Jacob estava na sala de reuniões improvisada no posto de segurança de La Push. O mapa da região estava estendido sobre a mesa, enquanto ele analisava as rotas de evacuação. Ao seu redor, Sam, Riley, Seth, Paul e Jared aguardavam instruções.

— Precisamos agir rápido — Jacob disse, com a voz firme. — Os insetos gigantes estão avançando para o oeste, e se não retirarmos os moradores agora, pode ser tarde demais.

Sam cruzou os braços. — Quantos homens temos disponíveis?

— Não muitos — Riley respondeu. — Mas se agirmos com estratégia, conseguimos mover todo mundo antes que essas coisas cheguem.

Jacob assentiu. — Certo. Paul, Jared e Seth, vocês vão coordenar a evacuação nas casas mais próximas da trilha leste. Sam e Riley, venham comigo para organizar uma linha de defesa. Se essas coisas chegarem antes de terminarmos, precisamos segurá-las tempo suficiente para que todos escapem.

Os homens assentiram, determinados. Jacob então se voltou para os armamentos que estavam sobre a mesa — rifles, pistolas e munição especial. Ele começou a distribuir as armas, garantindo que todos estivessem bem equipados.

No canto da sala, Sarah pegou uma pistola e verificou o carregador com destreza.

— Você sabe atirar? — Jacob perguntou, surpreso.

Sarah sorriu, travando a arma. — Eu aprendi.

Jacob soltou um suspiro e colocou uma mão firme no ombro da filha.

— Então tome cuidado.

Ela sorriu ainda mais, e Jacob franziu o cenho.

— O que foi?

— Você é exatamente assim — ela respondeu, os olhos brilhando. — Superprotetor.

Jacob não conteve um sorriso e, num gesto instintivo, inclinou-se e beijou a testa dela. Sarah sentiu um calor no peito, uma emoção forte que quase a fez chorar. Aquele simples gesto significava mais do que qualquer palavra.

Antes que ela pudesse dizer algo, uma voz surgiu ao lado deles.

— Ei, Sarah…

Ela se virou e viu Seth, um pouco sem jeito, segurando um rifle enquanto tentava parecer casual.

— Precisa de ajuda com a arma? — ele perguntou, coçando a nuca.

Sarah ergueu uma sobrancelha, segurando a pistola com firmeza. — Acho que estou bem, mas obrigada.

Seth riu, sem graça. — É, imaginei… Você parece saber o que está fazendo.

Ela sorriu, e Seth percebeu que seu coração estava batendo um pouco mais rápido do que o normal. Jacob observou a interação por um momento, mas logo desviou a atenção para os preparativos. Eles não tinham tempo a perder.

— Vamos nos preparar — ele ordenou. — Partimos em cinco minutos.

A tensão na sala aumentou. Todos sabiam que aquela missão era uma corrida contra o tempo.

Jacob terminava de verificar seu rifle quando ouviu passos firmes atrás de si. Hope se aproximou, os braços cruzados, lançando um olhar decidido para ele.

— Estou indo com vocês — ela declarou.

Jacob suspirou e balançou a cabeça. — Não, Hope. Quero que você ajude Claire e Emily a preparar o abrigo provisório para as famílias resgatadas.

Hope franziu a testa. — Eu posso ser mais útil aqui fora.

Antes que Jacob pudesse responder, Sarah deu um passo à frente, cruzando os braços.

— Eu vou com o meu pai, Hope.

Ela enfatizou a palavra "pai" de propósito, e Hope a encarou com um sorriso cínico.

— Engraçado… Até outro dia você nem sabia que ele existia. Agora já quer monopolizar o tempo dele?

Sarah estreitou os olhos. — E até outro dia você não tinha problema em respeitar a autoridade dele.

Jacob fechou os olhos por um instante, já sentindo a dor de cabeça chegar.

— Chega. Desde quando você troca farpas com crianças, Hope?

Hope arregalou os olhos, claramente ofendida.

— Criança?!

— É, criança — Jacob respondeu sem paciência. — Você está se comportando como uma agora.

Hope bufou e deu um passo para trás, os punhos cerrados.

— Você vai perceber que está cometendo um erro — ela disse antes de se virar e sair dali pisando duro.

Jacob esfregou o rosto com as mãos, exausto antes mesmo da batalha começar.

Sam se aproximou, desviando o olhar para onde Hope havia desaparecido.

— Os outros homens estão seguindo os insetos. Vão tentar ganhar tempo para nós.

Jacob assentiu, retomando o foco.

— Então vamos.

Sem mais delongas, ele liderou o grupo para a floresta, sabendo que cada segundo contava.

Renesmee, Nahuel, Will e a pequena Julia seguiam pela trilha estreita que serpenteava pela floresta densa. O cheiro de terra úmida preenchia o ar, e os raios do sol filtravam-se pelas copas das árvores, criando sombras dançantes no chão. Depois de longos minutos de caminhada, o grupo finalmente emergiu em um pequeno vilarejo.

Nessie sorriu ao ver o local. Seu coração se aqueceu com as lembranças do passado — ela e Jacob costumavam vir ali quando namoravam. Lembrava-se das tardes despreocupadas, dos sorrisos trocados e dos momentos de cumplicidade. Era um dos lugares onde se sentia mais próxima dele.

Porém, seu momento nostálgico foi abruptamente interrompido pelo som de portas sendo fechadas às pressas. Pessoas corriam para dentro de suas casas ou juntavam seus pertences apressadamente, o pânico estampado em seus rostos.

Nessie instintivamente apertou Julia em seus braços, seus olhos varrendo a cena em busca de respostas. Nahuel franziu o cenho e segurou Will pelo braço, mantendo-o perto. Ele se aproximou de um homem que carregava um saco pesado e perguntou:

— O que está acontecendo?

O homem olhou para ele com urgência, o suor escorrendo por sua testa.

— Vocês precisam encontrar um local seguro! Muitas aranhas gigantes estão chegando!

Antes que pudesse responder, os gritos da população se intensificaram. Um som estranho, semelhante a um estalo alto e metálico, ecoou pela vila. Renesmee virou-se a tempo de ver uma criatura horrenda emergindo da floresta.

Era um inseto gigante, com patas longas e afiadas, olhos multifacetados que refletiam a luz e presas que pingavam um líquido viscoso.

Nahuel imediatamente engatilhou a arma e assumiu uma postura defensiva.

— Nessie, proteja as crianças!

Renesmee não hesitou. Segurando Julia firmemente, começou a correr junto com Will, mas o caos ao redor tornou tudo mais difícil. Pessoas corriam em todas as direções, esbarrando neles, e em um instante, Renesmee e Will foram separados.

— Will! — ela gritou desesperada, tentando vê-lo através da multidão.

Will tentou alcançá-la, mas as pessoas que fugiam formavam uma barreira entre eles.

Nahuel percebeu a situação e imediatamente se posicionou entre o garoto e o perigo.

— Eu vou protegê-lo! Vá, Nessie, leve Julia para um lugar seguro!

Antes que Renesmee pudesse reagir, um homem em pânico esbarrou nela com força, fazendo-a perder o equilíbrio. O impacto a jogou no chão, e Julia escorregou de seus braços, rolando alguns metros adiante.

— Julia! — Renesmee gritou desesperada, ignorando a dor ao se levantar apressada.

Ao longe, o som dos disparos ecoava pela vila. Nahuel e alguns moradores tentavam conter o monstro que emergira da floresta, suas armas rugindo contra a criatura. Mas Renesmee mal conseguia focar na batalha — seus olhos estavam presos na pequena figura parada próximo à borda da floresta.

Julia, confusa e assustada, olhava ao redor com seus grandes olhos, parecendo procurar pela mãe. E foi então que Renesmee viu.

Um gafanhoto gigantesco se aproximava, suas pernas poderosas esmagando o chão com cada passo. Seus olhos negros e brilhantes refletiam a luz, e suas mandíbulas afiadas se moviam nervosamente, emitindo um som assustador.

O coração de Renesmee parou por um instante.

— Julia, corra! — ela gritou, movendo-se o mais rápido que pôde.

Mas a menina, paralisada de medo, não se moveu. O gafanhoto avançava, sua sombra se projetando sobre a pequena forma indefesa.

O tempo parecia desacelerar, e tudo o que Nessie conseguia pensar era que precisava chegar até sua filha antes que fosse tarde demais.

........


Jacob dirigia a caminhonete com firmeza, os olhos atentos à estrada improvisada que haviam traçado pela floresta. O comboio seguia atrás dele, os veículos sacolejando no terreno irregular. De repente, um zumbido intenso preencheu o ar, um som ameaçador que fez os cabelos da nuca de Sarah se arrepiarem.

Ela olhou para cima e viu as sombras das moscas gigantes sobrevoando a copa das árvores. Seus olhos se arregalaram, e ela segurou com mais força a arma que levava.

— Elas estão sobre nós… — murmurou, sentindo o pânico crescer.

Seth, sentado ao lado dela, soltou uma risada divertida.

— O que foi, princesa? Está com medo de uns insetinhos?

Sarah lançou-lhe um olhar mortal.

— Quero ver você rir quando uma delas pousar bem na sua cara!

— Eu mato antes disso.

Jacob não perdeu tempo.

— Todos fora do carro! Vamos nos camuflar nas árvores!

O grupo obedeceu sem questionar, deslizando para fora da caminhonete e adentrando a floresta densa. Os zumbidos das moscas ainda ecoavam, mas agora estavam se afastando, como se tivessem detectado algo mais interessante adiante.

Foi então que o som de disparos veio do vilarejo.

Jacob prendeu a respiração por um segundo antes de falar:

— Chegamos tarde…

Sem hesitação, ele correu em direção à origem dos tiros, e os outros o seguiram.

— Vamos nos separar! — ele ordenou. — Assim cobrimos mais área e ajudamos mais rápido!

Seth assentiu e preparou sua arma.

Jacob virou-se para Sarah.

— Você vai com Seth.

Sarah franziu a testa, claramente contrariada.

— O quê?

— É mais seguro.

Ela hesitou por um momento, mas a expressão séria do pai não deixava espaço para discussão. Bufando, ela cruzou os braços.

— Tudo bem…

Seth sorriu de canto.

— Vamos, ruivinha.

Sarah revirou os olhos, mas o seguiu.

Paul observou os dois caminhando lado a lado e riu.

— Já estão apaixonados!

Jacob revirou os olhos e empurrou Paul para a frente.

— Cala a boca e anda logo!

O grupo se dispersou, correndo para ajudar os habitantes do vilarejo, prontos para enfrentar o terror que os aguardava.

Os primeiros tiros ecoaram assim que o grupo de Jacob chegou ao vilarejo. O caos dominava o ambiente—pessoas corriam desesperadas, algumas tentando se proteger dentro das casas, outras caindo no chão na pressa de fugir. Os insetos gigantes avançavam pelas ruas estreitas, suas patas esmagando tudo em seu caminho.

Jacob ergueu sua arma e disparou contra uma das criaturas mais próximas, atingindo-a bem no tórax. O monstro recuou por um instante antes de tombar morto. Ao seu lado, Sam, Paul e Jared faziam o mesmo, eliminando os insetos um por um.

— Para trás! Sigam naquela direção! — Jacob gritou para um grupo de moradores que se encolhiam contra uma parede. — Vamos abrir caminho para vocês!

Os sobreviventes acenaram, correndo para longe enquanto Jacob e os outros cobriam a fuga com tiros bem calculados.

De repente, em meio ao tumulto, um detalhe congelou Jacob por dentro.

Uma criança pequena estava parada próxima à borda da floresta, os olhos arregalados de terror enquanto um gafanhoto gigantesco avançava a toda velocidade, pronto para atacá-la.

Sem pensar, Jacob disparou em disparada.

Ele usou toda a sua força, ignorando as pessoas que tentavam correr ao seu redor, derrubando qualquer obstáculo que aparecesse. O tempo parecia desacelerar enquanto o monstro se aproximava cada vez mais da criança indefesa.

Faltavam poucos metros.

Jacob estendeu os braços e, com um impulso final, agarrou a criança e rolou com ela para longe da trajetória do inseto. O gafanhoto gigante investiu no espaço vazio onde a criança estivera um segundo antes.

— Agora, Sam! — Jacob berrou.

Sam, que já tinha a mira pronta, apertou o gatilho. Uma rajada de tiros atingiu o monstro, que deu um salto para trás, retorcendo-se antes de finalmente desabar no chão.

Os gritos de pânico ainda ecoavam ao redor.

Jacob se apressou a olhar para a criança em seus braços—uma garotinha de cabelos castanhos e olhos grandes.

Antes que pudesse perguntar se ela estava bem, um grito cortou o ar.

Era um grito feminino, desesperado.

Jacob virou-se na direção do som, o coração acelerado.

E então ele viu.

Uma mulher corria em sua direção, os olhos arregalados de horror, como se estivesse prestes a perder algo precioso.

E foi nesse instante que Jacob sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Aquela voz…

Aquele rosto…

O mundo ao seu redor pareceu parar.