Invasão de Privacidade
20 The blood that moves our body.
Notas iniciais
“Help me;
It’s like the walls are caving in;
Sometimes I feel like giving up;
But, I just can’t;
It isn’t in my blood;
Laying on the bathroom floor;
Feeling nothing;
I’m overwhelmed and insecure;
Give me something;
I could take to easy my mind slowly...”
In My Blood
Shawn Mendes
Cond. Ilhas Gregas (Sexta, 22/12 – 12:21 p.m)
Narrador
—Me responda uma coisa detetive: como alguém com um ferimento a bala sobrevive uma queda destas? – Quentin Lance questiona olhando para baixo, admirado, Eddie Thawne voltando o rosto para encara-lo do recanto aonde examinava a mureta da varanda
—Também gostaria de saber capitão – responde o loiro, pondo-se de pé – Sei que precisamos esperar a perícia, mas arriscaria dizer que a tela foi previamente preparada para ceder – teoriza, usando um dedo para puxar o emaranhado, o som das sirenes afastando-se chamando sua atenção, seu olhar acompanhando os caros de resgates, a BMV e Oliver e o Citroen de Raymond seguindo-as segundos depois.
—Eles ficarão bem. O socorro foi rápido e a chegada de vocês também – Lance tenta tranquiliza-lo – Aliás, como souberam o que estava acontecendo aqui dentro? – questiona-o.
—Felicity estava ao telefone com Caitilin, pelo que entendi, ela deu o alerta – explica o loiro acompanhando o movimento nos jardins internos entre os edifícios que formam o condomínio, vendo Jay e o juiz Darhk afastando-se em direção aos gritos que ouviam, o fungar alto fazendo o loiro dá atenção aos transportes recostados a porta de vidro, miraculosamente intacta ante toda luta que ocorrera no interior do apartamento, ele indo até os pets – Hei galerinha, tudo bem ai? – murmura, agachando-se, estreitando os olhos ao visualizar o frasco no chão entre os mesmos – Então foi assim que o cretino fez vocês ficarem quietos e não darem o alerta não foi? – diz para si próprio, segurando o objeto com o auxilio de uma pinça – Por isto não deram o alerta de que havia um estranho aqui dentro – conclui.
—Ao menos não matou os bichinhos! – Lance comenta, o toque do celular de Eddie vindo ao mesmo tempo que o chamado do policial dentro do apartamento, o capitão sinalizando que entraria para verificar o que se passava – Me dê uma boa notícia Jay – Thawne pede, direto, assim que atende.
< É boa mas não tanto. Pegamos o desgraçado > avisa, não dando tempo o detetive comemorar < Está morto. Foi atropelado por um veículo pesado, caminhão talvez, pelas marcas no asfalto e no corpo. Só saberemos depois da autopsia > completa.
—E o motorista não prestou socorro, presumo – Eddie comenta, apertando as fossas nasais com força.
< Evidente que não, o que nos leva a crer que não foi tão acidente assim > Jay diz, respirando fundo < E por ai, o que acharam? Os pets da doutora estão bem? > lembra.
—Aparentemente sim, mas vou leva-los ao veterinário assim que terminar aqui, antes de ir ao hospital – informa o loiro, dando atenção a Lance, que o chamava – Um segundo Jay – pede, indo ao encontro do policial.
—Meus homens acharam este celular sobre a cama. Tem ideia a qual dos dois pertence? – pergunta, exibindo o aparelho acondicionado no saco de evidencias.
—Não tenho certeza mas acredito ser de Caitlin – responde, ponderando um segundo – Espere – pede, dando atenção a Jay novamente – Jay, pode ligar para o número de Tommy?
< Uhum. Mais uma coisa: acho que sei aonde Mouse pode ter ido. Só espero estar enganado > declara o ruivo, desligando para atender ao pedido do loiro, o toque do celular ecoando pelo apartamento momentos depois.
Eddie e Lance seguem o som encontrando o parelho debaixo dos escombros do aparador, o capitão abaixando-se, atendendo-o.
—Grato meu rapaz – agradece, desligando, pondo-o em outro saco, lacrando-o – Temos os dois celulares. Vejamos se há algo que possa nos ajudar saber quem é...
—Era. Está morto – Eddie avisa, dando atenção seu celular, que começara tocar, suspirando profundamente, deixando-o tocar até cair na caixa postal, Lance arqueando a sobrancelha inquisidoramente – Thea. Não quero falar com ela antes de saber como Tommy e Cait estão – explica.
—E não atender irá deixa-la mais calma por acaso? – interroga o capitão, seguindo o loiro, que saia do apartamento.
—Digamos que por hora sim. Ela está ocupada e certamente vai pensar que também estou – teoriza o detetive, apertando o botão do elevador – Vou até Jay e o juiz ver de perto o que aconteceu com o maluco. Poderia pedir a um de seus homens que lavasse os transportes para o mezanino? Quero leva-los ao veterinário – pede, apertando de novo, impaciente – Droga, vou pelas escadas mesmo! – bufa, Lance rindo divertido.
— Pedirei. Informo se encontrar algo aqui e espero o mesmo de vocês – declara o capitão recebendo um erguer de polegar em resposta, voltando-se para seus homens – Moreno, Jads, levem as gaiolas com os animais para o mezanino e aguardem o detetive Thawne lá – ordena, dois jovens policiais obedecendo-o de imediato.
—Capitão, poderia vir até aqui um segundo? – um dos peritos pergunta indicando a varanda, Lance aproximando-se rápido.
—O que descobriu Gabriel? – questiona, direto, parando junto ao técnico.
—Thawne estava certo. O acesso ao local se deu pela varanda. Mais precisamente este lado, menos exposto as câmeras – confirma o técnico, exibindo a malha completamente solta – Ao que parece ele atraiu os animais até aqui com petiscos – mostra os farelos no chão – Dopo-os, entrou, prendeu os animais enquanto o casal estava no quarto – teoriza – Ele sabia que não seria visto pelas câmeras de segurança já que é um ponto cego – aponta a câmera – Sabia que não teria ninguém acordado no apartamento acima – indica a varanda do oitavo andar – E principalmente os animais o conheciam ou teriam dado o alerta – conclui.
—Tudo isto nos diz que era alguém que tinha livre circulação pelo condomínio – deduz o policial, acompanhando Eddie Thawne com o olhar – O que estão escondendo de mim rapazes!?
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Eddie (13:00 p.m)
Sigo a passos largos ao encontro de Jay e do juiz, tentando entender os últimos acontecimentos, repassando nossos passos no que dizia respeito a investigação sobre o stalker, se havíamos feito algo que justificasse o atentado contra nossos amigos, a resposta sendo a mesma: nada.
—Hei, alguma pista do veículo? – questiono, tocando o ombro de meu amigo, fazendo-o voltar-se para mim.
—Nada – responde-me – Estou tentando acessar as câmeras de transito mas não está sendo fácil – informa, Damien Darhk vindo até nós com cara de poucos amigos.
—O miserável era trabalhava em um pet shop a duas quadras daqui. Por isto os cães de Caitlin não estranharam – esbraveja, dirigindo um olhar assassino ao corpo estendido na calçada, coberto por um saco preto.
—Como soube disto? – questiono, intrigado.
—A menina o reconheceu – indica uma morena abraçada a uma jovem de uns quinze anos aproximadamente – Elas estavam caminhando com o cachorro quando escutaram os gritos e pouco depois a pancada. São nossa melhor pista do provável responsável pelo atropelamento já que dois transportes de porte médio passaram por elas indo nesta direção – indica o lado com um gesto de cabeça – Qual o papel de um tosador cuidador ou seja lá que raio for este sujeito, nesta confusão toda? E que força sobre humana era aquela? – verbaliza as perguntas em minha mente.
—Estou curioso para saber. Juro que quando escutei o chamado no rádio da polícia esperava da de cara com outro brutamontes que não o infeliz ali – confesso, suspirando ao escutar meu celular tocar outra vez – Tinha certeza de que o marido da ruiva era o assassino – admito, sacando o aparelho, tenso, respirando aliviado ao ver que tratava-se de Oliver – Como eles estão? – pergunto direto.
< Cailtin esta sendo atendida neste exato momento. Tommy já subiu para o bloco cirúrgico > informa < Liguei para meus pais e pedi que avisassem Malcom e Isabel, já que ela ainda não havia chegado. Devem estar a caminho. Thea me ligou duas vezes >
—Me ligou uma vez também – conto, atendendo ao pedido do juiz – Ollie, vou colocar na viva voz – aviso, Damien interrogando-o mal ouve o “Ok”.
—Queen, estão Donna e Felicity? – quer saber, tenso.
< Relativamente bem. Pedi a Layla que lhes desse um calmante, especialmente a Donna, que não parava de culpar-se por ter xingado Tommy da ultima vez que se encontraram, embora eu não lembre disto > Ollie conta, Darhk sorrindo amarelo.
—Cruzamos com ele noite passada, junto a piscina. Ela assustou-se por não tê-lo visto antes e acabou o xingando, nada referido ao passado mas sabia que iria sentir-se culpada – revela balançando a cabeça negativamente – Ela se faz de durona mas é uma manteiga derretida, minha pompom!! – exclama, Jay erguendo o olhar da tela de seu celular, arqueando a sobrancelha com um riso divertido no canto da boca – Fez bem em pedir que lhe medicassem. As duas. Acho que já percebeu que ambas têm tendência a tagarelar quando ansiosas, assustadas ou nervosas não é? – questiona-o, meu amigo confirmando.
< Notei sim. E quanto ao tal sujeito, conseguiram encontra-lo? Já têm alguma pista de sua identidade? > inquire.
—Está mort cap. – Jay adianta-se – Seguimos, o juiz e eu, os gritos e demos de cara com o sujeito estendido na calçada do lado leste do condomínio. Um carro de grande porta, provavelmente caminhão, o acertou em cheio – conta, Ollie soltando uma torrente de palavrões.
—Acalme-se Queen. Não foi de todo uma perda – Darhk começa dizer, erguendo as mangas de sua camisa – Uma jovem que caminhava com a mãe o reconheceu como sendo o trabalhador de um pet shop a algumas quadras daqui – informa e ouvimos novos xingamentos.
< Que diabos um cara que trabalha num pet tem a ver com o maldito satalker? Ou não teve relação a isto? >
—Se não teve, Tommy deve ter xingado o cara pra valer em algum momento no qual buscou os pets de Caitlin – brinco, ficando sério logo em seguida – O que fizemos para provocar tal reação? Onde nos expomos a ponto do stalker soltar seu “cachorro” contra nós? – questiono, fazendo aspas no ar.
—Pior: será este o único que ele tem? – Darhk indaga, deixando-me ainda mais tenso – Vou providenciar segurança particular para Thomas e Caitlin imediatamente – avisa o juiz, passando a mão pelo cabelo – E para Donna.
< Diggle já está cuidando disto, não se preocupe > Ollie avisa < Alguma notícia do Greg? > quer saber e somente então lembro o que Jay dissera, voltando-me para ele.
—Na verdade, acho que ele e Monica possam não apenas ter sido, sem querer, os responsáveis por este ataque quanto podem estar, os dois, em perigo ou mesmo...mortos – desabafa, abalado, prosseguindo sem nos dar chance questionar nada – Consegui acessar a rede do stalker e comparei as imagens com a do circuito de segurança. Ontem a noite, Mouse e Monica estavam zanzando pelo condomínio com uma das engenhocas dele, pelo que pude ver. Com base na ultima mensagem que me enviou, acho que conseguiu, de alguma forma, acesso a torre três e pode ter ido investigar – teoriza, voltando a tela de seu celular para nós – Também descobri que o marido da ruiva saiu de madrugada com uma mulher que parece muito com a esposa de Bristow – revela, exibindo as imagens, primeiro as de Mouse e da namorada, em seguida a do marido da ruiva – Não dá pra ver direito porque ela parece saber exatamente onde está cada câmera, mas eu diria tratar-se da viúva desaparecida.
—O corno com a viúva? Sério? – interrogo, minha atenção sendo chamada para a mão do morto, que pende quando o pessoal do legista o coloca sobre a maca – Esperem um minuto – peço, deixando meu celular com Jay, indo até eles.
Seguro a mão do sujeito, girando-a de um lado para outro, subindo o lençol até exibir seu braço direito por completo, visualizando as marcas de picadas de agulha bem como as tatuagens nos dedos e dorso da mão e na parte interna do ombro.
—Poderiam me enviar as imagens dessas tatuagens por favor? – peço, entregando-lhes meu cartão, retornando para junto dos demais.
—O que foi? – Darhk quer saber.
—Por enquanto nada. Me deixem confirmar ou não minha suspeita – peço.
—Como dizia ao cap. e ao juiz, vou seguir as pistas de Mouse o mais discretamente possível e ver o que descubro. Só espero não ser tarde demais – Jay declara.
—Me envia as imagens que conseguiu para que possamos analisar com Raymond mais tarde, quando as coisas se acalmarem – peço.
< Pessoal, tenho que desligar. Meus pais e os de Tommy chegaram. Mantenham-me informado ok? Farei o mesmo daqui. Damien, importa-se que dê uma palavrinha em particular com Eddie e Jay > Ollie pede e pressinto o assunto.
—Claro que não. Vou aproveitar e acalmar certo capitão de policia que está vindo ali com cara de poucos amigos – diz e me volto para ver meu chefe aproximando-se – Não demorem e ruivinho, tenha cuidado – alerta, tocando o ombro de Jay ao sair, estancando um segundo – Queen, avise minhas meninas que irei ao hospital assim que terminar aqui – pede, retirando-se após Ollie anuir.
—O que há Oliver? – pergunto por mera formalidade.
< Thea. Tentei retornar suas ligações mas não estou conseguindo. Pode ser problema da operadora por conta da tempestade que está se formando > relata e somente então me dou conta de que o céu escurecera < Caso ela te ligue Eddie, conte-lhe, com cuidado, o que aconteceu. Frise que ambos estão vivos e sob cuidados médicos adequados > recomenda.
—Farei Ollie – tranquilizo-o.
< Jay, pedirei a Ray que vá ao encontro de vocês já que, presumo, não o deixara investigar sozinho > diz e rio.
—Bingo! – exclamo fazendo ambos rirem.
—Oliver, sobre o que me pediu para investigar, descobri coisas preocupantes – Jay conta, misterioso.
< Isto, infelizmente, terá que esperar meu amigo. Se tudo correr bem por aqui e ai, amanhã pela manhã, quem sabe, me põe a par do que conseguiu. Por hora, foquem em encontrar Greg. Não estou disposto a ir ao funeral de um amigo tão cedo! > frisa, despedindo-se e desligando.
—O que descobriu sobre a garotinha? -pergunto, pegando Jay de surpresa – Eu sei da história. Toda ela. Thea me contou quando fomos a Seattle duas semanas atrás. Ela está lá agora. Foi buscar a amostra da Amy – explico, ele balançando a cabeça lentamente, pensativo – Descobriu quem a roubou e porquê? – inquiro.
—Sim. E posso adiantar que o juiz não irá ficar nada satisfeito – revela, olhando em direção ao magistrado – Nada mesmo – reitera, causando-me calafrios não sei bem por que.
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Hospital geral de Starling(14:32 p.m)
Oliver
Desligo o celular tomando folego antes de enfrentar meus pais e Malcom furioso Merlyn.
Sim, o pai de Tommy estava com uma aparência pouco amigável ao adentrar o a sala de espera do hospital, aonde Felicity, Donna, Sara e eu nos encontrávamos a espera de noticias sobre a cirurgia de Tommy e se Caitlin já estava em um quarto.
—Onde ele está? Como está? – Malcom pergunta, vindo diretamente a mim – Que diabos está acontecendo naquele condomínio? Primeiro dois assassinatos, agora, meu filho e a namorada sendo atacados dentro do apartamento dele!! O que há de errado ali e poupe-me e a seu tempo negando Oliver – avisa, encarando-me
—Malcom, tenha calma por favor. Não é discutindo que irá resolver as coisas – sua esposa pede com uma calma invejável – Thomas está sendo assistido pelos melhores médicos do hospital, é forte e saudável. Tenho certeza de que irá recuperar-se – completa, segurando sua mão.
—Isabel está certa – meu pai intervém – E Malcom igualmente – completa, me encarando, sério — Sua mãe e eu concordamos com ele. O que está acontecendo no condomínio Oliver? Por que de repente ficou tão perigoso morar lá? – interroga.
—Melhor contar logo Oliver. Depois do que aconteceu vai ser praticamente impossível mantermos segredo tanto de nossas famílias quanto dos demais condôminos – Sara aconselha – No caso de Bristow levantou-se a hipótese de crime passional, mas aqui....Tommy e Cait estavam muito bem. Ninguém vai engolir uma teoria destas além de que metade do pessoal viu aquele...aquela coisa correndo pelo pátio interno depois de ter-se jogado do sétimo andar mesmo tendo recebido um tiro no ombro !!! – relembra, causando espanto em alguns dos ouvintes, incluindo Dig.
—Como é?? – John inquire, descruzado os braços ao me encarar – O que há de verdade Oliver? – pergunta, estreitando os olhos, desconfiado.
Troco um olhar demorado com Felicity, respirando fundo quando acena afirmativamente.
—Melhor sentarem. É uma longa história – começo, olhando meu celular em busca de alguma mensagem dos rapazes ou de Thea. Estava começando a ficar preocupado por não conseguir contato com minha irmã.
—Estamos esperando Oliver – a voz imperativa de Malcom me tira do transe.
Ergo os olhos para o grupo a minha frente, medindo-os um a um. Sabia exatamente qual reação cada um teria aos que iria contar. Minha mãe e Isabel certamente seriam as mais chocadas. Já meu pai, Malcom e Dig iriam me atormentar por não os haver procurado pedindo ajuda.
—Tudo começou três meses atrás quando Tommy recebeu um vídeo seu com Cait dentro do apartamento, no quarto, feito de forma clandestina – começo, contando pausadamente tudo que se passara desde então incluindo a descoberta de que Ray (que retornara minutos após ter iniciado a narrativa) e eu havíamos recebido vídeos idênticos antes mesmo dele sendo que eu fora o único a não os abrir e as razões pelas quais mantivéramos segredo bem como a presença / ajuda de nossos colegas de farda finalizando com a informação que Jay e Eddie me passaram minutos atrás acerca da morte e identidade do agressor de Tommy e Cait.
Quando termino, um silencio pesado cai sobre nós sendo quebrado ocasionalmente pelo ribombar de trovões tornando-me ciente de que uma tempestade se formava lá fora e ainda continuava sem nenhuma notícia de Thea além da mensagem avisando que chegara a Seattle, minha preocupação triplicando ao verificar a hora: cinco e vinte da tarde.
—O que vocês têm até agora? – John inquire, finalmente, quebrando o silencio.
—Conseguimos localizar a origem do sinal pirata mas ainda não sabemos como chegar ao lugar, quero dizer, como entrar sem nos expormos – Ray revela.
—Também sabemos a provável identidade do ou dos, já que podem ser mais de um stalker – Sara acresce.
—Resta-nos saber qual a ligação entre todas estas pessoas: Bristow e a suposta amante, os stalkers e agora este agressor – concluo, ficando imediatamente tenso ao ver Layla aproximar-se juntamente com a enfermeira loira amiga de Caitlin e o cirurgião do caso de Tommy – Como eles estão? – pergunto fazendo os que estavam de costas voltarem-se, todos levantando, ansiosos.
—Em primeiro lugar, perdoe-nos a demora em darmos notícias sobre ambos, Caitlin e Thomas. Não foi em absoluto proposital – pede, parando ao lado de John, olhando-nos atentamente antes de começar a falar – Caitlin já está em um quarto. Teve duas costelas e o pulso direito fraturados, várias contusões e hematomas por todo corpo. Seu estado geral é considerado estável e bom. Se desejarem vê-la, Sylvie os levara até ela – informa, sorrindo minimamente – Quanto a Thomas, doutor Carter pode informa-los melhor apesar de eu estar presente durante todo o procedimento – diz, passando a palavra ao cirurgião.
—O senhor Thomas Merlyn teve fraturas na rotula e pulso esquerdo e quatro costelas quebradas sendo que milagrosamente nenhum órgão importante foi atingido apesar de ter chegado ao hospital com um sangramento interno que nos deu um pouco de trabalho – contabiliza, prosseguindo – A cirurgia em si foi bastante tranquila e linear...
—Diga logo se meu filho vai viver raios!! – Malcom impacienta-se, Isabel o contendo.
—Meu bem, é de praxe apresentar o quadro geral do paciente a família para justificar algum procedimento inesperado – diz ela, pondo-me em alerta.
—Que tipo de procedimento e por que? – adianto-me.
—Bem...- recomeça, um pouco hesitante – A cirurgia foi relativamente rápida e tranquila. No entanto, quando reduzimos a sedação ele ficou extremamente agitado o que acabou por causar uma parada cardiorrespiratória – informa e retenho o ar – A segunda em todo o seu atendimento – acresce – O trouxemos de volta e aumentamos a sedação aguardando estabilizar para nova tentativa de reduzi-la mais uma vez – faz uma breve pausa deixando a todos tensos – Em resumo , todas as vezes que tentamos tira-lo da sedação ficava agitado e por conta disto decidimos induzir ao estado de coma por pelo menos vinte e quatro horas – conclui.
—Coma? Thomas está em coma? – Malcom repete, sentando-se devagar, branco como cera.
—Induzido meu amor. É um procedimento normal quando queremos dar tempo ao organismo recuperar-se no seu ritmo, sem estresse para o paciente, equipe medica e família – explica calmamente – Entenda assim: Thomas estava ficando agitado quando acordava, o que certamente seria prejudicial a ele. Em coma induzido, como está, seu corpo e mente relaxam e por conseguinte se recuperam mais rapidamente.
—Exatamente Malcom – Layla corrobora – Irá permanecer neste estado por no mínimo vinte e quatro e no máximo setenta e duas horas, conforme Carter informava, tempo suficiente para seu corpo recuperar-se – afirma.
—Será mantido na UTI e caso tudo corra conforme esperado, na segunda retiramos a sedação gradativamente até que desperte – doutor Carter explica – Esteja certo de que fizemos o melhor para seu filho senhor Merlyn – assegura.
—Ele sabe Carter, não se preocupe – Isabel garante, afagando o cabelo do pai de Tommy carinhosamente.
—Posso vê-lo? – Malcom quer saber, erguendo os olhos para o médico.
—Dentro de alguns minutos todos poderão , mas peço que o façam de dois em dois no máximo -recomenda, despedindo-se com um aceno, retirando-se em silencio.
—Thomas ficará bem Malcom, não se preocupe – Layla reforça, abraçada a John – A agitação pode dever-se a algum tipo de memória físico emocional e sei é que não acredita nisso! – exclama, cutucando John, que rola os olhos – O fato que algumas vezes os pacientes quando saem da sedação trazem consigo a lembrança da ultima imagem que viram antes de perder a consciência, o que no caso dele pode ter sido Caitlin sendo agredida. Por conta disso ficou agitado a ponto de causar taquicardia – teoriza e reconheço o mérito da questão, um estrondo forte seguido de um clarão sobressaltando-nos.
—Minha nossa, parece que o mundo está desabando lá fora! – Donna exclama, esfregando os braços, voltando-se para mim – Oliver, Jay disse alguma coisa sobre Damien? – quer saber.
—Estava com o capitão Lance a caminho da delegacia com o corpo. Pediu para avisar que vira quando sair de lá – informo, buscando meu celular novamente – Ray, poderia tentar falar com Eddie? Disse-lhe que te pediria para ir ajuda-los mas com essa chuva...
—Agora! – responde prontamente, afastando-se com Sara em seu encalço.
—Vou ver meu filho – Malcom anuncia de repente, pondo-se de pé – Vem comigo Isabel? – questiona-a.
—Claro – anui de imediato.
—Vamos ver Caitlin e depois passamos por lá depois. Pode nos levar querida? – Donna questiona, levantando, olhando diretamente para a loira, que anui, silenciosa – Você vem bebê? – pergunta, voltando-se para Felicity, que bufa e rio discretamente – Por falar nisso, como está? Sente-se bem? – preocupa-se ganhando a cumplicidade de minha mãe.
—Bem lembrado Donna. Toda está agitação não fará bem a você e ao bebê. Deveria tê-la levado para a mansão quando descobriram esse tal stalker Oliver! – minha mãe ralha, completando antes que pudesse retrucar – Desculpe-me Malcom, não estou minimizando jamais a situação de Thomas, mas Felicity está grávida sabe – conta fazendo a nós dois apertarmos os punhos – Por falar em ...- cala-se, me encarando desconfiada – Onde se meteu sua irmã? Não vejo Thea desde ontem à noite – questiona-me, meu pai pegando-me de surpresa.
—Isto me lembra. Recebi um telefonema estranho antes de sermos informados do acontecido a Thomas. Um campo de pouso em Seattle procurando saber sobre o jatinho da QC. Sabe algo a respeito filho? – questiona-me e sou literalmente salvo pelo gongo, neste caso, o toque de meu celular.
—Thea, por onde anda? – pergunto direto, fingindo não escutá-la – O que? ...Não estou te ouvindo!!...Espera, vou desligar e te ligar de volta – aviso, desligando sem esperar resposta – Thea – repito, exibindo o aparelho – Por que não vão ver Tommy e Cait e depois me junto a vocês? – sugiro rápido, erguendo o indicador ao ver Sara e Ray retornarem – Vou descobrir aonde ela anda mãe e não faço a mínima ideia pai – respondo por tabela, oferecendo a mão a minha noiva, que aceita de sobrancelha arqueada – Veja sua prima sweet, sei o quanto estava aflita po...pelos dois – corrijo-me a tempo.
—Uhum – anui – Não demore – pede, me dando um beijo na bochecha – E nem pense que engoli essa de não saber da Thea! – sussurra, apertando meu queixo levemente antes de se voltar para a mãe – Vamos mãe, vemos a Cait e depois, quando Oliver se juntar a nós, o Tommy – convida, frisando a parte do juntar-se.
—Também irei ver Cait – Sara avisa, dando um selinho em Ray antes de seguir minha noiva, a mãe e a enfermeira, Malcom, Isabel e meus pais saindo logo a seguir rumo a UTI.
—Vou fechar meu turno e já volto amor – Layla avisa, despedindo-se de John com um beijo.
Quando nos vemos os três, Ray, John e eu, a sós, meu amigo cruza os braços, me encarando, cético.
—Aonde ela foi e por que? – pergunta direto.
—Seattle e é...uma longa história! – assumo, suspirando, Ray intervindo.
—Antes que comece a contar esta história, Jay e Eddie pediram para visar que nosso rato encontrou um buraco para a toca...Mas pode ter sido pego numa ratoeira! – revela e sinto um calafrio na espinha.
—Mouse está com problemas, pra variar!! – Dig exclama e mesmo com toda tensão rio ao notar que não esquecera nossos códigos, minha atenção sendo chamada por meu celular, que tocava mais uma vez..
—Thea, me perdoe mas não podia falar naquele momento – peço assim que atendo.
< Imaginei que não pudesse > afirma ela, sua voz parecendo cansada.
—Tudo bem speedy? – questiono, tenso.
< Não muito...na verdade nada bem! > declara e fecho os olhos, suspirando profundamente < Antes, me diz o que está acontecendo ai. Liguei para a Cait e uma enfermeira atendeu e depois que a atazanei bastante contou que está internada, que foi atacada...Ollie, o que houve? Tommy, onde está? > pergunta com voz chorosa.
—Tommy está bem Thea. Ambos estão – tranquilizo-a – Vou te contar se me prometer não surtar – condiciono ouvindo-a suspirar.
< Posso tentar e isso é tudo que vai conseguir de mim > assegura.
Pondero alguns minutos se deveria ou não contar-lhe a verdade ou minimiza-la, optando por não esconder-lhe nada. Tomo fôlego e faço um resumo rápido do dia, desde a manhã até agora, acalmando-a quando escuto-a chorar angustiada dizendo ter pressentido algo errado, que deveria ter nos avisado, a ligação caindo segundos depois de me informar estar em Central City a espera do tempo melhorar.
—Deve ser a tempestade – Ray teoriza ante minha impaciência ao falhar em novas tentativas de contato – Onde ela está? Tá tudo bem? – quer saber.
—Em Central City e é isto que me preocupa Ray. Disse que não estava bem– revelo, passando as mãos pelo cabelo aflito, olhando o tempo lá fora – Se ao menos esta bendita tempestade cessasse poderia ir pega-la com o helicóptero ou mesmo de carro – lamento, massageando meu pescoço.
—Mas não vai. Vi a previsão mais cedo – John avisa, pondo a mão em meu ombro – Um conselho: envie mensagens a Thea. Tire fotos de Thomas e Caitlin e envie. Mostre a ela que estão bem e peça que fique aonde está até que possa voltar em segurança .Quando o sinal restabelecer ela as verá – sugere, um sorriso carinhoso formando-se em seu rosto – Thea é impulsiva mas esta cada dia mais responsável. Não vai querer ser outra fonte de preocupação para você – garante.
—Tem razão meu amigo – anuo, sorrindo sem vontade – Esta certo. Vou mostrar-lhe que estão bem e pedir que permaneça e Central até que seja seguro viajar – digo, olhando dele para Ray – Depois que puser Felicity e Donna em segurança, vamos descobrir em que tipo de ratoeira nosso rato se meteu e resgata-lo! – exclamo, seguindo junto com os dois a fim de fazer o que John sugerira.
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Central City (18:25 p.m)
Cafeteria Jitters
Thea
—Oliver? Oliver? Alô? – insisto, suspirando quando não obtenho nada além da irritante mensagem avisando que perdera o contato com meu irmão – Merda! – xingo baixinho enxugando as lágrimas com o dorso da mão, dirigindo um olhar discreto a mesa ao lado onde Amy tomava sorvete distraída, conversando com o copiloto.
Giro o aparelho entre os dedos refletindo sobre os acontecimentos recentes em nossas vidas, retendo a muito custo novas lágrimas. Não queria assustar Amy Lee.
—Thea? – ouço chamar e ergo os olhos vendo Barry aproximando-se com seu sorriso franco – O que faz em Central City? – pergunta.
—Historia longa e complicada Bar!! – respondo, rindo forçado, enxugando uma lágrima que teima em escapar.
—O que foi, por que está chorando? Aconteceu alguma coisa?- preocupa-se, sentando na cadeira vaga a minha frente, oferecendo um lenço de papel.
—Tommy e Cait foram atacados. Estão no hospital neste momento – conto vendo-o tapar a boca pra conter a expressão de espanto – E eu presa aqui! – choramingo, olhando meu celular, desolada – Nem mesmo consigo falar com eles pra ter certeza de que estão bem!
—Não estava ao telefone quando cheguei?? – questiona.
—Estava mas a ligação caiu quando Ollie contava como estavam – digo, fungando, dando mais uma olhada na Amy.
—É a tempestade. O sinal fica indo e vindo – explica, me encarando um segundo antes de falar – Escute Thea, sei que não deve estar sendo fácil ficar longe depois de receber uma noticia destas, mas tenho certeza de que os dois devem estar recebendo o melhor atendimento que há. E Oliver vai dar um jeito de entrar em contato com você novamente – tranquiliza-me, o piloto da QC aproximando-se de nós.
—Senhorita Queen, acabo de confirmar: só teremos teto para voo amanhã no meio da manhã ou inicio da tarde, quando está previsto que a tempestade perdera força. Com sua permissão irei providenciar acomodações para a senhorita e a pequena – avisa, oferecendo-se, solicito.
—E quanto a vocês dois? – aponto dele para o copiloto.
—Iremos dormir nas acomodações do hangar. Quero estar com tudo pronto quando formos liberados – informa.
—Ok – respondo, simplesmente.
—Espere – Barry pede quando ele faz menção sair – Não precisa providenciar nada. Pode ficar comigo na casa de Joe e Cecile – oferece.
—Não será incomodo? – pergunto lembrando que comentara que a madrasta da Íris dera a luz pouco tempo atrás.
—De forma alguma! Na verdade, se souberem que a deixei ir para um hotel ficarão bravos comigo isso sim – garante e rio curto.
—Ok então. Capitão, assim que liberarem por favor me avise – peço, ele acenando afirmativamente antes de sinalizar seu copiloto, que traz Amy para mim antes de segui-lo.
—E quem é esta senhorita tão linda?! – Barry pergunta, dando um de seus sorriso para Amy.
—Barry, está é Amy Lee. Amy, este é o Barry, um grande amigo do tio Oliver e meu – apresento vendo-o enrugar o cenho aceitando a mão que minha pequena estendia.
—Oi Barry. Sempre chove assim aqui? – Amy pergunta, séria e ambos rimos.
—Um pouco – ele responde, ainda rindo – O tempo por estas bandas é meio maluco. De onde você é princesa?
—Seattle – reponde, voltando-se para mim – Não vamos ver tio Oliver hoje? – quer saber.
—Não meu bem, não vamos – confirmo, limpando o canto de sua boca com guardanapo – O avião não pode voar com este tempo, mas amanhã, quer chova ou faça sol, iremos para casa – garanto.
—Pra sua casa? – questiona e aceno que sim – E tia Vic sabe? – quer saber.
—Sabe sim amorzinho – minto, fazendo uma anotação mental para ligar avisando as gêmeas aonde estava e porque viera pra cá (o que só entendi quando escutei a voz de meu irmão) e principalmente saber como as coisas estavam por lá – Ela disse que podia ficar conosco no Natal – acresço, fazendo outra nota para não faltar com a verdade nisso também.
—Oba!! – comemora, erguendo os bracinhos, os cachos castanhos balançando com o movimento – Mas onde vamos dormir tia?- pergunta, coçando a lateral do nariz.
—Comigo na casa dos meu futuros sogros – Barry adianta-se e enrugo o cenho – Não avisei que viria e meus pais viajaram. Não gosto de ficar por lá sem eles porque sempre chamam minha tia e primos pra ficarem. Nada contra mas preciso me concentrar. Vim para Central me preparar para concorrer a um estágio no laboratório Star e preciso estar bem – informa.
—Laboratório Star não é o que pertence a seu muso, doutor Wells?? – não resisto provoca-lo.
—É sim e o termo correto é ídolo mesmo – corrige-me, rindo – E se tudo der certo, futuro mentor – acresce, juntando e erguendo as mãos ao alto.
—Fico feliz por você Bar. E a Íris deve estar em êxtase! Você em Central, do ladinho dela. Nada de idas e vindas toda semana – lembro ouvindo rir mais alto e recordo o tempo em que fazia de um tudo para escutar essa risada. Sim eu tive um crush fortíssimo pelo Barry no final da infância, a qual passamos juntos boa parte, e adolescência (da qual mal sai, hahahaha!). Ai me senti atraída pelo lado bad boy do Roy até descobrir, da pior maneira possível, que ele era bissexual (nada contra, mas não é minha praia) e finalmente, meados deste ano, me descobri apaixonada pelo meu loiro delicia, marrento, briguento, fujão...
—Ela está nas nuvens e não faz questão de esconder – ouço-o dizer e desperto do transe – Admito que estava sendo complicado essas idas e vindas além de cansativo – diz.
—Isto sem levar em conta que vai estar aonde sempre quis não é amigo?! – indago e ele sorri.
—Ok, sabichona! – exclama, me acertando com um bolinha de papel que fizera com um guardanapo – Trabalhar ao lado do doutor Wells realmente é um sonho. E estou assim de realizar! – vibra, demonstrando com os dedos o que dizia.
—Mais uma vez, fico feliz por você Bar! – repito, pondo minha mão sobre a sua.
—E quando vai me contar sobre essa mocinha linda? – inclina a cabeça em direção a Amy, que comia sua torta distraidamente.
—Mais tarde, na casa do Joe, se conseguir falar com Ollie, se ele der permissão, posso começar a te contar parte desta confusão que nem mesmo sabemos, ainda, como e por que começou – discurso, dando atenção meu celular, que vibrava.
Olho a tela e prendo o ar ao ver que se tratava de mensagens de Oliver. Abro o aplicativo ainda segurando a respiração, soltando-a de uma só vez num gemido que mistura dor e alivio.
—O que foi? – Barry pergunta já esticando o pescoço na tentativa de ver também.
—Ollie enviou-me fotos de Cait e Tommy – conto, mostrando-lhe a tela do aparelho – Quis me provar que estão vivos e bem...dentro do possível – relato, voltando a tela para mim a fim de lê a mensagem enviada por meu irmão.
—Então agora já pode respirar um pouco mais aliviada certo? – inquire, Amy impedindo-me responder.
—Tia, já podemos dormir? – pergunta, levando a mão a cabeça e noto que há alguma coisa errada.
—Está tudo bem minha linda? – quero saber, tocando sua fronte com a mão – Com febre não está – constato, muito embora este não seja o método mais confiável – Está cansada? Com sono? – pergunto, preocupada. Com a pressa em tira-la do alcance do tal sujeito não lembrei de perguntar sobre a saúde dela, se tinha alguma alergia ou outra coisa qualquer
—Tô cansada sim e a cabeça tá doendo um pouquinho – reclama, me deixando ainda mais tensa e preocupada.
— Neste caso é melhor irmos para a casa de Joe. Cecile tem medicação infantil em casa. Qualquer coisa saberá como agir – Barry sugere, levantando-se, sinalizando a garçonete que trouxesse a conta, não me deixando pagar.
Ponho Amy nos braços e o aguardo na entrada enquanto busca seu carro (havia dispensado o taxi e como os pilotos já tinham-se ido, fiquei sem transporte), correndo até o mesmo quando para defronte, abrindo a porta do carona.
Já no interior do veículo, ponho-a no banco detrás ajustando o cinto de segurança para somente então fazer o mesmo. Em poucos minutos estamos entrando na casa dos pais de Íris, a própria nos recebendo com festa.
Cecile ajuda-me a banhar Amy (minha pratica nessa área é zero!) fazendo questão de ficar com ela para que eu pudesse banhar-me também.
Quando desço as escadas, encontro-as sentadas, Amy, Íris e Cecile, no tapete tendo a bebezinha ao centro dentro de uma cadeirinha. Minha sobrinha brincava com a neném de forma alegre e ativa.
—Parece que alguém recarregou as baterias não é mesmo? – indago, sentando-me na poltrona próxima, observando-a com carinho.
Podia considerar bom sinal ela estar interagindo com a neném sem demonstrar ciúmes?
—Ao que tudo indica era apenas cansaço Thea, mas seria bom fazer um check up porque estava reclamando de dores e mesmo podendo terem sido causadas pelo voo, ao qual não está acostumada, é bom não facilitar – aconselha a madrasta de Íris, trazendo-me a memória a promessa silenciosa que fizera – Preparei algo para vocês. Amy já comeu. O seu está na mesa – avisa.
—Obrigada Cecile e desculpa o trabalho que estou te dando – peço, levantando-me, indo a mesa.
—Imagina – ouço-a dizer e sorrio em resposta.
Enquanto estou saboreando o jantar que me preparar, digito mensagens para Vic e Erica a fim de saber como as coisas haviam se resolvido por lá. Descubro que o tal sujeito, após procurar por Amy e ser informado pela funcionaria que a menina não se encontrava no orfanato, tivera uma reação no mínimo estranha: recolhera a documentação e saíra sem nada dizer. Por sorte, Erica, que chegara minutos depois que saímos, o enrolara tempo suficiente para que a irmã fizesse copias de tudo. Peço que me enviem para que os advogados da QC (ou outro caso Oliver achasse melhor) analisassem. Somente então saberia o tamanho da encrenca na qual me meti.
De minha parte, explico onde estava e porque optara por trazer Amy comigo aproveitando para pergunta sobre alergias e afins além de pedir que permitissem que ela permanecesse o Natal conosco (apesar de saber que, como ataque sofrido por Tommy e Cait, as festividades que programáramos seriam suspensas). Também conto, sem entrar em detalhes, o que ocorrera aos dois recebendo o apoio e solidariedade de ambas. Sou informada por elas que Amy é alérgica ao mais comum dos medicamentos (infelizmente): aas e de imediato pergunto o que Cecile lhe dera, respirando aliviada ao saber que fora outra medicação. Além disso, também é alérgica a amendoim, caramelo, temperos fortes, que alguns corantes a fazem passar mal ( o que pode explicar seu mal estar na cafeteria após ingerir o sorvete). Também me adverte para evitar banhos extremos, que sejam frios ou quentes, pois é sensível a alterações bruscas de temperatura (Tommy também o era quando menino, se não me falha a memória!). Além disso, aconselha não deixar que comesse doces antes de dormir pois quase sempre causava-lhe pesadelos (ooops!!) nem que dormisse tarde demais, o que já era quase impossível visto que estava com a corda toda naquele exato momento, correndo juntamente com Barry e Joe provocando gritinhos eufóricos no bebê.
Ao final de nossa conversa, Erica me aconselha conversar seriamente com um advogado porque ao menos um dos papeis apresentados pelo sujeito, pelo que Sam Winchester avaliara rapidamente (haviam contado o ocorrido aos irmãos ganhando deles ajuda e proteção), era legitimo pedindo-me para ter cuidado e faço o mesmo. Despedimo-nos com a promessa de novo contato quando estivesse em Starling.
Suspiro, massageando minha fronte, rindo discretamente ao observar Amy sorrindo e brincando com meus amigos, refletindo no que faria caso o bendito exame desse negativo.
—Mas não dará Thea. Ela É filha do Tommy e da Lissy. Tem que ser! – angustio-me, sobressaltando-me quando a sinto pular em meu pescoço pedindo ajuda para defender-se do “monstro” que a perseguia, a constatação me atingindo como um soco enquanto me envolvo na brincadeira: independente do resultado, não conseguiria mais me afastar desta garotinha!
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“...Help me, it’s like the walls are caving in;
Sometimes I feel like giving up;
No medicine is strong enough;
Someone help me;
I’m crawling in my skin;
Sometimes I feel like give up;
But I just can’t;
It isn’t in my blood...”
Hospital geral de Starling (22:15 p.m)
Caitlin
—Calma, está tudo bem. Está segura agora – a voz grave assegura ao mesmo tempo em que mãos fortes seguram-me pelos ombros, me obrigando a deitar novamente – Relaxe Caitlin. Está segura – repete, sorrindo gentil, a loira a seu lado enxugando os olhos enquanto deixa escapar um suspiro forte.
—Onde estou? Thomas? Onde ele está? Como ele está? – disparo, olhando de Lissy para Oliver, angustiada.
—Tommy está bem Caitlin, não se preocupe. Está no hospital, em um quarto – é Oliver quem responde.
—Bem como? Está na UTI, CTI, num quarto? Onde ele está? Quero vê-lo! -agito-me tencionando levantar, a dor em minhas costas e Oliver impedindo-me fazê-lo – Onde ele está Lissy? Eu quero...Eu Preciso vê-lo!! – friso, sentindo as lágrimas correrem livres, o nó na garganta quase me sufocando.
—E vai, mas precisa ficar calma. Agitar-se pode não fazer bem. Não fez pro Tommy – solta, percebendo o que dissera mal termina de falar – Ele está bem Cait, fique tranquila – apressasse a dizer e suspiro.
—Quanto mais me dizem para ficar calma, mais nervosa me deixam porque sei que algo não está tão bem assim – afirmo, a agonia que sentia transparecendo em minha voz.
—Certo...- Oliver começa dizer, trocando um olhar rápido com Lissy – Não usarei os termos médicos pois os conhece bem e saberá do que falo – prossegue, minha prima apertando-me a mão com mais força – Tommy precisou fazer uma cirurgia. Segundo Layla foi tudo muito bem. O problema se deu quando tentaram tira-lo da sedação – diz, fazendo uma pausa que serve apenas para me deixar mais nervosa – Ficou tão agitado que teve uma segunda parada cardiorrespiratória....
—O quê?? – indago e desta vez nenhum dos dois muito menos a dor conseguem me impedir sentar já pondo as pernas para fora do leito.
—Ele está bem Cait, os médicos conseguiram traze-lo de volta a tempo e não estou mentindo! – Lissy adianta-se, o dedo em riste diante do meu nariz e não estivesse tão preocupada com o homem que amava, riria – Sério Cait, Tommy está vivo e bem...só vai demorar um pouquinho para acordar – completa e enrugo a testa, voltando-me para Oliver.
—Os médicos optaram por coloca-lo em coma induzido – revela e retenho o ar nos pulmões – Layla e doutor Carter explicaram que pretendem deixa-lo assim até, no máximo, segunda-feira. Nos asseguraram que não há risco de morte – conta, mas mesmo assim não me sinto tranquila.
—Eu...eu preciso vê-lo. Confio em vocês, em Layla e na equipe, mas preciso vê-lo! – sustento, tentando levantar, Felicity postando-se a minha frente, impedindo-me – Lissy, por favor, eu preciso vê-lo! – imploro, o pranto me tomando.
—Cait, não. Não podemos deixar você sair por ai. Está ferida e fraca e....
—Mas o que está acontecendo aqui? – a voz imperiosa e já familiar para mim de minha chefe ecoa pelo quarto – Doutora Snow, que faz fora da cama? – questiona, pondo o a prancheta que trazia sobre o pés do leito – Volte agora mesmo a deitar-se. Seus ferimentos podem ter sido em menor quantidade, mas também foram severos. Não pode brincar – reclama, unindo-se a Lissy para fazer-me deitar outra vez.
—Ela insiste em ver Tommy mesmo depois de termos garantido que está bem – Lissy resmunga e explodo.
—Não Lissy, não está nada bem! Tínhamos acabado de brigar quando tudo aconteceu. Discutimos feio e ele saiu antes de mim. Nós sempre saímos juntos. Sempre!! – exclamo, gesticulando, nervosa – Ele vai correr ou apenas me acompanhar a porta, eu trabalhar, mas sempre nos despedimos ....menos hoje... – paro, soluçando – Hoje brigamos e ele sai sem me esperar e por isso...
—Por isso os dois estão vivos – Oliver interrompe-me de repente, chocando a nós três – Por mais que o que direi possa parecer cruel, a verdade é que Tommy só está vivo agora por conta desta briga. E você também – repete, segurando meu queixo com delicadeza, fazendo-me olhar diretamente para ele – Se estivesse ao lado dele seria atacada antes e isto quebraria Tommy. Ele iria se atirar de forma temerária sobre aquele sujeito e seria morto sem dúvida. Se tivessem mantido a rotina jamais saberíamos que estavam sendo atacados até ser tarde demais – garante com firmeza, segurando minhas mãos – Caitlin, o fato de não estarem juntos possibilitou tanto que nos desse o alerta quanto que impedisse meu amigo ser morto. Salvou a vida de Tommy e a sua. Seus ferimentos são a prova disto!
—Isso mesmo prima – Lissy reforça, acariciando meu rosto – Não teve medo de se atirar sobre aquele brutamontes pra defender Tommy. Arriscou sua vida e salvou a ambos! – exclama, emocionada.
—Eu sei...mas preciso vê-lo...eu preciso...falar ...tocar – digo entre soluços maiores, os três me olhando com ternura.
—Compreensível – Isabel é a primeira a falar – Vou buscar uma cadeira de rodas – avisa, saindo, retornando segundos depois.
Sem dizer nada, Oliver me ajuda sentar na cadeira assumindo a tarefa de conduzi-la tendo Lissy e Isabel a seu lado. No mesmo silencio seguimos pelos corredores até chegarmos na UTI.
A primeira pessoa que vejo é o pai de Thomas conversando com Carter, a calma em sua expressão me trazendo conforto.
Nos cumprimentamos polidamente, ele demorando-se alguns segundos além do normal com minha mão entre as suas, quebrando o silencio para agradecer-me por haver salvo a vida do filho, a emoção escondida na fisionomia transparecendo no olhar cristalino pelas lágrimas recém interrompidas.
Com a ajuda de Oliver, adentro a Unidade de Terapia Intensiva sentindo meu coração quase sair pela boca.
—Vou deixar vocês sozinhos – ouço-o dizer após posicionar a cadeira o mais próximo possível do leito.
Demoro alguns minutos observando Thomas atentamente, sua respiração regular sendo mantida com o auxilio do respirador, a perna esquerda enfaixada da metade da coxa para baixo sustentada pelo suporte, os diversos ferimentos em suas mãos e rosto.
Ergo-me com dificuldade apoiando-me ao leito, ficando o mais próximo que consigo de seu rosto, enroscando meus dedos em seu cabelo.
—Eu te amo – sussurro, deixando um beijo em sua fronte demoradamente – Não tenho dito isto com frequência, eu sei....tenho sido ausente...irritante e te amo ainda mais por estar me aturando....- prossigo, afastando-me minimamente, olhando o rosto que tanto amo, acariciando-o, algumas lágrimas molhando a pele. Enxugo-a com outro beijo – Me perdoe amor. Perdoe por estar guardando segredo de você...eu prometo te contar tudo quando acordar. Sem mais segredos entre nós meu amor – declaro, lhe dando mais um beijo demorado, a dor obrigando-me sentar novamente.
Ponho sua mão entre as minhas permanecendo assim até Isabel entrar tendo Sylvie a seu lado, avisando que meu tempo acabara e precisava retornar ao quarto para descansar.
Ao sairmos, Felicity e Oliver me aguardavam para despedirem-se, minha prima prometendo retornar pela manhã.
—Muito bem senhorita, agora que já viu que seu amor, trate de relaxar e dormir ou venho aqui puxar suas orelhas! – Sylvie ralha enquanto me ajuda deitar, cobrindo-me, verificando a medicação e se estava confortável – Prontinho. Mais tarde passo aqui pra te vê e trazer algo para comer. Caso sinta fome ou sede antes, tem iogurte, biscoito e água bem aqui – avisa, indicando uma bandeja numa mesinha que pusera próxima ao leito – Até já – despede-se, acenando brevemente a Isabel e somente então percebo sua presença num cantinho do quarto, a mesma prancheta com a qual chegara ao quarto em suas mãos.
—Agora que estamos a sós, precisamos conversar – escuto-a dizer, aproximando-se vagarosamente, algo em sua postura intrigando-me. De imediato lembro as palavras de Thomas mais cedo – Quero lhe transmitir os agradecimentos de meu marido mais uma vez. Malcom foi em casa mas deve retornar em pouco tempo. Ficou muito abalado com o que aconteceu a vocês e pediu-me que lhe agradecesse – revela.
—Imagino – limito-me dizer, alisando o lençol, mordendo meu lábio inferior. Estava tensa, admito.
—Mas não foi o pedido de meu marido que trouxe-me até aqui e me fez esperar sua visita a Thomas terminar para falar-lhe – prossegue, aproximando-se ainda mais – Veja bem Caitlin...- diz, fazendo uma pausa aonde olha a prancheta em suas mãos parecendo ansiosa, o que me põe em alerta – Quando chegaram ao hospital, participei do primeiro atendimento a vocês dois. Depois que Thomas subiu para a cirurgia assumi seu caso....- mais uma pausa e perco a paciência.
—Isabel, o que há? O que está tentando me dizer? Há algo errado com Thomas ou comigo? – interrogo vendo-a sorrir minimamente.
—Bem, não chega a ser um problema. Ao menos espero que não – diz, erguendo a mão quando percebe que iria protestar – Vou tentar ser breve – promete, tomando respiração antes de recomeçar – Como dizia, assumi seu atendimento após Thomas subir. Pedi os exames de praxe...e é sobre eles que quero lhe falar – elucida, finalmente, pondo a prancheta com o tablete que encontrava-se preso a ela em minhas mãos – Estes são os resultados de seus exames. Todos – avisa e olho a tela fazendo a leitura do que via – Notou algo diferente? – pergunta algum tempo depois.
—Honestamente, não – confesso, deslizando o dedo na tela, relendo os exames novamente – O que devo ver? – pergunto, direta, a esta altura já sabendo que algo estava acontecendo.
—Isto aqui – responde, circulando uma área com o dedo.
Estreito os olhos lendo a observação ao lado do número, relendo-a mais de uma vez para ter certeza de que vira corretamente.
—O que??? ....Isto....está correto?? – indago, surpresa e confusa.
—Então...é isto que precisamos verificar porque, como viu, a quantidade está muito perto do mínimo, pouco mais de 6mIU/ml, o que é compatível com uma quinzena – diz, olhando-me com um brilho no olhar – Evidente que precisamos refazer para ter certeza absoluta além de descartar algum engano....está fazendo uso de alguma medicação que possa interferir nos resultados? – questiona e balanço a cabeça negativamente, muda, sua observação seguinte tendo o poder de me deixar em choque – Neste caso, salvo alguma alteração hormonal indicativa de algum tipo de tumor uterino, que certamente iremos verificar com ultrassom, arrisco-me dizer que está grávida Caitlin!

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Condomínio Ilhas Gregas 00:12 a.m)
Narrador
O clarão provocado pelo forte relâmpago ilumina parte do pátio interno do elegante condomínio residencial vertical, revelando os três homens movendo-se rapidamente em direção ao alambrado que delimita a área interna.
—Têm certeza de querer prosseguir? O tempo só piora. Daqui a pouco não enxergaremos um palmo diante de nossos narizes! – Raymond Palmer questiona, elevando a voz acima dos trovões, parando debaixo da arvore juntamente com Eddie Thawne e Jay Halstead.
O moreno fora ao encontro dos dois após haver deixado a namorada na casa do pai depois de terem sido informados pelo mesmo, quando ainda se encontravam no hospital, de que os pets de Caitlin haviam sido levados para lá.
—Como Thawne sumiu e os animais precisavam ser examinados, pedi a um de meus homens que os levasse ao veterinário que presta serviço a polícia e de lá para minha casa – contara o policial – Laurel não ficou nada feliz, mas entendeu. Se puderem busca-los agradeço. E a propósito, os quatro estão bem— dissera.
Quando, na metade do caminho, Jay ligara, o moreno conseguira convence-la a ficar com a irmã pois ficaria mais tranquilo em saber que estaria em segurança.
—Se deixarmos para amanhã pode ser tarde demais Ray – Eddie responde – Já pode ser, na verdade, posto que demoramos para conseguir descobri o ponto exato aonde Mouse e Monica sumiram. Se houver uma chance, por mínima que seja, de estarem vivos, quanto menos tempo perdermos melhor – justifica-se, Jay chamando atenção de ambos.
—Consegui! – vibra o ruivo, empurrando a peça em ferro para o lado com dificuldade, ganhando o reforço de Eddie e Ray – Sabia que tinha de haver uma passagem. Eles sumiram depois de dar a volta nesta arvore ontem cedinho – conta, acionando a pequena lanterna a fim de examinar o terreno.
—Para o que exatamente estamos olhando? – Ray pergunta, agachando-se enquanto Eddie olha em volta, certificando-se de que não estavam sendo observados.
—Algum tipo de escotilha ou respirador, não sei bem – Jay responde – Mouse descobriu quando reexaminava as plantas externas. Se estiver certo em suas anotações, deve nos colocar direto dentro da suposta bifurcação do túnel principal e de lá para a cobertura da torre três – teoriza, amarrando a corda em volta da arvore.
—E se estiver errado? – quer saber o moreno, ajudando-o.
—Então sairemos lá e os próximos corpos que encontraremos serão dos dois – Eddie afirma, apontando a saída do túnel – Mas não estará ou já teriam aparecido...
—Ou entrado em contato – Jay completa, testando a firmeza da corda – Mouse não se arriscaria em vão sarge. Descobriu algo e veio atrás. Vou encontra-lo. A ambos. Vivos ou mortos – declara, decidido, posicionando-se na entrada do estreito buraco.
—Prefiro a primeira opção – Ray declara, ajudando-o na descida – Tudo bem ai? – pergunta quando o ruivo atinge o solo.
—Sim – responde – É maior do que pensava – acresce.
—Legal. Só espero não precisar ficar curvado por muito tempo! – resmunga o moreno enquanto prepara-se para descer, provocando um sorriso discreto no loiro a seu lado.
—Ficarei satisfeito se não entalar na descida Ray! – provoca-o.
—Há, há ,há! Tão engraçado Thawne! – devolve, deslizando com agilidade – Putz! O cara que projetou isto aqui deve ter sido um tatu gigante em outra encarnação! – solta o moreno, provocando mais risos.
—Só você mesmo Ray! – Eddie exclama, soltando a corda da arvore, prendendo-a a parte interna da tampa, arrastando-a até tapar parte da escotilha – Recuem um pouco – ordena, deslizando para dentro e ao fazê-lo seu peso puxa-a, vedando parcialmente a escotilha.
—Não seria melhor termos deixado aberta, para o caso de uma emergência? – Ray questiona, olhando a pequena fresta deixada por Eddie.
—Não. Há crianças que circularão livremente amanhã. Não quero ser responsável pela morte de nenhuma – Eddie justifica-se, acionando sua lanterna, dirigindo o facho para todos os lado – Para onde agora Jay? – pergunta, o ruivo demorando alguns segundos para responder.
—Leste. Em direção a torre três – decide – É para lá que Mouse iria.
—Foi – Eddie o corrige, os três homens perfilando-se, escutando os sons vindos de fora e de dentro dos tuneis durante alguns minutos antes de porem-se em movimento — Hora de resgatarmos um rato, uma ratinha...e caçar algumas ratazanas!!
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