Invasão de Privacidade
7 Past...Present...Choices..!(I)
Notas iniciais
“Cold enought to chill my bones;
It feel like I don’t know you anymore;
I don’t understand why you’re so cold to me;
Wiht every breath you breathe;
I see there’s something going on;
I don’t understand why you’re so cold...”
Cold
Maroon 5( feat. Future)
Apartamento Tommy (Sábado, 7/10 – 20:25 p.m)
Tommy
< O número chamado não pode atender agora. Por favor, deixe seu recado após o sinal>
— Merda! –xingo, atirando o celular sobre a cama, irritado por escutar pela milésima vez a gravação.
Enrosco os dedos no cabelo, fechando os olhos, respirando fundo buscando me controlar enquanto entro no banheiro, algo que estava sendo difícil desde o momento em que recebi o maldito vídeo chegando ao ponto de fazer com que Cait estranhasse meu comportamento.
Havia retornado, conforme prometi no bilhete deixado, para seu apartamento passando boa parte da tarde em sua companhia, conversando, assistindo filmes e series antigas e, claro, namorando (entenda transando!).
Lá pelo meio da tarde, em um dos poucos momentos de relaxamento, contei, da forma mais casual que consegui, ter encontrado com Felicity no supermercado e esta nos convidara para jantarmos, com ela e Oliver, em um restaurante italiano que gostaria que Cait conhecesse.
Mesmo demonstrando ter estranhado o convite, aceitou e eu consegui a desculpa que precisava para voltar a meu apartamento um pouco mais cedo a fim de preparar-me para o tal jantar.
Assim que entrei em casa, pensei, a princípio, em procurar a localização das câmeras visto que ficara claro (depois que revi a gravação dezenas de vezes) que fora feita de dentro do aposento, mas acabei desistindo temendo que a pessoa responsável por a fazer divulgasse o vídeo na internet ou pior: o enviasse a algum jornal ou revista de fofoca. Era praticamente impossível não nos reconhecer já que a gravação fora feita de dois ângulos diferentes.
Quanto mais eu pensava, quanto mais olhava a volta ao entrar no cômodo para tomar banho, mais raiva eu sentia.
—Espero que esteja curtindo o espetáculo, miserável! – rosno baixinho, evitando olhar em direção aos locais onde julgava estarem posicionadas, terminando meu banho rapidamente, retornando ao quarto.
Me vestindo distraído, o aviso de mensagem me tirando do devaneio.
Pego aparelho lendo o texto, suspirando resignado: “Retornando de missão. Ligo assim que chegar ao país. M”.
—Droga! Agora terei que esperar mais tempo...e continuar me expondo a este infeliz – resmungo, terminando de abotoar a camisa, pondo-a para dentro da calça, fechando zíper e botão – A menos que peça ajuda a Ray...e Ollie – pondero, sacudindo a cabeça a fim de organizar as ideias – Um problema por vez Tommy, um problema por vez. Vai com calma – admoesto a mim mesmo.
Arrumo o cabelo, coloco perfume, relógio, o blazer, pego carteira, chaves, olhando-me no espelho antes de sair do quarto, apagando as luzes.
Se antes me sentia observado, agora essa sensação, além de justificada, triplicara. Olho a volta me certificando que tudo estava ok, apagando as luzes e saindo.
Cinco minutos depois estou parado a porta de Cait, apoiando a cabeça em uma mão, o braço na parede, distraído, pensando em como as coisas ficariam depois que ela....
—Boa noite mal-humorado! – o cumprimento divertido me trás de volta a realidade fazendo-me olhar a mulher parada a minha frente – Está melhor? – pergunta, tocando meu queixo (caído, diga-se) – Tommy, está me....- corto-a com um beijo voraz, trazendo-a para junto de meu corpo, apertando-a com força e urgência.
Durante incontáveis minutos nos perdemos um no outro, cessando o contato quando o ar nos falta, sem no entanto, nos separarmos.
—Eu te amo Cait – me declaro, surpreendendo-a – Sei que parece improvável pelo pouco tempo que nos conhecemos, mas amo você. Não importa o que aconteça de hoje em diante, não esqueça ou duvide disto, por favor – peço, olhando dentro de seus olhos, afastando uma mecha solta.
—Por que está falando assim Tommy? – pergunta, sustentando meu olhar.
—Por nada. Apenas não esqueça o que acabo de dizer e principalmente acredite na minha sinceridade – peço, lhe dando um selinho, baixando a vista ao sentir o ronronar em minhas pernas – Boa noite Watson – digo, Cait rindo.
—Já aprendeu a diferencia-los, muito bem – elogia, dando duas tapinhas em meu braço – Agora me deixe ir retocar meu batom e pegar minha bolsa para irmos encontrar Lissy e Oliver – pede, e a solto com relutância. Algo dentro de mim avisava que depois desta noite iria demorar algum tempo a tê-la em meus braços novamente. Se voltasse a tê-la.
Acompanho-a com o olhar parado a entrada de seu apartamento, suspirando, percorrendo as curvas marcadas pelo vestido justo. Mesmo minha história com Felicity tendo acontecido há tanto tempo atrás, Cait certamente ficaria mexida. E Oliver também.
Instintivamente olho a volta como que a procura de algo, sacudindo a cabeça negativamente a fim de espantar tais pensamentos.
—Estou começando a ficar paranoico – murmuro, olhando os pets dela, que me observavam de volta – Vocês também sentem não sentem? Que estamos sendo observados, não é? – “converso” com os quatro, Homer, o pug macho emitindo um som parecido com um bufo.
—Ainda pensando nisso Tommy? – ouço Cait perguntar e me volto em sua direção, encantado – Pare de me olhar desse jeito, está me deixando sem graça – pede, corando
—Que posso fazer se tenho a namorada mais linda de toda Starling – elogio fazendo-a corar mais – E fica ainda mais linda quando se encabula dessa forma – reitero, puxando-a para mim quando passa perto.
—Não Tommy, vamos nos atrasar – ralha, evitando meu beijo – Não teve beijos suficientes por um dia?- questiona, me olhando.
—Não! – respondo, conseguindo roubar um beijo rápido, libertando-a – Nunca a beijo suficientemente – afirmo, observando-a se movimentar graciosamente, uma dor aguda atingindo meu peito só em pensar que poderia perde-la.
—Cuidado, assim acaba enjoando de mim! – exclama, parando a minha frente, sorrindo com seu jeito doce – Vamos indo? – convida.
—Vamos – anuo, segurando a mão que me estendia – Devolvo a mãe de vocês mais tarde...Ou não! – brinco, apontando para os pets.
—Para um Ranger as vezes é muito bobo senhor Merlyn! – brinca, fechando a porta ao sairmos.
—Grato pelo elogio doutora Snow – respondo fazendo uma mesura quando paramos em frente ao elevador – Saiba que mantenho esse lado bobo em segurança a fim de evitar me tornar um chato de galochas! – friso, sinalizando para que entrasse antes de mim.
—Graças a Deus por isso! – exclama, enlaçando meu pescoço, tomando minha boca num beijo casto.
—Humm, parece que não sou o único a estar insatisfeito com a quantidade de beijos trocados hoje, afinal – brinco, envolvendo sua cintura, apertando-a.
—Acho que me viciou! Não consigo ficar muito tempo sem seus beijos – acusa e sorrio.
—Bom, mas saiba que cobro caro por cada dose e nunca me satisfaço com meio pagamento – brinco, beijando-a novamente, desta vez mais intensamente ao mesmo tempo em que explorava suas curvas por cima do vestido, interrompendo as caricias e o beijo apenas quando nossa atenção é chamada pelo comentário irritado, nos alertando que o elevador parara no mezanino.
—Ah, por favor, vão para um quarto! – um dos inquilinos do oitavo andar (um cara esquisito e resmungão) bufa – Se não se importam, gostaria de subir em paz, sem ter que presenciar nenhum showzinho erótico – ironiza ao entrar, fazendo meu sangue esquentar.
—Escute amigo ...- começo dizer, Cait interrompendo, me puxando para fora rapidamente.
—Desculpe-nos senhor – pede, me empurrando em direção a saída do prédio – Esqueça Tommy, não vale a pena discutir com gente como ele – diz, segurando firme em meu braço – O que acha de irmos de taxi? Ambos vamos beber e não gostaria de dirigir ou que você dirigisse – sugere quando paramos perto da porta, não esperando resposta, pegando o celular, acessando um aplicativo de transporte – Tommy, está me ouvindo? – questiona, me cutucando.
—Uhum – murmuro, o comentário feito pelo sujeito ecoando em minha mente....Seria possível??? – questiono-me, ela chamando minha atenção novamente.
—Tommy, o que há com você? Está estranho desde que voltou da rua a tarde. O que está me escondendo? – interroga, estreitando os olhos, desconfiada, ao me encarar.
—Desculpe Cait, eu só...- começo dizer, a buzina de nosso transporte que chegara me interrompendo – Nosso carro chegou – desconverso, abrindo a porta para ela, que sai após hesitar um segundo, seguindo direto para o carro, entrando sem me esperar – Droga Tommy, precisa se controlar. Não estrague ainda mais as coisas – admoesto-me, entrando logo depois dela.
—Para onde senhor? – o motorista pergunta assim que me acomodo.
—Restaurante Família Muccinni, por favor – peço, olhando-a de soslaio – Me perdoe Cait, mas aquele cara me deixou irritado – justifico, ela limitando-se responder com um movimento de cabeça, olhando pela janela.
Suspiro, colocando o cinto, permanecendo em silencio, como ela, durante todo o trajeto.
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Restaurante Família Muccinni (21:00 p.m)
Caitlin
Durante todo o trajeto até o restaurante permaneço em silencio limitando-me a dirigir olhares furtivos em direção a Thomas, flagrando-o fazendo o mesmo de vez em quando.
Algo havia acontecido em sua saída, era inegável. Ele mudara da água para o vinho. Estava visivelmente tenso, irritadiço, nervoso. Mesmo tendo se esforçado para disfarça não conseguira. Até o sexo fora diferente depois que retornou. Estava mais agressivo, por assim dizer. Não que tivesse me machucado, de forma alguma, mas a suavidade e o carinho próprios dele, mesmo quando era vigoroso, deram lugar a uma espécie de fúria controlada que deixara marcas por todo meu corpo. Algumas iriam demorar a desaparecer. O mais estranho é que sequer notara tê-lo feito.
—Obrigado – ouço-o agradecer ao pagar o motorista após descermos do carro, pondo a mão possessivamente em minha cintura, trazendo-me para junto de seu corpo, o meu respondendo imediatamente ao contato – Ainda zangada? – pergunta em meu ouvido enquanto caminhamos para a entrada do lugar, provocando arrepios que se espalham rapidamente.
—Um pouco – minto visto que toda raiva que sentia se esvaiu como poeira ao vento ao sentir seu toque...Merda Cait, não pode se derreter cada vez que ele te tocar. Não pode fingir que nada está acontecendo quando claramente Está ... advirto-me mentalmente, parando a seu lado em frente a Host.
—Boa noite, bem-vindos ao Família Muccinni. Têm reservas? – pergunta a mulher, secando-o descaradamente.
Um bisturi para furar seus olhos queridinha! – me pego pensando, recriminando-me imediatamente pelo pensamento grosseiro e agressivo, dirigindo-lhe um sorriso forçado.
—Boa noite. Viemos encontrar Oliver Queen e sua noiva – Tommy informa, apertando mais minha cintura, deixando claro que estávamos juntos.
Não nego: meu ego se inflou como nunca havia feito antes fazendo-me erguer o queixo de forma prepotente, especialmente quando noto o olhar de desapontamento da ruiva. Um sorriso triunfante se forma em meu rosto sem que pudesse impedir, o que não queria mesmo!
—O senhor Queen já os aguarda. Me sigam por favor – pede, pegando sua prancheta (ou seja lá o que for aquilo!), adiantando-se pelo salão conosco em seu encalço.
Mantenho a atitude e o sorriso a medida em que avançamos, notando os olhares de cobiça e desapontamento de algumas mulheres.
—Mostrando as garras doutora?! – sobressalto-me com a pergunta feita em tom baixo e rouco junto a meu ouvido – Adoro esse seu lado possessivo, já falei isso? – questiona e sorrio.
—Não que tenha lembrança – afirmo, acenando para minha prima – Olá, boa noite Lissy, Oliver – cumprimento-os assim que chegamos a mesa, a ruiva se retirando discretamente.
—Boa noite Cait. Está linda! – Lissy elogia, me dando um beijo na bochecha, voltando-se para Tommy – Você também Thomas – diz formalmente e arqueio a sobrancelha, tão surpresa quanto Oliver, que levantara cumprimentando o amigo com um aperto de mão e um abraço.
—Por que a formalidade Sweet? Até parece que não conhece Tommy – brinca, voltando-se para mim – Boa noite Cait. Felicity tem razão, está linda – elogia e sorrio discretamente, notando o quanto Tommy e minha prima pareciam repentinamente tensos após a brincadeira dele – Sentem-se – convida, Tommy afastando a cadeira para mim antes de sentar na outra a meu lado – Querem beber algo? – pergunta, sinalizando para um garçom próximo.
—Uma taça de vinho tinto, seco, por favor – peço, pondo a bolsa em meu colo.
—Pra mim o mesmo que está bebendo Ollie – Tommy pede, pondo um braço sobre o encosto de minha cadeira.
—Vou querer vinho também, doce – Lissy pede, entrelaçando os dedos, respirando fundo e olhando de lado, tiques seus quando está nervosa.
Um silencio estranho se faz após a saída do garçom aumentando minha curiosidade bem como minhas suspeitas. Algo estava acontecendo e envolvia minha prima e meu namorado.
—Este lugar é lindo. Não o conhecia ainda – Tommy quebra o silencio, olhando a volta – A vista é perfeita – elogia.
—Verdade – Oliver anui – A primeira vez que viemos aqui foi logo no começo de nosso namoro. Estava tentando impressiona Felicity e a julgar por ela ter aceitado meu pedido acho que consegui – declara ele, olhando minha prima com devoção fazendo-a corar.
—Na verdade, não quis te deixar livre para a ruiva da entrada. Sou meio competitiva, caso não tenha notado! – Lissy brinca nos fazendo rir.
A partir daí o clima melhora. Aos poucos sinto Tommy relaxar a meu lado da mesma forma que percebo Lissy mais leve, faladora, divertida, a Felicity que conheço e amo.
Durante o jantar o tom leve se mantém sendo quebrado apenas na metade da sobremesa quando o assunto Rangers vem à baila. Em determinado momento comento que me surpreendera com a revelação feita por Tommy.
—Jamais passaria por minha cabeça que alguém, e ai não me leve a mal pois sabe que é verdade o que vou dizer – peço, pondo minha mão sobre a dele – Alguém com a fama que ele tem, de playboy irresponsável, pudesse ter esse lado mais sério, por assim dizer – confesso.
—Imagina eu, então, quando descobri que estava enganada sobre o sumiço repentino dele em Vegas! – Lissy deixa escapar e a encaro, surpresa.
—Sumiço em Vegas!? – Oliver interroga, olhando-a igualmente surpreso – A que está se referindo Sweet? – questiona.
—Eu falei sumiço? – Lissy pergunta, sorrindo amarelo.
—Disse que havia descoberto estar enganada sobre o sumiço repentino de Tommy em Vegas – Oliver repete franzindo o cenho – Como sabia que ele esteve em Vegas? – quer saber, desconfiado – Felicity?? – chama ante o silencio prolongado dela, minha prima tomando uma longa respiração antes de falar, mantendo os olhos fixos no prato a sua frente.
—Eu disse sumiço? – repete, não dando chance nenhum de nós retrucar – Deveria ter dito fuga – corrige-se, erguendo os olhos (finalmente), olhando diretamente para Tommy – Pensei que iriamos fazer isto juntos – reclama, empurrando o prato para longe, cruzando e descruzando os braços visivelmente nervosa, fazendo uma luz de alerta acender em meu cérebro e antes mesmo de Tommy falar, pressinto que não iria gostar do que ouviria. Nem Oliver.
—Oliver, lembra quando foi capturado durante uma missão na Rússia em, Julho de dois mil e treze? – pergunta, mexendo a comida em seu prato displicentemente.
—Sim – Oliver confirma, explicando ante meu olhar interrogativo – Fui enviado, com outro batalhão, a Rússia em uma missão aparentemente tranquila que acabou se complicando. Eu e mais dois soldados além de um civil fomos feitos prisioneiros por um grupo extremista – conta, voltando sua atenção para Tommy novamente – Minha equipe original, liderada por Tommy e John, foi em meu resgate. Demoramos mais de três semanas para conseguirmos voltar para casa em segurança – lembra – Por que lembrou disso agora? – questiona.
—Enquanto voávamos de volta, lembra que contei onde estava quando fui avisado do que havia acontecido? – pergunta, o tom cauteloso que usava me fazendo ter ainda mais certeza que não gostaríamos do iria contar.
—Lembro de você ter me enchido o saco dizendo que estava te devendo uma por tê-lo tirado....- Oliver começa dizer, calando-se repentinamente, um misto de confusão e rancor transparecendo em seu rosto.
—Disse que você estava em dívida comigo por ter-me feito largar a garota com quem estava envolvido...Em Vegas – Tommy completa, me encarando, a tensão trasbordando por cada poro de seu corpo.
Por um segundo me sinto perdida em meio aquelas informações até que finalmente a “ficha cai”. Olho dele para Felicity e novamente para ele, boquiaberta.
—Felicity?!? – indago, vendo pelo canto do olho Oliver se mexer na cadeira desconfortável enquanto minha prima parecia ter-se transformado em estatua – A garota da qual me falou ontem, com quem teve um envolvimento e precisava conversar antes de me dizer de quem se tratava ... – paro, não conseguindo verbalizar meu raciocínio, ele o fazendo por mim.
—Era Felicity – confirma e sinto o chão sumir sob meus pés – Estava de licença do grupo. Todos estávamos na verdade, após regressarmos de uma missão – recomeça a falar após um silencio que me pareceu durar horas – Não estava a fim de vir para casa. Havia discutido com meu pai pouco antes de viajarmos e certamente iriamos discutir novamente quando chegasse em casa por isso decidi dar um giro de carro, sem destino certo – conta, fazendo uma pausa rápida, empertigando-se após mexer os ombros como que para aliviar o peso – Desembarcamos em L.A e de lá cada um seguiu seu rumo. Minha primeira parada foi no Havaí, onde passei dois dias com Mouse e a família. Em seguida voltei para L.A onde fiquei mais dois dias antes de seguir para Vegas, me hospedando no Bellagio...Onde conheci Felicity quando jogava no cassino – faz mais uma pausa tomando um longo gole da bebida em seu copo, dando tempo a mim e a Oliver absorvermos o impacto das revelações – Lembra que Mouse nos deu dicas de como conseguir vencer em algumas mesas não lembra? – pergunta olhando diretamente para Oliver, este acenando afirmativamente – Fiz uso delas na mesa da roleta e comecei a ganhar seguidamente chamando atenção da segurança. A garota da mesa...
—Eu – Lissy ergue a mão, mordendo o lábio inferior.
—Com quem estava flertando, me alertou quando os seguranças estavam para vir atrás de mim e pulei fora seguindo-a até que entrasse na área restrita aos funcionários – lembra, dando pequenos socos na mesa – Paguei ao segurança que ficava vigiando a entrada e ele me deixou passar. Fui atrás dela, encontrando-a no chuveiro – outra pausa, menor – Não preciso dizer o que aconteceu depois – conclui.
Durante um tempo impreciso, todos ficamos em silencio.
Tudo no que conseguia pensar era que meu atual namorado tinha fodido com minha prima e por alguma razão esconderam isso de mim e do noivo dela que por sinal é o melhor amigo dele.
—Quatro anos – Oliver é o primeiro a quebrar o silencio, encarando Tommy – Isso aconteceu há quatro anos atrás! Sequer sonhava conhecer ou mesmo me apaixonar por Felicity– diz, abrindo os braços interrogativamente – Por que somente agora estão me contando? Por ter começado a namorar Caitlin, é isso? Ou por que descobriram que estão apaixonados, porque me disse com todas as letras na época, que estava apaixonado pela tal garota...Por Felicity! – Oliver relembra, fazendo meu estomago dar voltas – É isso? Para isso esse jantar? Nos dizerem que ainda estão apaixonados? Por isso não queria Tommy e Cait juntos? – conjectura se voltando para Lissy, que o olha abismada.
—Não! Não, de jeito nenhum – Lissy assegura, tensa – Oliver, eu te amo, não tenho a menor dúvida sobre isso e espero que você não tenha também – frisa, não o deixando responder – O que aconteceu entre mim e Tommy quatro anos atrás era apenas mais um motivo, além de minha preocupação por ela ainda estar se recuperando do golpe que sofreu e por causa desse golpe, dessa traição, que me senti impelida a tentar afastar os dois – garante, voltando-se para mim – Até ontem à noite julgava que tinha sido mais uma na extensa lista de conquista de Thomas Merlyn. Que me usara e jogara fora partindo para a próxima sem ao menos me dar uma explicação! – afirma, controlando as lágrimas – Não fazia a menor ideia que ele tinha partido da maneira que partiu para ir ajudar a resgatar você meu amor – garante, segurando uma mão de Oliver entre as suas, encarando-o – Quando mudei para Starling não imaginei que o reencontraria muito menos que iria me apaixonar por seu melhor amigo. O susto que tomei quando nos apresentou foi imenso e só aumentou quando vi o quanto vocês dois são unidos – faz uma pausa para tomar folego antes de prosseguir – Tommy queria te contar e se não o fez foi porque o impedi todas as vezes que tentou. Temia que não aceitasse ou entendesse, que pensasse exatamente o que pensou agora ou coisa pior...
—Tipo? – Oliver a interrompe momentaneamente.
—Tipo que pensasse ter-me aproximado de você para chegar até ele, que estava a fim de pegar um milionário, que soubesse exatamente quem eram vocês dois, e não sabia em absoluto, e...
—Meus pais sabem disso por acaso? – Oliver questiona de repente e vejo minha prima ficar ainda mais pálida, confirmando as suspeitas dele – Eu sabia! – exclama, juntando as mãos – Por isso tentou terminar comigo -lembra, cerrando os punhos.
—Como assim? O que Robert e Moira sabem? – Tommy questiona, ainda mais tenso.
—O que há para saber Tommy? – questiono, o pressentimento retornando com força – Por mais que seja...Desagradável – digo, cuidadosamente – Saber que você e Felicity se envolveram no passado, como Oliver bem lembrou, aconteceu há quatro anos atrás. Como Oliver acabou de dizer, nenhum de nós dois sequer sonhava conhecer ou se envolver – reforço — Se não há mais nada entre vocês...
—Não há – dizem ao mesmo tempo – Não há Cait, Oliver, por favor acreditem em nós! – Lissy pede, a essa altura não conseguindo mais conter as lágrimas.
—Então por que o segredo sweet? Por que não me contou que já se conheciam assim que te apresentei ao Tommy? Por que o impediu de me contar logo de cara? – Oliver questiona, segurando suas mãos, beijando-as – Fale, por favor. Seja o que for vamos entender.
—Porque não foi transa de uma noite, Ollie, foi paixão – Tommy revela e me volto para ele, surpresa – Dessas malucas que te pegam e te fazem cometer burradas – acrescenta me olhando intensamente.
—Tipo? – pergunto, prendendo o ar quando responde.
—Tipo ir a uma capela vinte e quatro horas e casar!
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“...Are we taking a time or a time out;
I can’t take the in between;
Asking me for space here in my house;
You know how to fuck with me...”
Tommy
O choque no rosto de Cait me faz sentir uma dor como nunca pensei senti antes com ninguém, nem mesmo Felicity, quando Oliver me apresentou a ela como o grande amor de sua vida.
O mesmo choque que via no rosto de meu amigo...Ela me odeia!...penso, a dor aumentando ...Ambos me odeiam!
—Está me dizendo que estão...são casados? – Ollie pergunta, estarrecido.
—Não mais – revelo, passando a mão pelo rosto antes de continuar –Tínhamos vivido uma semana intensa e uma noite, na véspera de me chamarem para ir em seu auxilio, por uma dessas coincidências ou armadilhas da vida, como queiram julgar – digo, olhando de Cait para Ollie alternadamente — Bebemos além da conta e acabamos em uma capela das muitas de Vegas – faço uma pausa quando o garçom se aproxima pedindo permissão para retirar os pratos da sobremesa, perguntando se queríamos mais bebida.
—Traga uma garrafa de seu melhor uísque – Oliver ordena, tomando a dose que sobrara em seu copo de um gole.
—Pois não senhor Queen – prontifica-se o homem, retirando-se.
—Como dizia – recomeço antes que um dos dois fale algo – Casamos e fomos para a casa de Felicity, da mãe dela melhor dizendo – me corrijo – Acordei com uma baita ressaca no dia seguinte escutando o toque insistente de meu celular. Quando atendi, escutei a voz de John perguntando gentilmente onde diabos havia me metido e que você estava em perigo. Não pensei duas vezes. Levantei, vestir minha roupa, peguei o carro que alugara, fui ao hotel, fechei minha conta e partir ao encontro do grupo – faço outra pausa quando o garçom retorna com a bebida e os copos – Quando retornamos, cogitei ir atrás dela, como bem sabe Ollie, mas acabei não o fazendo de imediato pelas razões que conhece – lembro, meu amigo acenando afirmativamente — Quando finalmente voltei a Vegas, quatro meses depois, Felicity não estava mais trabalhando no cassino. Tinha apenas uma vaga lembrança de onde a casa da mãe dela ficava, já que havíamos passado grande parte do tempo em minha suíte e o casamento era uma lembrança confusa e como não tinha aliança ou qualquer outra coisa que provasse que aconteceu, acabei deixando para lá. Votei para Starling e segui minha vida – concluo, me servindo uma dose da bebida.
—Mas casaram ou não? – Ollie pergunta enquanto Cait permanece em total silencio.
—Sim – Felicity responde, tomando para si dar sequência – Quando acordei e não encontrei Thomas pensei que tivesse ido comprar bebida ou comida já que havíamos detonado tudo na geladeira da casa de minha mãe – diz, suspirando – O tempo foi passando, a noite caiu e nada dele aparecer. Como não deu noticias no dia seguinte também, a tarde fui ao hotel a sua procura descobrindo que fechara a conta saindo sem levar a única mala, mochila melhor dizendo, que trouxera – conta, respirando fundo – Sandy e Elijah, meus dois únicos amigos de verdade, ambos funcionários do hotel, me deixaram revistar a mochila em busca de algo, um número de telefone, qualquer coisa que me desse uma pista sobre Thomas – faz uma pausa, suspirando, enxugando os olhos com o lenço que Ollie oferecia – Eu só queria entender como alguém de se dizia tão apaixonado me deu as costas sem ao menos um adeus, uma explicação, nada, e ao mesmo tempo concertar a burrada que fizéramos já que, ao contrário dele, lembrava muito bem de termos casado, só não sabia aonde – explica, olhando diretamente para Cait – Por isso não queria que se envolvessem. Na minha cabeça Thomas tinha agido como um cafajeste e não queria que fizesse o mesmo com você ainda mais depois de tudo que havia enfrentado. Não queria que fosse enganada, usada mais uma vez. Conhecia as sensações que você sentiu. Todas. Inclusive como é perder...um filho! – revela, deixando meu amigo e Cait ainda mais estarrecidos.
—Filho?? Engravidou de Thomas Lissy? – Cait pergunta, voltando-se para mim quando ela confirma com um aceno – Sabia disso?
—Não – Felicity responde rápido – Não Cait, ele soube apenas depois que nos reencontramos em Staring. Eu mesma só descobri dois meses depois. Comecei a emagrecer sem motivo aparente. Depois vieram os enjoos e mal estares constantes – revela, sinalizando com a mão para que Ollie e Cait a deixassem continuar – Por coincidência, uma das testemunhas do nosso casamento era enfermeira no hospital geral de Vegas, onde fui fazer exames quando comecei a me sentir doente – faz aspas no ar – Ela ajudou no meu atendimento e me cumprimentou quando fui receber os resultados, elogiando, dizendo o quanto o bebê seria bonito quer parecesse comigo ou com meu marido – nova pausa para respirar – Como podem imaginar, entrei em pânico. Estava desempregada pois acabara de ser demitida, tinha me casado com um perfeito estranho que me largara e ainda por cima engravidara dele – enumera fazendo-me sentir péssimo – Nem o fato de ter sido aceita no Instituto de Tecnologia de Massachusetts me trouxe alegria.... Mai ai minha mãe se revelou uma parceira e grande amiga, apesar de nossas brigas e diferenças, na época. Ela e meu padrasto me deram total apoio. Me fizeram não perder a oportunidade do curso que tanto desejava, fornecendo os meios para me sustentar nos primeiros meses até o bebê nascer– conta, emocionada – Apesar de tudo, não cogitei tirar ou dar meu filho para adoção – garante, me emocionando – Meu padrasto é advogado e assumiu a responsabilidade de providenciar o divórcio. Eu só tive que descobri em qual capela havia sido realizada a cerimônia, o que fiz com a ajuda da tal enfermeira, pegar os papeis lá e entregar a ele. Avisou que poderia demorar mais do que o normal porque correria a revelia visto que apenas eu e as testemunhas seriamos ouvidas e foi assim que quatro meses depois de nos conhecermos me mudei para outro Estado.
—Por essa razão não nos encontramos quando fui procura-la – relembro.
—Por que foi atrás dela Tommy? Ainda estava apaixonado? – Ollie pergunta, me encarando sério.
—Não, porém me sentia culpado por ter desaparecido sem nenhuma explicação e ainda tinha aquela estranha lembrança do casamento me torturando. Queria me explicar e pedir desculpas – asseguro, tentando decifrar a expressão de Cait.
—Eu também havia me desencantado – Felicity retoma – O que aconteceu entre nós foi intenso, não nego, mas tinha prazo de validade – assegura.
—Disse que havia perdido o bebê – ouço Cait perguntar e fecho os olhos. De tudo que havia acontecido, aquela era a pior parte – Como? – quer saber.
—Não tão cedo quanto você, infelizmente...Se é que teria feito alguma diferença o tempo...- pondera, entristecendo – Estava na metade do sétimo mês quando levei uma queda na biblioteca da universidade... Rolei escadaria abaixo... poucos degraus...mas foi o suficiente para precipitar o parto....- para, fechando os olhos, Ollie tomando as mãos dela entre as suas e ao vê-lo fazer isto tive certeza de que se entenderiam, meu coração ficando bem mais leve – Os médicos disseram que havia nascido viva, mas morrera poucas horas depois por problemas respiratórios – conta, meu amigo envolvendo-a pelos ombros, trazendo-a para perto dele – Era uma menina...Durante meses sonhei com ela mesmo sem tê-la visto um segundo sequer...Não tive coragem ... Lembro de uma enfermeira ter-se oferecido para cuidar de tudo já que mamãe só chegaria em dois dias e o corpo não poderia ficar tanto tempo sem cuidados...Mamãe também não teve coragem de vê-la, apenas acompanhou o enterro num cemitério próximo a universidade – conclui, deitando a cabeça no ombro de Ollie, exausta.
Um novo e prolongado silencio cai entre nós. O som dos risos a nossa volta contrastando com o estado de espirito em nossa mesa.
—O processo de divórcio ainda está correndo? -Ollie pergunta, sua voz tranquila me deixando aliviado.
—Não, já foi concluído. Felicity os recebeu antes de ontem e os assinamos ontem – revelo.
—Foi por essa razão que saiu, não para comprar sobremesa alguma não foi? – Cait questiona, a magoa em sua voz tendo o efeito contrário à voz de Ollie.
—Depois que adormeceu, mandei uma mensagem chamando-a para conversarmos. Não queria ter mais nenhum segredo entre nós Cait, por isso pedi-lhe que me deixasse te contar sobre nosso...caso – afirmo, cuidadoso, perscrutando seu rosto em busca de pistas do que estava sentindo.
—Nos encontramos em um quiosque no píer, a meu pedido, assinamos os papeis do divórcio e sugeri este jantar...Me perdoa Cait? Em momento algum quis te enganar ou a você, meu amor –Felicity reitera, afastando-se o suficiente para enxergar o rosto de meu amigo – Eu te amo tanto! Não queria ter escondido nada de você, mas...temia que me deixasse quando soubesse do casamento – admite, Ollie sorrindo minimamente, acariciando seu rosto com a mão, sua expressão endurecendo repentinamente.
—O que meus pais sabem Sweet? Eles fizeram algum tipo de chantagem com você? – pergunta, tenso.
—Não exatamente – diz ela, cuidadosa – Moira ameaçou contar sobre o casamento caso não desistisse do noivado. Ela julgava que estava tentando dar o golpe em você da mesma forma como havia feito com Thomas – conta, meu amigo socando a mesa, irritado – Não posso deixar de entender os motivos dela, meu amor. Estava tentando te proteger de uma suposta golpista. Pode não ter sido a maneira mais correta, mas entendi.
—Eu não e terei uma conversa franca com minha mãe. Com ambos – garante, mexendo-se incomodado – Obrigado pela honestidade Tommy – agradece, voltando-se para Felicity – Dos dois. Mesmo que tardia! – exclama conseguindo arrancar um sorriso pequeno dela – Acho que podemos ir. Nós todos precisamos descansar. Foram muitas e fortes emoções – pondera, olhando de mim para Cait – Vieram de carro? – quer saber e nego com um gesto de cabeça, o nó em minha garganta impedindo de falar – Então voltarão conosco. Meu motorista está nos aguardando e não aceito um não como resposta – decreta, sinalizando para o garçom trazer a conta.
Mesmo contra a vontade dele, rachamos as despesas, seguindo para a frente do restaurante onde aguardamos seu carro chegar, ele abraçado a Felicity enquanto Cait mantém uma distância mínima entre nós, mantendo-a quando entramos no carro.
O percurso de volta para casa nunca me pareceu tão longo. Afora a música suave que tocava, nenhum de nós dizia nada, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
A medida em que nos aproximamos, o maldito vídeo me vem a mente mais uma vez e tomo uma decisão.
Descemos em frente ao prédio onde Ollie mora, ele e Felicity seguindo para seu apartamento após despedirem-se enquanto caminho para o nosso lado a lado com Cait, sem tentar tocá-la, mantendo certa distância e o silencio enquanto subimos, quebrando-o apenas quando chegamos a seu apartamento.
—Cait, eu sei que foi muita coisa para... – começo dizer, ela me interrompendo.
—Tommy, por favor, não diga mais nada sim – pede, abrindo a porta, voltando-se para mim – Preciso de um tempo para digerir isso tudo. Não estou com raiva de você – garante, me encarando – Mas preciso de tempo e espaço para assimilar tudo que ouvi hoje a noite. Pode fazer isso por mim, por nós? – questiona e aceno positivamente – Obrigada – agradece, me brindando com um de seus sorrisos doces que amo, deixando um beijo rápido em meus lábios antes de fechar a porta deixando-me estático durante alguns minutos, encarando a madeira crua a minha frente.
Suspiro, me voltando e caminhando de volta aos elevadores, sacando meu celular do bolso.
—Oi, desculpe ligar tão rápido, mas preciso falar com você em particular. Poderia me encontrar na área da piscina agora? – peço, retendo as portas do elevador – Não, é outro assunto que surgiu, por coincidência hoje, mais cedo– afirmo, aguardando sua resposta – Ok. Estou a caminho. Espero você lá – informo, desligando, enviando uma mensagem para Ray pedindo o mesmo antes de entrar no elevador.
Me recosto a parede do fundo, fechando os olhos enquanto massageio as têmporas, o latejar em minha cabeça anunciando o tamanho da dor que estava a caminho.
Atendo a ligação de Ray assim que saio avisando que estava a caminho e sorrio. Ray era um daqueles caras que não pergunta o porquê, mas o como pode ajudar quando é convocado para algo.
Sigo direto para a área da piscina, recostando-me a mureta próxima a mesma, olhando o mar enquanto aguardo os dois chegarem, controlando a imensa vontade de chorar que me acometia não apenas pelo receio de perder Cait, mas por tudo que Felicity relembrara, especialmente a morte de nossa filha.
— O que houve Tommy? Por que essa reunião? – Oliver questiona ao chegar junto com Ray, os dois parando a minha frente.
—Por isto — digo, abrindo o aplicativo de mensagem do meu celular indo direto para o texto e o vídeo que recebera, entregando-o nas mãos de meus amigos, que leem o texto passando para o vídeo logo em seguida, o rosto de Ollie ficando rubro pela raiva, mas antes que diga algo, o comentário de Ray pega a nós dois de surpresa.
—Então ele tem câmeras em seu apartamento também! – exclama, pegando seu celular no bolso, exibindo para nós um texto idêntico ao que eu mesmo recebera bem como um vídeo seu e de Sara transando em seu quarto – Acho que temos um problema aqui!
“...Baby, tell me how did you get so cold enough to kill my bones;
I feels like I don’t know enymore;
I doon’t understand why you so cold to me;
With every breath you breathe;
I see there’s something going on;
I don’t understand why you so cold...”

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