Invasão
14 Museu militar
O som de destruição do lado de fora fez Sarah acordar sobressaltada. Ela olhou ao redor rapidamente, vendo Will encolhido perto das prateleiras vazias da farmácia. Seu irmão estava pálido, os olhos arregalados e marejados.
— Sarah... – Will sussurrou, com a voz trêmula. – O que é isso?
Ela engoliu seco e tentou manter a calma.
— Está tudo bem, Will. Vamos ficar bem. Eu prometo.
Se aproximando dele, fez sinal para que ele se levantasse. Juntos, eles espiaram pela brecha da porta por onde haviam entrado. Do lado de fora, uma criatura enorme caminhava, seu corpo grotesco e monstruoso refletindo a luz esverdeada das ruas destruídas. Sarah conteve a respiração.
— Temos que sair daqui – sussurrou, segurando o braço de Will. – Fica perto de mim, tá bom?
Will assentiu, embora seu rosto mostrasse puro terror.
Sarah rapidamente começou a encher sua mochila com o que encontrava: bombinhas, analgésicos e um pacote de biscoitos amassados. Com cuidado, pegou a mão de Will e os guiou até os fundos da farmácia. Lá, encontraram uma saída lateral que dava para um beco estreito e escuro.
— Vamos para aquele prédio ali na frente – Sarah disse, apontando para um edifício relativamente intacto. – Precisamos pegar a Massachusetts Avenue para chegar ao Museu Militar. É a nossa melhor chance.
Will puxou o braço dela, a voz baixa e vacilante.
— Estou com medo, Sarah.
Ela se abaixou, olhando nos olhos dele.
— Eu sei, Will. Eu também estou. Mas o papai está vindo. Ele vai nos encontrar. Até lá, precisamos ser fortes. Juntos, lembra?
Will apertou a mão dela com força, assentindo devagar.
Eles correram para o prédio à frente, entrando por uma porta parcialmente quebrada. Por dentro, o lugar estava vazio, mas havia sinais de destruição: móveis virados, paredes marcadas por garras. Sarah caminhava com cuidado, os sentidos aguçados para qualquer som.
— Fica perto de mim e não faz barulho – sussurrou.
Eles cruzaram o prédio e saíram pelo outro lado, novamente se escondendo nas sombras. Assim continuaram, entrando e saindo de construções para evitar serem vistos pelas criaturas.
— Sarah... – Will chamou em um momento, apontando para um carro tombado na rua. – Tem comida ali, eu acho.
Sarah olhou na direção indicada e viu uma sacola dentro do carro, com embalagens de comida expostas.
— Não vale o risco, Will – respondeu, puxando-o para continuar. – A gente tem o suficiente por enquanto.
Eles seguiram assim, sempre atentos, movendo-se como sombras. A cada passo, Sarah sentia a responsabilidade pesar mais sobre seus ombros, mas ela não podia ceder ao medo. Seu pai e sua mãe a ensinaram a ser corajosa, e agora ela precisava ser tudo isso por Will.
— Estamos chegando, Will – disse, com uma confiança que ela não sabia se era real. – Mais um pouco e estaremos no Museu.
Will apertou sua mão de novo, e ela respondeu ao gesto com um olhar determinado. Se havia algo que ela sabia com certeza, era que não iria desistir. Não até estarem seguros.
Sarah e Will, exaustos e ofegantes, finalmente chegaram ao Museu Militar. Parte do prédio estava em ruínas, mas a entrada principal ainda parecia acessível. Sarah olhou para o irmão, forçando um sorriso enquanto apontava para o museu.
— Chegamos, Will. É aqui.
Will assentiu, o rosto ainda pálido, mas com um vislumbre de esperança. Antes que pudessem entrar, porém, uma voz grave os fez congelar.
— O que temos aqui?
Um homem robusto e maltrapilho saiu das sombras, com um sorriso cínico nos lábios. Sarah instintivamente puxou Will para trás de si, protegendo-o com o corpo.
— Só estamos tentando nos proteger – disse Sarah, a voz firme apesar do medo.
O homem riu, um som seco e debochado.
— Protegendo, é? Esse lugar aqui é nosso. Tudo que entra aqui também.
Antes que Sarah pudesse responder, outros três homens apareceram, cercando-os. Um deles, mais magro, tomou a mochila de Sarah com um puxão brusco.
— Ei! Isso é meu! – protestou Sarah, tentando pegá-la de volta.
O homem a empurrou de leve, mas com força suficiente para fazê-la dar um passo para trás.
— Não mais, mocinha. Aqui a gente pega o que precisa.
Enquanto vasculhava a mochila, um dos homens encontrou a arma de Sarah. Ele a segurou no alto, sorrindo de maneira provocadora.
— Olha só, pessoal. Criança andando armada. Isso é perigoso, sabia?
Antes que alguém pudesse reagir, ele apontou a arma para o alto e puxou o gatilho. O som do disparo ecoou pela área.
— Você tá louco?! – gritou outro homem, visivelmente furioso. – Tá querendo chamar atenção?
Mas era tarde demais. O disparo atraiu criaturas que começaram a surgir pelas ruas próximas. Os homens entraram em pânico, alguns tentando fugir, outros sacando armas para lutar.
— Will, corre! – gritou Sarah, agarrando a mão do irmão.
Eles dispararam em direção ao museu, enquanto os gritos e o som das criaturas destruindo tudo atrás deles ecoavam.
Dentro do prédio, Sarah e Will correram por um corredor escuro e parcialmente destruído. Cada passo fazia o chão tremer, e o som de destroços caindo os seguia.
— Sarah, eu tô com medo! – choramingou Will, quase tropeçando.
— Eu também, mas precisamos continuar! – ela respondeu, puxando-o com força.
De repente, um som ensurdecedor veio de trás, seguido pelo colapso do teto. Uma nuvem de poeira e escombros os envolveu.
— Will! – gritou Sarah, a voz desesperada enquanto tudo ao redor começava a desmoronar.
— Sarah! – ele respondeu, antes de um estrondo final e o silêncio tomar conta.
Tudo ficou escuro.
...
Quando o sol começou a despontar no horizonte, lançando uma luz dourada sobre os destroços ao redor, a equipe se preparava para partir. Jacob estava à frente, segurando a pequena bombinha de Will, os olhos fixos nela, uma mistura de preocupação e determinação estampada em seu rosto.
Laurent se aproximou, ajustando o coldre.
— Qual é o próximo passo, Jacob?
Jacob ergueu o olhar, ainda segurando o objeto como se fosse a última esperança de seu filho.
— Will não vai sobreviver muito tempo sem isso – respondeu, sua voz firme, mas cheia de angústia. – Se Sarah está com ele, ela deve ter procurado uma farmácia.
Laurent franziu a testa, pensativo.
— A mais próxima de onde estamos é a Farmácia Washington Center. Dá uma hora de caminhada até lá.
— Só que tem um problema – interrompeu Jasper, ajustando o rádio no ombro. – Recebi um aviso de que o centro está lotado de criaturas.
O silêncio que se seguiu foi cortado pela respiração pesada de Riley, que deu de ombros, sorrindo de lado.
— Bom, se eles conseguiram chegar até lá, podem estar presos dentro. Acho que só temos uma coisa a fazer.
— E o que seria? – perguntou Emmett, arqueando uma sobrancelha.
Riley tirou a faca do coldre, girando-a nos dedos antes de segurá-la firme.
— Vamos caçar.
Jacob finalmente guardou a bombinha no bolso, sua expressão endurecendo.
— Certo. A Farmácia Washington Center é o nosso próximo destino. Não importa o que encontrarmos, precisamos chegar lá.
Laurent assentiu, puxando o mapa holográfico no dispositivo de seu pulso.
— Vou calcular o melhor trajeto.
Jacob olhou para o grupo, sua voz soando como a de um líder experiente.
— Lembrem-se: estamos atrás das crianças. Nada de distrações.
Jessica, que permanecia em silêncio até então, cruzou os braços.
— O que quer dizer com distrações?
Jacob a encarou, mas não perdeu tempo explicando.
— Vamos logo. O tempo está contra a gente.
A equipe se organizou rapidamente, movendo-se em formação, com Jacob liderando. O som de seus passos ecoava pelos destroços enquanto eles partiam, prontos para enfrentar o que quer que estivesse no caminho.
O som das botas ecoava entre os destroços enquanto Jacob e sua equipe avançavam para a farmácia. O cheiro de poeira e destruição pairava no ar, mas Jacob manteve o foco, seus sentidos apurados para qualquer sinal de seus filhos. Ele derrubara várias criaturas durante o percurso, mas cada vitória parecia apenas aumentar sua ansiedade.
Jessica, caminhando à frente, parou repentinamente ao lado do balcão da farmácia.
— Jacob! – chamou, a voz carregada de urgência.
Jacob aproximou-se rapidamente, o olhar dela fixo em algo no chão. Ele seguiu o olhar e viu pequenos sinais: uma embalagem vazia de biscoitos, pegadas empoeiradas que saíam em direção à porta dos fundos.
— Você estava certo – Jessica disse, segurando um papel amarrotado com rabiscos infantis. – As crianças estiveram aqui.
O coração de Jacob acelerou. Ele pegou o papel das mãos dela e o analisou. A letra desajeitada de Sarah estava ali, confirmando que seus filhos estavam perto.
— Eles não podem estar longe – murmurou, sentindo uma mistura de esperança e urgência. Ele virou-se para os outros. – Vamos. Não há tempo a perder. Sigam-me!
A equipe deixou a farmácia, movendo-se rapidamente pelas ruas destruídas. Jacob liderava, os olhos atentos aos arredores, enquanto seu coração martelava no peito. Cada passo parecia aproximá-lo de seus filhos, mas o peso da incerteza ainda o acompanhava.
Ao virar uma esquina, o grupo avistou o museu militar. A estrutura estava parcialmente destruída, mas ainda era imponente, um símbolo de força em meio ao caos. Jacob sentiu uma faísca de alívio, mas antes que pudessem se aproximar, um rugido ensurdecedor reverberou pelos escombros.
Cinco criaturas gigantes surgiram das sombras, bloqueando o caminho para o museu. Diferentes das anteriores, essas eram maiores, mais musculosas, com garras afiadas que brilhavam à luz do amanhecer.
— Droga... – murmurou Riley, ajustando sua arma. – Esses não são como os outros.
— Não importa – Jacob respondeu, firme. – Nada vai nos impedir de chegar às crianças.
Jessica deu um passo à frente, os olhos fixos nos monstros.
— Essas coisas estão protegendo o lugar. Eles sabem que as crianças estão lá dentro.
— Então, acabamos com eles – disse Emmett, batendo os punhos um no outro.
Jasper assentiu, já analisando a situação.
— Vamos precisar de estratégia. Se atacarmos todos ao mesmo tempo, será um massacre.
Jacob olhou para o grupo, a determinação brilhando em seus olhos.
— Eu atraio dois deles para longe. Riley e Jessica, mantenham a retaguarda. Jasper e Emmett, peguem o flanco direito. Laurent, você vem comigo. Cuidamos dos outros três juntos.
Todos assentiram, a tensão aumentando enquanto se preparavam para o confronto.
— Lembrem-se – Jacob disse, apertando a bombinha de Will no bolso. – Isso não é apenas uma batalha. É a nossa única chance.
Os rugidos das criaturas cresceram, e o grupo partiu para o combate, cada um executando seu papel com precisão. O campo tornou-se um caos de gritos, tiros e golpes, a poeira subindo enquanto as criaturas lutavam ferozmente.
Jacob, empunhando sua arma, focou nos dois monstros à sua frente, movendo-se com rapidez e força, determinado a abrir caminho para o museu. Nada o impediria de salvar seus filhos.
...
Sarah abriu os olhos devagar, o mundo ao seu redor um borrão de poeira e sombras. A dor em sua perna era lancinante, e ao tentar se mover, percebeu que um pedaço pesado do teto estava preso sobre ela.
— Will... – sussurrou, a voz fraca.
— Sarah! – A voz desesperada do irmão ecoava pelos destroços.
Sarah respirou fundo, tentando conter as lágrimas.
— Estou aqui, Will... Estou aqui.
O garoto surgiu no campo de visão dela, lutando para mover os escombros que prendiam sua perna. Ele empurrava com toda sua força, os olhos marejados, mas o peso era demais.
— Eu não consigo! – ele choramingou, soluçando.
Sarah, mesmo com a dor que sentia, estendeu a mão e segurou o rosto do irmão com ternura.
— Ei... Will, olha pra mim. Você é filho de Jacob Black. E os filhos de Jacob Black são fortes, entende?
Will balançou a cabeça, tentando enxugar as lágrimas.
— Mas eu não consigo, Sarah... Eu não consigo...
Ela respirou fundo, segurando sua mão.
— Então escuta. Você não pode desistir. Vai ficar tudo bem, mas eu preciso que você fique comigo, entendeu?
Will olhou para ela por um momento, mas sua determinação infantil rapidamente deu lugar ao desespero.
— Vou buscar ajuda! – disse ele, já se afastando.
— Will! Não! – Sarah gritou, sua voz carregada de preocupação. Ela tentou se levantar, mas o peso em sua perna a manteve no chão. – É perigoso! Por favor, volta aqui!
O menino hesitou por um segundo, mas depois virou as costas, seguindo pelo corredor na direção da luz que entrava pelas frestas do museu.
— Will! – Sarah gritou novamente, lágrimas escorrendo pelo rosto.
Mas ele já tinha desaparecido.
Will seguiu adiante, os pequenos passos ecoando pelo chão quebrado enquanto o medo e a coragem travavam uma batalha em seu peito. A luz do sol que penetrava pelas rachaduras nas paredes era sua guia. Ele se movia com cuidado, parando a cada som estranho, tentando não chamar atenção.
Foi então que ouviu um estrondo ensurdecedor vindo de fora. Ele correu para uma brecha, espiando com olhos arregalados. Lá fora, viu uma grande criatura desabar no chão, abatida por algo.
— Papai? – ele murmurou, esperança brilhando em seus olhos.
Decidido, Will subiu algumas escadas, o coração batendo forte, enquanto observava pela janela um grupo de homens lutando contra as criaturas. Eles eram fortes e coordenados, derrubando os monstros um a um.
Escondido atrás de uma parede parcialmente destruída, Will observava atentamente, os olhos fixos no líder do grupo.
— Papai... – sussurrou de novo, sem saber se deveria chamar por ele ou esperar.
Com a coragem renovada, o pequeno garoto apertou os punhos e decidiu que precisava fazer algo. Sem perceber o risco, ele começou a descer as escadas novamente, sua pequena silhueta se movendo em direção ao campo de batalha.
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