Into You

1 O começo de tudo


Notas iniciais
Into you = A fim de você Eu realmente tentei fazer algo descente, Natália. Talvez não tenha sido tão bem sucedida quanto gostaria, porém foi feito com muito amor. Eu tentei me conter e não colocar bichos — aka cachorros — no enredo, só que foi mais forte que eu e vai ter três capítulos só porque preciso apresentar todos eles para o Simon. Espero que você e quem estiver lendo isso, goste. Feliz AS.

A voz da professora de química era monótona ao explicar os gigantescos cálculos no quadro, fazendo mãos morenas se contorcerem, tentando evitar o inevitável. Meio minuto depois, ele se deu por vencido.

— Ei, Sawyer, essa jaqueta é… do seu avô? — Matheus perguntou com um riso de deboche, fazendo Simon revirar os olhos pela décima vez naquela aula.

Não satisfeito com a falta de resposta, Matheus cutucou-o novamente, ganhando, assim, uma reação: Simon puxou a caneta da mão dele agilmente e a guardou, replicando com ironia:

— Ela com certeza é melhor do que seu uniforme Maria vai com as outras, Reyes.

Simon lançou-lhe um olhar superior que irritou-o e fez seus pelos eriçarem, principalmente pela forma toda errada que pronunciou seu sobrenome. Por um segundo, ele se imaginou ensinando-o a entonação correta e fazendo-o repetir mais e mais e mais, até atingir a perfeição.

Matheus Reyes fez uma careta e xingou baixinho em espanhol, acenando com a mão displicentemente para os amigos, que agora vaiavam a resposta malcriada. Traidores.

Ele sabia que não deveria fazer isso, que era errado em tantos graus… céus, sua Mama ficaria tão brava em pensar que ele era um valentão (não que fizesse algo mais pesado que isso, ainda sim...). Entretanto, a culpa era só sua? Não era como se ele fosse o único fazendo aquele jogo de provocações e flertes e, sim, a última parte não poderia ser apenas fruto da imaginação. Não quando aqueles olhos cinza sempre encaravam sua boca por alguns segundos, antes de dar uma resposta áspera. Sentia vontade de devorá-lo.

E aquela jaqueta de linho, ligeiramente amassada nas bordas, só piorava a situação, pois fazia Simon parecer um bom garoto, daqueles que as mães aprovavam — só que com as filhas — e tratavam como um segundo filho, rezando para que o relacionamento nunca acabasse. Tão diferente de si, o imigrante com a carreira eminentemente fracassada.

Na verdade, tudo em Simon fazia com que parecesse o filhinho da mamãe: o corte de cabelo curto na medida certa, a aparência sempre limpa e fresca, como se nunca tivesse precisado fazer nada, os cabelos quase brancos e o sorriso meio envergonhado, desenhado por bochechas quase sempre rosadas pelo frio de Michigan. Sua irmã o veneraria se o conhecesse.

Matheus soltou um suspiro puramente apreciativo e voltou os olhos para o caderno, fingindo que estava fazendo alguma coisa para que a professora parasse de fulminá-lo com o olhar, e ficou assim até o sino tocar para encerrar o dia escolar. Não precisava de outra detenção.

— Ei, Matt, você vem para o treino hoje à noite? — Brandon perguntou, manuseando a bola entre as mãos.

Matheus contou até três, respirando fundo — como sempre acontecia quando alguém o chamava pelo ridículo apelido americanizado — e murmurou um sim em resposta. Seus amigos não estranharam muito seu humor, provavelmente acharam que era por não ter dado a palavra final ou algo assim.

Estadunidenses pareciam não enxergar um palmo à sua frente.

Ele chegou ao estacionamento e, quando iria direto para seu Chevrolet caindo aos pedaços (mas que melhor, impossível), viu Simon de braços cruzados e cenho franzido, encostado no seu SUV brilhante.

Se tivesse um pingo de consciência, teria seguido o seu caminho e o provocado no dia seguinte, mas seu corpo se moveu antes de sua mente, e Matheus só se deu conta disso quando já estava parado diante dele.

Ambos trocaram um olhar longo e o ar pareceu ficar mais denso. Agora, que estava mais perto, podia ver com detalhes que a blusa branca era toda de botões e delineava o corpo esguio. Em uma fração de segundo, seu corpo se aqueceu e suas mãos comicharam para desabotoar um por um e fazer a própria língua percorrer o mesmo caminho.

— O quê foi, Reyes? Veio rir da minha desgraça?

Matheus sentia-se meio instável, como se o chão tivesse perdido a firmeza ou algo assim — talvez tenham sido suas pernas (?) — então só balançou a cabeça em negação. E deu um passo cauteloso para perto de onde imaginava que ficava o motor.

— Tá precisando de alguma ajuda? — indagou, sentindo a própria voz estranha.

Ao que parece, Simon também notou, porque sua expressão ficou desconfiada.

— Não. Pode ir, eu resolvo por aqui.

Não havia mais nada a fazer, então Matheus apenas começou a se virar para ir embora, quando escutou um telefone tocar.

— Oi , mãe. Onde você tá? — Simon ficou em silêncio alguns segundos, e respondeu com um tom meio cabisbaixo. — E que horas você volta?.... Por nada não. — Mais silêncio. — É que eu queria um jogo novo, mas gastei o dinheiro… eu sei, eu sei… olha, mãe, preciso desligar, um amigo tá me chamando… Também de amo, tchau.

Matheus apenas ficou lá, escutando tudo como um mal-educado, sem saber o que fazer em seguida. Seu coração estava incomumente acelerado, muito mais do que normalmente ficava na presença dele. Porra, até suas mãos pareciam suar frio.

— Parece que você não tem como ir pra casa — comentou casualmente.

Simon apenas o olhou sisudamente como resposta.

— Vou oferecer pela última vez: eu posso ver seu carro, sou muito bom nisso — falou com uma pitada de narcisismo.

— Estou estranhando toda essa sua obsequiosidade. Por acaso pensa em cortar os freios ou algo assim?

Matheus riu tanto do clichê da situação que precisou de um minuto ou dois para se recompor. Parecia um clichê de filme tão grande essa situação, que ele se perguntou se Simon iria colocar o cabelo atrás da orelha, morder os lábios e…, espere. Como será que ele ficaria de vestido e salto?

Simon parecia ter ficado indignado, decerto imaginado que estava sendo alvo de chacota — o que não era tão inverdade assim, só que de um jeito bom.

— Obsequiosi… o quê?

— Esquece. Vá embora!

—Seu teste para o SAT* está dando resultado. Mais um pouco e você vai virá um dicionário ambulante.

— Vá embora!

— Não precisa ficar estressado, Sawyer, eu só tô tentando ajudar. Que coisa feia. Tcs tcs!

Simon pareceu ter perdido a paciência, e se aproximou de repente, eliminado quase toda distância entre os dois e nivelando seus olhos, tendo que curvar levemente os joelhos para isso.

— Qual o seu problema, Matheus? — O uso de seu nome lhe chocou tanto que por um momento perdeu a fala.

Não conseguia acreditar que Simon Sawyer tinha acabado de dizer seu nome enquanto partilhavam quase o mesmo espaço, sem contar que foi ainda mais errado do que o jeito que ele falava seu sobrenome. Saiu algo como Matt-this, e foi adorável de um jeito que se sentiu horrorizado por achar tão...fofo, como se seu estômago tivesse sido preenchido por algo inquietante e bom. Seria isso borboletas?

Oh, meu deus! Iria beijá-lo, iria beijá-lo e só precisava dar menos de dois passos para encostar na boca rubra e brilhante.

Matheus saiu de perto dele tão rápido que seus pés quase tropeçaram. Ele abriu a parte dianteira do carro e começou a tentar focar e olhar o que poderia estar errado. Suas mãos tremiam e, então, tentou clarear a garganta do modo mais sutil possível, antes de soltar uma risada estrangulada e exclamar:

— Nem mesmo eu posso ver uma máquina dessas não conseguir andar e passar direto. Seria um crime!

Sentiu os passos decididos dele vindo para perto de si e agarrou um dos canos com firmeza, como se isso fosse ser seu elo de segurança. Não seria o primeiro a dar esse passo que faltava, já tinha dados todos os outros e precisava que ele expressasse as próprias vontades ao menos uma vez.

— Você vai estragar meu carro! Saia daí.

— Meu avô é mecânico e eu cresci dentro de uma oficina. Ou, por acaso, você se acha bom demais para eu tocar no seu carrinho? — Assim que disse as palavras, Matheus ficou arrependido. Estava nervoso e sem raciocinar direito.

Simon nunca tinha lhe tratado diferente depois de ter descoberto o modo como entrou nos E.U.A ilegalmente para fugir do tráfico que havia matado seu primo. O que não era possível dizer da maioria, principalmente depois que aquele bicho malo laranja assumira a presidência. Mas mesmo assim ficava se perguntando o porquê de ele nunca tinha feito nada. Talvez por ser da igreja? Nunca tinha ouvido falar nada sobre isso, só que não era como se fossem próximos fora dali. Quem sabe por ter pais homofóbicos? Porém, uma pequena e inundada parte de ódio dentro de si, ficava se perguntando se era por ser um fodido cheio de problemas.

Na hora em que iria pedir desculpas, ele falou em voz baixa:

— Não queria ter dado essa impressão.

— É, eu sei. Falei isso para te irritar. — Lançou-lhe outro sorriso forçado. — Qual o problema do carro?

— Ele não liga de jeito nenhum.

— Faz algum barulho?

— Não. Ele tava funcionando normal e ficou assim do nada.

— Nenhuma falha ou dificuldade ao ligar?

— Humm, eu sou meio desatento com isso, então não sei bem.

— É, eu percebi.

Simon sorriu levemente, causando um misto de sentimentos dentro de si.

— Como você percebeu?

— Seu carro tá sem óleo.

— Sem óleo? — perguntou ele, assustado.

— Zerado. E eu tenho quase certeza que seu motor bateu.

Matheus tirou as mãos do carro, limpando a pouca graxa na calça. Simon seguiu seu movimento e fez uma careta, todavia, não comentou nada.

— O que quer dizer bateu?

— Morreu, desgastou até o limite máximo.

— E agora?!

— Você vai precisar mandar pra fábrica para arrumar ou comprar um novo.

Simon soltou um gemido alto e lamentoso.

— E agora? — repetiu, como uma criança.

— Agora, acho que você vai precisar de uma carona. Eu te levo, vamos — falou por entre os ombros, já indo para uma parte mais escondida do estacionamento.

— E se…

— Sou sua melhor opção. Além disso, não é como se eu fosse te morder. — A não ser que você queria.

Ele pareceu surpreso, mas não protestou, e começou a seguí-lo. Matheus colocou as mãos no bolso do caso e pensou em algum assunto neutro para comentar.

Eu não acredito que estou dando uma carona para Simon*. Madre de Díos.

Ambos pararam no carro verde com a pintura meio desgastada, parte de baixo quase toda enferrujada e porta amassada.

— Conheça a Cruza, minha segunda fiel companheira.

— Você colocou um nome no seu carro? — Simon perguntou, cético.

— Claro!

— Pensei que essas coisas só aconteciam nos livros.

— Você não sabe nada da vida, então — respondeu em tom brincalhão.

Ele apenas colocou a cabeça de um lado e depois do outro, como se estivesse refletindo, e depois deu de ombros, entrando depois de alguns segundos tentando abrir a porta.

O carro fez seu típico barulho ensurdecedor por causa do problema no motor de arranque — e ficaria assim até que juntasse dinheiro o suficiente para dar uma arrumada por cima — fazendo Simon dar outra careta, tapando não-tão-discretamente um ouvido.

Matheus ligou o rádio velho em uma estação Mexicana, escutando a voz estridente do locutor antes de uma música começar. Ele não sabia a letra, mas começou a tamborilar os dedos na direção para distrair seus pensamentos.

— Você disse que esse carro era sua segunda fiel companheira, qual é a primeira? — Simon perguntou, gritando um pouco pelo barulho da estação, depois de terem feito mais da metade do caminho em um silêncio desconfortável.

Diminuindo um pouco o volume, e agradecido por ele ter puxado assunto e lhe distraído da ansiedade que assolara seu corpo, respondeu como se fosse algo óbvio:

— Meus cachorros, é claro.

— Você tem um cachorro? Mais de um?

— Três, na verdade, mas Geruza é a mais apegada. E você?

— Não. Minha mãe acha muito trabalhoso — o tom de Simon saiu um pouco triste.

— Nem gato?

Ele negou.

— Furão? Hamster?

Outra negação.

Matheus tentou imaginar sua casa sem todos os três cachorros, dois gatos, um furão e uma tartaruga — sem falar das plantas —, e sentiu calafrios. Na casa pequena ainda viviam os pais, a irmã, o irmão mais novo e os avós. De vez em quando, era um pouco chato tentar ficar em silêncio e em paz no meio de tantos seres vivos, mas não conseguia pensar em não tê-los.

— Uau, que triste.

— Fazer o quê.

— Você tem algum irmão?

— Só um, mas é de um relacionamento anterior do meu pai e ele vive na Califórnia. Você trouxe algum deles do méxico?

— Sim, a Geruza e o Poncho. Cielo nós pegamos no Arizona, ele tava morrendo de fome e sede. Eu insisti tanto que minha mãe deixou.

— Uau, deve ser muito legal.

— Apesar do trabalho, é muito.

— Você parece gostar muito de bichos. É por isso que você ajuda no abrigo?

— Uhum.

— Ah

O “ah” deixou implícito que ele pensava que era por causa de algum serviço social obrigatório, mas Matheus não ligou. Quem estivesse de fora, certamente pensaria isso. Diabos, até ele pensaria isso se fosse Simon.

— Você pretende adotar algum animal quando for para universidade?

— Ah, eu acho que vou morar no dormitório mesmo.

— Eu também.

— Você não vai sentir falta dos deles?

— Eu vou levar a Geruza — comentou, como se isso fosse completamente cabível.

— Hã, acho que isso não é tão fácil assim. E não seria injusto levar só um?

Matheus riu da preocupação dele com seu aparente favoritismo.

— Poncho é apegado ao meu avô, ele não iria comigo de jeito nenhum. E Cielo é da minha irmã mais nova, só dorme quando ela está em casa. Por isso, eu só vou levar Geruza.

— E você dorme com Geruza? — ele perguntou, curioso.

— De conchinha — falou, com um sorriso de puro orgulho e afeto.

— Sério?

Simon quase gritou, com os olhos saltando para fora. Matheus sentiu um calafrio, não poderia continuar gostando dele se ele fosse…

— Você é um daqueles germofóbicos que acha que cachorro e gato só pode dormir fora de casa?

— Hãa, não. — Vendo a expressão de dúvida de Matheus, ele completou. — É que você não parece muito um cara que dorme de conchinha com sua cachorra.

— Bem, as aparências enganam.

— Mas como você vai levar ela?

— Eu estou tentando ir para a Universidade de Washington como Quarterback, e lá eles aceitam no campus.

Estava estudando pela primeira vez na sua vida para fazer isso, levar sua menina com ele. E se não passasse, ficaria por aqui, fazendo colégio comunitário. E, não, não era um louco que estava trocando a vida por uma cachorra, era apenas uma questão de prioridade. E, foda-se, talvez estivesse mesmo trocando, porém jamais abandonaria a única coisa tão preciosa quanto seu avô e seus pais.

— Poxa, que legal.

— Você deveria ir também. — Ficou parecendo um flerte meio descarado, e até ele sentiu isso, então emendou. — Ter um cachorro vai ser ótimo para você. Mas você acha que vai para onde? Ivy League? MIT?

— Não. Não quero ir para uma faculdade de renome, não para graduação, pelo menos.

A informação pegou Matheus tão de surpresa que ele quase freou o carro de vez, por sorte fez isso apenas o suficiente para serem jogados de leve contra o para-brisa.

— Como assim?

— Por que você está tão surpreso?

Surpreso era um eufemismo. Existia até um pouco de indignação.

— Por que você tirar as melhores notas, faz parte de sei lá quantas associações e é presidente do grêmio estudantil?

— Hã, porque eu gosto? Quer dizer, não acho que faria isso se fosse só para entrar na universidade.

— Eu não acredito que você tá me dizendo que gosta de estudar assim — murmurou baixinho, porém ele escutou.

— Eu não entendo como você não gosta de estudar.

— Acho que 95% da população poderia te responder isso. E a gente não tem problema, não — concluiu, já sabendo o que ele iria falar. — Você pensa em ir para onde?

— Acho que vou para Ann Arbor, talvez.

Matheus queria continuar perguntando inúmeras coisas, até conseguir entender a metade de quem era Simon, mas eles já tinham chegado no bairro dele e era hora de se separarem. Um gosto amargo preencheu sua boca, pensando que, talvez, essa fosse a única vez que conversariam direito.

— Perto de casa, legal. Onde fica ela, aliás? — tentou continuar com o tom leve.

— Duas ruas depois dessa, você entra na esquerda e é a terceira casa.

Simon não o perguntou como sabia onde morava, e Matheus optou por não entrar no mérito. Seria muito estranho dizer que o seguiu depois que viu que as balas em seu armário não eram frutos de um fantasma. Isso tinha sido logo depois que Matheus havia se mudado, com um inglês básico, sem ter nenhum amigo.

Sempre quisera falar com Simon, só que o modo como se sentia perto dele era assustador e sua família já tinha passado por problemas demais para ter mais um acréscimo com um filho gay. Um dia, casaria com uma garota latina e viveria como a maioria das pessoas.

— Esse bairro tem poucas árvores — comentou, reparando em como elas eram espaçadas, embora cuidadas com muito esmero.

— As folhas nas calçadas são um incômodo para os moradores daqui.

Que gente mais estranha.

A casa de Simon parecia grande demais para apenas três pessoas morarem. Era um sobrado com um pé direito alto coberto por uma janela enorme, que tomava metade do espaço. Parou o carro, que fez um barulho alto diferente de antes, parecia um gemido de alívio.

— Está entregue.

Simon tirou o cinto e virou-se para agradecer.

— Muito obrigada por ter me trazido

— Relaxa.

O celular tocou outra vez, só que agora era a mãe de Matheus, avisando que iria demorar um pouco para chegar, pois tinham perdido a lista de compras e só acharam depois de mais de uma hora procurando. Compras no mercado eram sempre uma aventura.

— Acho que sua mãe está preocupada — Simon observou e Matheus deu de ombros. — Realmente obrigada.

— Não é como se eu tivesse salvado a sua vida ou coisa assim.

Eles estavam bem perto. As bochechas dele estavam coradas e não estava frio no carro. Matheus se perguntou se as próprias bochechas também não estavam da mesma maneira e o que Simon faria se o beijasse.

Pensamentos perigosos. “Lembre-se do que está em jogo, Simon” disse sua voz responsável.

“Quando você teria outra oportunidade?” perguntou seu coração, quase sendo atendido.

Coçou a garganta e se inclinou para trás, fingindo pegar algo imaginário.

— Eu preciso ir, realmente.

Simon pareceu sair de um estupor parecido.

— Ah, nossa, claro — respondeu, descendo do carro desajeitadamente. — Obrigada.

— A gente se vê por aí — Matheus falou, querendo sair do carro e agarrá-lo e sair correndo para longe dele. — E não esqueça de chamar o guincho.

— Não vou — assegurou. — Tchau.

— Tchau — respondeu baixinho, acenando com a cabeça e dando partida.

Matheus ficou olhando o reflexo de Simon até que ele desaparecesse, e passou o caminho de casa inteiro se perguntando como é que iria lidar com esses velhos novos sentimentos.

Notas finais
* SAT é um tipo de enem americano. *Dar uma carona é uma expressão para fazer sexo, por isso a ironia. ♠ Tenho certeza que vocês encontraram alguns erros gramaticais. Caso se sintam à vontade, por favor, me avisem. ~ E, ah vou colocar o próximo capítulo amanhã mesmo, viu, Natália. ♥