Notas iniciais
Vamos dar um salto no tempo..

Seis anos haviam se passado desde a guerra em Washington, e o mundo havia se transformado em um lugar sombrio e dividido. A vitória sobre os insetos gigantes parecia uma memória distante, pois agora uma nova ameaça pairava sobre a humanidade: uma epidemia devastadora causada pelas mutações genéticas liberadas na explosão original. A doença, chamada Vírus Noxius, corroía lentamente o corpo e a mente dos infectados, levando ao colapso de órgãos e comportamentos violentos.

Os cientistas haviam desenvolvido uma imunização, mas ela era extremamente limitada. Apenas aqueles considerados "essenciais" ou de alta importância social tinham acesso a ela. Os imunizados viviam dentro de estados-fortaleza, protegidos por muros altos e vigilância constante. Já aqueles sem imunização – os "rebeldes", como eram chamados – viviam nas zonas abandonadas, fora dos estados, lutando por recursos, sobrevivência e dignidade.

As nações não existiam mais como antes. Fronteiras foram redesenhadas, baseadas em quem tinha acesso à imunização. A guerra que outrora era contra os insetos gigantes agora era travada entre seres humanos. Rebeldes atacavam postos avançados em busca de vacinas, enquanto os estados reprimiam com força militar qualquer tentativa de invasão.

Na pequena comunidade de La Push, as coisas também haviam mudado. Embora estivesse fora dos grandes estados-fortaleza, o lugar mantinha uma relativa segurança, protegido por florestas densas e o oceano. Os antigos amigos de Jacob – Sam, Embry, Quil e Leah – haviam transformado a vila em um refúgio para aqueles que fugiam das zonas de guerra e da doença.

Jacob agora era um homem sem memórias de seu passado. Para ele, seu nome era Josh Uley, e ele acreditava ser irmão de Sam. Sam deu-lhe esse nome para protegê-lo até que recuperasse a memória. Apesar disso, Jacob – ou Josh – havia se tornado essencial na defesa de La Push. Seu instinto natural para liderança e combate o fazia respeitado, mesmo sem lembrar quem ele realmente era.

Riley, que ainda carregava o peso do que aconteceu em Washington, nunca contou a Jacob a verdade. Ele sabia que a verdade o colocaria em perigo, especialmente com o mundo agora dividido entre imunizados e rebeldes.

Uma noite, enquanto o grupo se reunia em torno de uma fogueira, Riley caminhou até Jacob, que estava afiando uma lâmina, e sentou ao seu lado.

– Josh, ouvi dizer que os rebeldes atacaram um dos postos em Seattle ontem. Roubaram suprimentos de imunização. Riley disse, sua voz carregada de preocupação.

Jacob ergueu os olhos.

– Isso está cada vez mais perto daqui. Se continuarem avançando, seremos os próximos. Precisamos estar prontos.

Sam, que ouvia a conversa, se aproximou.

– Eles sabem que aqui ainda somos livres. Não somos imunizados, mas estamos organizados. Isso nos torna um alvo. E com a escassez de suprimentos... todos estão desesperados.

Jacob assentiu, observando as sombras da floresta ao longe.

– Desespero torna as pessoas perigosas. Já vi isso antes... eu acho. Ele hesitou, a confusão em sua voz evidente.

Riley e Sam trocaram um olhar, mas não disseram nada. Eles sabiam que, por mais que Jacob não se lembrasse, seus instintos ainda o guiavam.

...

A fortaleza construída em Washington pulsava com energia e orgulho enquanto os novos cadetes se enfileiravam no pátio principal. Renesmee Cullen observava a cerimônia com lágrimas discretas nos olhos, o coração inchado de orgulho ao ver sua filha, Sarah Black, em pé ao lado dos outros recrutas. Ela havia se tornado uma mulher forte e determinada, uma imagem viva de Jacob em seus melhores dias.

O general Hargrove, um homem rígido e experiente, subiu ao palanque e começou a chamar os nomes dos novos cadetes. Um por um, eles marchavam até ele para receberem suas insígnias. Quando o nome de Sarah Black ecoou pelo pátio, um silêncio respeitoso caiu sobre os presentes, seguido por aplausos entusiasmados. Todos os olhos estavam sobre ela – a filha do lendário general Jacob Black, o herói que havia salvado a humanidade.

Sarah caminhou até o general, a postura ereta e o olhar firme, enquanto ele lhe entregava sua insígnia.

– "Cadete Sarah Black," disse ele com um tom solene. "Você não apenas carrega um nome de peso, mas provou que está à altura do legado que representa. Parabéns. Está oficialmente pronta para sua primeira missão."

Sarah ergueu o queixo com determinação.

– "Obrigada, senhor. É uma honra servir."

Após a cerimônia, Sarah encontrou sua mãe e seu irmão nos corredores da fortaleza. Renesmee envolveu a filha em um abraço apertado.

– "Estou tão orgulhosa de você, Sarah. Seu pai estaria... Ele estaria radiante se pudesse ver o que você se tornou."

Sarah sorriu, os olhos marejados.

– "Eu espero que sim, mãe. Só quero honrar o que ele fez por todos nós."

Will, agora com 13 anos, cruzou os braços, tentando parecer indiferente, mas o sorriso orgulhoso em seu rosto o entregava.

– "Você foi incrível lá fora. Todo mundo estava te olhando como se você fosse uma estrela."

– "Obrigada, pestinha," Sarah respondeu, bagunçando o cabelo do irmão. "Mas você sabe que ainda sou só sua irmã, certo?"

Will bufou, rindo.

– "Minha irmã, que agora vai lutar contra insetos gigantes e bandidos. Só não vá se esquecer da gente, soldado."

Renesmee riu, puxando os dois para perto.

– "Apenas lembrem-se de que somos uma equipe, não importa o que aconteça. Sarah, seu pai sacrificou tanto para nos dar essa chance. Não deixe que o peso do nome dele te pressione. Seja você mesma. É isso que o tornará ainda mais orgulhoso."

Sarah assentiu, abraçando a mãe e o irmão.

– "Eu não vou decepcionar vocês. Prometo."

O momento foi interrompido por um dos assistentes do general, que se aproximou.

– "Cadete Black, a missão foi definida. Você será designada à Fortaleza do Norte para supervisionar a distribuição de imunizantes e recursos. A equipe partirá amanhã ao amanhecer. Apresente-se ao hangar às 0600 horas."

Sarah acenou em reconhecimento.

– "Estarei lá."

Quando o assistente saiu, Will olhou para Sarah com preocupação.

– "Eles já estão te mandando para longe? Mal teve tempo de comemorar!

Sarah se ajoelhou diante do irmão, segurando seus ombros.

– "É assim que funciona, Will. Mas eu volto. Prometo. E, enquanto eu estiver fora, quero que você cuide da mamãe, certo? Você é o homem da casa agora."

Will mordeu o lábio, mas assentiu.

– Tá bom. Mas se você não voltar, eu vou te buscar."

Sarah riu, puxando o irmão para um abraço.

– "Então é bom eu voltar logo, não é?"

Renesmee observou a cena com um misto de orgulho e apreensão. Sua filha estava seguindo os passos do pai, e, apesar do medo que isso trazia, ela sabia que Sarah era forte o suficiente para enfrentar o que estivesse por vir.