Intimidade
26 Escolhas
"São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades"
(Dumbledore)
— Espera um minuto... Você o que?
— Estou grávida – Ela disse mais alterada.
— Mas... Como?
Gina fez uma careta.
— Não sei Harry, talvez eu tenha engolido uma semente, e ela esteja germinando agora.
— Não foi isso que eu quis dizer...
— Eu sei o que você quis dizer senhor “confie em mim”. Confiar em você? Existe ideia mais estupida que esta?
— Gina...
— Eu confiei em você Harry James Potter e agora eu estou gravida. GRÁ-VI-DA!
— Mas só fazem duas semanas que... Como você sabe?
— Como qualquer mulher saberia. Minha... Minha menstruação atrasou e ela nunca, nunca atrasa. Eu tenho um ciclo muito regular. Eu já estava com um pressentimento ruim desde aquele dia e... Agora isso... Então...
— Você tem que fazer um exame.
— Obvio.
— Quando?
— Semana que vem, mas... Mas...
— Eu entendi.
— Pois é — Harry engoliu seco e não disse nada. Apenas passou a mão no rosto e começou a andar pela sala.
— Sintomas?
— Todos. Por que você acha que eu te fiz ir ao Taqueria?
— Hum... Desejo... Certo?
— É... E enjoo... Enjoo matinal...
— Ok — Ele se aproximou do bar e colocou uma dose reforçada de whisky no copo. Gina sentou-se, aparentemente exausta.
— Precisamos – Harry começou sem saber exatamente o que dizer – Resolver algumas coisas a respeito... Desse... Da... Do bebê. Você... Ficou gravida... E... Gina, tem certeza? Por que só fazem duas semanas que...
— ESTÁ SUGERINDO QUE EU ESTOU MENTINDO? — Ela ficou de pé de novo com uma expressão ameaçadora.
— Não... Eu só...
— Espero que você escolha muito bem as suas palavras Harry James Potter, por que elas podem ser as ultimas que você pronunciará. Se acha que eu fiz isto pelo seu dinheiro, pode ficar sabendo que eu não quero um só centavo e não me venha com esta conversa de amarrar pela barriga, pois casar com você está na minha lista de pesadelos, aliás, está em primeiro lugar se quer saber! Duas semanas é uma ova, você e eu estamos... Enfim! Há meses! — Ela falou tudo de uma vez, sem quase nem respirar nos intervalos. Ele ficou olhando-a alguns segundos, meio perplexo, mas depois reassumiu o ar de confiança.
— Eu sequer pensei nisso. Não estou preocupado com dinheiro e nem... Com outras coisas... Eu apenas... Eu... Não estou conseguindo pensar agora. Preciso beber.
Gina deu uma risada ácida.
— Claro que precisa.
— Me dê um desconto ok, Gina? Eu vim de um jantar num ninho de cobras, cheio de juízes, advogados e promotores de justiça, dirigi meia cidade para lhe trazer nachos e quando eu chego você me diz que está grávida. Eu acho... Pelo menos acho que tenho o direito de estar... Confuso.
— Abuse do seu direito de estar confuse, então. Por que para você é muito prático ficar confuso agora, mas ninguém se importa como eu estou me sentindo. Ninguém quer saber o que isso significa para mim. Você tem ideia do que significa isso? Meu Deus, minha carreira acabou — Ela arriou no sofá com o rosto entre as mãos e Harry se sentiu mal.
— Gina...
— Acabou Harry... Eu não vou poder trabalhar e estudar e... Meu Deus, quando souberem que eu vou ter um filho seu, vou ser demitida...
— Vai estar bem amparada... Eu posso muito bem…
— Eu não quero seu dinheiro Harry... – Ela soluçou – Eu quero meu dinheiro, minha carreira, eu sonhei tanto com isso...
— Gina... — Ele se sentiu estranhamente angustiado. Era mesmo muito estranho, por que nunca havia se comovido com choro de mulher antes. Pelo menos não, desde Fleur... — Eu... Meu Deus, eu estou sendo horrível... Eu não estou desmerecendo a criança eu só... Eu... Como... Eu não sei mais... — Ele se aproximou dela — Gina, vem aqui...
— Eu estou com medo, Harry... — Ela disse aceitando o abraço que ele oferecia, e ele sentiu uma vontade impulsiva de
confortá-la e protege-la.
— Não tenha... Eu estou aqui... Não vou deixar nada te acontecer… — Ela se deixou abraçar por alguns segundos, depois o olhou.
— Eu não quero casar com você — Ele deu uma risada fraca.
— Fico aliviado.
Então o telefone tocou.
Harry atendeu ainda meio distraído.
— Alô?
— Harry Potter?
— Sim...
Ele franziu o cenho. Era uma voz de mulher, mas estava ligando para o seu numero privado, ele normalmente reconhecia a voz de qualquer um que lhe ligasse naquele número.
— Harry... Eu... Sou Hermione Granger a...
— Mulher do Rony? – Ele completou e Gina levantou a cabeça rápido.
— Bem... Sim... Eu... Tentei falar com a irmã dele, mas eu não consigo... Então... Eu... Acho que você é a pessoa mais próxima a ele, depois da irmã... Eu...
— Aconteceu alguma coisa? Aconteceu algo com o Rony?
— Ele está no hospital... Eu estou aqui com ele... Mas acho que devia avisar e...
— Qual hospital? – Ele perguntou ansioso.
— Quem está no hospital? – Gina perguntou nervosa.
— Espera Gina.
Ele pegou a agenda no bolso e teclou agilmente o endereço e desligou o telefone em seguida. Olhou para Gina meio pálido.
— Precisamos ir. Rony está no hospital.
...
Hermione andava de um lado para o outro, nervosa. Não havia recebido qualquer noticia de Rony.
Ela batia nervosamente os dedos das mãos uns nos outros, tentando se controlar para não invadir aquela sala e descobrir por si mesma, o que estava acontecendo. Quando o médico finalmente veio, estava acompanhado por dois policiais.
— Senhorita Hermione Granger?
— Sou eu. Como ele está?
O medico suspirou, como se aquilo fosse realmente entediante de tão repetitivo.
— Bem. Está bem na medida do possível. Veja bem, ele sofreu alguns danos físicos, está bastante machucado, mas a boa noticia é que todos os ferimentos são superficiais, ele não corre nenhum risco de morte. Porém, passará alguns dias de cama — Ela concordou com a cabeça sem conseguir processar as coisas direito.
- Achamos que seu marido foi assaltado senhorita, e estamos trabalhando inicialmente com a suspeita de furto, mas só poderemos ter certeza quando falarmos com ele — Disse um dos policiais.
— Oh meu Deus!
— Sim, mas não descartamos outras possibilidades, principalmente por causa de algumas evidências estranhas. Precisamos fazer algumas perguntas.
— Evidencias? Que tipo de evidencias?
— Seu marido tem algum inimigo?
Hermione passou as mãos no rosto.
— Eu... Não... Deus, eu não consigo pensar — Ela disse exasperada.
— Acho que o interrogatório pode ficar para outra hora, não é mesmo? — A voz de Harry encheu o corredor. Os dois policiais o olharam com desdém.
— Sempre atrapalhando não é mesmo, Potter?
Harry riu.
— Sempre que possível — O homem desviou a atenção para Hermione.
— Esperamos contar com a sua colaboração para conseguirmos descobrir o que houve com seu marido, senhorita Granger. Ela concordou com a cabeça e pegou o cartão que o homem lhe oferecia, depois olhou para o medico.
— Posso vê-lo?
— Sim, mas não por muito tempo e nem todos de uma vez.
Ela olhou para Gina, como se pedisse permissão para ir primeiro. Gina concordou.
— Vá você primeiro Hermione... Estaremos esperando aqui.
Ela entrou no quarto e o viu deitado quase todo coberto. Não havia muitos machucados no rosto, quase nenhum na verdade, mas ela podia ver as ataduras nas falhas no lençol que o cobria. Sentou-se ao lado dele na ponta da cama e pegou sua mão.
- Eu vou ficar aqui, Ron… Não vou sair daqui enquanto você não me olhar e não sorrir para mim.
...
Astoria já estava ficando preocupada. Havia voltado para casa cedo, já que Hermione e Gina não puderam comparecer ao encontro, tentara avisar a Draco, mas ele não atendia o telefone, nem respondia as mensagens. Primeiro, achara que ele estava em alguma aula muito importante, mas já havia acabado as aulas dele... Já estava ficando tarde... E preocupante.
Ela tentou o celular de novo e foi para caixa de mensagem.
— Oh Deus! Como eu odeio essa mulher da caixa de mensagens!
Ela jogou o celular no sofá e bufou andando pela casa, sem saber exatamente o que fazer. Se ele demorasse mais meia hora para dar noticias, ela ligaria para Narcisa. Mesmo sabendo o quanto isso seria desagradável.
Alguns minutos se passaram e o telefone tocou.
— Draco? — Ela correu para atender, mas arriou na cadeira quando ouviu a voz de Matt.
— Tori?
— Ah! Oi Matt.
— Uau! Também estou feliz em te ver.
— Desculpe Matt, eu... Estava... Esperando uma ligação importante.
— Oh, Claro, me desculpe, mas eu acho que isso pode ser importante.
— Algum problema no bar?
— Não, na verdade... Não tem nada haver com o Burns. Eu estou na Seville Street e... Bem, eu avistei o Draco...
— O Draco? — Ela perguntou surpresa – O que ele está fazendo em Knightsbridge?
— Bem... Eu não faço ideia, mas... Ele não me parece muito bem, eu acho que... Bom, não sei bem em que terreno eu estou pisando, mas eu acho que você devia... Não sei, ele parece alterado.
— Matt! Ele está ferido? Aconteceu algo grave?
— Não! Não... Ele só... Parece perdido, perturbado. Chutou uma lata de lixo, depois a porta do carro, agora está sentado num tronco retorcido, como se... Estivesse furioso.
— Você pode ficar ai até eu chegar? Quero dizer... De olho nele?
— Posso... Você quer que eu vá...
— Não! Não. Apenas... Só fique de olho nele e me avise qualquer coisa.
Ela desligou o telefone e se apressou em pegar o carro e chegar o mais rápido possível até Draco.
...
Astoria demorou 25 minutos para chegar ao local onde Matt lhe indicara, isso por que dirigira todo o caminho no limite da velocidade permitida. Quando chegou, avistou primeiro o amigo, que apenas lhe mostrou onde Draco estava sentado. Ele estava de cabeça baixa, não dava para ver seu rosto. Ela não fazia ideia do que poderia ter acontecido. Agradeceu a Matt rapidamente e seguiu até ele. Draco sequer notou sua aproximação.
— Tão longe de casa... — Ela disse baixo. Ele tremeu visivelmente como se tivesse levado um susto, mas não ergueu a cabeça.
— Você também está — A voz dele saiu abafada. Ela agachou-se e segurou em seus braços, indo com muita calma por que não sabia o que estava acontecendo.
— O que está fazendo aqui, Draco?
— Nada... — Ele disse ainda sem levantar a cabeça.
— Nada?
— Nada – ele deu de ombros – Eu só... Queria pensar, vim dar uma volta.
— Aconteceu alguma coisa?
Ele não respondeu, mas ela logo percebeu a revista enrolada nas mãos dele. Devagar, ela puxou o objeto e abriu. Quando viu a capa suspirou.
— Draco... Eu...
— Não precisa dizer nada, Astoria — Ele finalmente levantou a cabeça – Já está tudo bem.
— Não minta para mim.
— Não estou — A voz dele endureceu e ele empertigou o corpo, fazendo-a levantar, em seguida, levantou-se também.
— Sei que está, Draco. Está chateado por causa desta revista e...
— Ah você acha?
— Não seja irônico.
— Por que não? Ironia devia ser meu segundo nome, você não acha?
— Dray...
— Aliás, todo mundo gosta de ironia, não gosta?
— Dray...
Ele estava um pouco mais alterado.
— Por que se não gostasse, esse monte de bosta não estaria nessa porra de capa de revista, sendo jogado para cima, ironicamente – Ele fez aspas com os dedos – Para cima da minha namorada que ironicamente – Ele fez aspas de novo – Havia me dito que eu não tinha com o que me preocupar.
— Você acredita nessa merda?
- Eu não preciso acreditar neste lixo, para ficar puto, preciso?
— Está gastando energia a toa.
— Ah claro que sim, claro que sim – Ele disse com um sorriso nervoso.
- O que eu preciso fazer, para você entender que eu sou sua, Draco? O que eu preciso fazer para que estas fofocas não te atinjam? Draco, a coisa mais normal do mundo, são essas baboseiras nestas revistas horríveis.
— Eu sei... Eu sei Astoria...
— Então...
— Só que saber disso não diminui a raiva que eu sinto quando olho para cara desse idiota, sorrindo como se tivesse achado o pote de ouro no final do arco-íris.
— Não exagera, Draco. Ele está fazendo pose para foto, e não sorrindo por que disseram que somos namorados. Eu nem estava neste Photoshoot.
— Eu... Sei disso.
- Então pare de se estressar com bobagens, será possível que toda vez que tocarem no nome do Ben, você vai surtar?
— Acontece que eu não consigo controlar... Será que você não vê? Será que não vê o quanto isso me afeta também? Acha que eu gosto de sentir esse monstro se erguendo toda vez que eu ouço o nome desse cara? Acha que eu gosto de agir como um tolo?
- Draco...
— Não Astoria, me ouve... Você tem que entender o que tá acontecendo aqui dentro. Eu estou explodindo. Estou no limite. Preciso ficar sozinho, quero ficar sozinho, antes que eu faça ou fale algo que me arrependa.
Ele deu alguns passos para trás se distanciando dela, deixando o lugar, mas Astoria foi atrás e o segurou pelo braço fazendo-o olhar para ela.
— Draco, você não vai embora.
— Eu preciso... Eu quero...
— Draco fala comigo!
— Eu estou bem… Estou bem de verdade.
— Não, você não está. Não insulte nossa conexão. Olha para mim.
— Eu só preciso de um minuto. Só um minuto, tudo vai ficar bem.
— Não! Não vou te dar um minuto, para o inferno com os minutos, olha para mim e me diz o que você tem!
— NÃO!! Não Astoria! Eu não quero falar, vamos acabar brigando e eu não quero…
— MAS EU QUERO! QUERO QUE BRIGUE COMIGO! GRITE! CHORE! MAS ME DIGA O QUE É!
- Eu... – Ele começou num tom alto, como se fosse explodir, mas se conteve. Engoliu seco e fez uma careta que mais parecia dor, depois soltou o ar e esfregou o rosto – Eu estou puto, Astoria... – Ele disse baixo – Estou muito, muito puto, não estou raciocinando, nada do que eu disser vai fazer sentido.
— Draco eu quero te ajudar... — Ele segurou os ombros dela, sem pôr força.
— Mas você não pode... Ninguém pode, não agora.
— Draco...
Ele respirou forte.
— Vamos para casa, Tori? Por favor?
— Onde está seu carro?
Ele apontou.
— Bem ali.
— Venha... Mandamos alguém vir buscá-lo e...
— Não... Eu quero dirigir... Ok? Eu sigo você — Ela concordou e foi para o próprio carro, seguiu em direção a casa com cuidado, sempre observando se ele realmente a seguia.
Draco entrou primeiro. Estava angustiado, era uma das piores sensações que já havia sentido. Jogou a revista na mesa de centro e sentou no sofá. Ela veio devagar e sentou ao lado dele.
— Podemos conversar?
— Claro — Ele disse baixo.
- Você precisa se abrir comigo.
— Eu só não sei o que dizer, Tori. Só não sei como dizer... Não consigo explicar.
- Tente Dray, tente apenas dizer como se sente.
— Como me sinto... Me sinto um palhaço... Me sinto um idiota, lutando contra algum inimigo imaginário... E eu não nunca consigo vencê-lo, sabe? É como quando somos crianças e jogamos The King Of Fighters pela primeira vez contra a máquina... Não importa quantos especiais você saiba, ou quantas vezes tenha lido as revistas de técnicas de lutas, sequer importa se você está jogando com o Iori e a máquina com o pior deles... Ela sempre te vence.
- Bem... Você tem razão... Não soube explicar… — Ela falou com um sorriso fraco, ele riu fraco também.
- Não consigo me sentir bem com a sua proximidade com este cara. Estou com ciúmes Astoria e infelizmente não consigo fazê-lo sumir. Eu gostaria, muito, mas não sai, sabe? E... eu... Me sinto inferior a ele.
Ela o olhou confusa.
— Inferior, por que?
— Por que eu não consigo evitar sentir essa coisa ruim, quando eu vejo o quanto você e ele são... Compatíveis.
Ela fez uma careta.
— Uau... Muito compatíveis.
Ele baixou a cabeça.
— Sei que parece idiotice vendo tudo de fora, mas... Se você conseguisse ver o brilho dos seus olhos quando fala algo relacionado a ele, concordaria comigo.
— Duvido que eles se comparem ao brilho que eles emitem quando eu falo de você — Ele sorriu, sentiu aquela dor reduzir e o peito afrouxar.
— Não gostei de ver você... De ver as pessoas dizendo que...
— Eu sei.
— Sou muito chato, não é?
— Muito.
Ele riu.
- É...
— Mas eu também não gostaria. Só não quero que se deixe envenenar, amor... Isso é coisa da imprensa sensacionalista, não tem como evitar.
— Eu sei.
— Eu te amo, Dray... – Ela disse e depois entoou baixo uma canção — E até quem me vê lendo o jornal. Na fila do pão, sabe que eu te encontrei.
— Eu também te amo Tori... Te amo muito.
...
Hermione ficou por muitos minutos, apenas parada, olhando para Rony, admirando-o. Apesar do susto, ela não conseguia deixar de se sentir diferente perto dele. O mais engraçado era que aquele amor por Rony, só crescia.
Machucava, claro. Principalmente por acreditar que aquele sentimento tinha prazo de validade, mas ainda assim, engradecia. Era uma grande confusão de sensações que estavam tirando seu sono.
— Algum tempo atrás, eu estava no seu lugar, você se lembra? — Ela falou baixo, quase sussurrando. Ele permaneceu imóvel, respirando regradamente, como se estivesse em sono profundo.
— Ninguém nunca cuidou de mim do jeito que você fez, Ron... E eu vou cuidar de você também. Joey não sabe de nada... Eu acho melhor dizer para ele que você teve que viajar de novo. Ele ficará com medo. Joey... É muito sensível. Sei que você vai entender por que eu menti para ele — Ela continuou falando como se ele pudesse mesmo ouví-la.
— Você vai ficar bem, Ron... E a polícia vai encontrar quem fez isso. Foi só um susto, não é? São só uns machucados? Logo você vai estar em casa e eu vou cuidar de você direitinho. Vai se recuperar rápido — Os olhos dela se encheram de lágrimas, o coração apertado, começou a afrouxar e com isso os nervos falharam.
— Eu nunca tive uma família, Ron... Eu... Morei num quartel general, e depois... Fui "vendida" quase como uma escrava. Nunca tive ninguém que se importasse comigo, que me protegesse, que me fizesse sentir como você faz. E sabe, acho que eu cometi um erro terrível. Eu acabei quebrando nosso acordo, e me apaixonei por você. Sei que esses não foram os termos que combinamos, mas eu não consegui evitar. Você... Não me deixou escolha — Ela apertou a mão dele e deixou uma lágrima cair.
— Você me deu tudo o que eu precisava... E... A maneira como trata meu filho é... Incrível, eu acho que não tinha como não me apaixonar por você. Então... Então você não pode simplesmente ficar nesta cama, de olhos fechados, você não pode me deixar aqui aflita deste jeito, por que isso é horrível. Acho que você deve abrir os olhos logo e me mostrar que está bem – E logo outras lágrimas caíram — — Eu quero que você volte logo pra mim Rony. Sou impaciente.... Estou preocupada e... Sinto sua falta... Volta logo...
— Ele vai melhorar... Não se preocupe. Rony é muito forte – A voz de Gina soou junto com os passos. Ela entrou no quarto com uma enfermeira. Ela sentou do outro lado da cama, e Hermione, um pouco constrangida, saiu da beira da cama e sentou-se na cadeira do outro lado.
— Eu sei... Eu... Só...
— Sei como se sente — Disse a ruiva — Você o ama.
— Eu... Eu...
— Não vai negar para mim, vai? Acredite, eu sei exatamente o que está passando, não precisa negar. Nem adianta. Dá para ver de longe. Mas não se preocupe, ele só saberá na hora que você decidir que ele deve. E eu sei que deve estar angustiada, mas não fique. Rony é tipo "vaso ruim", sabe? — Ela riu tentando aliviar a tensão de Hermione — Não vai quebrar.
Hermione riu.
— Você está certa.
— Vim te chamar para ir tomar alguma coisa comigo. Eu sei que não deve querer sair de perto dele, mas o Harry... Queria vê-lo sozinho. Ele diz que quer bater um papo de homem, mas eu acho que está com medo de chorar na frente de duas mulheres.
Elas gargalharam juntas.
— Claro, claro que vou.
— Otimo, você precisa relaxar. Venha comigo — Gina pegou sua mão, e saiu, levando-a consigo. Quando chegaram ao corredor onde Harry estava, ela bateu em seu ombro e piscou.
— Prontinho Harry, ninguém vai ver você se derretendo. Pode ir lá.
Ele fez uma careta e foi em direção ao quarto.
…
Hermione queria ter ficado com Rony no hospital, mas precisava ficar com Joey. Não podia deixar uma babá com o garoto por muito tempo, até mesmo por que, Joey não ficava com babás por mais que algumas horas, se demorasse muito, ele ficava inquieto e arredio.
Gina e Harry tinham ficado com ele, passariam a noite lá, e Hermione voltaria pela manhã, quando o garoto estivesse na escola.
Chegou no apartamento, pagou e dispensou a babá. Fez toda a rotina de segurança, trancando portas e janelas, ligando alarmes e verificando os telefones, e depois pôs Joey para dormir. Tinha sido tudo muito exaustivo, mas ela ainda estava alerta.
Então recolheu-se no sofá e começou a escolher um canal de televisão para assistir. Foi quando o telefone tocou. Ela atendeu rápido. Gina lhe dissera que ligaria se qualquer coisa mudasse. Mas não era Gina.
— Alô!
— Como estão as férias, Hermi-ô-nini?
Ela congelou. O coração sofreu um baque forte e suas mãos começaram a tremer.
— O... Que você quer? — Ela disse tentando manter a voz segura. Ele deu uma risada que lhe doeu na espinha.
— O que eu querro? Bem... Digamos que... Eu querro te dar um aviso...
— Um aviso? — Ela perguntou alarmada e ele não respondeu nada, apenas soltou mais uma risadinha nociva e falha, e então ela tremeu mais — Foi você Victor? O Rony... Oh meu Deus... Foi você!
Ele riu mais alto.
— Bingo! Bingo! Sua inteligência... Ainda é a mesma, minha querida.
— Seu desgraçado! Eu vou a polícia e...
— E fai disser o que? Hum? Fai me acusarr? De que? Eu estafa numa conferrencia... Posso provar, Hermi-ô-nini. Não seja tola... É melhorr oufir o que eu tenho a disser — Ela ficou calada — Fou ser bem dirreto. Desta fez... Foi apenas um "susto", focê tem uma semana para deixar essa vida de pecado e foltar a serr a mulherr correta com quem me casei. Non tente me testar Hermi-ô-nini. Da próxima fez, será parra matar...
— Victor...
— Não estou negociando... Minha querrida. Estou afisando... Uma semana. Nem mais, nem menos... Ou eu terrei prasser em esmagar seu amante.
— Victor escute...
Ela tentou, mas ele não ouviu. Já havia desligado. Depois disso ela arriou no sofá, com os nervos em frangalhos, se sentindo completamente arrasada.
…
Desde que havia voltado para a sala de espera, Gina notara Harry estranho.
Ele estava com o olhar vago, meio entristecido e muito calado. O pior de tudo é que ela não fazia a menor ideia do que dizer ou de como abordar o assunto. Saberia lidar com ele se estivesse sendo cafajeste, irônico, grosseiro, arrogante, idiota, mas triste... Ela não sabia.
Rodeou com vários assuntos sem importância, tentado achar uma brecha naquela parede que ele erguia em volta de si mesmo, mas parecia não haver nenhuma falha em sua proteção. Ele tinha aprendido muito bem a se defender. Bem demais. Ela já estava quase desistindo de dizer qualquer coisa quando ele pareceu voltar à terra.
— Gina... Precisamos converser — Ela o encarou decidida a ir o mais devagar possível e tentar entender o que estava acontecendo com ele.
— Hum...
— Ron... É meu melhor amigo — Gina concordou com a cabeça. Ele deu uma pausa, como se sentisse dificuldade de achar as palavras certas.
— Ele é... Meu único amigo, na verdade. E... Eu nunca tinha visto, Rony tão frágil, tão... Debilitado e isso... Não foi legal. Não foi... Nada legal.
Ele fechou os olhos um minuto e sua mente o jogou de volta há meia hora atrás.
Flashback
Ele entrou no quarto e viu Rony deitado na cama. Não era uma cena incomum. Já perdera a conta de quantas vezes entrara no apartamento sem bater e encontrara o amigo num sono pesado. Em todas estas vezes ele lhe acordou com um susto, rindo à vontade da própria piada enquanto o outro xingava-o até a sua alma.
O problema é que desta vez ele não poderia simplesmente lhe pregar uma peça e rir. Não funcionaria.
Ele estava apagado, o braço, estava jogado de uma maneira que fez o coração de Harry afundar. Não era nada demais, era só uma posição, mas a maneira como ele estava parecia sem vida.
Ele ficou angustiado como poucas vezes na vida.
Desde muito novo havia se preparado para ser forte, insensível, até mesmo ruim. Precisava ser resistente, mas se havia um pacote de coisas insuportáveis na sua vida, perder uma das únicas pessoas que verdadeiramente amava, com certeza, estava incluído nele.
Ele se aproximou um pouco mais.
— Você Weasley’s... São um bando de filhos da puta — O tom de voz que ele usava parecia que estava brigando com Rony — Vocês gostam de assustar e irritar. E de fazer merda também. O que caralho você estava fazendo na rua essa hora? — Ele ia sentar na cama, mas desistiu, não conseguiria ficar quieto simplesmente. Precisava andar — Tenho duas coisas para dizer a você... Primeiro: Vou achar o filho da puta que fez isso com você. Segundo: Pode acordar, pode acordar logo que eu não tenho amigo fracote. Vamos levantando o rabo dessa merda de cama, por que uma surrinha de nada não ia te derrubar. Terceiro: Não invente nenhuma complicação, nada de cirurgia. Eu pretendo te levar para casa amanhã. Sem falta.
Rony permaneceu imóvel.
— Puta que pariu, Rony. Você é maior e mais forte que eu... E eu não... Não aceito que... Eu não... Você é meu melhor amigo e eu acho que... Ok, vou parar com essa idiotice aqui, esse negócio de melação não é muito a minha, apenas... Levanta dessa merda de cama, e logo. Harry Potter não gosta de esperar e você sabe disso.
Ele se virou e foi em direção a porta, mas parou de repente e fez o caminho de volta, chegando próximo à cama de novo.
— E... Eu tô lá fora. Caso você esteja me escutando... Tem... Esse negocio aqui o seu lado... — Ele colocou a sineta de emergência entre as mãos de Rony — Caso você acorde, mas sei lá... Não consiga falar. E eu vou voltar... Lógico. E... Sua irmã tá ai também, eu mandei Hermione para casa por causa do garoto. Espero que não se importe... E... Você não tá ouvindo porra nenhuma, né? Bom... Em todo caso... Eu tô aqui ok? Eu... Tô lá fora.
Então ele deu mais uma olhada no amigo e saiu.
Flashback End
- Eu sei que você gosta do Rony, Harry... E sei que tem dificuldades para dizer isso, mas ele vai ficar bom, não foi nada grave. Você ouviu o medico — Gina disse, tentando amenizar.
— Eu sei, mas não é disso que eu estou falando. O que eu quero dizer é... Olhar para Rony daquele jeito, me fez lembrar que... Que ele é o melhor homem que eu conheço, um grande homem. Um homem cuja amizade eu não mereço, mas tenho. Só que eu percebi também que não estou dando o valor devido a esta amizade. Eu estou mentindo para ele, o que eu estou fazendo é quase um crime.
Gina franziu o cenho.
— Como assim?
— Eu tô traindo a confiança do único cara em quem confio.
— Você está falando de nós?
— Sim.
- O que você está querendo dizer com isso? — Gina perguntou alarmada.
— O que você entendeu, Gina. Que isto está errado. Nós temos a obrigação de contar ao Rony o que está acontecendo conosco. E se ele descobrir sozinho? Já imaginou? Ele vai me matar. Pior, ele vai me odiar.
— Defina suas prioridades, Harry.
— Rony é meu irmão. Eu não posso mais fazer isso com ele. Além do mais, você está grávida! O que acha? Que ele não vai notar quando sua barriga estiver do tamanho de uma bola de basquete? Ou que ele vai achar que você comprou um boneco por que estava morrendo de saudades da infância, quando este bebê nascer?
— Não seja ridículo.
— Posso até estar sendo ridículo, mas estou certo, e você sabe que eu estou. Estamos errados, completamente errados, estamos pisando na bola com ele.
— Harry, certo ou não, não é simples assim. Rony não vai aceitar isso muito bem.
- Eu sei que ele não vai Gina... — Harry levantou, nervoso — Afinal, ninguém aceita. Eu estou comendo a irmã dele, quer dizer... Isso não é certo e... — Ela já o olhava com os olhos estreitos e perigosos — Digo... Eu quis dizer que eu... Nós...
— Eu entendi muito bem o que você quis dizer, seu safado.
— Gina... Isso é só um modo de falar.
— Sei bem.
— Ah, vamos lá, eu estou nervoso.
— Não se preocupe, Harry, se você fizesse um soneto sobre isso, eu te internaria. A resposta é não.
— Não o que?
— Não vamos contar ao Rony.
— Vamos sim.
— Não vamos não.
— Ginevra!
— Não! Harry James Potter! Ou pelo menos, você não vai. Do jeito que é sutil, é capaz do Ron, sair do hospital direto para cadeia. Não! eu faço isso, deixe isso para mim. Conheço meu irmão e sei como fazer.
— Eu sei lidar com o Rony...
— Não, não sabe. Você é um porco chauvinista, não sabe lidar com ninguém.
— Adoro seus elogios.
— Eu sei — Ela levantou — Você é doente — E se aproximou dele — É sério Harry, me deixe falar. Isso pode dar uma confusão muito grande, me deixe cuidar disso. Eu tenho até medo de pensar na reação do Ron... — Harry riu e segurou-a nos ombros.
— Tá com medo de ser mãe solteira?
Ela riu também.
— Não, desde que faça um testamento.
— Chata.
— Maluco.
— Olha quem fala.
— Não me cause estresse, ou a criança vai nascer peluda — Ele ergueu uma das sobrancelhas.
— É sério?
— Não. Mas mesmo assim não me cause estresse.
Ele a abraçou e beijou o topo da sua cabeça.
— Não se preocupe ruiva, eu vou fazer a coisa certa.
...
Hermione ainda estava sentada no mesmo lugar, uma hora depois da ligação de Victor. Tentara pensar em todas as coisas possíveis para resolver aquela situação, e todas as alternativas que sua cabeça formava resultavam em apenas uma saída.
Deixar Rony.
Aquilo seria mais que um baque para Joey, certamente o garoto sofreria muito com esta separação, mas o que ela poderia fazer? Não podia correr o risco, não seria responsável pela morte do único homem que amou de verdade. Deixaria seu orgulho de lado e ficaria longe dele. Era por sua própria segurança.
Não pensaria muito, pensar iria fazê-la voltar atrás e ela já tinha feito sua escolha.
"Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis"
René Descartes
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