Invasão de Privacidade
1 “Anjo caído!”
Notas iniciais
“...Cause I knew you were trouble when you wlaked in;
Shame on me now;
Flew me to places I’d never been;
Now I’m luing on the cold hard ground;
Oh, oh trouble, trouble, trouble;
Oh, oh, trouble, trouble, trouble...”
I Knew Were Trouble
Taylor Swift
Condomínio Residencial Ilha de Creta
Apartamento Caitlin Snow (quinta-feira, 17/8 – 22:50 p.m)
Cait
Sentada no chão de meu quarto, as costas apoiadas em minha cama, estico os braços, espreguiçando-me, olhando a volta suspirando.
—Esse é o lado ruim em mudanças não é bebês? – digo, voltando-me para o casal de pugs preguiçosamente deitados a meu lado, ambos erguendo seus olhinhos cansados para mim – Olha para isso Sherlock, cansados de não fazer nada – comento, voltando minha atenção para meu gato deitado sobre o colchão, arqueando uma sobrancelha – Se bem que vocês dois também não estão lá muito dispostos não é mesmo? – interrogo vendo minha gata fazer o mesmo que eu fizera e sorrio divertida – Alguém com fome? – pergunto, levantando, me encaminhando para a cozinha, os quatro me seguindo animados – Para isso vocês estão dispostos não é mesmo?! – falo, rindo mais.
Na cozinha, ponho as rações em suas vasilhas, troco a água (gatos ao contrário de cães, gostam sempre de ter água fresca), e só então me dedico a preparar meu jantar já que estive tão ocupada em organizar as coisas que não me lembrei de comer nada além de frutas e iogurte.
Por sorte fiz compras mais cedo, antes de a mudança chegar, e coloquei diversos desses pratos individuais que só precisa pôr no micro-ondas (minha mãe certamente torceria o nariz para isto!). Não que seja meu tipo de alimentação favorita, mas em momentos como este quebram um galhão.
Escolho a lasanha aos quatro queijos. Enquanto o aparelho faz seu trabalho me sirvo um copo de suco aproveitando para apreciar minha mais nova conquista: Meu apartamento!
—Depois da tempestade vem a calmaria e a bonança – digo para mim mesma suspirando ao lembrar os momentos difíceis que havia enfrentado em Nova York no começo do ano. A descoberta da traição de Jay, meu noivo e sócio, com minha melhor amiga e também sócia Maureen, que acabou por causar a perda do bebê que esperava, ainda doía, não nego – Pelo menos agora não serei obrigada a ver os dois todos os dias! – murmuro, voltando minha atenção para o micro-ondas ao escutar o aviso de que terminara seu serviço.
Retiro a lasanha optando por come-la dentro da embalagem mesmo, podo-a apenas dentro de uma bandeja para evitar queimar as mãos. Me sirvo de mais suco, pego guardanapo, faca e garfo indo para a sala seguida de perto por meus filhos peludos.
Sento no sofá de frente para a televisão e pego o controle ligando-a. Estico minhas pernas pondo-as sobre a mesinha de centro, apoiando a bandeja no colo. Após zapear por um tempo escolho uma serie de suspense policial, acompanhando-a atentamente enquanto como, sobressaltando-me quando meu celular vibra fazendo um barulho parecido com besouro.
Pego-o, sorrindo ao ver a tela, atendendo-o.
—Estava pensando quando me ligaria senhorita vou te ajudar a arrumar tudo! – ralho, tentando parecer zangada.
< Me desculpa priminha linda, mas a culpa foi da Thea que me abduziu durante todo o dia! > Lissy justifica-se < Por falar nela, me deixa abrir a bendita conferencia antes que surte> avisa < Pronto meninas, estamos todas conectadas>
<< Por que demorou tanto Smoak!? >— Thea resmunga << Estava pensando que havia esquecido de nós!!>— reclama e mesmo sem vê-la sei que está fazendo bico.
<< Exagerada!>> é Sara quem fala agora, me fazendo rir << E aí doutora, como estão as coisas no apartamento novo? Já conseguiu colocar tudo em ordem?>>
—Mas nem que tivesse dez braços conseguiria organizar tudo num só dia! – respondo, fazendo-as rir – Nunca tinha reparado em quanta coisa acumulei. Estou até pensando em fazer uma daquelas liquidações de garagem – brinco.
< A questão é saber se irão permitir esse tipo de coisa no condomínio! > Lissy comenta.
<< Se não permitirem, sempre teremos os jardins da mansão Queen, não é mesmo baixinha?>>Sara provoca, Thea respondendo imediatamente.
<< Só não digo quem ou o que é a baixinha porque estou tão cansada que não sobrou sequer forças para discutir! >— exagera novamente suspirando << Por favor migas, me prometam que não irão se transformar em noivaszilas quando forem casar, please, please, please!! >>
—Está tão ruim assim? – pergunto, pondo a bandeja com a embalagem vazia sobre a mesinha, tomando o que restava do suco.
< Nem imagina o quanto! > Felicity exclama e faço uma careta de desgosto minha prima aconselha provocando uma sonora gargalhada.
<< É sério Caitlin, faça o que Felicity disse se quer entrar e sair viva desse casamento mesmo já estando fazendo um favor em substituir a madrinha fujona! >— Thea reforça.
<< Verdade. Se Layla já estava naturalmente estressada com os preparativos, depois que a tal amiga, que será rebaixada a ex amiga evidente, ligou avisando que não poderia comparecer praticamente na véspera do casório, o nível de estresse dela é quase palpável!>— alerta.
—Imagino – digo, mordendo meu lábio, lembrando mais uma vez meu noivado rompido – Não se preocupem, vou seguir o conselho de vocês – garanto.
< Olha só, depois que essa correria passar, vamos até ai ter uma noite só de garotas como nos velhos tempos! > Lissy promete.
<< Isso! Regada a vinho, queijos, fondue e logico chocolate! >— Thea acrescenta.
<< Aham, e no dia seguinte corremos para malhar na academia!>— Sara reclama nos fazendo ri.
< Não é pra tanto Sara!> Felicity admoesta, ainda rindo.
<< Vocês riem porque foram agraciadas pela genética e podem comer de um tudo sem engordar, especialmente você Cait>— acrescenta, rindo também.
—Vai sonhando! – rebato – Tenho tanta tendência a engordar quanto vocês. A diferença entre nós é que não esquento com isso....Não mais! — A conversa está boa mas acho melhor desligarmos antes que fique muito tarde. Não quero chegar ao casamento com olheiras e deixar a noivazila mais estressada ainda – brinco, ouvindo-as rirem com gosto.
< Nenhuma de nós quer! Boa noite prima > Lissy despede-se, completando pede.
—Darei – digo, afagando a cabeça de um dos pugs.
<< Boa noite Cait, e desculpa não ter deixado Fel ir te ajudar, mas precisava de alguém a meu lado para sobreviver a Layla >— Thea pede.
—Tudo bem, eu entendo. Boa noite Thea – desejo.
<< Boa noite Cair, durma bem>— Sara deseja.
—Obrigada, você também – retribuo, desligando logo em seguida – O que acham de irmos dormir bebês? – convido, afagando-os um a um – Só vou ver quem raios é esse assassino e vamos para o quarto – digo, deitando abraçada a uma almofada para continuar a assistir a série.
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Tommy ( madrugada, 18/8 — 02:25 a.m)
—Você foi incrível Thomas! – sorrio ao escutar a declaração ao mesmo tempo em que lábios úmidos percorrem meu peito, subindo e descendo, lambendo, roçando os dentes em minha pele, mordiscando, me excitando novamente – Quero mais! – pede, manhosa, traçando um caminho de beijos até alcançar meu pênis àquela altura começando a ficar ereto, lambendo toda a extensão, pondo-o inteiro em sua boca.
Fecho os olhos enfiando os dedos em seu cabelo desgrenhado, mantendo sua cabeça no lugar, gemendo na medida em que aumenta os movimentos de vai e vem pondo e tirando meu membro de sua boca fazendo-me gozar.
Em silencio, ela ergue o corpo ficando de costas para mim, posicionando-se sobre meu membro ereto, descendo devagar, rebolando. Seguro seu quadril controlando o ritmo de sua descida, libertando-a quando estou totalmente dentro dela, deixando que me cavalgue a vontade. Em alguns minutos desenvolve um ritmo frenético praticamente pulando sobre mim, nossos corpos chocando-se de uma forma quase dolorosa até que goza, amolecendo sobre mim.
Antes que deite seu corpo sobre o meu, sem sair dela, inverto nossas posições deitando-a de bruços. Começo a me mexer mais fortemente, estocando cada vez mais fundo e rápido, fazendo-a gritar ao atingir um novo orgasmo, aproveitando sua pulsação para sair dela, gozando sobre os lençóis, deixando meu corpo cair ao lado do seu de olhos fechados, exausto.
—Eu te amo Thomas! – declara, vindo para cima de mim
Opa, ora de cair fora! Literalmente falando — Tenho que ir – digo, escapando de seus braços por alguns segundos.
—Por que? Sua esposa o espera em casa? – ironiza me agarrando novamente, o que acaba por ter o efeito contrário ao que ela certamente esperava.
—Seu marido chega quando mesmo? – pergunto também irônico lembrando-a de que era ela a cometer adultério e não eu, o castigo vindo a cavalo.
—Amor, cheguei! – uma voz forte anuncia, fazendo nós dois estancarmos – Consegui adiantar meu voo em algumas horas – prossegue, soando perigosamente.
—Tem que sair daqui agora! – exclama, desesperada, me empurrando para a varanda – Se Rock te pegar aqui é um homem morto – declara.
—Ah, e você não por acaso! – exclamo, a expressão em seu rosto me dizendo que não era a primeira vez que traia o marido... e conseguiria ser perdoada – Já fez isso antes não é? Já o traiu outras vezes! – insinuo, o frio lá embaixo lembrando que estava completamente nu.
—Não é hora para conversarmos Thomas. Tem que dar um jeito de sair daqui rápido – repete, voltando-se ao escutar a voz do marido.
—Analise, onde está você amor? – o corno chama parecendo ainda mais perto – Amor?? – o tom agora ficar tenso.
—Precisa sair daqui Agora! Não quero que morra Thomas! – choraminga, andando de um lado para outro na varanda.
—Deveria ter pensado nisso antes de mentir para mim – bufo, tentando voltar ao quarto.
—Onde vai? Por mais que ache fofo querer enfrenta-lo por minha causa mas....
—Enfrentar seu marido? Ficou maluca! Só quero pegar minhas...- me calo ao ouvir o estalar da fechadura, a porta abrindo devagar.
—Esconda-se – ordena, voltando para dentro do quarto numa velocidade surpreendente, fechando a porta dupla que dá acesso a varanda, travando-a, puxando a cortina, me deixando sem ação por alguns segundos.
—Não acredito que fez isso! – exclamo me recuperando lentamente.
Encosto na parede lateral a porta olhando através da fresta deixada pela cortina, vendo-a agarrada ao marido, nua evidente, em um beijo que beirava a obscenidade, despindo-o com a mesma velocidade que me despira, pulando na cama junto com ele. Num impulso olho para o chão tentando visualizar minhas roupas.
—Onde raio as enfiou? – resmungo baixinho, rolando os olhos ao escutá-la gritar quando ele a possui – Merda! Era só o que me faltava, ficar assistindo transa de corno! – bufo, abraçando meu corpo ante uma rajada de vento mais forte e fria, deixando escapar um impropério mais alto do que deveria.
—Que foi isso? – escuto-o questionar fazendo-me encolher no canto ao vê-lo se aproximar da porta, ela vindo impedi-lo de abri-las.
—Deve ter sido apenas o vento. Venha, volte para a cama. Estou com saudade do meu tigrão – fala usando um tom meloso que faz meu estomago revirar.
—Tigrão?!? Sério? – ironizo, aguardando alguns segundos antes de olhar pela fresta novamente, vendo a cena mais ridícula de toda minha vida: um cara com quase dois metros de altura, de quatro sendo conduzido pela gravata usada como coleira, balançando um “rabo” imaginário, a língua para fora – Ok, agora já deu! – exclamo, sacudindo a cabeça, me esgueirando até a sacada, erguendo-me o suficiente para examinar a situação – Merda! Merda, merda! – praguejo olhando a volta em busca de algo que pudesse me ajudar na fuga além de me oferecer alguma proteção (estava começando a sentir os efeitos do frio em meu corpo exposto).
Levanto com cuidado sempre atento aos sons vindos do quarto (se bem que o “tigrão” deveria estar ocupado demais bancando o cachorrinho), analisando a sacada do edifício onde me encontrava.
Para minha sorte as varandas eram alternadas o que me permitiria passar de uma para a outra (única saída possível sem ter que esperar a sessão sadomasoquista lá dentro terminar) sem grandes dificuldades. Para meu azar tratava-se de um condomínio relativamente novo onde a maioria dos apartamentos estava desocupada, ou seja, poucas varandas poderiam estar abertas e se alguma porventura estivesse ainda precisava contar com a sorte de o inquilino estar dormindo. Outro problema era o prédio ao lado. Mesmo estando igualmente pouco habitado, caso algum morador notívago ou com insônia resolvesse vir até sua sacada não teria dificuldade nenhuma em me ver já que a lua brilhava no céu deixando a madrugada clara como um dia (ok, dia é exagero, mas seria visto facilmente por qualquer um que resolvesse olhar pela janela para admirar a lua por exemplo), o que certamente me renderia uma visita nada agradável a algum distrito policial por atentado violento ao pudor!
—Você realmente conseguiu se meter numa bela enrascada dessa vez Tommy! – digo para mim mesmo, respirando fundo antes de subir na sacada, olhando em todas as direções a fim de evitar o flagra – Vamos lá. Coragem. Não pode esperar o tigrão adormecer. Hora de ver se todas as aulas de rapel valeram a pena além de terem servido para pegar a instrutora gostosa! – relembro, sentindo a pele arrepiar ao contato com o aço e vidro frios e úmidos pelo orvalho noturno – Droga, vou acabar pegando um resfriado – resmungo, olhando para baixo – Porra! Tinha que morar justo no decimo andar mulher!? – reclamo para a porta envidraçada, mordendo a língua para conter a torrente de palavrões e xingamentos que ameaçam sair dela – Até nunca mais querida! – digo em tom irônico antes de começar minha descida para a varanda de baixo e assim por diante até encontrar uma de um apartamento ocupado onde o morador esteja dormindo e tenha feito a gentileza de esquecer a porta aberta!
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Apartamento Caitlin Snow (03:32 a.m)
Narrador
Caitlin acorda de um salto sentando no sofá, desorientada, tentando entender o que a havia acordado.
Olha a volta notando a televisão ainda ligada como única fonte de luz no ambiente, voltando-se para a varanda onde os cachorros latiam insistentemente diante da porta, olhando para cima.
—Homer, Marge, venham aqui – chama – O que foi? Por que todo esse alvoroço? – pergunta, afagando a cabeça de ambos ao chegarem onde se encontrava, assustando-se ao escutar o som abafado de algo caindo seguido de um gemido fazendo os cães dispararem em direção a varanda mais uma vez, agitados.
A jovem levanta-se rápido, alcançando o taco de beisebol que mantinha junto a entrada, erguendo-o, aproximando-se cuidadosamente das portas de vidro que davam acesso a sacada lembrando tarde demais que não as travara ao sentar para assistir televisão, soltando um grito quando são abertas repentinamente.
—Espera, não me bate! – pede o homem ajoelhado, os braços a frente do rosto a fim de proteger-se da iminente pancada – Por favor não me bate. Não vou te fazer mal. Só quero sair daqui, nada mais – implora.
—Acha mesmo que vou acreditar nisso? – interroga a jovem, mantendo o bastão erguido enquanto afasta os cães com uma perna, o som de vozes no corredor distraindo-a o suficiente para que ele levantasse, tomando-lhe o taco, agarrando-a, uma mão lhe tapando a boca.
—Shii, fique quieta e tudo vai ficar bem – promete em seu ouvido – Quietos! – ordena dirigindo-se aos cães, que para surpresa de sua dona obedecem de imediato, fazendo-a estreitar os olhos para os dois.
Durante alguns minutos o homem espera até não ouvir mais som nenhum vindo do lado de fora do apartamento.
—Escuta, vou tirar minha mão de sua boca, mas tem que prometer que não vai gritar ok? – pede, ela concordando com um meneio de cabeça – Não grita – recomenda novamente, Cait repetindo o gesto em concordância, emitindo um grito fino e breve assim que tem sua boca liberada – Você prometeu! – reclama o jovem, tapando-a novamente porém sem a mesma eficácia acabando por receber uma mordida forte – Não ...Faz...Isso! – pede devagar, apertando-a mais fortemente contra seu corpo, usando um dos braços de Cait para ajudá-lo na tarefa, provocando uma dor aguda ao força-lo para trás – Solta! – ordena – Solta ou vou te machucar – ameaça, soltando o ar que prendera ao ter a mão liberta.
—Disse que não me machucaria! – Cait reclama fazendo uma careta de dor.
—Disse que não gritaria! – rebate ele, sacodindo a mão no ar – Ok, vamos tentar de novo. Vou te soltar, mas não vai gritar muito menos tentar me acertar com o taco, combinado? – negocia, aumentando a pressão novamente ante sua demora em responder, tornando-a ciente do quanto a proximidade forçada o estava excitando.
—Combinado – rende-se a médica, massageando o braço ao ser libertada, voltando-se, ficando de frente para ele – O que quer? – questiona, correndo instintivamente os olhos pelo corpo do homem que a prendera, sentindo o rosto esquentar ao constatar que, como desconfiava, estava nu, desviando-os rapidamente.
—Ir para casa, de preferência, inteiro! – resmunga, fazendo uma careta de dor ao massagear a mão – É maluca por acaso? Quase arrancou um pedaço de minha mão – insinua.
—Falou o cara nu que invadiu meu apartamento! – Caitlin ironiza, cruzando os braços a frente do peito – Se tem algum maluco aqui garanto que não sou eu. Além do mais, só estava me defendendo – justifica-se, encarando-o.
—Eu disse que não ia te machucar não disse? – Thomas rebate, examinando-a de alto a baixo – Além do mais – parafraseia – Quem estava com o taco era você, não eu. Eu que estava em perigo aqui! – argumenta.
—Olha só, não estou nem um pouco a fim de ficar discutindo com um estranho nu no meio de minha sala em plena madrugada! – bufa a médica, corando ao ter seu olhar atraído para o corpo do rapaz outra vez – Disse que queria ir para casa, então vá. Saia antes que mude de ideia e chame a polícia! – expulsa, erguendo o rosto, focalizando o quadro na parede atrás dele.
—Eu vou, não se preocupe – garante, erguendo a mão, um sorriso amarelo no rosto – Mas antes, sem querer abusar de sua bondade, será que não teria nenhuma roupa que pudesse me arranjar? – pergunta, completando rapidamente – Eu pago.... Depois porque, com pode ver, estou desprevenido no momento – diz, erguendo os braços, atraindo seu olhar novamente – Não precisa ser um traje completo. Pode ser uma bermuda ou short velho que seu marido não use mais.
—Não sou casada – solta, recriminando-se mentalmente ao ver o sorriso satisfeito e o brilho nos olhos dele – Vou ver ser arranjo alguma coisa. Espere aqui – ordena, apontando o chão abaixo dos pés dele – Não dê um passo ou faço um escândalo tão grande que ...
—Vou ficar quietinho a sua espera – interrompe-a, beijando os dedos cruzados.
Após encara-lo por um segundo, Cait lhe dá as costas, dirigindo-se o mais rápido possível a seu quarto, remexendo nas roupas que mal terminara de arrumar, uma ideia cruzando sua mente ao pegar um conjunto antigo seu que usava para correr, fazendo-a sorrir divertida enquanto caminha de volta para a sala.
—Aqui, é o que posso te arranjar – diz, jogando as roupas sobre Tommy – Vista-se e vá embora – ordena, lhe dando as costas, aproveitando para xingar os dois cães, que mantinham-se deitados assistindo a tudo passivamente – Traidores!.
—Não sei se vão te servir novamente – escuta-o dizer, voltando-se, apertando os lábios, segurando o riso – Ficou meio...Justo! – Tommy exclama, puxando o tecido de lycra na tentativa de folga-lo.
—Sem problemas – garante a médica– Poderia se retirar por favor!? – pede, indicando a porta – Tenho um casamento para ir em poucas horas e não pretendo chegar lá com olheiras – diz, franzido o cenho ao ver um novo sorriso iluminar o rosto de Tommy.
—Certo. Vou deixa-la descansar – declara, encaminhando-se para a saída, ela logo atrás – Depois devolvo sua roupa senhorita....
—Não precisa devolver – Caitlin afirma, ignorando a deixa dada por ele na tentativa de saber seu nome, abrindo a porta – Pode doar, jogar fora, fazer o que bem entender.
— Faço questão de devolve-la senhorita....- afirma o moreno, fazendo uma nova tentativa, parado a soleira.
—Não precisa – repete ela, a mão em seu peito, empurrando-o para fora do apartamento – Tenha um bom dia....Senhor Merlyn! – deseja, fechando a porta sem lhe dar chance responder.
—Terei senhorita, terei – garante o moreno, um sorriso misterioso iluminando sua face enquanto caminha pelo corredor rumo ao elevador.
“...I knew you were trouble when walked in;
Trouble, trouble, trouble;
I knew you were trouble when you walked in;
Trouble, trouble, trouble.”
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