Invasão
1 Prólogo
O céu de Washington estava coberto por uma sombra sinistra. O som de sirenes ecoava por todos os lados, misturado a gritos e explosões distantes. Sarah segurava a mão de Will com força, guiando-o por entre os escombros de prédios desmoronados. O pequeno soluçava baixinho, os olhos arregalados refletindo o terror ao seu redor.
— Sarah... – ele sussurrou, com a voz tremendo. – A gente vai ficar bem?
Sarah parou por um instante, abaixando-se na altura do irmão. Encarou seus olhos castanhos, tão semelhantes aos de seu pai, e tentou sorrir, embora seu coração estivesse disparado.
— Vai sim, Will. Eu prometo. Papai vai vir buscar a gente. Ele sempre vem, não é?
Will assentiu devagar, mas o medo ainda estampava seu rosto.
— Mas... e se os monstros nos acharem primeiro? – ele perguntou, apertando mais a mão dela.
Sarah respirou fundo, forçando a voz a soar confiante.
— Eles não vão nos achar. Somos rápidos, certo? Mais rápidos que eles. Agora, precisamos sair daqui. Vamos encontrar um lugar seguro até o papai chegar.
O garoto balançou a cabeça, confiando na irmã mais velha. Enquanto corriam, Sarah percebeu que o ar ao redor parecia mais denso, como se algo os estivesse observando. Um barulho estranho, metálico, surgiu à distância, seguido por um brilho azulado que cortou o céu escuro.
— Rápido, Will! – ela instigou, puxando-o pela mão.
Eles adentraram uma floresta próxima, onde as árvores eram altas e os galhos criavam uma barreira natural contra os olhos do céu. Sarah sentia o coração na garganta, mas manteve o foco no irmão.
— Sarah... – Will choramingou, tropeçando em uma raiz.
Ela o segurou antes que caísse, envolvendo-o em um abraço apertado.
— Vai ficar tudo bem – sussurrou, mesmo que estivesse apavorada. – Eu não vou deixar nada acontecer com você.
O som metálico se intensificava, e luzes azuladas piscavam entre as árvores. Sarah segurou a mão de Will novamente e correu, sem olhar para trás.
Naquele momento, só uma coisa a mantinha em pé: a promessa de que Jacob Black encontraria seus filhos, não importava o que custasse.
A luz dourada do sol começou a se infiltrar pelas fendas da gruta, projetando sombras suaves nas paredes de pedra. Sarah acordou com o som distante de pássaros, algo que não ouvia desde que o caos começara. Ainda segurava a mão de Will, que dormia profundamente ao seu lado, o rosto sujo e sereno.
Ela o observou por um momento, sentindo um nó na garganta. Precisava ser forte, por ele e por si mesma.
— Will... – ela chamou baixinho, sacudindo-o de leve.
O menino abriu os olhos lentamente, piscando contra a luz.
— Já é de manhã? – ele murmurou, sentando-se com dificuldade.
— Sim. Temos que ir. Agora é a nossa chance.
Will esfregou os olhos e assentiu. Mesmo exausto, ele confiava na irmã. De mãos dadas, os dois deixaram a segurança temporária da gruta. O sol brilhava forte, e a floresta ao redor parecia mais tranquila, embora o silêncio continuasse pesado demais para ser natural.
Sarah apertou os lábios, relembrando o que havia notado durante a noite.
— Acho que eles só atacam no escuro, Will – disse, tentando soar confiante. – Enquanto o sol estiver no céu, estamos seguros.
Will olhou para ela, os olhos cheios de esperança.
— Tem certeza?
— Tenho. E isso significa que temos tempo pra encontrar ajuda.
Caminharam por horas até chegarem a uma estrada abandonada. Carros estavam parados em filas desordenadas, alguns com as portas abertas, outros virados de lado como se tivessem sido jogados. Sarah parou para observar o cenário, sentindo um arrepio percorrer sua espinha.
— Vamos ver se encontramos algo útil – disse, soltando a mão de Will por um momento.
Ela abriu o porta-malas de um carro próximo, depois outro, e finalmente encontrou uma mochila e uma garrafa d’água pela metade. Quando abriu o terceiro carro, uma arma pequena estava no banco do passageiro.
Sarah a pegou com cuidado, o peso frio e desconhecido em suas mãos.
— Você sabe usar isso? – Will perguntou, observando-a com olhos curiosos.
Sarah respirou fundo, tentando parecer confiante.
— Somos filhos de um herói de guerra, esqueceu?
Will abriu um sorriso tímido, acreditando na força da irmã.
— Então você é tipo o papai agora?
Ela riu, guardando a arma na mochila.
— Quase isso. Vamos, temos que continuar andando. Papai vai nos encontrar. Só precisamos dar uma chance a eles.
Juntos, seguiram pela estrada deserta, com o sol alto acima deles e a esperança de que, em algum lugar, Jacob Black já estava a caminho.
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