Quil, Riley, Seth e Embry chegaram apressados à casa de Claire, claramente preocupados. Claire, que estava na cozinha, os recebeu com uma expressão surpresa.

– "O que aconteceu agora?" – ela perguntou, secando as mãos no avental.

– "Estamos procurando a cadete," – Quil respondeu, cruzando os braços. – " Sei muito bem que você está envolvida nisso Claire.

Claire franziu a testa. – " ela se chama Sarah? Ela não esta mais uma cadete. Me pediu uma roupa comum, trocou e saiu faz algumas horas."

Seth bufou e passou as mãos pelos cabelos, visivelmente frustrado. – "Que maravilha. Agora temos que achar uma ruiva vestida como civil em La Push. Isso vai ser fácil."

Riley ponderou por um momento antes de sugerir: – "Vamos nos separar. Assim cobrimos mais terreno."

Seth balançou a cabeça. – "E como vamos saber quem é ela, já que agora parece uma civil?"

Riley cruzou os braços e perguntou: – "Você não prestou atenção nela? Alguma característica?"

Seth suspirou. – "Ruiva, olhos castanhos, baixinha e... me lembra alguém."

Embry soltou uma risada alta. – "Parece que Seth está interessado."

– "Ah, cala a boca," – Seth retrucou, irritado, mas com um leve rubor no rosto.

Claire, observando a conversa, decidiu ajudar. – "Ela está com uma calça jeans e uma camiseta simples. É só procurarem alguém com esse perfil."

Quil sorriu e bateu no ombro de Seth. – "Bem, garoto, parece que você tem um bom motivo para usar seus olhos agora."

Todos acabaram rindo, aliviando momentaneamente a tensão da busca.

Riley voltou a ficar sério. – "Certo, vamos nos separar. Seth e Quil, vão para o lado oeste. Embry e eu ficamos com o leste."

– "Entendido," – disse Quil. – "Vamos logo antes que ela desapareça de vez."

Eles se dispersaram, cada grupo tomando uma direção, enquanto Claire observava da porta, esperando que tudo se resolvesse sem maiores problemas.

...

Sarah caminhava devagar, seus passos esmagando as folhas secas pelo caminho. Cada som da floresta ao redor parecia amplificado, mas ela estava perdida demais em seus pensamentos para se importar. O peso das memórias apertava seu peito, tornando difícil respirar. As imagens de seu pai rindo enquanto a carregava no colo, as noites em frente à lareira, e até as broncas por suas pequenas travessuras estavam vívidas em sua mente.

Quando chegou à clareira, ela parou. O lugar parecia congelado no tempo, exatamente como ela lembrava. Deitou-se sobre a grama úmida, os olhos voltados para o céu nublado. As nuvens cinzentas se moviam lentamente, formando desenhos abstratos que ela observava sem realmente ver.

"O que eu faço agora?" – murmurou para si mesma, sentindo o nó em sua garganta apertar ainda mais. Precisava voltar para Washington, para o comboio, mas como faria isso? Já havia fugido uma vez e o exército não era conhecido por perdoar facilmente deserções.

Depois de quase uma hora de silêncio, a clareira começou a parecer sufocante. Sarah decidiu se levantar e seguir para a praia. O som distante das ondas chamava sua atenção, e ela desejava a tranquilidade que o mar sempre trazia.

Pegou a trilha que levava ao penhasco, uma das rotas que mais amava em La Push. A vegetação densa a cercava, mas ela conhecia cada curva daquele caminho. Lembrava-se de correr ali com os pés descalços, o vento bagunçando seus cabelos, enquanto seu pai a chamava para não ir muito longe.

Quando finalmente chegou ao topo do penhasco, parou e observou o oceano à frente. As ondas quebravam contra as pedras, ecoando como trovões. O vento gelado acariciava seu rosto, e ela fechou os olhos por um momento, tentando encontrar alguma paz.

"Eu precisava voltar aqui." – pensou, apertando os braços contra o corpo. – "Mas agora... o que faço?"

A voz do vento parecia sussurrar respostas que ela não conseguia entender, e o sentimento de estar sozinha nunca foi tão intenso.

...

Jacob passou pelas pequenas casas de La Push, ouvindo atentamente os relatos dos moradores. A vila, antes vibrante, agora parecia um reflexo apagado do que já fora. Os rostos cansados e as vozes carregadas de preocupação faziam seu peito apertar. Ele ouviu sobre a falta de mantimentos, a dificuldade de manter as casas em bom estado, e o medo constante dos ataques das criaturas e rebeldes.

– Faremos todo o possível para ajudar – Jacob disse a uma senhora idosa que falava sobre o telhado danificado de sua casa. – Não posso prometer rapidez, mas cuidaremos disso.

Ela assentiu, os olhos marejados. Jacob colocou a mão no ombro dela antes de seguir para a próxima casa, tentando não deixar o cansaço emocional transparecer.

Enquanto caminhava em direção ao centro da vila, ouviu passos leves atrás de si. Ele parou e olhou por cima do ombro. Hope estava lá, a expressão preocupada.

– Você está bem, Jacob? – ela perguntou, aproximando-se devagar. – Percebi como estava impaciente na reunião com os garotos. Você sempre fica assim quando tem o mesmo sonho.

Jacob suspirou, desviando o olhar para o horizonte, onde o oceano se encontrava com o céu.

– Não quero falar sobre isso, Hope – respondeu, com uma voz baixa e firme. – Preciso de um tempo sozinho.

Hope deu um passo à frente, a preocupação ainda evidente em sua voz.

– Eu só quero ajudar. Sei que esses sonhos te deixam inquieto. Talvez falar sobre eles alivie um pouco.

Jacob balançou a cabeça lentamente.

– Eu sei que quer ajudar, e agradeço por isso – disse, olhando para ela por um momento antes de desviar os olhos novamente. – Mas não agora. Preciso colocar minha mente em ordem.

Hope hesitou, mas finalmente assentiu.

– Tudo bem. Estarei por perto, se precisar – disse, dando um leve sorriso antes de se afastar, respeitando o espaço dele.

Jacob observou enquanto Hope desaparecia pela trilha que levava à margem do rio. Ele sentiu a culpa morder seus pensamentos; sabia que ela só queria o bem dele, mas os sonhos... eles eram algo que ele não sabia como colocar em palavras.

Ele passou as mãos pelo rosto, sentindo o peso do dia e das decisões que precisaria tomar. Caminhou até uma árvore próxima, sentando-se sob sua sombra, enquanto o vento frio carregava o cheiro do mar. Fechou os olhos, tentando encontrar paz em meio à tempestade de sua mente, mas as imagens do sonho continuavam a assombrá-lo, como se fossem uma mensagem que ele ainda não estava pronto para decifrar.

Jacob caminhava pela trilha em direção ao penhasco, buscando o isolamento que o vento e o som das ondas sempre traziam. Ainda assim, sua mente estava presa nos fragmentos do sonho que o atormentava, na sombra de um rosto que ele não conseguia lembrar completamente. O que aquela mulher significava? Por que parecia tão importante?

Conforme subia a trilha, ele percebeu uma figura à frente, parada na beira do penhasco. Os cabelos ruivos da mulher balançavam com o vento, e algo em sua postura chamou sua atenção. Ela parecia perdida, talvez refletindo sobre algo tão pesado quanto o que ele carregava.

Ele se aproximou com cuidado, sem querer assustá-la, e disse com um tom calmo e cordial:

– Você sabia que este penhasco é chamado de Kahelea? – Ele fez uma pausa breve, observando se ela reagiria. – Dizem que no passado, um guerreiro saltou daqui para salvar alguém no mar. Ele conseguiu, mas ninguém o viu voltar.

A mulher não respondeu. Em vez disso, seus ombros ficaram tensos, como se algo em sua voz a tivesse atingido profundamente. Lentamente, ela se virou, revelando um rosto jovem marcado por surpresa e emoção.

Jacob a encarou, confuso. Ela o olhava como se tivesse visto um fantasma. Ele deu um passo à frente, tentando entender o motivo de sua expressão.

– Você está bem? – perguntou, a preocupação em sua voz.

Sarah ficou imóvel, o choque evidente em seus olhos. Seu coração batia descompassado, e ela levou alguns segundos para formar palavras.

– Não pode ser... – ela murmurou, quase inaudível.

– Perdão? – Jacob franziu o cenho.

Sarah deu um passo para trás, tentando processar o que via. Era ele. Não havia dúvida. Mesmo com o cabelo um pouco mais grisalho e o semblante mais sério, era o pai que ela acreditava estar morto.

– É você – disse ela, a voz embargada.

Jacob recuou ligeiramente, o nome ressoando estranho, mas familiar. Ele olhou para ela com atenção renovada.

– Você me conhece? – perguntou, a confusão clara em suas palavras. – Como sabe meu nome?

Sarah sentiu as lágrimas queimarem seus olhos. Era como um reencontro de sonhos, mas com um toque cruel de realidade.

– Pai – disse ela, o peito apertado.