Invasão
6 Sem sinal
28 de março de 2024
Shopping em Washington – 12 horas antes do primeiro ataque a Washington
Nessie saiu da cabine de prova, ajeitando o tecido fluido do vestido vermelho que havia escolhido. Ele abraçava levemente suas curvas e caía de maneira elegante, destacando a suavidade de sua barriga, que começava a dar os primeiros sinais de gravidez.
Alice foi a primeira a reagir, levando as mãos ao rosto com entusiasmo.
— Meu Deus, Nessie! Você está deslumbrante! Esse vestido foi feito para você!
Rosalie analisou a irmã de cima a baixo, os olhos brilhando com aprovação.
— É verdade. E olha só – ela apontou para a barriga. – Sua barriga está começando a aparecer. Está tão linda!
Nessie levou as mãos instintivamente ao ventre, os olhos marejando de emoção enquanto se virava para o espelho.
— Eu nem tinha percebido... – murmurou, o sorriso emocionado surgindo em seus lábios.
Bella, que estava sentada próxima, sorriu ao ver a cena e se levantou.
— Esse vestido é perfeito, querida. Por que você não deixa eu pagar? Considere como um presente da vovó para o bebê.
Nessie balançou a cabeça com um sorriso afetuoso.
— Obrigada, mãe, mas não precisa. Eu faço questão de pagar.
Rosalie arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços, o tom ligeiramente provocador.
— Tem certeza? Este vestido não é exatamente barato, Nessie.
Nessie soltou uma risada leve e olhou para a irmã.
— Rosie, meu marido é Jacob Black. Só porque moramos em La Push não significa que não temos dinheiro.
Alice riu, colocando as mãos nos quadris.
— Isso mesmo! Jacob é um empresário de sucesso. Ele pode comprar a loja inteira se quiser.
— Sem exageros, Alice – brincou Nessie, sorrindo.
Bella apertou o ombro da filha com ternura.
— Estou orgulhosa de você, querida. Você está construindo sua vida do jeito que quer, e isso é o mais importante.
Nessie olhou para o reflexo no espelho mais uma vez, tocando a barriga com carinho, enquanto as irmãs trocavam olhares cúmplices.
— Acho que vou levar esse vestido – decidiu ela, o sorriso estampado no rosto.
Alice bateu palmas animada.
— Eu sabia que você ia escolher ele! Vamos achar os acessórios perfeitos para combinar.
E com isso, elas se dirigiram ao caixa, rindo e conversando enquanto continuavam aproveitando o passeio em família.
Sarah segurava uma linda camiseta em mãos, admirando-a enquanto a encostava contra o corpo para ver como ficaria. Seu rosto iluminava-se com um sorriso tímido, mas logo foi apagado quando Amanda se aproximou com o tom venenoso habitual.
— Cuidado, Sarah – disse Amanda, com um sorrisinho sarcástico. – Podem achar que você está tentando roubar.
Emma, tomando um gole de seu milk-shake, riu.
— Talvez ela esteja mesmo, Amanda. Acha que consegue pagar isso?
Will, que estava próximo, ouviu tudo e sentiu o sangue ferver. Ele caminhou até Emma, aparentemente calmo, e empurrou o copo de milk-shake em suas mãos, fazendo a bebida derramar por toda a blusa dela.
— Ninguém mexe com a minha irmã!
Emma soltou um grito de indignação, enquanto Amanda tentava ajudar a limpar a bagunça.
— Isso foi de propósito, seu... – começou Amanda, antes de completar: – Seu índio!
Antes que Will pudesse reagir, Sarah avançou, pegando o copo da mão de Emma e despejando o restante do milk-shake sobre a cabeça das duas.
— Ninguém ofende o meu irmãozinho – disse Sarah com firmeza, cruzando os braços e encarando Amanda e Emma, que estavam completamente atônitas.
Nesse momento, Nessie, Bella, Alice e Rosalie apareceram apressadas, atraídas pela confusão.
— O que está acontecendo aqui? – perguntou Nessie, alarmada, olhando para os filhos e depois para as sobrinhas cobertas de milk-shake.
Amanda, ainda segurando um guardanapo, apontou para Sarah e Will, a voz indignada.
— Eles começaram!
Sarah bufou, cruzando os braços.
— Não, mãe. Elas estavam debochando de mim, insinuaram que eu iria roubar e chamaram o Will de índio.
Bella arregalou os olhos, chocada, enquanto Rosalie olhava para Emma e Amanda com desaprovação.
— Emma, Amanda, isso é verdade? – perguntou Rosalie, a voz severa.
Emma tentou se defender, mas gaguejou.
— Nós... só estávamos brincando. Não foi para ofender.
— Vocês passaram dos limites – disse Alice, com firmeza. – Peçam desculpas agora.
Amanda resmungou algo inaudível, mas Emma revirou os olhos e disse:
— Desculpa.
Sarah não disse nada, mas segurou a mão de Will, deixando claro que estava do lado dele.
Nessie suspirou, cansada, mas olhou para os filhos com ternura.
— Sarah, Will, vocês estão bem?
Will assentiu, enquanto Sarah olhou para a mãe, ainda segurando o orgulho ferido.
— Estamos, mãe. Só quero ir embora.
Rosalie, claramente envergonhada pelas filhas, tentou apaziguar a situação.
— Isso não vai se repetir. Vou ter uma conversa séria com as duas.
Bella tocou no ombro de Nessie com delicadeza.
— Acho que é melhor irmos para casa.
Nessie assentiu e chamou os filhos, enquanto Rosalie e Alice ficaram para trás com Emma e Amanda, prometendo resolver o assunto.
Sarah estava sentada na cama, os olhos cheios de lágrimas enquanto Nessie a abraçava com força.
— Mãe, por favor, eu quero ir para casa – Sarah pediu com a voz embargada. – Eu odeio este lugar, odeio essas pessoas.
Nessie respirou fundo, sentindo uma onda de culpa. Ela estava tentando agradar o pai, mas a custo do bem-estar da própria filha.
— Tudo bem, querida – disse Nessie suavemente. – Arrume suas coisas. Vamos embora.
Sarah enxugou as lágrimas e saiu correndo para preparar sua mala. Nessie ficou de pé, perdida em seus pensamentos, até que Bella entrou no quarto.
— Nessie, o que está acontecendo? Sarah parecia tão chateada...
Nessie virou-se para a mãe, o semblante sério.
— Mãe, eu tentei. Eu realmente tentei, mas não vou mais permitir que minhas crianças sejam tratadas como inferiores. Amanda e Emma humilharam Sarah e Will na loja hoje, e ninguém parece se importar.
Bella suspirou, tentando manter a calma.
— Eu sei que foi errado, mas elas são adolescentes, Nessie. Às vezes, não pensam antes de falar.
— Não pensam? – Nessie ergueu a voz, indignada. – Isso não é desculpa, mãe. Amanda insinuou que minha filha iria roubar e chamou Will de índio. É essa a educação que meu pai tanto se orgulha? Duas adolescentes que se acham superiores a todo mundo?
Bella baixou os olhos, visivelmente desconfortável.
— Eu não vou defender o que elas fizeram, mas... amanhã é o aniversário do seu pai, Nessie. Edward ficará arrasado se vocês forem embora assim.
Nessie cruzou os braços, balançando a cabeça.
— Ele ficará arrasado? E minha filha, mãe? E o meu filho? Eles já passaram por humilhações suficientes. Não posso continuar aqui para agradar ao meu pai enquanto vejo meus filhos sendo desrespeitados.
Sarah voltou para o quarto com a mochila nas costas.
— Já arrumei tudo, mãe.
Nessie olhou para a filha e assentiu, depois encarou Bella.
— Eu sinto muito, mas não vou mudar de ideia.
Com isso, ela pegou o celular e discou o número de Jacob. O telefone tocou várias vezes, mas ele não atendeu.
— Droga, Jake, atende... – Nessie murmurou, frustrada, antes de desligar. Ela olhou para Bella novamente. – Não importa. Vamos para casa.
Bella tentou mais uma vez.
— Nessie, pense bem...
— Já pensei, mãe. Eu escolhi minha família, e essa decisão inclui proteger meus filhos.
Sem esperar mais respostas, Nessie segurou a mão de Sarah e saiu do quarto, pronta para organizar a partida.
...
Aeroporto Internacional de Denver, Colorado – 8 horas antes do primeiro ataque a Washington.
Jacob estava sentado em sua poltrona, tamborilando os dedos contra o apoio de braço enquanto olhava pela janela. Ele já estava impaciente; o avião havia pousado para uma escala não prevista, e agora parecia que algo mais estava errado. Ele chamou uma das aeromoças que passava pelo corredor.
— Com licença, pode me dizer por que ainda não seguimos para Washington?
A aeromoça hesitou antes de responder, o rosto demonstrando preocupação.
— Senhor, estamos enfrentando um problema técnico. Não estamos conseguindo nos comunicar com a torre de comando.
Jacob franziu a testa.
— Sem comunicação? Isso é comum?
— Não, senhor. É muito raro. Estamos aguardando instruções, mas, por precaução, o comandante decidiu manter a aeronave em solo.
Jacob assentiu lentamente, sentindo uma sensação de desconforto crescer. Ele pegou o celular no bolso para tentar falar com Nessie, mas percebeu que não havia sinal.
— Ótimo... – murmurou para si mesmo. Ele olhou para a aeromoça novamente. – E sobre os passageiros? Quanto tempo mais vamos ficar aqui?
— Estamos solicitando que todos desembarquem, senhor. Você será direcionado ao setor de desembarque para mais informações.
Poucos minutos depois, Jacob, junto com os outros passageiros, foi levado ao terminal. O setor de desembarque estava cheio de pessoas confusas e frustradas. Ele olhou para os monitores de voos e viu um aviso em vermelho em todos eles: "VOOS CANCELADOS – FALTA DE COMUNICAÇÃO".
Ele se aproximou do balcão de informações, mas a fila era longa, e os funcionários pareciam sobrecarregados. Olhando ao redor, Jacob percebeu que o sinal de celular não havia retornado, e as expressões tensas dos outros passageiros sugeriam que eles também estavam enfrentando o mesmo problema.
Jacob respirou fundo, tentando manter a calma, mas a sensação de que algo muito errado estava acontecendo crescia a cada momento. Ele precisava descobrir o que estava acontecendo — e, mais importante, como chegaria até Washington e sua família.
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