Intimidade

25 E depois... O Caos


"Calmaria demais é sinal de tempestade"

O barulho da caneta batendo na mesa estava em total desarmonia com os sapatos que batiam no ferro da cadeira. Os tiques nervosos de Hermione Granger eram barulhentos, por sorte ela estava sozinha na sala, certamente irritaria alguém com aquela barulheira.

Mas ela estava nervosa. Nervosa e extremamente irritada.

Rony havia viajado há três dias. Uma conferencia em Glasgow. Ele deveria voltar no dia seguinte, mas ela já estava com muita saudade. Eles se falavam o dia todo e quando não podiam falar diretamente trocavam mensagens pelo celular. Mas naquele dia, ele ainda não havia ligado, nem mandado mensagens... Nada. Não a havia acordado como costumava fazer, nem falado com ela em seu intervalo. Nenhum sinal dele.

Aquilo, por mais bobo que parecesse olhando de outro ponto de vista, para ela fazia toda diferença.

Estava tão perdida nos pensamentos, arquitetando como fatiá-lo lentamente por causa daquela espera, que se assustou quando a secretária entrou.

— Bom dia, senhorita Granger.

Ela inspirou forte, tentando não parecer abalada.

— Bom dia.

A secretária sentou-se diante de Hermione Granger, portando sua sempre presente agenda preta atulhada de papéis e lembretes, então começou a passar seus horários, reuniões, telefonemas repassados, e-mails a conferir, clientes em potencial.

Entretanto, Hermione deveria confessar que não prestou atenção nem à metade do que a outra dizia com tanta concentração e competência, seu foco escorregava a todo minuto para o aparelho celular que fora deixado ao lado do porta-lápis, Ron costumava lhe enviar mensagens de texto mais ou menos naquele horário e tudo o que ela queria e precisava no momento era ouvir o zunido engraçado que o celular emitia quando estava vibrando.

Ela apertou o pequeno aparelho entre as mãos e deixou os dedos percorrerem por ele incessantemente, completamente alheia à secretária e aos seus afazeres, olhava para a tela, apertava os botões para desbloquear o teclado e nada, continuava tudo como estava há minutos atrás.

A ansiedade lhe corroía completamente, ela não conseguia formular qualquer outro tipo de pensamento que não fosse correlato a sua angústia.

Porque ele não lhe enviara nada ainda? Talvez estivesse digitando agora mesmo. E se não fosse isso? Será que algo ruim acontecera a ele? Algo que o impedia de falar comigo? Talvez estivesse muito ocupado... Mas, ocupado demais apra me mandar uma mísera mensagem de texto? Ou talvez ele me esquecera... Não seria de se assustar, afinal. Talvez eu não servisse para mandar mensagens melosas, talvez eu fosse apenas um objeto sexual para ele...


“Bom dia, olhos de mel.

Estou morrendo de saudade de você.

Ass.: Seu Ron
”

- Então, senhorita Granger, a senhorita está bem?

E o sorriso se alargou ainda mais.

— Estou ótima. Estou maravilhosa.

Ele não mandou mais mensagens o resto do dia, apenas mais uma de voz, dizendo que tinha um dia cheio, mas que ligava a noite e estava com saudades.

Hermione se pegou ouvindo a mensagem, várias e várias vezes. Estava com saudade da voz dele. Só da voz não. Estava com saudade dele inteiro, até de saber que ele estava na outra sala, ou que estaria esperando-a no saguão no fim do dia.

Rony era incrível. Ela não conseguia parar de contar para si mesma as qualidades que descobria nele.

Se estivesse ali, estaria esperando-a no saguão, sairia junto com ela, porém a uma certa distancia, para não chamar atenção das outras pessoas. Encontraria com ela e a levaria para casa sem levantar qualquer suspeita, quase ninguém sabia que eles estavam morando juntos.

Mais uma qualidade de Rony, ele não gostava de se exibir, era muito discreto.

— Eu ainda acho que ele não faz a menor falta na empresa, estou aliviada por não ter que topar com aquele idiota, você não concorda Hermione? – A voz de Padma parecia tão longe — Hermione?

— Hey Granger! Está amando? — Ela piscou algumas vezes até encarar as gêmeas. Quase respondia que sim.

— O que?

— Você está no mundo da lua.

— Ah... Eu... Estava pensando em um projeto...

— Se não fosse você Granger, eu diria que sei qual é o projeto, mas... Enfim, o que você acha?

O garçom colocou os cafés na mesa e ela tentou se concentrar na conversa.

— Acho do que?

— McLaggen?

— O que tem ele?

As duas rolaram os olhos ao mesmo tempo, parecia ensaiado.

— Eu estou dizendo que o McLaggen está sumido, parece que foi fazer uma campanha da Shacklebolt Building nos Estados Unidos e está por lá há meses. Eu disse que já estava sentindo falta daquele rostinho lindo circulando pelos corredores — Falou Parvati.

— E eu disse que ele é muito imbecil e não faz a menor falta. O que você acha?

— Ah... – Ela parecia meio perturbada – Eu... Não sei quem é McLaggen.


As duas riram.

— Verdade – disse Padma – Ele foi embora pouco tempo depois que você chegou. Mas resumindo ele é um imbecil. É sobrinho do Quim, o dono, e se acha o patrão.

— Mas ele é gostoso Pad. Você não pode negar isso.

- Não estou negando, ele é realmente gostoso, o lance é que eu não tenho paciência para homem burro, mesmo que ele seja gostoso.


Hermione riu.

Queria se divertir e aproveitar o Happy Hour com as garotas, mas não conseguia. Resolveu ir pegar Joey mais cedo na escola, e sair para comprar alguma coisa, tomar um sorvete, qualquer coisa que fizesse o tempo passar.

— Rony volta amanhã – Sua mente formou a frase instantaneamente.

Ela levantou.

— Gente, eu vou indo. Vou pegar meu filho na escola.

— Você tem um filho? — Perguntou Parvati.

— Sim.

— Ah, por que não o trás para gente ver?

— Qualquer dia desses. Tchau meninas.

Ela pegou Joey na escola sem maiores problemas, passeou um pouco com ele, fazia tempo que não passeava com o filho, dedicava um pouco de tempo só a ele, para conversar, tomar um sorvete, ouvir a voz do garoto. Voltaram pra casa cerca de oito horas da noite.

Joey como sempre entrou como uma bala, à procura do seu vídeo game, foi quando Hermione ouviu um grito.

— ROOOOOOOONNNNN!

O coração dela simplesmente começou a bater mais rápido.

Ela entrou, com o coração aos pulos, tentando se acalmar e acalmar a respiração, mas não conseguiu conter um grunhido fino quando o viu parado no meio da sala, abraçado a Joey, com o joystick do vídeo game na mão. Ele a encarou e soltou Joey, que correu para o sofá e pegou o outro joystick.

— Pensei em fazer uma surpresa — Ele disse sorrindo.

Ela também estava, mesmo que não estivesse percebendo, ela também estava sorrindo.

De repente suas pernas ganharam vida, e ela correu em sua direção, atirando-se nos braços dele e beijando-o com paixão, sem se importar, sem nem ao menos lembrar da presença de Joey.

- Uau! Se me receber com este entusiasmo sempre, eu viajo mais vezes — Ela sorriu, meio encabulada, mas extremamente feliz.

— Se me ameaçar de novo, eu fico um mês sem falar com você. Devia ter me avisado Rony, eu podia ter feito algo bom para você comer...

— Não se preocupe, vamos pedir comida chinesa e... — Eles ouviram um “eca” sonoro vindo de Joey – E pizza – Ele completou – E vamos relaxar.

— Ótima ideia. Vou preparar a mesa...

— Para que mesa?

— Para comermos... Não?

— Comemos aqui Mione.

— Então pegarei os pratos...

— Hermione... – Ele a abraçou mais forte – Seja bagunceira, ok? — E então a beijou de novo, até sentir Joey puxar sua calça.

— Ei! Eu to aqui! — Eles se separaram rapidamente, sorrindo.

— Desculpe filho. Então vou tomar um banho rápido enquanto os campeões jogam, já venho.

Quando ela voltou do banho, parou na porta da sala e ficou vendo Rony e Joey rindo de algumas fotográfias antigas. Era tão lindo olhar aquilo, eles eram tão ligados que emocionava. Ela estava apaixonada, não podia mais negar... Não, não era paixão... Ela o amava.

Estava amando Rony como jamais amara nenhum outro homem, mas saber que o homem que havia escolhido para amar era o pai perfeito para o seu filho lhe fazia sentir sublime. Mesmo que jamais fosse revelar aquele sentimento, só aquilo já valia a pena.
Ele espalhara um monte de fotografias no chão.

— Eu gosto dessas.

— São legais... Eu jogava Hóquei.

— Legal. Este é você? — Ele levantou uma foto um pouco desbotada.

— É sim.

Joey gargalhou.

— Você era estranho.

Rony riu e pegou um pacote.

— Olha, eu encontrei em uma livraria e trouxe para você. Já sabe ler, não é?

— Claro que sei – A pergunta mais pareceu uma ofensa ao garoto.

— Claro que sabe – Rony se corrigiu. Joey abriu e encontrou uma cópia do livro“As crônicas de Narnia” e franziu o cenho.

- É sobre guerra?

— Não. É sobre quatro irmãos que acham uma porta secreta para um reino mágico.

Joey fez uma careta.

— Eu não acredito nessas coisas, elas não existem. Só pessoas bobas acreditam que essas coisas existem, prefiro de guerra, é coisa de homem.

Rony o encarou confuso.

— Como?

— Quem gosta de magica é maricas — Rony chegou mais perto dele e recolocou o livro em suas mãos abrindo-o numa ilustração.

— Você acha mesmo isso ou alguém te disse que era? — Joey o olhou.

— Victor dissê — A expressão de Rony não se alterou, ele simplesmente colocou a mão na frente do rosto de Joey e a mostrou vazia.

— Está vendo?

Joey concordou, então ele levou a mão até a orelha do garoto e puxou uma moeda.

- Uau Rony! Você fez aparecer uma moeda... Uau! Que demais!

Rony riu.

— Viu? Magia existe sim Joey, e não é coisa de maricas, o Victor acha isso por que ele é um... Um trouxa, e pessoas como ele não conseguem fazer magia, sabe? Ela existe se você acreditar.

— Fada do dente?

— Sim.

— Papai Noel?

— Nossa, Papai Noel existe muito.

- Victor dizia que era coisa do... Do... Do negocio que mora embaixo da terra.

— Victor é um bundão.

Joey riu alto.

— Então eu posso escrever uma carta paro Papai Noel no Natal?

— Claro! Vamos escrever juntos, o que acha?

Joey abraçou Rony.

— Você é o melhor pai do mundo — Ele ficou sem saber o que dizer. Hermione chorou sem conseguir evitar. Ambos ficaram em silencio por algum tempo.

...

Algum tempo depois Joey dormiu no sofá enquanto Hermione tentava ensinar Rony a tocar “Fur Elise” no piano.

— Bem leve... Olhe — Ela dedilhou o piano e ele parecia adaptar-se aos seus dedos.

— É lindo.

- Existem pouquissimas coisas puras no mundo Rony – Ela tocou novamente, de maneira suave e a musica ecoou pela sala – A melodia do piano é uma delas.

— Isso te entristece?

— Não… Isso me dá paz.

- É delicado demais para mim… Eu não consigo…

— Consegue sim, vem cá, me dá sua mão… Você tem que ser um pouco mais gentil…

— Assim? — Ele apertou as teclas com dureza novamente. Ela riu.

— Não… Assim — Se a maneira como ele a olhava virasse uma pintura eternizaria aquele sentimento que só eles não assumiam.

— Joey dormiu... – Ela disse baixo.

— Vou colocá-lo na cama.

Ela sorriu provocante.

— E eu vou esperá-lo no quarto.

…

Quando Rony entrou no quarto, Hermione estava de pé, parada junto a janela. Ele caminhou em direção a cama, sentou-se e ficou olhando para ela.

Hermione deixou os olhos passearem pelo corpo dele. Tantos meses e ainda a mesma sensação. O mesmo frenesi de antecipação, a mesma umidade no meio das pernas, a boca ainda salivava como se fosse a primeira vez.

Rony não era cheio de músculos, tampouco era magro, era razoavelmente forte e bem definido. Um delicia aos olhos dela. Rony mordeu os lábios e sorriu de um jeito que a deixava de pernas moles. Ela resolveu juntar-se a ele na cama antes que arriasse como gelatina no chão.

— Você está lindo, sabia?

— É? Você também.

— E gostoso...

- Hermione… Devagar… Joey…

— Dormindo.

— Mas… Ele pode acordar.

— Não vai…

— Tem certeza Mione? Por que o garoto é muito esperto e ele pode…

— Eu aprecio muito o seu cuidado com meu filho Rony, mas cala a boca e me beija.

Ele a beijou, primeiro com muita calma, segurando seu rosto entre as mãos, tanto na tentativa de manter o seu próprio ritmo, quanto para contê-la.

Ele vira nos olhos, na linguagem corporal, na maneira de falar, toda a vontade dela refletida e aquilo realmente o excitava, mas estava com uma vontade voraz de prová-la, de levá-la até o limite e explorar sua loucura, como há muito não fazia, como em Veneza.

Hermione continuou na posição que estava, sem tocá-lo, apenas se deixando ser tocada, contida pelo rosto, perdida nos lábios, nos movimentos suaves, que ao contrastar com a urgência que seu corpo gritava, fazia explodir nela um frêmito de prazer tão grande e contraditório que chegava a ser doentio.

O barulho dos lábios ao se tocaram, ao se largarem, do choque das línguas, das respirações duelando, era tudo tão erótico, há tanto tempo não se permitia prestar atenção naqueles pequenos detalhes de sedução. Suas vidas se transformaram numa loucura, uma deliciosa loucura.

Eles nem sabiam mais um do outro e de repente se tornaram amantes, de um dia na semana corrido, eles passaram a morar juntos, a ter uma rotina de casal, uma rotina que só fazia bem para ambos. Haviam formado uma família sem nem ao menos quererem, sem nem ao menos planejarem isto, mas se perguntassem a qualquer um dos dois, ambos responderiam em segredo que não sabiam mais como viver de outra forma.

Ele separou os lábios dos dela, e sorriu, olhando-a. Hermione sempre tremia, quando ele a encarava daquela maneira tão profunda, e ele sempre percebia seus tremores.

— Você é tão linda — Ele sussurrou passando os dedos entre seus cabelos – Onde você estava perdida?

Ela sorriu.

— Não importa... A única coisa que importa é... Que você me achou.

- Achei... Eu... – Ele contornou seus lábios com os dedos bem de leve, causando um formigamento ansioso que começara na boca e se espalhara por todo o corpo – Achei... Você... Eu... – Ele tocou novamente os lábios dela com os dele, mas apenas um roçar de pele. Um toque... Dois toques... Três toques, uma leve mordida. Causava uma ansiedade nervosa que ela lutava para controlar.
Mesmo depois de tanta intimidade trocada, o que pareceria para ele, se ela simplesmente o atacasse como se não fizesse sexo há anos?

— Quer brincar Ron?

— Pretendo... Pelo menos tentar... Vem aqui... Senta aqui...

Ela aconchegou-se em seu colo, trançando as pernas em sua cintura, ainda vestida.

Tirou-lhe a camisa com pressa e animou-se por ele não objetar. Rony deixou-a experimentar um pouco de poder, arrancando-lhe a camisa com pressa e jogando-a em um canto, buscando sua boca com furor, mas quando ela tentou beijá-lo, ele se afastou.

— Devagar Mione. A noite é muito longa — Ele a abraçou na cintura e continuou a beijá-la devagar.

Beijou só com os lábios, como se fizesse carinho, puxando aos poucos o lábio de baixo, sugando-o de leve, de vez em quando, mordiscou, depois passou a língua, contornando a boca antes de deixá-la aprofundar e enroscar na dela. Intensificou o beijo sem mudar a força e nem o ritmo.

Ele com certeza poderia passar horas daquele jeito. Poderia morrer daquele jeito. Ela tirou-lhe as mãos da cintura e colocou em seus próprios seios, fazendo-o segurá-los.

— Ron... Está quente...

— Está? — Ele apertou um pouco as mãos sentindo os seios dela inchados pelo tesão, os mamilos duros e destacados.

- Está... Tira?

— Quer?

— Quero...

Ele sorriu e tirou a blusa, deixando-a apenas de sutiã, depois a deitou sem que ela saísse do seu colo e puxou a saia, deixando-a só de calcinha. Trouxe-a de volta para o seu colo, desta vez meio deitada e a beijou de novo. As mãos passeavam livres pelo corpo dela.

- Você fica insuportavelmente bonita quando faz estas coisas…

— Quando eu faço o que?

— Quando perde o pudor.

Era engraçado e excitante ver como o simples roçar das pontas dos dedos dele provocam uma reação tão intensa no corpo dela, arrepiando-a por inteiro. Ele a tocou por todo corpo descoberto até chegar entre a nádega e a coxa e apertar. Ele não conseguiu se conter.

— Ai... — Ela gemeu. Doeu, mas foi inexplicavelmente gostoso. Era complicado de se fazer entender até para si mesma, mas ela gostava de ser marcada e sadomizada por Rony.

— Você... É tão branca, tão suave, tão... Deliciosa... Eu tenho tanto medo de perder o controle e te machucar.

— Machuque-me... Machuque-me Rony. Me toque... Me deixe uma marca — Ela pediu, já quase inconsciente.

— Cacete! Estou tentando me controlar! — Ele disse atordoado.

— E eu tentando descontrolá-lo. Eu te quero Rony....

Ele tirou a própria calça e deitou-se por completo por cima dela e a olhou. Não beijou, não tocou, apenas colou o corpo no dela, quase fazendo-a gritar de desejo ao sentir o pênis duro e pulsante, pressionado contra o seu sexo dolorido e umido.

- Estou tentando descobrir... Desesperadamente – Ele disse tentando controlar a voz – O que você tem... Que me deixa tão maluco.

— E eu... Estou tentando entender como você consegue... Me enlouquecer ao ponto, de me... Tornar uma mulher... Descontrolada e... Sedenta...

— Eu gosto.

— Gosta?

— Muito.

— Então prove e faça com que meu alter ego ninfomaníaco leve alguma vantagem nisso — Ele apenas riu e a beijou de novo.

Ela cravou as unhas em suas costas e arranhou-o por inteiro. Ele arrancou seu sutiã, depois tirou a calcinha com um pouco mais de pressa, enquanto se livrava da cueca com ajuda das mãos dela e dos próprios pés.
Continuou beijando-a. Tudo se tornando mais intenso. Seu sexo estava doendo demais, não conseguiria ir tão devagar agora.

— Me penetra Rony.

Ela não pediu duas vezes e não esperou muito tempo.
Ele a penetrou em seguida.

— Delicia... — Ele gemeu.

— Gostoso — Ela revidou.

- Ah! Mione... Você...

— Saudade... Muita saudade... Muita... Mais forte Ron... Me atravessa Rony...

Ele penetrou mais forte. Aquela mulher o tirava do sério.

Mais forte, mais forte a pressão era cada vez maior, mais dolorosa, mais deliciosa. Ela gozou primeiro, forte, descontrolada. Sua vagina fechou-se em vários apertos frenéticos e rígidos em torno do pênis dele, mostrando a força do seu orgasmo.

Ela chiou. Deu um leve grito, que fora abafado com um beijo estratégico — ainda havia uma criança em casa, afinal – E terminou gemendo dentro de sua boca, enquanto ele virava-se de qualquer forma, para não urrar como um animal quando seu próprio gozo chegou.

Ele ainda penetrou varias e varias vezes, até que a exaustão o fizesse arriar sobre ela. Não havia ar em seus pulmões, mas o que importava? Ele respiraria aquela sensação deliciosa que o invadia depois que faziam amor.

Rony a beijou calmamente, enlaçando as mãos nas dela, deixando que o carinho substituísse o tesão, deixando que aquela sensação de conforto e familiaridade o tomasse. Quem sabe para sempre? Não era uma má ideia.

...

— Harry James Potter! Eu estou tentando te ligar há duas horas? Onde diabos você está?

— Infelizmente eu só consegui ouvir até o “Potter”, Gina. Você acaba de perfurar meus tímpanos.

— Idiota! Onde você está?

— Em casa.

— Posso saber por que me esqueceu?

— Você vai mestruar?

— O que?

— É, por que se isso é algum ataque de tensão pré-menstrual seria bom você me avisar, eu posso recomendar um médico que vai te passar uns exercícios...

— O melhor exercício para me acalmar no momento vai ser quebrar pelo menos um dos seus lindos dentes.

— Isso não é hora de me excitar Gin... Estou indo a um jantar...

— De novo?

— Gina...

— Deixe-me adivinhar. Exclusivamente masculino?

— É.

— Por que será que isso parece mentira.

Ele riu.

— Você é muito desconfiada, sabia? Mas não é mentira, sua ruiva teimosa. Seu queridinho Michael Corner, estará neste jantar.

— Você está indo jantar com o juiz Crouch?

— Isso mesmo.

— O que diabos você vai fazer num jantar com o juiz Crouch, Harry? Que negócios você tem com ele?

— Não faça perguntas que dificilmente gostará da resposta. E não é um jantar de negócios, Jessica Rabbit, é uma comemoração. O Juiz Crouch é um amigo antigo e está fazendo aniversário. Eu fui convidado. Você sabe a importância que tem a amizade de um juiz... Para um homem como eu.

— Se sei... — Ela disse mais baixo — Não entendo essa necessidade de só haverem homens em comemorações como esta.

— Se quer saber, eu concordo com você, ruiva. Até sugeri umas dançarinas do ventre, mas o juiz tem medo da mulher, então...

— Você tem que ser ridículo o tempo todo Harry?

— Claro! Senão você vai perder o interesse em mim. Vamos lá ruiva, facilite. Não sou eu quem faz as regras. Não neste caso.

— O mais legal é que eu tenho que ficar aqui esperando você, não é? Ridículo isso.

— Você podia me esperar aqui...

— Na sua casa?

— É. Você não vai fazer nada esta noite, vai?

- Não! Você acha que se eu fosse, estaria te ligando?

— Agora estou deprimido. Mas ainda assim, acho que deveria vir para cá, você pode fazer o que quiser, tem acesso livre, além disso, eu posso te levar nachos.

— Com chili?

Ela pareceu mais animada.

— Humhum.

— E salsa?

— Também.

— Do Taqueria?

— Sim... Espera, como?

— Do Taqueria...

— Ginevra, este restaurante fica na Westbourne Grove.

— Eu sei onde ele fica, Harry.

— É do outro lado da cidade...

— Então nem trás...

— Deus do céu, às vezes você parece criança.

— Olha quem fala... Deixa para lá, Potter. Não precisa me trazer nada.

Ele rolou os olhos.

— Tudo bem Jessica Rabbit. Levarei nachos, do Taqueria pra você. Satisfeita?

— Cinquenta por cento.

— Já é alguma coisa. Preciso ir, ok? Vai estar me esperando?

— Por nachos autênticos? Obvio. né?

— Ainda faço você pagar uma cirurgia para o meu ego. Te vejo mais tarde.

Eles desligaram ao mesmo tempo, sem beijos, abraços nem palavras carinhosas. Ficava tudo subtendido.

Hagrid trouxe seu paletó.

— Está pronto senhor Potter?

Harry riu.

— Eu nasci pronto, Hagrid. Vamos lá.

...

Draco estava tão concentrado na pesquisa, que sequer ouviu a porta da sala abrir.

Astoria entrou tão devagar que mais parecia uma gata. Sua primeira intenção era provocar-lhe um susto, pregar uma peça, mas quando o olhou, ele estava tão perdido, com um olhar tão sereno e focado, ela simplesmente se perdeu, olhando-o.
Ele passava de uma folha para outra, por vezes franzindo a testa, outras vezes erguendo as sobrancelhas, como se houvesse entendido algo. Por algumas vezes sorriu, ou mordeu os lábios, até mesmo resmungou.

Era muito bonito olhá-lo.

— Problemas com o trabalho, amor? Quer ajuda? — Ele sorriu antes de levantar os olhos. A voz daquela mulher, sempre lhe soava como musica.

- Tori... — Ele largou a caneta e foi até ela, abraçando-a forte.

— Supresa!

— Surpresa perfeita. Achei que estivesse no Burns...

— Eu estava, mas houve um problema com alguém da família do Matt e o bar foi fechado hoje. Então resolvi vir te ver.

— Isso foi excelente — Ele deu vários beijos em seu rosto fazendo-a rir.

— Não vou demorar, amor. Combinei com a Gina de encontrá-la no shopping. Parece que o irmão dela vai dar uma festa no sábado, para apresentar a nova mulher e ela está ajudando a cunhada a organizar.

— Hum... Espera, Rony casou?

— Não sei bem, ainda vou conhecê-la e entender a história que segundo Gina, é um tanto complicada. Mas resumidamente, vamos fazer um programa de mulher.

— Hum — Ele a abraçou — Por que você não aproveita e compra uma lingerie bem sexy para usar para mim hoje?

Ela riu.

— Boa ideia garanhão – Ela disse sentando na ponta da mesa dele — Visto que você tem diminuído muito meu estoque, rasgando as que eu tenho.

Ele gargalhou.

— A culpa é sua.

— Ah minha? Eu não tenho culpa de você ser um ogro.

— Sou quase um Shrek. Tem dinheiro?

— Não começa Draco...

— Só para ter certeza...

— Eu posso comprar minhas calcinhas amor, muito obrigada, tá?

— Eu sei que pode... E tem muito bom gosto.

— Tenho? — Ela mordeu os lábios e sorriu.

— Tem. Não me olha assim...

— Assim como?

— Assim, você sabe como... Daquele jeito que me deixa excitado.

— Ah é? – Ela brincou – Sempre tive a tara de transar com você na faculdade sabia?

— Mesmo? — Ele virou-se e trancou a porta.

Na verdade era para ser só uma brincadeira, uma provocação, mas quando ele virou-se novamente e a encarou, havia aquele brilho nos olhos dela.

- Você está uma delicia hoje, sabia loiro lindo?

— Estou?

— Está... Você fica... Mais delicioso a cada dia... E... Eu perco a cabeça muito, muito fácil com você.

— Prova...

— O que?

— Prova que perde a cabeça fácil... Vem aqui e me beija.

— Dray... Não. Estamos na...

— Universidade, eu sei. Você mesma disse que tem vontade.

— Eu estava te provocando.

— Funcionou.

— Maluco...

— Só um beijo – Ele pediu.

— Só um beijo?

Ela o encarou. Pensou em negar, pensou em provocá-lo mais, mas ela falava muito sério quando disse que perdia a cabeça fácil com ele. Não fez nenhuma das coisas que pensou. Levantou-se e o beijou.

Draco a agarrou na cintura e retribuiu o beijo, com desejo. Era sempre assim...

Ela o olhava. Ele esquentava. Ela o tocava. Ele explodia.

Ela não parecia reagir diferente. E o que era para ser só um beijo virou uma explosão.

Eles intensificaram o beijo beirando o desespero e Astoria deu o primeiro passo para ir mais além. Segurou a barra da camisa dele e puxou, tirando-a. Draco a ajudou e jogou a camisa de lado, esquecendo por completo que estava na sala de um professor, numa universidade enorme e apinhada de pessoas.

O que era para ser uma brincadeira foi além.

Ele puxou a camiseta que ela usava também e jogou no chão. Eles praticamente se atracaram, quem os visse diria que não se viam há meses, ou que não transavam há meses pelo menos. Ela o abraçou no pescoço, ele a agarrou na cintura, e o beijo continuou. Cada vez mais intenso, cada vez mais quente.

Uma das mãos dele se embrenhou no cabelo, apertando-o, forçando sua cabeça contra a dele, quase machucando os lábios dela nos seus. Havia uma sede indescritível de possuir, de marcar.
As mãos dela desceram pelo peito nu e ele sentiu arrepios quando a renda do sutiã roçou áspera em sua pele. Suas línguas se entrelaçaram fazendo movimentos rápidos e incoerentes.

— Sua boca me enlouquece, Draco.

— A sua me excita, Tori.

As vozes saiam abafadas, entrecortadas. As duas mentes já não processavam mais o mundo real. Estavam sintonizadas em harmonia. Nas sensações que o contato de uma pele com a outra provocava.

As mãos dele não tinham um paradeiro. Percorriam todo o corpo seminu dela, em busca de algo que nem ele mesmo sabia o que era. O gosto dos lábios macios era algo viciante e enlouquecedor, quanto mais ele sentia, mais fora de si ficava. As unhas dela arranharam seus ombros, suas costas. Ele a mordeu nos lábios, no queixo, no pescoço, no ombro. Deixando marcas vermelhas, marcas que certamente ficariam arroxeadas.

A ideia de Astoria marcada o excitou tanto, que sua ereção chegou ao estado máximo em seguida. Ela sorriu ao sentir o pênis duro contra seu ventre.

— Que delicia amor — Ela desceu a mão e apertou. Ele gemeu e deu-lhe um chupão no pescoço.

Conhecia bem sua mulher. Ela não esconderia a marca do pescoço. Marcá-la era uma ideia possessiva, muito possessiva, e isso o excitava ao limite. Queria que todos os homens do mundo vissem que ela lhe pertencia. Era quase como tatuar seu nome na pele dela. Astoria voltou a tomar a sua boca na dela, mordendo seu lábio inferior de um jeito tão sexy, que ele gemeu pela dor que provocou em seu pênis.

— Ai...

— Gostoso.

Ele a encostou na parede e tirou sua saia. Aquela meia calça que ela usava a deixava absurdamente sexy e a visão do corpo seminu, apenas naquela lingerie e meia calça o enlouquecia.

— Puta que pariu, Astoria! Como você é gostosa.

— Sou?

— Muito... Muito... Cacete... É muito gostosa... — Ele pressionou seu corpo contra o dela, deixando-a sentir toda a dureza da sua excitação. O contato dos sexos lhe provocou um frenesi tão gostoso que ela sentiu a umidade entre as pernas escorrer.

— Ai Dray...

— Que foi? — Ele sussurrou em seu ouvido e ela sentiu as pernas amolecerem.

— Puta que pariu... Não faz isso filho da puta, eu vou cair.

Ele riu alto.

— Eu te seguro.

Em seguida mordeu o lóbulo da orelha enquanto roçava o corpo nela com mais força. Astoria subiu uma perna e colocou em sua cintura, ele segurou-a e forçou-se mais contra ela.

— Me penetra Draco...

— Não...

— Eu não vou aguentar...

— Assim não... Se segura aqui... — Ele a largou, foram poucos segundos, apenas tempo suficiente para ele derrubar todo o material que estava em cima da mesa com pressa.

- Dray… Dray sua pesquisa…

— Foda-se ela… Vem – Ele a agarrou de novo, levantando-a nos braços e deitando-a na mesa, deitando por cima dela, meio desajeitado.

— Draco...

— Shh, me beija.

E ela beijou... De repente, o beijo ficou mais calmo, mas não menos quente, nem menos intenso. Agora as línguas só iam com menos velocidade, mas o gosto era tão ou mais excitante que antes.

Ele a beijou no pescoço, enquanto ela desabotoava sua calça com uma das mãos. Ele tentou se afastar. Precisava penetrá-la. Não havia muito tempo ou condição para romance. Ele estava primitivamente excitado, precisava literalmente, gozar. Mas ela não o deixou sair.

— Vou tirar... A calça...

— Não precisa... — Ela disse agarrando o pênis dele por dentro da cueca e libertando-o da
roupa – Vem assim...

- É?

— É... Vem agora...

— Agora... Agora...

— Vem Dray.

— Vou... Eu vou...

Ele não pensou muito apenas rasgou sua calcinha. E não teve muita dificuldade para arrebentar a peça intima.

Ela não deu sinais de que se importava e ajeitou as pernas em volta do seu corpo enquanto ele sondava sua entrada molhada. Só com o primeiro toque ela tremeu inteira.

— Vem Dray... Entra... Entra...

Ele a penetrou... Entrou nela completamente e o mais fundo que pôde.

— Ahnn — Ela gemeu.

A respiração de Draco se alterou ainda mais e tornou-se mais audível. E a partir daí as palavras se tornaram simplesmente impronunciáveis.

Ele não saiu de dentro dela, apenas movimentou-se com intensidade. Aquele tipo de penetração a deixava louca. Era como se ele acertasse exatamente o botão certo. Ela sentiu aquele turbilhão comum se formar em seu ventre, deveria ser como as outras vezes, sentir como se sua energia fosse puxada para se concentrar em seu ventre e só então explodir no orgasmo, mas não foi assim desta vez.

Antes que ela pudesse compreender as sensações, com mais uma estocada intensa dele, seu sexo pulsou e ela gozou. Gozou muito forte. Draco ainda a penetrou algumas outras vezes, até chegar ao orgasmo. Eles voltaram a se dar conta de que não estavam sozinhos.

Draco se ergueu primeiro, rindo timidamente, ela retribuiu o sorriso e eles começaram a se vestir.

À medida que colocavam as peças de roupas as gargalhadas aumentavam. Eles não precisaram dizer nada. Um sabia exatamente o que o outro estava pensando. Quando terminaram de se vestir, ele abriu a porta e a abraçou.


— Não chego tarde tá? — Ela disse.

— Divirta-se amor.

— Te amo, loirinho lindo.

— Também te amo, Tori.

Ela deu uma mordidinha provocativa nos seus lábios e depois saiu.

Draco voltou para a mesa, apanhou as coisas que tinha jogado no chão, guardou seu material e seguiu em direção a sala. Não havia mais qualquer condição de se concentrar, ia jogar cartas com os outros alunos durante o tempo livre, até a outra aula.

Ele saiu da sala sorrindo de uma orelha a outra, assoviando e com um brilho invejável nos olhos, quase havia escrito: “EU TRANSEI E FOI EXCELENTE”, em sua testa.

Jennifer desencostou do muro, onde estivera durante todo aquele tempo, tentando ouvir o que se passava na sala onde Draco estivera. Ele saiu tão feliz que sequer a notou lá.

Ela tragou o cigarro e soltou a fumaça com cara de poucos amigos.

— Então... É esta? – Ela resmungou para si mesma – Achei que demoraria para confirmar, mas parece que esta cadela no cio veio me fazer um favor — Ela tirou uma revista da bolsa.

— Ei Blaise – Ela chamou o rapaz sentado num dos bancos.

— Oi Jenny gostosinha — O homem disse com uma expressão cafajeste e ela piscou.

— Viu a mulhera que saiu daqui?

— Vi.

- Sabe quem ela é?

— Sei... Quem não sabe? É aquela cantora que tá no vídeo com o Bem Summers.

— Ela mesma. Essa daqui, não é? — Ela mostrou a revista.

— Humhum. Eles tão se pegando?

— Claro. E, eu tenho uma bomba para você.

— Qual?

— Ela namora o Draco.

— Malfoy? Da nossa sala?

— Humhum.

— E tá pegando o Summers?

— Exatamente. E advinha o que mais? O corno... É mesmo sempre o ultimo a saber.

— Ele não sabe?

— Não faz ideia. A revista é de hoje.

— Sempre achei o Malfoy muito metido... Você me empresta a revista?

— Só cuidado para ele não te bater, hein?

— Deixa comigo — O homem pegou a revista e saiu em direção a sala.

Blaise entrou na sala com a revista enrolada na mão, batendo na palma da outra. Ele era alto, forte, um porte que fazia jus ao atleta que era. Fazia parte do time de basquete da universidade. Era negro e tinha olhos verdes, que contrastavam com a cor da sua pele. Parecia intimidador. Mais do que realmente era.

Draco estava jogando cartas com mais três amigos.

— Posso jogar? — Ele disse já com tom de deboche. Draco não o encarou. Eles nunca se deram bem.

— Tá completo Blaise.

— É mesmo? Tá completo ou você tá com medo.

— Não começa Blaise – Disse o outro aluno.

— Não se mete, idiota. Malfoy deve tá com medo mesmo, nunca me deixa jogar. Ou é
por que eu sou negro.

Draco continuou sem olhá-lo.

— Não seja ridículo e nem apelativo Blaise. Não sou racista. Dean é tão negro quanto você e está aqui. O problema é que você é chato.

— Eu sou chato, mas pelo menos não sou corno.

Draco finalmente olhou-o.

— Como é?

— Isso mesmo. Antes de sair por ai desfilando como o “cara”, devia primeiro ver com quem sua branquela está se agarrando — Draco levantou ameaçador, e os outros três levantaram junto, segurando-o.

— Calma Draco.

— O que você disse, seu palhaço?

— O que eu disse não, amigo. E sim, o que as revistas dizem — Ele jogou a revista na mesa e os olhos de Draco pegaram fogo.

Ele manteve os olhos fixos na revista por um tempo que não conseguiu controlar. Não conseguia acreditar no que estava lendo. Ele esqueceu Blaise, esqueceu todos a volta dele. Pegou a revista e saiu da sala, ignorando todo e qualquer som a sua volta. Seu peito estava pegando fogo, seus músculos tremiam tanto que ele não fazia ideia de como ainda estava de pé, como conseguia andar.

Estava cego e totalmente desnorteado. Simplesmente entrou no carro e partiu sem um rumo certo.

...

— Potter! – A voz do juiz Crouch se sobressaiu na sala – Achei que não viria! Atrasado como sempre, hein, meu rapaz.

Harry sorriu.

— Eu gosto de chamar atenção, Bartô. Você sabe.

O homem sorriu.

Harry passou a vista por cima do ombro do homem e avistou em alguns segundos, uma dúzia de pessoas importantes e entre elas estavam os Corner. Pai e filho. Mike já o tinha visto, pois o olhava com insistência.

— Venha comigo, Harry. Quero que conheça alguns amigos — O homem o encaminhou até uma roda de senhores, onde ele já conhecia a maioria, aos outros ele foi apresentado. Harry era muito cativante. Em minutos, todos os homens estavam presos em suas histórias e no seu jeito entusiasmado de contá-las. Michael e seu pai estavam recostados no bar, olhando Harry ser o centro de todas as atenções.

— É uma vergonha que um magistrado convide um homem como Harry Potter para sua casa — Michael resmungou.

— Mike, fazemos todo o juramento de ética e dignidade, mas nem todos o seguem, meu filho.

— Não deixa de ser ridículo. Eu me sinto ofendido em ser convidado ao mesmo circulo social que este verme.

— Mas não podemos nos dar ao luxo de recusar a amizade do juiz, Mike. Não podemos. Temos que simplesmente ignorar.

Harry circulou por toda a casa e prontamente ignorou a presença dos Corner. Juntou-se a um grupo de empresários alimentícios que discutiam animadamente as mulheres disponíveis do momento.

Mas o que realmente chamou a atenção de Harry não foi o teor da conversa e sim o que ele ouviu, ao passar perto dos homens. No meio da roda em torno do barman que servia os drinks, um dos homens, aparentando cerca de quarenta anos, disse em tom arrogante:

— Já enviei três convites para esta mulher, ela não me respondeu nenhum — Ele bateu na revista que estava aberta numa pagina onde haviam fotos de cerca de dez mulheres em uma reportagem sobre a Ascenção Feminina no Mercado Profissional. E lá estava Gina Weasley.

Um outro mais jovem sorriu e confidenciou:

— Dizem que Corner não conseguiu segurá-la, não foi homem o suficiente.

— Também pudera — disse outro — Olha aquilo. Esta é uma mulher para três homens.

Harry entrou na conversa, sem ser convidado, mas havia uma autoridade nele que poucos se atreviam a questionar.

— Ou isso… — A voz de Harry abriu caminho entre a roda e ele ficou no meio dela — Ou para um homem que valha por três. No caso eu — Os homens demoraram um pouco para processar o que Harry havia dito, até um deles questionar.

— Você está transando com a advogada? Esta aqui? — Harry sorriu. O sorriso de Harry Potter, era sempre um sinal. Quase nunca um bom sinal.

- Quem eu preciso matar para que haja mais respeito com ela? — Os homens ficaram em silencio um tempo, e depois começaram a rir sem muita força, como se houvessem decidido que aquilo era uma brincadeira.

— Você está saindo com a Weasley, da LCC associados? — Um deles insistiu.

— Estou.

— Cara, não é de estranhar que você seja uma lenda.

— Exagero — Harry fez uma expressão irônica.

— Sempre um exagero, não é mesmo Potter? – Ele ouviu a voz de Mike – Ainda se exibindo como um pavão? — Harry o olhou com zombaria e sentou-se, tendo seu gesto imitado por Mike.

— Pois é. Estávamos aqui falando...

— De mulheres eu suponho.

- Pois é.

— Você certamente estava contando vantagens.

Harry lambeu os lábios.

— Não. Na verdade eu estava explicando para eles, como exatamente eu tomei a sua mulher — Fez-se um silencio quase mortal na sala, e todos os que estavam próximos encaram Michael que lutava contra o próprio rubor.

— Você não serve para ela Potter. Se tivesse um pouco de dignidade se retiraria desta disputa. A única coisa que faz é foder a mente dela.

Harry concordou com ironia.

- E se você tivesse o mínimo de dignidade pararia de rastejar atrás de uma mulher cujo corpo e mente já estão completamente ligados a outro cara. Seja homem Corner! Retire-se você. Pense melhor no que disse… Foder a mente dela, não é a única coisa que eu faço…

— Você é muito primitivo para se manter uma conversa, Potter. Não vou perder meu tempo – Ele levantou-se. Estava vermelho de raiva – O vejo no tribunal — Harry sorriu de novo.

— Claro. Para mais uma derrota vergonhosa do seu pai. Até lá Mike — Harry viu Michael sair tentando manter pelo menos a dignidade.

A festa seguiu sem maiores problemas. Ao fim da noite, Harry seguiu para casa com os nachos que Gina havia pedido. Estava planejando uma noite memorável de sexo selvagem e demorado. Pisar em Corner havia realmente animado-o. Procurou Gina pela casa, até encontrá-la na biblioteca. Ela não parecia muito bem. Estava pálida e assustada. Ele segurou sua mão.

— Gina?

— Preciso falar com você Harry...

— O que você tem?

— Eu... Eu acho que...

— Fala Gina! Eu tô ficando nervoso.

— Eu tô gravida!

...

Hermione olhou o relógio de novo. Já tinha uma hora que Rony havia saído para tentar encontrar medicamente antitérmico. Joey havia acordado reclamando de dores no corpo e estava quente. Hermione havia avisado-o que aquela febre era emocional. O menino sempre apresentava estes sintomas quando sofria alterações de humor, boas ou ruins e naquele dia, a volta de Rony e a conversa que tiveram havia mexido com seu emocional. Mas Rony ficara preocupado e insistira em ir comprar um remédio, mas ainda não tinha voltado.

— Talvez as farmácias estejam fechadas... — Ela resmungou para si — Que demora Ron...

Então seu celular tocou. Ela correu para entender. Era ele, com certeza. Iria mandá-lo vir para casa. Um bom chá resolveria o problema de Joey.

— Alô?

— Senhorita Granger?

— Sim?

— Meu nome é Donna Baker, e eu falo do St. Mary. O senhor Ronald Weasley deu entrada em nosso hospital a cerca de quinze minutos e seu nome foi citado como contato, gostaríamos de saber se pode comparecer ao hospital?

— O que? Rony? Como assim? Que brincadeira é essa?

— Desculpe senhorita, mas não é uma brincadeira. Maiores informações sobre o paciente apenas com os médicos, se a senhorita não puder vir, por favor contate alguém da família.

— Não... Eu... Estou indo... Estou indo.

— Estamos aguardando.

Hermione desligou o telefone quase em choque e aguardou uns minutos, estava desnorteada. Depois saiu correndo e foi se preparara para ir ao hospital.


"Indecisão e o medo são as armas dos covardes... O sofrimento e a angustia, o preço"

Benilson Sousa