Intimidade

21 Fora de Controle


"O homem que não sabe dominar os seus instintos, é sempre escravo daqueles que se propõem satisfazê-los"
(Gustave Le Bon)

Havia três dias que Harry havia deixado o minúsculo apartamento onde Gina estava morando com Colin, e ele ainda não havia dado noticias. No inicio, tudo parecia muito engraçado. Imaginá-lo com ciúmes era cômico por si só, mas já estava perdendo a graça.

Ela estava com saudade. Podia negar para o mundo todo e levar o segredo para o túmulo, mas pra si mesma nem adiantaria. Estava morrendo de saudade dele.

Não achou que Harry fosse mesmo levar aquilo a sério, mas parecia que ele estava levando, e muito.

Era ridículo. Toda aquela historia era ridícula e ainda mais ridículo que um homem adulto e vívido como Harry estivesse levando-a a sério.

Depois de lutar contra si mesma em uma guerra interna infernal, ela decidiu que iria encará-lo.

— Vou lá, e vou dizer a ele que deixe de idiotice... Que palhaçada... – Ela resmungava enquanto escovava os cabelos – Onde já se viu? Pura idiotice. Somos adultos ou colegiais?

Ela iria fazê-lo entender que tudo aquilo era uma grande mentira. E iria mostra-lo que não era apenas ela que sentia saudades.

Ela foi até a sede da Potter Enterprise. Sabia que provavelmente não seria tão bem recepcionada como da ultima vez, mas só sairia de lá depois que falasse com ele.

Ela foi até melhor recepcionada do que achou que seria, esperou um pouco, verdade que não estava muito acostumada a esperar quando chegava a Potter Enterprise, mas não ficou sozinha e nem foi destratada um só minuto.

Estava olhando um projeto numa maquete quando Harry chegou.

— E então ao conectar este cabo eu tenho fácil acesso a todos os dispositivos ao mesmo tempo?

— Sim senhora.

Ela sorriu para o rapaz.

— Muito interessante. Você sabe dizer se…

- Ora, que surpresa. Ginevra Molly Weasley, a dama de ferro em pessoa, aqui? — Ela afastou-se do rapaz e do invento que ele lhe mostrava e se dirigiu a Harry.

— Olá Potter. Precisamos conversar.

- Precisamos?

Ela estreitou os olhos.

— Com certeza. Vai ser na sua sala, ou vamos dar um showzinho aqui mesmo?

Ele riu, mas não havia humor.

— Show, só pago minha cara. Você já devia saber disso.

— Não comece a entrar em detalhes privados aqui, Potter. Eu também sei destilar veneno.

Ele riu de novo.

— Que novidade.

— Não me provoque Harry...

Já havia uma dúzia de funcionários que de repente haviam arrumado o que fazer exatamente naquele corredor. Eles não olhavam diretamente, mas Harry sabia que eles prestavam atenção em cada movimento.

— Entre — Ele deu espaço para que ela passasse.

— Não tenho muito tempo para bobagens, portanto seja breve — Ela empinou o queixo e arqueou a sobrancelha.

— Poderíamos começar com você baixando a bola, por que eu não caio no conto do “eu sou machão”.

— Acha que eu estou fingindo?

— Quer que eu minta?

— Você é muito abusada Ginevra.

— É mesmo? Não me diga e você é um idiota.

— Como é?

- Você é um idiota Harry James Potter, idiota e irritante. Posso saber por que você não me ligou todos estes dias? — Ele soltou uma gargalhada ácida.

— Não é obvio? Não queria atrapalhar sua lua de mel.

Ela trincou os dentes.

— Viu o que eu disse? Idiota.

— Idiota fui eu achando que você sentia... Que você... Estava curtindo nosso lance.

— Agora você foi falou como um garotão de dezessete anos — Ele não respondeu, apenas foi até o bar e serviu duas bebidas, em seguida estendeu uma para ela.

— Você não está mesmo levando esta fofoquinha de colegial a sério está, Harry?

— Você foi morar com o cara! No que quer que eu acredite?

— Você é um comedor e eu não dou chilique por isso.

— Eu? Agora eu estou na berlinda?

— Você sempre esteve meu amor, o negócio é que eu não sou histérica.

— Não – Ele foi irônico – Claro que não é.

— EU SOU HISTÉRICA, POTTER?

— Não, você é bem normalzinha.

— Não desvie o assunto. Estávamos falando de você e do seu galinheiro particular.

- Não senhora, estávamos falando de você e da sua creche. E eu não tenho culpa.

— Não, né?

— A culpa não é minha de ter nascido gostoso.

— Amém Narciso.

- Gina olha bem para mim. Eu tenho cara de corno?

— Puta que pariu Harry James! Deixe de ser criança! Não tenho nada com Colin!

— Não chame meu nome completo só por que eu acho sexy, não venha com chantagem.

— Você acha qualquer merda de saia, sexy, Potter, a prova é aquela japonesa aguada que você levou na festa.

— Olha o veneno Gina.

— Não fode Harry, sério. Eu não vim aqui para bater boca com você, vim aqui para exigir que pare com essa bobagem.

— Exigir? Exigir? Quem você pensa que é para me exigir qualquer coisa?

— Sou a mulher que ocupa sua cama, seu bastardo. E se as outras não foram mulheres o suficiente para fazer você dar valor a isso, eu não cometerei o mesmo erro.

Ele ficou calado alguns segundos, sem resposta.

— Eu... Muitas... Muitas mulheres deitaram na minha cama, Gina, isso não quer dizer nada — Mas a ruiva empinou mais ainda o queixo.

— Muitas mulheres passaram pela sua cama Harry, muitas delas em grupo, mas desde que eu cheguei isso parou de acontecer e se eu tinha alguma duvida sobre você estar ligado a mim, elas acabaram com esse seu piti de ciúme.

— Eu não estou com ciúmes — Ele disse entredentes.

— Ah sim, você está, está morrendo de ciúmes e devia admitir sabia?

— É sexo.

— Um caralho que é.

— Quer falar dos meus sentimentos para mim?

— Já que você mente para si mesmo...

— Não! Não, você mente para mim, você mentiu.

— Eu não menti, eu omiti.

— Você devia ter me contado.

— Por que? Você não está dizendo que é só sexo?

— Não tente me enlouquecer nesse seu joguinho de palavras.

- Não é isso que estou tentando fazer, estou tentando entender o que há entre nós, e não me vem com este papinho de é sexo, que não cola.

— Não vou fazer uma declaração de amor à você.

— Já parou para pensar que esse seu jeito de “foda-se o mundo” seja o motivo pelo qual eu não te contei a verdade?

— Então você quer uma declaração?

— Não seu idiota, eu quero que você haja normalmente, e não como um robô sexual, como se não tivesse coração.

— Robôs não se machucam Ginevra.

— Não tentei machucar você Harry.

— O que você quer de mim afinal? Quer que eu diga? Faz tanta diferença assim algumas palavras idiotas? Eu achei que estivesse sendo claro que você é um pouco diferente das outras. Os meus atos não contam?

— Não! Eles não contam, não quando você parece ter dez personalidades diferentes e eu não consigo saber quem realmente é.

— EU SINTO! EU SINTO GINA! Sinto todas essas coisas idiotas por você… E isto é uma merda se você quer saber.

- Você sente o que?

— Não abuse.

— Por que você não diz?

— Já tá querendo demais Gina.

— Engraçado Potter, por quê? Você pode me cobrar, me acusar, me rastrear, mas não pode admitir o que sente?

— Não sei explicar por que. Simplesmente não é assim que as coisas são.

— Você é um enigma mesmo, ou isso é só um papel representado para impressionar garotas? — Ele a olhou, com a raiva faiscando.

— O que?

— É que você faz todo esse joguinho de “meu passado é só meu”, como se um grande absurdo tivesse te acontecido, mas as vezes eu acho que isso é só charme.

— Você não tem ideia da merda que está dizendo. Você não faz ideia da merda que está fazendo.

- Então aprenda a falar, em voz de soltar frases inacabadas como bebezinhos de um ano.

— O passado é meu Gina. Nem você, nem ninguém tem nada haver com ele.

— Aí, é onde está o nosso problema Harry, confiança. Não existe confiança. Se existisse, você não teria medo do Colin.

Ele riu.

— Não me faça rir, eu não tenho medo daquela tripa alemã. Olhe para mim, olhe bem para mim. Eu sou Harry Potter.

— Ah desculpe, esqueci que você é a ultima coca cola do deserto.

— Não devia esquecer, já que você me olha e fica morrendo de sede.

Ela estreitou os olhos.

— Não vim aqui para isso. Tenho um dia cheio. Espero você mais tarde, vamos conversar.

— Volte para a casa do seu irmão e eu vou buscá-la.

— Harry...

— Não vou sair com você enquanto estiver morando com a tripa.

— Ele tem nome Harry.

— Tripa combina mais.

— Colin é meu amigo de infância, quase um irmão, e está precisando de ajuda.

— Ok, então. Ele pode morar no condomínio de graça, sem despesas com energia e abastecimento de agua, volte para a casa do seu irmão.

— Por Deus, quanto machismo. Ele precisa de companhia Harry.

— Pois que compre um cão. Ou uma boneca inflável, foda-se como ele resolve isso, mas volte para casa do seu irmão.

— Caralho Harry, não! No que isso vai mudar? Se vamos levar isso adiante, você tem que confiar em mim. Eu confio em você. Mesmo sabendo o cachorro que você é.

— Não coloco mulheres dentro da minha casa. Você vê a Cho na minha casa?

— Nunca trepei com o Colin, não é uma comparação justa.

— Você disse que era a mulher que ocupava minha cama, pois bem, minha mulher, não mora com outro homem.

— Isso é machista, machista demais, não aceito. Vou voltar para casa Harry, e você vai me buscar hoje a noite, vamos sair e conversar.

— Não enquanto você estiver com o Colin. Eu estou pedindo, volte para casa do seu irmão.

- Não. Não é assim que vamos conduzir isso. Estou indo embora, e se você não aparecer até as oito, eu o encontro.

— Gina... Por favor.

— Não Harry. Oito horas. Bom dia.

...

Rony estava sentado do lado de fora da casa de Hermione, eles só iriam trabalhar de tarde, e surpreendentemente ela tinha aceito sua proposta de irem juntos.


Estava se surpreendendo com a facilidade com que convencia Hermione a “publicarem” o relacionamento, mesmo eles mesmos ainda não assumindo um compromisso. Ela estava dez vezes mais relaxada do que no inicio de tudo e era incrível como ele também.

Desde de Lilá, nunca pensou em se envolver com mais ninguém. Tinha sido duro demais, e as feridas ainda estavam abertas, mas as coisas com Hermione aconteceram sem aviso e sem pedir permissão.

Só aconteceram .

Ele estava perdido em pensamentos e só voltou a si quando ouviu a melodia de uma musica suave e impactante vindo de dentro da casa, o som do piano era inconfundível. A musica era tão forte que ele resolveu entrar curioso em ver Hermione no piano. Ficou surpreso ao ver que não era Hermione ao piano, era Joey.

Ele sorriu.

Joseph era uma criança linda, linda de verdade. Traços suaves, e marcantes. Se não fossem os olhos azuis e os cabelos meio lisos, seria a cara de Hermione. Por isso era tão lindo. Podia ser seu filho. Seria ótimo se fosse.

Ele recostou na porta e ficou observando a maneira como o menino tocava a musica sem dificuldades.

Quando ele parou Rony o chamou:

— O que exatamente você está tocando Joe?

— Bach...

— Quem?

- Bach... – O garoto repetiu como se fosse um nome comum aos ouvidos de todos – Esta é a Sinfonia numero 1 de Bach.

— Ainda não faço ideia do que seja Joe.

— Você não conhece Bach?

— Não — O garoto rolou os olhos de maneira engraçada.

— Tsc. Adultos sem cultura.

— Hermione! É isso que você ensina para o garoto?

- Oi?

— Olha só o que este menino está falando...

— O que você supõe que eu deveria ensinar para o meu filho, Ronald?

— Não sei... Ele é uma criança!

— Eu sei.

— Que tal rodar pião, jogar bola de gude, empinar pipa, cuspir longe — Hermione fez uma careta.

— Eca Ronald.Desculpe, eu não sei rodar pião, não sei jogar bola de gude, não sei empinar pipa e não... Eca... Cuspo longe, então a única coisa que posso ensinar pro Joe é... Cultura.

Rony rolou os olhos.

— Joe, venha cá. Venha aprender a se divertir de verdade moleque.

— Olha lá o que vai fazer com meu filho ,hein Ronald Weasley! — Hermione falou em tom de bronca.

— Não vou mostrar a ele a sua vizinha gostosa, eu prometo.

Ela jogou-lhe uma almofada.

— Palhaço — Ele apenas piscou-lhe o olho e saiu com o garoto. Eles sentaram próximos a grama e Rony olhou para frente.

— Er... Esqueci os brinquedos.

Joe riu.

— Eu sei, mas eu não tô mesmo afim de jogar nada.

— Não? Por que não?

— Por que eu queria falar com você sobre uma coisa, Rony.

— Hum... Certo.

— Rony…

— Oi.

— Você disse que se eu tivesse alguma duvida sobre a vida eu podia te perguntar não foi?

— Disse.

— Eu tenho uma.

— E qual é?

— Com quantos anos eu vou poder fazer sexo? — Rony reagiu como qualquer adulto reagiria. Com completo espanto.

- Como é?

— Tem uma idade para isso?

— Joey…

— Tocar por baixo da blusa de uma menina é fazer sexo?

— Ah… Eu… Calma, você tocou por baixo da blusa de uma garota?

- Toquei... Eu fiz bobagem?

— Eu... Não... Quer dizer... Eu não sei... Por que você tocou por baixo da blusa da garota Joey?

— Por que ela mandou.

— Ela mandou... Certo. Ela mandou você tocar?

— Mandou... Ela levantou a blusa e mandou eu tocar. Fiz algo errado?

— Tecnicamente... Não.

— Que bom. Eu tava preocupado.

— Por que?

— Por que a Mia ficou tão brava que eu pensei que tava encrencado.

Rony riu.

— Por que as mulheres ficam bravas quando nós passamos a mão em outra mulher, Rony?

— Por que... As mulheres... Não só as mulheres, os adultos em geral, tem uma tendência a ter um sentimento de posse com quem ama. Então elas querem exclusividade.

— Então a Mia queR que eu faça essas coisas com exclusividade nela?

— Não exatamente estas coisas, vocês são muito pequenos, mas ela quer sua atenção só para ela.

— Entendi... Não vou mais tocar na menina.

— Seria legal.

— Rony...

— Oi?

— Foi por isso que minha mãe se irritou quando você chamou a vizinha de gostosa? Ela quer ser sua gostosa exclusiva?

— Joseph! Pelo amor de Deus!

— Mas foi você que disse!

— Olha só garotão... A sua mãe... Ela... Assim, veja bem, a sua mãe... Ela só...

— Hora do lanche meninos! — Hermione irrompeu no lugar do nada. Rony quase engasgou.

— Uau Hermione! Chega devagar.

— Você devia me agradecer, mocinho. Por ter chegado agora.

Ela piscou para ele.

- Tem bolo de chocolate Joey.

— AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!! MÃAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEE!!!!!!!!! — Joey entrou correndo, esquecendo no segundo seguinte todas as duvidas importantes do seu papo de “Homem pra homem”.

Ele sorriu. Ela provavelmente tinha ouvido a conversa toda. Mães.

Se bem que ela realmente tinha chegado na hora certa. Ele precisava treinar um pouco destas conversas para não ser pego de surpresa de novo. Ele a agarrou pela cintura antes que ela pudesse entrar e beijou seu pescoço.

— Timing perfeito morena — Hermione sorriu e entrou, deixando no ar uma promessa feita com os olhos.

…

Já estava tentando decidir qual penteado usaria há quase vinte minutos, e nenhuma das posições lhe deixava satisfeita.

Em qualquer outra ocasião estaria se achando uma imbecil por se arrumar tanto para Harry, mas não queria pensar naquilo, não naquele instante.

Ouviu o som da campainha e olhou o relógio. Sete e meia, ele estava adiantado.
Sabia que era ele. Não sabia como, mas sentia.

Correu gritando para que Colin a deixasse atender, e esqueceu que estava apenas de roupão de banho.

Abriu a porta eufórica e deu de cara com a figura carrancuda de Harry que lhe olhou imediatamente dos pés a cabeça com uma expressão de poucos amigos.

De frente para a porta, Colin estava esparramado no sofá com uma bermuda que mais parecia uma cueca samba canção e uma camiseta, jogando vídeo game, quase sem prestar atenção no que o cercava.

— Cheguei atrasado? — O tom de voz... Sempre aquele tom de perigo.

— Está adiantado meia hora, entre.

— Não. Não fui convidado para um swing.

— Harry não comece.

Ela rolou os olhos.

— Eu? Não estou dizendo nada, apenas constatando um fato.

— O que?

— Isso... Não vai dar certo Gina, eu não vou simplesmente ver este tipo de coisa e achar normal.

— Harry, não há nada anormal aqui.

— Talvez não. Para você. Mas de onde eu venho, isso se chama falta de vergonha. Isso não vai funcionar, então é melhor que nem comece. Boa noite Gina- Ele simplesmente se virou e foi embora e Gina ficou parada na porta sem reação.

Depois fechou a porta lentamente como que tentando digerir o que acabara de ocorrer. Era aquilo mesmo? Sua noite fantástica e memorável tinha acabado de descer pelo ralo?

— Gin... — A voz de Colin subitamente a irritou, mas ela respirou fundo.

— Oi?

— Posso dizer uma coisa?

— Não Colin...

— Ele não serve para você.

— Eu disse NÃO... Colin — Ela disse irritada e voltou para ao quarto.

— Que... Grande... Imbecil... Que... Filho... De... Uma... Cadela... Desgraçado... Canalha... Bastardo... Bastardo... Bastardo... Eu... Mato... Esse... Desgraçado... Mato... Mato... Mato... — Cada palavra era pontuada com um soco no travesseiro. Gina estreitou os olhos, aquela era a hora de ela comandar o show — Se ele está pensando que quem decide quando ou o que dar certo é ele, vou mostrar o quanto está enganado.

...

A musica fluía com um eco quase ensurdecedor, mas era assim que ele gostava, era desse barulho que o impedia de pensar em mil maneiras atrozes de acabar com Colin Creevey.

A mente estava vazia... Era muito reconfortante tê-la assim.

A voz crua de Alanis Morissete penetrava seus ouvidos e entranhava no seu cérebro, junto com o álcool, entorpecendo-o de um jeito quase sensual. Ele se sentia quase flutuando.


Solidão.

Aquele era seu jeito de viver, seu reino tinha apenas um trono, não havia espaço para mais ninguém em seu castelo, era assim que ele era forte. Era assim que ele era invencível.

De repente o som baixou e a voz de Gina cortou a da cantora.

— O que está fazendo aqui? — Ele se assustou, mas não pareceu. Harry Potter nunca se mostrava vulnerável. Ele fechou os olhos, o sangue pareceu borbulhar. Mas mesmo com tantos sentimentos conflitando dentro de si, ele respondeu calmamente.

— O que você acha que eu estou fazendo? Estou bebendo. O que você está fazendo aqui? Como chegou até aqui?

— Rony me disse onde encontrá-lo… O bar está fechado.

— De fato. Quero ficar sozinho. E não minta, Rony não sabe onde estou.

— Importa realmente como te encontrei.?

— Obvio que importa.

— Devolvi o favor do GPS.

— Você colocou um GPS no meu carro?

— Bem vindo ao clube colega – Ela piscou, mas não estava animada – O que você está fazendo num bar fechado?

— Já disse que quero ficar sozinho.

— Você fechou um bar por que quer ficar sozinho?

— Exato, se não se importa, isso vale para você também. E eu não fechei o bar, ele é meu, simplesmente mandei todo mundo embora.

— Você chega a ser ridículo de tão prepotente, Harry.

— Mando sair a hora que eu quiser, assim como estou fazendo com você agora. Tchau Gina.

Ela sentou.

- Não vou a lugar algum Potter, acho que você ainda não percebeu, mas estou longe de ser um dos seus miquinhos amestrados.

— Como você colocou um GPS no meu carro?

— Comprei um aparelho pronto, foi só escolher um lugar escondido e isso não vem ao caso. Precisamos conversar.

— Não precisamos não. Já falei tudo o que tinha para falar.

— Mas eu não.

— Não quero ouvir.

Ela sorriu.

— Mas eu vou falar do mesmo jeito. Sabe Harry, eu estava pensando em conversar, jantar, tomar um bom drink e transar a noite toda, mas acho que vou pular direto para transa, já que você me atrasou no cronograma — Ela cheirou o pescoço dele, encostando de leve os lábios.

- Vá embora Gina…

— Você não quer que eu vá Harry… Não é?

— Quero.

— Quanta convicção, vai ter que fazer melhor que isso Narciso.

Ele grunhiu antes de levantar e agarrá-la de maneira grosseira.

Beijou-a enquanto falava entre dentes enraivecido.

-Você não vai desistir não é? Não vai parar de foder com minha cabeça? Você quer que eu ceda!

— Não estou aqui para lutar, ou fazer você se ajoelhar Potter. Estou aqui para transar com você. Por que não esquece essa queda de braço e vem fazer o que sabe?

- Você é a garota mais… Mais mesquinha… Mais… Filha da puta… E… E… Mais gostosa caralho!

— Você é um veneno.

— E você tenta se matar desde que me conheceu.

Por que não deixa dessa idiotice, dessa sua sede de poder e mistério, você é muito dramático sabia?

— Dramático? — Ele parou de beijá-la e a encarou.

— Sim. Acho que já está na hora de você parar de encenar este papel.

— Que papel?

— Este onde você se coloca como centro do mundo, o senhor mistério, se fecha e se acha superior. A quem você acha que engana? Você deveria parar de olhar para o próprio umbigo.

— Não sei exatamente onde você deseja chegar... — Ele se afastou um pouco e a encarou.

— Muito bem, vamos começar por este seu comportamento egocêntrico, onde tudo lhe pertence, onde você está acima da lei. O que acha?

— É isso que pensa?

— Não. É isso que vejo. O que você está tentando fazer Harry? Ser uma lenda? Harry Potter, o misterioso dono do mundo?

— Quem disse que sou misterioso?

— Não é? Seu passado por exemplo. Por que ele é uma incógnita? Por que é divertido deixar as pessoas montando quebra-cabeças espaciais a respeito dele?

— Não Ginevra.

— Então, por que super Potter?

— Por que ele é terrível. Por que ele é a única coisa capaz de me machucar — Ele disse de repente com tanta raiva e desgosto que a assustou.

- Harry...

— Mas você quer que eu conte? É isso que quer? O que vai fazer, usar isso na acusação?

— Harry... Não...

— Ah não! Não Gina... Agora eu vou te contar. E é melhor você sentar.

— Não preci...

— Cale-se! E escute! — Não foi um grito. Mas o perigo da voz era tão evidente que ela emudeceu.

— Como foi sua infância Ginevra? Ah... Não precisa responder, foi lindinha não foi? Rony me contou. Família pobre, porém, grande, feliz e honrada. Vocês não tiveram dinheiro para jogar fora, mas tiveram amor, jantares em família e bolo de chocolate nos aniversários não foi? Pois é... – Ele tamborilou os dedos na mesa de madeira – Eu nasci rico. Tão rico, tão rico que poderia comprar a Inglaterra, ou os Estados Unidos, ou os dois se assim desejasse.

Gina respirou fundo algumas vezes tentando conter a taquicardia que havia se iniciado de repente.

— Nasci em berço de ouro e tinha tudo para ser um playboy nojento com uma Ferrari e um jato. Mas meus pais morreram quando eu fiz um ano. E a única pessoa que podia cuidar de mim era Sirius, meu padrinho, que foi preso acusado injustamente da morte dos meus pais. Então eu fui mandado para Privet Drive para viver com meus tios. Eles eram uns filhos da puta se quer saber... Mas eu era mais filho da puta ainda... – O sorriso se tornou mais amedrontador – Por que comigo é assim Gina... Eu tenho que ser o melhor, mesmo que a meta seja: “Ser ruim”. Então com onze anos eles não aguentaram mais e resolveram me jogar num lugar qualquer e eu fui parar em Hogwarts. Conhece Hogwarts Gina?

— A instituição para Órfãos de Londres?

— Exatamente Jéssica Rabbit! – Ele sorria, mas o olhar dele era sombrio e vazio – Exatamente. Para os campos Elíseos — Ele gargalhou. Uma risada forte e sem qualquer traço de humor. Gina respirou fundo de novo. As palmas das mãos suavam.

- A vida lá era um inferno. Você sabe o inferno que aprendemos na igreja? Era um playground perto de Hogwarts. Eu dormia numa cela, por que aquilo Gina, aquilo não era um quarto. Ela tinha vinte e sete metros quadrados e abrigava quinze meninos. Eu era o menor deles. Pequeno, magro, de óculos, eu era o convite perfeito ao bullying e a agressão gratuita.

— Eles batiam em você…?

Ele sorriu de lado, um riso sombrio. Os olhos fixos, parados num ponto vago da parede, indicavam que ele estava lembrando… Regredindo para a pior época da sua vida.

— Batiam… Mas eu não ficava quieto. Nunca fiquei — Os olhos dele apertaram um pouco, a mandíbula trincou — Mas bater… Não era o pior.

— O que eles faziam de pior? Ele sorriu de novo, um riso maligno, quase um riso de ódio.

— Acredite, você não vai querer saber — Gina sentiu calafrios. Ela sabia o que acontecia nestas instituições.

— Os meninos maiores... Eles... Eles te... Te... Violentaram?

Ele ergueu a sobrancelha.

— Tentaram... Mais de uma vez... Mas Minerva e Alvo sempre conseguiam me proteger... Até o ano em que Alvo foi afastado e Minerva foi enviada para cuidar da outra ala. Naquele dia... Eu tive que me virar sozinho. Eu tive que aprender. Mas se quer saber, eu até agradeço. Eu nasci, naquele dia. Harry Potter nasceu, naquele momento. Aquele filho da puta do Duda... Ele já havia tentado tantas vezes... Mas naquele dia, eu estava preparado para ele.


Ele fechou os olhos, a mente lhe pregou uma peça. Tudo parecia tão real e a medida que ele lembrava, relatava com uma riqueza de detalhes impressionante.

Flashback.

— Olha que está aqui… O Órfão rico… Você não é rico quatro olhos? Não foi isso que você disse ontem? Que era mais rico que um rei?

— Melhor sair daqui saco de banha.

- Ah! Ele é valentão. Somos quatro, seu magricela, idiota. Seu merdinha, vamos fazer estrume de você.

— É só tentar seu imbecil.

— Sabe o que eu acho que deveríamos fazer? Alvo e Minerva estão longe, muito longe – Harry começou a recuar – Acho que é hora do Pottinho ser minha nova mulherzinha. Segurem ele!

Com um movimento que ele mal pode ver, Harry já estava de pé com um canivete em sua garganta.

— Que é isso cara?

— Isso… É o que vai fatiar você inteiro, se mexer comigo de novo, seu monte de merda.

Flashback End

Ele piscou e pareceu ter voltado à realidade. Inclinou-se para a frente e fechou os dedos uns nos outros.

— O grande problema é que eu vacilei. Achei que ele ia embora e relaxei... Quando dei por mim, eu estava no chão, com aquele gordo nojento em cima de mim, tentado me despir. Perdi o ar, Gina, me lembro tão bem... Eu quase perdi a consciência, mas fui forte. Forte o bastante para enfiar a faca, até o cabo, na barriga daquele desgraçado, estuprador nojento.

Gina levou a mão à boca.

— E foi a primeira vez que matei... Os amiguinhos dele saíram correndo. Como menininhas assustadas – Ele riu de novo – Quando eu o empurrei de cima de mim, o safado já estava morto, mas eu o esfaqueei outras vezes. Varias outras vezes se quer saber, eu garanti que ele continuasse morto. Fosse para o inferno. Você sabe como é, não sabe? Nestes filmes de terror, o assassino acaba levantando... Mas não no meu... Não no meu filme. No meu filme, ele morreu, com sete facadas bem fundas... E se você me perguntasse agora se eu faria de novo... Sim, eu faria... Faria de novo e talvez lhe desse mais facadas... Mas eu preciso agradecer ao Duda sabe? A morte dele me transformou no homem que sou hoje.

- Harry...

— Ah... Não se preocupe em colocar isto na sua acusação Gina, sabe por que? Eu já fui acusado, e também já fui absolvido.

— Eu não ia...

— Shh – A voz dele estava claramente alterada pelo álcool – Deixe-me terminar. Deixe... Deixe-me terminar meu conto de fadas para você. Nós comíamos restos... Muitas vezes eu vi os “professores” escolhendo o que íamos comer das sobras de suas refeições. A única pessoa que se importava comigo, aliás com todos nós era Minerva... E Alvo, mas ele nem sempre podia com aquele bando de sanguessugas. Eu trabalhei como um animal de carga, muitas vezes faziam de propósito, me colocavam nos serviços mais humilhantes, me faziam servir, me chamavam de empregadinha… Aquele lugar… Mas garanti eu mesmo que nunca mais, nenhum daqueles bastardos fizesse mal a ninguém — Ele deu um sorriso maldoso.

— O que você fez Harry? Ele a encarou, mas não parecia de fato enxergá-la.

— Eu... Digamos que eu fechei o lugar.

Gina não conseguia articular nenhuma palavra.

— Mas quando eu fiz treze anos, eu descobri algo que mudou tudo. Descobri o Sirius, meu padrinho. Sirius Black. Ele não havia matado meus pais, não era culpado do que o haviam acusado. Ele queria cuidar de mim, sabe? Ele gostava de mim de verdade, e eu teria uma casa, eu teria uma família... Eu teria um pai...

— Se ele havia sido libertado, por que não foi com ele?

— Por que ninguém o libertou. Ele fugiu da prisão. Sirius havia sido condenado à prisão perpétua, seu sistema foi falho com ele. Da mesma maneira que falhou com meus pais e comigo... Sirius tinha provas, mas ninguém lhe deu ouvidos, então ele fugiu, e por isso não fui imediatamente com ele. Meu padrinho queria arranjar tudo fora do país para que vivêssemos com segurança. Mas não tivemos a chance... Eu desejei tanto... Tanto que tivéssemos tido uma chance.

Flashback.

— Aguente firme, meu garoto… Aguente firme, eu vou vir lhe buscar.

— Quando?

— Logo… Aguente só um pouco mais.

Flashback End

- Sirius… Meu padrinho, foi uma das únicas pessoas que me amou de verdade… E a vida também o levou de mim, por que eu tenho que ser bom? Se as únicas coisas que recebo da vida são pauladas? Não. Não é bem assim. Quando o mundo vira as costas para você… Mande ele tomar no cu!

— O que houve com ele Harry?

— Seu sistema, Gina... Sua justiça... A mesma que condenou um inocente... O perseguiu e o matou. A policia matou Sirius antes que pudéssemos ter qualquer chance — Ele ficou parado, durante um bom tempo, olhando para um ponto fixo na parede. Um tempo que Gina não quis interferer — — Sabe por que eu sou tão rico assim? – Ele disse de repente – Por que eu herdei a fortuna das duas famílias mais ricas da Europa. Potter e Black. Como ultimo herdeiro do clã Black, Sirius deixou tudo para mim quando morresse e apenas uma recomendação. “Nunca use o nome podre da minha família” – Ele soltou uma gargalhada seca – Eu sofri o inferno... Mas quando fiz dezoito anos, eu estava pronto para ser mais do que tinha sido, mais que qualquer um. E hoje estou aqui, com o mundo na palma das mãos.

Havia muita tristeza na voz dele, muita tristeza e raiva.

Gina não conseguiu suportar, levantou-se e foi até ele, num gesto de carinho, acariciou seu ombro. Mas foi surpreendida por um puxão surpresa. Ele encaixou a mão pela sua cintura e a virou, reclinando-a sobre o balcão do bar e a beijou com muita força, como se quisesse mostrar seu domínio, seu poder.

Quando ele a soltou o fez de uma vez, deixando-a largada no balcão, sôfrega e confusa.

— O que significa isso?

Ele riu.

— Eu não sou uma cara mesquinho, Gina, eu sei que é isso que você quer, foi isso que veio buscar, eu vou te dar, eu vou saciar seu fogo. E se não for isso, é dinheiro não é? Não é o que todas vocês querem? Sexo, dinheiro e poder.

O tapa doeu tão forte quanto ecoou.

— Seu filho da puta, você acha que tem o direito de fazer isso?

— Não tenho? E você? Acha que tem o direito de vir até aqui, esfregar minhas piores lembranças na minha cara? Apenas para satisfazer esse seu ego absurdamente grande? Você fala de mim, Gina, mas se seu ego fosse um pau, você seria um africano.

— O que?

— Você é cheia de si, e adora controle. Gosta de saber que está no comando e não se importa em que ferida vai tocar não é? Um conselho... Cuidado para não levar uma mordida, cutucando carnívoros com vara curta.

— Eu não pretendia fazer você se magoar, eu só estava curiosa... Eu...

— Pois agora você já sabe... Já sabe a vida miserável que foi a vida misteriosa de Harry Potter, agora você já pode satisfazer sua curiosidade e... E... Ah! Saia daqui Gina — Ele deu as costas e saiu andando. O peito dela apertou.

— Harry... Harry!

Ela o seguiu.

- SAI DAQUI GINA!

— EU NÃO VOU SAIR! VOCÊ VAI FALAR COMIGO!

— Sai daqui…

— Harry… Fala comigo… Você está chorando?

— Agora você pode sair daqui e se gabar Ginevra Weasley. Pode dizer que viu Harry Potter chorar. Agora vá embora, ou eu mando tirarem você daqui — Ele lhe deu as costas e saiu rápido do salão, trancando-se no escritório

-Afinal, o bar era dele... — Pensou Gina, desolada. Sem muito à fazer, ela simplesmente voltou para casa carregando os pedaços das dores que ele sofrera todos esses anos consigo, e um remorso terrível.

...

Os dias que se seguiram não foram muito diferentes para Rony e Hermione, eles haviam criado uma rotina própria onde não havia mais o “só no sábado”.

Agora eles se viam quase todos os dias. Sempre na casa dela. Era sua zona de conforto, além do que era muito mais fácil, se tratando do Joey. Apesar de todo o carinho que ele tinha por Rony, Joseph era introspectivo e odiava mudanças bruscas. A casa de Rony ainda era um ambiente desconhecido e desconfortável para ele.

Rony estava feliz. O projeto de Lucius Malfoy andava mais depressa que o esperado. Ele parecia inspirado para tudo nos últimos dias, McLaggen ainda não voltara das longas férias que havia recebido e Lupin estava cada vez mais satisfeito. Além disso, Hermione e ele trabalhavam juntos por bastante tempo.

Ele tinha motivos para estar feliz.

Estavam sentados à mesa de reuniões. Padma Patil mostrava os últimos slides da avaliação que Malfoy havia feito do projeto até então. Tudo estava extremamente enfadonho e a reunião estava quase no final.

-Lucius Malfoy nunca fala nada que preste mesmo – Rony pensou. Olhou de relance, Hermione estava sentada do lado oposto da mesa. Ele sorriu e pegou o celular.

Digitou rapidamente e enviou a SMS para ela.

Hermione chegou a se assustar quando o celular vibrou no bolso do colete. Seu coração disparou. Pegou com todo cuidado para que ninguém visse e olhou.

“Que tal algo diferente?”

Ela sorriu involuntariamente e logo tentou se recompor. Rony era impossível.

“Diferente de que maneira?”

Ela mandou de volta. Ele sorriu do outro lado da mesa e logo uma nova mensagem chegou.

“Minha casa hoje?”

Ela arqueou a sobrancelha.

“E o que exatamente iríamos fazer na sua casa?”

Quando a mensagem chegou e Rony leu, não conseguiu se conter e soltou uma gargalhada curta, calando-se na mesma hora que todos o encararam.

Ele raspou a garganta.

— Hum, desculpem.

Ela mordeu os lábios para não rir. A resposta chegou.

“Brincar de médico. Topa?”

Desta vez ela teve que tossir para disfarçar.

Padma Patil continuava falando, mas nenhum dos dois queria mais saber.

“Vai ter que ser uma consulta rápida, doutor. Meu filho sai da escola às seis”.

As luzes acenderam quando ela leu a ultima mensagem.

“Vai ser uma rapidinha. Eu prometo”.

Quando a reunião parecia terminada, todos começaram a se levantar, dois homens entraram na sala. Remo abriu um sorriso e chamou o mais velho dos homens para a frente de todos.

— Só um segundo pessoal, me deixem apresentar o diretor da Smart Design a vocês. Ele fará uma matéria sobre nossa empresa e este projeto, para a próxima edição da revista...

Enquanto Remo falava, Rony aproximou-se devagar de Hermione.

— Vai no seu carro? — Ele sussurrou. Ela sorriu de lado.

— Preste atenção, Ronald!

— Só quero saber... — Ela respirou fundo.

— Vou deixar meu carro aqui... Se você for ficar lá em casa hoje à noite — Ela disse sem olhá-lo.

— É um convite?

Ela estreitou os olhos.

— Não, uma intimação.

— Ui... Eu tenho medo de você sabia?

— Presta atenção no Remo, Ronald!

— Estou prestando... Consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo, e ainda consigo reparar numa coisa.

— Oh céus, no que?

— Na sua roupa. Já disse que você fica gostosa de gravata?

— Quer parar Ronald?! — Eles nem notaram que metade das pessoas já haviam saído da sala. Hermione ficou sem graça quando algum engraçadinho gritou:

“Vão ficar pra namorar é?”

Ficou vermelha na mesma hora.

— Vejo você no estacionamento, Ronald Weasley — Ele apenas piscou e esperou dois minutos apenas, para seguir atrás dela.

...

O caminho foi curto.

A casa de Rony era muito confortável, e agora que Gina não morava mais com ele, Hermione conseguia se sentir ainda mais confiante. Soltou a bolsa no sofá esticou os braços, buscando relaxá-los.

— Eu já venho, Mione. Se quiser, você conhece o caminho do quarto não é?

— Engraçadinho.

Ela andou um pouco pela sala, observando os quadros da parede e em um determinado momento, seus olhos pararam num porta-retratos.

- Quem é essa moça? — Hermione segurou a moldura entre as duas mãos e depois virou-a para Rony. A expressão dele se fechou no mesmo instante.

— Minha irmã, Gina… A ruiva. Achei que a conhecesse.

— E a loira?

— Lilá.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Lilá? Só isso?

— Achei que você tinha dito, sem perguntas.

— Disse. Mas achei que isso valia para você também e não foi o que aconteceu no supermercado hoje cedo.

— O que aconteceu no supermercado hoje cedo que eu não lembro?

— Fora você ter quase rosnado para aquele rapaz, que não devia ter mais que dezessete anos? Nada, nada não...

— Pelo menos eu não fiz perguntas.

— Palhaço...

Ele a abraçou...

— Precisamos falar sobre isso agora? Exatamente agora? A mesa de cirurgia está pronta, só esperando a senhorita.

Ela não conseguiu segurar e sorriu.

— Se pudermos falar disso alguma hora... Não vai precisar ser neste momento.

— Ótimo... Ano que vem então, agora estamos ocupado. Venha — Ele a pegou nos braços e levou para o quarto.

Já entraram aos beijos frenéticos, e Rony a arriou na cama, logo cobrindo-a com seu corpo, ainda estavam completamente vestidos, Hermione apenas tinha tirado o suéter e a gravata. Rony havia trocado a camisa também, mas vestira outra. Só que aquilo, não parecia ser empecilho para eles.

Hermione relaxou completamente no colchão macio e ele começou a espalhar beijos pelo seu pescoço, descendo a boca por um caminho já bastante conhecido. E fez isso sem qualquer cerimônia. Hermione arfou quando a boca dele encontrou sua virilha. Ele raspou os dentes sobre o pano da calcinha e ela gemeu.

Nada foi dito, não precisava. As vezes atos são melhores que palavras…

Ele afastou a calcinha com os dedos e não esperou muito para descer a língua pelo sexo dela, já completamente úmido. Hermione emitiu um grito fino e estrangulado de prazer, agarrando-se ao travesseiro.

— Rony... Rony... Não…

— Hum… — Ele murmurou sem tirar a língua de dentro dela.

— Oral... Não... Oral... Eu não... Aguento... Muito...

A resposta dele, foi mais firmeza na língua e agilidade nos movimentos. Ela arqueou a cintura.

— Filho da puta!

Ele riu. Quase parou seu belo trabalho para rir alto. Hermione Granger praguejando? Ela não lembraria disso, depois de tudo, muito menos acreditaria.

Ela segurou em seus cabelos e forçou-o contra sua vagina. Já havia perdido o controle, estava muito próxima do gozo, e apesar de detestar gozar sozinha, não recuaria mais.

— Ai Rony... Mais... Forte... Ai... — Ela se contorceu contra ele varias vezes seguidas, freneticamente, até que explodiu num gozo curto, porém intenso.

— Ahh! Ahh... Roooon…

Quando seu quadril parou de mover-se involuntariamente, ela o puxou, ainda pelos cabelos, fazendo-o deitar-se novamente sobre seu corpo, beijou-o com vigor. Eles começaram a se despir, com rapidez.

Ele puxou-lhe primeiro a roupa de baixo enquanto ela lutava contra sua camisa. Pelos estalos que ouviu, ele soube que ela ficaria inutilizável. Depois Rony cuidou em despir a parte de cima, enquanto a beijava, sem parar.

- Você... É a paciente dos sonhos de um médico...

— E você é o médico... Dos sonhos de qualquer paciente.

Ele a beijou de novo.

— Quero você Hermione... Quero muito...

— Vem... Vem... Vem para dentro de mim. Vem agora.

Ele a deitou, cobriu e penetrou.

- Ahnnn... — Ela arfou.

Ele começou a mover-se dentro dela, sem sair. Completamente dentro, completamente lá no fundo, apenas movendo. Era uma maneira nova de senti-lo. Ela se sentia exposta de uma maneira estranha, mas não deixava de ser gostoso.
As sensações estavam ficando mais intensas e mais complexas entre eles. Ela não saberia explicar se perguntassem, apenas se deixava levar pelo que sentia.

Rony continuou a penetrá-la, gemendo baixo, como se estivesse tentando se controlar.

- Não pára… Não pára… Não pára…Que… Delícia…Ron… — Ele a olhou. Era linda no auge do tesão, mais linda que o normal.

— Eu… Te…

— Mais forte... — Ela gemeu em seu ouvido e ele fechou os olhos. O coração ribombando. O que ele estava fazendo?

— Eu te quero... Agora. Agora.

— Me pega.. Ron... Me... Ai... Ai...

— Eu não consigo parar… Não consigo ir mais devagar…

— Não quero... Não vai… Quem disse que eu quero que vá? — Ela fez força e virou-se ficando por cima.

- Meu Deus.. Você me enlouquece... Eu não consigo... Me controlar com você... Muito... Muito gostoso... Gostoso... Gostoso... Gostoso... — Cada palavra fora pontuada com uma investida. Ela o fazia penetrá-la, cada vez mais rápido.

— Caralho... Hermione...

Ele era quem se descontrolava quando a via soltar-se desta maneira. Ela ficava absurdamente sexy daquele jeito. Mas não conseguiu colocar o pensamento em palavras. Tudo o que conseguia emitir, era um grunhido estrangulado, com intervalos curtos de tempo, acompanhado da respiração pesada e irregular.

Ela aumentou a pressão dos corpos, aumentou a tensão entre eles e a força dos movimentos. O gozo chegou de uma vez, explodindo em ambos com uma força devastadora, sendo traduzido num gemido alto e uníssono. Ela arriou do lado dele, sem força para mais nada.

...

— Que... Delicia, hein morena? — Ela riu pelo nariz, sem forças para puxar o ar — Trabalhava de graça... Se você fosse minha paciente.

— Bobão – Ela riu baixo, encarando o teto, completamente anestesiada pelo pós — orgasmo – Preciso ir buscar o Joseph.

— Quer levar meu carro? Ainda preciso organizar algumas coisas antes de sair...

— Não precisa, não precisa, eu pego um taxi.

— Mione... Pode levar...

— Não ruivinho, não precisa, até mesmo por que eu queria que você passasse no supermercado antes de ir lá para casa e escolhesse nosso jantar. Estou morta para cozinhar.

Ele sorriu.

— Dependendo da sobremesa eu até...

— Será possível que você só pensa em sexo?

— Eu preciso responder? — Ela lhe deu um tapa no ombro e levantou para se vestir.

— Vou buscar meu filho, Ronald Weasley, trate de escolher uma coisa gostosa para comermos.

— Pode deixar patroa.

Ele piscou. Ela se vestiu e eles se despediram com um beijo.

…

Hermione seguiu alguns metros adiante até a pista principal da rua e ficou atentamente procurando um taxi livre.

Deu a mão para chamar um, mas ele assinalou estar ocupado.

— Que droga... — Estava tão apressada. Joseph iria sair da aula em quize minutos, ela esperava chegar a tempo.

Sentiu uma mão em seu ombro e a voz rouca carregada de sotaque ecoou em seu ouvido.

— Não precissa de taxi, Her-mionini.

Reconheceu a voz no mesmo instante. Aquele sotaque, aquele jeito de lhe chamar.

Ela virou-se e encarou o bulgaro.

— V-Victor... — Ele sorriu forçadamente.

— Eu te levo parra casa. Entre no meu carro.

"Domina tuas paixões, para que elas não te dominem"

Publílio Siro