Intimidade
23 Lavender
"O remorso é a única dor da alma, que nem a reflexão e nem o tempo atenuam”
(Anne Louise Germaine Necker)
O grito agudo cortou novamente o silencio, penetrando em seus ouvidos como se fosse uma faca afiada.
Rony levantou no susto.
O suor escorria pela sua face, o coração palpitava muito forte, acompanhado de pequenas palpitações espalhadas pelo corpo todo.
O que fora aquilo? Por que de novo? Por que ainda? Será que nunca se livraria de todos aqueles fantasmas? De toda aquela dor? Nunca mais teria uma segunda chance? Teria que pagar pelos erros cometidos para sempre?
As vezes ele tinha a impressão de ter sido condenado à uma sentença perpetua.
Levantou da cama devagar, com muito cuidado para não acordar Hermione, ela dormia profundamente, ainda sob os efeitos dos remédios que haviam sido receitados para a sua recuperação.
Sua semana tinha sido quase uma versão “reality show” de“24 horas”. Os acontecimentos pareciam suceder um ao outro sem lhe dar tempo de respirar. Fora o que presenciara na casa de Victor Krum, ainda tivera que enfrentar olhares acusadores de um hospital inteiro que achava que ele era um safado covarde que batia em mulheres e as acusações sem sentido do delegado.
Havia sido acusado de sequestro e agressão, se não fosse o advogado de Harry, presente no depoimento, ele teria acrescentado, agressão e desacato a autoridade na sua lista.
Delegadozinho idiota.
Foi até a varanda, há quanto tempo não ia ali de madrugada? A vista era muito linda.
Dava pra ver todas aquelas luzes perfeitas que enfeitavam o centro de Londres.
Pegou e telefone e ligou para Harry.
-Quem morreu?
— Harry... É o Ron, eu...
-Eu sei que é você, seu filho da puta! – A voz soou brava, mas Rony sorriu –É bom alguém ter morrido para você me ligar às três da manhã.
— Não fode. Senta ai, quero conversar com você.
-Vai se foder Rony, tô morto. Fui dormir há menos de duas horas e tive que dar conta de gêmeas há algumas horas atrás, não tenho força nem para respirar direito. Vai conversar com a sua mãe.
— Tá sentado?
-Tô deitado caralho! Quero dormir!
— Você dorme quando morrer, o que, com o estilo de vida que você leva, não vai demorar muito a acontecer.
-Não me jogue pragas seu experimento de laboratório estranho que não deu certo, eu não te coloquei no meu testamento, deixei tudo para o cachorro.
— Sem problemas eu crio o cachorro. Agora me escuta, é sério.
-O que foi donzelinha, seu dragão está rosnando muito?
- Eu tive aquele sonho de novo…
-O suicídio?
— Sim.
-Rony… Você precisa tirar isso da cabeça. A Lilá…
— Não era a Lilá. Não desta vez.
-E quem era?
— Hermione…
-Como assim? O que a Hermione tem haver com isso?
— Nada cara... Só que... Foi muito estranho, foi o mesmo sonho. Ela ia até a sacada, a irmã corria até ela, mas quando eu olhava para o rosto, antes que ela caísse, não era a Lilá, era Hermione... Eu tô ficando louco Harry...
- Rony... Você tem que esquecer a Lilá cara. Acabou... É passado.
— Eu já esqueci.
- Já mesmo?
— Claro! Estou com Hermione, não estou?
- Então se livra de tudo de uma vez cara, assina tudo o que a mãe dela pedir e risca o nome Brown da sua vida.
— Por quê? Não quero apagar Lilá da minha vida como se ela tivesse sido um peso.
- Por que ela é um peso Rony. Você a amou... Ok. Ainda ama, eu acho, mas se quer esquecê-la, tem que deixá-la ir. Assina aquele maldito documento e segue em frente.
— Qual é o sentido de assinar aquilo nesta altura do campeonato? Que diferença faz ela carregar ou não meu nome. Não estamos mais juntos, jamais estaremos...
- Assina esta porra e vive, Rony. Esquece. Segue. Hermione é seu presente agora. Lilá deve ser só uma boa lembrança, mas nem isso você consegue cara, ela te assombra como um fantasma.
— Eu sei – Ele disse triste.
-Um dia, você vai casar de novo e...
— Eu não acredito que vá conseguir me casar de novo, Harry... Não acho que serei capaz de levar outra mulher ao altar e... – Ele levantou a vista e arregalou os olhos – Hermione? O que faz acordada?
- Se fudeu cara, a mulher ouviu”
— Cala a boca, Harry! Hermione...
— Desculpe, eu não te vi na cama, fiquei... Preocupada...
- Nossa cara, pela voz dela, você tá mesmo fudido.
— Cala boca Harry, caralho! Hermione, escute...
— Eu vou voltar para o quarto, quando você terminar... Bom... Estarei esperando.
- GUILHOTINA CARALHOOO! – Podia ouvir Harry gritando do outro lado, não duvidava nada que ele estivesse dançando também – Quem mandou me acordar para falar merda às três da manhã.
— Harry, vai à merda, vou desligar.
- De nada, estou sempre disposto a ouvir um amigo madrugada adentro. Desde que ele tome no cú no fim da conversa – Ele gargalhou e Rony desligou o telefone, mas Hermione já tinha entrado.
Quando Rony entrou no quarto, ela já estava escondida embaixo dos lençóis, eles se encararam alguns segundos. Ele não sabia o que dizer, nem foi preciso. Ela mesma iniciou a conversa.
— Então eu acho que é a hora de conversamos sobre a Lilá, não é? — Ele se aproximou e sentou.
— Eu... Não sei por onde começar...
— Que tal começar me explicando por que nunca me disse que era casado?
— Não sou casado!
— Rony...
— Não! Você entendeu tudo errado...
— O que eu entendi foi que você e Lilá se separaram e agora você não quer assinar o divorcio, nem se casar de novo.
— Não... Não é bem assim.
— Não importa Rony, mesmo, eu não fantasio véu, grinalda e igreja com você.
— Não?
— Claro que não!
— Nossa, fiquei deprimido agora.
— Palhaço!
— O que foi tudo aquilo então?
— É uma longa história...
— Pelo que eu saiba, não estou indo a lugar nenhum. Você é apaixonado pela sua ex mulher Rony? Por que se for isso, pode falar, eu não vou morrer.
— Eu amei muito a Lilá... Mas não deu certo, nós... Tínhamos muitos problemas... Ela era incrível, mas... Cometemos muitos erros...
— E você nunca a esqueceu não é? — O tom de voz dela era triste.
— Acho que nunca vou esquecer — O coração de Hermione doeu e ela não conseguiu evitar que uma lágrima caísse.
Também não conseguiu evitar que ele visse. Rony estendeu a mão para enxugar a lagrima teimosa que rolava, mas ela o repeliu.
— Estou bem...
— Hermione, não é do jeito que você está pensando... Eu não esqueci Lilá, por que tudo o que aconteceu...
— Rony, não precisa justificar o amor pela sua ex mulher, eu só não entendo por que não volta para ela...
— Hermione...
Ela não ouviu
— As vezes, só precisamos nos esforçar um pouco para que as coisas dêem certo...
— Hermione...
— Então por que não luta pela...
— Lilá morreu Hermione... Ela se matou — Hermione ficou pálida, no mesmo instante.
— Se... Matou? Mas... Por que? Meu Deus, Rony...
— Calma... Já faz muito tempo – Ele disse calmamente – E não precisa sentir muito, já sentimos por muito tempo...
— Eu gostaria de saber sobre Lilá – Ela disse mais calma.
— Não há o que falar.
— Ron...
— Não há mesmo... O que dizer Hermione — Ele se levantou e saiu do quarto, com tanta rapidez que ela sequer reagiu... Por um tempo, por que no segundo seguinte ao choque, Hermione saiu atrás dele.
Ela o encontrou na sala, no andar inferior, sentado próximo à janela, perdido em pensamentos.
Se aproximou com cuidado, dava para ver o quanto aquele assunto mexia com ele. Tocou-lhe o ombro devagar e esperou a reação. Ele não disse nada, apenas recostou o rosto em sua mão.
— Sempre há... Rony... E é injusto que não se abra comigo. Eu te contei sobre Victor, eu contei tudo... Tenho o direito de saber sobre ela.
— Hermione... Você não entende...
— Não, Ron. Tem razão. Eu não entendo... Gostaria muito de entender, mas para isso, preciso que me conte.
— Não é algo que eu me orgulhe, não é uma história linda com um final dramático. É uma história tortuosa, cheia de falhas e erros e um final horrível — Ela acariciou seu rosto.
— Mas é sua história, Rony, e eu quero conhece-la — Ele respirou fundo e deitou em seu ombro, sem encará-la, encarando a janela, apenas apoiando-se em seu corpo.
— Lilá e eu... Casamos muito jovens... Um erro. Não o casamento e sim o momento do casamento, mas foi tudo tão de repente. Éramos grudados desde crianças, era como se... – Ele sorriu – Soubéssemos que ficaríamos juntos. Sabe? Começamos a namorar aos quinze anos e tudo sempre foi maravilhoso. Estou magoando você? — Ele parou de repente.
— Não Ron... – Ela acariciou seus cabelos – Não está. Continue.
- Tivemos momentos maravilhosos juntos... Mas a mãe dela sempre foi complicada. Um dia ela invadiu meu quarto e nos pegou na cama – Ele deu uma gargalhada curta – Coitada da Lilá, eu tive que me impor e protege-la... Foi por isso que casamos. Íamos nos casar de qualquer forma, só que... Este evento acelerou as coisas.
Hermione continuou a acaricia-lo. Não estava sentindo ciúme. Não era exatamente ciúme, era um tipo de inveja de uma historia tão bonita.
Ele continuou falando.
— Ela estava em pânico quando voltou da “conversinha com a mãe”. Eu fiz meu papel, entende? – Ela concordou com a cabeça – Eu fiz meu papel de homem.
Ele fechou os olhos e lembrou, era tudo tão nítido.
Flashback
— Não precisamos nos casar Ron...
— Precisamos sim. Sua mãe foi bem clara.
— Não. Ela me deu uma opção. Eu posso ir para o Texas morar com...
— Quer ficar longe de mim? — Ele a interrompeu.
— Claro que não – Ela choramingou — Eu só consigo me sentir assim perto de você… Eu te amo Rony... Mas... Casar... Não quero forçar você a...
— Não seja boba. Íamos casar de qualquer maneira. Não é mesmo? Fique comigo. Vou cuidar de você Lilá. Vou proteger você. Eu prometo.
Flashback End
- Nós... Casamos... Não foi ruim, sabe? Nossos amigos da escola... Ficaram dizendo que, eu ia perder a liberdade, que eu iria enlouquecer antes dos trinta. Tínhamos dezoito anos, nós dois... Mas... Ela era a mulher que eu queria para passar cada dia da minha vida...
Hermione o ouviu fungar. Seu primeiro impulso foi enxergar-lhe a lágrima que ela sabia que havia caído, mas segurou-se, queria deixa -lo, colocar tudo para fora.
— No começo, tudo era muito perfeito. Parecíamos ter sido feitos um para o outro, Lilá era doce e tranquila. Diferente de todas aquelas garotas agitadas e complicadas da escola. Tínhamos gostos comuns, sonhos comuns, metas comuns, eu não sei como e nem quando tudo começou a se perder, eu só sei que deixei que acontecesse. Eu sou o maior culpado... Eu deixei...
- Calma Ron... – Ela o abraçou – Não pule partes, nem comece a se punir... Conte-me o resto — Ele virou-se e a abraçou.
— Hermione... Tem certeza?
— Toda certeza do mundo. Conte.
Ele respirou fundo.
- Durante dois anos, tivemos um casamento digno dos contos de fadas. Eu ia bem na faculdade, apesar de toda a pressão, logo me formaria, poderíamos comprar uma casa maior e formar uma família... Mas... A mãe dela veio passar um tempo conosco. Quando éramos só nós e nossa preocupação era apenas com o próximo encontro, tudo parecia perfeito. Eu pensei que era para sempre, mas o nosso sempre morreu quando ela se tornou obcecada por ser mãe. Não gosto de culpar ninguém pelo que aconteceu Hermione, mas... A mãe dela... Eu ouvia às vezes, fragmentos de conversas que sempre incluíam frases como “morrerei sem ser avó”. Ele sempre a pressionou... Eu devia ter feito alguma coisa. Lilá passou a pensar nisso vinte e quatro horas por dia. Às vezes transávamos exageradamente por que ela achava que estava em seu período fértil, não era um comportamento normal. O tempo passava e nada acontecia, eu estava cada vez mais absorvido na faculdade, no estágio e na possibilidade de ingressar na Shacklebolt Building. Começamos a brigar, cada dia mais e mais... Ela buscou tratamentos, até mesmo curandeiros... E eu... Eu não intervi em nada, eu... – ele fungou de novo – Me sentia até aliviado, achando que essa busca a distrairia, eu fui um egoísta covarde, só pensei em mim e no tempo que precisava para dedicar a empresa... Eu a deixei de lado... Ela começou a ficar histérica... Quebrava as coisas, gritava... E eu... Eu saia por que eu não suportava. Meu dia era intenso demais, faculdade, estágio, eu simplesmente não tinha paciência para os ataques da Lilá... Meu Deus, eu fui tão... Desprezível...
— Rony...
— Eu devia... Eu devia ter percebido… Não era normal… Ela já não agia mais como uma pessoa… Ela… Eu deveria ter feito alguma coisa, mas eu nunca quis aceitar que… Ela… Eu não podia conceber a ideia de uma mulher descontrolada, não a Lavender que eu conhecia. Eu deixei as coisas seguirem aquele rumo... Eu devia tê-la ajudado Hermione... Então veio o primeiro surto... Ela gritava que tínhamos um filho, que eu o estava arrancando dela, que eu não queria ser pai.
Ele a encarou.
— Eu queria... Eu queria muito, mas... Não naquele momento. Eu não estava pronto...
— Rony... Não chore.
— Ela me disse que eu... Que eu não amava nosso filho, mas meu Deus... Não havia criança... Não Havia... Eu devia tê-la internado, mas achei que podia lidar com a situação... Eu não soube... Lidar com nada — Ele a abraçou de novo, a voz embargada era só um acompanhamento das lágrimas que já haviam caído...
— Um dia, cheguei em casa... E... Era tarde... — Ele soltou um silvo agudo e fungou alto — Ela já estava morta, eu... Não pude evitar. Não pude – Hermione o abraçou e ele começou a chorar com força – A mãe dela... Me culpa, até hoje, quer que... Que eu assine um termo abdicando do titulo de viúvo para que ela possa retirar o Weasley do nome da Lilá, mas... Eu não quero.. Eu amei Lavender, não quero apagá-la da minha vida Hermione...
— Não precisa fazê-lo, Ron...
— Isso... Isso não me impede de gostar de você — Ela sorriu.
— Nem te impede de continuar amando Lilá. Certos sentimentos nunca morrem, apenas se transformam.
Flashback
— Vamos ficar juntos para sempre?
— Claro que vamos.
— É mesmo? E se um dia nos separarmos?
— Não vamos… Nós nos amamos Lilá, e é para sempre.
— E se um dia você me deixar?
Ele riu.
— Isso não vai acontecer.
Ela o acompanhou no riso.
— E se eu te deixar?
— Não permito.
— Ah não?
— Não, vou te amarrar a mim, e se um dia você me pedir o divorcio eu não dou.
— Me promete?
— Prometo. Eu te reconquisto, nunca vou te deixar ir.
Flashback End
— Se eu pudesse... Juro que faria tudo diferente, se eu pudesse...
Ela segurou o rosto dele entre as mãos.
— Rony... Você tinha dezoito anos... Você a amava e sabe disso. As coisas aconteceram como tinham que acontecer, você teve a sua parcela de culpa, mas não errou sozinho, não pode carregar o peso disso nas costas. Está na hora de se desamarrar do passado e viver o hoje... Você amou Lavender e o amor de vocês deve ter sido lindo, eu respeito muito isso... Respeitarei para sempre, mas agora... Eu sou seu presente. E não vou deixar que se esqueça disso. Hora de deixar o passado para trás, Ronald Weasley.
- Eu não... — Ele começou a se justificar, mas nem disse três palavras, ela não permitiu...
Segurou seu rosto e lhe deu um beijo. Não foi um beijo possessivo, nem agressivo. Foi calmo, lento, gentil, mas intenso o suficiente para lhe enviar a mensagem que ela desejava.
Sou Hermione Granger, e esta é minha marca.
Rony não resistiu.
Era tão doce, tão impossível de não retribuir. Tão delicioso... O beijo continuou, e ele levantou trazendo-a consigo. Sem soltar, sem separar o toque dos lábios, ele não conseguia.
- É tão difícil ficar perto de você — Ela disse.
— Por que?
— Por que eu sinto coisas… Coisas que me assustam e que eu não controlo. Por que quando você está perto minha razão adormece, meus instintos se calam, minha resistência se esvai, a insanidade bate à minha porta e diz que chegou para ficar.
— Eu... Você e eu... Somos... Eu...
— Não precisa explicar, Rony... Eu também sinto... Eu também sei — O beijo continuou, mais intenso... Mais faminto.
— Quero fazer amor com você... Quero agora.
— Vem comigo – Ela chamou.
Ela o puxou e a intensão era o quarto, mas as coisas entre eles não estava funcionando de maneira muito regrada. Os dois mais pareciam adolescentes em uma festa de garagem. Hermione caminhou alguns passos, arrastando-o pela mão, até sentir-se puxada e colidir com o corpo já seminu do homem.
Ele segurou seu rosto e a beijou de novo. O beijo, quando iniciado por Rony, assumia uma perspectiva diferente. Era sempre muito intenso e agressivo, não que isso a incomodasse. Talvez fosse o jeito dele de dizer.
Esta é minha marca também.
Ela gostava.
As mãos começaram a perder o rumo, principalmente as dele. Uma coisa que Rony havia percebido, era a “tara” que Hermione tinha em seu cabelo. Ela adorava deixar que as mãos se perdessem dentro dos fios ruivos, as vezes acariciando, as vezes apertando, puxando. Não importava como, era sempre muito gostoso.
Outra ação que o deleitava era quando ela o arranhava. A sensação daquelas unhas percorrendo qualquer parte da sua pele, o arrepiava só de lembrança. E ela parecia saber, por que raspava seu couro cabeludo com as unhas e então as descia pelo pescoço, arrepiando os pelos da nuca, seguindo paras as costas largas, já despidas.
Ela o sentiu tremer e riu. Aquele tipo de poder, aquele tipo de controle a excitava. A transformava em outra mulher. Eles começaram a subir as escadas em direção ao quarto. Não estavam suportando. A vontade de Rony era rasgar o resto de pano que ela ainda vestia e possuía-la ali, de pé, mas estava tentando chegar até o quarto.
Estava...
Até chegar ao meio da escada.
Ele não conseguiu controlar o ímpeto e a deitou nos degraus.
Não era confortável, mas era estranhamente afrodisíaco.
Ela foi junto. Já havia parado para tentar entender o que acontecia que a fazia seguir cada ordem silenciosa que Rony lhe dava. Obedecer aos estímulos que ele provocava, mas nunca conseguiria achar a resposta. Só ia junto.
Suas pernas se cruzaram na cintura dele. Suas mãos fecharam em volta do pescoço masculino e o beijo continuou. A escada não era tão grande, mas eles pareciam “adaptados”. A urgência era tão grande que as mãos não paravam, eles não paravam.
Ele a girou colocando-a por cima, achando ser mais confortável para ela. Fazendo-a praticamente montá-lo.
- Agora…Te quero... Agora…
— Vamos para… Um lugar mais… Confortável…
— Não! Aqui mesmo, aqui mesmo. Não consigo...
— Ronald...
— Cale a boca Hermione.
Ele a beijou de novo.
E aquele beijo que nunca era igual, nem suficiente? Ele adoraria descobrir o que havia naquela boca que o prendia, o viciava, o fazia querer sempre mais.
Devia ser aquele jeito único que ela tinha de lhe tocar. De segurar seu queixo ou mesmo seu rosto. De roçar o lábio antes da língua, de morder a pele. A respiração dela misturando com a sua... O gemido baixo, quase inaudível, sexy ao limite.
Ela o excitava, em tudo e com quase nada.
— Hermione... Eu...
— O que?
— Eu queria... – Ele parecia travado.
— Peça... — A voz dela exalava luxuria.
- Eu... – Ele apertou sua bunda, com força, parecia querer falar com gestos. Roçou os corpo um no outro, fazendo com que ela sentisse a potencia do seu tesão traduzido pela dureza do seu pênis. Aquilo só potencializou seu desejo.
Hermione impacientou-se.
— Se não consegue pedir... Só faça Rony... O que quiser, mas faça logo.
Ele obedeceu. Como não obedecer?
Segurou em seu quadril e de um jeito só dele, virou-a, colocando numa posição muito excitante. Ela agora estava de costas para ele. Praticamente “de quatro” na escada. Era assim que ele a queria. E ela o deixaria ter. Ela nunca verbalizara aquilo, mas ela o deixaria tê-la, como ele bem quisesse.
Ele a segurou nos quadris e roçou o sexo excitado em suas nádegas. Hermione sentiu sua lubrificação escorrer quase que instantaneamente. Aquilo era novo e sim, a deixava muito excitada. Ele apenas simulou os movimentos de vai e vem, não a estava penetrando e já estava gostoso daquele jeito. Hermione o imaginou dentro e sua vagina pulsou, muito forte. Tão forte que ela quase gozou.
— Rony... — Ele a tocou, bem no clitóris com dois dedos e ela chiou...
— Aiiii... Ron...
— Gostoso? Hum? — Ele continuou a roçar em seu corpo, o gozo quase chegando, e então tentou algo. Já havia feito isso, mas fazia algum tempo, tinha medo de tentar, mas a tocou com o dedo polegar no ânus. E então esperou sua reação. Ela gemeu.
Ele forçou um pouco, deixando o dedo afundar alguns centímetros, instintivamente Hermione rebolou, forçando mais o quadril contra seu dedo. Ele deixou ir. As reações dela o deixavam cada vez mais teso.
— Rony...
— Hum?
— Entra?
— Quer?
— Agora... — Ele encostou a cabeça do pênis na entrada da sua vagina e se preparou para penetrar, mas ela o parou.
— Não... Aí... Não... — Ele congelou.
— Hermione...
— Um pouco... Só... Um pouco... Eu quero sentir... Preciso.. De mais — Ele forçou mais o dedo e fez os movimentos de vai e vem, ela correspondeu, mas chiou.
— Não Rony... Quero você... Quero seu...
— E se machucar?
— Só um pouco.... Por favor — Rony se posicionou. Não precisava perguntar para ter certeza que ela era virgem naquela região. Aquilo lhe dava mais tesão, mas também causava uma certa apreensão.
Sabia que o liquido seminal que cobria sua glande serviria de lubrificação, mas não queria machucá-la. Então encostou devagar e forçou um pouco, entrou apenas alguns centímetros.
Ela gemeu.
Mas deu para reconhecer que era de excitação. Ele forçou mais, e entrou mais um pouco. Rony estava no limite, gozaria a qualquer momento. Hermione gemeu mais alto, um pouco de dor, misturado com prazer. Era um prazer estranho, sadomasoquista até.
Ele forçou mais um pouco e doeu de verdade, mas era bom. Confuso, doloroso e gostoso. Era a primeira vez que a dor lhe causava um prazer intenso como aqueles. Não era a mesma coisa que uma mordida, um arranhão. Era dor de verdade, e prazer extremo.
- Ai... — Ele parou.
— Hermione...
— Não... Pára.
— Não vou até o fim... — Ele disse preocupado.
— Ron... Ai... Se move... — Ele se moveu, devagar, apreensivo. Ele saiu de dentro dela, já no limite, precisando de alivio de verdade.
— Uma outra hora querida... Tentaremos de novo... Agora... Preciso de você e não vou ser gentil.
Ele não esperou a resposta. Apenas mudou o alvo do seu desejo e a penetrou de uma só vez. Os movimentos seguintes foram firmes e sem intervalos. Rony curvou-se sobre ela de modo que ficara com o corpo colado ao seu, completamente dentro dela, e com livre acesso a masturba-la. E foi o que ele fez. A estimulou com os dedos de um jeito que só ele sabia. Hermione gemeu alto ao sentir seu gozo chegar.
— Ron... Ai Ronald — Ele não segurou, após três estocadas, seu orgasmo chegou. Ele não conseguiu parar de imediato.
Então, sem conseguir controlar os impulsos, segurou-a, fazendo a erguer o corpo, tomando seus seios numa das mãos, o clitóris ainda sendo massageado com a outra, ele continuou penetrando, sem descanso.
O desejo parecia não querer ir embora.
Hermione tentava de todas as maneiras não fazer muito barulho, mas ele estava estimulando um novo orgasmo, era quase impossível deter.
— Vou gozar de novo — Ele disse ainda duro dentro dela, aumentando a fricção dos dedos.
— Venha comigo — Ela respondeu quando corpo tremeu contra as caricias dele.
- Toque-se Hermione... Experimente... Experimente — Ele segurou as duas mãos dela e colocou-as sobre os seios, estimulando-a a tocar-se e como sempre, ela obedeceu — Toque-se.
Hermione gemeu alto quando as mãos dele voltaram para sua vagina e ele voltou a gozar em seu corpo, então ela deixou que o desejo a levasse embora, com seu toque, com o toque dele. E aquele foi um dos orgasmos mais fantásticos de que se lembrava ter tido.
Eles ficaram um momento, tentando recuperar a energia gasta, mas não muito. A escada não era o melhor lugar para curtir o pós-sexo, e Rony não parecia querer o fim. Levantou com esforço, a ajudou a levantar.
— Agora sim, quarto, Granger... Por que nós só começamos.
…
Harry e Gina não se viam há semanas.
Nenhum dos dois deu o primeiro passo em busca de uma conversa, ou qualquer contato. O julgamento de Harry seguia a passos lentos, os promotores acusavam, ele refutava, era um jogo de empurra — empurra que estava irritando a LCC Associados.
Gina seguia morando com Colin, embora não parecesse, pois eles mal se viam. Ela passava o dia inteiro na rua, trabalhando, estudando e à noite, quase sempre, o rapaz nunca estava em casa. Eles raramente se encontravam mesmo que para um boa noite.
Harry sabia disso... Sabia por que mesmo que houvesse tentado desesperadamente ficar longe dela não havia conseguido. Seguia os passos de Gina, sabia o que ela fazia e onde ia.
Sabia também que estava sendo ridículo, que seria muito fácil apenas ligar, mas não queria ceder, não queria atestar a sua dependência irritante daquela mulher, não tão descaradamente, mesmo que para si mesmo, já tivesse feito isso.
Maldita Gina, que não saia da sua cabeça.
A musica soava alto, era assim que ele gostava. Ele acompanhava as frases, tentando fazê-las soarem o mais verdadeiras possível.
“Honey you ain't the first
Lots of others came before you woman
Said but you been the worst
Sa' you been the worst.
Querida, você não foi a primeira
Várias outras vieram antes de você, mulher
Digo, mas você foi a pior
Digo, você foi a pior”
Quando havia sido a ultima vez que uma mulher havia atrapalhado seus planos?
Ele lembrava bem... Fleur Delacour... A belíssima víbora Fleur Delacour... Depois dela...
Harry nem sempre havia sido um galinha inveterado, um canalha... Ele já tinha tido sonhos... Com Fleur ele conhecera a ilusão... A paixão... O primeiro amor... A primeira experiência sexual e uma dor que achou que o mataria.
A bela Fleur era como uma sereia, encantava, seduzia, usava e descartava quem queria e como queria. Fora mais uma professora na escola da vida de Harry, aquela que o havia ensinado que o amor era uma fraqueza e a sedução, uma arma.
Tão linda... Tão cachorra... Fleur havia sido sua porta para o inferno... Mas havia sido sua chave para a liberdade. Depois dela, ele jurara, mulher que nenhuma o amarraria de novo... Até Gina chegar.
Aquilo era um absurdo! Um absurdo que ele não podia deixar acontecer.
Nem fodendo ia ceder a outra mulher.
— É só mais uma mulher, só... Mais... Uma... — Ele disse para si mesmo andando pela sala enorme.
Harry parou de frente para o enorme quadro que cobria um quarto da parede, a foto de sua mãe.
— Você... Você é a única mulher que Harry Potter amará até a morte.
— Tá falando sozinho, maluco? — Rony, perguntou, entrando na sala.
— Estou falando com a minha mãe... – Harry disse calmamente – Ora, ora, ainda está vivo
Weasley? Pensei que a morena era mais... Selvagem.
— Idiota.
- Eu pensei que você perderia pelo menos um dente.
— Eu não durmo com animais, Harry... Você costuma fazer isso.
Harry riu.
— Você engoliria o que disse se visse que eu tô pegando a... Enfim, a gostosa que eu estou pegando.
— Claro, claro... Mais uma das suas mulheres de plastic — Harry deu de ombros.
— É... É... Mais uma...
— Anda falando com os mortos?
— Não... Apenas os mortos de sangue azul, que é o caso da minha linda mãe...
— De fato, a sua mãe...
— Sou seu amigo, Weasley... Mas não abuse.
— Ok, parei, não foi para isso que eu vim aqui... Eu... Quero conversar com você. Estou preocupado.
— Problemas no paraíso? — Rony sentou.
— Não sei bem... Se isso é um problema.
— O que tá te consumindo, abra seu coração para mim.
— Não seja palhaço, Harry. Opa, mal, é o mesmo que pedir para você não respirar. Enfim, são dois assuntos. Quero falar de Hermione também, mas... Depois, agora eu queria falar sobre Gina — Harry sentiu a espinha enrijecer.
— O que tem ela?
— Cara... Eu conheço minha irmã, tem alguma coisa errada com ela.
— Errada como?
— Ela... Olha Harry, eu não conheço ninguém mais organizada que a Gina... Bom talvez Hermione, mas enfim, ela... Cara, ela... Anda distraída, sabe? Acho que tem algum cara na jogada.
— Um cara? Que cara?
— Ai é que entra você... Eu queria descobrir, mas... Não consigo pensar em meios lícitos para fazer isso.
— Perguntar a ela, não seria um método mais simples?
— Perguntar a ela, seria um método impossível. Gina é individualista desde pequena. Ela não deixa nenhum de nós intervirmos em sua vida.
— E respeitar isso, não seria uma opção?
— Não! Por que se eu descobrir que tem algum safado fazendo minha irmã sofrer, ele e eu teremos... Uma conversinha — Harry riu, mas não havia graça em seu sorriso.
- Tem alguma desconfiança sobre quem seja?
— Não. Primeiro achei que era o Corner, mas... O babaca anda que nem cachorro atrás dela... Não é ele... É alguém novo. Preciso descobrir quem é.
— Rony... Gina é a única mulher entre seus irmãos, não é?
— Sim.
— E são... Seis homens não é isso?
— Isso mesmo.
— Vocês são muito ciumentos? — Rony riu, sem nem imaginar a razão das perguntas.
— Você nem imagina.
— Os namorados da Gina, sofreram muito com vocês?
— Nossa cara, e como. O ultimo deu queixa na policia.
— Ah... E ela... Já namorou algum amigo seu?
— Meu? Claro que não! Eles não eram malucos de dar em cima da minha irmã. Nossa, não quero nem imaginar o que eu faria com aqueles caras se eles encostassem na Gina, eu acho que mataria um.
— Não é exagero?
— Você diz isso por que não tem uma irmã... Sinta-se a vontade para matar o cara junto comigo.
— Hum... Ok... Qual era o outro assunto mesmo?
— O outro... Tinha outro? Ah sim, é... Hermione.
— Hum.
— Eu contei para ela sobre Lilá.
— Tudo?
— Sim... Tudo... Eu não sei, quando vi, já tinha contado.
— Mulheres são perigosas demais meu caro, quando você vê, elas já lhe tiraram as calças.
— Nem me diga, mas nem é isso que me preocupa tanto, é... Bom... acho que fiz uma
merda muito grande cara.
— O que foi que você fez Weasley? Dormiu com a irmã dela?
— Não, filho da puta, só pensa em sexo... Ela nem tem irmã.
— Ah que pena, linda daquele jeito, eu ia até gostar de conhecer uma irmãzinha.
— Se fode Harry, presta atenção.
— Parei... Pode falar.
- Se você rir, eu quebro sua cara.
— Não tô rindo.
— É sério Harry.
— Palavra – Ele levantou os dois dedos da mão direita.
— Eu... Eu acho... Bom, eu só acho... Que... Cara, eu acho que me apaixonei por ela.
-Ronald! Caralho! Como é que você faz uma merda dessas cara? Eu não te ensinei nada? Levanta, vem comigo...
— Para onde?
— Para onde? Para onde? – Harry levantou – Para um cabaré... Para zona... Para um puteiro... Para uma daquelas espeluncas baratas onde as mulheres fazem filha para te fazer um bom... – Ele parou e respirou fundo – Você está precisando de um tratamento de choque. Venha comigo... Conheço um lugar que...
— Calma ai. Para com isso, não vou para zona nenhuma, tá maluco?
— Maluco tá você, cacete. Eu sempre repeti para você, Rony... Um cara esperto não se apaixona, paixão é pra otários, um cara esperto, come e troca... Puta merda...
— Harry...
— Se você se apaixonar, a mulher vai te engolir vivo cara...
— Harry...
— Ela vai tirar tudo de você, até que ande nu pedindo moedas num sinal de transito...
— Harry...
— E vai te por um par de chifres na sua cara, e ainda vai rir, por que mulher... Ela se aproveita de...
— Esquece a Fleur um minutinho, pode ser? — Harry parou.
— Ninguém falou da Fleur... — Ele emburrou como um pirralho.
— Cara é sério... Me ouve como se você realmente tivesse trinta e dois anos.
— Estou ouvindo.
— Estou com medo.
— Por que?
— Não faço ideia.
- E o que você vai fazer?
— Não sei, sinceramente eu não sei. Acho que... Não sei se precisa fazer alguma, estamos juntos, lá em casa. Já colocamos a casa dela à venda, Depois do que aconteceu com aquele filho da puta, eu não vou permitir que ela volte para lá.
— Então... Vocês vão se casar.
— Não!
— Não?
— Não... Quer dizer... Eu acho que não... Eu... Eu acho que... Pensei em só... Não tocar no assunto de ela ir para outro lugar, quem sabe ela não vai ficando?
— Cara... Não é mais simples você simplesmente perguntar se ela não quer morar com você de uma vez?
— É que... Eu não sei e se ela não quiser? Se ela disser não?
— Ah pelo amor de Deus cara, você tá com medo de levar um não? Não fode Weasley! Se ela disser não, a unica diferença que vai haver é que você vai continuar comendo ela sem usar aliança. Não é assim que vocês estão?
— Poderia mostrar só um pouco de respeito pela minha mulher, por gentileza, Potter?
— É só maneira de falar. Qual é cara? Tá gostando da mulher de verdade? Por que simplesmente não diz? Não deve ser tão difícil.
— Não era você quem estava dando um piti ainda agora, por causa da palavra paixão? Associando o sentimento a perdas de calças e chifres?
Harry deu de ombros.
— Foi apenas uma reação espontânea à palavra relacionamento... Na verdade, você e a Granger formam um casal, até bonitinho.
— Eu não sei... Eu... Realmente não sei...
— Que tal um jantar de noivado?
— Como é?
— É, um jantar, um jantar legal e você a pede em casamento.
— Harry...
— Pensa bem cara, uma festinha, só os amigos... Ai você pede, ou sei la, pede depois da festa, ou não pede, mas uma festa cairia bem... Hermione não conhece nenhum dos seus amigos.
— Que amigos?
— Eu, obviamente.
— E para que, Hermione tem que conhecer você?
- Para eu levá-la no primeiro motel... — Ele disse irônico — Vai se foder Ronald. Eu sou o padrinho.
— Padrinho do que, maluco?
- De um futuro casamento. Se fode, vai ter festa. Sábado... Na sua casa por que sempre que eu trago gente aqui, alguém se perde.
— Harry...
— Deixa de ser chato Rony, você tem que deixar ela se integrar com sua família... E você tem amigos cara, sua antissocialidade me deixa puto.
— Desde quando você precisa de motivos para beber. Se quer beber, só vai lá e bebi.
— Eu só acho que dando uma festa, além de socializá-la conosco, você vai estar colocando-a na posição de anfitriã da sua casa, você vai acostumando ela aos poucos, entende? Sem assustá-la.
— Ah... Bom, eu não tinha pensando assim... Olhando por este lado...
— Claro cara, ela tem que se sentir em casa, não é mesmo.
— Sim, é isso que eu quero, assim, ela não vai procurar outro lugar...
— Então... Faça com que ela se integre a sua vida.
— Cara... É uma boa idéia, Harry, uma ideia muito boa cara.
— Claro que é, Rony, fui eu quem deu a ideia.
— Cara, as vezes eu me pego pensando... Por que será mesmo que eu te aturo?
— Por que eu sou o seu melhor amigo, lógico. Agora olhe para mim. Eu tenho sangue azul, amigão, por que será que eu te aturo?
— Por que eu sou seu único amigo, Harry. Ninguém te suporta.
Harry riu.
— Mentira, você tirou o bilhete premiado, e sabe disso.
— Tirei... Ganhei um mala como premio, para o resto da minha vida, sem direito a devolução. Vai me ajudar com a Gina? — Ele levantou e seguiu em direção a Harry para lhe dar um abraço.
— Er... Mas... É claro — Ele deu um sorriso forçado.
— Ótimo, faça sua mágica — Ele lhe deu um tapinha amigável nas costas, mas para Harry pareceu quase uma sentença — Eu tenho que ir. Tenho trabalho para terminar.
— Ok... Não esquece, festa... Sábado. Vou agitar tudo.
— Ninguém te merece Harry — Rony disse saindo.
— Mas você merece, Weasley. Você não vive sem mim — Rony lhe mostrou o dedo médio e saiu. Ele arriou na cadeira, o sorriso desapareceu do rosto, e a preocupação tomou conta.
O que iria fazer para tirar da cabeça de Rony, a ideia de vigiar Gina?
“O neurótico constrói um castelo no ar. O psicótico mora nele. O psiquiatra cobra o aluguel”.
Jerome Lawrence
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