre três. Como? Nas imagens das câmeras de segurança. As validas, as que os condôminos pagavam na ilusão de estarem seguros.
Bastou-me acessa-las, recuperar as imagens de alguns dias anteriores tanto a nossa chegada, minha e do Jay, quanto do assassinato e Bingo! Matei parte da charada confirmando ser mesmo pelo túnel que teriam acesso. Restava apenas saber como adentrar por outro meio que não a passagem na garagem e a que saia do condomínio. Para isto bastou-me atentar algumas imagens. Foi quando descobri o tal sujeito com mais ou menos a mesma altura que eu cuja figura surgia vez ou outra nas madrugadas nos jardins e outras áreas a volta dos edifícios.
Descobri não tratar-se de nenhum morador, parente ou amigo muito menos funcionário. Ele surgia e sumia apenas durante as madrugadas, quando todos estávamos dormindo. Numa destas aparições, o vi mexendo em algo no solo próximo ao grupo de arvores frutíferas que temos entre as torres dois e três. Quando fui investigar descobri ser uma espécie de escotilha, por onde entramos.
—Vamos voltar – decreto, segurando-a pela mão.
—Oi?? Como assim voltar? – a morena de incríveis olhos verdes retruca, olhando-me surpresa – Agora que estamos tão perto de ....
—Por isto mesmo – corto-a, olhando em volta ao pensar escutar um som metálico que deixa-me preocupado.
—Mas eu pensei...
—Também pensei melhor e vi que foi um erro te trazer – assumo, puxando-a para o elevador – Foi loucura pensar que determinaria uma rotina com tão poucos dados! Vamos sair daqui agora mesmo – concluo, apertando o botão ao mesmo tempo em que volto o rosto para o corredor, agora certo de haver escutado algo – Tomara não seja tarde...
—Infelizmente é sim! – a voz dura chega a meus ouvidos junto com o golpe em minhas costas que faz-me cair de joelhos – Bons sonhos soldadinho! – o comentário irônico é a ultima coisa que ouço antes de apagar...
¨¨ Sábado, 23/12 – 1:35 a.m ¨¨
Greg “Mouse”
—Precisa fazer exatamente o que eu mandar se pretende sair viva daqui com seu namorado, está entendendo? – é a primeira coisa que escuto quando recobro a consciência.
—Sim – a voz familiar de Mônica responde, o tom choroso não me passando despercebido – Por que está fazendo isto? Sabe que iremos a polícia não sabe? – questiona.
Corajosa minha gata!, penso, a voz masculina verbalizando-o – Corajosa. Gosto disto! – exclama, sua observação seguinte me pegando de surpresa – Mais uma coisa que a faz parecida com nossa irmã além da aparência física – afirma, um suspiro forte se fazendo ouvir – Sei que irão a polícia, que tudo isto aqui será revelado e destruído mas honestamente me importo com isto – declara – Tudo que desejo é convencer meus irmãos irmos embora para muito distante, longe de toda essa loucura e insanidade – diz e não consigo mais manter-me calado.
—Não...vamos deixar ...que fujam – aviso, abrindo os olhos, Mônica sendo o primeiro rosto que vejo – Não podemos...
—Também sei disto senhor Gerwitz – corta-me o homem na cadeira de rodas, aproximando-se, fazendo-me perceber que estava preso a algo quando tento mover meus braços – Mas não acontecerá. Vou ajuda-los, o senhor e a senhorita, saírem vivos...mas não que prendam minha família ou a mim – garante.
—Como fará isto? Ouvi seus irmãos dizerem o que farão quando voltarem! Não os impediu antes. Como impedirá agora? – Mônica questiona.
—Desta vez será diferente – garante o cadeirante com uma segurança que me causa estranheza.
—Quem é você? – pergunto, fazendo-o me dar atenção.
—Derek Chase – apresenta-se – Acredito que saiba quem sou já que investigou minha família a fundo. Aliás, devo lhe parabenizar. Nunca antes ninguém havia sequer chego perto da verdade e o senhor a descobriu por inteiro. Sua competência é admirável – elogia.
—Nem tanto já que fui pego – rebato, tentando levantar, a dor aguda avisando-me haver algo errado.
—Não se mexa Greg ou poderá voltar a sangrar – me alerta, pondo a mão em meu ombro.
—Sua perna está quebrada senhor Gerwitz – Derek Chase revela e num estalo relembro os acontecimentos de algumas horas atrás.
Havíamos sido descobertos e depois de presos foram cerca de duas horas de espancamento até que mais uma vez cai desacordado. Não sem antes escutar a sentença de morte ser dada a todos nós a começar por mim.
—Onde ele está? – pergunto, sentindo meu peito oprimido – O gorila que me torturou, onde está? Pra cima de qual dos meus amigos o mandaram? – quero saber, tentando mexer-me.
—Merlyn, mas ele e a namorada, assim como vocês, sobreviveram – revela Chase sem demonstrar nenhum arrependimento – Mas isto pode mudar quando meus irmãos regressarem por isto tenho que...- seu discurso é interrompido pelo acender de luzes vermelhas, uma espécie de alarme silencioso, que o faz girar a cadeira saindo da sala (ou quarto) aonde estávamos sem maiores explicações.
—O que está acontecendo? – questiono, confuso.
—Não sei mas espero que não sejam os irmãos ou estaremos em apuros pra valer – Mônica diz, sentando-se a meu lado – Tive tanto medo de que morresse! – exclama, passando as mãos em meu rosto, beijando-me.
—Como não morri então, embora não esteja reclamando, como foi que ... não faz sentido!! – titubeio, confuso.
—O que posso te dizer é que ele é o menos ruim dos três. Ele quer ir embora, e parece não ser de hoje, mas os outros dois resistem – conta, inclinando-se até meu pulso – Não sei como, mas o fato é que ele fez os outros pensarem que você havia morrido durante a sessão de tortura. Eu pensei isto! – revela, sua voz saindo estrangulada por estar roendo as amarras de plástico que prendiam minhas mãos – Foi horrível te vê ser espancado daquela forma! – exclama, parando o que fazia para me encarar, segurando meu rosto em suas mãos – Quando te vi cair assim, de repente – estala os dedos — Logo após Derek Chase ter-se aproximado de você, quando ele disse que tinha morrido....- cala-se, me beijando outra vez, mantendo nossos rostos unidos um tempo.
—Como? O que ele fez pra te enganar e aos irmãos? – quero saber.
—Não faço a mínima ideia mas seja o que for, fez bem porque não te via respirar por mais que olhasse e os irmãos dele também não sentiram teu pulso – lembra, inclinando-se mais uma vez – Também não entendi bem porque tomou nossa defesa, mas agradeço de coração o ter feito.
—Pelo que entendi você lembra a irmã deles – relembro, sobressaltando-me junto com ela ao escutar tiros serem disparados pouco antes de as luzes apagarem-se – Fique atrás de mim – ordeno quando recobro a fala – Mônica, fique atrás de mim e na primeira chance corra...
—Não vou te deixar aqui! – reage.
—Vai sim – afirmo – Me escute bem – peço, o silencio lá fora me deixando nervoso – Assim que aquela porta abrir, você vai sair correndo e procurar um lugar para se esconder até que sinta-se segura. Quando isto acontecer, fuja sem olhar pra trás entendeu? – oriento.
—Greg, não! Não vou te abandonar – reitera.
—Vai sair daqui e salvar sua vida. Prometa pra mim – ordeno mais uma vez – Mônica, prometa – peço mas antes que responda, a porta é aberta com violência, um facho de luz jogado sobre nós.
—Graças a Deus estão vivos! – a voz inconfundível de Ray me traz alivio – Que diabos deu em você para agir sem nossa ajuda? – reclama, já inclinando-se sobre mim, machucando minha perna no processo.
—Cuidado, a perna está quebrada – Mônica alerta, o tom embargado indicando que chorava, o que confirmo quando as luzes acendem.
—Puta que... – Ray começa dizer, mordendo a língua, cortando as benditas amarras com o canivete – Mais alguma coisa quebrada? – pergunta, preocupado.
—Te digo já, já – respondo, apoiando um braço em seus ombros, gemendo na medida em que me ajuda levantar – Acho que ...costelas – gemo, arqueando-me levemente.
—Ray? – ouvimos o chamado ecoar pela sala.
—Aqui...terceira porta a esquerda – especifica, Jay e Eddie entrando segundos depois – Pegaram o cara? – pergunta antes mesmo que digam algo.
—Não – é a resposta seca de Eddie – Como está? – quer saber, tocando meu ombro.
—Vivo – respondo, ensaiando um sorriso.
—Ótimo...assim posso te esganar! – exclama – Ficou maluco Mouse? Como sai em ação sem nosso auxilio, sem deixar pistas ou...
—Deixei mensagem e ela pista ou não estariam aqui – o corrijo, a vista escurecendo gradativamente – E acho que essa conversa vai esperar...- sopro, apagando.
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Hospital geral de Starling (Sábado, 23/12 -3:35 a.m)
Caitlin
Sentada no parapeito em um dos janelões do hospital, observo o tempo lá fora, suspirando, embaçando um pouco mais o vidro já embaçado.
A madrugada estava fria agora que a chuva cessara, porem agradável. Não sou especialista, mas os sinais indicam que teremos neve este Natal, fato raro e por isto muito festejado em Starling pelo que ouvi dizerem.
—Seria perfeito! – suspiro outra vez, minha mente vagando por situações e suposições futuras.
Mesmo sem nada confirmado, a possibilidade de estar grávida de Thomas me deixava ao mesmo tempo feliz, insegura e um pouco triste também. Não que eu não quisesse um filho dele. Queria sim. Muito. Desde que começamos a namorar mais seriamente que a ideia de ser mãe voltara a minha mente. Mas não agora. Não neste momento tão conturbado. Não com a possibilidade de a filha que teve com Lissy estar viva. E certamente não sem estar preparada física e emocionalmente.
A forma como minha gravidez anterior fora interrompida causou-me vários traumas e não apenas psicológicos. Físicos também. Meu corpo sofrera um abalo forte. Por muito pouco não perdi meu útero e ovários em consequência do atropelamento. E não sai totalmente ilesa: exames mostraram que teria dificuldades em sustentar uma nova gravidez antes de no mínimo um ano, prazo que atingiria somente em Março do próximo ano. Isto significa que, caso esteja realmente grávida, não há garantias de que consiga sustentar e leva-la a termo. Esta era a principal razão pela qual pedira a Isabel segredo. Não queria criar expectativas em ninguém, especialmente nele, e depois ver a frustração em seus rostos. Ou pior: pena. Sem contar que não falamos nisto em momento algum. E como poderíamos? Era cedo demais para tal assunto vir a baila mesmo que casualmente.
—Doutora Snow, tudo bem? – a pergunta me traz de volta a realidade e volto meu rosto encontrando a enfermeira plantonista a me observar atentamente – Deveria estar em seu quarto, descansando – adverte-me.
—Não consigo dormi – respondo com sinceridade – Daqui a pouco volto para lá e estou bem, fique tranquila – afirmo, vendo-a relaxar.
—Certo. Se precisar de algo basta me chamar – pede, retirando-se.
Sozinha, mergulho em meus pensamentos mais uma vez. Não mentira a ela. Mesmo com a medicação forte, o sono fora embora completamente. Por mais que tentasse não conseguia dormir por isso sai a caminhar, não a ermo, admito. Fui diretamente para a UTI.
Lá chegando, deparei-me com Malcom Merlyn sentado na poltrona junto a janela e quase desisti de entrar. O próprio senhor Merlyn convidou-me a ficar fazendo-lhe companhia pondo, gentilmente, uma cadeira mais próxima ao leito de forma a me permitir segurar a mão de seu filho, o homem que descobri amar mais do que imaginava.
Na maior parte do tempo estivemos em silencio porém, no curto dialogo que tivemos, descobri o quanto amava o filho ainda que não verbalizasse. A maneira carinhosa com que se referia a Thomas mesmo quando relembrou alguns incidentes e brigas entre eles ( incluindo a situação envolvendo os Glades sobre a qual ele tomara conhecimento ontem pela manhã, por uma coincidência macabra, na mesma hora em que éramos atacados) deixavam transparecer todo amor e preocupação que sentia pelo filho.
O mesmo senti em relação a Isabel, que apareceu algum tempo depois para buscar o marido.
Ao contrário do que Thomas pensava, não “comprei” a historia que contou-me sobre o tal sobrinho. Acreditei. Mas não comprei.
Por que? Pelo brilho que vi no olhar dela enquanto falava dele. Talvez a própria Isabel não tivesse consciência, ou talvez estivesse ainda lutando contra o sentimento que um dia nutriu pelo enteado, não sei bem. Mas que ela, em algum momento, sentiu mais do que simples afeto materno por Thomas estou certa disso. Se havia de fato conseguido transformar em outro tipo de amor, não posso afirmar. Mas estava se esforçando. Muito.
Depois que se foram, fiquei ainda algum tempo com Thomas, saindo apenas depois de haver ajudado a enfermeira a ministrar sua medicação, mas não retornei ao quarto. Ainda não sentia sono. Minha mente estava alerta demais não apenas pela conversa com Malcom e Isabel, mas pela gama de sentimentos que me assolavam.
Quando mudei para Starling estava emocionalmente devastada, decidida a não me envolver tão cedo. Mas o destino quis brincar comigo.
Bem que tentei resistir quando aquele anjo de cabelos negros e olhos azuis caiu em meu terraço, nu em pelo, fugindo de mais uma de suas conquistas proibidas. Sabia que seria problema me deixar seduzir por alguém como ele. Mas como resistir a Thomas Mellyn, um homem incrivelmente lindo, completamente consciente de sua beleza e poder de atração, que sabia usar o mesmo como poucos, mas que, ao mesmo tempo, conseguia ser tão moleque e ingênuo quanto uma criança levada? Como não se deixar encantar por aquele sorriso de menino tão luminoso quanto o sol? E aquele jeito de olhar, ora olhar malicioso e sedutor, ora puro, quase inocente, ora travesso e risonho? Se alguém souber como me fale, por favor, muito embora para mim seja tarde demais. Estava irremediavelmente apaixonada por ele. Mais: amava-o com todo meu coração!
Meus pensamentos são cortados pela freada brusca no estacionamento abaixo que faz-me franzir o cenho ao reconhecer o carro de Oliver, o próprio adentrando o hospital como um raio.
Estava levantando-me a fim de ir a seu encontro quando um outro carro para na vaga ao lado do dele, Sara e o pai descendo tão rápido quanto Oliver fizera, seguindo o mesmo caminho.
Logo em seguida uma ambulância e um outro carro chegam, o carro parando ao lado do de Quentin Lance enquanto o veículo de socorro seguia para a área a ele reservada. Do carro saem Jay, Eddie e uma mulher que parece-me ser Mônica, minha vizinha e crush de Greg, o que me traz todo incidente do dia anterior a mente.
Pressentindo que algo acontecera, sigo rumo a emergência, chegando no momento em que Greg era levado para o andar de cima.
—Oliver! – chamo fazendo-o estancar e voltar-se, surpreso – O que houve? Por que está aqui? – pergunto, caminhando a seu encontro, Eddie, Jay, Sara, Mônica e Quentin Lance surgindo a minha esquerda – O que todos estão fazendo aqui? – refaço, olhando-os, tensa.
—Ollie e os rapazes te explicam Cait. Preciso ir ao encontro de Ray – Sara declara, me dando um beijo rápido na bochecha antes de voltar-se em direção a saída.
—Vou com você filha – Quentin avisa – Lembrem de ir a delegacia prestar depoimento assim que possível – recomenda, Jay, Eddie e Mônica, anuindo com um aceno – Até mais ver – despede-se, indo ao encontro de Sara, seguindo juntos para o estacionamento.
—Oliver!?! – chamo novamente, confusa.
—Venha, sente-se aqui – convida, me conduzindo as cadeiras, fazendo-me sentar, ele próprio sentando a meu lado, Eddie e os outros dois cercando-nos – Os rapazes conseguiram resolver parte do mistério envolvendo o stalker e o homem que atacou vocês está morto – revela e retenho o ar – Vou te contar tudo – promete, passando a narrar, pausadamente, tudo que ocorrera depois que fomos trazidos para o hospital, Jay, Eddie e Mônica intervindo vez ou outra, acrescentando ou esclarecendo alguma coisa. Quando termina, estou chorando, emocionada, alivio e raiva mesclando-se em meu peito – Agora vai ficar tudo bem Caitlin. Estamos livres da ameaça do stalker – Oliver recita, afagando meu cabelo, envolvendo-me num abraço carinhoso.
—E...os vídeos? Havia mais? – pergunto, afastando-me minimamente, enxugando o rosto com o dorso de minhas mãos.
—Ray ficou lá para certificar-se de que todos os vídeos íntimos, quer nossos quer de outros inquilinos, sejam apagados antes de passarem as mãos da polícia – Eddie adianta-se – Apenas aqueles sem teor sexual serão mantidos como provas do crime de invasão de privacidade – conta, movendo os ombros, desconfortável – Será questão de tempo pega-los – otimiza.
—Assim espero – Oliver declara , sorrindo gentil – E você, como está? – quer saber.
—Estou bem. Agora estou bem – respondo, sorrindo de volta – E quanto ao Greg? O que houve com ele? Vi a maca subindo quando chegava – questiono, preocupando-me com o técnico maluquinho.
—Uma perna quebrada, diversas escoriações e ferimentos resultantes do espancamento, mas vai sobreviver – Mônica responde, sentando-se pesadamente.
—E você também precisa de atendimento – Jay lembra, fazendo-a levantar – Vem, deve haver um médico disponível neste hospital pra te atender – brinca, estancando – O tenente, como está? – pergunta, olhando-me.
—Recuperando-se bem – tranquilizo-o, sorrindo fracamente
—Jay, depois precisamos conversar sobre suas descobertas – Oliver lembra, misterioso.
—Ok – responde ele, simplesmente – Vem também loirinho? – questiona, tirando Eddie do transe no qual entrara.
—Uhum – anui ele, seguindo-os, deixando-me sozinha com o noivo de Lissy.
—Caitlin
—Oliver – dizemos ao mesmo tempo e rimos – Você primeiro – libero.
—Caitlin, com tudo que aconteceu esqueci de avisar que Thea está em Central City. O jatinho não conseguiu vir a Starling por conta do mau tempo – conta – Ela provavelmente está com a amostra de Amy Lee – suspira, calando-se um segundo – Sei que não é momento mais adequado, mas vou pedir a sua amiga, a que está nos ajudando com o DNA, que colete o sangue de Tommy – avisa, erguendo a mão quando tento falar – E trarei Felicity para coletar o dela. Mas apenas depois de contar-lhe o que está acontecendo – afirma e respiro aliviada.
—Que bom porque pretendo fazer o mesmo assim que Thomas acordar – assumo – Não quero mais mentir para ele, Oliver. Nem para ela. Eles precisam saber que a filha pode estar viva e mais perto do que pensam – digo, apertando a mão que segurava.
—Penso o mesmo. Na verdade, planejava contar a todos, nossos pais e os deles, no jantar de Natal. Jay já estaria de volta com as informações que pedi para averiguar e poderíamos esclarecer as coisas de uma vez – declara e o encaro confusa – Pedi-lhe que fosse a Massachusetts investigar o dia em que Felicity deu a luz. Precisamos descobrir quem e porque ordenou o sequestro da bebê – elucida.
—Concordo – digo – Ainda podemos manter parte do plano. Você pode reunir as famílias e contar o que está acontecendo. Leve Jay e depois, quando Thomas acordar, conta tudo a ele e a mim.
—Não irá jantar conosco no Natal? Certamente será liberada, pelo que posso ver – questiona-me e sorrio sem vontade.
—Mesmo que seja não irei. Ficarei com Thomas, estando ele acordado ou não. Não vou deixa-lo sozinho – respondo vendo-o sorrir de volta.
—Ok – diz simplesmente, me dando um beijo na testa – Agora, não seria melhor ir descansar um pouco? Vou ver como anda nosso ratinho maluco, visitar meu amigo e depois tentar dormir um pouco – enumera, ajudando-me levantar – Faça o mesmo Caitlin. Tommy irá precisar de você quando acordar – aconselha, indo comigo até os elevadores.
Subimos em silencio. Saio no andar onde ficava meu quarto, ele segue direto para o bloco cirúrgico.
No quarto, sento-me na cama, deixando as lágrimas caírem livremente outra vez, sentindo-me mais leve quando o choro cessa, deitando-me abraçada ao travesseiro.
Dentro de três dias refaria os exames para confirmar ou não minha gravidez. Em dois ou menos, se tudo desse certo, Thomas estaria acordado e poderia contar-lhe sobre a possibilidade de sua filha com Lissy estar viva. Antes disso seu pai e Lissy ficariam sabendo do mesmo.
—Setenta de duas horas para que minha vida mude novamente! – exclamo, olhando a garoa fina que começara a cair lá fora.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Mansão Queen (Sábado, 23/12 – 9:23 a.m)
Oliver
Estaciono no jardim em frente a casa de meus pais, desligo o carro e respiro profundamente, fechando os olhos por alguns minutos.
A cirurgia de Mouse demorara mais do que esperado mas no final tudo acabou bem. Depois, mergulhei numa reunião improvisada com Dig, Eddie, Jay e os seguranças designados por ele para a protegerem Tommy, Caitlin e agora Mônica e Mouse bem como Felicity e nossas famílias. Jay aproveitara para me fazer um breve resumo do que descobrira. Estávamos todos cansados, o raciocínio já não era o mesmo e acabamos optando por encerrar confiando a John cuidar de tudo.
Ainda encontrei forças para fazer uma visita a meu amigo na UTI e ver como Caitlin estava, encontrando-a dormindo calmamente.
O dia já estava raiando quando finalmente deixei o hospital em companhia de Eddie, mas, ao contrário do que pretendia, não vim direto para casa. Ray ligou-me e acabamos por ir a seu encontro no condomínio, aproveitando para pegar os pets de Caitlin, pedido que minha noiva fizera antes de sair ontem à noite.
—E ainda tem Thea!! – exclamo, suspirando, o movimento a meu lado lembrando-me do loiro adormecido no banco do carona – Acorde bela adormecida, chegamos – anuncio tocando seu ombro, fazendo-o abrir os olhos – Vamos tomar um café reforçado e depois vemos como buscar Thea – convido, abrindo a porta e descendo do veículo, Eddie seguindo-me, ajudando a carregar os transportes dos pets.
Mal abro a porta de casa e o som de risos chega a nossos ouvidos. Não qualquer riso. Riso infantil. Doce. Melódico. Um sopro de brisa fresca nessa confusão toda. Apuro o ouvido reconhecendo mais três risadas distintas: de minha noiva, de minha mãe, e de...
—Thea?? – Eddie e eu indagamos juntos ao vê-la surgir vinda da cozinha – Quando? Como? – inquiro, minha confusão aumentando a ver Felicity, mamãe e Donna aparecerem por detrás dela seguidas de perto pela figura pequena e risonha de lindos cachos cor de mel, dona da risada doce e melódica que ouvíramos primeiro.
—Tio Oliver!!! – exclama ela assim que me vê, correndo a meu encontro e agacho-me, pondo o transporte no chão, abrindo os braços para recebe-la.
—Olha raio de sol, que surpresa! – exclamo, olhando diretamente para minha irmã, que morde o lábio e aperta as mãos, claro sinal de nervosismo.
—Thea falou que seria, mas que iria gostar. Gostou? – interroga, não me dando chance responder — O que é isso? Um cachorro? – pergunta, curiosa, já soltando-se de meus braços, se agachando junto ao transporte.
—Dois – ouço Eddie dizer – Dois cachorros e aqui dois gatos – enumera, exibindo a outra caixa que trazia – Eu não ganho abraço não é? – cobra, inclinando o corpo a fim de receber a pequena – Nossa, como estava precisando disso!! – diz, respirando fundo.
—Por que não nos disse que sua irmã havia ido buscar essa princesinha para passar o Natal conosco filho? – mamãe questiona e abro a boca, surpreso – Você não sabia não é mesmo?! – elucida, voltando-se para Thea.
—Não é isso mãe. Apenas não lembrava. Com tudo que aconteceu nas ultimas horas acabei esquecendo o que combinara com Thea e as protetoras de Amy – saio em defesa dela, notando sua expressão agradecida.
—Por falar nisso, como seu amigo está? – Donna quer saber, sorrindo maravilhada ao observar Amy segurar um dos gatos de Caitlin.
—Relativamente bem – respondo, minha atenção sendo chamada para a porta lateral, meu pai, Damien e Malcom adentrando vindos do jardim..
—Bom dia filho. Como estão as coisas no hospital? Malcom contou-nos que Caitin e Thomas estão bem melhores – papai comenta, sorrindo para Amy.
—Soubemos por Lance que o rato conseguiu entrar na toca, verdade? – Damien questiona, olhando de Eddie para mim.
—Rato? Seu amigo é terminador de insetos tio Oliver? – Amy questiona, enrugando o nariz numa careta graciosa, Sherlock languidamente acomodado em seus braços.
—Esse gato não é perigoso? Não irá arranhar a menina? – Malcom preocupa-se e de imediato imagino sua reação ao saber de nossas desconfianças.
—Mais ou menos e é exterminador que se diz, boneca – corrijo-a, afagando seus cachos carinhosamente, sorrindo-lhe, Eddie intervindo.
—Sem querer ser chato já sendo, será que poderíamos deixar as explicações para depois de um banho, e já estou me convidando a ficar, se não for incomodo senhora Queen – diz rápido, voltando-se para mamãe – E um café reforçado? Não durmo desde antes de ontem e estou quase me transformando em um dos zumbis de The Walking Dead! – brinca, esticando os braços, andando de forma mecânica, fazendo Amy soltar um gritinho de euforia, correndo, escondendo-se atrás das pernas de Felicity, que sorri, afagando lhe os cabelos e nesta hora, a mesma sensação que me tomara quando conheci Amy toma conta de meu ser. Preciso me controlar para não falar ali mesmo minhas suspeitas – Oliver? Ouviu o que disse? – Eddie questiona e sacudo a cabeça, confuso.
— O quê?? – devolvo, confuso.
—Eddie quer saber se concorda e como não me parece em condições de dar uma resposta decente, respondo por você: ele diz sim – Thea adianta-se, voltando-se para nossa mãe – Mãezinha do coração, que tal se fizer essa mocinha tomar uma refeição decente? Estava tão ansiosa que não consegui fazê-la comer antes de partirmos. Enquanto isto, providencio roupas para meu irmão e namorado, se Fel não ligar em ajudar já que esta senhorita me largou de mão e grudou em nela!! – resmunga, um sorriso brilhante iluminando seu rosto.
—Por mim, tudo bem – minha noiva anui, vindo até mim trazendo Amy consigo – Depois vai me explicar essa historia de conversas no Skype com essa tal Erica direitinho, ouviu!? – sussurra em meu ouvido após deixar um beijo ali – Venha mocinha, vamos saborear o delicioso desjejum que Moira nos preparou – convida.
—Será que podemos levar eles com a gente? – Amy questiona, apontando os pets.
—Logico! Os vovôs ajudam não é vovôs?? – Donna adianta-se, brincando e Thea, Eddie e eu trocamos um olhar cumplice.
—Olha que de um anjo como este não faço oposição ser avô! – Damien responde.
—Digo o mesmo – Malcom e meu pai fazem coro, os três encarregando-se de pegar os transportes, seguindo em direção ao jardim tendo Donna, Felicity e Amy (com Shelock em seus braços ainda) acompanhando-os.
—Não pense que aceitei sua resposta – mamãe avisa, tocando o rosto de Thea – Nada justifica sua ausência mocinha e você não iria esquecer de avisar-me que teríamos visitas, ainda mais uma tão especial, por mais estressado que estivesse. Sugiro repensarem e optarem pela verdade — diz, saindo sem esperar resposta, deixando nós três as sós.
—Eu posso explicar! – Thea afirma após um breve período em que ninguém diz nada.
—Assim espero...embora adiantou o que já pretendia fazer – digo, ela enrugando o cenho, confusa – Vamos subir. Precisamos conversar – decreto, fazendo-o tendo os dois comigo.
¨¨¨ Thea ¨¨¨¨
—Antes que fique bravo, escute o que tenho a dizer – peço mal entramos no quarto de meu irmão, prosseguindo sem lhe dar chance contestar – Eu não pretendia trazê-la, juro que não! – afirmo, andando de um lado para o outro sem coragem de encara-los – Fui até lá apenas para coletar a amostra que precisaríamos e mais nada, juro. Comprei brinquedos para ela e as outras crianças, entreguei e iria combinar com a Vic a melhor maneira de coletar o sangue da fofinha, mas ai apareceu o tal sujeito dizendo que era filho da Donna e irmão da Felicity e que tinha documentos para levar Amy embora então entrei em pânico e tudo que pensava era que tinha de tira-la dali o mais rápido possível, então mandei uma mensagem pra Vic avisando que o faria, mas não que a traria para cá, para Starling quero dizer, e agora eu acho que estou em uma bela duma encrenca! – narro de uma só vez, somente então me atrevendo olha-los.
—Poderia voltar a fita um segundo? Parei no pretenso irmão de Felicity – meu gatinho loiro pede, enrugando o cenho, confuso – Espera, Felicity não é filha única!?- interroga, voltando-se para Ollie.
—Ela é – confirma meu irmão, sério – Thea, conte exatamente o que esse sujeito disse – pede – Devagar – acrescenta quando me vê abrir a boca – Preciso entender o que aconteceu por lá – diz, sentando-se em seu colchão.
—Ele disse exatamente o que falei: que era irmão de Felicity – repito, suspirando ao vê-lo arquear a sobrancelha – Certo, devagar – reitero, indo recostar-me a cômoda junto a porta do banheiro – Foi o seguinte: estava no quarto com a Amy vendo ela mexer no notebook que lhe presenteie, aliás, precisa ver como fica parecida com a Fel quando tá na frente de um pc! – exclamo, erguendo as mãos – Tá, eu sei que não posso me precipitar, mas fazer o quê? Ela é fofa e lembra tanto o Tommy quanto a Fel – argumento, dando de ombros – Seguindo: quando vi a hora, deixei ela no quarto e desci para falar com Vic. Foi quando escutei a conversa entre ela e o tal homem. Ele afirmava categoricamente ser tio da Amy e que tinha documentos provando isso e além de tudo também tinha uma ordem judicial dando a ele o direito de leva-la – conto, vendo-os trocarem um olhar preocupado – Estou encrencada não estou? – questiono-os.
—Se for válida, temo que sim gatinha – Eddie confirma, massageando o queixo – Mas quem diabos é este sujeito e como soube da menina? – indaga.
—O que mais ele disse? Que argumentos usou para justificar a tal ordem? Que documentos são estes dos quais falou? – Ollie bombardeia.
—Bem os argumentos eu não sei, mas os documentos estão no meu e-mail. Vic e Erica, que chegou depois que sai, enrolaram ele até que a menina do escritório escaneasse tudo. Depois me enviaram, mas com toda a correria e depois de tudo que soube, não tive vontade de abrir – admito – Ah, ele não estava sozinho. Tinha dois gorilas junto. Tive que sair por uma porta lateral – lembro – E agora lembrei de ter escutado dizer que Donna e o pai dele e da Fel tinham optado por cada um ficar com um filho quando separaram, coisa que não acreditei, evidente. Mesmo que fosse de fato filho dela, jamais abriria mão – afirmo, tranquila.
—Mas ele não é – Ollie repete, pondo-se de pé, andando de um lado para o outro, tenso.
—O que está te preocupando Ollie? – Eddie pergunta.
—Ia perguntar o mesmo – reforço, cruzando os braços, meu irmão demorando alguns segundos para nos responder.
—Jay não estava aqui para impedir o ataque a Tommy e Cait porque pedi que fosse a Massachusetts investigar o dia em que Felicity deu a luz – revela.
—Oi?? Por que fez isso? – questiono-o, sobressaltando-me ao escutar a perguntar ser repetida.
—É Oliver, por que fez isso? – Felicity abre a porta, entrando – Por que mandou investigar o nascimento de minha filha com Tommy? Não disse que deveríamos deixar o passado no passado? O que mudou? – interroga, ignorando Eddie e a mim, indo direto para meu irmão, que, pego de surpresa, fica sem reação – Estou esperando – diz ela, cruzando os braços, encarando-o.
—Sweety eu...
—Ela pode estar viva! – solto, num impulso, esquecendo-me momentaneamente de que espera um filho – Ai droga, só faço merda! – xingo-me ao vê-la empalidecer, precisando do apoio de Ollie para não cair – Perdão Lissy. Perdão – peço, me ajoelhando a sua frente – Não devia ter...
—Viva? Como assim viva? – me interrompe, as lágrimas começando a brotarem em seus olhos – Ela morreu....disseram pra mim...pra nós...que ela ...ela...- balbucia.
—Sweety, há grandes chances de que tenham mentido para você. Sua filha pode estar viva – Ollie repete, imitando-me, segurando-lhe as mãos, beijando-as com ternura – Por isto pedi a Jay que fosse até o hospital e a universidade. Precisava que descobrisse tudo que pudesse sobre aquele dia.
—Por que? Pra quê?– indaga, ansiosa e me pego imaginando quando soubesse que essa filha poderia ser a garotinha que veio comigo e por quem já está apaixonada.
—Porque precisava saber quem e porque fariam tamanha crueldade com você – Olle explica, sorrindo carinhosamente – Porque precisava ter certeza de não estar louco ou imaginando coisas ao ligar a garotinha que conheci aquele dia, em Seattle, a você e não apenas na aparência física, mas por todas as coincidências envolvendo o nascimento dela – prossegue, cuidadoso – Sweety, sei que é estranho, que parece insano e talvez o seja, mas a verdade é que, desde que vi aquela garotinha meu instinto grita que ela é sua -
—Qual garotinha? Esta que veio com ...- Fel cala-se de repente, tapando a boca com as mãos, a compreensão estampando-se em seu rosto – Minha Amy Lee? Ela pode ser a Minha Amy Lee?– pergunta, emocionada e preciso me segurar pra não chorar.
—Pode sweety – Ollie confirma, abraçando-a protetoramente – Por isto precisamos fazer o teste. E ouvir o que Jay tem a dizer. Temos que entender o que aconteceu no passado e o que está acontecendo agora – argumenta meu irmão, sinalizando para que Eddie e eu sairmos.
Aceno afirmativamente, levantando, beijando os dois antes de sair com meu namorado.
—Ela vai ficar bem amor, não se preocupe – Eddie tranquiliza-me, envolvendo meus ombros – Só precisa de um tempo para assimilar e de carinho, o que terá de sobra! – exclama.
—Eddie, me será que fiz besteira? E se essa Amy não for a Amy certa? E se os instintos de Ollie e os meus falharam? Se vimos o que não existe? Posso ter sequestrado uma criança sem nenhuma razão válida, se é que existe razão válida pra este tipo de ato, e ainda por cima envolvi pessoas inocentes e...- descambo falar calando-me apenas quando o sinto segura-me firme, forçando-me encara-lo.
—Não estão errados. Nenhum dos dois. A maior prova é este sujeito ter aparecido – afirma, afagando meu rosto – Precisamos saber como ele soube da menina e quão perigoso é para todos nós – frisa, respirando fundo – Vou ligar para Jay e tomar a liberdade de pedir que venha para cá. Assim saberemos o que houve no passado e poderemos nos preparar para o agora — pontua, afastando-se após me dá um selinho, pegando o celular em seu bolso.
—Tem certeza de que é o melhor a fazer neste momento? Você e Ollie me parecem exaustos – pondero, abraçando-o mesmo estando todo sujo.
—Tenho. Quanto mais cedo pudermos nos preparar melhor. Para todos. Mesmo porque com o feriado de Natal as coisas já irão acontecer em ritmo lento – argumenta.
—Acho que tem razão – concordo, sorrindo fraco – No final das contas não foi tão ruim ter trazido Amy, ao que parece – pondero.
—Não, não foi – anui, me dando um selinho, iniciando uma conversa rápida com Jay, que atendera ao celular, desligando após combinarem tudo – Agora um banho e trocar essas roupas sujas. Tem roupa minha aqui não tem? – pergunta e aceno afirmativamente.
—Tem sim. Segunda porta – indico, observando-o caminhar até o banheiro já despindo-se – Vou descer, providenciar o café pra vocês dois, pedir pro Malcom não ir embora agora....enfim, preparar o terreno – enumero, suspirando ante a visão de meu namorado usando apenas uma box branca – Oh judiação!!! – exclamo fazendo-o rir.
—Concordo. Já estava pra te convidar juntar-se a mim, mas está certa. Melhor preparar seus pais e os demais– anui, tirando a box – Thea, vai – ordena quando não me mexo, piscando antes de fechar a porta, quebrando nosso contato visual.
—Ohhh, judiação!!! – repito, girando nos calcanhares, ouvindo sua risada enquanto saia do quarto.
No corredor, dou uma espiada pela fresta da porta do quarto de Ollie vendo-o abraçado a Felicity sentados sobre o colchão . Observo-os um segundo, sinalizando que desceria quando ele me vê.
No caminho, vou pensando em como abordar o assunto, estancando no sopé da escadaria ao ver meus pais, os de Fel e Malcom encantados assistindo Amy correr pelo gramado com os pugs de Cait.
—Você consegue Thea. Você consegue – murmuro para mim mesma, apressando-me ao perceber que o pai de Tommy ( e meu também, me obrigo lembrar) levantara-se, fazendo menção ir embora – Aonde vai Malcom? – pergunto assim que me junto a eles, causando surpresa em mamãe, papai e nele em especial.
—Para casa saber noticias de Thomas. Isabel já deve ter sido atualizada, espero – diz, tencionando sair mas o impeço.
—Não pode – digo, afobada, causando nova surpresa em todos – Precisa ficar mais um pouco. Todos precisam – corrijo-me, olhando-os um a um, suspirando, aproveitando que Amy estava distante – Temos, Ollie, Eddie e eu...e agora Felicity também, algo a dizer, digo, a contar pra vocês. Algo muito importante que diz respeito a todos mas em especial Tommy e Felicity. Algo que vai mudar nossas vidas para sempre. Bem, a minha já mudou. E a de Ollie. E Cait. E Felicity agora a pouco e...- me enrolo, nervosa, mamãe intervindo.
—Thereza Dearden Queen, pare de enrolação e fale logo de uma vez o que tem para dizer. Está deixando a todos preocupados – ralha.
—O que foi filha? Que de tão grave aconteceu para nos dizer tais coisas? – papai questiona e retenho o ar ao tê-los me olhando, atentos.
—Não existe um modo suave ou menos doloroso de dizer portanto...
—Thea, está me assustando! – Donna corta-me.
—Está Me assustando – Malcom a parafraseia, encarando-me, tenso.
—Portanto, vou ser curta e grossa e peço que aguardem Ollie e Felicity descerem para maiores explicações, que serão muitas e já vou falar juiz – me adianto, erguendo as mãos com as palmas abertas para ele, tomando folego antes de soltar a bomba – Estão vendo essa garotinha linda e encanadora que veio comigo de Seattle? Existe a grande, enorme, imensa possibilidade de ser a filha que Tommy e Felicity tiveram. Ela pode ser a neta que julgam morta!
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Condomínio Ilhas Gregas, 23/12 – 12:00 a.m)
Jay
—Jay é você? – escuto perguntarem e estanco, dirigindo-me a varanda de meu apartamento, de onde vinha, deparando-me com Ray e Sara – Nossa, está horrível! – a loira diz assim que me vê.
—Me sinto horrível – anuo, sentando-me pesadamente – Não durmo a pelo menos...- verifico a hora em meu relógio de pulso – Um dia exatamente! – exclamo, suspirando.
—Nossa! Não é de admirar sentir-se mal – segue a loira e rio.
—O que estão fazendo aqui? – questiono-os, estapeando Ray, que parecia não ter me notado.
—Revendo os vídeos legais e ilegais – responde ele, sem desviar o olhar da tela a sua gente.
—Oi?? – indago, confuso.
—Ray decidiu comparar os vídeos do stalker com os das câmeras de segurança do condomínio para saber se pode existir mais alguma entrada ou saída secreta e se contar um cochilo como dormir, estamos no mesmo barco! – exclama, suspirando.
—Conseguiu mais do que eu até agora – digo, levantando.
—Mouse, como está? E Tommy e Cait? – Ray lembra de perguntar.
—Bem. Todos eles – respondo, seguindo meu caminho para o quarto onde tomo um banho rápido, visto uma jeans e camiseta, pego um casaco, calço meu tênis, pego o celular e a pasta com as informações e retorno a sala – Vou indo casal. Fiquem a vontade – aviso, detendo-me ao escutar Ray chamar.
—Ué, não vai descansar? – questiona-me.
—Depois. Agora tenho um relatório a apresentar na mansão Queen. Até mais – despeço-me, descendo pelas escadas, agradecendo mentalmente por haver decidido tomar um café na lanchonete do hospital antes de vir para casa ou acrescentaria jejum a minha lista de falta de sono e cansaço.
Por conta disto dirijo bem mais devagar do que costumo, os bocejos repetidos alertando-me que estava perto do limite e portanto, mesmo que chovesse canivetes, iria me obrigar meia hora no mínimo de sono ou me tornaria um inútil.
Chego a mansão Queen pouco depois do meio dia e meio (parei para abastecer e tomar um energético porque ninguém é de ferro e precisa de um gás extra pra me manter alerta. Tinha muito a dizer!). Estaciono o mais perto da entrada possível, desço e me dirijo a porta, Oliver vindo abri-la mal toco a campainha.
—Hey, desculpe por não te deixar descansar – pede, tocando meu ombro, sinalizando que entrasse.
—Tudo bem. Melhor assim porque ai descansamos todos de uma vez...por enquanto – respondo, rindo torto.
—Quem sabe até dê pra curtir o Natal um pouco – Eddie diz, vindo a nosso encontro.
—Quem sabe – anuo – Como estão as coisas por aqui? – quero saber, dirigindo meu olhar para o jardim onde a irmã de Oliver e outras pessoas se encontravam.
—Contei sobre o relacionamento passado entre Tommy e Felicity a Malcom, único que ainda não sabia, e sobre minhas suspeitas sobre Amy a todos incluindo ela – Oliver diz, me conduzindo para o jardim – Também contei sobre você e Mouse não estarem juntos e atentos durante a manhã de sexta, o que poderia ter minimizado os danos do ataque a Tommy e Caitlin e adiantei o que já tinha me dito a respeito de ter sido a tal colega de quarto de Felicity a responsável pela queda que precipitou o parto – revela – O resto é com você – conclui quando chegamos ao jardim – Pai, mãe e Malcom, este é Jay Halstead, um amigo e colega de farda. Alguém de minha total confiança – apresenta-me, o casal e um homem moreno, que lembra muito Tommy, cumprimentando-me com acenos – A meu pedido, Jay foi a universidade e ao hospital em Massachusetts tentar descobrir de quem foi a responsabilidade pelo que aconteceu no dia em que Felicity deu a luz – explica, postando-se ao lado da noiva, estendendo a mão em sinal que deveria assumir a situação mas antes que o faço, Damien Darhk se manifesta.
—Oliver contou-nos sobre a colega de quarto – diz, me encarando desconfiado – Por que ela faria isto? – questiona.
—O sobrenome Diaz lembra algo? – devolvo, ele ficando imediatamente tenso.
—O que a família Diaz tem a ver com o que aconteceu? – Donna Smoak pergunta, igualmente tensa.
—Iana Diaz, irmã de Ricardo, era a tal colega de quarto – revelo, não dando tempo assimilarem o primeiro golpe – Ela foi plantada lá com a finalidade de matar Felicity e o bebê como vingança contra o senhor pela prisão dos irmãos Diaz e o suicídio do patriarca da família, Oscar e aconselho tomarem água ou o que for para relaxarem antes que prossiga – sugiro ao ver as expressões de terror bem como a agitação – Sinto muito se os assustei – me volto para Oliver e Felicity – Mas não há uma forma terna de se dizer uma coisa como esta. Fiquei tão chocado quanto vocês ainda mais depois que descobri de onde partiu a ordem – digo, Darhk adiantando-se.
—O próprio Ricardo de dentro da prisão, certamente – diz e nego com um gesto de cabeça.
—Também pensei ter sido ele, mas não. A ordem partiu da matriarca, Dolores. Foi ela quem ordenou tanto a tentativa quanto o sequestro do bebê quando ambas sobreviveram – prossigo, entregando a pasta ao juiz – A segunda parte foi de improviso quando a primeira falhou, e isto foi um dos fatores que salvou o bebê – conto.
—Um dos? Teve outros? – Thea pergunta, recuperando-se.
—Sim – respondo – Pra começar, além de Felicity, duas outras mulheres deram à luz meninas aquela noite– retomo – Apesar de os Diaz terem gente sob seu controle naquele hospital, nenhum deles estava de plantão, o que obrigou Iana a improvisar, coisa na qual não era nada boa – comento, Felicity e Oliver rindo torto – Ela ofereceu muito dinheiro, em cash, para um dos médicos e duas enfermeiras que estavam atendendo Felicity, não para matá-la, mas para tirar a bebê e dizer que havia morrido, o que fizeram. E teria dado certo se o senhor e sua esposa não tivessem chego justo quando estavam em meio a troca da neném viva por uma morta – aponto os dois – Quando exigiu ver o corpo, as duas garotas entraram em pânico. Não tinham conseguido uma menina parecida e não podiam negar seu desejo, então improvisaram. Inventaram uma diretriz do hospital dizendo que poderia vê-la apenas através do vidro, mantiveram-na o mais quieta possível sem sedação e conseguiram, a muito custo, como a própria me disse, convence-lo a não chegar mais perto – revelo.
—Isto não foi sorte! – Thea exclama – Foi seu anjo da guarda e o dela – aponta a garotinha no gramado, brincando distraída – Trabalhando e muito bem, por sinal!
—Se pensa assim só por isto, vai dizer que um exercito celestial agiu porque dali em diante, tudo que fizeram deu errado – digo, sorrindo minimamente – Um: cometeram o erro de retirar a pulseirinha de identificação. Dois: preocuparam-se tanto em afastar o juiz, as duas, que esqueceram a bebê na sala e uma outra enfermeira a encontrou e achando que alguém havia cometido um engano, levou-a de volta ao berçário. Três: lembram das outras duas bebês?- interrogo, eles acenando que sim – Apenas uma tinha identificação, mas só havia duas pulseirinhas já a que deveria estar com sua filha fora extraviada. Quando ela retornou ao berçário, ganhou uma pulseira de identificção..
—Do casal que a abandonou no aeroporto! -Oliver conclui e faço uma careta.
—Ai é que está o nó da questão: não há como ter certeza de que o bebê deste casal é a mesma que seria levada por Iana Diaz – revelo, continuando sem lhes dar chance falar – Vejam bem: haviam três meninas e duas pulseirinhas. Dois bebês, que nem mesmo a enfermeira envolvida sabe qual, receberam as identificações. Uma terceira foi, como estava marcado, e pode ver na xerox dos arquivos que fiz juiz – chamo sua atenção – Foi encaminhada para adoção pois a mãe biológica assim pré-determinara. A única pessoa capaz, e ponho um talvez ai, de elucidar isto tudo, a enfermeira que trouxe a bebê de Felicity de volta para o berçário, está morta. As duas compradas por Iana Diaz, temendo perder a oferta, entregaram a ela uma bebê qualquer – concluo.
—Me diz, pelo amor de Deus, eu não fui responsável por eles, ao que tudo indica, estarem atrás da menina agora! -Oliver implora, unindo as mãos.
—Tecnicamente deveria ser eu a chamar atenção da família Diaz, coisa que, honestamente, não lembro haver feito – Damien opina, abrindo os braços.
—Isto pressupondo tratarem-se das mesmas pessoas agora, no orfanato – o pai de Tommy diz, massageando o queixo – O que os levaria a procurar uma criança que supostamente está sob a posse deles depois de tantos anos? – inquire.
—Me fazia a mesma pergunta – o senhor Queen corrobora.
—Infelizmente não tenho resposta para tudo – lamento – Se o homem do orfanato está ligado aos Diaz, só posso supor que descobriram que a menina não é a que queriam. Agora o porquê de desencavem este assunto, e já adianto que não tem nada a ver com ninguém aqui, nem mesmo o senhor juiz, ou já estariam batendo a porta a procura dela – mal fecho a boca e a campainha toca.
—Oh boca hein!!! – Thea me xinga voltando-se, como todos fazemos, para ver quem chegava, o alivio nos tomando ao ver tratar-se de Sara e Ray – Nunca estive tão feliz em ver os dois em toda minha curta vida! – exclama , fazendo ambos arquearem a sobrancelha.
—Ok...seja lá o que deram para ela beber, parem! – Sara brinca, provocando alguns risos.
—Há mais alguma coisa que devamos saber meu rapaz? – ouço perguntarem e me volto.
—Não. Basicamente é isto. Os Diaz queriam vingança e por isto foram atrás de sua família. Se são eles agora, não sei lhe dizer – assumo.
—Mas eu posso e vou mexer meus pauzinhos, discretamente evidente, nos bastidores. Usando apenas pessoas nas quais confio plenamente, para descobrir de quem se trata e podem ficar certos de uma coisa: ninguém vai machucar minha família novamente! – Damien declara e sinto um calafrio ante seu olhar e expressão. Já ouvira falar dele e confesso ter um pouco de pena do infeliz que se atrever o desafiar. Só um pouco – Por hora, temos que entrar em contato com o orfanato, verificar a legalidade dos tais documentos enviados a Thea e principalmente protege-la e esta garotinha, independente ser nossa neta ou não – enumera, dirigindo um olhar tão terno a menina que me espanto com a mudança brusca.
—De acordo – Malcom Merlyn anui – Acredito que o tal homem não saiba aonde encontra-las ou já teria....
—Por favor não diz isso! Uma segunda vez pode atrair– Thea o interrompe, alisando os próprios braços – E podem me chamar de supersticiosa! – bufa, fazendo bico.
—Não é a única bebê!! – Donna Smoak afirma, suspirando profundamente – Na dúvida, melhor não arriscar. Sabe como é né? O universo, os anjos da guarda têm feito um trabalho tão eficiente até agora, então para que desafia-los? Deixa quieto. Vamos proteger nossas pequenas, fazer o exame e saber logo se essa bonequinha é nossa netinha! – anima-se, murchando ante a observação da mãe de Oliver.
—Acontece que este exame não fica pronto antes de um mês no mínimo! – lembra, suspirando.
—As protegeremos por um mês, dois, cinco, que sejam – Oliver intervém – Como o juiz disse, sendo ou não filha de Tommy e Felicity, Amy faz parte de nossas vidas agora e não mais sairá – decreta, deixando todos confusos.
—Vamos adota-la – Felicity esclarece fazendo Thea vibrar – Se não for minha filha biológica, passara a ser legalmente...porque já é de coração! – declara, olhando a menina com doçura.
—Fico feliz que tenham tomado essa decisão – a senhora Queen diz, juntando as mãos – E se já terminamos, acredito que possamos aliviar um pouco esta tensão e matar a fome posto que já passou e muito da hora do almoço – diz e lembro que minha refeição das ultimas vinte e quatro horas fora um sanduiche e um suco – Além de termos que decidir coisas práticas, infelizmente.
—Que coisas? – o senhor Queen indaga.
—As comemorações de Natal – elucida – Evidente que não dá pra fazer a festa que planejávamos tendo Thomas, Caitlin e aquele seu amigo engraçado, hospitalizados. Mas é quase Natal e temos este lindo presente em nossas mãos – declara sorrindo para a garotinha, que correm em nossa direção – E muitos motivos sim para celebrar a vida – acresce, recebendo a menina nos braços.
—Podemos levar a festa para o hospital, desde que Tommy saia da UTI – Thea sugere – Podemos fazer algo simples, em turnos, sei lá! Fala alguma coisa Malcom! Sua esposa é quem manda na bagaça toda! – exclama e desta vez os risos são maiores e mais demorados.
—Verei com Isabel e aviso – o pai de Tommy diz, ainda sorridente – Quanto a meu filho, conforme falei para Robert e Damien mais cedo, será tirado da sedação já a partir de hoje à noite. Lentamente, pelo me contou minha esposa, mas será – reforça, estendendo os braços para a garotinha – Daria um abraço de despedida no vovô aqui? – pergunta, ela se atirando para ele, que a abraça, emocionado – Tem razão Thea – murmura, abrindo os olhos, afastando a menina o suficiente para ver-lhe o rosto – Ela é nossa. Independente do que diga qualquer exame. É nossa!
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Hospital geral de Starling ( domingo, 24/12 – 22:45 p.m)
Narrador
—Nada ainda? – a pergunta faz Caitlin despertar do torpor no qual encontrava-se, voltando-se deparando-se com uma Thea preocupada adentrando.
—Uhum, uhum – responde a médica, dirigindo um olhar terno ao moreno deitado no leito – Mas é assim mesmo. As vezes demora-se para acordar de um coma sendo induzido ou não – explica, recebendo o carinho da jovem – O que faz aqui? Não deveria estar na festa na mansão? – interroga.
—Nahn! Já fiz minha parte. Falei pro papai e pra mamãe que não estava no clima...
—Thea, nenhum de nós está – Caitlin corta-a, gentil – Mas é Natal e as demais pessoas querem comemorar. Achei mais do que justo manterem a festa para os funcionários tanto da QC quando da Global. Thomas certamente irá aprovar – garante, sorrindo ao ver a careta da garota.
—Se Isabruxa tivesse liberado, estaríamos todos aqui, com vocês! – reclama, sentando-se aos pés do irmão – E com o Mouse, tadinho – acresce.
—Como ele está? – quer saber, mas antes que Thea responda, a porta do quarto é aberta novamente dando passagem a Jay, Eddie, Sara, Ray, Felicity, Oliver, Mônica, Mouse, em uma cadeira de rodas, e a pequena Amy, sorridente com seu vestido de festa presenteado por Donna Smoak, agarrada a boneca nova, presente de Moira Queen.
—Hey doc! – cumprimenta-a o técnico – Respondendo: estou Doido pra sair fuçando por ai, capturando ratazanas em suas tocas ao invés de ficar grudado numa cama! – resmunga o técnico, recebendo vários petelecos.
—Vai sonhando que fará isso quando receber alta! – Monica exclama — Vai é ficar quietinho e guardar o repouso determinado pelo médico – alerta a morena, aplicando um selinho no namorado – Onde ponho isso? – indaga, exibindo a bandeja.
—O que é isso? E o que estão fazendo aqui? Não deveriam estar comemorando Natal em casa? – questiona a médica.
—Tia Vic e tia Erica dizem que casa é onde está o coração, tia Cait – Amy Lee responde, indo até a médica – E o coração da gente está aqui. E Natal tem que ser com quem se ama porque Jesus nasceu e amou todo mundo! – conclui a garotinha, sorridente.
—Me diz de novo: ela é filha de quem mesmo??– Eddie provocando Oliver e Felicity, ambos estapeando-os – Oush, isso dói!- reclama o loiro, ajudando a namorada e Mônica montarem a mesa posicionada no canto do quarto.
—Elas estão cobertas de razão meu bem! – Felicity corrobora, entregando o prato que trazia ao noivo, indo ao encontro da médica– Meu coração está aqui, com minha prima – afirma, abraçando-a – Mas não conta pra mama ou me esfola viva! – brinca a loira, fazendo-a sorrir – Feliz Natal Cait- deseja.
—Feliz Natal Lissy – devolve o abraço, abaixando-se – E um feliz Natal para você também princesinha! – deseja, recebendo a garotinha em seus braços, apertando-a forte.
—Cruzamos com Malcom e Isabel quando chegávamos – Sara comenta, disfarçando as lagrimas.
—Estavam conosco até a pouco – Caitlin informa, soltando a menina devagar – Voltarão amanhã pela manhã.
—Nada de ele acordar ainda? – Ray pergunta, entregando a badeja a Thea.
—Nada – confirma a médica, levantando-se – Como dizia a Thea, as vezes o despertar do coma é demorado.
—Ele tá dormindo Fefe? – Amy pergunta, puxando a mão da loira – Ainda tá dodói?
—Um pouco meu anjo – responde a loira – Mas logo estará bem e poderá conhece-lo. Vai gostar dele, eu sei – diz a loira, afagando a cabeça da menina.
—Até porque de vez em quando ele tem idade mental igual a sua. Minto, você é mais esperta fofinha! – Mouse brinca, apoiando as mãos e erguendo-se na cadeira, olhando em direção a Thomas – É, não funcionou! – entristece, sentando-se novamente.
—Sério que pensou que provocação o acordaria? – Jay questiona, balançando a cabeça negativamente.
—Como Caitlin acabou de dizer, pode demorar um pouco mas Tommy vai acordar – reforça, olhando o amigo – É certo que gostaríamos que isto já tivesse acontecido, que pudesse comemorar o Natal conosco....- faz uma pausa — Mas teremos outros para comemorarmos juntos. Todos nós – afirma, dando um selinho em Felicity.
—Vamos dormir aqui? – Amy pergunta, curiosa.
—Vemos isso daqui a pouco, raio de sol – responde o loiro, pegando-a no colo – Agora, que tal disfrutarmos nossa ceia? – sugere.
—Não poderia estar mais de acordo! – Jay concorda, esfregando as mãos – O que? Passei praticamente vinte e quatro horas em jejum! – resmunga o ruivo.
—Pobre criança em fase de crescimento! – Thea brinca, provocando risos – Feliz Natal pessoal! – deseja, erguendo o copo plástico com a bebida que Eddie servira-lhe.
—Feliz Natal! – respondem um coro baixo, cada um servindo-se da ceia trazida, conversando até o início da madrugada.
Como Amy adormecerá no sofá, optam por permanecer no hospital, Felicity acomodando-se junto com a menina enquanto Thea ocupa a poltrona. Oliver, Ray, Jay e Eddie buscam acomodações na sala de espera do andar enquanto Sara segue com Mônica e Mouse para o quarto ocupado por ele.
Deitada no leito junto ao namorado, cabeça repousada sobre o peito dele, Caitlin permanece acordada sorrindo ao ver os primeiros flocos de neve caindo lá fora, mergulhando, algum tempo depois, num sono tranquilo repleto de sonhos bons, o vibrar do peito de Thomas fazendo-a abrir os olhos. Estaria sonhando novamente ou ele riu? O repetir do movimento fazendo-a abrir os olhos, a pequena Amy Lee, sentada na altura da cintura de Thomas com olhos espertos e sorriso radiante a flagrarem seu despertar, sendo a primeira visão a ter.
—Tia Cait, é Natal!! – vibra a menina.
—É sim princesa – anui a médica, erguendo-se rápido ao sentir o peito de Thomas vibrar num riso curto, retendo o ar ao deparar-se com o azul límpido a observa-la.
—Oi. Feliz Natal amor...
Continua
“... Friends and relations send salutions;
Sure as the stars shine above;
But this is Christmas, yaeh, it’s Christmas my dear;
It’s time of year to be with the one you love;
So won’t you tell me , you’ll never more;
Christmas and New Year will find you home;
There be no more sorrow, no grief and pain;
And I’ll be happy, happy, once again...”

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