Invasão
45 Ele esta vivo
O tempo parecia ter desacelerado para Renesmee.
Ela correu como nunca antes, os olhos fixos em Julia, que estava parada, congelada de medo, enquanto o gafanhoto gigante se aproximava. Seu coração batia descompassado, o pânico crescendo em sua garganta como um grito sufocado.
— JULIA! — ela gritou com todas as suas forças, as lágrimas ameaçando cair.
Mas antes que pudesse alcançá-la, um vulto surgiu em alta velocidade, passando por entre as pessoas que corriam em desespero. Um homem. Forte. Determinado.
E então, em um instante que pareceu eterno, ele saltou, agarrando Julia e rolando com ela para longe do perigo.
O tempo voltou a correr normalmente, e o disparo de um rifle ecoou no ar. O gafanhoto monstruoso tombou no chão, morto.
Renesmee arfou, sentindo as pernas fraquejarem. Seu olhar se fixou no homem que salvara sua filha, que segurava Julia em seus braços com firmeza, como se sua própria vida dependesse disso.
E então ela viu o rosto dele.
Seu mundo desmoronou.
Ela ficou sem ar.
O peito subia e descia de forma errática, os olhos se arregalando, incapazes de acreditar no que estavam vendo.
Não podia ser.
Seu corpo reagiu antes que sua mente pudesse processar. Ela correu, o coração disparado, as lágrimas agora caindo sem controle pelo seu rosto.
— JACOB! — sua voz saiu como um soluço.
Ele ergueu o olhar.
E naquele momento, algo dentro dele se agitou.
Jacob sentiu um aperto estranho no peito ao ver a mulher correndo em sua direção. Havia algo nela... algo que fazia seu coração acelerar, que provocava um calor familiar em seu corpo. Mas ele não conseguia identificar.
Ele deveria conhecê-la? Era a mulher que havia habitado seu sonhos nos últimos anos de memorias vazias.
Ela parou abruptamente diante dele, os olhos brilhando de lágrimas, os lábios trêmulos.
— Jacob... — a voz de Renesmee se quebrou ao tocar o rosto dele com as mãos trêmulas.
Ele a observou, confuso, o nome soando estranho e ao mesmo tempo tão natural em seus ouvidos.
Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, um rugido ensurdecedor irrompeu pela rua.
Outro gafanhoto gigante avançava, suas patas esmagando o que encontrava pelo caminho.
Jacob reagiu no mesmo instante.
Ele envolveu Renesmee e Julia em seus braços, girando para protegê-las enquanto se abaixava. O monstro saltou na direção deles, mas antes que pudesse alcançá-los, uma explosão de tiros o atingiu. Sam e os outros abriram fogo, e o gafanhoto caiu, morto.
Renesmee tremia nos braços de Jacob, sua respiração errática. Ele olhou para ela, sentindo aquela mesma inquietação dentro de si.
Ela era sua mulher? Por isso seu corpo reagia dessa forma ao tê-la tão perto?
— Mãe!
Jacob se virou a tempo de ver Sarah se aproximando, trazendo Will consigo. O garoto olhou surpreso para o pai vivo e lagrimas rolaram em seu rosto e impulsivamente o abraçou, Jacob não esboçou reação. — Pai...disse o adolescente soluçando – você está vivo.
Renesmee olhou para a filha, ainda atordoada, os olhos implorando por respostas.
Sarah parou à sua frente, ofegante.
— Mãe..o que fazem aqui? — ela hesitou e olhou para seu pai — Ele não lembra de nada. O papai perdeu a memória.
O chão pareceu desaparecer sob os pés de Renesmee.
— O quê? — sua voz saiu trêmula, o choque evidente.
Ela olhou para Jacob, buscando nos olhos dele qualquer sinal de reconhecimento, de lembrança. Mas tudo que encontrou foi confusão.
Ele abriu a boca para dizer algo, mas Sam interrompeu.
— As explicações ficam para depois! Precisamos sair daqui!
Seth apareceu correndo, o rosto tenso.
— Temos homens feridos!— ele gritou.
Renesmee virou-se na mesma hora, e seu coração quase parou ao ver quem estava entre os feridos.
Nahuel.
Ela arfou, a dor em seu peito se tornando insuportável.
— Não... — murmurou, correndo até ele.
Jacob observou enquanto Renesmee se ajoelhava ao lado do homem desacordado. Algo dentro dele se revirou, uma sensação estranha e incômoda, como se estivesse presenciando algo que não deveria.
Ele não sabia quem era aquela mulher. Não lembrava de nada.
Mas ao vê-la desesperada por outro homem, uma raiva inexplicável tomou conta de seu peito.
Horas depois, o abrigo provisório no norte de La Push estava repleto de pessoas, algumas feridas, outras simplesmente abaladas pelos acontecimentos. O lugar improvisado servia como um refúgio temporário para aqueles que conseguiram escapar do ataque dos insetos gigantes.
Renesmee estava sentada em uma cadeira de madeira perto da lareira acesa, mas a sensação de frio dentro dela não passava. Seus pensamentos giravam em círculos, sua mente tentando processar tudo o que Sarah lhe dissera.
Jacob estava vivo.
Vivo.
Ela repetiu essa palavra em sua cabeça inúmeras vezes, mas ainda parecia irreal.
Ele não apenas estava vivo, mas sem memórias, sem lembrar dela, sem lembrar de seus filhos, sem lembrar de quem era. E, pior, ainda corria perigo caso fosse descoberto. O que tinham feito com ele? Como seu pai foi capaz de chegar a esse ponto pelo poder?
Ela passou as mãos trêmulas pelo rosto, tentando conter as lágrimas. Mas sua preocupação com Jacob era dividida com a aflição crescente pela falta de notícias de Nahuel. Já fazia mais de uma hora que as enfermeiras o haviam levado para o pequeno hospital improvisado. Cada minuto sem uma atualização era um tormento.
O som da porta sendo aberta a tirou de seus devaneios.
Renesmee ergueu o olhar e viu uma mulher entrar. Seu coração apertou ao reconhecer o rosto familiar.
— Emily... — sua voz saiu num sussurro.
Emily, a esposa de Sam, sorriu com doçura, mas havia tristeza em seu olhar. Sem hesitar, ela se aproximou e a envolveu em um abraço apertado.
— Renesmee... Eu senti tanto a sua falta.
Nessie fechou os olhos, se permitindo afundar no abraço caloroso da amiga. Era um pequeno conforto no meio de tanto caos.
Quando se afastaram, Renesmee notou o olhar hesitante de Emily, que segurava suas mãos como se quisesse lhe dar forças para o que viria a seguir.
— O que foi?— Nessie perguntou, apreensiva.
Emily suspirou pesadamente.
— É sobre Nahuel...
Renesmee sentiu seu corpo ficar tenso.
— Ele está bem?
O silêncio prolongado foi como uma facada em seu peito.
— Infelizmente, uma aranha feriu Nahuel... e o veneno já está se espalhando pelo corpo dele. — Emily disse com pesar. — Não há nada que possamos fazer.
O mundo de Renesmee parou.
O ar ficou pesado, difícil de respirar.
— Não... não, isso não pode estar acontecendo.— ela balançou a cabeça em negação, a voz embargada. — Tem que haver algo! Ele não pode...
As palavras morreram em sua garganta quando lágrimas quentes escorreram por seu rosto.
Sarah se aproximou e a envolveu em um abraço protetor.
— Mãe... — a voz dela era firme, mas cheia de emoção. — Eu estou aqui. Nós vamos passar por isso juntas.
Renesmee chorou no ombro da filha, o peso de tudo caindo sobre ela.
Will, que observava tudo, sentiu a urgência de fazer algo.
Ele olhou para a pequena Julia e, com delicadeza, pegou a irmã no colo.
— Vem, maninha. Vamos ver passarinhos.
Julia olhou para a mãe, que ainda chorava, e depois para Will. Sem questionar, apenas assentiu, confiando no irmão.
Renesmee viu quando Will saiu com a irmã nos braços, afastando-a daquele ambiente carregado de dor.
Sarah apertou a mãe um pouco mais forte.
— Vai ficar tudo bem, eu prometo.
Renesmee queria acreditar nisso.
Mas, naquele momento, tudo parecia desmoronar.
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