Invasão de Privacidade
19 Blood! Part. III (the bad and the good one)
Notas iniciais
“Time, is going by, so much faster than I;
And I’m starting to regret not spending all with you;
Now, I’m wondering why;
I’ve kept this bottled inside;
So I’m starting to regrte not telling all of it to you;
So if I haven’t yet, I’m gotta let you know...”
Never Gonna Be Alone
Nickelback
Apartamento Eddie Thawne (sexta, 22/12- 8:43 a.m)
Thea
—Então as amostras que trouxe não serviram? – pergunto, dando uma olhada em direção a cama antes de fechar a porta do banheiro, bocejando, sentando sobre a tampa fechada do vaso sanitário – Será que foi a forma como coletei ou armazenei? – quero saber.
< Pode ser que tenha sido e ter havido contaminação por conta de os bulbos não estarem intactos. Também pode ter sido algum produto do qual ela fez uso anteriormente a coleta. Ou simplesmente não estar tendo uma alimentação adequada e os cabelos estarem fracos. Enfim, uma infinidade de possibilidades e fatores. O fato de que não tive tempo para processar as amostras rapidamente pode ser outra causa > escuto a explicação de April sem entender muita coisa além de que as amostras não serviram, confesso < Por isto damos preferência ao sangue. Os riscos de contaminação são mínimos. Desculpa ter te ligado a esta hora com más notícias. Ainda estou no fuso horário de Chicago! > pede < E desculpa não ter conseguido te dar uma resposta mais rápido. O hospital anda uma loucura nos últimos dias. Acho que Caitlin te contou não foi? Parece que a proximidade das festas de final de ano leva o juízo de todo mudo embora! > acresce e rio pelo nariz.
—Contou sim – confirmo, passando a mão por meu recém cortado cabelo, agradecendo intimamente a decisão tomada num impulso enquanto andávamos, Eddie e eu, pelo shopping ontem no finalzinho da noite, caso contrário estaria um ninho completo – Quanto as amostras, já está nos fazendo um favor. Não precisa se preocupar ou justificar demora nenhuma. Aliás, veio bem a calhar visto que só temos a amostra de Felicity – relembro, suspirando – E também não precisa sentir culpa por ligar cedo. Eu já estava acordada – tranquilizo-a, abafando um novo bocejo.
Na verdade, desde antes de ontem que ando sem sono além de muito irritada. Apesar do clima natalino já presente por toda a cidade e da alegria de minha mãe em organizar a festa em nossa casa para toda a família (o que incluía Felicity, seus pais, Eddie, Caitlin e Tommy), não estava conseguindo relaxar, me conectar a alegria dela. E olha que amo esta época do ano por inúmeras razões.
Pior: ontem, no finalzinho da tarde, bateu uma bad tão forte que me deixou deprimida a tal ponto de meu namorado notar e se dispor me levar ao shopping para aliviar um pouco a tensão e me alegrar. Não funcionou. Fiquei até mais irritada com o excesso de gente e barulho, coisa completamente atípica em se tratando de mim.
Fiquei tão mal que Eddie chegou a cogitar a possibilidade de estar grávida, hipótese que tratei de afastar por dois motivos: não estava em meu período fértil e temos tomado todos os cuidados usando sempre preservativo e pílula, além de fazermos uso de outros métodos contraceptivos. Honestamente, se algum dos “soldadinhos” dele conseguiu vencer todos os obstáculos impostos, merecia uma salva de tiros!
< Ainda bem. Apenas quando você atendeu me dei conta da hora! > revela, sem graça e rio novamente.
—Relaxe. Bem, vou ligar para as gêmeas, explicar o que houve e vê com elas a melhor maneira de procedermos, se elas coletarem e me enviar ou eu ir lá pessoalmente. Confesso que estava mesmo querendo uma desculpa pra rever minha fofinha. Tô roxa de saudades daquela pequena! Quase um mês sem vê-la ou falar com ela é demais pra mim – admito escutando-a rir do outro lado da linha.
< Certo. Me avise o que decidir para te dar as instruções de como acondicionar a amostra para o transporte já que, suponho, não irão recorre a um laboratório e sim uma enfermeira particular, correto? > inquire, um choro de criança se fazendo ouvir ao fundo < Thea, preciso desligar agora. Meu filhinho acordou e preciso verificar se está bem. Não estarei trabalhando nos próximos dias, mas pode me ligar ou enviar mensagem depois que decidir o que vai fazer. Quando tiver o material em mãos me avisa para o caso de ir até o laboratório do hospital para agilizar o processo > pede.
—Pode deixar, ligarei ou te envio mensagem – anuo – Obrigada mais uma vez por sua ajuda e melhores pro seu bebê – desejo, ela agradecendo, despedindo-se e desligando logo em seguida.
Suspiro profundamente enquanto busco o número de Erica na agenda, tentando afastar a sensação ruim de aperto no peito que me fizera despertar tão cedo.
—Eddie está certo. Tenho que procurar um médico – lembro, verificando a hora antes de apertar a discagem automática.
Mesmo não estando gravida, alguma coisa estava errada comigo. Essa dor e opressão que estava sentindo especialmente nas ultimas vinte e quatro horas não podia ser normal. Não havia nenhum motivo aparente para tal sentimento, apesar de estar relativamente preocupada com Cait e Tommy. Não que estivessem brigados ou rompido, mas também não estavam bem. Tommy estava estranho. Cait achava que ele estava com ciúmes de Oliver, melhor dizendo, do fato de ele ser pai em breve por mais que ele negasse. Para mim o motivo era outro. E ainda tinha toda a tensão por conta dos assassinatos e do stalker. Talvez dai estivesse vindo toda esta agonia que me tomava recentemente.
< Alô!? > a voz firme e rouca de Erica me tira do devaneio.
—Bom dia Erica, é a Thea. Desculpa ligar tão cedo – peço muito embora saiba que elas não costumam dormir até tarde por conta dos afazeres no orfanato.
< Bom dia Thea. Sem problemas. Não reconheci teu número. Algum problema ou apenas adivinhou que iria te ligar hoje? > interroga me deixando em alerta.
—Ia me ligar? Por que? Algo errado? Algum problema com Amy ou outra criança? – inquiro, tensa, respirando aliviada ao escutar o riso leve dela.
< Problema nenhum, muito pelo contrário. A reforma correu melhor do que esperávamos. Já iremos passar o Natal em nossa nova casa! > avisa em tom alegre e fico de pé um salto.
—Sério? – pergunto, ela confirmando – Que maravilha! Pronto, decidido: vou pessoalmente buscar a amostra de sangue da Amy – comunico.
< Oi?? As que levou não serviram? > quer saber.
—Não. Aparentemente cometi algum erro na coleta ou acondicionamento – informo – A médica que está nos ajudando só conseguiu me dá um retorno hoje. Muita coisa para fazer além de o filhinho dela ter adoecido. Por isto estou te ligando. Ia ver com você se o melhor seria ir até ai ou vocês coletarem uma amostra de sangue e me enviarem via Sedex mas agora vou pessoalmente. Aproveito pra matar a saudade de minha fofinha e das demais crianças – aviso, pensando se daria tempo comprar alguns presentes para a garotada – Vou tomar um banho, comer algo e partir para hangar da empresa.
< Ok. Vou ver com Vic se conhecemos alguma enfermeira capacitada para a coleta ou se haveria algum laboratório disposto a apenas coletar o sangue e nos entregar > comenta < Avisa quando estiver chegando > pede.
—Aviso sim. Qualquer coisa pensamos juntas quando chegar ai sobre a coleta Vou me aprontar. Até daqui umas horas – me despeço, ela fazendo o mesmo.
Me dispo, entro no chuveiro, tomo um banho relativamente rápido, me enrolo numa toalha e saio adentrando o quarto verificando que Eddie ainda dormia. Escolho um macacão em Jersey, leve e colorido, contrastando com meu real estado de espirito que, apesar de ter dado uma leve melhorada, continuava tenso.
—Pior é não saber porque estou me sentindo assim!! – murmuro, sentando sobre o colchão para calçar minhas botas, Eddie finalmente acordando ao sentir o mesmo ceder.
—Thea? Tá fazendo o que acordada tão cedo? E por que está vestida? – questiona, agarrando o travesseiro a seu lado.
—Vou viajar – respondo um pouco seca demais.
—Oi??? – assusta-se, sentando de supetão – Viajar pra onde, por que? – quer saber.
—Seattle. Preciso coletar amostra da Amy novamente, a que trouxe não serviu. April acabou de me ligar – conto, pondo-me de pé, caminhando até o banheiro novamente – Estava indecisa se pediria as irmãs para coletarem e enviarem, mas depois da novidade que Erica contou decidi ir pessoalmente, assim mato a saudade de minha pequena – comunico, arrumando o cabelo ainda molhado da melhor maneira possível.
—Qual novidade? Thea, tem consciência que estamos na antevéspera do Natal? Acha que vai conseguir um voo a essa hora para Seattle assim, num estalar de dedos? – questiona, estalando os dedos, me encarando o mais sério que sua cara de sono, olhos inchados e cabelo desalinhado, permitiam.
Perco um segundo para admirar meu namorado, sua nudez semi exposta quase me fazendo desistir da viagem. Quase.
—A reforma acabou. Vou usar o jatinho da QC, afinal é para este tipo de coisa que serve não é?- digo, pegando minha bolsa – Faz um favor amor: avisa Ollie para onde e porque estou indo e que ligo assim que chegar ok? – peço, enquanto checo meus documentos, carteira, cartões e dinheiro.
—Ok – responde após alguns segundos, voltando a deitar-se.
—Está de folga hoje? – interrogo estranhando sua atitude. Desde que começou a trabalhar na polícia de Starling Eddie faz questão de não se atrasar.
—Folga por ter dobrado turno numa campana semana passada – lembra.
—Hum....tinha esquecido – admito, procurando o número do piloto do jatinho da QC
—E eu tinha planejado passar o dia inteiro ao lado de minha namorada, que vive reclamando do pouco tempo que passamos juntos – resmunga, enroscando-se mais ao travesseiro.
—Ownnn, tão dramático! – exclamo, pulando (literalmente) sobre ele – Compenso cada hora, minuto e segundo que estarei ausente durante o ferido meu amor -prometo, beijando seu rosto repetidamente – Mas preciso mesmo ir. Já estamos perdendo muito tempo com este exame. Caitlin nem pensou em uma desculpa para coletar o sangue do Tommy ainda! – resmungo, levantando, alisando minha roupa com as mãos – Quando voltar tenho que falar com ela e resolver isso de uma vez por todas – penso em voz alta – Vou indo amor. Não esqueça de dar meu recado ao Ollie. Não quero ligar porque sei que ele e Felicity foram dormir bastante tarde ontem por conta de algum compromisso com a diretoria da QC – digo, me encaminhando para a porta, estancando ante o silencio dele – Eddie, escutou o que eu disse?
—Avisar Oliver que viajou e porque – repete com voz rouca – Boa viagem amor. Me traz um presente de lá! – brinca e rio, rolando os olhos.
—Até mais tarde dorminhoco – despeço-me, saindo.
No meio do caminho para o hangar particular da empresa, envio uma mensagem pra Cait avisando o que acontecera, pedindo que seja lá o que estivesse acontecendo entre ela e Tommy tentasse resolver, a resposta vindo quase que imediatamente, para minha surpresa. Combinamos de nos encontrar na volta a fim de planejar uma desculpa valida para coletar o sangue de meu irmão. Como mensagem final, peço-lhe que tenha cuidado, não sei bem porque, a mesma sensação de aperto e dor no peito me invadindo outra vez.
—Cacete, que porra está acontecendo comigo?? – bufo, estacionando – Definitivamente vou fazer uma bateria de exames quando voltar! – decido, pegando minha bolsa, caminhando em direção a entrada do hangar.
Apesar de não haver conseguido falar com o piloto, ele estava lá, a disposição, como sempre fica nesta época do ano a menos que seja dispensado antecipadamente, o que geralmente ocorre na véspera de Natal antes do meio dia pois se não viajarmos até esta data não o faremos mais até o ano novo.
O lado bom de ser uma Queen é este: ninguém contesta se apareço de surpresa solicitando que me levem a outro Estado. Nestes momentos realmente agradeço a fortuna de minha família.
Embarco e enquanto aguardo finalizarem os procedimentos de partida, a sensação de aperto me vem tão forte que preciso respirar fundo para não descer e sair correndo sem direção. Me pego fazendo algo que não fazia a muito tempo(nem sei bem porque): rezar.
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Resid. Ilha de Creta (9:45 a.m)
Narrador
—Não estou discutindo Thomas. Só quero entender o porque de meu namorado andar me evitando nos últimos dias fora do quarto e até mesmo aqui dentro – queixa-se Cailtin, abrindo os braços – Mal temos nos vistos e quando acontece tudo que fazemos é transar! – exclama, atirando seu celular sobre a cama após haver respondido a mensagem de Thea, levando as mãos a cintura, encarando o empresário através do espelho do banheiro aonde este se encontrava.
—E qual o problema nisso Caitlin? – rebate o moreno, evitando o olhar da médica mesmo pelo espelho – E se não estamos nos vendo com frequência agradeça a Isabel e o maldito projeto de reabrir a clínica. Você tem passado mais tempo lá dentro do que comigo. Isso quando não está dando plantão em cima de plantão no hospital – reclama, enxugando o rosto após terminar de fazer a barba, voltando-se para ela – Se quer saber, quem deveria estar se queixando aqui deveria ser eu e não você – rebate, recostando-se a pia, cruzando os braços – Além de parecer estar me evitando, anda de segredinhos com Thea e Oliver, ou pensa que não tenho notado e escutado os telefones entre vocês? Sem falar nas trocas de mensagens que sempre cessam quando estou por perto – acusa, encarando-a.
—Está com ciúmes de sua irmã ou insinuando que estou tendo algo com o noivo de minha prima, seu melhor amigo? – Caitlin inquire de volta, não o deixando responder – Isso é ridículo Thomas. Completamente ridículo. Além de infantil – bufa, irritada – Como pode sequer insinuar algo do gênero? E Thea, qual papel dela nessa trama? Acha que sua irmã iria concordar com este tipo de coisa? – questiona – Quanto ao meu trabalho, sabia muito bem o quanto amo clinicar quando nos conhecemos fora do condomínio. Deixei claro pra você desde o inicio que havia mudado para cá a fim de exercer a profissão que escolhi e isto inclui noites e plantões seguidos, especialmente nesta época do ano – relembra, prosseguindo – E não culpe Isabel por suas duvidas e inseguranças. Se quer saber eu me ofereci para cuidar pessoalmente da reabertura da clinica que foi de Sua mãe porque pensei que ficaria feliz em saber....
—Pois não fiquei – Tommy a interrompe, saindo do banheiro, irritado – Não fiquei e não estou feliz se isto significa que vou ter ainda menos tempo com você e não se apresse em isentar minha querida madrasta. Ela sabia que tomaria a frente, sabia que você iria querer cuidar de tudo pessoalmente e por conseguinte que isto iria nos afastar ainda mais – acusa, passando por ela, dirigindo ao guarda roupas.
—Ah, agora vai acusar sua madrasta de ter agido de caso pensado para nos separar. E com qual objetivo, posso saber? Ficar com você? Te conquistar? Não acha que está se valorizando demais Thomas? – ironiza, fazendo-o voltar-se rápido para ela.
—Não sabe quem é Isabel e do que ela é capaz! – exclama o moreno, vestindo o agasalho do moletom – Te contou uma história bonitinha e sensível e você já foi logo comprando sem duvidar. Se ela é tão bem intencionada assim por que não esperou minha mãe morrer pra pular na cama de meu pai? Por que não esperou ele ficar viúvo antes de se declarar apaixonada?- contesta – Não estou me valorizando demais doutora, embora tenha consciência de quem sou e do que posso fazer especialmente na horizontal, ou não está satisfeita? – provoca não a deixando responder – Notou que não negou estar escondendo algo de mim juntamente com Oliver e Thea? – indaga, estreitando os olhos ao notar a médica estremecer — Não a estou acusando de nada porque sei que não faz o tipo vingativa e igualmente deixei claro quando começamos que não gosto de segredos. Já tive minha cota pelo resto da vida pra não me sentir magoado ao perceber que a mulher que amo está fazendo isso comigo – declara.
—Thomas , eu....- Cait começa a dizer, o toque de seu celular interrompendo-a – Eu não ...- tenta prosseguir, o aparelho continuando a tocar insistentemente.
—Melhor atender doutora. Pode ser uma emergência ou sua administradora solicitando que trabalhe no feriado. Ou mesmo Oliver ou Thea para conversarem e como sei que não estou incluso em nenhum do casos, vou sair e te deixar à vontade – anuncia, dando-lhe as costas.
—Thomas, por favor não saia – Caitlin pede, seguindo-o – Thomas espere, me deixe....- tenta argumentar, estancando quando ele sai fechando a porta com uma pancada forte – Mas que droga!! – esbraveja, cerrando os punhos, voltando-se para a cama, irritada ao escutar o celular tocar novamente, atendendo-o com rudeza – O que??
< Uou! O que aconteceu? Caiu da cama, acordou com o pé esquerdo ou tá de tpm? > Felicity pergunta, bem humorada.
—Briguei com Thomas – conta, deixando-se cair pesadamente sobre o colchão.
< Sério? Por que? Se bem que vocês estavam estranhos ontem a noite > lembra a loira.
—Se te disser que nem sei bem porque vai achar estranho?? – devolve a médica, suspirando profundamente, massageando a ponte nasal de olhos fechados.
< Estranho não, complicado já que é bem mais fácil fazer as pazes quando se sabe o motivo > diz, ainda em tom divertido < Então, o que foi? O Merlyn tá com ciúmes de seu emprego? > interroga, rindo ao escutar a resposta da prima.
—É uma bruxa e eu não sabia ou seu bebê está te dando poderes paranormais?? – interroga, surpresa.
< A primeira opção com certeza! > exclama a loira < Sério que Tommy tá com ciúmes disso? > reinquire, Caitlin enrugando o nariz numa careta.
—Disso e por achar que estou me aproximando demais da madrasta além de estar guardando algum segredo dele – solta, mordendo a língua ao perceber o que fizera.
< E está? Guardando segredo, quero dizer já que estar próxima a Isabel é consequência de seu trabalho > questiona fazendo-a respirar fundo.
—Mais ou menos – assume a médica, afastando o aparelho ao escutar o sinal de mensagem recebida, franzindo o cenho ao visualizar parte do texto – Lissy, espera um minuto. Chegou uma mensagem urgente – pede, deslizando o dedo pela tela, acessando o aplicativo sem interromper a ligação –“ Vai deixar seu namorado morrer doutora?” – lê em alta voz, uma nova mensagem sendo recebida antes que pudesse processar o que lera, um grito escapando de sua boca ao abrir o vídeo – THOMAS! – solta o aparelho sobre a cama, pondo-se de pé num salto.
< CAIT!? CAIT, FALA COMIGO! O QUE HOUVE? > ainda escuta Felicity gritar, estancando, um breve lampejo de racionalidade atingindo-a.
—LISSY, SOCORRO! ELE ESTÁ AQUI! O ASSASSINO ESTÁ AQUI! – grita, saindo correndo em direção a sala.
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Tommy (10:19 a.m)
Bato a porta com força ignorando o pedido de Cait. Precisa sair dali o quanto antes, caminhar, correr um pouco para esfriar a cabeça.
Não pretendia discutir com ela quando tentei sondar, de forma nada sutil reconheço, o que raios estava acontecendo entre Oliver, Thea e Cait já que ontem (no bate papo depois do jantar no apartamento de Ollie) ficara claro que estavam escondendo algo e não apenas de mim, mas de Felicity também, muito embora ela pareça não ter notado nada.
—Também, anda cega por causa da gravidez! – resmungo, reconhecendo para mim mesmo que parte do que Cait dissera era verdade: esse bebê estava me incomodando mais do que queria admitir – Mas que merda! – bufo, chutando uma das bolinhas dos gatos quando adentrava a sala e ao fazê-lo dou por falta de algo.
Olho a volta sem saber bem o que procurava, me dando conta ao pisar em outro brinquedo.
—Sherlock? Watson? – chamo, procurando-os com o olhar, dando por falta também dos cães – Homer? Marge?...cadê vocês pessoal? – chamo-os seguindo em direção a varanda, pondo-me em alerta. Algo estava errado – Homer? ..Marge?...Watson?...Sherlock, meu camarada, aonde se esconderam? – prossigo, notando os transportes num canto da varanda pelo lado externo, um calafrio percorrendo minha espinha ao notar os quatro presos no interior das caixas parecendo dormir (assim espero) – O que estão fazendo ai amiguinhos? – questiono para o nada, a sensação de perigo ficando cada vez mais forte – Mas o que é...- antes que pudesse concluir meu raciocínio, um soco forte me atinge as costa fazendo-me perder momentaneamente o folego, não indo ao chão por apoiar-me em minhas mãos.
Mal havia me recuperado e um chute é desferido contra meu abdômen jogando-me contra a mureta da varanda causando uma dor lancinante, uma sombra caindo sobre mim.
—Não queria me conhecer soldadinho? Aqui estou! – uma voz gélida sussurra junto a meu ouvido antes de mãos fortes como garras segurarem meu cabelo arrastando-me para dentro do apartamento – Não deveria ter-se metido aonde não foi chamado. Nem você nem seus amiguinhos. Vai pagar pela intromissão- rosna, obrigando-me a ficar de joelhos, desferindo vários golpes em meu rosto com uma mão enquanto mantinha a outra enroscada em meu cabelo evitando que caísse – Vou acabar com você e depois traçar aquela sua garota gostosa até enjoar. Ela vai gritar e gemer implorando para que a mate antes de...- não o deixo terminar frase. Acerto-o no joelho com toda força de meu punho fazendo-o me largar e recuar.
—Não vai tocar nela cretino! – exclamo, cuspindo o sangue acumulado em minha boca, precisando me apoiar no encosto do sofá para me erguer.
—Mesmo? E quem vai impedir se estará morto! – ameaça, avançando.
Desvio a tempo de evitar ser atingido por seu punho, aproveitando a guarda aberta para acerta uma sequencia de socos em sua lateral direita, batendo sem cessar, surpreendendo-me a seu envolvido por seus braços, que me prendem contra ele num abraço de urso. Escuto minhas costelas estalarem tamanha pressão exercida sobre elas e sinto que pelo menos duas quebraram. No minuto seguinte ele me ergue e atira sobre o centro da sala deixando-me zonzo e sem ar. Quando se agacha sobre mim novamente escuto um grito agudo segundos antes de um vaso se despedaçar sobre sua cabeça, o rosto de Cait surgindo por sobre o ombro dele.
—Cait, não! Fuja! – ordeno, assustado ao vê-lo voltar-se para ela.
—Não pretendia mata-la agora docinho, mas já que se adiantou, venha para a festa! – exclama tentando agarra-la, sendo atingindo por outro vaso – Pensando bem, vou trepar com você na frente de seu namoradinho antes de matar os dois – ameaça, avançando contra ela.
—Nem em um milhão de anos! – rosno, me atirando sobre ele, prendendo seu pescoço num mata leão – Cait sai daqui agora! – ordeno num ultimo folego, minha visão turvando-se pela dor e força que fazia para mantê-lo preso, o que não consigo.
Suas mãos cravam-se em meu pescoço segurando a gola do casaco, usando-o para puxar-me e me atirar contra a parede. Passo a centímetros de Cait, que é agarrada pelo cabelo e puxada contra ele com violência.
—Poderia quebrar seu pescoço agora mas quero que implore pela vida dele. Quero que se ofereça a mim em troca de não matar seu queridinho e quero que ele me veja te possuir!- escarnece, rasgando a roupa de Cait, apalpando-a com brutalidade enquanto ela luta para liberta-se.
—Porque...não...procura...alguém do...seu tamanho? – provoco-o, pondo-me de pé a duras penas, catando discretamente um pedaço de madeira do aparador contra o qual me chocara.
— Valente seu soldadinho não é?! – ironiza, passando aquela língua suja no pescoço e colo de Cait, aumentando minha raiva, a descarga de adrenalina me dando forças – Vou finalizar seu namoradinho e já volto boneca, pra dá o trato que merece – ameaça, pondo-a desacordada com um golpe no rosto.
—Vai pagar por isso! – asseguro, vendo-a desfalecida no chão aos pés dele.
—Vejamos do que é feito soldado! – escarnece novamente, desafiando-me.
Avanço sem coordenação sendo facilmente contido, o pedaço de madeira passando de arma a ameaça.
—Foi valente soldado. Mais que o idiota do sindico e sua putinha! – diz, rindo de maneira mordaz de minhas tentativas de libertar-me – Lutou com honra por isso não vou transar com tua mulher. Ela vai morrer junto com você, como homenagem – declara, ponto o pé no pescoço de Cait – A menos que implore – condiciona e por um segundo penso em ceder, a porta de entrada escancarando-se no exato instante que abria a boca, Jay e Ollie entrando como furacões — Ora, ora, mais dois soldadinhos
—Solto-o e afaste-se dos dois – Oliver ordena, Jay a seu lado, ambos prontos para avançar.
Durante o que me pareceu uma eternidade um duelo silencioso é travado, meu agressor quebrando-o.
—Cansei de brincar! – declara e sinto a dor da madeira atravessando meu corpo antes de ser atirado contra Ollie ao mesmo tempo em que Jay passa por nós como um raio.
—Tommy? – Ollie chama.
—Pegue...o desgraçado – digo em resposta a pergunta muda em seu olhar, sentando-me recostado ao sofá ao lado de Cait, buscando institivamente a pulsação em seu pescoço, o alivio me tomando ao senti-la sob a pele.
Tento em vão permanecer acordado, os rostos de Eddie e Ray sendo a ultima imagem antes de tudo silenciar e escurecer.

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Oliver (10:20 a.m)
—OLIVER! – Felicity adentra a sala gritando, assustando a mim e Sara, que acabara de chegar procurando-a – E-ELE ESTÁ LÁ! O ASSASSINO ESTÁ COM CAIT E TOMMY! – berra, apontando em direção a varanda.
Sigo sua indicação gelando ao visualizar meu amigo sendo atirado contra o solo de sua sala.
—Ligue para os rapazes, a polícia e o juiz Darhk. Avise o que está acontecendo e em hipótese alguma deixe Felicity sozinha entendeu? – ordeno, encarando minha noiva e Sara uma ultima vez antes de precipitar-me para fora, correndo em direção as escadas. Teria pulada pela sacada se não soubesse que isto deixaria minha noiva ainda mais nervosa.
Desço os degraus de dois em dois ciente chegando ao mezanino em poucos minutos, assustando os poucos presentes no local ao praticamente derrubar a porta tamanha violência com que a abri, seguindo sem diminuir o ritmo para fora do prédio, quase esbarrando em Jay, que chegava.
—O assassino está com Tommy e Cait – informo antes mesmo que ele diga qualquer coisa, ganhando sua companhia a meu lado.
Juntos adentramos a torre dois voando pelo mezanino, subindo as escadas como raios, sem parar um segundo sequer, cientes que de nossa rapidez dependiam as vidas de nossos amigos, alcançando o sétimo andar numa velocidade espantosa.
—AFASTEM-SE! – berro mal atingimos o corredor, ao ver o casal que morava no mesmo andar aproximando-se do apartamento de Tommy, fazendo-os recuar – Desçam para o mezanino e não saiam de lá até a polícia chegar...AGORA! – berro outra vez, eles correndo para os elevadores ao mesmo tempo em que Jay arromba a porta nos possibilitando entrar.
—Ora, ora, mais dois soldadinhos! – ironiza o homem imenso que mantinha meu melhor amigo preso, uma espécie de estaca de madeira em uma das mãos, o pé pressionando o pescoço de Cait, que jazia desfalecida.
—Solte-o e afaste-se dos dois – ordeno com uma calma que estava longe de sentir, cada fibra de meu ser vibrando, as descargas de adrenalina fazendo meu coração pulsar tão alto que podia ouvi-lo, uma batalha silenciosa travando-se entre o assassino, Jay e eu durante uma eternidade.
—Cansei de brincar! – escuto-o dizer ao mesmo tempo em que finca a estaca no flanco direito de Tommy, atirando-o contra nós, Jay desviando-se, atirando-se sobre o agressor enquanto amparo meu amigo, pondo-o recostado ao sofá junto a Cait.
—Tommy?? – chamo, inquirindo-o com o olhar.
—Pegue...o desgraçado – libera e o deixo, avançando contra o assassino , que acabara de derrubar Jay com uma facilidade assustadora.
Atinjo-o no rosto com um golpe forte que parece não o abalar posto que revida quase que em seguida, fazendo-me perder momentaneamente o equilíbrio. Antes que ele me acertasse, Jay interfere, acertando dois golpes seguidos, conseguindo fazê-lo recuar dois passos.
Recupero-me, unindo-me a ele no ataque, Eddie surgindo de repente, ajudando-nos.
Durante um tempo impreciso lutamos, os três, com o assassino sem conseguirmos derruba-lo ou mesmo levar vantagem apesar de estarmos em maior número. A cada golpe recebido parecia que ele enfurecia-se e ganhava mais força, revidando com intensidade cada vez maior, não recuando nem mesmo ante a arma que Eddie sacara, desarmando-o com uma facilidade absurda. Apenas quando um disparo é efetuado atingindo-o no ombro direito para, mais pela surpresa, acredito eu.
—O próximo vai mandar seus miolos pro espaço calhorda! – Damien Darhk ameaça, caminhando a passos firmes em nossa direção – Não se mexa ou atiro! – ameaça , sendo prontamente ignorado, uma risada gélida cortando o ar segundos antes de o homem atirar-se contra a recém instalada tela de proteção da varanda de Tommy, arrebentando-a, deixando-nos estáticos por um segundo – Mas que diabos...!! – Damien pragueja, correndo até a varanda conosco em seu encalço – Onde ele está? – questiona meu futuro sogro olhando para baixo – Deveria estar estatelado lá embaixo – diz, os gritos chamando nossa atenção para as pessoas correndo do homem gigantesco que corria em direção a saída leste do condomínio puxando uma perna.
—Tá de brincadeira?!?! – Jay verbaliza meu pensamento, o som das sirenes ficando cada vez mais alto – Como ele sobreviveu a uma quedas destas??- questiona, estarrecido.
—Pensamos nisso depois – declaro, voltando para dentro do apartamento indo direto ao encontro de Ray – Como eles estão? – pergunto, agachando-me a seu lado, olhando de Cait para Tommy.
—Vivos – responde, afastando-se, assim como eu, logo que os paramédicos chegam – Como isso foi acontecer Ollie? Por que Mouse não avisou do perigo? – questiona-me, tenso.
—Me fazia a mesma pergunta! – Eddie corrobora, enxugando o corte na boca com o dorso da mão – Onde estavam Jay? – inquire, irritado.
—Jay acabou de chegar. Viajou a meu pedido – intervenho, saindo e defesa dele – Mouse, onde está?? – pergunto encarando Jay.
—Não sei. Não consigo falar com ele desde cedo. Ontem a noite nos falamos e disse pensar ter descoberto uma forma de acessar a cobertura da torre três através do túnel – relata, pondo seu celular no viva voz, a mensagem de numero desligado ou fora de área se fazendo ouvir – Tem algo errado Cap. Greg jamais deixa o celular descarregar ou desligar – diz, preocupado.
—E quanto aquela garota, a namorada dele, Monica não é?? – Damien inquire, pondo a arma de volta no coldre.
—Também não está atendendo. Estava vindo falar com ela depois de verificar que não estavam em nosso apartamento quando topei com Oliver – Jay revela, passando a mão pelo cabelo, dirigindo um olhar preocupado a Tommy – O tenente está...
—Vivo – repito o que Ray dissera, voltando-me no momento em que os paramédicos erguiam a maca com meu amigo, Caitlin sendo posta em outra, visualizando Lance aproximar-se com dois policiais.
—Que diabos aconteceu aqui? – interroga, olhando as macas, abismado.
—O assassino de Bristow tentou matar Tommy e Cait – relato, voltando-me para Eddie – Consegue dar conta aqui? Preciso acompanhar os dois ao hospital – pergunto – Thea, onde está? – lembro, tenso ao pensar na reação de minha irmã.
—Seattle. A amostra que trouxe não serviu e decidiu ir buscar pessoalmente. Estava vindo te avisar quando escutei o chamado no rádio – relata – Pode ir tranquilo. Fico aqui e ajudo na investigação – libera, tocando meu ombro.
—Também vou ficar cap. Quero tentar resgatar alguma imagem – Jay declara, exibindo o celular.
—Oliver, você vem?? – Ray chama, seguindo Darhk, ambos acompanhando as macas.
—Estou indo – respondo, dando atenção a Eddie, Jay e Lance, que se aproximara de nós após caminhar pelo ambiente – Me deem notícias – peço.
—O mesmo Ollie – Eddie pede e aceno afirmativamente, dando-lhes as costas seguindo ao encontro de Ray e meu sogro.
Quando chegamos ao mezanino, Felicity corre até mim, agarrando-se a meu pescoço, chorando copiosamente.
— Eles vão ficar bem sweet– afirmo, afagando seus cabelos, vendo, por sobre sua cabeça, Sara repetir o gesto com Ray – Venha, vamos seguir as ambulâncias – convido, sabendo que de nada adiantaria pedir-lhe para ficar.
—Importa-se em levar Donna Oliver? – ouço Damien pedir e franzo o cenho – Quero dar uma volta pela área junto com os policiais. Vi a cara do sujeito. Posso reconhece-lo caso tente esconder-se – informa e anuo com um gesto de cabeça – Cuide de minhas garotas – recomenda, sinalizando a dois policiais próximos.
—Damien, por favor, tenha cuidado – Donna recomenda, preocupada.
—Sempre tenho meu amor. Sempre tenho – garante ele, piscando antes de sair acompanhado dos dois policiais.
— Alguém precisa avisar o senhor Merlyn – Felicity lembra, a voz embargada pelo choro – E Thea...Deus, ela estava tão tensa ontem. Dizia sentir um aperto no peito sem qualquer motivo aparente. Vai ficar arrasada, Ollie. Não podemos dar a noticia de supetão ou ela...
—Sweet, acalme-se – interrompo-a, segurando seu rosto úmido entre minhas mãos, olhando dentro de seus olhos – Cuidarei de tudo, não se preocupe. Eles ficarão bem, garanto – reitero, envolvendo-a em meus braços – Tudo vai ficar bem – repito em voz alta, trocando um olhar temeroso com Ray e Sara.
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Seattle (12:40 a.m)
Thea
— Senhorita Queen, aterrissaremos em vinte minutos – o co-piloto avisa, retirando-se após agradecer-lhe.
Estico os braços preguiçosamente, olhando pela janela, as torres e arranha-céus da cidade desenhando-se aos poucos na medida em que saímos de dentro das nuvens.
Tinha cochilado parte do voo, o que, ao contrário do que pensei, não me trouxe alivio nenhum. Ainda sentia a mesma sensação incomoda de aperto no coração não apenas permanecia como ganhara força nas últimas horas, uma angustia sufocando-me a garganta.
Continuava a não entender a razão pela qual me sentia assim, porém chegara a conclusão que não era nada físico e sim emocional. Era como se pressentisse que algo ruim iria acontecer, só não sabia a quem, quando ou onde e isto estava me matando!
—Pare com isso Thea. Nunca foi de ter estas coisas antes. Porque justamente agora decidiu ficar toda intuitiva?? – interrogo-me mentalmente, meu subconsciente respondendo na lata: porque agora existe um stalker assassino rondando a vida de seus irmãos e cunhadas sem contar o lance tenso com os Glades que estava prestes a ter seu pontapé inicial decretado, o que só pioraria e muito a relação de Tommy com o pai e sua e de Oliver com seus pais por tabela! E não esqueça a pequena que está indo visitar que pode ter sido roubada sabe-se lá por quem ou por que!
—Bingo! Taí a fonte de toda essa minha tensão recente. Muita coisa pra lidar! Não sei como os meninos conseguem! – sussurro, a resposta me vindo mais uma vez: não conseguem – Tanto que Oliver anda uma pilha e Tommy uma e meia! – sopro, levando minhas mãos ao rosto, esfregando com força exagerada – Droga! Por que não podemos levar uma vida simples, normal, como qualquer pessoa? Por que sempre tem que ter um drama, um nó pra desatar!? Ai minha nossa senhora das irmãs impacientes, me ajuda a ter forças pra suportar essa provação e ajudar meus irmãos! Olha, fiz uma rima! – brinco, tentando relaxar, mexendo os ombros rotativamente antes de soltar o sinto.
—Que horas pretende retornar para Satrling senhorita? – o co-piloto ressurge, sobressaltando-me.
—No máximo no final da tarde Stuart. Podem relaxar um pouco. Só fica com o celular em mãos porque se terminar o que vim fazer antes do previsto partimos mais cedo ok? – peço, piscando para ele ao levantar, pendurando minha bolsa no ombro displicentemente.
—Sim senhorita – anui, tocando a ponta do quepe quando passo por ele – Divirta-se – deseja certamente supondo que vim fazer compras para o Natal.
Não o desminto posto que realmente pretendia dar um pulinho no shopping mais perto a fim de comprar algo para a meninada, especialmente minha roqueira predileta!
Sigo direto para o ponto de taxi e de lá para p shopping mais perto como havia pensado, deixando uma mensagem de áudio para Eddie quando não atende minha chamada, o mesmo para Ollie pela mesma razão.
Entro na maior loja de brinquedos precisando da ajuda de vários funcionários ao sair devido a quantidade de sacolas (que encheram o porta malas, o banco detrás e parcialmente o que eu ocupava do taxi
—Oi Erica. Cheguei e já estou a caminho! – aviso, eufórica.
< Ok Thea. Vou avisar a Vic porque não estou em casa no momento. Vim resolver algumas questões legais. Fique a vontade. Quando chegar decidimos o que fazer em relação a coleta da Amy Lee >
—Combinado – anuo, desligando, tentando ligar para o Eddie mas novamente cai na caixa de mensagens – Para quem queria passar o dia inteiro comigo, está me deixando no vácuo muito rápido loirinho! – resmungo para a tela escura, a voz do taxista me puxando de volta a realidade.
—Chegamos senhorita – anuncia, estacionando defronte a antiga escola, agora orfanato Santa Emília.
—Oh. Meu. Deus! – exclamo, saltando do veículo, minha boca formando um perfeito O de espanto, acenando de volta a Vic, que vinha em direção ao portão tendo Amy e outras duas garotinhas a seu lado – Ficou lindo! – elogio, me agachando para receber minha mini gênia em meus braços – Amy, que saudade de você pequena gênia!! – assumo, pondo-me de pé com ela ainda nos braços, apertando-a forte, girando – Saudade, saudade, saudade! – repito, enchendo o pequeno e vermelho rostinho de beijos, a risada melódica trazendo-me Tommy a mente.
—Também estava tia – diz e sinto meu coração se aquecer e pular de alegria pela primeira vez nas ultimas vinte e quatro horas.
—Onde ponho as sacolas senhorita? – o motorista pergunta e somente então me lembro que ainda não o liberara.
—Pode e colocando tudo dentro do protão por favor – peço, indicando o local com um gesto de cabeça.
—Minha nossa Thea, quanta coisa! Não precisava tudo isso! – Vic espanta-se, ajudando o pobre e sobrecarregado homem.
—Precisava sim. Sou a mamãe Noel não sabia?! -brinco, piscando para a Amy e as duas garotinhas – Aqui está moço. Fique com o troco e obrigada pela paciência – agradeço, pagando e liberando o motorista.
—Isso tudo é pra gente tia? – a garotinha morena de cabelos longos e encaracolados pergunta com os lindos olhos azuis arregalados.
—Tudinho meus amores! Mamãe Noel chegou mais cedo este ano! – digo escutando os gritinhos de euforia.
—Calma crianças, sem empurrões! Linda, Beth, ajudem aqui – Vic chama duas garotas que trabalham no orfanato para ajudar a organizar a bagunça.
Em poucos minutos os presentes estão espalhados pelo terreno, as embalagens devidamente acondicionadas em três sacolas. Seguimos, Victoria, Amy e eu, para o interior do lugar onde depois de uma breve conversa, sou literalmente arrastada por minha sobrinha para conhecer os quartos. Aproveito que estamos sozinhas para presenteá-la com o note book que comprara especialmente para ela. Era um modelo pequeno, leve e prático com uma memória mediana e vários jogos educativos instalados nele. Seus olhinhos brilhavam de entusiasmos na medida em que explorava-o tornando impossível não lembrar de Felicity.
—Amy, vou descer para dar uma palavrinha com Vic e já volto ok gatinha? Me espera aqui? – peço, ela anuindo com um gesto de cabeça, completamente entretida com o note.
Sorrio balançando a cabeça, deixando-a no quarto, verificando o horário em meu relógio de pulso: três e quinze da tarde.
—Nossa, o tempo passou voando e nem vi! – me admiro, sacando meu celular enquanto caminho pelo corredor, pondo o áudio que Eddie enviara para tocar: “ Amor, me liga assim que ouvir esta mensagem” – fim. Curto e grosso. Nenhuma explicação para a demora ou porque não havia me atendido muito menos se dissera a meu irmão o que estava acontecendo. Falando nele, Oliver não retornara nenhuma de minhas ligações ou mensagens – Que porra está acontecendo em Starling!? – xingo ao descer as escadas, a mesma sensação de aperto no peito retornando com força total.
Estanco no sopé da escadaria olhando em volta a procura de Vic. Ainda não estava familiarizada com o lugar então caminho pela ampla sala a procura dela, aguçando os ouvidos ao escutar sua voz vinda de dentro de uma sala a minha direita.
Me aproximo com cuidado para não atrapalhar, gelando ao escutar a pergunta feita por Vic.
—Poderia me dizer novamente como nos encontrou senhor Smoak? – questiona fazendo-me recostar a parede lateral na porta, meu coração disparado. Sabia que a mãe de Felicity havia aberto mão do sobrenome de seu pai biológico depois que ele as abandonou. E Feicity é filha única portanto seja lá quem for esta pessoa que estava falando com Vic, Não era da família.
—Fui ao cassino aonde mamãe trabalhou em busca das duas mas fui informado de que haviam se mudado. Dai para frente as procurei por todo o país mas somente quando contratei um detetive particular consegui descobrir aonde estão agora. E ao mesmo tempo descobri que tenho uma sobrinha – mente descaradamente...excerto, talvez, pela parte da sobrinha – Como pode ver, tenho toda a documentação de Amy Lee, desde sua certidão de nascimento feita no hospital e Massachuster quanto a declaração da enfermeira que fez a troca dos bebês. A pobre coitada jamais se perdoo pelo erro terrível que cometeu – conta, sua próxima frase me causando arrepios – Por isso vim aqui hoje. Para concertar este erro e unir mãe e filha finalmente. Vou ao encontro de minha mãe e irmã e levarei minha sobrinha comigo – afirma e retenho o ar.
—Acho louvável sua atitude senhor Smoak – ouço-a dizer, me tirando da letargia – E darei total apoio. Mas não irá leva-la hoje – Vic decreta e respiro outra vez – Deve estar ciente de que existem tramites legais a serem seguidos. Não posso, por mais que a documentação que me apresenta seja verdadeira e esteja em ordem, simplesmente entrega-la em sua mãos sem uma investigação previa. Trata-se de uma menor indefesa pela qual é minha obrigação zelar pela segurança – declara, o sujeito rebatendo de imediato.
—E espero que compreenda meu lado também senhorita Moeckel. Não vim de tão longe para sair de mãos abanando – avisa, seu tom me causando novos arrepios – Em suas mãos está uma ordem judicial que me confere a guarda da menina. Não sairei daqui sem ela e deve me entrega-la a menos que queira ser processada – ameaça e tomo uma decisão arriscada.
Me afasto rapidamente em direção a escada, digitando a mensagem para Vic: “ Felicity é filha única. Algo não esta certo. Distraia ele que vou tirar a Amy daqui” – termino, enviando enquanto subo praticamente correndo, respirando aliviada ao vê-la sentada no mesmo lugar, distraída com o note.
—Amy, qual é a sua parte no armário? – pergunto já abrindo o mesmo.
—A do meio – responde no exato momento em que abro-a, pegando a mochila rosa, ajuntando algumas roupas rapidamente, enfiando-as de qualquer jeito dentro dela.
Em seguida me agacho catando algumas sandálias e sapatilhas, levantando, pegando outra bolsa menor, pondo alguns dos enfeites de cabelo e pondo lá dentro, dando atenção a meu celular, que vibrava com a resposta de Vic: “OK. Saia pelos fundos. Ele não está sozinho” – alerta e me dirijo a janela, olhando discretamente para baixo visualizando o carro negro estacionado defronte o orfanato.
—Por que tá arrumando minhas coisas tia!? – Amy chama minha atenção e me volto olhando diretamente para aquele rostinho meigo e doce que já amava de paixão.
—Porque tia Vic deixou te levar para um passeio. Um longo passeio – digo, indo até ela, me abaixando para ficar na sua altura – O que acha de fazer uma visita ao tio Oliver? Você gostaria? – sugiro.
—Gostaria muito disso tia – diz, animada.
—Ótimo. Então vamos indo – convido, estendo uma mão para ela, pegando mochila e bolsa que preparar com a outra.
—Agora tia? Sem almoçar? – pergunta, segurando minha mão, agarrada ao note.
—Comemos no avião. Já andou de avião? Digo, viajou? – interrogo, olhando os dois lados do corredor antes de sairmos. Sabia, pela única visita que fizera ao local quando o compramos, que havia uma saída de emergência no final do corredor.
—Viajei não tia – Amy responde, me acompanhando animada.
—Vai amar – digo, seguindo adiante, rezando para a Erica ter mantido a decisão de não eliminar a tal saída, respirando aliviada ao ver que a mantivera.
—Por que estamos saindo por aqui tia? – Amy pergunta quando estamos descendo.
—Para as outras crianças não ficarem chateadas já que não podem ir – falo a primeira coisa que me vem a mente, buscando o número do taxista que me trouxera, discando assim que encontro – Oi, sou aquela garota que o senhor trouxe mais cedo ao orfanato. Por acaso está livre para vir me buscar agora?- pergunto, caminhando cuidadosa e atenciosamente pelo terreno plano, olhando em volta e para trás a fim de me certificar de que não nos seguiam ou havíamos sido vistas – Excelente. Agora não estou na casa, estou na praça detrás do imóvel, aquela pela qual passamos. Pode me pegar lá – aviso, desligando – Amy, vamos tomar um sorvete enquanto esperamos o taxi? – convido, conduzindo-a mais rápido que consigo, atravessando o portão que delimita a propriedade.
—Adoro sorvete! – comemora a pequena e sorrio.
—Eu também – digo, procurando um local onde pudéssemos ficar aguardando o veículo sem sermos vistas.
Escolho uma barraca no lado oposto ao que saímos por onde obrigatoriamente o taxi teria de passar. Compro nossos sorvetes, guardo o note de Amy na mochila e ligo para o piloto avisando que estava a caminho com uma passageira. Cinco minutos depois o taxi chega.
Quando estamos entrando no veículo, dois homens surgem no quintal indo até o portão por onde saíramos.
—Para o mesmo local aonde me pegou pela manhã – aviso, olhando pelo vidro traseiro, mordendo o lábio ao notar que fôramos vistas – Rápido por favor – peço, ligando para Oliver, suspirando quando cai na caixa postal, o mesmo acontecendo com os números de Eddie e até mesmo Caitlin – Que merda está acontecendo hoje? Não consigo falar com ninguém!! – resmungo alto demais.
—O sinal andou ruim o dia inteiro senhorita – o motorista avisa – Acho que ainda não normalizou totalmente ainda – completa, pegando a via expressa, acelerando. Em poucos minutos (contando com uma sorte incrível por não ter tanto trafego) chegamos a nosso destino.
Pago a corrida, optando por levar Amy em meus braços, obedecendo meus instintos que gritavam a plenos pulmões: corra, Thea, corra!
—Temos um problema senhorita – é a primeira coisa que o piloto me diz mal entramos no jatinho – Há uma tempestade nos arredores de Starling sem previsão de termino no momento. Não temos como seguir diretamente para a cidade – avisa e suspiro, pondo Amy no chão, encarando-o desanimada – Se o tempo melhorar um pouco durante o trajeto posso leva-la a Central City até a noite.
—Então faça isso por favor – peço, vendo pelo canto do olho os mesmos homens (aparentemente) que vira no orfanato surgirem ao longe – Me leve para Central ou qualquer outro lugar mas me tire daqui agora! – peço, ele seguindo meu olhar, acenando afirmativamente.
—Tirarei senhorita – garante, fechando a porta da aeronave – Acomode-se e a pequena passageira. Vamos voar – avisa, indo para a cabine.
—Vamos voar tia? – Amy pergunta.
—Vamos sim princesa – confirmo, sentando-a na poltrona, ajustando o cinto de segurança, sentando a seu lado, o frio no estomago e o medo me invadindo quando sinto o jato começar a taxiar – Oh, droga! Agora você se ferrou de verdade Thea! – gemo, olhando pela janela enquanto ganhamos velocidade, o chão firme afastando-se gradativamente – Muito ferrada mesmo!
“...You never gonna be alone!
From this momento on;
If you ever feel like letting go;
I won’t let you fall....”
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