Invasão
15 O resgate
Jacob avançava com determinação, enfrentando uma das criaturas colossais que rugia à sua frente. Ele esquivou-se de um golpe mortal e cravou sua lâmina improvisada no flanco da fera, que soltou um grito ensurdecedor. Antes que pudesse recuar para terminar o trabalho, outra criatura surgiu pelo lado, atacando-o de surpresa.
O impacto o jogou ao chão, e ele rolou para evitar as garras afiadas que rasgaram o concreto ao seu lado. Quando Jacob tentou se levantar, a criatura se preparava para o golpe final, mas um disparo certeiro acertou sua cabeça.
Jessica surgiu ao lado dele, segurando sua arma ainda fumegante.
— De nada, gatão – disse ela com um meio sorriso, ajeitando o cabelo para trás enquanto mantinha os olhos nas criaturas ao redor.
Jacob assentiu brevemente, levantando-se. – Obrigado.
Sem perder tempo, ele abateu a criatura que ainda lutava com ele, fincando a lâmina em sua cabeça. Enquanto a fera tombava, Emmett gritou:
— Isso é o ninho delas!
Todos olharam ao redor, percebendo a quantidade de criaturas emergindo das sombras. Riley apontou para frente, a expressão de incredulidade no rosto.
— Aquilo é um menino?
Jacob seguiu o olhar de Riley e viu uma pequena figura correndo em meio aos escombros. Seu coração parou por um instante ao reconhecer o cabelo castanho claro e a pequena silhueta de Will.
— Will! – Jacob gritou com todas as suas forças, o som de sua voz ecoando pelos destroços.
Will virou a cabeça, os olhos arregalados ao ver seu pai.
— Papai! – ele gritou de volta, correndo em sua direção, sem perceber as criaturas que se aproximavam por trás dele.
— Protejam o menino! – gritaram Emmett e Jasper em uníssono, enquanto todos os soldados avançavam, abrindo fogo contra as criaturas.
Jacob correu com tudo o que tinha, desviando de destroços e monstros, seus olhos fixos em Will. O som do combate era ensurdecedor, mas sua única preocupação era alcançar o filho.
Will tropeçou, quase caindo, mas Jacob o pegou antes que pudesse atingir o chão, puxando-o para seus braços. Lágrimas desceram pelo rosto de Jacob enquanto ele segurava o menino com força, sentindo o pequeno corpo tremer em seus braços.
— Papai! – Will chorou, enterrando o rosto no peito de Jacob. – Eu achei que você nunca mais ia me encontrar.
— Shhh, tá tudo bem agora – Jacob respondeu, segurando o rosto do filho com as mãos. Ele enxugou as lágrimas do garoto com o polegar, o coração apertado pela dor e alívio. – Você é tão forte, meu garoto. Estou aqui. Papai está aqui.
Will soluçou. – Sarah... ela está dentro do prédio. Presa nas pedras.
Jacob arregalou os olhos, olhando na direção do museu. A preocupação em seu rosto era clara.
Laurent aproximou-se rapidamente, a arma pronta. – O prédio está em péssimas condições. Pode desabar a qualquer momento.
Jacob olhou para Will, sua voz firme apesar do medo.
— Fica com o tio Laurent, tá bom? Eu vou buscar sua irmã.
Will segurou a mão de Jacob com força. – Não, pai! Não vai embora!
Jacob beijou a testa do filho, apertando-o em um breve abraço.
— Eu volto, prometo. Só preciso buscar a Sarah. Eu preciso que você seja forte por mim, campeão.
Will hesitou, mas assentiu com lágrimas nos olhos. Jacob colocou o menino no chão e entregou-o a Laurent antes de olhar para seus companheiros.
— A cobertura é minha. Entrem e me deem espaço. Sarah está lá dentro. Eu não saio daqui sem os dois.
Riley, Emmett e Jessica trocaram olhares, a determinação estampada em seus rostos.
— Vamos acabar com essas criaturas – disse Emmett, dando um sorriso desafiador. – E abrir caminho para você, chefe.
Jacob assentiu, limpando o rosto e ajustando sua arma. – Vamos mostrar para essas coisas quem manda.
Jacob corria por entre os escombros do museu, o coração disparado. O som de criaturas e combate ao fundo parecia distante enquanto ele gritava desesperadamente:
— Sarah! Onde você está?
Uma voz fraca, mas cheia de alívio, respondeu.
— Pai! Eu tô aqui!
Seguindo a direção do som, ele saltou sobre destroços e empurrou pedaços de madeira até avistá-la: Sarah estava presa, com metade do corpo sob um pedaço grande de parede. Ela chorava, mas seus olhos brilhavam ao ver o pai.
— Pai, você veio... – disse ela, soluçando.
Jacob ajoelhou-se ao lado dela, acariciando seu rosto com cuidado.
— Claro que vim. Está tudo bem agora, meu amor. Eu vou tirar você daqui.
— Tá doendo, pai... – Sarah sussurrou, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Eu sei, querida, mas você é forte. Mais forte do que imagina. Eu vou te tirar daqui, prometo.
Jacob tentou erguer o pedaço de parede, mas era pesado demais. Ele cerrou os dentes e tentou novamente, sem sucesso. O prédio tremeu, fazendo Sarah soltar um grito de medo.
— Pai! Está desmoronando! – ela chorou.
— Olha pra mim, Sarah – disse Jacob, firme. – Eu não vou deixar nada acontecer com você. Fique comigo, tá bem?
Antes que ele pudesse tentar novamente, Riley e Jessica apareceram pelo corredor, armas em mãos.
— Jacob! Viemos dar cobertura – disse Riley. – O tempo está acabando.
Jessica rapidamente foi para o lado de Sarah, ajoelhando-se ao lado dela.
— Jacob, o que você precisa? – ela perguntou.
— Me ajudem a tirar esse pedaço de parede. Jessica, quando movermos, puxe a Sarah. Preciso que faça isso rápido.
Jessica assentiu, virando-se para Sarah.
— Ei, garota. Escuta aqui – disse Jessica, segurando a mão de Sarah. – Isso vai doer um pouco, mas eu vou tirar você daqui, entendeu? Você é forte. Herdou isso do seu pai.
Sarah fungou, olhando para Jessica. – Você acha mesmo?
Jessica sorriu. – Tenho certeza. Vamos fazer isso juntas, tá bom?
Jacob olhou para Riley, que já estava posicionado ao lado da pedra.
— No três, Riley.
Os dois firmaram as mãos na grande pedra enquanto Jessica se preparava.
— Um... dois... três!
Com toda a força, Jacob e Riley ergueram o pedaço de parede, o som de pedras arrastando ecoando pelo corredor. Jessica puxou Sarah com cuidado, usando toda a sua força para tirá-la do lugar antes que o prédio tremesse novamente.
Quando a pedra caiu de volta, Sarah estava livre, chorando de alívio enquanto Jessica a segurava nos braços.
— Conseguimos – Jessica disse, ofegante, mas com um sorriso.
Jacob rapidamente pegou Sarah nos braços, apertando-a contra si.
— Você está bem, querida? – ele perguntou, olhando para ela com preocupação.
— Tô... agora tô, pai – Sarah respondeu, abraçando-o com força.
Riley olhou para o teto instável e disse com urgência:
— Precisamos sair daqui. Agora.
Jacob segurou Sarah com firmeza, assentindo. – Vamos.
Com cuidado, o grupo começou a correr pelos corredores destruídos, prontos para deixar o prédio antes que desabasse completamente.
O veículo acelerou, balançando enquanto cruzava as ruas esburacadas e cheias de destroços. No banco de trás, Jacob segurava Sarah contra o peito, sentindo o peso do desmaio da filha e a dor de vê-la tão vulnerável. Will estava ao lado dele, abraçado com força, como se temesse que seu pai também pudesse desaparecer.
Jessica, sentada de frente para Jacob, abriu sua mochila com pressa.
— Deixe-me ver a perna dela – disse, a voz firme, mas com um toque de preocupação.
Jacob hesitou por um momento, mas assentiu, deitando Sarah com cuidado no banco entre ele e Will.
— Ela está muito fraca – Jacob murmurou, sua voz baixa e cheia de culpa. – Isso é culpa minha.
Jessica colocou a mão no ombro dele, firmemente.
— Não é culpa sua. Você a encontrou. E agora ela tem uma chance, Jacob. Confie em mim.
Enquanto examinava a perna de Sarah, Jessica limpou rapidamente o ferimento com água de um cantil, improvisando um curativo com pedaços de tecido.
— O ferimento não é profundo, mas ela perdeu sangue e está exausta. Ela precisa descansar e comer algo assim que possível – Jessica explicou, enquanto trabalhava.
Jacob suspirou, o peso das palavras dela atingindo-o, mas ele permaneceu em silêncio.
Will, ainda abraçado ao pai, olhou para Jessica com olhos arregalados.
— A Sarah vai ficar bem? – perguntou, a voz trêmula.
Jessica olhou para o menino e sorriu suavemente.
— Vai sim, Will. Ela é forte, igual a mãe e ao irmão mais novo dela – respondeu, piscando para ele.
Will apertou mais o abraço no pai, enquanto Jacob acariciava os cabelos do filho.
— Eu estou aqui agora – Jacob disse, a voz embargada. – Não vou deixar nada acontecer com vocês.
Laurent, no banco do passageiro, olhou para trás por cima do ombro.
— Precisamos encontrar um lugar seguro, Jacob. Estamos com poucos suprimentos e as criaturas estão se multiplicando.
Jacob apenas assentiu, os olhos fixos em Sarah. Ele sabia que precisava tomar decisões rápidas, mas naquele momento tudo o que conseguia fazer era manter seus filhos perto e se certificar de que estavam vivos.
Riley, no volante, falou sem tirar os olhos da estrada.
— Há um ponto de encontro ao norte, uma antiga base militar. Não é longe, mas precisamos ser rápidos.
— Faça isso – respondeu Jacob, sua voz firme retornando.
Jessica terminou de cuidar de Sarah e se recostou, observando Jacob com um olhar que misturava admiração e preocupação.
— Você os encontrou, Jacob. Isso é o mais importante – disse ela suavemente.
Jacob não respondeu, apenas abraçou Will e Sarah mais apertado, enquanto o veículo seguia seu caminho pelas ruas devastadas.
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