Invasão

13 Esperança


Duas horas antes da partida

A sala de reuniões no bunker presidencial era austera, equipada apenas com uma longa mesa de metal e monitores que transmitiam informações em tempo real. Jessica Stanley estava ajustando os últimos detalhes do seu traje militar quando a porta se abriu, revelando Edward Cullen, o presidente dos Estados Unidos. Sua presença era imponente, e Jessica imediatamente se endireitou, em sinal de respeito.

— Senhor Presidente – cumprimentou ela, levando a mão à testa em um gesto de continência.

Edward fez um gesto breve com a mão, dispensando a formalidade.

— À vontade, agente Stanley. Precisamos conversar.

Jessica relaxou a postura, mas manteve a atenção no homem à sua frente.

— Estou à disposição, senhor.

Edward caminhou até a cabeceira da mesa e cruzou os braços, observando-a com intensidade.

— Quero que você faça algo por mim durante a missão – começou ele, direto.

— O que for necessário, senhor – respondeu ela com firmeza.

Edward hesitou por um momento, como se escolhesse as palavras com cuidado.

— Preciso que você encontre uma forma de separar Jacob de Renesmee assim que resgatarmos as crianças.

Jessica piscou, surpresa, mas manteve o tom profissional.

— Com todo o respeito, senhor, essa não parece ser uma prioridade neste momento. Estamos lidando com uma crise global, e o resgate é o foco principal.

Edward deu um passo à frente, os olhos fixos nos dela.

— Eu entendo sua preocupação, mas isso é pessoal. Quando essa crise terminar – e ela terminará – quero que minha filha e meus netos fiquem comigo. Já perdi minha família antes, agente Stanley, e não vou perder novamente.

Jessica franziu o cenho, escolhendo as palavras com cuidado.

— Senhor, posso perguntar por que acredita que minha intervenção seria necessária?

Edward suspirou, os ombros ligeiramente tensos.

— Jacob é um homem leal, mas o coração dele já foi seu antes. Eu acredito no seu poder de influência, Jessica. Quero que use isso para... plantar uma dúvida.

Ela mordeu a parte interna da bochecha, ponderando.

— E se eu fizer isso, senhor, o que acontece depois? Mesmo que Jacob se afaste, ele não voltará para mim. Ele tomou uma decisão.

Edward a encarou com firmeza.

— Isso não é sobre o que acontece depois. É sobre o agora. Ele precisa focar na missão e na segurança das crianças, e você é a pessoa ideal para desviar a atenção dele.

Jessica respirou fundo antes de assentir.

— Entendido, senhor. Farei o meu melhor.

Edward relaxou um pouco, sua expressão suavizando.

— Confio em você, agente Stanley.

Ela fez um leve aceno, voltando a ajustar seu equipamento enquanto ele saía da sala. Assim que a porta se fechou, Jessica deixou escapar um suspiro, sabendo que a missão que Edward lhe entregara era, talvez, a mais desafiadora de sua vida.

...

Foggy Bottom, 3 horas após a partida do abrigo.

O bairro de Foggy Bottom estava irreconhecível. Estruturas parcialmente destruídas bloqueavam as ruas, os destroços das fachadas refletiam a luz fria da manhã, e o silêncio opressor era pontuado apenas pelo som de passos cautelosos. Jacob liderava a equipe, atento a cada detalhe ao seu redor, enquanto moviam-se pelo labirinto de escombros.

Seus olhos captaram algo no chão, entre os fragmentos de vidro. Ele parou abruptamente, causando estranheza nos outros. Lentamente, abaixou-se e pegou o objeto: uma bombinha de asma com as iniciais WB gravadas.

Seu coração disparou. Um turbilhão de emoções o atingiu: preocupação pelo que seus filhos poderiam estar enfrentando, dor pela incerteza, mas também uma centelha de esperança.

Jessica percebeu sua hesitação e se aproximou com cuidado.

— Jacob, está tudo bem? – perguntou ela, inclinando-se para ver o que ele segurava.

Ele levantou a bombinha, exibindo-a como uma prova silenciosa.

— É do Will – disse, a voz rouca. – Meu filho passou por aqui.

Jessica sorriu, tocando levemente o braço dele em um gesto que parecia de consolo, mas carregava uma intenção mais sutil.

— Estamos no caminho certo – disse ela com um tom encorajador.

Jacob assentiu, ainda encarando a bombinha como se fosse a única âncora para sua sanidade naquele momento.

Emmett e Jasper se aproximaram, alertados pela pausa.

— O que você encontrou? – perguntou Emmett, olhando para o objeto na mão de Jacob.

— É do meu filho – respondeu Jacob, com determinação renovada no olhar. – Eles passaram por aqui.

Jasper olhou ao redor, analisando o terreno.

— Para onde agora?

Jacob ergueu os olhos, como se estivesse lendo o mapa do bairro em sua mente, conectando os pontos de fuga mais prováveis.

— Georgetown – respondeu ele com firmeza. – Eles devem estar indo para lá.

Jessica estreitou os olhos.

— Tem certeza?

Jacob olhou para ela com convicção.

— Sim. Sarah sabe que Georgetown é a melhor rota para chegar ao Museu Militar. É onde eles encontrarão abrigo e talvez ajuda.

Emmett estalou os dedos, animado.

— Então, o que estamos esperando? Vamos pegar essas crianças e sair daqui.

Jacob guardou a bombinha no bolso, como uma promessa silenciosa a si mesmo.

— Vamos – disse ele, liderando novamente o grupo. – Já perdemos muito tempo.

A equipe seguiu com passos apressados, a tensão no ar os mantendo em alerta, mas o achado recente trouxe uma nova chama de esperança para todos.

A noite caiu pesada sobre Georgetown, mas o bairro continuava a pulsar com sons distantes de ameaças. Depois do confronto com as criaturas, o grupo recuou para uma área mais segura nos arredores da cidade, onde a floresta densa oferecia alguma proteção natural. Cansados, montaram um pequeno acampamento.

Jacob, sentado diante da fogueira, olhava fotos em seu celular. A luz da chama refletia em seus olhos, destacando uma expressão de saudade misturada com determinação. Imagens de Renesmee, Sarah e Will deslizavam pela tela. Eles eram sua razão para continuar.

Jessica se aproximou, sentando ao lado dele. Por um momento, o som do crepitar da fogueira preencheu o espaço entre eles antes de ela falar.

— Seus filhos são lindos – disse, com um tom de admiração genuína. – O garoto é a sua cara. E a menina... é toda a Renesmee.

Jacob não tirou os olhos do celular, mas um leve sorriso surgiu em seu rosto.

— Eles são tudo para mim – respondeu, a voz baixa, quase reverente.

Jessica inclinou a cabeça, o observando com atenção antes de soltar:

— Sabe, eles poderiam ser nossos filhos.

Jacob finalmente a olhou, a sobrancelha arqueada.

— Você disse que não queria casar. Nem ter filhos.

Jessica soltou um suspiro pesado e desviou o olhar para a fogueira.

— Fui uma idiota, Jacob.

Ele deu uma risada breve, sem humor, e balançou a cabeça.

— Não. Foi bom você não ter aceitado. Se tivesse, eu não teria a família que tenho hoje. E eles... – ele ergueu o celular, mostrando uma foto de Renesmee segurando as crianças. – ...são o que mais amo no mundo.

Jessica engoliu seco, sentindo o peso da declaração. Antes que pudesse responder, Jacob levantou-se.

— Vou descansar. Vamos sair ao amanhecer.

Sem esperar por uma resposta, ele caminhou até sua barraca, deixando Jessica sozinha diante da fogueira.

Ela olhou para as chamas, apertando os próprios braços, como se a verdade admitida por Jacob tivesse perfurado algo em sua própria armadura.

— Vai ser mais difícil do que imaginei – murmurou para si mesma, sua voz um eco perdido na noite silenciosa.