“A violência é o último refúgio do incompetente”

(Isaac Asimov)

Atenção:

As cenas deste capítulo em especial são muito fortes, que abordarão violencia doméstica realistica e detalhada. Pode gerar desconforto e revolta, portanto, só leia se estiver certo[a] de que tem maturidade e sobriedade suficiente para lidar com o tema. As cenas de hoje são baseadas no filme "NUNCA MAIS". De título Original: Enough. Os erros na fala do Krum, são para entoar o sotaque dele.

- Eu... Eu vou...

— O menino... Está no carro — Ele disse frio, com o sotaque arrastado e o coração de Hermione acelerou ao ponto de quase falhar.

— Cadê meu filho? Cadê meu filho Victor?

— Shh – ele colocou o dedo na boca, fazendo sinal de silencio – Está no carro, agorra entre.

Hermione conseguiu se mover, mas apenas pelo impulso de ver Joey. O menino estava sentado no banco de trás do carro, com o rosto machado de lágrimas.

— O que você fez com meu filho?

- Nada... Ainda. Entre — Ele riu de lado.

Hermione abriu a porta do banco de trás antes que ele pudesse dizer qualquer coisa e entrou. Suas mãos tremiam e suavam e o menino voou para os seus braços assim que ela sentou.

— Está bem meu amor? Está machucado meu filho?

Victor sentou no banco do motorista e ajustou o espelho para encará-la.

— Ainda não dei uma surra no seu moleque falador, mas se não calarrem a boca, estarei inclinado a fasê-lo agorra.

Hermione engoliu seco.

— Meu pai vai quebrar sua cara! — Joey gritou. Victor soltou a marcha do carro e o olhou.

- Eu sou seu pai.

— NÃO É NÃO!

— Cala a boca Joey... — Hermione apertou o menino nos braços.

— Diga parra ele Hermiô-nini, que sou o pai...

— NÃO! MEU PAI É O RONY!

— JOSEPH! CALA A BOCA!!

— O fagabundo ruivo com quem sua mãe anda trepando? Non, esse imbecil non ser seu pai.

— Rony disse que eu podia escolher mamãe... — Ele falou com a voz abafada enquanto escondia o rosto entre o abraço da mãe.

— Fica caladinho meu amor, a gente vai chegar em casa logo.

— Famos parra minha cassa.

— Não! — Hermione disse segura.

— Sim, nós famos... Non quero ser interrompido por um burro de crina fermelha, temos... Assuntos importantes parra conversar.

— Victor... — Ele não respondeu, apenas guiouo carro sem parar em quase nenhum sinal.

Hermione seguiu o caminho inteiro com o coração no limite, ela sabia o que a esperava, mas temia mais pela integridade física do filho. Alguns quilômetros depois ele ligou o radio, numa musica que soava em um idioma desconhecido.

— Enton... Focê perdeu mesmo o senso de vergonha non Hermiô-nini? Como pôde se comporrtar dessa manerra vergonhosa? Seus pais sabem disso? — Ela não respondeu.

— Esta agindo como aquelas fagabundas que merrecem ser queimadas no inferrno.

— Victor... Podemos conversar sobre isso, sem a presença do Joey?

— Non... É bom que ele saiba o tipo de mãe que tem...

— Victor...

Ele parou o carro e fez uma manobra para dentro do estacionamento do prédio onde estava morando. Parou o carro com calma e conduziu Hermione e Joey de uma maneira que ninguém percebeu o que estava acontecendo. Parecia um mestre no que fazia.
Quando a porta do apartamento obscuro se fechou, ela sentiu calafrios pelo corpo todo.

— Garroto vai parra o banheirro como nos felhos tempos...

— NÃO! — Joey se agarrou a Hermione.

— Ele pode ficar se focê quiser que ele veja...

Hermione trincou os dentes.

— Para o banheiro Joey...

-NÃO MÃE!

— Banheiro, agora Joseph!

Ele ficou parado e Victor o segurou pelo braço, puxando-o.

— NÃO! SOLTA! MÃE! MÃAAAAAAAE!

— SOLTA ELE VICTOR — Ela chegou perto tentando segurar o braço de Joey, levou um tapa forte no rosto e caiu no chão.

— Quieta! Ou ele fica aqui.

Então saiu arrastando o menino que gritava incansavelmente. Quando Victor voltou. Ainda se ouvia os gritos de Joey dentro do banheiro.

— Agorra Hermiô-nini, somos nós dois...

…


Quando Hermione abriu os olhos, tudo estava muito escuro... Joey não gritava mais e Victor não estava perto. Tentou mover o braço, mas doeu tanto que as lágrimas desceram imediatamente. Seus sentidos voltaram a funcionar devagar, mesmo estando deitada, a sala girava e ainda estava embaçada em seus olhos.

A sua ultima lembrança retornou.

— Levante-se — A voz dele parecia uma pedra dentro de sua cabeça – O jantar está servido — Hermione não sabia como conseguiu se levantar. Estava tão machucada, tão machucada que não poderia sair de casa por dias.

Mas a vontade de ver Joey lhe deu forças para vencer todas as dores físicas.
Ele estava sentado à mesa. Quieto, encolhido. Assustado.

Aquilo lhe doeu mais que qualquer pancada.

Ela sentou ao lado do filho e sentiu a mão fria do búlgaro na sua.

— Famos Orrar — Desejou matá-lo.

Ele comia como se nada tivesse acontecido, começou a falar do dia, como se fossem uma família perfeitamente normal, até sorriu algumas vezes. Fez perguntas sobre a escola e as nota de Joey, como se realmente fosse o pai.

Quando acabaram o jantar ele anunciou:

— Vou sair meu amor. Não me esperre, volto tarrde.

Deu um beijo em sua testa, outro em Joey e saiu.

Hermione sentiu todos os músculos do corpo relaxarem quando a porta se fechou e começou a chorar. Joey a abraçou e chorou com ela.

Hermione pegou no sono, no sofá, enquanto passava um filme de desenho na televisão. Conseguiu dormir apenas pela exaustão física, mas não sem antes notar como aquele apartamento era uma copia fiel da casa onde moraram em Leeds. Mesma decoração, até os filmes de Joseph estavam ali.

Victor era doente.

…

Joey não conseguiu dormir, estava agitado e com medo. Ele queria proteger a mãe. Lembrou da conversa com Rony.

-Rony! – Ele pensou – Ele vai salvar a gente.

Chegou perto da mãe e chamou-a baixinho. Ela não se moveu, então ele mexeu em sua bolsa e pegou o celular.

Quinze chamadas não atendidas de Rony.

Ele apertou a rediscagem do ultimo numero chamado.

A voz do outro lado afrouxou um pouco o aperto do coração pequeno.

— Hermione? Cadê você?

— Ron... É o Joey... Salva a gente.

— Joey? O que houve? Onde vocês estão?

— Foi o Victor, ele pegou a gente.

— Como é? — Ele gritou do outro lado da linha, mas logo relaxou a voz tentando controlar-se para ajudar o garoto – Cadê sua mãe?

— Tá dormindo.

— Acorde ela.

Joey chamou, mas Hermione não se moveu. O menino estava amedrontado.

— Ela não acorda.

Rony sentiu o peito doer.

— Vai ter que me ajudar campeão, tá bem?

— Tá.

— Você precisa descobrir o endereço para mim, ok? Olhe em volta, veja se encontra alguma correspondência.

O garoto rodeou a sala, mas não achou nada. Era tudo irritantemente organizado.

— Não tem Ron... Tô com medo.

— Calma, tem que ser forte agora, eu estou com você, ok? Não vou deixar nada te acontecer, mas para isso, preciso que procure melhor, procure em gavetas, em lugares óbvios.

Joey fechou os olhos tentando pensar o que seria um lugar obvio, mas desistiu e começou a remexer as gavetas.

— Achei uma conta, serve?

— Serve. Você sabe ler?

Ele observou atentamente.

— É muito grande o nome, mas eu acho que... Se eu disser as letras você consegue entender?

— Soletre tudo campeão.

…

Rony anotou todo o endereço e seguiu para lá, pouco se importando com o limite de velocidade que estava. No caminho ligou para Harry.

— Alô? — Atendeu o playboy com a voz engrolada.

— Estou com problemas.

— E eu estou bêbado cara.

— Já notei. Mas ouça. Estou quebrando uma pilha de regras e leis neste exato momento, se eu for preso preciso que faça sua mágica.

— Você vai ser preso?

— Provavelmente.

— Posso te tirar de lá ao meu modo?

— Com certeza.

— Então relaxe, você não fica preso nem uma hora. Vai matar quem?

— Victor Krum.

— Quem é esse?

— O ex-marido de Hermione.

— Isso é sério? — A voz dele pareceu mais controlada.

— Muito sério. Ele sequestrou Hermione e Joey e eu estou indo lá buscá-los agora. Provavelmente enfiarei a cara dele dentro do triturador de lixo.

— Onde você está? Estou indo te encontrar.

— Não. Você fica ai. Isso é assunto meu, apenas me mantenha fora das grades, até que Joey e Hermione estejam bem.

— Cara eu nunca pensei que diria isso, mas... Chama a polícia.

— Chamarei. Quando eles estiverem à salvo. Estou a menos de dez minutos do lugar, apenas deixe a porra do telefone ligado.

Rony chegou ao apartamento e ia entrando quando o porteiro o barrou.

— Desculpe, senhor, mas precisa de permissão.

Ele estava pronto para socar o homem, mas pensou melhor. Entrar no jogo o atrasaria menos.

— Desculpe. É o costume. Sou tio do Joseph, filho do Krum, estou aqui para vê-los. Poderia interfonar por favor?

— O senhor Krum saiu.

Ele se sentiu mais aliviado.

— Mas Hermione e meu sobrinho estão ai. O senhor faria a gentileza de interfonar? — O homem o olhou de esguelha e pegou o telefone.

Dois minutos depois autorizou sua subida. Mas quando Rony entrou ele ficou pensativo e em seguida discou para Victor Krum.

Rony subiu correndo tanto que chegou completamente suado ao terceiro andar; dispensara o elevador. Bateu na porta com um certo desespero e ouviu Joey gritar de dentro que Krum não deixara a chave. Pensou em arrombar, chamaria a atenção... Mas era a única solução. Que viesse a polícia, Krum precisava mesmo levar uma lição.

— Joey, está ouvindo?

— Tô...

— Afaste-se da porta o máximo que puder.

Ele contou até cinco e com um único pontapé a porta se abriu.

O menino voou em seus braços.

— Cadê sua mãe?

— No sofá... — Ele disse chorando.

— Calma, ei garotão, preciso que seja só um pouco mais forte agora, vou tirar vocês daqui, mas preciso que se segure, ok? Estou aqui agora, vá pegar suas coisas.

Joey correu para o quarto e Rony correu para Hermione.

— Mione... — Ele olhou os olhos dela e engoliu seco. O rosto belo e levemente pálido estava completamente transformado. Os olhos estavam contornados por camadas roxas e densas, os cantos dos lábios estavam feridos e sangravam um pouco – Meu Deus... Meu Deus, minha morena... O que esse monstro fez com você? — Hermione se moveu, os olhos haviam inchado mais agora e ela não conseguiu abrí-los.

— Ron?

— Estou aqui... Estou aqui...

— Como…? — A voz era um sussurro.

— Não importa, vou te tirar daqui.

Ele pegou o telefone.

— Ron?

— Harry, mudei de ideia, preciso de você aqui. Acabei de arrombar uma casa.


— Estou saindo. Me passe o endereço — Ele falou — Levo uma pistola?

— Não. Mas traga bons advogados e seja mais rápido do que a policia.

Joey voltou e Rony pegou Hermione nos braços.

— Ai Ron... Dói — Ele sentiu o peito apertar e sentou-a na escada.

— Preciso ver onde está ferida, Mione, para evitar o toque. Vou tirar sua blusa, mas não se preocupe. Joey e eu cobriremos você depois.

Ele tirou a blusa dela e o outro choque veio. Haviam várias esfoliações e hematomas roxos e vermelhos, e até em alguns pontos haviam cortes e arranhões profundos.

— Puta que pariu! — Rony precisou morder a boca muito forte para se controlar. Ele mataria Krum. Com certeza mataria.

— O que estar acontecendo na minha cassa. Quem ser focê?

Joey correu e agarrou-se na perna de Rony. Hermione tentou se levantar as cegas.

Rony segurou-a no lugar que estava.

— Calma, minha querida. Joey, fique com sua mãe. Então você é o Krum? O safado que merece ter todos os dentes da boca espalhados nesta sala agora?

— Quem ser focê?

— Sou o cara que vai te ensinar a ser homem, seu filho da puta!

Victor tirou uma arma do cós da calça e apontou para Rony.

— Vou derramar seus miolos no chão e disser que foi legitima defessa.

— Solte a arma, e venha brigar comigo como homem.

— Non... Prefirro espirrar seu sangue na carra dessa fagabunda e desse marginalzinho.

- Na verdade... – A voz de Harry soou – Quem vai baixar a porra da arma é você, se não quiser que os seus miolos sejam a razão de um grupo de legistas andando por este apartamento. Seu puto!

Rony sentiu um alívio imediato. Não estava com medo do Krum, mas tinha medo da arma, da integridade de Hermione e de Joey se ele fosse baleado.

Atrás de Harry, cinco homens se espalharam, todos armados.

— Harry...

- Achei melhor trazer a pistola cara... Nunca se sabe.

— Cara... – Ele não sabia o que dizer. As sirenes da policia soaram em seguida.

— Focê fai ser presso.

Harry riu.

— Cara... Esse cara não deve me conhecer. Nenhum prazer, seu porco, eu sou Harry Potter. A propósito, você está despejado – Krum o encarou, mas ele respondeu antes que o búlgaro perguntasse – Sou dono do prédio – Em seguida olhou para Rony – Quero uma explicação de como arrombou essa porta.

Rony riu.

— Olha... Foi fácil. hein?

Harry olhou de novo para Krum.

— Você fez isso na garota seu safado? — O búlgaro já tinha baixado a arma, Harry também. Um dos homens armados atrás dele havia tomado a arma de Krum. Harry aproximou-se dele.

— Sabia que um homem que faz uma coisa dessas é do tipo que não tem coragem de encarar outro homem? Hein? Seu pilantra!

Harry deu um tapa forte no rosto do búlgaro.

“Abaixem as armas”.

A policia começou a tomar o lugar. Quando os primeiros policiais entraram, Krum apontou para Rony.

— Esse! Esse carra infadiu meu apartamento!

— O senhor está preso — O mais novo dos policiais disse.

Harry o olhou de lado.

— Não... Ele não tá não.

Então deu as costas e deixou que seu advogado intervisse, enquanto dava a ordem para dois homens levarem Joey e Hermione para o hospital.

— Eu vou com eles — Rony disse.

— Não. Você vai sentar aqui agora cara. E vai dar um tempo. Calma cara...

— Eu quero matar esse nojento.

— Eu sei... Mas a hora vai chegar. Por enquanto se preocupe apenas em cuidar do menino e da garota. Depois... Vingança Rony, é igual a sorvete, quanto mais tempo na geladeira, melhor... Sacou?

— Saquei.

— O jogo vai virar.

— Com licença senhor... Me acompanhe até a... — Um jovem policial começou a falar, mas Harry quase rosnou para ele.

— Não fode moleque. Vaza!

- Sou uma autoridade senhor...

— Haha, deve ser amigo... Para sua mulher...

— Machismo agora não Harry. Parou. Oficial, posso comparecer a delegacia amanhã pela manhã? Quero ir ver minha mulher no hospital agora.

— Eu... Acho que...

— Antes – a voz de outro policial soou atrás dele – Terá que explicar por que tentou sequestrar a esposa legítima do senhor Krum, senhor Weasley. Até lá o senhor não vai a lugar algum.


— Como é que é?

— Exatamente o que o senhor ouviu, senhor Weasley. Acabei de receber várias queixas formais que juntas lhe dariam prisão perpétua neste país, acho que o mínimo que o senhor pode fazer é prestar esclarecimentos.

— Queixas formais do que? — Harry riu, atrapalhando os dois homens.

— Como se alguma coisa aqui desse prisão perpértua — O homem olhou-o torto.

— Adoraria que demonstrasse mais respeito pelas leis de seu pais, senhor Potter. Para evitar o desgaste de prendê-lo por desacato.

— E evitar mais uma vergonha para o seu distrito que não consegue me segurar na delegacia, nem tempo suficiente para me colocar na cela. E... A propósito, as leis do seu país, meu caro, eu sou Irlandês e no meu país, os policiais costumam saber e perturbar quem realmente não presta.

— Harry, pare com isso! – Rony interviu – O senhor poderia me relatar quais são estas queixas, eu tenho pressa de seguir para o hospital.

— Claro... Se o senhor me acompanhar até a delegacia...

— Isto é necessário?

— Não senhor, o senhor pode se comprometer a comparecer a delegacia amanhã, de boa vontade para prestar esclarecimentos, com a presença de seu advogado. Não é isso delegado? — O advogado interviu antes que o homem respondesse. O homem fez uma careta.

— Claro que sim.

— Então eu vou passar por hoje, senhor, eu estou com pressa.

— Não preciso lhe lembrar que não pode em hipótese alguma, sair da cidade, sem a permissão prévia judicial, não é?

— Não se preocupe senhor, minha família está aqui, não vou a lugar algum. Com licença.

Harry seguiu atrás de Rony, com um sorriso debochado no rosto, deixando um delegado muito irritado para trás.

...

Rony permaneceu treze dos quinze minutos do percurso, calado, olhando vagamente pela janela, com um olhar aflito.

— Ou você fala alguma coisa ou este silêncio vai furar meus ouvidos.

— Eu devia furar seu cérebro, eu te disse para não levar a pistola.

— Ah não fode! Você quase se borrou de alivio quando eu cheguei com a minha Glock perfeita e brilhante apontada para a cabeça do Vrum.

— Krum.

— Que seja, tudo termina em “um”. E quase nada que termine em “um” presta. Por exemplo, “futum”... “Pum”...

— Não seja nojento, Potter.

— Só estou falando a verdade. E fala sério, se minha Glock fosse uma mulher, ela seria daquelas bem gostosas, não seria não? Uma maravilha.

— Cara, você ainda tá bêbado?

— Provavelmente.

— Chegamos senhor Potter – Anunciou o motorista.

— Cara... Eu vou embora, se precisar, me liga, preciso dormir um pouco. E qualquer coisa, pode procurar pela enfermeira Louise, ou a doutora Hilton ou a recepcionista Kayla. Elas providenciarão tudo o que você quiser.

— Me deixe adivinhar, o hospital é seu?

— Ah não... Ainda não... Mas as mulheres... — Rony saiu e fechou a porta.

— Vai se foder Harry...

— Boa noite para você também, Ron.

O carro partiu.

...


Quando ele conseguiu entrar no quarto, Hermione estava coberta por ataduras por várias partes do corpo, ela dormia tranquilamente. Havia sido sedada por que estava muito agitada.

Os médicos lhe informaram que ela não havia sofrido nada mais grave além dos ferimentos expostos, mas que logo estaria bem.

-O senhor é...? — O medico havia perguntado.

-Eu... Sou... Namorado dela
— Ele respondeu tenso.

-Desculpe-me senhor, mas preciso perguntar como sua namorada se machucou, e não seria prudente o senhor querer que eu coloque no relatório que foi uma queda de escada, como a maioria — Rony respirou fundo.

-Foi agressão senhor, mas não fui eu quem a agrediu. Ela foi agredida pelo ex marido, e eu gostaria que o senhor colocasse isso em seu relatório, para que pudesse constar na queixa formal — A partir de agora, ele teria que enfrentar aquele tipo de desconfiança.

Mas não importava, não naquele momento, tudo o que importava era que ela melhorasse, que aqueles machucados sumissem e que ele fosse capaz de fazê-la esquecer aquele dia. Victor Krum, nunca mais chegaria perto dela de novo. Nem dela, nem do filho deles.

Ele levantou a cabeça no instante em que o pensamento se formou.

Ultimamente vinha desejando demais aquele garoto como filho. Por que? Por que logo ele que não queria ter filhos? Não que não quisesse realmente, mas nunca priorizou aquilo. Não fora aquela a causa do fim de seu casamento com Lilá? Ela queria filhos, ele não fazia questão? Não fora aquele o motivo que o transformou num monstro?

Ele amava Lilá, não amava?

Então por que com Hermione, que era... Um caso tão peculiar em sua vida, ele deseja uma família?

Ainda não era amor... Era?

Não sabia se chegava a ser amor, mas paixão com certeza já era. Estava apaixonado, tal qual um garoto de quinze anos. Ela era seu centro agora. Não apressaria as coisas, viveria aquilo. Viveria cada momento.

Ele baixou os lábios e beijou sua mão. Ela se moveu.

— Hum...

— Mione? — Ele chamou baixinho.

— Cadê o Joey?

— Está na ala infantil, dormindo como um bebê e muito bem protegido. Acho que eles
erraram na dose do seu tranquilizante.

— Minha cabeça está estranha, me sinto... Não sei, ela parece está mais leve que o corpo.

— É o efeito do sedativo... Não tentar abrir os olhos.

— Está doendo.

— Eu sei.

- Joey... Está machucado?

— Não... Não está. Está apenas assustado, mas ele tomou um remedinho, e já dormiu. Harry colocou três seguranças lá fora, eles estão familiarizados com o rosto do Krum, ele não vai chegar perto de vocês. Eu não vou sair daqui — Ele segurou a mão dela um pouco mais forte.

— Promete?

— Prometo. Eu prometo. Ele não vai te fazer mal, nem a você, nem ao nosso menino.

Uma lágrima rolou pelo olho inchado e fechado dela.

— Ron... Joey não é...

— Shhh... Ele é sim... Ele é... Pouco me importa de onde venha seu sangue... Vou cuidar dele, vou cuidar de vocês dois.

— Eu... Eu... Te... – Outra lágrima desceu e ela soluçou – Agradeço muito, Ron...

— Já chega mocinha, chega de falar... É hora de você descansar. Os médicos disse que em dois ou três dias a maioria dos machucados estarão curados, amanhã solicitarei licença médica para você e ficará trabalhando em casa por duas semanas. Na minha casa isso significa.

— Ron...

— Eu farei Joey se adaptar. Vocês ficarão comigo. E não é uma discussão aberta, já é fato decidido — Ela esboçou um sorriso tímido.

— Agora descanse... Durma, eu estou bem aqui — Ele não sentiu quando ela dormiu. Deitou a cabeça de seu lado e dormiu também

…


Três dias se passaram e Hermione recebeu alta para ir para casa. Durante estes três dias, Joey ficara entre a casa de Rony, a noite quando ele chegava da empresa e a casa de Mia, sua amiga, durante o dia.

Harry havia colocado dois seguranças para seguir o menino dia e noite, sem comunicar a ninguém. Ele tinha um interesse pessoal em pegar Victor Krum. Odiava violência contra mulheres, por motivos muito pessoais.

Hermione estava bem melhor. Algumas feridas ainda estavam abertas, principalmente as internas, mas a maioria dos machucados haviam sumido.

— Oi morena...

— Oi Ron.

Ela riu.

— Vim te buscar, vou te levar para casa. Peguei tudo o que achei que precisaria na sua casa, mas se tiver faltando alguma coisa, é só você me dizer.

— Ron, você tem certeza que...

— Tenho. Na minha casa ele não vai se atrever a tentar nada. É para lá que nós vamos.

— Não quero dar trabalho.

— Não seja boba. O unico trabalho que eu terei é de ter que me controlar e manter minhas mãos quietas. Pelo menos até que você não sinta mais dor alguma.

- Seu tarado.

— A culpa é sua... Você é muito linda, Hermione, eu já te disse isso hoje? — Ela baixou os olhos e tentou disfarçar a vergonha com um sorriso.

— Devo estar linda com cara de doente, mesmo.

— Está linda, parece uma menina... Um anjinho. Seu sorriso... Ele ganha um ar muito angelical quando você está sem maquiagem. Eu gosto muito disso... Gosto muito de tudo.

— Está me deixando sem jeito, Weasley.

— E você está me deixando excitado. Venha, me deixe tirar você daqui antes que eu seja preso — Ele a pegou no braço e ela sorriu, então ele a levou consigo.

...

Draco estava vivendo sua pior semana, com certeza era sua pior semana.

Tudo estava de cabeça para baixo e ele sequer conseguia lembrar de como aquele inferno astral havia começado. Quer dizer... Ele lembrava sim. Tudo tinha começado meio que num passe de magica, depois da pronuncia de duas palavras... Ben Summers.

Era irritante a maneira como ela falava dele, estressante ouvir aquela voz de gralha soando, mesmo que fosse apenas pelo chiado dos fones de ouvido, era broxante ouvir o nome dele na televisão... Engraçado como algumas semanas atrás ele nem sabia quem era o cara, agora, ele parecia estar em todo lugar, parecia com o Mestre dos magos do Caverna do Dragão, aparecia de repente, sem que ele esperasse.

Era Summers para lá, Summers para cá. Um bando de adolescentes virgens, histéricas cantando um ode a legalização das drogas, em letras fúteis e açucaradas, cheias de gírias, palavrões e frases de efeito.

Pelo menos era assim que Draco o via.

Estava tentando escrever uma musica havia duas horas e não tinha conseguido encaixar nem as duas primeiras frases. Tinha a melodia perfeita, mas as palavras pareciam fazer graça com a sua cara.

— É claro seu grande idiota, se você pensa em merda, escreve merda — Ele disse a si mesmo com raiva.

Ele rabiscou a frase de novo e em seguida a rasurou, sem paciência, rasgou o papel e o jogou no chão.

— Mas... Que... Merda! Que Merda!

Nada o distraia. Sua aula só começaria em três horas, ele e Astoria estavam com um horário apertado e não conseguiam conciliar as agendas, o que fazia com que só se vissem tarde da noite quando ambos já estavam exaustos. Tudo estava colaborando para um grande estresse.

A campainha tocou. Era uma entrega para Astoria e ele precisava marcar o número do RG dela no aviso de entrega.

— Um minuto, eu vou pegar o document — Ele disse ao carteiro e entrou. Começou a vasculhar os papeis, onde ela costumava guardar os documentos mais importantes, devia haver alguma coisa ali com o numero do RG.

Então ele achou sua agenda, abriu-a procurando pelos papeis que haviam no meio, até encontrar uma pagina e parar nela.

— Como numa única página pode ter o nome do Summers três vezes? TRÊS? — Ele resmungou para si, mas num tom tão agressivo que nem se deu conta de que abrira a porta de entrada de novo e o carteiro estava olhando para ele.

— O que é que foi? — Ele perguntou ao homem, mal humorado.

— Estou aguardando senhor... – O carteiro respondeu educadamente.

— Esperando o que?

— O RG senhor.

— Ah... – Ele ficou sem graça – Claro... Claro.

Draco escreveu o numero com pressa e entrou, soltando o pacote em cima da mesa.

— Três vezes... Três... Que ridículo... Para que tudo isso?

Ele sabia que o que realmente era ridículo era ele se importar com três anotações tão simples que sequer se notaria.

Show do Summers... Ensaio do Summers e a passagem de uma musica. Nada além disso.

Ele sentou e começou a ver um jogo de basquete na TV. Quando finalmente havia esquecido o incidente com a agenda, o telefone o tira de sua distração.

Ele abriu um sorriso no momento em que viu o nome dela.

— Oi amor...

— Dray? Tá me ouvindo?

Um barulho ensurdecedor do outro lado do telefone fazia com que ele ouvisse muito baixo.

- A ligação está péssima Tori, onde você está?

— Estou no centro, estou com a Lucy, lembra dela?

— Não... Não lembro...

— A fã do Ben... Aquela que me deu o CD... — Na hora a expressão dele mudou.

— Sei.

— Então amor, hoje é aniversário dela, então estamos indo a Camden Town, vai ter um show do Ben lá... E ela quer muito ver. Não é nada demorado, é uma apresentação pequena, mas de lá eu vou para o Burns, então a gente se vê mais tarde, ok? — Ele passou um tempo calado, a garganta seca, uma vontade quase incontrolável de dizer. NÃO, NÃO ESTÁ NADA OK!.

— Certo — Ele disse baixo.

— Dray! Não estou te ouvindo! Você entendeu.

— Entendi Astoria — Ele falou mais alto e mais seco.

— O que foi Dray?

— Nada.

— Está um barulho dos infernos Draco, mas eu ainda consigo notar quando você está sendo seco e principalmente, quando está mentindo. O que foi? Você está com raiva?

— E por que eu estaria?

— Se eu soubesse não estaria perguntando não acha?

— O que você quer que eu diga que estou morrendo de felicidades por que você vai se intoxicar com o Summerda?

— Ah pelo amor de Deus, Dray...

— Você perguntou.

— Está chateado por que eu to indo num show do Ben?

— Não. Eu não... O ouvido é seu, se quer transfigurá-lo em penico eu não tenho nada com isso.

— Você está sendo infantil... De novo.

— E você poderia passar melhor seu tempo...

— Não sei por que está tão chateado Draco, se eu não estivesse indo ver o Ben, eu estaria indo ao cinema, ao teatro, ao bar, você sabe muito bem que eu não volto para casa à tarde, é inviável ir para casa e voltar para o The Burns, eu chegaria na hora de você sair. Qual é a diferença que faz o meu programa?

— Para mim nenhum, para você alguns neurônios.

— Já chega Malfoy, não vou discutir com você, ainda mais pelo telefone, neste barulho do inferno. Estarei em casa na hora de sempre. Tchau — Ela desligou irritada.

— Idiota! Idiota! Seu grande, burro e idiota! — Ele gritou consigo mesmo.

Draco andou pela casa, chutando as coisas que tinham no chão. Havia uma angustia inexplicável em seu coração, sem razão aparente, ela apenas existia. Em alguns momentos se fazia tão presente que lhe tirava o controle. Como agora.

Pegou o caderno e rabiscou...

Deixe-me te falar algumas palavras sobre tristeza...

Nenhum homem é uma ilha… Mas talvez devesse ser.

Construir a vida sob uma trilha, é caminhar para morrer.

Talvez devesse ter mais cuidado, com castelos criados em areia fina.

Por que você cresce acreditando que a musica é confiável, mas quando ver, desafina.


Todo homem tem em si um vulcão. Adormecido, inexpressivo, que parecesse inofensivo, até entrar em erupção
...

Quando ele terminou e leu, ficou surpreso... A musica estava pronta. Encaixada perfeitamente à melodia. Estava incrível... E triste... agoniante de se ler ou ouvir.

Ele soltou o bloco de anotações no sofá, pegou as chaves e saiu... Alguma coisa de útil tinha que fazer naquele dia, então ia estudar.

...

As aulas foram um saco, ele não prestou atenção em absolutamente nada, sua cabeça girava em torno de mil maneiras de se explicar com Astoria.

No fim das contas ele decidiu que pedir desculpas seria mais eficiente do que tentar explicar aquele ataque. Summers tinha que parar de mexer com seus brios daquele jeito.

De repente uma vontade muito intensa lhe surgiu, algo que ele não fazia desde a adolescência. Uma vontade tão insana que ele não resistiu. Foi até uma banca de revistas e comprou um maço de cigarros, acendeu um e sentou próximo à grama, num canto mais escondido da universidade.

Queria paz.

Queria ficar sozinho.

Não sabia por que tanta vontade de fumar, mas até que fazê-lo lhe trouxe boas lembranças. Lembrou de quando quebrava as regras com Crabbe e Goyle na escola, quando fazia tudo o que Lucius lhe dizia para não fazer.

Bons tempos...

A fumaça cortou o ar e ele sentiu os músculos do corpo relaxando... Ele lembrou por que curtia fumar na juventude.

Mas seu momento de calma logo foi quebrado.

— Oi... — Uma voz feminina e suave chegou aos seus ouvidos.

— Acende para mim? — Jenny disse se aproximando. Ele estendeu o cigarro e a deixou acender sem dizer nada.

— Não sabia que fumava, Draco.

— Não fumo.

- O que houve?

— Nada.

— Quer conversar?

— Não.

- Nossa docinho... Que irritação é esta?

— Docinho? – Ele levantou a sobrancelha.

— É – Ela riu – Combina com você... Sempre gentil… Educado... Tão cute.

Ele riu de lado.

— Desculpe a grosseria.

— Certeza que não quer conversar?

— Não...

-De Verdade? Nem se eu oferecer Jhonny Walker doze anos? — Ele arqueou a sobrancelha.

— Como sabe que é minha favorita? — Ela piscou.

— Ah, não precisa ser mago para notar que você só toma isso quando vai ao College Bar, mas... Mesmo que fosse um enigma, eu subornaria os garçons para descobrir — Ele ficou sem graça e baixou a cabeça, tragando de novo o cigarro sem saber exatamente o que responder.

— Então... Vamos ou não?

— Me desculpa Jennifer… Mas eu não acho uma boa por que tenho que ir para casa...

— Ah, qual é Draco... Jennifer me faz parecer uma velha, por favor, não adiante meus anos... É Jenny... Vamos lá... Só uma horinha, você vai trabalhar de babá por acaso?

— Não, mas...

— Ah Vamos lá Draco... Eu estou esperando uma carona, que nem vai demorar... Só um drink, assim você me faz companhia.

— Não vou demorar Jenny, ok? Não posso demorar.

— Ok. Ok. Vamos lá docinho.

...

— Isso são horas, Malfoy?! — Draco esticou o olhar até o relógio e viu que marcava 23h:15min.

— São só onze horas...

— Por que você não atendeu o telefone?

— Não vi tocar...

— Você sabe que eu odeio... EU ODEIO... Ouvir a mulher da caixa de mensagens!

— Desculpe...

— Você bebeu.

— O que? Não... Quer dizer...

— Não foi uma pergunta, Malfoy, foi uma afirmação.

- Não estou bêbado Astoria...

— Onde você estava?

— No College... Terminou a aula e eu resolvi tomar alguma coisa...

— Sozinho?

— Não... Com a Jenny... Ela estava esperando uma carona e...

— Jenny?

— Sim, acho que já te falei dela... Eu...

— Ah claro que já... E ao que parece, a Jenny... Está em todas agora, não é?

- A Jen é só uma colega de sala, ela estava esperando uma carona...

— Jen?! Agora é Jen? Há um minuto atrás era Jenny! Está diminuindo? Daqui a um minuto você vai chamá-la de que? J?

— Você não acha que está exagerando?

— Oh claro que sim Malfoy, agora eu sou a exagerada da casa não é, senhor“eu odeio o Summers por que você fala o nome dele”?

Draco fez careta.

— Como eu dizia, a Jenny, só estava esperando uma carona e me pediu que fizesse companhia...

— Virou guarda costas, Kevin Costner? — Ele teve vontade de rir.

— Astoria...

— Ah! Não me vem com Astoria... Você dá piti por que eu vou a um show, e eu tenho que ficar calada quando você chega tarde em casa, enquanto bebi na companhia de uma vadiazinha qualquer.

— Vamos mesmo discutir isso?

— Eu não sei, nós vamos? Dispensei dois extras para vir ficar com você mais cedo, chego e encontro a casa vazia... Você sequer me avisou, nem isso? Não estou querendo te controlar Draco Malfoy, mas se eu tivesse feito isso com você, certamente estaríamos tendo uma D.R.

— E não já estamos tendo uma?

— Vai à merda.

Ele riu. Ele se aproximou devagar e sentou ao lado dela.

— O que está assistindo?

— Ah... É... Eh... Não sei o nome do programa — Ele riu. Sabia que ela não assistia televisão.

— Vamos lá, Tori. Você não está vendo TV, olha para mim. Cheguei tarde, desculpa, mas nem tá tão tarde assim.

— Eu sei... — Ela disse ainda emburrada.

— Sabe? – Ele lhe fez cócegas.

— Pára Draco! — Ela exclamou tentando não rir. E ele fez de novo.

— Tá com ciuminho da Jenny?

Ela fez careta.

— Não!

- Tá sim.

— Não tô! Por que eu teria ciúmes dela? Eu nem sou ciumenta.

Ele gargalhou.

— Ah não né? Nossa se você fosse, eu estava muito ferrado não é? Hum? Ei... Por que tá tão séria? — Ele fez de novo, e de novo, e então começou a espalhar cócegas na barriga dela.

— Não! Dray! Pá... Ra, ai... Draaaaaaay!

A brincadeira se estendeu até que eles rolassem do sofá para o chão, então ele a deixou respirar e ficou olhando. Era incrível como o coração batia mais rápido, sempre que ele se deixava observá-la por algum tempo... Ainda sentia as tais borboletas no estomago, como se fosse a primeira vez...

— Eu já te disse que você é linda hoje? — Ela não respondeu, apenas ficou olhando-o fixamente e um sorriso brotou em seu rosto, então ela ergueu a mão e tocou o cabelo loiro, caído sobre os olhos e desceu o mesmo dedo pelo seu rosto.

— Eu sou linda? — Ele sorriu de lado.

— Muito...

— O que dizer de você então? Hum? Perfeito...

— Não sou...

— Shh, não diz nada. Vem cá Draco. Esperei o dia inteiro, só para sentir esse gosto.

— Eu te amo.

— Eu te amo, você vicia, sua boca vicia, seu cheiro… Me beija.

Eles se beijaram lentamente. Sem pressa, sem desespero, só vontade e desejo.

Os lábios se encaixaram, numa dança lenta, sedutora, provocante... Vários minutos se passaram, mas poderiam ter sido horas... E eles não teriam se importado. As mãos de Draco passearam pelos braços e fixaram na cintura, ela subiu as mãos por baixo de sua camisa, até tirá-la.

— Seu toque... Me toca... Me deixa nua... — Ele tirou sua blusa e sutiã e tocou seus seios com as pontas dos dedos. Demoradamente.

— Ai Dray...

- Fecha os olhos... Fecha os olhos amor — Ela obedeceu.

Então ele começou a tocá-la. Em todo o corpo, com a ponta dos dedos, tão leve que arrepiava cada lugar que tocava e ele adorava ver os poros acentuados, os pêlos arrepiados por causa do seu toque.

Os dedos passearam pelo pescoço, descendo pelo seu colo, rodeando os seios, em movimentos expirais, como se desenhasse um daqueles alvos até chegar ao mamilo, sorriu ao ver a resposta, os mamilos endureceram quase que imediatamente.

— Você é uma delicia.

— E você está acabando comigo... – Ela respondeu sôfrega — Ele espalmou as mãos em sua barriga e apertou sua cintura. Astoria gemeu. Adorava estas carícias. Draco conhecia e manejava o corpo dela, como um adolescente viciado em vídeo games, controlava o seu jogo.

A vantagem era sempre, toda dele.

— Tira a roupa Draco... Quero ver você — Ele obedeceu. Levantou e sem tirar os olhos dos dela, se despiu, revelando uma ereção já completa.

— Lindo... Deus! Você é muito lindo... Vem cá vem... Vem aqui, te quero aqui... Te quero em mim — Ele aceitou a mão que ela ofereceu e encaixou o corpo no seu.

A penetração foi lenta... Tão lenta que foi quase insuportável. A medida que os sexos se encaixavam, uma pressão enlouquecedora tomou conta da região baixa de ambos os corpos, era como se estivessem prontos a romper o orgasmos a qualquer momento.

O esforço para evitar foi muito grande.

As bocas se encontraram, o toque dos lábios, e então o choque das línguas... O mundo era deles, as horas não importavam. O brilho do suor já era visível, as respirações irregulares já eram audíveis, eles se movimentavam em Slow Montion e embora doesse, era o tipo de dor que se sente prazer em experimentar.

Os corpos colados, a troca de calor, tudo aquilo remetia a uma sensação inexplicavelmente perfeita. Draco a beijava como se degustasse um sabor raro e delicioso... Era tudo por ela e para ela.

Astoria recebia cada toque com a sensação de estar completa como jamais esteve, nunca havia sido tão feliz, nunca havia amado tanto... Nunca amaria ninguém daquele jeito.

Ele continuava a mover-se dentro dela, sem sair um centímetro.

— É bom sabe? Quando eu consigo controlar a libido, por que te provar é gostoso demais.

— É? Você gosta?

— Você é uma delícia.

— Você acha?

— Acho.

— O que você mais gosta?

— Quer que eu enumere?

— Quero.

— Mas eu vou beijar cada ponto que pronunciar, eu posso?

— Mais forte, Dray...

— Cacete... Ah...

Ele aumentou um pouco o ritmo, mas insatisfeito com a profundidade que conseguia ir, pegou-a no braço e a fez sentar em seu colo, movendo-se mais rápido, beijando-a com mais avidez. A boca procurando os pontos mais sensíveis que ele conhecia de cor... Pescoço... Seios... Cantos dos lábios...

— Ai... Caralho... Ai...

— To... Ri... Ah... Hum... — Eles começaram a se mover mais rápido, mais rápido, mais intensamente...

— Só é gostoso com você Draco... Só é perfeito com você — Ele aumentou as investidas até não suportar mais e gozar forte, acompanhado dela... Ele arriou por cima dela... Tentara sair, mas ela não havia permitido.

— Fica... Adoro o peso do seu corpo sobre o meu... Fica...

— Te amo... — Ele sussurrou – Te amo tanto...


— Eu também, meu amor...

Aquela paixão o consumiria vivo, ele sabia disso, mas estava disposto, a queimar por ela.

“A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora”

Benedetto Croce