Intimidade

27 The End


Notas iniciais
Galera, é o seguinte: embora seja um prazer postar a fic aqui pelo Joe e tal, as vezes eu me esqueço disso (de postar, no caso) haha
Isso rola por conta das minhas fics pessoais, estágio, faculdade e etc.
Portanto, eu vou deixar aqui meu twitter. Caso vocês tenham alguma duvida, queiram me cobrar posts ou simplesmente pedir pra passar recado pro autor, favor mandar mentions por aqui ó: @Lu_Peabody (lembrando que voces podem tbm me enviar MP aqui no nyah, só procurar por 'Lu Peabody' tbm).

“De repente do riso fez-se o pranto; Silencioso e branco como a bruma; E das bocas unidas fez-se a espuma; E das mãos espalmadas fez-se o espanto...”
(Vinícius de Moraes)


Primeiro foi a sede.

A sensação ruim de secura na boca acompanhada pelo gosto ruim e amargo que sempre fica quando ela passa muito tempo fechada. Depois os pequenos flashs claros, como se pequenas explosões acontecessem dentro dos seus olhos fechados.

O peso para abrir as pálpebras... A dor da luz penetrando em seus olhos.

Em seguida, a desorientação... Que dia? Que hora? Onde estava mesmo?

Ele esperou que os olhos conseguissem focar melhor as imagens ao seu redor e procurou se situar. Hospital... Sua mente formou a palavra. Segundos depois sua mente pareceu trabalhar mais rapido.

As lembranças vieram primeiro em pedaços soltos como se fosse um quebra-cabeças, mas depois começaram a se encaixar e fazer sentido.

Estava saindo da farmácia, indo em direção ao carro quando ouviu seu nome. Virou-se e não encontrou ninguém conhecido, ou que pelo menos parecesse estar falando com ele. Estava quase completamente deserta a rua. Achou estar ouvindo coisas e continuou andando. Ouviu de novo. Mais claro desta vez, mas ainda assim não encontrou ninguém. Começou a andar em direção ao som, tentando ver mais claramente o outro lado da rua muito escura, quando de repente se sentiu puxado para uma ruela sem saída, que estava tão coberta pelo breu que ele não a havia percebido. Não houve tempo para perguntas. O primeiro soco o atingiu forte na altura do queixo. Desorientou-se e não houve tempo para recuperação, outro soco veio em seguida e depois um pontapé. Eram muitas mãos, muitos pés... Três ou quatro homens talvez. Não demorou muito a perder os sentidos.

O corpo pareceu responder também, então ele moveu os membros devagar, sentindo pequenos choques nas articulações. Então ele fez esforço e se sentou. A sala girou um pouco no início, por causa dos remédios e da sonolência, mas logo ele já estava de posse da própria consciência de novo.

A pele coçou, e ele se irritou subitamente, começou a arrancar todas as agulhas e fios que estavam presos ao seu corpo e jogou-os de lado, depois tentou levantar, mas aí veio mais uma surpresa. Ele não conseguiu se equilibrar e caiu.

– Mas que porra!!

Ele olhou para baixo e percebeu que sua perna estava engessada.

– Mal acordou e já está aprontando senhor Weasley? — Ele olhou para cima e reconheceu a enfermeira Pomfrey, a mesma que cuidara de Hermione quando Victor a agrediu.

– Ah... Eu... Foi um acidente — Ela o ajudou a voltar para a cama.

– Está bem melhor, hein? Não se preocupe, este gesso já deveria ter sido tirado, não há nada quebrado, apenas inchado. Mas o doutor estava esperando que o senhor acordasse.

– Hum... Certo... Eu... Tem alguém me acompanhando?

– Se está se referindo aquela moça linda de cabelos castanhos cacheados, sim, ela e sua irmã. E também um rapaz muito bonito e bem vestido, mas bastante arrogante.

– Ela está ai? Digo, a moça linda do cabelo cacheado — A senhora riu.

– Não, mas sua irmã está. Quer que eu a chame? — Ele não conseguiu disfarçar a decepção.

– Ah... Claro — A mulher saiu em silencio e ele tentou melhorar a aparência, se Gina percebesse que ele preferia Hermione ali, ela faria um drama épico.

...

– Alô? — A voz de Hermione estava um tanto confusa e meio embargada pelo choro recente. Do outro lado da linha uma voz desconhecida soou meio enrouquecida, como se estivesse sonolenta.
– Sim, sim, eu sei que ele teve alta...
Joey recostou-se na porta da pequena sala onde Rony usava como escritório e entreabriu a porta devagar, não conseguia ouvir muita coisa com clareza. Apenas a voz sussurrada de Hermione e algumas vezes um chiado metálico vindo do aparelho telefônico.

– Eu vou buscá-lo... – Ela continuou dizendo. Parecia meio nervosa – Eu sei que só tenho alguns dias. Eu vou fazer o que combinamos, mas eu preciso pelo menos instalá-lo, preciso... Eu não posso deixá-lo sozinho, ele está em convalescência... — Silêncio.
– Eu sei, eu vou cumprir o prazo, deixarei a casa em no máximo cinco dias. Eu... — Ela pareceu ter sido interrompida- Eu vou tomar cuidado, mas vou seguir todo o plano que você traçou... Eu sei! Eu sei! Não vou... Eu não vou mudar de ideia, Começamos isto, vamos até o fim. Estarei fora daqui no fim de semana – Silêncio novamente — Tudo bem só... Você tem certeza que o Victor vai ficar longe de mim e do meu filho, não vai? Eu não quero... Eu não vou deixar simplesmente a vida que eu construí... Tudo bem, eu entendi. Eu confio em você... Ok... Ah e... Obrigada... Eu realmente não sei o que eu faria sem você. Não sei mesmo.

Hermione desligou e passou algum tempo mexendo no aparelho antes de colocá-lo sobre a mesa, depois, ainda parecendo meio perturbada ela saiu em direção aos quartos.

Joey havia se escondido atrás da porta que abria para fora e Hermione não o viu, ele conseguiu então entrar no cômodo sem fazer barulho e pegou o celular, olhou as ultimas chamadas discadas e franziu o cenho.

Rony... Gina...
Nada estranho.


Então olhou as chamadas recebidas e se espantou. Ultima chamada de: Terrence Boot.

– Terry? — Ele sussurrou meio aturdido. Joey apertou o botão de rediscagem e esperou que a chamada se completasse.

– Hermione? — A voz soou um pouco enrouquecida do outro lado da linha.

– Terry? — Joey falou ainda tentando acreditar que era ele.

– Quem está falando?

– É o Terry? — O garoto insistiu.

– Sim. E você quem é?

– Terry! É o Joey! — O menino disse mostrando uma animação, até um pouco fora do comum, se tratando de Joey.

– Joey? O Big Joey? – Ele falou, também mostrando grande empolgação – Como você está rapaz?

– Eu tô bem.

– Cadê sua mãe Joe? Ela te mandou me ligar?

– Não, mamãe não sabe que eu tô usando o telefone dela.

– Joey, Joey... Não vá se meter em encrenca.

– Você vai contar paara ela?

Terrence riu.

– Não. Não vou, mas pare de fazer as coisas escondido de sua mãe. É melhor pedir.

– Eu estou com saudade de você, Terry.

– Oh amigão, eu também. Mas não se preocupe, em alguns dias eu estarei em Londres e certamente nós vamos nos ver.

– AH! Você promete?

– Sim, eu te prometo.

– Tá bem, eu vou esperar. Agora eu vou desligar pra mamãe não ver, ok?

– Ok, se cuida moleque.

Joey desligou bem no momento em que a campainha tocou. Em sua inocência infantil, acreditou que pudesse ser Boot e correu para a entrada principal à tempo de ver sua mãe abrir a porta para um homem que não lhe era tão desconhecido, e tampouco parecia amigo. Hermione encarou o homem parado a porta com a mesma perplexidade com a qual fora encarada. Não imaginava que o veria de novo.

– Você?!

– Hermione Granger? — O homem perguntou baixo, como se estivesse averiguando.

– O que quer aqui?

– Eu acho que a pergunta certa seria... O que você faz aqui?

– Bom, certamente isto não é da sua conta — Ela disse com grosseria.

– Eu poderia dizer o mesmo?

– Não, não poderia, levando em consideração que você bateu à minha porta.

– Sua porta? Eu estou surpreso.

– Certamente está, Michael Corner — O homem a olhou, não parecia sentir qualquer remorso.

– Posso entrar?

– E por que eu deveria te deixar entrar? Ainda nem sei o que está fazendo aqui.

– Muito bem... Estou procurando a irmã do dono desta casa. Gina Weasley. Você deve conhecê-la...

– Conheço.

– Pois então... Ela trabalha comigo. Ela está?

– Não.

– Pois eu gostaria de esperá-la, se não se incomoda. O assunto que tenho com ela é urgente.

– A casa não é minha, para que eu o impeça de entrar, mas não espere que eu lhe faça companhia — Ela se afastou abrindo a porta como que dando espaço para que ele passasse e deu-lhe as costas. De repente sentiu seu braço sendo agarrado.

– Eu adoraria – Ele disse quando ela se virou procurando uma resposta – Que você entendesse, que o que fiz... Eu não tive outra escolha.

Hermione riu amarga.

– Ah mesmo? O que você fez Corner, foi correr e se esconder de uma responsabilidade que havia assumido. O que você fez foi covarde e cruel. Aposto que nunca parou para pensar em como a sua decisão me fez mal. Consegue dormir bem, mesmo sabendo a situação em que me deixou?

– Eu já disse, eu não tive escolha, eu... Não tinha qualquer saída. Não podia ter feito as coisas de maneira diferente.

– Podia sim! – Hermione se alterou – Podia sim! Você podia ter ficado, me apoiado, me protegido, como disse que faria. Não foi essa sua promessa?

– Eu sei o que eu disse e normalmente cumpro minhas promessas, mas... A situação ficou muito complicada para mim.

– Imagine para mim então... Eu confiei em você! — Ela estava muito alterada, eles pareciam claramente estar discutindo, mesmo para quem visse de longe, como Joey que observava tudo da entrada da sala.

– Hermione, escute... Não tive como continuar. O Victor simplesmente me...

Mas eles foram interrompidos pela porta que abriu com um estampido. Gina entrara como um foguete.

– Hermione... Rony ficará mais esta noite, eu queria saber se... Mike? — Ela parou e o encarou, depois avaliou a posição de guarda em que os dois se encontravam – Está acontecendo alguma coisa aqui?

– Não.

– Não.

Eles responderam em uníssono. Rápido demais. Gina não respondeu, mas também não engoliu.

– Mione, o Ron, vai precisar ficar mais uma noite, você vai ficar com ele hoje?

Hermione procurou se recompor.

– Claro, você... Vai ficar aqui?

– Vou. Eu tomo conta do Joey para você.

– Obrigada Gina. Harry Potter é quem está lá com ele? — Mike fez uma careta e Gina ignorou.

– Sim, sim, ele está apenas esperando você para ir emborra. E vir correndo para cá – Sua cabeça completou.

– Então eu vou me arrumar para sair. Com licença.

Ela saiu rápido, deixando um Michael, muito desconfortável para trás.

– Eu interrompi alguma coisa, Mike? Vocês pareciam estar discutindo.

– Discutindo? Nós? Claro que não Gina, de onde tirou esta ideia?

– Talvez do fato da Hermione estar quase voando no seu pescoço?

– Que exagero Ginevra – Ele disse nervoso – Eu acabei de conhecer a moça. Trocamos menos que meia dúzia de palavras antes que você chegasse.

– Que bom, Mike... Muito bom.

Ele sorriu.

– Esta com ciúmes?

Gina riu de volta.

– Não, eu não. Mas o Rony certamente ficaria, e ele não diminuiu desde a ultima vez que te deu um soco.

Mike fez uma careta.

– Gina... Não vim aqui para relembrar o passado. Vim chamá-la para um café. Preciso conversar algumas coisas sérias com você e quanto mais rápido melhor.

– Ah... Mas... – Ela olhou o relógio, ainda eram 18h:25min da noite, Harry só chegaria as nove – Ok Mike, mas eu só tenho uma hora disponível. Ele arqueou uma sobrancelha.

– Tá ocupada?

– O que você acha? – A mente dela fez soar forte.

– Sim, tenho... Um compromisso.

– Com quem?

Gina estreitou os olhos.

– Não faça este tipo de pergunta, Mike, só terá duas alternativas. Primeiro: Eu não vou responder e te dar um fora. Segundo: Eu vou responder, mas você não vai gostar.

– Ok, esqueça a pergunta. Aceito sua hora disponível, podemos ficar ali no Jhonny’s mesmo. É uma conversa rápida.

– Ótimo, por que agora eu só tenho cinquenta e cinco minutos. Vamos.

– Vamos.

Ela pegou a bolsa.

– Hermione! – Ela gritou – Preciso ir até o Jhonny’s com o Mike, mas eu volto em cinquenta minutos, tudo bem?

– Tudo bem, Gina, ainda estarei aqui — Hermione respondeu.

– Ótimo, vamos agora.

Eles levaram menos de dez minutos para chegar e se acomodarem no pequeno Coffee Shop que ficava alguns metros depois do prédio onde Rony morava.

– Quer um croissant del la casa? Dizem que é ótimo?

– Não, não, fico só no café. Tô falando muito sério, eu não tenho muito tempo.

– Ok, então eu vou direto ao ponto — Ele entregou a comanda com os pedidos marcados.

– Por favor.

– Quero conversar sobre seu relacionamento com Harry Potter.

– Mike...

– Gina, por favor, me ouça. Eu acho que mereço, pelo menos ser ouvido.

Ela baixou a cabeça e assentiu.

– Ok, vamos lá. Estou ouvindo.

– Gina, eu não tenho muito a dizer, e nem acho que preciso. Harry Potter é um canalha de carteirinha. Ele está estampando os jornais como o Novo Don Juan há anos. E você sabe como isso vai acabar.

– Não é assim, Mike. Você não o...

– Não o conheço? Oh, Gina, pelo amor de Deus, você não é ingênua a esse ponto, é?

– Definitivamente, eu não sou ingênua, Michael.

– Então, por favor, veja o que está fazendo. Olhe onde está se metendo. Você vai virar só mais uma na lista — O garçom, serviu-os.

– Você acha que eu estou nessa esperando um casamento? Por que se acha, você não me conhece.

– E espera o que? Curtição? Sexo casual? Esta é a nova Gina?

– Esta é a Gina de sempre. Nunca deixei de me relacionar com homens Mike, eu sou assim. Basta que eu queira.

– Então, é isso? Um tipo de jogo erótico?

– Acho que você está invadindo minha privacidade, e acho que não tem este direito.

– Tudo bem – Ele ficou carrancudo – Me perdoe, então, eu não vou mais tomar seu tempo. Ele levantou e puxou umas notas da carteira, colocando-as em cima da mesa.

– Mike...

– Eu realmente espero que você saiba o que está fazendo. Eu não vou mais me meter — Ele disse e saiu.

– Mike, espera — Gina levantou e foi atrás dele. Encontrou-o sentado em uma coluna na frente do Coffee Shop.

– Michael, minha vez de falar.

Ele apenas levantou os olhos, e ela sentou ao seu lado.

– Mike... Não vou e nem quero te explicar o que acontece com Harry, eu também não me dou razão nesta historia, só que ela aconteceu, não sei como, nem notei como começou, eu apenas, quero vivê-la.

– Isso pode te custar tudo, Gina. Seu sonho.

– Eu tenho consciência disso.– Então ela se lembrou a gravidez e o coração apertou, as
lagrimas vieram imediatamente aos seus olhos – Eu... Entendo os riscos.

– E vai corrê-los por Harry Potter?

– Vou — As lágrimas caíram — Maldita gravidez – Ela pensou.

– O que ele fez com você, Gina?

– Me engravidou – Sua mente respondeu novamente.

– Eu... – A garganta dela secou e um bolo se formou. Não entendia por que, até mesmo por que não havia motivos para se emocionar, mas ainda assim ela chorou mais forte — Sinto muito Mike… Sinto muito mesmo… Se eu… Se eu pudesse escolher… Seria você… Claro que seria você — Ela soluçou mais forte e deitou a cabeça no peito de Michael, chorando descontroladamente. Ele a abraçou.

– Eu não queria estar dizendo isso Gin, mas você está cometendo um erro. Harry Potter é um erro.

– Eu sei… Sei disso… Mas… Não consigo Mike… Não consigo ficar longe dele… Parece uma droga… Um vicio.

– Pelo que eu vejo, não posso fazer mais nada, não é Gina?

– Não, Michael, por hora não pode.

Ele levantou-se, e ajudou-a a levantar.

– Então vou fazer o que ainda posso, e encobrir este seu relacionamento até quando der. Mas você sabe que eu não vou conseguir fazer isso para sempre, não sabe?

– Sei sim.

– Ótimo, então.

Ela olhou o relógio.

– Eu preciso ir, Mike, não precisa me acompanhar.

– É com ele não é? Seu compromisso?

– Sim. É com ele.

Mike balançou a cabeça negativamente.

– Boa sorte Gina. Vou indo.

– Mike! Obrigada.

– Não agradeça... Eu não estou... Eu estou fazendo isso, apenas por que não quero perder seu talento na equipe. Minha posição é a mesma. Você está enterrando seu futuro, por nada.

Então ele deu as costas e saiu, a Gina não restou opção, senão ir embora também. Gina abriu a porta e quase caiu de susto. Harry estava sentado no sofá, com cara de poucos amigos.

– Harry?

– Surpresa em me ver?

– Não esperava você.

– Isto parece bem obvio. Onde você estava?

– Eu saí.

– É mesmo? Tente outra resposta.

– Fui ver Michael.

Ele girou os olhos impaciente.

– Achei que já tínhamos discutido o assunto Corner e achei que tinha sido bem claro sobre a parte do “Quero você longe dele”.

– E eu achei que tinha sido bastante clara sobre a parte do “Você não manda em mim”.

– Você não tem mesmo amor à vida não é, Ginevra?

– E você, não leva jeito para ameaçar, Harry Potter. Não sei como caem na sua lábia. Olha, não enche meu saco. Eu fui tratar de negócios, ainda trabalho com ele sabia?

– Trabalha somente por que quer.

– Nem vou discutir. Não vem discutir comigo Harry, eu estou gravid — Ele fez uma careta.

– Precisa lembrar disso o tempo todo?

– Qual o problema? Já tá rejeitando seu... – Ela percebeu o tom de voz e tapou a própria boca – Cadê Hermione?

– Já saiu – Ele disse com uma expressão tediosa.

– Otimo. Já está rejeitando seu filho?

– Eu não estou rejeitando ninguém. Que droga Gina, só não precisa me lembrar o tempo todo.

– Por que? Por que te faz sentir mal saber que errou, Harry? Que vai ter que criar um filho bastardo.

– Uau, você fez curso para falar bobagem. Não tem bastardo nenhum. Eu fico nervoso por que eu não sei o que eu vou fazer com um bebê, Gina! Eu nem sei com eu vou segurar? Se fosse um macaco, eu seguraria pelo pé, mas não é.

– Que gentil.

– Droga Gina! Não tô dizendo que queria um macaco. Tô dizendo que... Nossa, é um bebê!!

– Não, deve ser mesmo um macaco. Sendo seu filho, né?

– Agora você foi de uma gentileza assustadora. E como é meu filho, não será um simples macaco. Será o suprassumo dos macacos. Um King Kong.

– Modesto.

– Pratico.

– O que mais me irrita é que você é cínico!

– É mesmo?

– Agora, não quero mais falar do Mike, e nem de filhos. Por favor. Estou com a cabeça cheia. Estou... Nossa, estou cansado.

– Cansado?

– Muito. Hospitais... Rony... – Ele ficou mais sério – Ver meu amigo daquele jeito... Eu não...Que droga! — Gina riu e se aproximou.

– Fique quieto Potter.

– Por que?

– Por que quero te dar um beijo que não fique marcas ou voem fios de cabelo, para variar — Ele arriou no sofá ainda beijando-a e ela sentou em seu colo.

– Beijo gostoso…

– É? Muito gostoso?

– Adoro quando você tá assim, mansinha…

– Quem fica manso é cachorro, e cachorra é a senhora sua mãe.

Ele riu.

– Eu tô falando sério. Gosto quando você se rende.

– O que eu vou fazer? Não tem jeito mesmo, né?

– Não é?

– Não – Ela repetiu rindo.

– Você me deixa muito idiota, sabia?

– Eu adoro isso, Potter.

Harry fez uma careta.

– Não faz assim, Ginevra.

– Não tô fazendo nada.

– O menino ainda tá aí, sabia?

– Isso não é um problema. Vou lá agora e vou colocá-lo para dormir. E você... Vá para o quarto, me espere na cama, tenho... Planos para você.

Ela levantou rindo e foi em direção ao quarto de Joey.

– Eu que tenho... Planos pra você sua ruiva teimosa. Eu que tenho...

...

Quinze minutos depois Harry bateu na porta do quarto do garoto.

– Posso entrar? — Ele abriu mais a porta e fez uma careta quando viu que o garoto ainda estava desperto — Ainda?

Gina deu de ombros.

– Já está com sono, Cowboy?

– Absolutamente – Ele disse parecendo indignado – Mas preciso ir no hospital.

Gina sentou na cama imediatamente.

– O que houve com Rony?

– Acalme-se mulher. Não houve nada. Ele receberá alta definitiva amanhã de manhã, estou apenas indo adiantar os papéis, por que eu vou ter que sair daqui direto para o escritório, tenho uma reunião importantíssima na primeira hora. Você não quer ver seu irmão aqui de cara feia amanhã, por que teve que me esperar umas horas a mais, né?

– Te esperar para que, Potter?

– Para fechar a conta, ora essa.

– E desde quando o St. Mary é um hospital particular?

– Desde quando eu precisei subornar todo mundo para o seu irmão ter atendimento diferenciado.

– Mas... Você subornou os médicos, Harry? Meu Deus!

– Foi por uma boa causa, Ginevra! Eu não levo nem quarenta minutos, é um tempo razoável para o pesti... Digo... Garotinho aí dormir.

Joey o olhou de esguelha.

– Eu entendi viu?

Gina riu.

– Foi com carinho garoto.

– É Harry... Você é quase um ursinho carinhoso, agora anda logo, ou eu vou acabar dormindo.

– Não vai dar tempo, coisa linda. Eu volto rapidinho.

Ele piscou e saiu. Joey olhou para Gina.

– Ele é seu namorado? — Ela tossiu um pouco antes de responder.

– Não... Não Ele é amigo do seu tio... Digo padrasto... Enfim, do Rony.

– Pai.

– O que?

– O Rony... Ele é meu pai. Eu perguntei para ele outro dia, se eu podia escolher ele para ser meu pai, e o Ron deixou.

– Ah... — Gina, ficou sem saber o que dizer.

– Não é legal?

– Uau... – Ela riu nervosa – Muito, muito legal.

– É, eu também acho... — Ele virou-se de novo e concentrou-se no desenho.

Gina riu para si mesma. Talvez o menino estivesse mesmo certo. E se Rony de fato fosse o pai. Os traços característicos ele tinha, tanto físicos quanto comportamentais. Ela era uma das únicas pessoas que conheciam a historia toda, iria perguntar a Hermione. Iria tirar aquela historia a limpo.

...

Harry desceu do seu Maybach Landaulet prata, um carro feito sob medida para chamar atenção. Um carro, como ele mesmo diria, feito sob medida para um Potter. Caminhou a pequena distancia entre a calçada e a porta da modesta casa que ficava na esquina da tranquila Kentucky St.

Ainda não passava das dez, ele tinha meia hora para não estourar o limite de tempo que dissera a Gina. Ela não ficaria sabendo de sua pequena mentira. Era o suficiente para o que ele queria fazer.

Bateu na porta. Não havia campainha.

– Que coisa brega... – Ele resmungou para si mesmo – Pessoas vivendo como se estivessem no século XVIII em plena era da tecnologia. Existe algo mais piegas que desdenhar da tecnologia? – Ele limpou a mão no sobretudo – Até esta poeira deve ser do século XVIII.

Segundos depois a porta se abriu e Michael o encarou. Assim que o viu, tentou fechar a porta, mas Harry o impediu com um pé.

– O que você quer?

– Falar com você.

– Não tenho nada a tratar com você.

– O que é que foi Corner? Com medo? Por que não vem aqui de uma vez e me encara como um homem, seu filhinho de papai de merda.

– Quem é você para me chamar assim?

Michael enfrentou Harry. Ele riu.

– Não tenho tempo para um combate corporal com você Michael, mas se quiser mesmo um, estarei a disposição, basta marcar uma hora. No seu caso, terá que ligar para o sac da empresa, eu não dou meu telefone pessoal a qualquer um.

– Não tenho interesse em combate algum que não seja nos tribunais, Potter.

– Tem certeza? Por que ao meu ver você está andando em um terreno muito perigoso, muito semelhante aos meus campos de diamante em Cabo Verde. Quilômetros e quilômetros de uma praia fechada, lotada de diamantes e minas explosivas.

– Você adora se exibir, não é?

– Ora, ora, Corner, se você tivesse um campo de diamantes, também adoraria. Agora acho muito bom ter cuidado onde pisa, por que senão... – Ele chegou mais perto e fez o gesto com as mãos – BUM!

– Ameaças?

– Advertências.

– Não há nada mais ridículo do que comparar uma mulher com posses. É disso que estamos falando não é? Da Gina?

– Ah sim aquela sua campainha do século XVIII e sim, é da Gina que estamos falando.

– Ela não é sua propriedade Potter. Ela não pertence a você para ser igualada a um diamante.

Harry riu.

– É minha sim, Corner. Minha, e só minha. Assim sendo, igualo como quiser.

– Prepotente. Veio aqui fazer o que? Implorar que eu a deixe para você.

– Não sonhe tão alto, garoto. Não vou implorar por algo que já me pertence, vim apenas deixar bem claro para você que ela é minha agora, e eu acho bom, você não se esquecer disso quando dirigir a palavra a ela. Repita para si mesmo. “Estou falando com a mulher de Harry Potter”.

– Você é muito filho da puta.

– Eu acho que você deveria checar o histórico de sua própria árvore genealógica antes de falar comigo sobre caráter. Por falar em porcos chauvinistas e mentirosos, como vai o seu pai?

– Vai insistir na sua história da carochinha sobre meu pai?

– Com você? Não mesmo seu São Bernardo, você é tão cachorrinho do seu pai, que seria capaz de lamber seu rabo. Não mesmo, mas não esqueça. Eu já tenho motivos sobrando para querer ver a casa dos Corner cair. Não me dê mais um, Não... Mexa... Com a minha... Mulher.

– Você é só mais um babaca rico que acha que o dinheiro pode comprar tudo.

Harry chegou muito próximo dele.

– Deixa eu te contar um segredo Mike… Eu não acho que o dinheiro pode comprar tudo, eu tenho certeza… Ah e… Outro segredo… A Gina prefere o babaca aqui. Agora deixa eu ir, por que... Tem uma mulher muito gostosa me esperando em casa – Ele se afastou em direção a porta — Até logo Mike, ah sim... Compre uma campainha cara, essa... Esse... Seja lá o que você chama isso... É muito feio.

...

Quando o carro se aproximou do apartamento de Rony, Harry olhou o relógio e xingou baixo. Estava vinte e cinco minutos fora do tempo marcado, Gina devia estar brava.

Entrou no apartamento devagar, estava muito silencioso. Ele foi primeiro até o quarto de Joey, mas o garoto já dormia profundamente e Gina não estava lá.

– Deve estar no quarto dela – Ele pensou.

Caminhou devagar até lá. Não que se importasse de sua presença ser notada, mas o andar leve e silencioso já era uma de suas características. Uma das muitas que havia adquirido em Hogwarts.

Entrou no quarto e viu Gina na cama. Dormindo. E completamente nua. Ela devia estar querendo lhe fazer uma surpresa e acabara dormindo.

Ele sorriu com a visão daquela bela mulher nua à sua espera. Ele se despiu devagar, sem tirar os olhos dela, sem desviar a atenção nem por um instante. Só olhá-la já o excitava, como a um adolescente folheando uma revista pornô escondido no banheiro, ou espiando as frestas de um banheiro feminino.

Havia um sabor de perigo que o prendia.

Subiu na cama devagar, não queria acordá-la antes do tempo, tocou sua perna e foi subindo, o toque macio e intenso. Aproveitou a posição em que ela estava e beijou-lhe o pescoço. Gina despertou com um gemido.

– Tem mania de dormir nua Ginevra?

– Tenho. Especialmente quando você está por perto. E você? Tem mania de invadir a casa alheia e atacar mulheres inocentes?

– Parece que ganhei mais um fetiche… Eu só não estou muito certo sobre a inocência das mulheres que ataco…

– Palhaço.

– Diga que não estava me esperando... Diga que não fez de propósito....

– Não posso... – Ela falou num sussurro misturado a um gemido, quando ele lhe mordeu a clavícula – Mentir é contra a ética da minha profissão.

As mãos dele subiram pelo caminho das pernas, coxas, quadril, cintura e lateral dos seios, e então ele lhe afagou um dos seios com a mão, pressionando o mamilo levemente com as pontas dos dedos. A língua castigava deliciosamente seu pescoço.

Harry era um predador, um predador místico, daqueles que encantavam sua presa antes de devorá-la. Gina já estava completamente entregue. Até já se esquecera do seu atraso.

– Esse seu cabelo... Gina... Como você pode ser tão linda? Como... Pode... – Ele disse enquanto deslizava a mão por dentro dos cabelos dela, agarrando-o com força e jeito, apertando-o, gerando uma dor leve e excitante.

– Ai Harry... — Ela gemeu de propósito. E sorriu ao sentir o pênis rijo que pressionava suas nádegas, pulsar.

– Às vezes você é tão... Leviana.

– Eu sou? — Ela ondulou fazendo suas nádegas esfregarem o sexo dele.

– Muito.

– Me xinga Potter — Harry hesitou uns segundos.

– Não sabia que curtia isso, Gin...

– Mandei xingar! — Ela foi mais enérgica.

– Minha safada — Ele disse sussurrado em seu ouvido.

– Você xinga como uma velha de setenta anos. Não pode fazer melhor do que isso, Potter? É tudo o que consegue?

Ele sorriu.

– Cala a boca cadelinha. Eu ainda estou falando — Ela se arrepiou inteira.

– Você me chamou do que? — Ela disse com a voz sedutora enquanto passava um dos braços em volta do pescoço dele e arranhava suas unhas no couro cabeludo prendendo seus cabelos pretos entre os dedos.

– Ai Gina! — Harry resmungou.

– Repete. Repete — Ela disse com a voz visivelmente alterada pelo desejo.

– Ca-de-la — Ele disse baixo e com pausas. Gina sentiu a vagina pulsar.

– Desgraçado.

Ela o beijou. Ele lhe mordeu o lábio inferior, a mandíbula até chegar a orelha.

– Você é muito safada, Gina.

– E você gosta Harry? — Ele passou o dedo em seus lábios e ela mordeu de leve.

– Muito.

– Você é muito descarado.

Ele a virou, fazendo-a deitar de barriga para cima e a beijou. Depois do beijo, mordeu seu lábio inferior, encarando-a.

– E você gosta?

– Muito.

– Fique quieta — Ele disse de repente.

– O que?

– Shh. Quieta. Bem quietinha.

Harry se posicionou no meio das pernas dela, como se fosse penetrá-la, Gina até se preparou para recebê-lo, erguendo as pernas na altura do quadril, mas ele as segurou e baixou de volta.

– Espere... Espere, quieta.

Com uma das mãos, Harry traçou o caminho do colo até a virilha dela, apenas com as pontas dos dedos, excitando-a extremamente, mesmo não tocando nenhum ponto particularmente erógeno.

– Harry...

– Macia demais...

– Vem… Vem para dentro de mim — Ela choramingou.

– Não! Deixe-me tocá-la… — Ele afundou alguns milímetros a ponta do dedo em sua vagina e ele deslizou fácil. Gina estava muito molhada.

– Ai…

– Gosta?

– Muito…

– Se eu fizer... Assim? – Ele aprofundou o dedo penetrando-a – Você sente a diferença? Consegue sentir?

– Sinto… Oh meu Deus, eu sinto, eu sinto…

Ele se posicionou melhor e segurou suas duas pernas e em seguida penetrou-a devagar.

Gina gemeu alto, mais parecia um miado fino e alongado de uma gata no cio.

– Harry... Harry...

– Chega... De... Conversa — Ele disse e debruçou-se sobre ela penetrando-a mais fundo.Gina fechou os olhos e tentou apenas sentir. Era tão erótico, beirando o pornográfico.

Tão bom, tão bom.

Sexo com Harry Potter era melhor por que era sexo em essência. Sexo por puro desejo, sem sentimentos atrapalhando o êxtase.

Ele a penetrou mais, mais e mais.

Ergueu um pouco o corpo, ficando de joelhos, passou os braços por baixo nas pernas dela fazendo com que as dobras dos joelhos ficassem por cima do seu braço e a penetrou mais forte. Não era rápido, era apenas forte, intenso, delicioso.

A visão era fantástica. Ele podia ver tudo. O corpo branco sarapintado, os seios se movimentando, acompanhando a cadencia dos seus movimentos. O rosto dela exalando luxúria e o encaixe dos seus sexos. Delicioso demais.

– Ai, ai, ai, ai Harry... — Ela gemeu alto.

Mas Harry não conseguia falar. Estava envolvido demais, o corpo inteiro dedicado àquele momento de prazer intenso. A única coisa que ainda fazia, era respirar descompassadamente. O suor pingava-lhe da testa.

O baixo ventre queimava, seu pênis estava inchado, ele podia sentir. Tudo pulsava, ele ia gozar.

Ele perdeu a força nos braços e arriou completamente, fazendo com que a união dos corpos fosse mais intensa. Ela o agarrou com os braços e as pernas. Por um momento, o preservativo passou pela sua cabeça, só para no instante seguinte lembrar que ela já carregava um filho dele, não seria necessário. E de repente a visão de Gina com uma barriga de seis meses, fora uma imagem tão excitante, tão erótica que ele não conseguiu segurar mais, nem queria. Queria deixar que o orgasmo o abatesse.

– Gin...

Ela estremeceu embaixo dele e gemeu fino. Ele continuou penetrando-a no mesmo ritmo, devagar, intensamente, até a base do pênis, por vários segundos até amolecer sobre seu corpo. Ele virou e ela foi com ele automaticamente, deitando sobre seu peito.

– Não podemos dormir assim... Rony... Amanhã... — Ela falou com a voz fraca e fechou os olhos.

– Eu sei... — Ele também fechou os dele. E nenhum dos dois sentiu o sono chegar.

...
Gina abriu os olhos devagar, estranhando a claridade. Sempre dormia de janela bem fechada. Devia ter esquecido. Abriu os olhos devagar. Estava tão sonolenta. Raramente ficava sonolenta. Normalmente tinha muita energia, mesmo quando dormia tarde, acordava disposta.

Mas hoje estava exausta. E o motivo estava ao seu lado.

Harry dormia de frente para ela. Ela sorriu vendo o rosto sereno que ele tinha dormindo. Não parecia em nada com aquele semblante irônico e esnobe que ele adquiria quando seu consciente funcionava.

Desligado ele chegava a ser... Não tinha como descrever, mas doce... Seria uma palavra que se aproximava muito do que ela pensara.

Harry era um homem muito peculiar, difícil de compreender. Muito, provavelmente, difícil de se conviver. Não entendia como Ron... O mais cabeça quente dos irmãos, conseguia lidar com ele. Na verdade a origem daquela amizade tão firme e despreocupada era uma historia que ela gostaria muito de ouvir.

Rony...

De repente ela teve uma epifãnia

– Caralho que horas são? — Ela ergueu o corpo da cama e encarou o relógio grande de parede em frente a sua cama. Quase dez horas – Puta que pariu, Rony... – Ela virou-se para Harry e sem qualquer delicadeza, começou a chacoalhá-lo – Harry! Harry! Acorda.

Ele em se moveu. Então ela usou mais força e falou mais alto.

– Harry? Harry! Puta que pariu! Acorda!

– Que? – Ele disse sonolento.

– Acorda! Harry! Acorda agora!

– O que é mulher? – A voz dele ficou mais grossa.

– É de dia!

– Ah que bom né? Até daqui a pouco…

– Eu não estou brincando Harry James Potter, levante-se já daí! Rony já deve estar em casa… Ou chegando. Você tem que ir! — Ela o puxou e depois empurrou, fazendo-o concordar que era uma ideia melhor levantar-se antes que fosse derrubado da cama.

– Calma Gina… — Ele tentou organizar os pensamentos, mas sentiu-se jogado pra fora da cama, e em seguida suas roupas foram jogadas em seus braços.

– Vista-se — Ela disse enquanto vestia a si mesma.

– Caaalma Ginevra!

– Calma nada! Sai! Sai! — Ela o empurrou até a porta, mesmo que ele ainda não tivesse conseguido se vestir por completo e estivesse todo desgranhado.

– Ei… Ei… Espera…

– O que é? — Ele piscou.

– Adorei a noite.

– VAI EMBORA HARRY! — Ela bateu a porta e riu no segundo seguinte.

...

Uma hora depois Hermione chegou no apartamento, sem Rony. Gina estranhou.

– Onde ele está? — Ela perguntou em meio a uma colherada do chocolate que dividia com Joey, enquanto eles assistiam desenho.

– Virá com Harry, será liberado em duas horas. Gina... Preciso muito falar com você.

Ela encarou Joey.

– Isso significa:“Joey cai fora” ,não é mãe? — O garoto perguntou amuado.

– Não tão grosseiro meu amor. Está mais para um:“Por favor amorzinho, nos dê licença”.

O menino fez uma careta.

– O que dá no mesma.

Ele deu de ombros e saiu. Gina encarou Hermione.

– Este seu filho me dá medo as vezes — Elas ficaram sozinhas — Pode falar Hermione.

– Gina... Eu preciso de um grande favor seu. Aliás um não, dois. Não vou poder explicar
muita coisa então o primeiro favor seria que confiasse em mim.

Gina ergueu a sobrancelha.

– Posso fazer isso, eu creio.

Hermione assentiu como se agradecesse.

– O segundo é... Eu preciso que me ajude a deixar seu irmão...


Meia hora depois Gina ainda estava calada, absorvendo tudo o que Hermione acabara de lhe contar. Embora soubesse de muita coisa, não fazia muita ideia de todo o terror que a morena havia passado, tudo aquilo era difícil de engolir.

O pior de tudo era a maneira simples e pratica como Hermione havia resumido toda a história. Contou-a como se lesse um artigo de jornal ou um anuncio comercial, sem qualquer emoção, era assustador ver tanto controle diante de tanta dor. A ideia de Hermione também lhe parecia confusa.

– Tem certeza? — Ela perguntou quando Hermione terminou de falar.

– Tenho.

– Não acha melhor simplesmente sentar e conversar com ele?

– Não vai funcionar, Gina. Você conhece Ron melhor que eu. Se eu contar para ele um décimo de tudo isso, ele vai caçar e acabar com Victor. Não é hora de agir de cabeça quente. Sem contar os riscos que ele corre...

– É verdade... Mas Hermione... Mentir não é a melhor solução.

– Eu sei, Gina. Eu não gosto disso, mas... Eu não posso fazer isso, não posso arriscar a segurança do Ron, e também não posso arriscar a segurança do meu filho... Eu não vou conseguir viver em paz... Eu sei do que aquele homem é capaz... — Gina viu o primeiro traço de fraqueza brilhando em seus olhos. Devia estar sendo muito difícil.

– Você sabe que ele vai odiar a todos nós.

– Mas vai estar em segurança. Ele não vai saber que me ajudou — Gina segurou sua mão, penalizada pela dor que havia em seus olhos.

– Gostaria que as coisas fossem mais fáceis para vocês...

– Eu também, Gina... Eu também.

– Hermione... Só mais uma coisa... Joey...Ele...

– Não – Ela disse antes que Gina completasse a pergunta – Ele não é filho do Ron...

– Tem... Certeza. Não quero offender, mas...

– Tenho sim, Gina. E não me ofendeu. Eu adoraria ter pelo menos um por cento de duvida, adoraria que houvesse nem que fosse um por cento de chance do Rony ser o pai do Joseph, mas... Não. Não é ele.

– Mas isso não faz diferença, não é?

– Nenhuma – Uma lagrima correu pelos olhos dela – Desde que eles se conheceram... Eu vejo Rony todos os dias quando olho paro meu filho — Gina levantou-se e pegou a mala que Hermione havia feito enquanto contava-lhe tudo. Hermione chamou por Joey e estendeu um papel para Gina.

– Deixe-o aqui, diga apenas que eu o mandei. Ele vai ficar bem lá.

Joey chegou e estranhou o peso do clima, mas não perguntou nada. Apenas quando Gina o chamou e andou em direção à porta ele questionou.

– Onde vamos?

– Vá com a Gina – Hermione disse séria.

– Para que a mala? – Ele indagou de novo.

– Conversamos quando eu chegar, Joe.

– Chegar onde?

– Depois... Filho.

– Por que você também não vem?

– Apenas obedeça-me Joseph — Ele ia falar de novo, mas ao ouvir seu nome completo mudou de ideia. Nunca era boa coisa quando a mãe o chamava assim. Era melhor não arriscar. Ele apenas segurou a mão de Gina, claramente chateado.

– Vamos passear, garotão. Que tal um sorvete? – Gina disse tentando parecer animada. Ele sorriu fraco.

– Boa sorte Hermione... – Gina disse – Isso não vai ser nada fácil.

– Eu sei. Obrigada Gina.

Gina saiu e Hermione ficou sozinha, olhou ao redor do apartamento, ele nem era tão grande, mas uma súbita sensação de abandono a tomou. Ela precisava continuar com o plano, tinha uma hora e meia antes de Rony chegar, nada... Absolutamente nada poderia falhar.

...

Uma hora depois, estava despachando o carro de mudanças que alugara, uns poucos pertences que não estavam em um guarda roupas. Era hora de dar adeus.

Sabia que aquele tipo de conto não duraria, era tudo uma doce ilusão, a qual se deixara viver um pouco, como se fosse uma bonificação por todo sofrimento que passara. Mas havia acabado. Era hora de voltar para sua realidade. A meia noite dela havia chegado.

Ela não queria deixá-lo, estava despedaçada. Nunca se apegara daquele jeito a ninguém, só conseguia comparar aquele sentimento ao amor que sentia por Joey. Era amor... Ela sabia disso há muito tempo. Amava Rony, amava tanto que não conseguia suportar a ideia de deixá-lo se machucar. Não podia.

Fechou os olhos e lembrou das ultimas agressões que sofrera. Ainda estava tudo tão nítido.

Flashback

– Agorra Hermiô-nini, somos nós dois... — Ele mal terminara de falar ela sentiu o tapa arder em seu rosto. Muito forte. Forte o suficiente para que ela sentisse o gosto de sangue na língua. Ela não caíra, mas sua cabeça rodou.

– Vic...

– Cachorra! – Outro tapa, ela se protegeu erguendo os braços e andando para trás – Puta! Sua prostituta barata e desgraçada — Outro tapa que lhe acertou o lado da cabeça. Hermione tentava se desvencilhar, recuando, esquivando, mas ele não parava. Ela sentiu o pé dele raspar-lhe o quadril.

– Victor não! Espera.

– ESPERRAR O QUE? SUA PUTA! – O tapa lhe acertou em cheio e ela tonteou.

Seu corpo estava doendo, muito, e em todos os lugares. Ela havia caído no chão com o ultimo tapa que ele lhe dera. Fora muito mais forte que os outros. Ela nem tinha recobrado o controle sobre si mesma de novo, sentiu-o montando sobre ela.

– VICTOR NÃO!

O grito desesperado nem fora por medo de mais agressões. Fora por aversão. A primeira impressão que teve foi que ele iria estuprá-la. Poderia aguentar uma surra, ele poderia quebra todos os seus dentes, tirar seus olhos, mas não poderia suportar sentí-lo dentro dela. Não de novo. Não depois de Rony.

Seu estomago revirou com o cheiro dele. Era nojento. Angustiante.

Mas ele não a tocou intimamente. Na realidade Victor nunca demonstrara um grande apetite sexual. Pelo menos não com ela. Ele tirou um canivete no bolso. Apoiou o joelho sobre um dos braços dela, machucando-o, imobilizando-o e segurou o outro braço.

– Vou lhe dar um presente. Algo que vai lhe lembrar de seus pecados para sempre.

Hermione sentiu a lamina rasgando sua carne e gritou.

– AHHHHHHH! NÃO VICTOR, NÃO! — Ela tentou se debater, mas ele era grande demais, forte demais e continuava cortando-a. A dor era muito fina e forte.

– Impura! Desgraçada! Vadia! Você merece, merece saber o que é! De onde vem, pecadora! Cadela! — Ela continuava gritando em meio a seu praguejo.

Em um determinado momento os gritos cessaram, mesmo que ele continuasse a marcá-la, ela apenas soluçava, a dor parecia ter espalhado pelo corpo inteiro e adormecido-o. Quando ele terminou, limpou o canivete com um pano e guardou-o o no bolso. Ainda em cima dela, ele sussurrou:

– Isto é só um lembrete Hermione… É só um aviso. Você precisa lembrar o que acontece com mulheres do mundo. Estas vadias sempre são punidas e você também será punida por todos os seus pecados, você tem o sangue sujo, seu filho... Esse bastardo, também tem o sangue sujo, toda a sua descendência é amaldiçoada.

Flashback End

Usou a ultima meia hora que tinha para olhar o apartamento, o quarto... Aquele quarto. Deitou na cama e deixou as lágrimas que estavam incomodando-a escorrerem, melhor que fossem logo, para não serem na frente dele.

Guardaria as melhores lembranças de sua vida, e aquele quarto sem sombra de duvidas estaria entre elas. Ela levantou devagar. Pegou o casaco, escreveu um bilhete, pôs em cima da cama. Não seria fácil, mas era necessário. Ouviu o barulho do carro, ele havia chegado. Estava na hora. Se nunca fora forte ou decidida na vida, aquele era o momento certo para começar a ser.

Ele já estava na sala, junto com Harry, ele a olhou e sorriu. Ela quase desmoronou.

– Oi Mione...

– Oi Ron.

As cicatrizes já estavam pequenas, os hematomas quase todos, já haviam desaparecido.

– Estou em casa... — Ele disse meio bobo.

– É... Está.

– Humhum... – Harry disse – Eu... Vou deixar vocês dois... Conversarem... Ou enfim... Vou... Tchau — Ele saiu o mais rápido que pôde, mas não foi notado.

– Cadê o Joey? — Ele perguntou se aproximando dela, mas Hermione recuou e ele percebeu a mochila na mão dela.

– Saiu.

– O que está havendo Hermione? — Ela engoliu seco.

– Nós precisamos conversar.

– O que está havendo? — Ele perguntou mais sério e ela percebeu que se não fosse curta e grossa, não conseguiria.

– Estou indo embora, Rony — Ele piscou, depois franziu o cenho e gaguejou duas vezes antes de conseguir falar.

– O que?

– Eu... – Ela se esforçou para se controlar – Eu estou indo embora daqui.

– Por que? Como assim?

– Eu... Já passei tempo demais incomodando...

Rony estreitou os olhos.

– Incomodando? Incomodan... Você ficou doida? Desde quando eu estipulei um prazo para você sair daqui? — Ela inspirou pesadamente, tentando não transparecer o medo. Tentando não mostrar que estava mentindo.

– Eu... Eu mesma o fiz, eu... Eu sempre tive minha casa, Rony... E... – Estava difícil demais – E eu quero continuar tendo meu espaço.

– Mas essa é a sua casa... É sua casa... É nossa... Nossa casa, Hermione... — Hermione firmou a voz.

– Não Ron! Esta é sua casa, sua... Até quando você acha que vamos brincar de casinha? — Rony passou a mão nervosamente pelo cabelo e depois pelo rosto.

– Não estamos brincando! Pelo amor de Deus eu não estou entendendo nada... Nós somos...

– Pára Rony!

– Mas você... Não pode... Você não pode fazer isso... Não pode fazer isso comigo. Qual é o problema Mione? É aquele maluco? Tá com medo? — Ele disse um pouco alterado e andou um pouco, afastando-se da porta, indo em direção a ela, mas quando a viu dar dois passos para trás, parou.

– Rony... — Ele cobriu o rosto com as mãos, respirou fundo tentando se acalmar. Pensou que deveria estar assustando-a. Controlou a voz e disse devagar:

– Hermione... Você está com medo, não é? Daquele cara? Me ouve... Não precisa ser desse jeito. Você não tem que ter medo.

– Não é tão simples quanto parece Rony…

– Fica comigo. Eu posso proteger você.

– Não posso…

– Por que não? – Ele disse cedendo ao nervosismo de novo.

– Por que… Simplesmente não posso – Ela disse com uma voz angustiada, lutando para não chorar.

– Mas... Meu Deus do céu, não pode ser só desse jeito. Não é simplesmente: “Oi passei semanas vivendo com você, mas cansei e tô indo emborra”. Ou foi isso? Você cansou de mim?

Ela trincou os dentes. A respiração pesou. Minta Hermione... Minta... Minta...

– Talvez... Sim... Talvez...

– Você não pode... – Ele segurou seu queixo. Era uma pegada firme, mas não machucava. Do queixo passou carinhosamente para a lateral do rosto e em seguida a outra mão copiou o movimento, as pontas dos dedos se entrelaçavam no cabelo e os polegares roçavam as bochechas rosadas dela, as mãos grandes dele cobriam quase que completamente o rosto da morena. Meu Deus, não podia perdê-la assim, sem lutar!

– Rony, pára... Por favor...

– Não vai.

– Ron, não faz isso

– Não vai não... – Ele disse baixo, com o rosto muito perto do seu, os olhos brilhando com as lágrimas que se formavam – Hermione... Não vai embora. Fica comigo...

Os rostos estavam muito próximos, o coração dela começou a bater mais rápido, as lágrimas caíram e ela não pôde evitar o beijo. Ele aprofundou o beijo rapidamente, mantendo-a seguramente firme com as duas mãos em seu rosto. Ele andou com ela até encostarem na parede.

– Não vai... – Ele falou entre o beijo e a voz saiu abafada – Não vai, você não quer ir... – As lagrimas dele caíram, as dela também, o gosto salgado se misturou a saliva – Você não quer isso...

– Rony... — Ela sussurrou.

Queria dizer que ele estava certo. Mas não podia. Queria gritar que o amava, mas não podia arriscar tudo... Ou podia? Naquele momento. O gosto dos lábios dele em sua boca, a quentura da pele sobre a dela... Parecia tão certo... Tão perfeito.

E se... E se de repente... Ela estivesse errada?

Ele juntou mais o corpo ao dela. Hermione sentiu-se aquecer. Por que aquele homem acendia aquela fogueira simplesmente encostando-se a ela? Ele subiu as mãos pelo seu pescoço, e ela o agarrou na cintura, subindo as mãos por dentro da camisa. Tocando a pele masculina, áspera e quente com as pontas das unhas.

Eram movimentos tão naturais, tão sincronizados.

Ela o queria... Rony não precisava de muita coisa. Apenas tocá-la... Falar... Existir...

Ele aprofundou o beijo, mordiscou seu lábio, segurou sua cintura com uma das mãos e apertou. Ela gemeu e desceu os beijos para o pescoço dele, passou os braços por baixo dos dele e abraçou-o, precisava sentí-lo um pouco mais.

– Ai Hermione... — Ele gemeu quando ela o apertou, próximo a um dos ferimentos que ainda incomodavam. Ela se afastou dele na hora. Tão subitamente que quase o derrubou. Não fora um aperto tão forte, nem doera tanto, mas servira para lembrá-la do por que estava indo embora. Por que não podia ficar. Hoje ele estava machucado, amanhã poderia simplesmente não estar mais vivo. Ela não podia correr os riscos.

– Não! Chega Rony!

– Hermione... — Ele falou meio desnorteado ainda.

– Não! Não! Sério! Não posso. Não quero...

– Mas... Mas Hermione você...

– Pare! Pare agora Ronald Weasley e olhe para mim... – Ele a encarou e ela reuniu todaa as forças que ainda restavam dentro de si para aplicar o golpe de misericórdia – Eu... Não quero mais... Estou sufocada, quero espaço... Quero... Liberdade... — Ele ficou encarando-a com aquelas palavras martelando em sua cabeça e as marteladas ecoavam em seu peito.

– Eu... Te sufoco?

– Não... Não sei mais viver... Com outra pessoa, eu não posso... Eu não quero... Eu estou... Indo embora... Estou indo embora agora, não faça como Victor, não me force a ficar.

Ele congelou. Não conseguiu reagir, nem falar, nem fazer absolutamente nada. Apenas assistí-la pegar a bolsa e sair.

Hermione virou as costas e não soube que milagre havia permitido-a conseguir andar até o ponto de taxi. Estava destroçada. Literalmente quebrada. Nunca havia sofrido tanto em toda sua vida.

Entrou no carro, deu o endereço de destino ao motorista e começou a chorar como uma criança desesperada.

…


Rony permaneceu alguns segundos estático. No mesmo lugar, sem acreditar no que tinha acabado de acontecer. O peito queimando. Quando havia sido a ultima vez que ele tinha sentido aquela agonia desesperada? Não lembrava, apenas não estava conseguindo conter aquilo dentro de si mesmo.

Ela fora embora, e não havia como sentir menos. Estava doendo por que ele a amava, amava o filho dela, queria aos dois, perto... Com ele. E quando parecia que ele tinha tudo isso, toda sua felicidade desaparecera em meia hora de conversa. Ele sentou devagar e não conseguindo mais conter a dor dentro de si, chorou.


Dez minutos depois, Rony ainda não havia se movido, ainda estava ali sentado, sentindo-se de um uma maneira tão estranha que ele nem conseguia nomear. Nunca havia se sentido daquela forma antes.

Estava quebrado. Ela havia mesmo ido embora.
O que era aquilo? Aquilo lhe corroendo um espaço estranhamente vazio, onde deveria estar seu estômago? Que dor era aquela? Que aperto infernal era aquele no peito.

– O que você fez, Hermione? Ele perguntou baixo e a si mesmo.

Então pensou em Joey. Ela não tinha apenas ido embora, ela também o havia levado... Joseph... O coração dele doeu mais. Muito mais. Ela tinha este direito? Tinha o direito de fazê-lo amar? Pior, muito pior, fazê-lo se apaixonar por aquele garoto e pela ideia de ser pai, como nunca antes, e depois tirá-lo da sua vida?

As lágrimas correram mais grossas e ele soluçou.

– O que você fez, Hermione? — Ele sussurrou de novo, entre os soluços.

Ele ouviu quando alguém entrou, mas conheceu pelo barulho do andar, soube que não era ela, então nem levantou os olhos, não importava, pelo menos não naquele instante.

– Ron... — A voz de Harry soou, parecendo até mais grosseira que o normal. Ou talvez ele estivesse ouvindo coisas.
Não respondeu, não tinha vontade, parecia mesmo ter esquecido do tempo e do espaço.

– Rony, o que está havendo? Por que está chorando?

– Hermione... – Ele disse, mesmo sem querer falar, foi como se saísse automaticamente – Ela foi embora.

– E você está chorando?

– É o que parece, não é? — Ele respondeu um tanto ríspido.

– Que isso cara? — Harry segurou o ombro dele.

– Me deixa quieto Harry.

– Tô tentando te dar uma força.

– Então não faz piada…

– Não vou fazer… Sou imbecil, canalha e até palhaço, mas sou seu amigo.

– Não consigo Harry... Evitar...

– Entendo...

– Não entendo... Não entendo por que está doendo tanto. Aliás, eu entendo sim... – Ele fungou e limpou as lágrimas – Eu a amo... Cara. E amo aquele garoto.

Harry apenas pigarreou e assentiu.

– Sinto muito cara, mas... Eu... Não entendo nada disso, não sou o mais indicado para dizer nada. Eu só... Não sei o que dizer Ron.

– E não sei o que fazer Harry… — Harry apoiou novamente a mão no ombro do amigo.

– Chore. Depois veremos.

– Ela não devia ter ido embora.

– Nem sempre o final é feliz, Ron… E nem sempre o final é final.

– Ela... Não podia cara.

– Não sei o que houve, e nem quero saber agora. Não agora. O que vamos fazer é o seguinte. Você vai tomar um porre, um porre muito bom e vai dormir. Amanhã é outro dia, amanhã com a cabeça latejando de ressaca, nós dois saberemos o que fazer — Rony olhou o amigo. Harry não era ortodoxo com nada, mas os métodos dele nunca falharam.

– Vou abusar do seu dinheiro, influencia e poder, então. Eu quero uma Havana.

Harry levantou fazendo uma pequena festa.

– Cara, é isso que eu gosto em você, sabe? Sempre escolhe a melhor bebida. Vamos lá, vamos acabar com uma Havana inteira. E amanhã quando ressuscitarmos, vamos ao Golf — Rony sentiu um puxão no braço e levantou.

– Golf?

– É, sim. Golf. No Ailsa. Amanhã.

– Golf, Harry?

– Não fode, Rony, Golf é muito bom — Ele saiu levando-o em direção ao carro.

– Não tinha como ser, sei lá, algo mais pesado, tipo boxe, rugby?

– Não. É Golf. E cala a boca.

– Como vamos chegar no Ailsa?

– A pé – Harry disse olhando-o de lado – Porra né Ronald, sou eu caralho, Harry, lembra? Vamos de helicóptero.

– Não gosto de voar Harry.

– Ah, vai tomar no cú, Weasley.

…

Draco acordou primeiro. Aquela semana havia sido estranha, porém calma. Desde a ultima briga, eles estavam mais quietos, mais cuidadosos um com o outro. O amor ainda estava ali, a paixão, a intimidade, mas parecia haver uma cautela emanando dos dois. Era como se ambos andassem numa corda bamba.

Haviam feito amor na noite passada, o sexo continuava o mesmo. Perfeito, em todas as suas maneiras. Ele se moveu devagar e cheirou os cabelos dela, viu quando ela sorriu e sussurrou de olhos ainda fechados.

– Bom dia amor...

– Bom dia meu amor… Sabia que a melhor coisa do mundo é acordar e sentir seu cheiro? — Ela sorriu e virou de frente roçando o rosto no dele.

– Ai!

– Que foi amor?

– Sua barba me arranhou.


– Desculpe, eu não tive tempo de me barbear ontem, mas vou fazer isso hoje.

– Não! Não tira não meu pirata, eu gosto… Você fica lindo — Ela deslizou a mão pelo corpo dele, até encontrar uma ereção já quase formada por baixo da cueca.

– Astória... — Ele gemeu.

– Adoro…Definitivamente adoro te tocar, te sentir, te provocar.

– Você gosta porque é malvada…Você gosta de me maltratar…

– Eu te maltrato? Isso é ruim?

– Não. Ruim é quando ele se anima quando não deve.

– Ah é? E agora ele deve? — Ela o beijou.

– É eu acho que ele deve... — Ele respondeu entre sussurros.

– Que horas são?

– Sei lá!

– Olha para mim olha... — Ela desceu os beijos para o pescoço.

– Dez e quarenta e cinco — Ele respondeu consultando o relógio na mesa de cabeceira.

– Hum, nem senti o... Puta que pariu, Draco! Eu estou atrasada!

– Mentira!! — Ele ficou estático na cama ao vê-la pular e começar a procurar roupas no armário com pressa.

– Sério!! A audiência é hoje sabia?

– Que audiência?

– Point Blank, Draco! Esqueceu? — Ele sentou na cama.

– Pra dizer a verdade...

– Você e essa sua memória incrível.

– Volta para cama, Astoria.

– Você é doido? Nem pensar, tenho menos de duas horas para cruzar a cidade... E
não... Não vou naquele seu carro caríssimo por que eu não quero chegar chamando atenção — Ele fechou a boca.

– Chegaria na metade do tempo.

– Eu sei... Mas... Definitivamente não — Ele a viu indo para o chuveiro e sorriu.

– Posso tomar banho com você?

– Não engraçadinho! — Ela gritou de lá de dentro.

Draco permaneceu deitado, com os braços cruzados por baixo da cabeça, tentando entender por que ainda sentia aquele frio, como se fosse um alerta de que algo estava para acontecer, mesmo com as coisas tão calmas. Ela saiu do chuveiro chutando as peças de roupa que estavam no chão e começou a se vestir, ele olhou preguiçosamente e sentou de novo na cama.

– Oh, Deus... Que pecado.

– Pode parar Don Juan.

– Eu só tô olhando — Ela passou por perto dele, e jogou a bolsa na cama, atirando os objetos que precisaria dentro dela, então soltou um gritinho fino, quando se sentiu puxada e acabou debaixo dele ganhando beijos no pescoço.

– Não Dray… Não faz Drayzinho…

– Só um beijinho Tori… Eu vou me comportar…

– Você nunca cumpre… Draco! Eu tenho aula!

– Eu sei… Eu sei… Espera… Você já vai.

– Draco… Meu amor, olha, eu vou largar cedo e… Não Draco! O pescoço não! — Ele gargalhou e a soltou devagar.

– Ok, ok, só por que eu sei que é importante para você. Amor, você tá livre à noite?

– Estou. Por que?

– Por que vai inaugurar um novo bar em frente a faculdade, todo mundo vai, eu queria ir com você, tava pensando em chamar a Gina, o Nev... O que acha?

– Acho ótimo, quero sim.

– Ótimo — O celular dele vibrou na penteadeira.

– Atende para mim, Tori — Ele disse se espreguiçando de novo.

– É uma mensagem...

– De quem?

– Não sei.

– Olha — Ela ficou muda alguns segundos e depois seus olhos se estreitaram.

– Que porra é essa Draco? — Ele franziu o cenho.

– O que?

– Quem é Jenny?

– Jenny?

– Ficou surdo agora?

– Calma, Tori... Por que você ficou assim?

– Por que? – Ela andou até a ponta da cama – Por que tem uma porra de uma mulher dizendo que te beijou ontem a noite e adorou.

– O que? Não, calma...

– Calma um cacete!

– Tori! Calma…

– Quem é ela?

– Eu explico…

– Explica o que? Ela está perdidamente apaixonada? Encantada com seu beijo? Que porra é essa Draco?

– Não é o que você está pensando…

– Os culpados sempre dizem isso.

– Se você parar de gritar por um minuto apenas eu vou conseguir explicar...

– Fala de uma vez! — Ela disse tentando controlar a voz.

– Isto foi uma brincadeira...

– Brincadeira? Essa é a melhor desculpa que você pode me dar?

– Mas não é desculpa, Astoria... Eu...

– QUEM É JENNY?

– É o que eu tô tentando explicar, Tori, ela...

– NÃO ME ENROLA DRACO! — Ele perdeu a cabeça por alguns segundos e a segurou forte pelos ombros, sacudindo-a um pouco.

– QUER ME OUVIR? – Ele gritou – ME DEIXA FALAR! — Ela se calou, meio perplexa por ele ter alterado a voz, Draco nunca se alterava, não ao ponto de gritar. Ele também pareceu meio perturbado com a própria reação, tanto que a soltou imediatamente e se afastou um pouco.

– Nós... Ontem houve uma dinâmica na faculdade... Nós precisamos defender receitas... Foi uma brincadeira. A Jenny é minha colega de sala...

– Ela não tem nome não? — Astoria perguntou irritada.

– Como assim? O nome dela é Jenny... – Ele disse ainda sem entender.

– Jenny não é nome, é apelido!

– Sim, apelido de Jennifer, então...

– Então por que você não a chama pelo nome? — Ele franziu o cenho.

– Todo mundo chama.

– E desde quando, você é o resto do mundo?

– Isso é sério, Astoria?

– É muito sério! É muito, muito sério, principalmente a partir do momento em que esta vaca manda SMS para o seu telefone, cheia de intimidade! É... Muito... Sério!

– Vai me deixar continuar? – Ele perguntou ainda perdido com o ataque repentino de ciúmes dela.

– Continua – Ela disse ríspida.


– Então, precisamos levar uma receita, pronta – Ele começou a andar de um lado para o outro, encarando-a insistentemente, embora ele sempre desviasse o olhar e gesticulando muito — E defender por que ela era melhor que as dos outros, precisamos levantar fatos... A respeito da comida, isso nos ajudaria a preparar melhor a base de sustentação do cliente, expondo seu caráter e...

– Me poupe dos detalhes técnicos, Draco!

–Certo... Certo... — Ele bagunçou os cabelos. Estava nervoso. Não que estivesse mentindo, mas por que a situação era realmente delicada — Então, eu não tive tempo de fazer nada, nem sabia, óbvio, e comprei aquele doce de coco na padaria, beijinho. No fim da dinâmica, comemos os doces que levamos e os rapazes brincaram que adoraram meu beijo, ficaram com gracinhas, ela entrou na brincadeira, só isso – Ele deu poucos passos até ela e a segurou de novo pelos ombros, mas desta vez não foi rude — Foi uma brincadeira.

Astoria estreitou os olhos encarando-o intensamente, o coração martelando muito rápido, a razão dividida entre a confiança plena que mantinha em seu homem e a indignação pelas falsas, mas ainda assim consistentes pistas que a levavam para outra versão dos fatos. Uma versão com consequências ruins.

– Puta história de bêbado, Draco.

– Tori... Eu tô dizendo a verdade...

– Não sei não – Ela se afastou, nitidamente chateada pela situação.

– Astoria... Por que é tão difícil acreditar?

– Por que? Você ainda pergunta por que? A menina mandou uma SMS dizendo que tá apaixonada, me desculpe, Draco, mas aqui não tem nada que possa me fazer pensar sobre uma simples brincadeira.

– Eu não minto para você... — Ela sentiu uma pequena dose de remorso, queria acredita nele, sabia como a desconfiança poderia ser destrutiva, mas era mais difícil do que ela imaginava. Talvez... Só precisasse de um tempo.

– Não quero te acusar de nada, estou de cabeça quente, estou muito puta da vida, e muito atrasada. Preciso ir — Ela disse pegando a bolsa e se afastando para a porta. Draco correu até ela e a segurou. Astoria evitou olhá-lo.

– Vamos nos ver mais tarde? Você ainda vai comigo? Poderíamos conversar melhor sobre tudo isso amor e...

– Eu... Não estou com ânimo para sair — Ele segurou seu queixo e levantou seu rosto, foi impossível não olhá-lo, e uma vez encarando os olhos azuis acinzentados dele, ela não conseguiu mais recuar.

– Por favor, amor... Vai ser bom para nós, conversaremos melhor sobre isso, você poderá conhecer mais meus amigos e ver como eles são palhaços. Por favor, Tori diz que vai...

– Draco.

– Por favor — Por que era tão difícil dizer não? Ela sentiu uma agonia que nunca tinha experimentado antes, e de repente ela só queria estar longe e sozinha. Precisava pensar, precisava organizar os pensamentos.

– Tudo bem... Mas preciso ir, Draco.

– Não sai brigada comigo — Ele tentou beijá-la, mas ela se esquivou. Não conseguiria enquanto não se resolvesse consigo mesmo. Desvencilhando-se dele, ela abriu a porta com rapidez.

– Conversamos mais tarde, te ligo assim que der. Tchau — Ela saiu sem dar chance de mais explicações ou pedidos.

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...

O dia passara muito devagar, principalmente para Draco. E embora quase nada tenha sido diferente, além da discussão que ele e Astoria tiveram pela manhã, o dia também lhe pareceu mais cansativo que o normal.

A ansiedade também tomara conta dele. Não poderia contar quantas vezes discara o numero dela, quantas vezes havia interrompido a chamada antes que desse o primeiro toque.

Queria lhe dar espaço, tempo para pensar, mas ao mesmo tempo, algo dentro dele o açoitava implorando por ouvir a voz dela, um simples “oi” já seria de bom tamanho. Mas ele não queria ser o tipo do namorado grudento, não mais do que já era. Queria mostrar-lhe que era capaz de lhe dar tempo para pensar e respirar, embora não fosse nada fácil.

Já não bastava vir bancando o ciumento inveterado? Mas fora bastante complicado suportar o dia sem qualquer noticia dela. Quando a noite finalmente chegou ele quase correu até o bar, fora tão cedo que precisou dar duas voltas em alguns quarteirões para não parecer um idiota que chega primeiro em uma festa.

Quando finalmente notou alguma movimentação no bar, ele estacionou o carro e entrou.
Nenhum sinal dela. Nem de Gina ou qualquer outra pessoa que ele tenha convidado.

– Está cedo demais... — Ele disse para si mesmo, e sentou no bar. Pediu uma vodca e bebeu devagar. Não queria estar nada alterado pela bebida quando ela chegasse.

Estava decidido a parar com aquelas brigas irritantes e frequentes com Astoria. Eles não eram daquele jeito. Eles se amavam, não precisavam ficar daquela maneira. Ele pararia com aquele ciúme imbecil do Ben, e não a deixaria ter razões para se estressar com Jenny, e eles ficariam em paz e novo. Tudo poderia ser muito simples.

Ele sentiu duas mãos cobrindo seus olhos e esboçou um sorriso que não durou mais de dois segundos. Bastou ele perceber pelo perfume que não era Astoria.

– Oi docinho...- Ele ouviu a voz fina de Jenny em seu ouvido. Ele sentiu um arrepio frio na espinha e o coração disparou, mas estava longe de ser sinais de prazer. Eram sinais de alerta. A primeira imagem que sua mente formou foi Astoria entrando no bar naquele instante. Ele se afastou então, de súbito.

– Jennifer... — Alguma coisa o fez chamá-la pelo nome inteiro. Foi automático. Ela ergueu a sobrancelha.

– Algum problema, Draco?

– Nada, você me surpreendeu, apenas — Disse Draco esboçando um sorriso apaziguador, encolhendo os ombros um pouco, tentando relaxar. Ela não tinha culpa, nem de suas neuras, tampouco das de Astoria. Não era com ela que tinha que acertar as coisas.

– Senta. Toma um drinque comigo.

– Ah, eu vou aceitar sim... Estive o dia todo desejando uma boa bebida... E... Uma boa companhia — Ela disse olhando-o cum um sorriso de canto.

– Acredite, você não é a única.

– Por isso você resolveu abrir o bar então? Vontade de beber?

– Entre outras coisas — Àquela altura Draco já se sentia muito melhor, muito mais tranquilo e à vontade com a presença de Jenny. Embora seu estômago ainda revirasse de ansiedade esperando por Astoria.

– Posso perguntar uma coisa? Você não precisa responder se não quiser.

– Pode. Claro.

– Por que você está tão tenso? — Draco se ajeitou no banco. Não queria ser grosseiro, mas também não queria dividir aquele momento com Jenny. Ela era legal, o fazia rir e se sentir bem, mas não queria ter aquela conversa com ninguém que não fosse Astoria. Ainda era ela que lhe fazia se sentir protegido, compreendido.Talvez Gina. Talvez. Mas não Jenny

– Nada demais... Problemas com a família...

– Seus pais? Ou namorada? — Draco, apenas baixou a cabeça, sem saber como responder educadamente que não queria se aprofundar no assunto. Mas ela pareceu entender, por que no instante seguinte, pousou a mão sobre o braço dele, por cima do balcão e sorriu.

– Desculpe, desculpe, estou sendo inconveniente. Vamos mudar de assunto.

– Me desculpe também. Eu só... Gostaria de esquecer isto por hoje — Os olhos dela faiscaram por alguns segundos, como se tivessem capturado um sentido maior naquelas palavras dele.

– Tenho algumas sugestões — Disse sorrindo e indicando uma garrafa de whisky. Ele sorriu e ia responder... Ia... Se Astoria não tivesse chegado.

– Eu também... Quer ouvir Dray? — Draco gelou por alguns segundos. Astoria surgira de repente. O quanto ela tinha ouvido? O que ele menos precisava agora era que ela confundisse tudo.

– Tori?

Jenny apenas ficou encarando-a, sem saber exatamente como reagir. Só então, Draco percebeu que o bar estava ficando lotado. Muitas mesas já estavam ocupadas, as mesas de jogos também já começavam a ser usadas e a DJ da casa estava organizando seu material para começar a musica.

– Oi — Ela disse apenas. Não foi grosseira, também não foi carinhosa. Foi algo que aos ouvidos alheios soaria normal, mas aos de Draco, soaram tão ácidos que poderiam lhe ter derretido a pele. Fora que o fato de ela estar parada, com as mãos na cintura, e aquela expressão assassina que só ele conseguia observar já era um aviso bem preocupante de que ele estava em maus lençóis. Ele ainda a olhou um pouco antes de conseguir se concentrar na realidade.

– Ah... Tori... Amor... Esta é a Jenny... Minha colega de classe. Jen, esta é minha garota — Ele segurou Astoria pela cintura e a trouxe um pouco mais pra perto de si. Astoria sorriu. Um sorriso tão gelado que ele pôde sentir na espinha, mas mesmo assim cumprimentou a outra mulher.

– Muito prazer — Jenny abriu um sorriso largo.

– Astoria Greengrass, finalmente. Estava louca para te conhecer, não aguento mais ouvir seu nome, de tanto o Draco falar — Astoria sorriu.

– É... Ele não devia gastar tanto — Jenny riu um tanto sem graça.

– Você canta, não é? Ainda não tive tempo de ver seu trabalho, e também não é bem meu tipo de música, mas tenho bastante curiosidade.

– É... É uma das características do meu trabalho, é para poucos – Ela disse ácida e a seguir completou com uma voz mais sutil – Poucas pessoas se identificam com meu estilo.

– Ah... – A outra perdeu a linha de raciocínio. Draco raspou a garganta.

– E os outros? — Astoria o olhou, os olhos faiscando.

– Vão se atrasar um pouco, o que é bom... Por que eu preciso falar com você.

– É... Eu também.

– Ótimo então — Ela virou-se para Jenny — Com licença, mas eu vou roubar meu namorado, se não for muito incomodo para você Jessy.

– É Jenny… – Ela disse começando a formar uma frase, mas foi interrompida por Astoria que pegou a mão de Draco e o puxou.

– Que seja. Vem Dray, com licença — Ela o puxou afastando-o da mesa, deixando Jennifer olhando-os sem conseguir compreender muito bem, como se um meteoro acabasse de lhe atingir a cabeça.

– Ow! Que foi isso? – Ele perguntou sem conseguir conter o riso.

– Estou chamando meu namorado para dançar, posso? — Ele a seguiu. Por mais perigoso que passasse, ele não podia evitar de achar sexy, quando Astoria ficava enciumada.

Ela cruzou a pista de dança inteira, seguindo direto para o andar de cima do bar, onde havia um terraço ao ar livre. Um lugar onde as pessoas ficavam quando queriam fumar, ou dar um tempo do barulho.

– Pensei que iríamos dançar — Ela o olhou e estreitou os olhos.

– Não vamos dançar!

– Não? — Os olhos dela se apertaram mais.

– Tá de graça com a minha cara?

– Ué, mas eu só...

– Cala a boca Draco! Aliás, não! Não cala a boca não... Pode começar a falar. O que porra você estava fazendo com essa aprendiz de vagabunda?

– Astoria...

– Já não bastou hoje de manhã esta cadela mandar aquela SMS para você, aí eu ainda tenho que chegar aqui e encontrar você de bate papo com ela não é isso mesmo?

– Eu acho que você está exagerando um pouco, amor...

– Amor... Um... – Ela respirou fundo para não descer mais o nível do linguajar – Não me enrola Draco, não tenta... Me enrolar.

– Tori... – Ele segurou o rosto dela – A Jenny é só uma amiga.

– Ah Draco!

– É só uma colega de classe, Tori. Só uma pessoa legal com quem eu converso de vez em quando, só isso.

– Não gostei dela.

– Você nem a conhece.

– E nem quero, obrigada — Ela disse fechando a cara, parecendo uma criança. Sua razão lhe dizia que ela estava exagerando, mas algo em seu intimo gritava que ela tinha razão.

– Tori... – Ele segurou sua mão e a puxou mais para o canto, fugindo ainda mais do barulho que já era notável – Eu entendo que você tenha se estressado, afinal... Eu também teria, mas meu amor, eu não consigo entender por que você está tão insegura — Ela trincou os dentes, deu para ver pelo movimento do maxilar.

– Talvez seja pela mesma razão que te deixe estressado com o Ben — Draco respirou fundo. Não importava o que fizesse, aquele nome sempre ia lhe causar aquelas reações negativas. Mas ele procurou ser compreensivo.

– Eu entendo... Eu não quero que se sinta assim, amor. Não quero que fique insegura. Não quero que tema a Jenny, nem a nenhuma outra mulher, por que nenhuma delas chama minha atenção.

– Eu não disse que desconfio de você.

– Eu sei que não – Ele segurou seu rosto com uma mão – Mas eu sei o veneno que é este sentimento, eu sei como dói pensar coisas que não queremos, só nos trás desgosto, dor e agonia e eu não quero que se sinta deste jeito – Ele juntou a outra mão em seu rosto, aproximando-se mais dela – Eu te amo, Astoria. Como nunca amei ninguém em toda minha vida.

– Eu também te amo, Draco, e também não sei mais o que fazer com relação ao seu ciúme do Ben Summers. Eu sei que estou sendo infantil com relação a Jessy...

– Jenny, amor.

– Qualquer merda dessas – Ela retrucou mal ainda criada, fazendo-o rir – O que eu quero dizer é que eu acredito em você. Eu não desconfiei de você, quero dizer, não por muito tempo. Eu acredito na sua versão dos fatos, só que isso não me impediu de ter vontade de arrancar os olhos de vocês dois, quando os vi juntos.

– Eu sei – Ele baixou os olhos.

– É assim, Dray? — Ela o fez encará-la de novo.

– É assim o que?

– É assim que você se sente em relação ao Ben e eu? — Ele limpou a garganta.

– É... Mais ou menos assim, com a única diferença de que eu só desejo arrancar os olhos dele.

– Mas, Dray... É só trabalho.

– Eu sei, Tori.

– Então, por que? Por que tanto ciúme? Por que esse ciúme tão infundado? Eu não consigo entender, Draco e não estou nem um pouco feliz com isso, por que eu sei o quanto você tá sofrendo e o pior é que você guarda e não me diz nada. E ainda pior, é que você sofre por nada — Ele não disse nada. Apenas virou o rosto, como se não quisesse que ela o olhasse naquele momento, mas Astoria segurou seu rosto, e o fez olhá-la de novo – Olha para mim. Eu não tenho medo da Jenny, eu tenho raiva, não gosto de mulher atirada, não gosto quando estas cachorras te olham como um pedaço de carne, mas esta não é uma questão complicada de resolver. Você é meu homem, eu não tenho duvida disso, se ela não deixar você em paz por bem, deixa por mal, mas e você? Você não sente raiva Draco, você sente medo. E esse seu medo me machuca por que... É como se eu não te demonstrasse o quanto te amo, como se eu fosse incapaz de...

– Não, Tori... — Ele pousou um dedo na boca dela com ternura – Não é culpa sua que eu seja inseguro, não é culpa sua que eu não consiga superar essas bobagens amor. Eu só... Eu não sei, eu só... — Ela segurou seu rosto.

– Draco, você tem que parar de pensar que não é o homem certo para mim. Tem que parar de achar que Benjamim é minha alma gêmea somente por que compartilhamos um gosto comum por uma ou duas bandas. A musica dele nem é essa genialidade toda. É legal, eu curto, é meu estilo, mas é só... Sei lá... É só isso.

– Eu sei amor.

– Então pare de achar que ele tem qualquer chance. Pare de achar que pode ser como foi conosco.

– Tori... Não quero falar dele – Ele disse visivelmente incomodado – Estávamos falando da Jenny...

– Também não quero falar dessa vaca — Astoria cruzou os braços e ele riu da caretinha que ela fez.

– Você fica muito linda com ciúme, sabia?

– Ah... Vai se ferrar, Draco — Ele riu mais alto, e chegou mais perto.

– Tô falando muito sério, as vezes, dá vontade de te provocar, somente para ver essa carinha linda que você faz.

– Não ouse!

– Não? – Ele assumiu uma expressão brincalhona – Por que não? O que você vai fazer se eu voltar lá dentro e convidar a Jenny para uma dancinha lenta? — Ela lhe deu um tapa no braço.

– Palhaço!

– Linda — Ele segurou seu rosto e beijou a ponta do nariz. Ela não conseguiu resistir e sorriu.

– Meu deus do céu, Astoria, o que eu faço com você e essas covinhas? Hum? Você é absolutamente irresistível, sabia?

– Sou?

– Muito...

– É?

– É sim.

– Então vem cá... – Ela o puxou pela camisa – Vem cá meu vagabundo, me mostra.

Eles se beijaram. Um beijo sexy. Daqueles onde as línguas se encontram segundos antes dos lábios se tocarem. Aquele tipo de beijo que bastam três segundos de contato para brotar o desejo.

Ele deixou uma das mãos penetrarem por dentro do cabelo dela, de um jeito que sabia que ela gostava, de um jeito que ele sabia que a arrepiaria. Astoria subiu as mãos pelas costas largas, tateando como se procurasse algo em que se agarrar. Sua respiração já havia se alterado, Draco conseguia isso, muito fácil. Seu ventre também já havia esquentado e havia uma umidade aparente no meio de suas pernas.

– Dray... — Ela sussurrou. Ele passou uma mão em torno de sua cintura e quando ia trazê-la mais para perto, algo os interrompeu.

– Nooossa, mas isso é atentado violento ao pudor, vocês estão em local público minha gente. Querem meu carro emprestado? — Gina havia acabado de chegar com Neville e Colin. Eles se separaram, mas não muito. Draco riu e Astoria fez uma careta divertida.

– Oi Ginny. Nev saiu da toca! – Draco brincou, apertando a mão dos amigos.

– Caramba, se eu soubesse que vocês iam se agarrar por aqui teria contratado dois garotos de programa gostosos, para me fazer companhia.

– Ela acabou de dizer que não somos gostosos, Nev – Colin disse sorrindo.

– Estou deprimido.

– Ninguém está se agarrando sua ruiva chata – Astoria falou – Pelo menos, não mais.

– Estraguei a vibe? Ganhei meu dia! Como é que é, vocês ainda vão se agarrar, ou a gente vai beber? Tô seca.

– Rony sabe que você é alcoolatra? – Draco perguntou e ela mostrou o dedo médio.

– Mexe esse seu rabo branco e caminha, quero todo mundo na sinuca.

– Como você sabe que o rabo do meu homem é branco? – Astoria fingiu irritação.

– Por que eu levei ele a perdição, amor – Gina piscou.

– Você? – Draco apontou – Você praticava bullying contra mim, nunca me deu atenção. Nem um beijinho eu consegui — Astoria arqueou a sobrancelha.

– Vamos começar a se comportar, senhor? — Ele ergueu as mãos em sinal de rendição. Então ela o puxou e falou em seu ouvido.

– Aposta comigo na sinuca?

– Se eu vencer, qual é meu premio? – Ele perguntou com um ar cafajeste.

– O que você quiser — Ele sorriu.

– Só se for agora...

...

A noite correu muito bem, eles conseguiram se divertir como há muito não conseguiam. As tensões pareciam ter cedido... Mas era só aparência. Em um determinado momento, Draco sentou com Colin e Neville no bar, ambos começaram a conversar sobre suas mulheres. Luna tinha acabado de chegar e elas estavam na mesa de sinuca. Em um determinado momento, Draco havia se concentrado tanto em olhar Astoria que os outros começaram a gracejar.

– Olha a baba, Malfoy! — Ele sorriu.

– É cara, tá quase entrando em“coma romântico” – Disse Neville.

– Ela é fantástica cara... – Ele disse num tom quase sonhador.

– Que amor – Colin revidou com uma voz meio irônica.

– Falando sério, cara – Draco insistiu – E nem vem, Coll. Você fica com essa sua pose de avesso ao amor, mas é caído na Gina, que todo mundo sabe — Colin fez uma careta.

– Eu só tenho a agradecer, pela Luna. Ela me colocou nos eixos – Disse Neville.

– Cara... Se tem algo inteligente de verdade dentro de mim, é o meu coração… Olha a escolha dele — Ele apontou a morena que ria entre as outras duas mulheres.

– Ah... Ela é muito gata... – Disse Colin, e Draco o olhou de esguelha.

– Não fode, pirralho.

Colin e Neville gargalharam.

As mulheres se afastaram da mesa de sinuca e rumaram para uma mesa vazia onde continuaram conversando animadamente. O bar ia ficando cada vez mais cheio. Algum tempo depois, Gina e Colin se entreteram no pembolim e Luna aceitou o convite de Neville para dançar. Draco aproveitou para se aproximar da namorada.

– Oi garota linda, você vem sempre aqui?

– Essa cantada soaria barata se não fosse seu charme.

– Ela funcionou?

– É, funcionou sim.

– Que tal colocarmos a nossa aposta em pratica agora? Só você e eu?

– A sinuca?

– Isso.

– Você quer mesmo perder? — Ele gargalhou.

– Você pode tentar, sua convencida.

– Não vou tentar, gatinho, vou mostrar.

Eles foram jogar. Não foi um jogo, foi quase um massacre. Ele nunca admitiria, mas estava totalmente desconcentrado e ela era muito boa na sinuca. Ao fim da partida, ela pousou o taco no chão e sorriu.

– E agora senhor, “eu sou o melhor”?

– Que você é linda e inteligente todo mundo vê. Do seu talento para artes eu já sabia, mas ganhar de mim na sinuca é covardia Tori.

– Não me enrola, quero meu prêmio — Ele rodeou e a agarrou na cintura.

– E o que você quer?

– Para começar... Eu quero uma dança — Ele sorriu e segurou sua mão.

– Vamos.

Eles estavam no caminho para a pista de dança, quando Jenny surgiu do nada na sua frente.

– Hey D. Preciso te apresentar uma pessoa — Ele parou, um tanto confuso, Astoria parou atrás dele. Jenny estava acompanhada de um homem, aparentando quarenta e cinco anos. Ele pegou a mão de Draco e apertou.

– Lembra que eu te falei do doutor, Mark Harsh? Olha ele aqui.

– Ahhh.. Doutor... Harsh? — Draco parecia confuso, Astoria rolou os olhos.

– Sim, D... – Desta vez ela estreitou-os – O gênio dos advogados.

O homem sorriu.

– Ah... Claro...

– Então, o que você acha de pegarmos o telefone dele e marcamos alguma coisa. Não sei, um jantarzinho — Jennyfer parecia ignorar completamente a presença de Astoria, então pousou a mão no peito dele e deixou deslizar. Astoria soltou a mão de Draco e sumiu na multidão.

– Tori... Astoria... — Mas Jenny não soltou sua mão, e logo Astoria se perdeu no meio da grande multidão.

– Draco! É uma grande oportunidade — O homem ao lado da loira, olhava sem graça para a movimentação. Draco puxou a mão e a fez soltar.

– Desculpe... – Olhou para o homem – Desculpe doutor, mas vai ter que ser uma outra hora — E antes que ela pudesse reagir, ele também se meteu no meio da multidão procurando a namorada. Levou mais de quinze minutos, até que ele conseguisse achá-la encostada num canto.

– Tori...

– Não vem!

– Astoria... Não começa.

– Não começa? Não começa? Que isso agora? Agora, ela desliza a mão em você? Virou festa? — Ele não aguentou e sorriu.

– Ah Tori... Pára vai.

– Pára nada. É casa da mãe Joana agora? — Ele tentou beijá-la e ela se esquivou.

– A gente tava tão bem...

– É... Tava... Disse muito bem...

– Pára com isso mulher!

– Eu vou bater nela!

– Que? Ficou maluca Tori? — Ele iniciou um riso.

– PARA DE RIR ! NÃO É ENGRAÇADO DRACO !

– Não estou rindo — Ele desfez, ou pelo menos tentou, o sorriso na mesma hora — Por favor, Tori, fica calma... Você acabou de me envergonhar na frente do doutor advogado

– EU TE ENVERGONHEI? E O QUE AQUELA LAMBISGÓIA FEZ? AHN? QUE FOI QUE ELA FEZ COMIGO?

– Tori, pára! Pára, pára pára! — Ele segurou os dois braços dela e a empurrou com delicadeza, porém firmeza, até o canto de uma das paredes.

– Pára com isso... Por favor

– Eu vou matar essa desgraçada!

– Não vai não... Fica aqui vai, vamos conversar

– E você ainda protege essa filha da puta!

– Não tô protegendo ninguém... Deixa de ser boba

– Boba uma ova.

– Deixa de ser boba... — Draco pediu com um sussurro em seu ouvido, sorrindo com malícia.

Já tinha Astoria encurralada no canto da pista de dança, a essa altura o bar já estava infestado de pessoas, as conversas eram altas e a música mais alta ainda. Ela estava recostada à parede, ainda irritada e bicuda, e ele se apoiara na parede com as duas mãos, uma de cada lado do corpo dela. Ela já tinha cedido beijos e carinhos, mas ainda estava emburrada. E isso deixava Draco excitado, ainda havia de descobrir algo em Astoria que não o deixasse excitado.

– Não estou sendo boba!

– Tori, é bobagem...

– Diga isso de novo e eu arranco sua língua fora, Draco! Estou lhe avisando! E pare de fazer isso! — Draco estivera distribuindo selinhos pelo pescoço enquanto conversavam e ele podia sentir a pele dela se arrepiando embaixo de seus lábios. Que sensação maravilhosa aquilo lhe proporcionava.

– Porque, Tori? Você não gosta? Hum? Não gosta quando eu beijo aqui?

– Pára Draco... Não é justo! Você não pode fazer isso enquanto discutimos...

– Conversamos...

– Discutimos! — Ela virou o rosto quando ele tentou beijá-la — Se fosse eu a estar dentro de um bar conversando com um amigo grudento você não só teria sido grosseiro com o rapaz, isso na melhor das hipóteses, como também estaria tendo um chilique agora! E você sabe que é assim!

– Então admite que está com ciúmes?

– Ah, vai te catar! — Draco não pode conter o riso.

– Ok, Tori, ok, eu entendi, tá? — Ele tentou desfazer os braços cruzados dela e depois segurou o queixo dela com uma das mãos — Eu sou um pé no saco, eu sei disso. Tá? Mas, não consigo resistir quando é você que está com ciúme porque você fica muito, muito, muito linda — Ele a beijou do outro lado do pescoço desta vez e sentiu Astoria encolher sob seu toque quando ele a segurou forte na cintura — E muito, muito sexy também. Toda bravinha para cima de mim.

– Eu te odeio. Odeio quando você faz isso.

– Eu te odeio também. Você é um monstro. Você me deixa excitado até quando está com raiva de mim... — Ele sussurrou ao ouvido dela, Astoria adorava o tom da voz dele, e de sentir a respiração e o riso dele ao pé do ouvido.

– Deixo, é?

– Deixa, deixa muito, olha... Sente aqui — Astoria riu e esgueirou uma das mãos entre os corpos dos dois, acariciando e por fim, agarrando o volume grosso e aparente na calça jeans de Draco, ao que ele reagiu apoiando a cabeça no ombro dela, grunindo baixinho e segurando um riso curto.

– Ai, covinhas... Devagar... Desse jeito eu não dou nem para o começo...

– Fui eu que fiz isso aqui foi?

– Foi, foi sim... Ai, caralho, Tori... — Ela tinha colocado a mão por dentro da calça e repetido os gestos agora diretamente na pele, fazendo Draco se retesar cada vez mais — Meu Deus... Isso...

A essa altura ele também começara a agir e a tocava por todos os lugares que conseguia, apertando a carne e subindo a roupa aqui e ali, quando o intenso beijo aconteceu as mãos dele apertavam as nádegas dela com força enquanto ela o masturbava com vontade, Astoria ondulava devagar, roçando o corpo no dele e Draco a empurrava na parede ao mesmo tempo que a puxava para si, pressioando seu peito contra o dela, sentindo a mordida no lábio inferior que tanto o enlouquecia.

– Eu te amo, puta que pariu... Te amo tanto...

– Eu... Que isso? Que isso que seu... Vibrando? Ah! É meu celular...

– Não, não, não... Shh... — Draco tentou impedir que a mão dela saísse de onde estava, mas ela já o havia feito — Deixa tocar, Tori.

– Pode ser importante, Dray, só um minuto, tá?

– Importante o cara… — Ela colocara a mão em cima da boca dele.

– Olhaí, tá vendo? É importante! — Lançando a ele um último olhar ameaçador levou o aparelho à boca — Alô? Ben? Oi, boa noite...

Ben?! Ben era importante ?! Mais importante que a ereção dolorosa que ele, Draco, apresentava?! Mais importante que eles dois? Que o beijo? Que a sua reconciliação?! Ele passou alguns segundos, encarando-a com os olhos estáticos de raiva contida antes de tomar uma atitude totalmente impensada.

– Ah Jura?? Nossa Ben, mas que mara…

Ela não terminou a frase, foi tudo muito rápido, no instante seguinte, ele já havia lhe tirado o celular das mãos com uma rapidez incrível e o jogou contra a parede. A força foi tão grande que o aparelho se abriu todo e as partes voaram. Algumas pessoas próximas ficaram perplexas.

Ele se descontrolou, não foi algo premeditado. Em realidade, nem ele mesmo se reconhecia, mas a raiva que cresceu, foi maior do que toda sua vontade de autocontrole. Jamais, antes, em toda sua vida, havia sentido tanta raiva. No momento em que ela pegou o telefone, e disse o nome do Ben Summers, deixou de ser um simples telefonema inconveniente, para ser uma grande afronta.

O fato de Astoria, ter parado todo o clima que havia entre eles, para atender a um chamado do Summers e ainda dizer que era importante o magoou, mas não foi uma mágoa natural, destas que em meia hora já passou. Foi algo mais profundo. Foi um corte no seu coração, e um chute no seu ego.

– Draco... — A voz dela não foi mais que um sussurro, principalmente pelo susto. Ela também não esperava aquela reação.

– O que? Draco, o que? Isso é importante? Esse filhinho da puta, esse drogadozinho de merda, ele é importante? ELE É MAIS IMPORTANTE QUE EU? — Ela se encolheu um pouco, não pode evitar sentir medo, ela não o estava reconhecendo. Embora ele continuasse no mesmo lugar, parado, como uma arvore plantada.

– Draco, que bobagem é esta...

– Bobagem, é o cacete... Que porra é essa? Que... Porra... É... Essa? São duas da madrugada, duas horas caralho, o que esse cara quer contigo?

– Ele só queria me falar que o single, completou mais uma semana…

– FODA-SE MANO! SÉRIO! FODA-SE O SINGLE, FODA-SE O BEN. PUTA MERDA ASTORIA. PUTA QUE PARIU. POR QUE ESSE CARA TEM QUE SE METER ENTRE A GENTE O TEMPO TODO?

– DEIXA DE FRESCURA DRACO MALFOY. TANTA PALHAÇADA POR POUCO. FOI SÓ UM TELEFONEMA! PUTA QUE PARIU, OLHA SÓ MEU CELULAR...

– FODA-SE SEU CELULAR TAMBÉM – Ele esfregou o rosto com as mãos, o barulho estava muito alto, alto demais, mas as pessoas próximas estavam prestando atenção no show particular que eles protagonizavam – Eu não sou palhaço... Não me faz de palhaço.

– Não estou te fazendo de palhaço, você está fazendo isso sozinho.

– Não vou aceitar esse puto ligando para minha mulher a essa hora.

– Não me trate como propriedade que eu não sou objeto – A voz dela saiu ainda mais alta – Não sou seu brinquedo. Não sou seu animal de estimação! O que você acha que está fazendo, tentando me encoleirar? O que você pensa, que eu vou trepar com o Summers só por que ele e eu curtimos a mesma cerveja? Acho que está faltando um pouco de respeito aqui... — Ele respirou fundo e pesadamente algumas vezes antes de falar.

– Tem razão... Está faltando respeito, e está faltando definir algumas prioridades aqui. Tá tudo muito confuso.

– Você está fora de si.

– Estou? Estou mesmo? Mas se você quer saber, cansei... Sério, cansei. Você tem razão. Não é minha propriedade. Desculpe pelo celular, amanhã mesmo, o Benzinho já vai poder te ligar de novo. Fique com o carro, eu vou pegar um taxi.

– O que? Como assim? Draco, onde você vai? — Ela perguntou ao vê-lo abrir caminho entre as pessoas que assistiam interessadíssimas à discussão.

– Vou embora. Para mim, já deu. Arranja um celular e vai dar o parabéns ao seu amiguinho, quem sabe ele não se anima e vem aqui comemorar.

– Não seja ridículo, Draco!

– Sinto muito, Astoria... Já é meio tarde. Até depois — Ele se meteu entre as pessoas e sumiu no meio delas.

Astoria enfrentou a multidão que se apertava ao som dance que tomava conta do ambiente, buscou cegamente a saída, mas como que por instinto conseguiu encontrá-la, a tempo de ver Draco parado ao meio fio, sinalizando para um taxi.

– Dray! — Ele não respondeu, mas ela não se importou, chegou rapidamente até ele e o puxou pelo braço, enquanto o carro encostava no meio fio.

– Como assim você vai embora?

– É melhor. Estou de cabeça cheia, não quero me arrepender de atitudes impensadas.

– Você está fugindo.

– Não. Estou apenas fazendo o que devo fazer. É melhor eu ir, Astoria.

– O melhor mesmo seria você enfrentar esta situação e falar o que quer.

– Não. Não acho que isso seja uma boa ideia — Ela colocou as mãos na cintura como costumava fazer quando estava brava.

– Você precisa falar comigo Draco… Será que não entende. Ainda sou eu… Fale comigo…

– Você quer mesmo me ouvir? Por que não parece que vem me ouvindo de verdade nos últimos tempos...

– Eu perguntei a você se queria que eu cancelasse essa merda de contrato — Ele riu, mas foi um riso amargo, quase debochado.

– Viu só? Não, ouviu mesmo. O problema não é você Astoria, sou eu... E eu não consigo... Eu apenas não consigo.

– Então você foge?

– É... — Ele fez um sinal de rendição — Quando não há mais o que fazer... — Eles ouviram uma buzina… Astoria ficou impaciente.

– Isso é ridículo.

– Estou cansado de magoar você… — Ele falou num tom exasperado, quase agoniado, gesticulando muito.

– Draco, todo casal tem problemas. Todo casal tem ciúme, é normal — Ela elevou o tom de voz.

– Não o meu… Não o meu… — Ele baixou a cabeça e deixou as lágrimas caírem — Eu sufoco você… Mesmo sem querer, eu atrapalho sua vida… — Astoria revirou os olhos.

– Isso é bobagem Draco Malfoy. Pelo amor de Deus, isso é uma grande bobagem.

– Não! Não é! – Ele elevou a voz também — Olhe só pra nós… Você precisa vigiar suas frases, suas decisões… Por que eu não consigo controlar este monstro que tem dentro de mim.

– E acha que desistir é a solução? Não vai lutar? Não vai lutar por nós? Eu quero que você lute por mim!

– Eu lutei… Lutei de verdade, pequena… Mas eu perdi.

– Draco... Por favor... — Ele segurou as mãos que ela destinou ao seu rosto, mas segurou com delicadeza.


– Volte... Lá para dentro Tori... Volte para Gina e os outros, diga a verdade ou invente algo, faça como preferir... Eu realmente preciso ir, ou eu fujo daqui ou eu vou explodir... Eu preciso... Por favor me entenda, eu preciso disso... Tome as chaves — Ele soltou as mãos dela e entrou no carro, sinalizando para que o motorista seguisse. O carro partiu. Ele não olhou para trás, se olhasse, sabia que desceria e voltaria correndo para segurar as lagrimas dela... E ele precisava secar as suas próprias primeiro.

– Para onde?

Ele fungou e respondeu com a voz trêmula.

– Não sei...

– Quer que eu rode por ai? — Perguntou o homem, parecendo penalizado.

– Quero...

– Noite ruim amigo? — Ele recostou a cabeça no vidro.

– É muito complicado tentar ser o melhor para quem a gente ama. A perfeição dos atos as vezes exige um sacrifício que nosso coração não suporta. Ser altruísta é um trabalho para heróis, e eu sou apenas um mortal… O que eu faço agora? Vou enlouquecer sem ela… — Ele respondeu sem saber exatamente por que estava falando aquilo. O homem não devia ter entendido nada, mas como qualquer bom taxista ele apenas sorriu amigavelmente.

– Amanhã é outro dia meu rapaz. E com a luz do sol, tudo melhora nem que seja um pouco.

Depois de quase meia hora rodando ele pediu que o taxi parasse e desceu num bairro próximo. Apesar da hora avançada, tudo ainda estava muito agitado. Caminhou apenas alguns metros antes de sentir uma mão em seu ombro.

– D? — Virou-se e viu Jenny.

– Jen? O que... Mas como...?

– Segui você.

– Me seguiu?

– Desculpe – Ela baixou os olhos – Vi que você e a Astoria brigaram e fiquei... Preocupada com o jeito que o vi sair, e vim atrás de você — Ele olhou para cima, dando pouca importância.

– Não precisava.

– Eu me importo com você Dray... — Ele sentiu uma pontada ruim no peito. Não gostava que outras pessoas o chamassem assim, mas não disse nada.

– Obrigado.

– Eu moro aqui – Ela sorriu apontando o prédio em frente.

– Legal... — Ela se aproximou um pouco mais.

– Quer me contar o que houve? — Ele balançou a cabeça negativamente e baixou os olhos, mas o peito estava doendo demais, e Draco era o tipo de pessoa que precisava falar quando estava sufocado, talvez apenas por isso não segurou as palavras.

– Eu... Acho que Astoria e eu terminamos — Jenny disfarçou rapidamente o brilho nos olhos.

– Por que?

– Bobagens... Pequenas bobagens que crescem e se transformam monstros indomáveis.

– D... Não fique assim... – Ela o abraçou e ele se deixou abraçar, precisava de algo que o confortasse – Você é um cara fantástico, é um dos melhores que já tive o prazer de conhecer, tenho certeza que tudo isso vai passar logo. Você não precisa passar por isso sozinho — Ele a abraçou de volta.

– Eu agradeço… Do fundo do coração Jenny.

– Não gosto de te ver assim.

– Não gosto de me sentir assim…

– Não entendo por que esse desespero todo Draco. Achei que… Achei que ela amava você…

– Ela ama. Ela ama. Mas… Ela é boa demais para mim, Jen.

– Como é?

– Eu não mereço alguém como ela… Somos como… Endimião e Selene… Ela não foi feita para um homem como eu… Ela merece mais.

– Meu Deus Draco, o que esta garota fez com você?

– Não é culpa dela. É minha.

– Me desculpe Draco, mas se você tem culpa, ela também tem... Uma mulher que realmente ama o homem que tem, luta por ele, com tantas garras e dentes quanto uma mãe protege seus filhos, se você fosse meu... Digo... Se eu tivesse um amor, como o... De vocês, eu não o deixaria se partir assim.

– As coisas... – Ele soluçou – Nem sempre são fáceis — Ela o abraçou de novo.

– Draco, você não precisa estar assim. Olhe para você, um homem lindo, inteligente, cavalheiro, tão perfeito quanto pode ser, eu daria qualquer coisa para estar no lugar da Astoria — Ele ficou surpreso.

– Jen...

– Estou falando sério, Draco. Você é um homem como poucos, como ela simplesmente deixou você sair da vida dela, sem nem ao menos...

– As coisas... – Ele a interrompeu, num misto de susto e irritação – As coisas não são assim, elas são mais complicadas de entender do que realmente parecem... Eu... Não quero falar disso se não se importa, estou quebrado demais para continuar com isso — Ela tocou seu rosto carinhosamente, tão delicada quanto um felino pronto para atacar.

– Vem comigo Draco. Eu faço você se sentir melhor e eu tento consertar você — Ele se afastou.

– Não Jenny. Não posso. Não há espaço pra ninguém aqui dentro e nem maneiras de me consertar.

Ela pareceu se irritar.

– Não entendo, exatamente para o que você está se guardando Draco? Vocês não estão mais juntos. Não estou te pedindo em casamento, estou te pedindo uma noite... Me deixe confortar você. Por que você não tenta?

Ele soltou as mãos dela e se afastou mais.

– Por que seria inútil Jenny. Inútil. Eu nunca vou conseguir amar outra pessoa, não como eu amo Astoria e a ferida ainda está aberta, sabe? Alias muito aberta. Eu acabei de... Eu nem sei o que acabou de acontecer. Seria uma grande perda de tempo, eu ainda a amo, eu vou amá-la para sempre, eu não posso, nem quero.

Ela recuou. Como uma eximia estrategista, Jennyfer Shaw sabia a exata hora de recuar.

– Tudo bem... Desculpe, eu forcei... Eu gosto muito de você, Draco — Ele também suavizou.

– Fico lisonjeado... Me desculpe.

– Eu compreendo. De verdade. Mas e como amiga? Posso tentar te animar um pouco — Ele sorriu fraco.

– Pode... Mas não hoje se não se importa. Quero ir emborra — Ela fez uma careta triste.

– Só te deixo ir se aceitar ver vídeos comigo no fim de semana? Não adianta negar.

– Não adianta?

– Não... – Ela sorriu.

– Tudo bem então....- Ele tentou uma retribuição.

– Na sexta. Agora já sabe onde eu moro — Ele se afastou e chamou outro taxi.

– Sexta... Não vou esquecer — Ela piscou enquanto ele entrava no veiculo.

– Não vou deixar que esqueça.

...

Era muito tarde, mas Hermione não conseguia dormir. Não seria nada fácil se adaptar a nova rotina, uma rotina sem cor, sem graça, sem qualquer alegria.

Estavam num apartamento alugado às pressas, mas pelo menos ali, ela tinha certeza que Victor não a encontraria e por enquanto, sua prioridade era proteger Joseph. O menino estava dormindo, mas dera trabalho. Passara o dia inteiro perguntando por Rony e por que eles não podiam voltar para casa. Era incrível como Joey já tinha se adaptado à Rony, à sua casa, à sua rotina. Fora tão fácil, seria tão perfeito se Victor simplesmente não existisse.

Era mais duro ainda ver a tristeza com a qual o menino reagira o dia inteiro. Primeiro quando chegara da escola. Joey não era um menino teimoso, muito menos desafiador, ele entendia exatamente como era a hierarquia da casa, mas seu torpor era tão grande que a irritação exalava.

No momento em que fazia suas tarefas de casa, uma das muitas atividades que Joey começou a praticar com Rony, ele demonstrou tristeza e desânimo. Não que ele fosse realmente uma criança que precisasse de ajuda com os exercícios escolares, raramente precisava, mas gostava de perguntar. Muitas vezes Hermione notara que ele fazia perguntas das quais já sabia as respostas, tudo por que para ele, parecia fantástico a maneira como Rony lhe explicava as coisas. Hermione tentou tirar um tempo para fazer as lições com ele, mas não ajudou muito, ele permaneceu calado e distante, até que ela se aborrecesse.

Flashback

– Joey… Joey!

– Oi mãe…

– Pare com isso. O que você tem filho?

– Tô com saudade do Rony.

Hermione suspirou alto. Ela também estava.

– Amor, eu já disse, o Rony não pode mais ficar aqui com a gente.

– Ele pode sim, você que não quer, você que tá mandando ele ficar longe.

Flashback End

Era doloroso ouvir aquelas coisas. Nunca vira seu filho deste jeito, mas entendia o que o garoto estava sentindo, e sabia também que era a única maneira que ele tinha de demonstrar a dor da saudade.

Flashback.

– Joey… Pelo amor de Deus, tira esta máscara pesada.

– Joey não está, mas pode passar o recado para o Darth que ele avisa o Joey.

– Filho! Não tem graça! Você vai ficar com falta de ar.

– A senhora está interferindo numa missão interestelar muito importante.

– JOSEPH! Quer parar com isso?

– A senhora diz que gritar é feio e está gritando.

Hermione respirou fundo.

– Joey… Tira esta máscara.

– Mas se eu tirar a máscara, o Darth vai embora. Quem vai jogar comigo se o Rony não pode mais vir aqui agora?

Flashback End.

Agora era madrugada e mesmo que ela tentasse de tudo o sono não havia chegado, especialmente depois que Rony insistiu em ligar. Ela não atendeu, não podia, não queria, colocaria tudo a perder se o fizesse, por que não suportaria lhe dizer “não” duas vezes.

Cada vez que o celular tocava, seu coração parecia parar na boca. Era tão difícil, tudo dentro dela, gritava:“Atende”. Mas ela recusou todas as chamadas.

Flashback

Chamando: Rony…

Não posso… Não posso te ouvir… Não posso deixar que você fale perto de mim…

Flashback End

O telefone tocou. Era uma linha residencial... Não podia ser Rony, nem Victor, eles não tinham este numero, só podia ser uma pessoa. Ela atendeu apreensiva.

– Alô?

– Oi? – A voz masculina soou leve do outro lado – Como você está?

– Estou bem. Algum problema? – Ela perguntou ainda tensa.

– Não... Na verdade só queria saber se correu tudo bem – O homem respondeu.

– Sim, tudo perfeito, obrigada.

– Pelo que eu vejo, não conseguiu dormir...

– Não... Rony me ligou.

– Achei que tínhamos combinado que você se afastaria dele – A voz não se alterou.

– Eu sei, eu não atendi...

– Alguns sacrifícios...

– Eu sei, eu sei... São necessários...

– Bom... tente dormir... Amanhã tudo parecerá melhor, não é mesmo? Não é o que todos dizem?

– Eu espero que sim, muito obrigada de novo, e boa noite.

A linha ficou muda, e ela continuou pensativa. Melhoraria mesmo? Sem Rony, tudo parecia muito mais difícil do que realmente era.


"A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração"
Charles Chaplin