Intimidade
29 Dejá vu
"Dou voltas e voltas, mas acabo sempre no mesmo lugar"
Segundo os boatos que ouvira durante o dia inteiro, Rony sabia que Hermione voltaria à empresa naquele dia. Estava ansioso, embora soubesse que não poderia abordá-la como se eles estivessem em casa ou na rua. Teria que ser sutil e esperar.
Mas acharia uma oportunidade de falar com ela, e ela teria de ouví-lo, por que aquilo era uma insanidade. Ela estava sendo infantil, complexada, imatura. Sequer parecia a Hermione que ele conhecera. Se bem que realmente, analisando o conjunto como um todo... Havia pouco menos que uma sombra da antiga Hermione.
Ele só conseguira avistá-la de fato quando foram convocados para uma reunião e ainda assim não tivera qualquer chance de lhe dirigir a palavra. Hermione entrou na sala de reuniões quinze minutos depois de todo mundo, como se tivesse programado isso, o encarou por uma fração de segundos e sentou-se o mais longe que pôde.
Mas ainda assim ele sentiu o coração bater tão forte quanto o de um adolescente do colegial quando vê o primeiro amor. Sentiu-se ridículo, mas em algum lugar tinha lido algo que dizia que o amor era ridículo, então ele estava dentro dos padrões.
Durante a reunião, eles foram informados de dois eventos que ocorreria num curto espaço de tempo. Eles souberam que assistiriam naquela noite uma apresentação de um grupo norte americano. Uma nova empresa de construções que desejava se associar a Shacklebolt Buildings. Seria uma mega apresentação numa sala de cinema fechada unicamente para isto. E também do baile de máscaras em comemoração à finalização do projeto Malfoy, que aconteceria em cinco dias. Segundo as informações dadas por Remo Lupin sobre o evento daquela noite, a empresa estava muito interessada na fusão e esperava impressionar Quim Shacklebolt, que estaria participando pessoalmente do encontro, de todas as maneiras possíveis.
Eles foram conduzidos em carros especialmente alugados para todos os funcionários convidados e levados até uma rede de cinemas próxima. Depois do evento, os participantes seriam introduzidos em um novo projeto, já relacionado com esta empresa. Era um projeto grande e ousado. Rony ficara excitadíssimo com a descrição. Há muito tempo não pegava um desafio. Hermione também fora escolhida para a equipe, o que lhe dava, mais uma razão para se empolgar.
Não fora um evento muito demorado, em duas horas eles estavam inteirados das intenções da Norte American Dream e também do novo projeto ao qual foram convidados a participar. Um coquetel havia sido servido e eles foram liberados para as casas. Fora justamente na saída do cinema que Rony encontrou a oportunidade de falar com Hermione.
Ela estava se dirigindo a um ponto de taxi, quando sentiu-o segurar levemente seu braço.
— Vai pegar um taxi? — Ela gelou.
— V-Vou...
— Posso acompanhar você? — Ela negou rapidamente com a cabeça.
— Não!
Ele lhe soltou o braço, mas parou na sua frente tapando sua passagem.
— Hermione, vamos ser bem diretos. Você não vai conseguir me esconder onde mora para sempre. Eu posso conseguir na empresa, eu posso perguntar ao Joey, na escola, por que uma hora ele vai voltar para escola, ou na hipótese mais complicada eu sigo você. Agora, levando em consideração que eu não sou o porco do seu ex-marido e nunca te acuei, acho que mereço a consideração da sua confiança. Se você não me quer mais, ótimo, mas não precisa se esconder de mim como um bicho.
Ela não conseguiu encará-lo. Até tentou, mas não conseguiu.
— Eu... Eu só acho que... Eu só...
— Não quero te forçar a nada, quero apenas te acompanhar em casa. Você me deixou Hermione, você deixou minha casa, e deixou minha cama, tudo bem, é seu direito, mas não precisa deixar minha vida. Tivemos dias incríveis e somos colegas de trabalho, poderíamos pelo menos ser amigos. Eu adoro seu filho... — Hermione sentiu um nó na garganta — Por favor Mione... Se você não me quer mais, eu vou respeitar isso, mas... Eu me acostumei com você... Eu... Nós temos uma ligação e eu não... Também não é justo que você me chute desse jeito...
— Mas eu não estou... — Ela falou baixo.
— Está... Tem mais de duas semanas que eu te ligo e mando SMS, você não responde. Você simplesmente sumiu. Se encolhe toda quando eu chego perto como agora. Eu não sou ameaçador. Eu sou?
— Não, Rony... Claro que não — Ele tocou seu rosto.
— Sinto falta do Joey.
Ela não conseguiu impedir que uma lágrima caísse.
— Ele sente a sua...
— Por favor... Não precisamos fazer as coisas nas pressas. Vamos devagar... Vamos ser amigos... Só... Me deixe levá-la em casa. Eu estou ficando louco de não saber onde você está nem como está... Por favor amor...
Ela se sentiu quebrar. Todas as suas convicções foram por água abaixo, todo o mantra repetido durante aquelas longas semanas ruindo sem qualquer esforço.
Por favor amor. Pouco importava se era um hábito, uma força de expressão, aquilo certamente a tocou muito fundo.
— Ron...
— Por favor... — Ele sussurrou de novo. Ela não queria dizer sim. Ela queria ser forte o suficiente e continuar com o plano, mas não conseguiu.
— Tudo bem... — Disse sem encará-lo, tendo uma certeza, que se o encarasse não haveria força para recuar.
— Tudo bem mesmo?
Ela afirmou com a cabeça e viu a sombra do sorriso dele.
— Então se eu for lá dentro buscar meu casaco, eu tenho sua palavra que você vai ficar aqui me esperando e eu vou te achar aqui quando voltar? — Ele falou aquilo com uma voz tão infantil que ela riu.
- Vai sim.
— Ok... Confio na sua palavra... Eu não demoro.
Ele entrou na sala e ela ficou compelida a fugir... Quase o fez, mas não adiantaria. Ainda haveria o outro dia e os dias posteriores... Era melhor que ela mantivesse tudo em rédeas curtas podendo controlar, que rédeas soltas sem saber o que esperar... Ficou admirando as luzes da noite em Londres, quando ouviu uma voz familiarmente debochada.
— Hermione Granger… Em Londres? — Ela virou no mesmo momento e a dor e a raiva estamparam-se em sua face.
— Você...?
- Eu… Quanto tempo, não é mesmo? Feliz em me ver? — Ele sorria como se visse uma velha amiga.
— Deveria estar? — Hermione disse exalando rancor.
— Achei que as mágoas do passado haviam sido deixadas para trás. Já faz tanto tempo — Ele se aproximou um pouco e ela recuou.
— Não sinto mágoa de você. Na verdade não sinto absolutamente nada por você, só não gosto de conversar com estranhos.
— Ora, vamos Mione, não sou um estranho — Ele sorriu debochadamente — Tivemos bons momentos juntos, você não lembra? — Ele a tocou no ombro e ela recuou de novo.
— Tire essa mão nojenta de cima de mim. A unica coisa que me lembro é de ter acreditado em um canalha mentiroso.
Ele sorriu ainda mais.
— Não fique brava… Eu posso te fazer lembrar de…
Rony surgiu por trás dele, impondo-se como uma peça daquele jogo, passando o braço longo por cima de Hermione, cobrindo facilmente os dois ombros, assumindo uma posição desafiadora e encarou o homem.
— Algum problema aqui, Mione?
— Ron… — Ela balbuciou.
- Você está próximo demais da minha mulher meu amigo. Dê uns passos para trás ou vai voando quando eu socar sua cara — O homem manteve a pose, embora tenha realmente dado os dois passos para trás.
— Tsc — Ele pareceu compelido a dizer mais alguma coisa, mas recuou — Nos vemos depois Hermione — Piscou para ela e foi embora.
— O que esse idiota queria Hermione? — Ele perguntou irritado, com um tom perigosamente possessivo, esquecendo toda a conversa de apenas amigos.
— Eu... Rony... Calma.
— Eu tô calmo — Ele disse respirando forte.
— Não, não está.
— Estou sim. Vamos chamar o táxi.
— Espera! — Ela segurou-o pelo braço — Vamos andando, não é tão longe, quero caminhar.
Ele fez uma careta, mas não negou, deixou que ela segurasse seu braço e saíram andando.
A noite estava muito fria, mais fria do que o normal, talvez o granizo inesperado tenha feito a maioria das pessoas resolverem ficar em casa, por isso as ruas estavam tão silenciosas e quase vazias.
Há minutos atrás, ela estava desejando poder fugir dele. Agora estava ali, na Kensington Church Street , abraçada à ele como se fossem um casal de namorados comuns. Mas de comuns eles não tinham nada. Casais comuns não transavam desesperadamente todos os sábados por algumas horas e saíam sem dizer nada um ao outro, ou pelo menos nada que fosse relevante nas suas vidas, como eles fizeram durante tanto tempo.
“- É por causa do frio, se você me abraçar, poderei ajudá-la a se esquentar. Vamos lá Hermione, já ficamos mais próximos que isso, não vai morrer se passar o braço na minha cintura”.
Ele havia dito, mas estava muito, muito enganado.
Quanto mais próximo dele, mais perigoso era. Aquilo que ele estava fazendo com seu coração era tão assustador quanto impossível. Desde o inicio ela sabia que deveria ter recuado, agora, tudo estava indo por água abaixo. Ela sabia que tinha que parar com aquilo, mas não sabia, ou não queria, começar.
— O que aquele cara queria? — Ela ficou calada uns segundos e em seguida tomou fôlego.
— É ele, Rony... — Ele sentiu o coração doer, sentiu as batidas acelerarem como se quisessem machucar.
— É ele quem?
— O pai... O pai biológico do Joseph.
Ele trincou os dentes.
— Hum... Ele? Esse cara? Mas, como?
Eles andaram mais uns segundos calados. Hermione sentia uma vergonha imensa de si mesma e aquilo doía. Ele não gritou, não esbravejou, mas mesmo assim ela pôde sentir o desapontamento em sua voz. Ela não conseguiu. Ela se sentia na obrigação de uma explicação.
— Ron... Escuta... — Ele parou e levantou a mão como se pedisse para ela parar.
— Não... Não... Escuta... Eu não quero saber... Tá? – Ele a encarou, a força daquele olhar a deixava mole – Não quero saber, não me importo. Joey é meu filho. E não adianta dizer nada. Você pode ter saído porta afora e tê-lo carregado com você e pode ter... Sido enganada ou o que quer que sej, por esse babaca ai... Mas Joey é meu filho. Eu amo aquele garoto, e ele me ama. É nosso direito. Nem você, nem o imbecil... Nem ninguém pode nos tirar isso e este assunto está encerrado. Joey é meu filho.
Hermione sentiu seu útero remexer com tanta violência que achou que teria um orgasmo. Sentiu ele puxá-la de novo para si e andar e não constestou. Quando viraram na Bedford Gardens, as pessoas pareciam ter desaparecido, apenas alguns estabelecimentos permaneciam abertos.
— Isso está parecendo filme de terror Rony...
— Está com medo? — Ela riu baixo com o tom de gracejo em sua voz.
— Não é medo Ronald, não seja palhaço. Apenas fiz uma observação de que o clima, o ambiente lembram um filme de terror, só isso.
— Humhum. Então quer dizer que você não está com medo? — Ele se separou dela um instante e Hermione levantou as sobrancelhas com descaso.
— Não sou medrosa.
— Sei, do mesmo jeito que é resistente, né?
— Como assim?
— Já esqueceu Veneza? – Ele brincou – Você me disse que era resistente, no entanto... — Ela sorriu, mas a alusão ao momento que tiveram juntos em Veneza a fez esquentar absurdamente. Ainda assim ela tentou se controlar.
— Eu fui bastante controlada.
— Sei... Claro que foi...
— Seu chato.
— Então... Você não vai ficar com medo se eu sumir e você ficar sozinha aqui? — Ela rolou os olhos e respirou fundo.
— Até parece que eu tenho onze anos não é mesmo? — Mas ela não ouviu a resposta e de repente tudo pareceu muito quieto – Rony? – Ela olhou para trás, mas não havia qualquer sinal do ruivo.– Rony? Onde você está?
Não havia ninguém na rua, e uma fraca neblina tornava o ambiente ainda mais sombrio. O vento podia ser ouvido batendo nas lonas dos toldos dos restaurantes, nem mesmo muitos carros passavam por ali.
— Rony, não seja palhaço. Isso não tem graça – Nenhuma resposta – Rony! – Ela chamou com mais força e nada – Rony ,ok. Ok. Você está me assustando agora, tá bom? Você venceu, ok? Aparece! Rony!
- Oi.
- Ahhhhh!!!!!!
O grito dela cortou o silencio da noite e ele a abraçou sorrindo.
— Hey, hey, sou eu... Sou eu...
— Seu idiota, filho da puta! — Ele riu mais alto.
— Calma, calma... Que gracinha você xingando.
— Vai se foder Rony!
— Heey, calma, foi só uma...
— Vai... Se... Foder... Eu quase desmaiei. Não teve graça.
— Tá. Tudo bem, ok? Me desculpe, eu exagerei, exagerei — Mal eles perceberam a maneira como estavam. Abraçados, quase grudados um no outro – Vem cá, me deixa acalmar você, vem.
Ele não esperou para ouvir a resposta, simplesmente segurou o rosto dela e a beijou. O problema é que o beijo alterou rápido. Rápido demais. Mais rápido do que ambos gostariam, afinal eles estavam no meio da rua e a metros de casa ainda.
Mas nenhum dos dois ajudava. Rony segurou a cabeça dela e aprofundou o beijo, Hermione por sua vez, não se afastou, pelo contrario, o segurou na cintura e colou mais o corpo ao dele. Rony sentiu o cheiro do cabelo dela, e ouviu o fraco gemido entre o beijo. Sua mente voou para dois dias atrás, quando tinha tido um sonho erótico, muito semelhante com o que estava acontecendo naquele momento.
— Hermione... Her... mi...one... — Ele sibilou o nome dela algumas vezes, mas na verdade o que realmente queria era pedir que ela parasse de arranhar sua nuca daquele jeito, parasse de roçar a língua em sua boca naquele ritmo e que definitivamente parasse de gemer em sua boca.
Aquilo era apra ser um beijo, apenas isso. Um beijo para acalmá-la, mas em vez disso, estava se transformando numa preliminar sexual, e muito pior, uma daquelas que você não consegue controlar quando chega em um determinado ponto.
— Mi...One... Devíamos...
— Eu sei. Só um beijo... Só...
Aquilo ecoou por todo seu corpo e mais precisamente em seu baixo ventre. De maneira muito forte, tão forte que ele perdeu a sensatez por alguns instantes e a puxou pelo braço, levando-a em direção ao beco onde havia se escondido.
Era mais uma ruela sem saída, mas estava com a maioria das lâmpadas quebradas e a iluminação era muito pouca.
Ele andou alguns poucos metros e logo haviam sido engolidos pela escuridão. Rony a recostou na parede fria e a beijou sem esperar. Mais uma vez, Hermione ergueu os braços e envolveu seu pescoço beijando-o quase que desesperadamente. Ele pressionou o corpo contra o dela e a excitação já evidente tocou seu ventre. Ela gemeu com o contato.
Ele não pretendia continuar, não era sua intenção levar aquilo até o fim, mas ele já devia saber que com Hermione as coisas eram incontroláveis. Ele já devia saber que não devia atear fogo, ela não era um simples pavio de vela, era um pavio de bomba, daqueles que uma vez aceso só apagava quando explodia. Mas agora já era tarde.
Ele embrenhou as mãos em seus cabelos e ela desceu as dela até segurar sua bunda e apertá-la, ela parecia mesmo gostar daquilo, mas o que mais o surpreendeu não foi esta atitude ou ela devolver o beijo e não reclamar do lugar, o que o deixou mais surpreso foi ela ter segurado forte suas nádegas e puxado-o para si, fazendo-o roçar mais em seu sexo e então gemeu mais alto.
Rony segurou uma de suas pernas e a trouxe em volta de sua cintura, apertou a coxa e pressionou-se mais contra ela, repetindo o movimento mais de uma vez, causando uma fricção gostosa e estimulante em ambos. Ela agarrou seu pescoço, quase se pendurando no corpo alto e alcançou com dificuldade seu ouvido.
— Rony... Temos um problema...
— Qual? — Ele perguntou quase sem voz. A garganta estava seca.
— Estou excitada — Ele sentiu o baixo ventre dobrar e o membro pulsar.
- Então... Temos dois problemas por que eu... Também estou... Excitado.
— Mas... Nós não podemos...- Ela segurou seu rosto, eles não paravam de se mover, só diminuíam o pouco o ritmo. Os movimentos pareciam os da cópula só que em câmera lenta.
Ela prendeu mais a perna ao redor dele e sentiu um aperto mais forte em sua coxa, em seguida a mão dele subiu, entrando em sua saia, invadindo a lateral de sua calcinha e experimentando seu sexo com um dedo.
— Ah... Ai Ron... — Ela gemeu com o toque leve.
— Você está... Muito... Muito molhada.
— Eu disse que tínhamos um problema.
Ambos arfavam muito.
— Como a gente resolve?
— Achei que você... Ia pensar... Em algo — Ele sorriu com malicia e a tocou com mais intensidade, ela remexeu contra o dedo e a perna dele.
— Eu até tenho idéias, mas... Não sei se vai gostar muito delas...
— Por que não tenta?
— Por que você pode ficar chocada.
Ela riu. Não era um riso natural dela, mas era muito sexy.
— Eu durmo com você há... Quanto meses? Não vou realmente me surpreender.
— Nem se eu fizer isso?
Ele levou a outra mão por baixo da saia e segurou a calcinha dela, rasgando-a sem o menor esforço. Hermione arregalou os olhos e suspendeu a respiração por alguns segundos.
— Eu avisei... – Ele disse baixo.
— Nem sempre o choque é algo ruim.
— Eu só comecei...
— Por que não termina? – Sim, ela sabia como deixá-lo maluco. Sem conseguir mais retardar aquilo e sabendo que eles não recuariam, Rony afastou-se um pouco, abriu o cinto e a calça, e em seguida a penetrou. Ela arfou com a invasão súbita.
— Nem isso te choca?
— Choca... Entre... Outras... Coisas.
Com o tempo ele foi aprendendo que Hermione era uma caixinha de surpresas e ele adorava cada nova descoberta, quando estavam sozinhos, ele via uma Hermione que ninguém mais sabia que existia e sempre que dizia isso a si próprio uma voz em seu subconsciente lhe dizia que nunca veria. Ele adorava quando ela se soltava e dizia coisas que normalmente a deixariam ruborizada. Ela apertou sua cintura e ele a penetrou de novo.
— Não... Vou durar muito... — Ele disse abafado e a muito custo.
— Acha que eu vou?
Ele saiu e entrou de novo. Ela gemeu arrastado.
— Mas... Estou muito... No limite.
— Me toque... Me toque...
Ele deslizou a mão entre os dois e desceu até alcançar seu clitóris. Ela quase gritou quando ele a tocou.
Ela de fato estava muito molhada o dedo dele resvalava facilmente sobre seu monte excitado, ela não conseguia ficar quieta, os movimentos se intensificaram, ela não conseguia controlar o quadril, deixou-o movimentar-se cada vez mais rápido, mais rápido, sentiu o frio habitual, depois o calor insuportável e a dor que precedia o gozo.
Rony apertou a perna dela, sentindo o sangue reverter, o suor pingava gelado e ele entrava cada vez mais rápido. Era diferente, mas sempre era com ela. Só que tinha algum aditivo que fazia aquela transa ter um tempero diferente. Talvez a adrenalina do lugar, do perigo de serem flagrados, de ela ter aceitado... Eram tantos adicionais, ou era simplesmente ela que fazia tudo se tornar mais especial.
O gozo veio ao mesmo tempo para os dois. Uma sucessão de espamos, quase um choque de quadris, como se aquilo pudesse aliviar a sensação que os tomava. Os gemidos alcançaram o ápice e entorpeceram igualmente... Tornaram-se roucos e cessaram aos poucos.
Juntos.
Rony se vestiu primeiro, afinal ele quase não se despiu, depois ajudou-a a se recompor. Eles não disseram nada, apenas saíram abraçados, usando o frio como desculpa, mas sabendo que não sentiam mais frio e não sentiriam por mais algumas horas. Hermione não disse nada por algum tempo, deixou-se abraçar e seguiu junto com ele.
Não se sentia envergonhada, pelo contrário, sentia como se aquilo tivesse sido normal, o máximo que ela conseguia pensar era na imprudência do ato que ocorrera na rua e também na quebra da sua promessa em se afastar de Rony, mas não estava
escandalizada, como certamente ficaria uns meses antes.
— Achei que você ia me acompanhar como amigo... – Ela disse.
— Eu não fiz nada sozinho – Ele rebateu em tom de autoproteção.
— Eu não disse que fez – Ela continuou em tom tranquilo – Só quero dizer que nada muda com isso, eu ainda não posso... Eu ainda não quero...
— Eu entendi – Ele falou sem que ela precisasse completar o pensamento.
— Pode ser desse jeito? — Eles chegaram ao prédio e ela parou.
— Pode, claro que pode – Então olhou para cima e contemplou o prédio de andares incontáveis – Então, é aqui que você está? É seguro? A fachada me parece tão frágil... Há grades nas janelas?
Ela sorriu.
— É perfeitamente seguro... Além do mais eu estou instalada no primeiro andar, os riscos são mínimos, porém, se o deixa mais tranquilo, sim, tem grades nas janelas.
— Isso é bom... – Ele enterrou as mãos nos bolsos, como se as palavras lhe tivessem fugido da mente.
— Acho que é hora de dizer tchau...
— Hermione... Nós...
— Não há nós Rony – Ela o cortou – Achei que acabamos de combinar isso.
— O que eu quis dizer é... Não vai ficar me evitando como se eu fosse perigoso, vai? — Ela sorriu tranquilamente, mas por dentro, estava queimando, por muitos motivos diferentes.
— Não. Claro que não. Boa noite Ron... — Ela ia entrando no prédio, mas ele segurou sua mão.
— Mione... – O coração dela doeu mais – Obrigado — E já ia entrar quando uma senhora de meia idade a chamou.
— Sra. Hermione, que bom que chegou — Ela virou-se para a mulher já alarmada.
— O que houve?
— Joey... Não consegui fazer com que ele fosse a escola hoje senhora. Desculpe-me, tentei ligar, mas não consegui falar, a senhora não estava na empresa.
Hermione franziu o cenho.
— Por que?
— Ele chorou muito senhora, muito, tanto ao ponto de me preocupar, e disse que não queria ir. Disse também que não iria à festa da família, eu não consegui convencê-lo a ir de jeito nenhum — Hermione mordeu os lábios. Passou da expressão preocupada para a zangada e ia entrando, Rony segurou novamente no braço dela.
— Deixe-me falar com ele.
— Não! – Ela disse rápido.
— Hermione... – Ele tentou manter-se calmo – Ele não vai falar com você — Ela colocou as duas mãos na cintura assumindo uma posição ainda mais zangada.
— E por que não?
— Simples. Garotos não falam das coisas de escola com as mães. Isso é conversa de homem para homem.
— Rony... Joseph é meu filho, e eu tenho o direito de saber o que está acontecendo com ele.
— Hermione... Joseph é nosso filho e ninguém disse que você não vai saber o que está havendo com ele. Agora qual é o apartamento? Ou eu posso ir batendo de porta em porta mesmo, você é quem sabe...
— Rony... – Ela fechou os olhos, com o rosto meio avermelhado ainda – Apartamento seis – Ela disse e ele entrou sem esperar mais – Mas eu quero saber dos detalhes Ronald Weasley! – Ela gritou indo atrás dele.
Rony entrou no apartamento e não demorou muito a encontrar o quarto do garotinho, bateu de leve na porta e olhou pela fresta aberta. Hermione vinha entrando neste exato momento acompanhada da mulher.
- Posso entrar, campeão?
Ao ouvir a voz dele, Joey levantou rápido a cabeça enterrada entre os travesseiros e procurou como se tivesse ouvido coisas, mas quando seus olhos encontraram os de Rony ganharam um brilho que antes não havia.
— RON! — Ele gritou e pulou da cama de uma maneira tão estabanada que Rony pensou por um segundo que ele cairia enrolado nos lençóis. O abraço apertado que o menino deu no homem, quase fez Hermione chorar.
A mulher ao seu lado a cutucou levemente.
— Então este é o pai do Joey?
— Nã... – Ela ia dizendo, mas parou observou-os por mais alguns segundos e mudou de ideia. Não adiantaria negar olhando aquela cena, eles eram tão pai e filho quanto se o elo de sangue existisse. – Sim... É o pai do Joey...
— Belo exemplar de homem – A mulher resmungou. Hermione que ainda vidrada na cena à sua frente, respondeu com um murmuro.
— Sem duvidas...
Rony entrou no quarto e fechou a porta com o garoto em seu colo, o levou e o sentou na cama.
— Como está, rapaz? — Joey esfregou a face avermelhada do choro, completamente molhada e inchada.
— Eu senti saudade... Por que a gente não mora mais juntos Rony? Você não é mais meu pai?
— Quem disse isso?
— É que... Por que não estamos mais juntos? Todos nós? Igual aos pais da Mia?
— Por que... Bem... – Rony ficou um pouco perdido na resposta – Posso te contar um segredo?
O menino pareceu completamente concentrado.
— Pode.
— Veja bem, eu sou seu pai... Hermione é sua mãe, mas não somos casados, então, nós estávamos precisando resolver isso primeiro, para depois morarmos juntos.
O menino coçou a cabeça.
— Mas mamãe é casada com Victor...
— É... Mas ela pode descasar.
— Pode?
— Humhum.
— E por que quando ela pediu isso para o vovô, ele disse que a igreja não permite que a mamãe se descase, que é errado?
Rony segurou a mão dele.
— Errado, Joey, é estar preso a uma pessoa que não se ama. Não ligo para o que seu avô diz. Deus quer que estejamos felizes e que amemos as pessoas que estão próximas a nós. Sua mãe não ama o Victor, ela não tem que ficar casada com ele.
Joey riu, um riso até mesmo cínico.
— É, ela ama você.
Rony gargalhou.
— Posso saber por que você não quer ir na festa da família? E por que não quis ir à escola hoje?
Joey baixou a cabeça.
— Por causa do Kurt – Os olhos dele encheram de lágrimas – Ele não me deixa em paz, Ron... E ele disse que eu não tenho pai, então eu não deveria ir na festa, por que é uma festa da família e não da mãe.
— Mas você tem pai, Jo...
— Eu sei, eu disse para ele, mas ele disse que nunca viu meu pai, e que eu era um mentiroso — Rony enxugou a lagrima que se formou e rolou nos olhos do garotinho.
— E se eu for na escola conhecer seus amiguinhos? — Ele arregalou os olhos.
— Você vai? Você vai mesmo?
Rony riu.
— Vou... E vou conversar com o Kurt também... Tudo bem?
— Ron... – Então ele se jogou nos braços de Rony, dando-lhe um abraço apertado – Eu posso chamar você de pai quando estivermos lá? — Rony trincou os dentes pela dor repentinamente gostosa no seu coração.
— Pode chamar a hora que quiser — Falou com dificuldade.
— Legal...
— Mas eu tenho uma condição — O menino arqueou uma sobrancelha.
— Qual?
- Que você vá à festa da família, é importante para sua mãe.
— Se você for na escola, eu vou na festa por que ai o Kurt não vai poder dizer mais nada.
Rony riu.
— Garoto esperto. Tenho que ir Joey... Trabalho amanhã...
— Você vai mesmo Ron?
— Claro que vou... E não se preocupe garotão, não vamos mais ficar tão distantes, prometo.
Rony saiu algum tempo depois.
— Ele quer uma historia... — Ele disse para as duas mulheres e a babá adiantou-se para o quarto.
— Pode deixar comigo Sra. Hermione, eu conto — Hermione agradeceu e a mulher entrou no quarto do garoto. Rony se aproximou andando devagar até a porta de entrada enquanto ela o acompanhava, mas ela não abriu.
— O que ele tem?
— É um coleguinha da escola que está importunando-o dizendo que ele não tem pai.
— Mesmo? Ela mordeu os lábios, como fazia quando se sentia perdida.
- Eu vou na escola amanhã — Hermione balançou a cabeça, negando.
— Rony... Você...
— Eu quero ir, Mione... Ok? — Ela olhou-o de novo e ele parecia mais próximo.
— Mesmo?
— Mesmo — Ele sorriu e ela se perdeu por alguns instantes naquele sorriso.
— Eu... Eu... — Ela tentou dizer alguma coisa, mas ele estava olhando diretamente em seus olhos com aquele sorriso que a dominava, ela não conseguiu.
— Posso me despedir? — Mas ela não conseguiu responder e então ele a beijou.
No instante seguinte ela estava prensada na parede, uma de suas pernas estava na cintura dele sendo possessivamente apertadas pela mão grande e pesada. Sem pensar, ela rodeou os braços pelo seu pescoço e retribuiu o beijo. A outra mão de Rony aproximou seus corpos num abraço arrojado, seguindo por baixo de sua blusa, tocando a pele quente.
Hermione ondulou roçando seu corpo já excitado no dele. As línguas se chocaram com força e ela pôde sentir uma ereção completa contra seu sexo. Então seu ventre começou a pulsar. As mãos dela desceram e entraram por baixo da camisa, arranhando as costas largas. Ele a tocou nos seios e Hermione gemeu sem conseguir segurar.
Então um barulho forte de vidro espatifando-se os separou de súbito.
A babá, havia saído do quarto de Joey, ficou tão estupefata com a cena que derrubou o copo que trazia na mão. Hermione olhou-a, dividida entre o ofegar da excitação, o susto do barulho e a vergonha do flagra.
— Senhora... Jennins... — Ela balbuciou e a mulher que olhava-a de boca aberta, se apressou em apanhar os cacos.
— D-Desculpe, senhora Hermione, eu… Sou desastrada, que desastrada.
Rony esfregou o rosto tentando não rir e ajeitou as roupas enquanto Hermione tentava, com as mãos trêmulas, ajeitar as dela. A mulher catou os cacos de vidro maiores e saiu rapidamente com a desculpa de buscar uma vassoura. Hermione ainda tinha os olhos arregalados quando olhou para Rony, que claramente prendia o riso.
— Não ouse... — Ela disse. E ele mordeu os lábios com força.
— Te vejo amanhã, Mione...
Ele disse pousando um beijo malicioso no rosto dela e saindo antes que apanhasse.
...
Draco não aguentava mais. Ele tinha certeza que ficaria louco com mais um pouco daquilo.
Ele havia saído da casa e deixado Astoria com ela. Estava num hotel que ficava do outro lado da cidade. Desde que se afastaram ele ainda não havia voltado a universidade, e tentava não pensar nela, como se isso fosse possível. Mas a cada segundo que se passava alguma coisa, qualquer coisa, um mísero objeto, um som qualquer, tudo lembrava ela. Ele fechava os olhos e os momentos mais perfeitos que haviam compartilhado enchiam sua mente, como se fossem para castigá-lo.
Flashback
“- Amor… Tori… eu estou tentando te mostrar que sei desenhar…
- E eu estou tentando te atrapalhar, me dá um beijinho Dray…”
Flashback End
E por falar em som.
Aquela maldita musica, a parceria entre Astoria e Ben Summers, não parava de tocar. Ele precisaria ficar surdo para não ouvir aquele veneno. Não havia radio ou ambiente publico, comercial de tv ou até mesmo ringtone de celular que não tocasse aquela musica.
Não sabia o que ia fazer, estava doido de vontade de ir para casa, de abraçá-la, de dizer que a amava, que era um imbecil e não podia viver sem ela. Mas não podia conviver com aquilo, não podia conviver com o fato de estar sorrindo para ela num momento e no segundo seguinte, dominado sabe-se lá pelo que, mudar completamente.
Ele não admitia não ter controle sobre si mesmo e sobre suas próprias emoções. Ele precisava encontrar um pouco de autocontrole e segurança, ou não haveria condições de levar aquele relacionamento adiante. Mas ela fazia tanta falta, tanta falta.
O celular tocou.
Ele o pegou rápido, olhando ansioso para o display, esperando por alguns breves segundos que fosse ela... Mas não era. Ele sabia que ela não ligaria, no fundo, ele sabia. Fora ele quem a afastara, quem dissera precisar da distância, seria ele quem teria de acabar com ela. Mas a alegria não fora de todo em vão. Gina estava ligando. Talvez a companhia dela pudesse tirar um pouco daquele peso no coração.
- Hey Ginny.
- Onde você se enfiou Draco? Estou te procurando há dias.
- Eu sei... Me desculpe... Eu... Astoria e eu...
- Eu já sei de toda essa merda que você fez. Onde você está se escondendo?
- Gin...
- Escuta, doninha, estou morrendo de preocupação com você. Regra numero um Draco... Está mal, me ligue... Lembra? Não suma, não desapareça e me deixe imaginando que um trem descarrilhou e você acabou debaixo dele ok?
Ele riu mesmo sem vontade.
- Desculpe.
– Endereço. Agora.
- Certo. Anota.
Quarenta minutos depois, Draco ouviu as batidas na porta. Até então as dores estavam todas controladas em seu peito. Estava doendo, mas ele estava conseguindo aguentar. Porém ao abrir a porta e ver o rosto de Gina, seu peito apertou demais, como se toda aquela dor estivesse pedindo para sair. Sem dizer nada ela se adiantou e o abraçou e ele não conseguiu mais segurar.
- Dray... Por que? — Ela sussurrou em seu ouvido.
- Eu tive que fazer isso Gina… Eu tive… Eu estava enlouquecendo e enlouquecendo ela no processo. Eu não consigo… Não sou forte o bastante… — A voz saiu engrolada, misturada nos soluços do choro, como um menino que acaba de se ferir correndo para o colo da irmã mais velha.
- Você é um bobo, é isso que você é. Homens... Meu Deus, por que criou estas pestes?
Eles entraram, Gina sentou-se no tapete da sala, recostada ao sofá e Draco deitou em seu colo. Ela ouviu pacientemente sua versão, que não era tão diferente assim da de Astoria, apenas um pouco mais extravagante e, por conseguinte, mais sofrida.
- Você exagerou, em tudo, em absolutamente tudo, Dray... O mundo da Astoria não pode girar em torno de você, não é nada saudável. Vocês passaram muito tempo grudados demais e você é um saco para ter amigos, sabe disso, não é? Ela é completamente sociável, isso é só um choque de personalidades, achei que era mais maduro que isso, homem.
- Eu também achei, Gin...
- Deixe de ser retardado. Pare com isso, ela ama você. Está destruída, sabia?
- Você a viu? — Ele que antes parecia completamente jogado, sentou-se desperto.
- Vi. Tomamos um porre estes dias. Draco, veja só o que você está fazendo. Está sofrendo e fazendo com que ela sofra também. Na hipótese mais absurda, está jogando sua mulher nos braços de um palerma. É isso mesmo que você quer?
- Sentimentos são complicados, principalmente quando você não está apto a sentí-los. Eles te viram do avesso, consomem sua sanidade, tudo o que parece certo, vira errado, tudo o que parece bom faz mal. Você age pensando estar fazendo o bem, mas a recompensa não chega. Você se sacrifica por quem ama, mas isso te quebra… Isso acaba com você.
- Exatamente. Draco Lucius Malfoy, isto está acabando com você. Então levante esse rabo daí e vá atrás dela. Diga que você é um retardado, um idiota, mas que a ama, não sei... Faça aquela mágica, que vocês homens sempre fazem quando querem deixar uma mulher idiota.
- Não posso... – Ele deitou de novo em seu colo – Não posso Ginny... Não posso voltar e sentir tudo isso de novo... Eu não posso fazer tudo isso de novo, eu não consigo me controlar... Não consigo… — Ele começou a chorar mais forte. Ela o abraçou.
- Shh, chega... Chega... Hora de se acalmar garoto... Eu estou aqui, ok? Não vou mais cobrar nada, eu sei que você está sofrendo. Mas eu não vou te deixar desistir assim, Dray. Não vou.
- Tá doendo tanto, Gina... Tanto...
- Eu sei, amor, eu sei... Vai passar... Tá bem? Vai passar.
Ela ficou lá. Abraçada com ele, por um tempo indefinido, sentindo pela dor dele, por sua própria dor... Por que tudo tinha que ser tão complicado?
A TV que até então estava sendo ignorada começou a tocar a musica dos pesadelos de Draco... Mas não era apenas a musica, era Astoria e Ben Summers, tocando a musica em um programa de televisão. Ele se apressou em tentar desligar o aparelho, mas Gina tomou o controle de suas mãos e disse:
- Olhe.
- Gina...
- Olhe para ela.
- Não quero vê-los. Não quero vê-los juntos, Gina.
- Mas vai. Sabe por que, Draco? Por que é ridículo. É o trabalho dela, olhe, sinta orgulho.
Ele olhou quando a voz dela soou. Era impossível não olhar. Ele se perdeu alguns minutos, admirando-a na televisão, mas faltava alguma coisa nela.
- Ela está triste.
- O que?
- A Tori… Ela está triste, a musica dela está… Triste.
- Claro que ela está triste Draco Malfoy, você a deixou!
- Foi para o próprio bem dela.
- Ah vai se foder, Draco.
- Eu só acho que...
- Mas este é o problema, gatinho, vocês tentam pensar. Parem de pensar, não funciona com vocês, sabe? Já
devia saber disso. Homem tem que ter pegada, e já tá muito bom. Quando vocês pensam demais, dá merda.
- Não seja má.
- Então não seja um filho da puta – O celular dela vibrou e ela leu a mensagem que chegou, bufou e o
guardou na bolsa – Ouça... Outro filho da puta do seu gênero está enchendo meu saco neste exato momento, e eu tenho que ir.
- Harry? — Ela fez uma careta.
- Mike — Ele riu de lado.
- Michael ainda não desistiu...
- Michael está um pé no saco, mas acho que é algo sobre o caso... Eu tenho mesmo que ir amor — Eles levantaram e Draco a abraçou – Esta conversa ainda não terminou.
...
Joey estava sentado no pátio da escola, Mia estava doente e não ia ao colégio já havia três dias e Kurt não parava de lhe perturbar.
Era angustiante ir para a escola. Todos os dias ele levantava pedindo, para que Kurt faltasse a aula. Era seus únicos dias de paz. Adorava as professoras, os outros colegas, e Mia, mas Kurt e seus amigos tiravam-lhe toda a vontade de estar na escola. O que Rony havia lhe dito, ainda estava na sua cabeça, mas os dias tinham se passado e ele não tinha aparecido, então Joey havia perdido as esperanças de que ele realmente fosse lá.
Estava tentado a mentir para a professora e dizer que se sentia mal para ir para casa, quando avistou Rony do portão. Ele levantou com a intenção de ir até lá. Ficou tão feliz que mal percebeu a aproximação de Kurt, só viu o outro garoto quando quase esbarrou nele, quando este lhe impossibilitou a passagem.
Joey recuou.
Rony, e Harry que havia indo juntos, viram quando Kurt aproximou-se de Joseph. Peito estufado, como um galo pronto pra briga. Joey encolheu-se um pouco diante do menino maior e olhou de relance para Rony, procurando ajuda. Sua expressão
chamou a atenção de Kurt, que imediatamente virou-se para ver o que ele estava
olhando.
Então deparou-se com Harry e Rony.
Ambos fizeram um movimento ameaçador, onde diziam claramente ao garoto que ele se daria mal se machucasse Joseph. Kurt gelou. Por uns segundos ficou sem reação. Ele olhou novamente para Joey, como que para confirmar que aqueles homens estavam mesmo se dirigindo a eles.
- Quem... São esses caras? — Joey sorriu com satisfação.
- Meu pai e o amigo rico dele.
Kurt, não disse mais nada, apenas recuou e foi embora correndo. Joey sorriu, se sentindo livre, protegido, relaxado e correu em direção ao portão.
- RON... RON... – Ele notou no trajeto que os outros garotos olhavam para ele então encheu o peito de ar e coragem e gritou – Pai! — Rony abriu um sorriso e Harry sentiu um incomodo estranho no peito.
- Ei garotão — O portão continuava fechado. Joey olhou para o porteiro.
- Pode deixar ele entrar, John, é meu pai — O homem sorriu, cumprimentou os dois homens e abriu o portão — Você veio – Ele disse com os olhos brilhando.
- Vim... Desculpe a demora. Vim buscar você.
- Vamos para casa juntos?
- Não... Ainda não... Nós vamos... É uma surpresa.
- Vamos lá dentro, Ron, vamos na minha sala, deixa eu mostrar meu pai para as pessoas — Rony sorriu, deu a mão ao garoto e se deixou levar. Harry ficou parado, olhando aquela cena com uma sensação estranha de nostalgia. Rony parou alguns passos na frente e o encarou.
- Vamos cara.
- Ah... Não... Eu lembrei, Rony, tenho uma reunião, é importante. Preciso ir.
- Mas e o jogo?
- Vão vocês... Ok? Ligo depois.
- Harry...
Mas ele não esperou. Fugiu, como se aquilo lhe doesse.
...
Gina já chegou ao escritório de mau humor. Aqueles dias vinham sendo dias de cão. Entrou na sala de Michael e se deparou com ele muito sério, batendo lentamente um envelope, na mesa.
- Mike... O que houve? — Ele encarou-a devagar.
- Gina... Tenho dois assuntos para tratar com você. O primeiro é... Fomos convidados para o baile de máscaras inaugural do novo hotel... Como seu irmão é o arquiteto responsável, creio que você já foi convidada de qualquer forma, mas como o convite dá direito a acompanhante, queria saber se quer ir comigo? — Ele lhe estendeu o envelope.
- Mike... Olhe só...
- Gina... É só uma festa. Não estou pedindo que vá para cama comigo, estou pedindo que me acompanhe, eu não quero ir sozinho. Ou será que você precisa pedir permissão?
- Não fode, Michael.
- Não entendo por que você não pode me acompanhar nesta festa. Não é nada demais.
- Talvez... Harry vá — Ela disse tentando controlar respostas mais ácidas.
- Ah Gina, duvido. Ele é inimigo de Lucius Malfoy.
- Michael...
- Eu já entendi. Só... Bom... Fique com o convite, quem sabe se o Harry não for, você possa... — Uma batida na porta os interrompeu. No momento seguinte, ela se abriu e Neville entrou.
- Mike, chegaram os... Gin! Uau. Já ia te ligar. Fiquei sabendo... Há alguns dias... Parábens.
Os dois olharam Neville, perdidos.
- O que? – Gina disse. Mas Neville, já estava abraçando-a.
- Parabéns, nunca imaginei, você mãe, Gina. Mas vai ser um gurizinho lindo, estou certo disso.
Gina ficou gelada. Como ele sabia?
Ela olhou para Michael, que permaneceu estático em sua cadeira, olhando-a durante cada segundo seguinte, enquanto um Neville muito sorridente a largava, jogava uns papéis em cima da mesa e saia, falando coisas que não foram ouvidas. Ela ficou olhando para ele. Não disse nada. Michael levantou e ficou de frente para ela.
- Você está gravida? Você...
- Mike...
- Você está gravida, Gina? Gravida?
- Michael, eu...
- Gravida daquele verme? — Gina estreitou os olhos, e as palavras saíram quase como se fossem naturais.
- Não fale assim do Harry.
- Você ficou maluca? — Ele cresceu na frente dela, os olhos faiscando de raiva.
- Michael, preste atenção.
- Deus do céu, Gina... Eu pensei que se esperasse, esta sua fase “adolescente maluca” passaria, mas... O que você está fazendo, se afundando cada vez mais, vai ter um filho daquele filho da puta? Quão mais baixo você ainda vai Gina?
Ela ia dar-lhe um tapa... Depois desmentir Neville, mas um instinto vingativo e frio que ela raramente mostrava assumiu o comando. O tapa não veio, mas ainda assim doeu.
- Não vejo baixaria alguma em se apaixonar Michael, muito menos em ter um filho do homem que eu amo — Ele ficou sem voz, talvez até sem ar, por alguns instantes.
- Isto... É... Ridículo – Ele parecia cansado.
- Ridícula é esta discussão que não vai nos levar a nada. Eu não queria magoar você Mike, eu juro. Depois de tudo o que vivemos, eu tenho muito carinho por você, queria que as coisas fossem o menos dolorosas possível, mas, já é hora de você entender... Acabou. É passado. Quer você goste ou não, Harry é meu presente.
- Ele é um bandido.
- Inocente, Mike... Até que prove o contrário.
- Ele fez sua cabeça.
- Não sou mais uma menina. Sinto por isso, sinto por tudo isso. Já lhe disse uma vez, que se eu pudesse escolher, seria diferente, mas eu não posso. Eu já aceitei, isso. Sua vez agora — Então ela pegou a bolsa e saiu.
...
Astoria parou o carro em frente ao campus da University College London, tinha certeza que acharia Draco ali. Já estava mais do que na hora de se enfrentarem, aquilo já durava mais do que devia. Desceu do carro e não precisou caminhar muito para encontrá-lo. Ele estava muito próximo à saída principal.
Draco estava mais bonito que o normal, seus olhos pareciam ter recuperado o brilho, estava sorrindo. Astoria sorriu de volta, ele vinha caminhando em sua direção, parecia já tê-la visto. Era como se nada de ruim tivesse acontecido entre eles. Era como se nada de ruim pudesse acontecer. E por alguns instantes toda a briga e separação se resumiram na cabeça dela a um momento de tensão um pouco mais elevado, algo que poderia ser facilmente esquecido, desde que ele a beijasse e a fizesse esquecer.
Andou um pouco mais depressa, queria chegar logo até ele, mas foi diminuindo os passos a medida que ele mudou um pouco a direção dos próprios. Seguindo para uma direção estranha, como se não a tivesse visto, e como se não fosse para ela aquele sorriso. Astoria acompanhou o caminho que ele parecia fazer e mais a frente estava parada, com um sorriso ainda maior que o dele, Jennifer Shaw.
Seu peito apertou. O que ela estava fazendo ali?
Draco continuou andando, continuou sorrindo, ele estava meio sujo, como se tivesse remexido na terra. O que ele estava fazendo? Por que não olhava para ela, por que estava indo até Jennifer? E por que aquela sensação de perigo? Ela o viu aproximar-se sem conseguir esboçar reação, e ainda sem forças para se mover viu-o parar em frente a Jenny, segurar seu rosto e beijá-la.
Ela começou a tremer, sentiu as pernas fracas e o corpo pesado, soube naquele instante que cairia, mas não conseguia falar, ou mover seu corpo. O peito ribombou, as mãos ficaram geladas, e tudo o que estava para as outras pessoas acontecendo em segundos, para ela pareceu durar horas.
Não conseguiu mais segurar seu peso e se deixou cair.
O momento em que ela abriu os olhos confundiu-se com o momento exato em que as sensações produzidas pela alucinação hipogênica recente. Seu peito ainda batia muito forte, ela arfava, havia um vazio no seu estomago, suas mãos ainda estavam geladas e suadas e seu corpo tremia e formigava. Mas ela não estava no chão. Estava segura em sua cama, em sua casa.
Não havia Draco, não havia Jenny, não havia beijo. Fora tudo um sonho, um sonho desnecessário e angustiante.
- Isso não é real Astoria… Ok? É só um sonho… Um sonho idiota e mentiroso… — Ela disse para si mesma. Levantou calmamente, acostumando os pés ao chão gelado e ainda cedendo as dores das câimbras — Claro que não era real, Astoria sua idiota, Se fosse... Você teria tirado toda a pele daquela loira aguada para fazer um tapete...
Sentou-se na mesa, completamente bagunçada da noite anterior, com uma xícara de café, noite esta em que ela tentou desesperadamente compor uma musica que precisava com extrema urgência, e não conseguiu. Acabou enrolada no cobertor, olhando fotos antigas e ganhando uma forte dor de cabeça por chorar muito. Pegou uma das fotos que estava espalhada e sentiu um misto de dor e raiva.
- Adoraria olhar nos seus olhos agora só pra te dizer como você é burro Draco Malfoy. Burro e cego, como não consegue enxergar o quanto eu te amo?
Por um momento, quis ter lembranças ruins, qualquer uma a qual pudesse se apegar para afrouxar mais aquele aperto no peito que a falta dele lhe provoca, qualquer lembrança ruim que lhe desse uma razão para querer ficar longe dele um pouco... Mas não tinha. Não havia. Nem mesmo as brigas lhe causavam raiva por tempo suficiente para fazer uma reclamação. Draco era tão diferente de todos os outros homens...
Ela achava graça em seu ciúme, em sua expressão emburrada e até mesmo no jeito em que ele falava exasperado sobre o comprimento de suas roupas e tentava em vão fazê-la trocar, só para depois bufar e admitir que ela estava linda. Fechou os olhos e ele veio de novo na sua mente. Todos aqueles momentos únicos em que ela se sentiu plena. Em como ele a fazia sentir mais bonita, mais mulher.
Como ele despertava seus instintos com tão pouco, com quase nada ou com tudo o que sabia. Draco era seu dono. E em outra ocasião, com outro homem qualquer, ela teria vergonha de dizer qualquer coisa deste tipo, mas não com ele. Ele era seu dono. Dono de seus instintos, de seus desejos, manobrava seu corpo com a mesma habilidade que um manipulador de marionetes.
Tudo começava num simples beijo… Mas sempre se convertia num mar fumegante de desejo. Era inevitável. Aquilo os consumia de uma forma arrasadora. Não passava… Não aplacava… Sequer aliviava. Intenso… Intenso… Intenso… Absurdamente, perigosamente, assustadoramente intenso.
Ela sempre gostou de sexo, sempre... Mas depois de Draco, passou a precisar dele. Ela esfregou o rosto e deitou a cabeça na mesa, o corpo ainda formigava, mas ela não tinha mais certeza se ainda era pelo susto anterior. Lembrou-se de umas das ultimas vezes em que havia transado. Parecia fazer tanto tempo. Um fim de semana não muito distante, numa casa de campo.
A noite estava perfeita, como se tivesse sido encomendada. Tudo parecia exalar romance. Ele havia dito que precisava nadar um pouco, estava muito calor e a água da piscina estava muito convidativa. Ela apenas riu e ficou observando-o em seu exercício, sentada na beirada. Não sabia exatamente o que preferia olhar Draco era tão lindo que era quase um exercício de resistência não olhar para ele.
- Deveria entrar sabia? — Ele disse parado no meio da piscina, de frente para ela – A água está uma delicia, amor. Está quente. Vem cá.
- Não... Não Dray... Eu fiz escova no cabelo ontem.
- Ah Tori... Seu cabelo não precisa disso.
- Ah moço, precisa sim... Se eu os usasse curtos como você tudo bem, mas toda mulher precisa cuidar do cabelo — Ele riu da expressão meio indignada dela enquanto falava.
- Naturais, são muito mais bonitos.
- Cabelereiros do mundo inteiro faliriam, se dependesse de você, não é mesmo?
- Sim, se eles dependessem da minha mulher – Ele nadou se aproximando dela e recostou na beirada, entre suas pernas – Ela nasceu perfeita — Astoria riu. Às vezes Draco era tão bobo, que qualquer outro homem em seu lugar, pareceria estar dando uma cantada barata. Mas ela adorava ouví-lo. Com ele, vindo dele, nunca parecia clichê.
- Bobo.
- Linda.
- Eu te amo Dray. — Ele sorriu.
- Eu também te amo... Tori. E vou amar ainda mais... Quando... Você... – E de repente, quando ela menos esperava ele segurou seus braços e a puxou – ESTIVER NA ÁGUA COMIGO! — Quando ela tornou a superfície, tossindo e resfolegando, ele estava rindo. Astoria tentou acertá-lo, depois começou a xingá-lo... Em seguida riu também.
- Seu palhaço! Você é muito palhaço, Draco. Sabia?
- Eu sei... E você me ama.
Ele a puxou para junto de si e a beijou. Ela passou as mãos por seu pescoço, sentiu a pele molhada, mas ainda assim quente. Ela adorava aquela pele. Draco não era um homem cheio de músculos, mas ela sabia exatamente onde haviam níveis e desníveis de músculos em seu corpo. Adorava-o exatamente como ele era.
As unhas arranham o peito, enquanto as mãos dele subiram de sua cintura para o seios, sem qualquer cerimônia. Uma das mãos subiu para soltar os cabelos, a outra puxava suas roupas sem muito jeito ou carinho. Ela se entregou e começou a puxar as roupas dele também. Não demorou muito, e já estavam nus. A água dava uma sensação ainda mais deliciosa ao contato dos corpos.
Transar em contato com a água, sempre havia sido uma delicia. Tomavam banho juntos, sempre que tinham tempo suficiente para desfrutar, nunca era algo rápido. Mas transar dentro da água era muito melhor. A gravidade que quase não existia, os corpos praticamente flutuando, os toques, a sensação de calor chocando-se contra o frio, tudo aderia com muito mais força aos corpos sensíveis pela excitação.
As pernas dela enroscaram-se no corpo dele. Ela tinha que fazer a maior parte do trabalho, já que ele estava cuidando do equilíbrio. Seus sexos roçaram e ela sentiu o ventre pulsar tão forte, que quase se assemelhou as pulsações de um orgasmo. Quase... Ela estava muito excitada.
Mãos, pernas, língua, lábios... Se envolviam num jogo excitante de sentidos. A pele... O cheiro... Os sons guturais e abafados. Qualquer coisa virara mais um afrodisíaco. Quando seus corpos se encaixaram, Astoria sentiu um dor que se espalhou pelo corpo, e se ela não se conhecesse bem, se assumiria masoquista, pelo prazer que aquela dor lhe proporcionou.
Os corpos moveram como se estivessem fora de orbita, lentamente, obedecendo às leis que a gravidade impunham ali, mas sem deixar de ser intenso. Ela não demorou a gozar. Pulsações fortes e dolorosas. Condizentes com o ritmo lento e potente, agarrou-se a ele como se apertá-lo fosse a alternativa mais viável para aplacar aquela sensação viciante que se apossara do seu corpo. Sentiu os tremores dele, a quentura deslizando entre suas pernas, era tão delicioso sentí-lo gozar dentro de si. Era quase tão gostoso quanto o próprio orgasmo.
...
Quando Astoria conseguiu levantar a cabeça da mesa ela suava, sua respiração estava quebrada, e suas mãos tremiam. Não havia qualquer sinal dos tremores causados pelo sonho, ou pelo susto, agora eram todos provenientes de outra origem. Agora ela precisava de um banho... Urgente e demorado. E assim que estivesse apta, iria atrás de Draco Malfoy e lhe diria tudo o que estava preso em sua graganta.
...
Aquele parecia não ser seu dia. Gina estava se perguntando em que momento seu dia começou a ficar tão irritante. Primeiro aquela teimosia infundada de Draco, agora o ataque de Michael, o que mais faltava acontecer com ela?
No mesmo instante em que o pensamento se formou em sua mente, ela se arrependeu.
Estava parada, esperando o expresso que havia pedido minutos atrás, quando o som vindo do celular de um rapaz que estava na sua frente lhe chamou atenção. A repórter falava com sotaque acentuado, e fazia uma dramatização forçada, típica dos tabloides londrinos:
“-E Harry Potter está confirmado como um dos patrocinadores da London Fashion Week que começa na próxima segunda feira. Os desfiles acontecerão na Somerset House e conta com a participação das lindas meninas da Victoria Secrets, entre elas, Cho Chang, Top numero três do mundo, conhecida pelas indas e vindas em um relacionamento conturbado com Harry Potter.
A pergunta que fica é: O que um empresário do ramo hoteleiro está fazendo envolvido no mundo da moda? Talvez Cho tenha mais poder do que imaginamos. Fontes afirmam tê-los visto juntos durante as reuniões de negociação...”
O café chegou e Gina não quis mais ouvir.
- Harry... Faltava Harry para estragar meu dia — Ela falou para si mesma enquanto andava apressada de uma rua a outra. Sabia que uma boa parte do que havia sido dito era vergonhosamente inventado para a elevação da audiência, estava mais que acostumada com isso. Mas não mudava o fato de que tinha ciúme de Cho, e que também queria saber o que raios ele estava fazendo, metido em um evento de moda.
Gina não estava grávida, mas ainda assim estava emocionalmente instável. Duas vezes mais ansiosa, e com pouco autocontrole. E foi justamente essa carência de força de vontade que a fez mudar o caminho, pegar seu carro e seguir para a casa do empresário, mesmo sem saber se ele estava lá. Ela não estava raciocinando, se estivesse, não teria feito o que fez. Não teria estacinado aos pés da escada principal, atrapalhando completamente qualquer tráfego. Não teria entrado na casa sem ser anunciada, sem sequer bater a porta, como se fosse dona do lugar.
Ela só queria encontrar Harry.
Logo quando entrou, uma outra matéria, semelhante a que vira no Starbucks passava no enorme telão que estava bem a sua frente. Uma foto de Harry, bastante despojado saindo do prédio da Victoria Secrets, com uma garrafa de agua na mão, um cigarro na outra e fones de ouvido. Sentado de frente para a tela, Harry parecia divertido com o que diziam dele nos noticiários, gesticulava muito e sorria enquanto falava com Hagrid.
- Ai está você, cachorro — Ele virou com a face meio contorcida pelo susto inicial e depois sorriu.
- Boa tarde para você também Ginevra.
- Não vem com graça. Acho que você crê de verdade que vive num circo, não é palhaço? — Harry levantou, ainda com um sorriso no rosto.
- A que devo a honra de uma visita tão estressada?
- Que tal as suas canalhices na televisão? — Ele gargalhou brevemente e apontou para a TV.
- Isto?
- Exatamente isto. Seu porco. Olha aqui Harry, o fato de não termos um compromisso não significa que eu admita ser feita de palhaça — Harry levantou os olhos, fingindo pensar.
- Porco ou cachorro? Não dá pra ser os dois — Gina fechou os pulsos e grunhiu com raiva.
- O que mais me irrita é que você cínico! — Harry pegou um biscoito, que estava na badeja da mesa de centro e comeu.
- Idiota! Ridiculo! Palhaço!
- Pára com isso Gina... Vai. Vem cá — Ele segurou o braço dela, mas ela o puxou, com força, soltando-se — Ah Ginevra...
- Pare de me chamar de Ginevra! O que você estava fazendo com a Changalinha? — Por alguns segundos ele ficou perdido.
- Chan o que? Changa... – Então ele gargalhou muito forte quando a ficha caiu – Chang... Changalinha... — Gina cruzou os braços na frente do corpo e ficou observando enraivecida, aquele ataque de risos interminável de Harry.
- Você... Você ouviu isso Hagrid? Ouviu Cara? Changalinha! — Harry ria tanto, que chegou a precisar dobrar o corpo e apoiar-se nos próprios joelhos para tomar ar. Gina continuava emburradíssima e Hagrid, mantinha mesmo a custa de muito esforço, uma expressão impassível.
- Deus... – Ele disse quando conseguiu reunir um pouco mais de ar – Deus, você... É muito criativa Gina.
- Vai tomar no cú, Harry! ME SOLTA! — Ela disse quando ele a agarrou na cintura e caiu com ela no sofá abraçando-a — Me larga Harry — Ela disse tentando se desvencilhar.
- Não.
- Vai lá falar com a sua japonesa do Paraguai.
- Ela é chinesa e não do Paraguai.
- Foda-se você, ela e a nacionalidade dela — Ela falou ficando histérica, mas Harry a abraçou mais forte e beijou sua nuca.
- Você fica linda com ciúmes.
- Eu não estou com ciúmes. Me solta!
- Você nem me deixou explicar.
- Então explique de uma vez. O que está fazendo na porra do fashion Week?
- Negócios Ginevra, simplesmente negócios.
- No Fashion Week?
- O Fashion Week movimenta milhões, Gina.
- Você trabalha com hotéis, e o Fashion Week já tem um lugar, que olhem só, não lhe pertence, para acontecer.
- Correto, mas o coquetel de contratos vai acontecer no Potter Palace, graças, às negociações, sabia disso?
- E o que porra você estava fazendo na Victoria Secrets?
- Comprei ações — Ele falava calmamente, como se explicasse coisas de adultos a uma criança.
- Para que, Harry?
- Oh, sério? Você deve ter pelo menos uma ideia de quanto vale uma porra de uma ação da Victoria Secrets, Gina, não é possível isso.
- Minha nossa... – Ela falou exasperada e passou as mãos no rosto – Foi por causa dela não foi? Por causa da Chang? Você só... Você só está...
- Ok, Gina, chega. Pare já com isso. Ouça. Ouça com atenção. Estamos lançando um Resort, ok? Você sabe muito bem disso. A empresa estava negociando uma modelo para ser a garota propaganda nos comerciais de televisão...
- A Cho? — Ela quase cuspiu a palavra.
- Não Gina. A Cho... É a numero três do mundo, eu só trabalho com gente do topo. Estou contratando Gabrielle D., para estrelar os comerciais — Gina deu de ombros ainda irritada e conseguiu levantar-se, andou até a enorme porta de vidro que dava para uma pequena varanda.
- Tanto faz. Você deve ter dormido com ela também.
Harry riu.
- Não dormi não. Gabrielle D. é linda, mas é lésbica assumida, e ativa. Não faz meu gênero. Você não vê mesmo televisão, não é? — Ela o olhou com os olhos ainda estreitos, mas suavizou um pouco a expressão do rosto.
- Tem certeza, Harry? Eu não faço o tipo de mulher que persegue um homem por que dormiu com ele, se quiser um revival com a Chang, basta apenas que me avise para que eu me retire com minha dignidade intacta.
- Se eu quisesse a Cho, Gina, você não estaria aqui agora – Ele acariciou o rosto dela – Não teria estacionado seu carro em cima das minhas orquídeas negras, nossa, elas são filhas da puta de serem cultivadas e eu terei com certeza que pagar uns anos de tratamento psicológico ao Filch quando ele vir isso. Você não teria sequer passado pelos meus cachorros, por isso não vou mencionar os seguranças. Eu quero você Gina.
Ela deu um sorriso triste, os sentimentos estavam tão confusos dentro dela. Sabia que em algum momento num futuro próximo, se arrependeria e se envergonharia amargamente de toda a cena que fizera, mas não queria pensar naquilo, não naquele instante. Então apenas baixou os olhos com a sombra do sorriso que tentou dar morrendo lentamente.
- Qual o problema?
- Nenhum.
- Qual o problema Ginevra?
- Me deixa Potter.
- Você sabe que vai acabar falando — Ela respirou fundo. Ele tinha razão. Ela ia acabar falando, melhor fazê-lo de uma vez.
- Mike... — Harry virou os olhos.
- O que esse filho da puta fez?
- Se quer mesmo que eu fale, me ouve quieto — Ela disse com um tom de bronca materna. Ele fez uma careta, mas se calou – Encontrei com ele, hoje de manhã no escritório, e ele acha... Que eu estou gravida.
- Como ele sabe disso?
- Neville, entrou na sala, me parabenizando pela feliz novidade — Ela disse com ar de ironia.
- E como Neville, sabe disso?
- Não faço ideia de como ele sabe. Só sei que o Michael deu um piti muito grande. Não estou com raiva, estou... Sentida. Não queria fazer Mike sofrer...
Harry fez uma careta.
- Não entendo por que você fica triste. Você não ama este retardado.
- Mas deveria, eu deveria, Michael é o melhor homem que conheço e a vida seria mais fácil.
- Mais fácil, não mais gostosa.
- Não estou brincando, Harry.
- Ora Gina, eu só não vejo necessidade de você ficar assim por causa do Corner. Ele já é bem grandinho, já está na hora do filhinho de papai começar a se acostumar a perder — Gina estreitou os olhos, odiava quando Harry se referia a ela como se fosse um objeto.
- Para você tudo se trata disso não é, Potter? Ganhar ou perder? Pois deixe-me lhe contar uma coisa, isso aqui não é um jogo e eu não sou uma bola, para ser disputada. Estamos falando de pessoas e de sentimentos envolvidos.
- Sinto muito, mas não estou nem ai para os sentimentos do Corner — Ele disse com a expressão fechada.
- Mas eu estou, Harry. Mike é meu amigo. Desde criança. Eu me importo com ele — Harry se afastou um pouco dela entrando de novo na sala e grunhiu.
- Grande merda — Gina se sentiu culpada. Harry parecia mais ofendido do que enraivecido e ela não gostou de vê-lo assim.
- O que diabos está acontecendo comigo? – Ela se perguntou e foi atrás dele.
- Harry... Você precisa entender, que não é fácil para mim. Mike... Mike é meu amigo, foi meu namorado, ele me ama... — Harry olhou-a de lado com uma expressão mordaz.
- Que emocionante.
- Harry...
- Gina – Ele interrompeu – Eu tô pouco me fodendo para o Mike. Sério. Não me importo se ele é seu amigo, seu ex-namorado, seu pufe ou seu cachorrinho de estimação. Se ele quiser se matar eu empresto a corda. Sacou?
- Não seja tão grosseiro, Harry.
- Estou sendo sincero. E quer saber? Eu tô de saco cheio do Michael – Ele disse se aproximando mais dela com uma expressão irritada – De saco cheio dele dando palpite em tudo. O que importa a ele se você estivesse realmente grávida? Não seria da conta dele. O que mais precisa ser feito para ele entender que você é minha agora? Que eu mande colocar isso num Outdoor em frente a casa dele?
- Que ridículo – Ela disse cruzando os braços.
- Acho que é mais ridículo andar atrás de uma mulher que cheira a outro homem. Qual o problema dele? Não arranja mulher? Por que não paga uma prostituta?
- Vou fazer um esforço e não me ofender com a maneira que você está falando comigo.
- Não sei ser de outra forma Gina, olhe para mim, este sou eu. Sou grosso, sou um filho da puta. Eu nasci filho da puta. Vou morrer assim. Não finjo ser um Lorde para ganhar uma mulher e tenho dúzias delas para fazer uma fila na minha porta. Não! Não faça essa cara, estou apenas tentando fazer você entender, que eu não sou fingido como Michael. Ele faz este joguinho de cachorrinho abandonado, por que ele precisa ser digno de pena para ter a companhia de uma mulher, eu não sou assim. Eu não escondo o que sou e não vou agora fingir condolências por esse playboyzinho idiota. Foda-se seu querido Mike — Gina abriu e fechou a boca duas vezes, sem achar palavras para responder a Harry, e não sabia por que, estava morrendo de vontade de rir.
- Em todo caso... – Ela disse devagar tentando conter a vontade absurda de rir – Eu... Estava apenas compartilhando isso com você.
- E eu compartilhando a minha opinião. Estou de saco cheio desse imbecil rodeando você. Saco cheio. Vou acabar dando umas porradas nele.
- E tudo se resume a violência, não é?
- Sim, por que parece que ele não entende meu idioma — Gina respirou fundo.
- Harry, olhe... Eu só... Não precisa... Eu... Olhe vamos mudar de assunto. Não foi sobre isso que eu vim falar com você, nem pAra assistir a uma ceninha de ciúmes — Ele estreitou os olhos.
- Não. Você veio fazer uma — Gina também estreitou os dela e eles assumiram a típica posição de disputa.
- Idiota! Dá para ouvir? — Ele não respondeu, apenas se afastou e foi até o bar, servindo-se de uma dose grande de whisky que ele tomou de uma só vez – Como eu dizia, vim aqui por que precisava falar com você, segundo Rony, e eu creio que você já tenha sido informado, vai haver uma... – Ele não parecia estar ouvindo, não olhou para ela, apenas serviu-se de novo e tomou de uma só vez — Festa e...
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!O telefone tocou e a interrompeu. Harry arqueou uma orelha, mas ela atendeu sem cerimonias.
- Oi Mike... – Houve uma breve pausa. Ela encarou Harry e viu os olhos dele faiscando. Ele bebeu de novo – Sei, entendi – Outra pausa e Harry ainda bebia – Pode deixar, eu estou com os endereços, eu cuido disso – Outra pausa e quando Harry se serviu novamente, ela não conseguiu se segurar, afastou um pouco o telefone e disse como se ralhasse.
- Quer parar de beber?
- Quando você soltar essa porra de telefone eu paro.
- Deixe de ser infantil. Pára com isso.
- Ou eu bebo, ou mato o Corner. O que você prefere? — Gina voltou-se novamente para o telefone e falou apressada.
- Michael, pode deixar que eu pego, vou visitar as testemunhas, agora eu preciso desligar, te ligo assim que tiver resolvido tudo — Ela não esperou nem a resposta dele e desligou, andou quase marchando até onde Harry estava, tomou-lhe o copo das mãos e esvaziou-o no vaso que estava na mesa de centro.
- Quer parar, homem?
- Gina... – Ele falou baixo, mas o tom era perigoso – Vamos esclarecer as coisas aqui. Você é minha. Corner se fodeu. Quero ele longe. O que Harry Potter quer, Harry Potter consegue, estamos entendidos? — Gina sentiu um arrepio frio atravessando sua espinha. Não encontrou como contradizê-lo, não que lhe faltasse vontade. Aquela arrogância de Harry lhe tirava do sério, mas estava ficando excitada com a reação dele e estava mais preocupada em controlar-se, então respirou fundo e desatou a falar.
- Harry. os Malfoys estão dando uma festa inaugural e os convites são para pares, eu quero saber se você vai?
- Está me convidando? – Ele disse irônico.
- Estou perguntando... O Mike – Ela começou remexendo na bolsa e Harry revirou os olhos, não era a intenção dela irritá-lo, na verdade só não queria esconder dele que Michael lhe havia feito o convite, mas a paciência dele se esgotou. Ela puxou o envelope branco bem acabado e mostrou, falando calmante – Ele me convidou, este... Este é o convite... — Ela sequer esperou a reação, mas ele tomou-lhe o envelope das mãos e rasgou.
- Olha aqui o que eu faço com a sua merda de convite.
- Harry! – Ela disse surpresa.
- Já chega! Cala a boca Gina – E sem avisar ou esperar ele a puxou e a beijou — Gina sentiu a mão dele entre seus cabelos, apertando puxando, como se ele quisesse tomá-la e puní-la, mas ela gostou, se excitou ainda mais com a maneira brusca com a qual ele lhe tomara nos braços.
Harry lhe apertou, com força, sem medo de machucá-la e lhe deu um beijo agressivo. Ela sentiu as pernas amolecerem e o corpo todo pulsar. Que tipo de droga era aquela, que não importava o quanto parecesse errado, ela só queria mais?
Ele desceu as mãos sobre seu corpo, tocando-a de maneira obscena, subindo a saia do seu vestido, mostrando que era sexo o que ele queria, mas aquilo não a ofendia, por que também era tudo o que ela desejava naquele momento. Ela sentiu as mãos pesadas entrarem por baixo de sua saia, tateando em busca da sua pele, apertando-a. Gostava de sentir as dores que as mãos exigentes de Harry provocavam nela.
Ele desceu os beijos, para o maxilar, o pescoço, a curva ente o pecoço e o ombro onde mordeu, enquanto suas mãos se ocupavam em puxar a calcinha dela, por baixo da saia, a boca arriou as alças do vestido.
- Quero... Quero... Agora...
- Harry...
- Shh... Shh, agora... — Ele falava com total incoerência.
Ela puxou o blazer que ele usava, com pressa, tirando-o de qualquer jeito, jogando em qualquer lugar, enquanto as mãos dele não conseguiam achar um lugar certo para ficar. Então voltou-se para os botões da camisa, que ela não abriu todos, devido a pressa. Indecisa, correu até os botões da calça e começou a soltá-los com mais pressa ainda.
- Porra... Roupas... Muitas...
Os lábios se encontraram de novo, só para que eles ficassem com menos ar. Quando Gina conseguiu vencer a batalha contra o cós da calça dele, o prendeu entre suas pernas e sentiu-se ser penetrada de súbito. Sem carinho, primitivamente. Do jeito que ela gostava.
As bocas não se separavam. Ele apertou-a contra si, depois da primeira estocada, como se tivesse sentindo muita dor. Os olhos apertados, a expressão num misto de tensão, dor e prazer. Gina sentiu seu sexo pulsar no dele, estava completamente tomada pelo tesão. Sentia os espasmos pré-orgásticos aumentando e eles mal haviam se conectado.
Ele a penetrou de novo. Saiu quase completamente de dentro dela, só para voltar com mais força. Os gemidos eram grunhidos animalescos. Ele a penetrou de novo. Harry apertava suas coxas como se precisasse descontar a própria dor. Nunca havia sentido um desejo tão cru, tão dominador. Gina sempre lhe causou descontrole, mas ele estava completamente perdido. Não conseguia controlar absolutamente nada, só desejava tê-la.
A penetrou com mais força e intesidade ainda, sem conseguir se importar se estava machucando-a ou não, o corpo dele estava no piloto automático. Os apertões já formavam roxos na pele branca dela, ele continuou a bombeá-la cegamente, até que o orgasmos veio surpreendendo até a ele mesmo. Ele se apertou inteiro contra ela, o gozo forte, tomando toda a sua força. Ele temeu perder a força das pernas, seu corpo continuava a bombeá-la forte e ininterruptamente, mas ele quase não conseguia respirar.
Gina o abraçou, com braços e pernas, deliciando-se com um orgasmo forte e excitante. Quando ele conseguiu parar, quase dois minutos depois e foi se acalmando ainda dentro dela, ela o abraçou, o apertou entre seus braços. Não fazia ideia do por que estava mantendo-o daquela forma, só não queria que ele se afastasse, não naquele momento.
...
Hermione havia ficado até mais tarde na empresa, tinha serviço acumulado e precisava de mais tempo para colocá-lo em ordem até a festa de inauguração. Mal acreditava que faltavam apenas alguns dias. Estava ficando louca. Aquela semana longe do trabalho só lhe trouxe dores de cabeça, e no fim das contas, não tinha conseguido ficar totalmente longe de Rony como deveria.
Estava tranquila por Joey estar com Rony, apesar de ter relutado em deixá-los sair juntos. Tinha medo de Rony sofrer um novo atentado, ainda mais Joey por perto. Não tinha notícias de Victor há tanto tempo que já lhe dava medo, ele não costumava ficar quieto, não quando ela estava tão acessível. Mas foi impossível negar. O jeito como ele pediu... Às vezes ela tinha certeza que Rony dominara completamente a maneira de manipulá-la e usava isso em seu favor, sempre que queria. Ou se não sabia... Seus instintos lhe guiavam muito bem. Riu sozinha quando a sexta mensagem chegou em menos de uma hora.
“Olá Mione. J. e eu estamos nos divertindo muito. Está tudo bem por aqui, confira a foto. Mais noticias em breve.
P.S.: Não surte, ele apenas posou para a foto no skate, ok?”
Hermione riu. Ele a conhecia mesmo, muito bem. Parecia que se conheciam a décadas. Voltou a trabalhar, com a consciência mais aliviada. Sabia que Joey estava em boas mãos. Cinco segundos depois, o telefone tocou. Ela olhou o número e franziu o cenho, então atendeu.
- Olá.
– Hermione... Você não está seguindo o combinado.
- Eu não sai do nosso cronograma.
- E o que Joseph está fazendo com ele?
- Eu... Eu não tive como negar, não tive.
- Espero que você esteja ciente de que é perigoso, você precisa cortar o elo entre Joseph e Ronald — Hermione esfregou o rosto, exasperada.
- Não é simples... Eles... Eles são ligados...
- Mas é necessário que se desliguem. Dê um jeito e afaste-os. É para o seu próprio bem...
- Eu... Eu sei – Ela gaguejou – Eu vou achar... Uma maneira, não se preocupe, está bem?
- Certo. Até logo. Fique bem — Ela não respondeu. Apenas bufou quando a ligação caiu. Era muito pedir alguns dias de paz?
...
Não muito longe dali, no Westway Sports Centre, Joey e Rony assistiam a uma partida entre o Repton School e o Langley Park pela liga sub-18 da Inglaterra. Joey, que nunca havia ido a um ginásio, estava encantado.
- É muito... Grande Ron...
Ele riu.
- Isso é por que você nunca viu um estádio de futebol rapazinho, mas deixe o Totenham jogar, vou te levar numa partida.
- Uau... Mas... Mamãe não vai deixar.
- Ué, e por que?
- Ela diz que jogos são concentrações de arruaceiros.
Rony fez careta.
- Sua mãe é muito estressada.
- É... – o menino concordou — Ron… Você sabe que a mãe vai matar nós dois se souber que viemos a este jogo.
- Ela não precisa saber.
- Mas ela diz que tem que saber de tudo…
- O problema com as mulheres Joey, é que elas querem saber de tudo… Não que não precisem, enfim...
- Ela não ia gostar de te ouvir dizendo isso.
- É, não ia.
- Mas eu não vou contar.
- Grande garoto.
O jogo acabou e Rony levou Joey para a comemoração da vitória do Repton, não era nada demais, apenas uma pequena concentração de torcedores que faziam muito barulho com as músicas do time e soltavam fogos de artifício.
- Tome, pegue um.
- Mas... Ron...
- Vamos lá cara, não tenha medo, não vai machucar. Pegue — Joey pegou um tubo, Rony os acendeu e em alguns segundos uma chuva de cores saia de dentro. Joey se encolheu no inicio, com o susto pelo barulho e pela proximidade, mas Rony, perto dele, conseguiu fazê-lo sentir-se mais seguro.
- Olhe isto Joey…
- UAU! UAU Rony…
Era de fato incrível, não apenas os fogos, mas a cena como um todo.
Rony não lembrava de se divertir tanto em um único dia, depois da viagem que haviam feito juntos, e olhe que isto com Harry por perto, era praticamente impossível, mas o dia com Joey tinha sido simples e especial, talvez este tenha sido todo o diferencial. Na metade do caminho para casa, o garoto dormiu. Ele mandara outra SMS para Hermione, avisando que estavam à caminho, mas não a encontrou quando chegou ao apartamento, no lugar dela, quem os esperava era a Sra. Jennins.
- Sr... – Ela disse insinuando ter esquecido o nome de Rony, mas sua voz estava um pouco carregada com uma entonação que Rony não entendeu.
- Rony... Rony Weasley. Sra. Jennins, não é? Hermione está? — Ele perguntou com Joey adormecido em seus braços.
- Não... Mas entre... Deve estar pesado.
- É... Um pouco – Ele sorriu. A mulher se apressou em abrir a porta do quarto de Rony, onde ele colocou o menino e o agasalhou com cuidado. Quando saiu e fechou a porta, Rony assumiu uma expressão um pouco mais séria para falar com a mulher.
- Onde está Hermione?
- Ah... Eu creio que ela tenha que fazer hora extra hoje, senhor Rony... — Ele assumiu uma expressão pensativa enquanto passava a mão sobre os lábios, mordia o dedo e coçava o queixo. Era uma mania muito antiga, mas quando ele percebeu, os olhos da mulher estavam fixos, no ponto onde sua mão estava, com um brilho muito estranho. Rony se empertigou e se apressou para a porta.
- Vou... Até lá. Qualquer coisa... Por favor nos contate — Ele não esperou a resposta. Fechou a porta e caminhou o mais rápido possível para o elevador. Preferia ser mal educado do que continuar recebendo olhares que lhe causavam calafrios.
- Por Deus... – Ele resmungou para si – Ela podia ser minha mãe...
...
Ele chegou até a Shacklebolt Buildings e encontrou quase tudo sem funcionar. Apenas alguns poucos funcionários ainda se encontravam no prédio. Mas não precisou ir até a sala de Hermione... Ainda no saguão, ele a encontrou tentando equilibrar mais objetos do que conseguia carregar nas mãos. Ela só percebeu a presença dele quando duas plantas escorregaram de seus braços e ele as agarrou.
- Trabalhando até tarde? -Hermione deixou o resto das coisas caírem com o susto.
- Pelo... Amor... De Deus... Ronald... Que susto.
- Ei... Desculpa. Eu não queria te assustar. Fui levar o Joey e você não estava e a Sra. Jennins disse que estaria aqui. Por falar nisso Hermione, aquela mulher me dá calafrios — Ela ficou alguns segundos parada tentando compreender e em seguida começou a rir, enquanto os dois pegavam os objetos caídos.
- O que foi? Ela te cantou?
- Não... – Ele disse rapidamente e ruborizado – Mas... Ela me olha... De um jeito muito esquisito.
Hermione continuou rindo.
- A culpa é sua, sabe? Desde ontem ela... Ela tem se referido a você com bastante... Como vou dizer... Impetuosidade.
- E você ri Hermione? – Ele exclamou gesticulando como podia – Isso não é engraçado. Você nem tem ciúme?
- Ah Rony, pelo amo,r né? Sei que meu ego não é um estilo Harry Potter de ser, mas eu não sou tão insegura assim.
Rony riu.
- Ah é? Não tem medo da tia, não? Ela é até jeitosinha, sabia? Tem certeza que não tem nenhum pouquinho de ciúmes? — Hermione o olhou de esguelha.
- Não força, homem.
Ele gargalhou.
- Ok. Ok. Mas Hermione, é sério...
- Rony, deixe de ser bobo, ela não vai pular no seu pescoço — Ele fez cara de ofendido.
- Pois saiba que a lei é para todos, se ela pular, eu processo por assédio.
Eles começaram a caminhar para fora do prédio e Rony percebeu que Hermione não estava indo para o estacionamento, e sim para o ponto de táxi que ficava próximo à empresa.
— Cadê seu carro?
— Ah, está na oficina mecânica, tive problemas com os pneus.
— Eu levo você para casa...
— Não! – Ela disse rápido. Ele fechou a cara.
— Ah! Qual é Hermione? Vai ficar com esse medo ridículo de mim agora? Por que eu não posso te dar uma carona?
Ela estreitou os olhos.
— Não tenho medo de você, Rony. Eu só não confio... Em você... Em... Nós dois juntos... Temos que parar com isso.
— E por que exatamente temos que parar? Sabia que eu ainda não entendi essa parte?
— Por que eu me afastei de você para que as coisas não se complicassem. Mas tudo o que a gente faz é se enrolar cada vez mais.
— Isso é a maior bobagem, não vamos conseguir nos afastar desse jeito. Não há nem um motivo real para nos afastarmos. Quem está complicando as coisas é você, e não vai resolver levar essa discussão adiante. Eu não vou lhe deixar ir sozinha para casa com todos esses bagulhos a esta hora da noite.
— Bagulhos?! Bagulhos?! Não estou carregando pedras de crack, Ronald Weasley, estou carregando plantas meticulosamente desenhadas, levei três dias inteiros para aprontá-las, sabia?
Ele rolou os olhos.
— Não seja tão sensível, eu me referia à quantidade de coisas que está carregando, vamos, vamos para o carro.
— Rony...
— Ok. Você que sabe... Ou vem comigo para o carro, ou vamos ficar aqui como duas estátuas, discutindo isto a noite toda. A escolha é sua.
Ela rolou os olhos.
— Ahh, como você é irritante! Vamos de uma vez!
Eles entraram no carro num completo silêncio, Rony acomodou todos os objetos que ela carregava no porta-malas e em seguida partiu. Não durou muito, pois alguns metros adiante ele avistou uma batida policial.
— Ah, mas que droga! – Ele bateu no volante.
— O que foi? – Hermione perguntou alarmada.
— Estou com a habilitação vencida. Vou buscar a nova amanhã, mas não posso passar pelos policiais...
— Você levou meu filho para passear com a carteira de habilitação vencida?
— Ah Hermione, isso é hora? Você está com a sua ai?
— Claro que estou. O que você pensa? Eu sou uma mulher responsável, Ronald.
— Otimo – Ele parou o carro, interrompendo-a e fazendo-a passar para o banco do motorista.
— Que coisa ridícula – Ela disse ao tomar o volante.
Ela passou pelos policiais, apresentando os documentos necessários e cinco minutos depois eles estavam distantes da batida. Hermione parecia trincar os dentes de tempos em tempos, e não dizia uma só palavra.
Rony riu para si mesmo. Como podia ela ficar mais bonita ainda com raiva? E sexy? Ela estava muito sexy. Quase sem controle de si mesmo, como se aqueles fossem movimentos naturais, Rony pousou a mão em sua coxa e acariciou-a. No primeiro movimento, Hermione não disse nada, apenas engoliu seco, o que deu a ele um passe livre para continuar. Animado, ele ergueu a saia que ela estava usando até em cima da coxa. Hermione segurou sua mão.
- Rony!
— Que?
— Pára!
— Não tô fazendo nada.
— Não tá fazendo nada não é seu safado? — Ele levantou mais a mão na sua perna.
— Não, não tô.
— Pára Rony! Eu tô dirigindo!
— Eu sei, e isso que é mais tentador.
Hermione mordeu os lábios como se quisesse, não... Como se precisasse buscar controle. E então parou o carro bruscamente, saltando dele sem Rony esperar.
— Hermione... Mas o que...? — Ela andou alguns metros de distancia do carro, até que ele a segurasse pelo braço.
— O que foi? – Rony perguntou meio perdido.
— Você precisa parar com isso, Rony, É sério... Precisamos, nós precisamos...
— Não... Não... Não temos não... Pára com isso Hermione... Por que você resiste tanto se está escrito na sua cara que você também quer... Será que você não vê que é perfeito? Você, o Joey e eu... Somos perfeitos juntos.
— Rony... – Ela deixou uma lagrima cair e ele a enxugou.
— Não vou desistir... Não vou... Não com este motivo ridículo que você está me dando.
Ele a beijou. Começou devagar. Ela já estava fragilizada demais. Ele segurou seu rosto com as duas mãos e beijou devagar, como se lhe desse uma escolha, mas ao mesmo tempo mostrasse que não iria recuar. Depois ele cessou o beijo e a puxou para um abraço. Rony a prendeu nos braços e ela se sentiu completa. Correspondeu ao carinho e fechou os olhos para saborear o momento.
— Não fuja de mim, Hermione... Não consigo mais viver sem você, sem o Joey... Eu amo vocês...
A sua reação não poderia ter sido diferente.
Ela arregalou os olhos, sem conseguir reagir fisicamente, em seguida sentiu o coração doer como nunca antes e com um impulso, se desfez do abraço, e o beijou. Ele a recebeu, e o beijo que antes era sofrido passou a ser sôfrego. Ela o agarrou na cintura e ele voltou a segurar seu rosto, tentando aproveitar ao máximo aquele gosto que o enlouquecia tanto. Do rosto, as mãos seguiram pelos ombros, ao longo dos braços e pararam na cintura, apertando-a. Um sinal claro de que o beijo tinha cumprido sua função e despertado a excitação mútua.
Ele desceu mais as mãos e a pegou pelas nádegas, suspendendo-a nos seus braços, levando-a até a lateral do carro, onde prensou-a com seu corpo, aumentando a pressão do beijo. Hermione gemia baixo e em pausas ordenadas, Rony não conseguia controlar as mãos, mas ela parecia gostar, e muito. Ela subiu as mãos por baixo da sua camisa e o arranhou.
Seus corpos se moviam em sintonia, com a mesma pressa. Rony desceu as mãos e tentou abrir os botões da saia com pressa enquanto os corpos ondulavam no delicioso frenesi do contato. Ele não conseguia desgrudar a boca da dela.
- Eu... Carro... Dentro... — Ele entendeu as palavras desconexas que saiam da boca dela entre o beijo quente e tateou as cegas em busca da maçaneta que dava acesso aos bancos de trás.
Quando finalmente conseguiu abrir, Hermione entrou primeiro, recebendo-o sobre seu corpo. Ele tirou-lhe a blusa com pouco jeito e depois ela lhe ajudou a despir-se também e eles voltaram a se beijar. As mãos de ambos trabalhavam ávidas e pareciam dispostas a levá-los à loucura. Rony ainda de calça jeans, ondulava, friccionando o sexo excitado sobre a vagina já quase descoberta dela. Hermione fechou os olhos e esqueceu de todos os problemas, concentrando-se apenas na sensação gostosa e enlouquecedora que ele lhe proporcionava.
Calor… Calor… Calor… Nada além de um calor infernal… E viciante.
Ele a puxou, fazendo-a encaixa-se perfeitamente em seu colo, com as pernas em volta do seu corpo. A posição lhe deu acesso total às zonas erógenas do seu corpo que ele sabia que a enlouquecia. Beijou seu pescoço, ombro, colo, enquanto os corpos continuavam a esfregar-se um no outro tentando aplacar um pouco da dor, do desejo e provocando ainda mais dores. Ele tirou-lhe o sutiã, espalmou as mãos em seus seios e acariciou seus mamilos. Hermione jogou o corpo para trás, gemendo, tremendo, necessitando de um contato maior.
- Entra... Entra... — Ela sussurrou suplicante.
Rony abriu os botões da calça, expôs o sexo excitado e ajudou-a a montá-lo penetrando-a completamente. Hermione gemeu alto e longo sentindo-o invadi-la daquele jeito. Nunca se acostumaria ao seu tamanho e isso era o que lhe proporcionava mais prazer. Não havia muito espaço e a situação só favorecia os movimentos dela, Rony estava a sua mercê e isso tornava a situação mais excitante, ela o dominara completamente, seu prazer dependeria dela e só dela.
Ela se moveu, completamente tomada por ele, sem muito espaço para grandes movimentos, apenas repetiu a mesma cadencia de antes quando ainda não estavam despidos. Fechou os olhos, gemeu e se movimentou com um pouco mais de rapidez. Ele segurou suas nádegas, tentando forçá-la a seguir seu ritmo, apertando-a, provocando-a. Hermione tentou seguí-lo, mas seu corpo não obedecia nem mesmo as suas próprias ordens, então ela deixou seu desejo guia-la. A crescente pressão fez com que ela se apressasse, mais, mais e mais...
- Oh meu Deus Rony!
— Ah… Her… Mione… Cacete… Cacete…
Rony sentiu seu pênis inchar, ia gozar, fechou os olhos e mordeu os lábios tentando retardar o orgasmo ao máximo, sentiu quando ela o abraçou por inteiro com pernas e braços, escondendo o rosto na curva do seu pescoço, choramingando palavras incompreensíveis, aumentando o ritmo do quadril, fazendo-o ir mais fundo.
Ele afundou as mãos nos cabelos dela apertando-os e gozou com um gemido forte e gutural. Hermione chegou ao orgasmo, gemendo fino como uma gata, ondulando o corpo com força e intensidade contra o dele, apertando-o e arranhando-o para tentar manter um mínimo de controle de si mesma. Ao fim dos espasmos, ele arriou no banco de trás trazendo-a consigo. Hermione ainda demorou algum tempo até conseguir levantar a cabeça e olhar para ele. Mas não havia o que dizer. Ou até havia, mas não precisava ser dito.
Então ela sorriu e o beijou devagar.
- Acho melhor você parar ou... Vamos transar no carro de novo.
Ela riu anasalado.
— Melhor não... Não estamos nenhum a um quilômetro de distancia daquela batida policial, é melhor irmos embora.
— É, vamos para casa — Ele disse ajudando-a a levantar e ajeitar as roupas.
— Sim, vamos... Você vai para sua, e eu para minha.
Ele fez uma careta.
— Hermione...
— Por favor... Por favor... Me dê só um tempinho, eu preciso.
— Ok... Ok... Mas você sabe que é inútil esperar que eu desista, não sabe? — Ela concordou.
— Sei... Só um tempo, pouco tempo, eu juro.
— Ok. Ok, Mione... – Ele riu e a beijou de leve – Vamos embora então.
…
Faltava apenas um dia para o grande baile inaugural do grande Resort de Lucius Malfoy. O baile de máscaras era o evento mais comentado desde o inicio do mês, minimizando até mesmo todo o glamour e fama do London Fashion Week. Gina havia combinado com Hermione e Astoria, de verem seus vestidos em uma loja de customização, e estava terminando de organizar a sua mesa para sair quando Michael bateu na porta.
— Posso entrar?
Ela sorriu de lado.
— Já está dentro.
— Hum... Gina... Eu... Queria falar com você – Ele disse, entrando timidamente, a passos lentos, com as mãos nos bolsos da calça.
— É muito longo o assunto, Mike? Por que se for, eu vou pedir a você que falemos depois, estou muito atrasada. O Dun’s vai fechar em duas horas e isso é quase um terço do que seria necessário para três mulheres acharem roupas. Você sabe o que isso significa, não é? Catástrofe — Gina desatou a falar enquanto rodava toda a sala tentando organizar seus pertences e ele riu fraco.
— Mulheres e suas compras. Vai a algum casamento?
— Casamento? – Ela perguntou distraída enquanto jogava as coisas espalhadas na mesa, dentro da bolsa.
— É... Mulheres... Roupas... Espera aí, o Dun’s não é uma loja de antiguidades?
Ela gargalhou.
— Claro que não, o Dun’s é uma loja de customização, e não vou comprar um vestido para casamento, vou comprar um vestido para o baile de máscaras de amanhã, eu quero estar bem à caráter — Ela chegou mais perto.
— Era disso mesmo que eu precisava falar com você. Já decidiu se aceita meu convite?
Gina soltou a bolsa e respirou fundo. Achava seriamente que ele não tocaria de novo no assunto, achava até que ele não falaria com ela por um bom tempo, mas lá estava Michael pedindo que ela lhe abrisse as feridas, de novo. Ela tentou ser o mais gentil que pôde.
— Mike... — Ele rolou os olhos e a interrompeu antes que ela pudesse formular sua resposta.
— Eu não acredito Gina... Você vai recusar?
— Eu te disse que Harry iria — Ela disse, já se preparando para um confronto, colocando as mãos na cintura e estreitando os olhos.
— Não quero saber do Potter. Esta sua aventurazinha já foi longe demais, por favor Gina, o cara é um bandido. Um bandido...
— Michael Corner, eu acho que não vamos ter esta discussão.
— Ah, nós vamos sim, Ginevra, você está acusando este homem de mais de treze infrações graves e gravíssimas numa corte, o que você pretende? Colocá-lo na cadeia e depois fazer as visitas conjugais? — Gina respirou fundo várias vezes, antes de responder, até mesmo por que sua resposta parecia mais uma intimação para si mesma.
— Não... Tenho tanta certeza de que... Ele vá ser preso, Mike — Michael estreitou os olhos, fumegando de tanta raiva, dava até para ver o quão profunda era sua respiração.
— Talvez, você não esteja preparada para um caso tão grande, Gina.
— Isso... Não tem nada haver com o que eu posso ou não fazer, Mike.
— Ele está deturpando a sua visão do caso.
- Eu sei separar as coisas, Corner — Ele balançou a cabeça negativamente algumas vezes.
— Você tem que se afastar de Harry Potter. Você tem que fazer isso para o seu bem, tem que fazer isso hoje!
— Você não vai me dizer o que eu tenho que fazer! – Ela aumentou o tom de voz e pensou que ele recuaria, como ele sempre fazia, mas não foi o que aconteceu.
— EU JÁ AGUENTEI DEMAIS, GINA. ISSO TEM QUE ACABAR! – Ele gritou, as narinas acesas, os olhos irreconhecíveis – Tenho esperando com paciência, que você curta esse momento idiota estilo “eu não fui rebelde na adolescência”, esperando que a sua fase, “eu curto badboys, mas me casarei com um goodboy”, passe. Mas está... Demorando demais. Já está na hora de você voltar a ter senso de ridículo, e acabar com esse show. Já chega. Você vai deixar Harry Potter e vai se casar comigo, como todo mundo espera — Ele falou aquilo num tom tão sério e Gina ficou tão estupefata que demorou quase um minuto para sorrir ironicamente.
— É sério? É mesmo Michael? É isso que você pensa? Que eu estou curtindo a vida adoidado? Pois deixe me contar uma coisa para você, eu não sou Ferris Bueller e meu relacionamento com Harry não é uma curtição de um dia, e outra coisa... Eu não vou casar com você.
— Gina...
— Chega Michael, agora quem diz chega sou eu, nosso tempo passou, foi um namorico, uma paixãozinha adolescente. Você vai ter que entender uma coisa de uma vez por todas. Eu... Amo... Harry...
Por um breve minuto ela achou que ele lhe daria um tapa, e até temeu a agressão. Não reconhecia o Corner que via ali na sua frente, mas contrariando suas expectativas, ele apenas girou nos calcanhares e foi até a porta.
— Você está fora de si... Não está sendo imparcial. Não tem condições de exercer essa carreira. Você é antiética e antiprofissional. Até mais Gina — Ela ficou olhando para a porta por longos minutos antes de ter controle de si mesma de novo e conseguir ir embora.
...
Hermione estava um pouco nervosa com o desenrolar da festa da família que estava acontecendo na escola de Joseph, naquela noite, sempre era muito constrangedor quando eles enfatizavam o pesar pela ausência do pai do garoto. Joey sempre se entristecia por dias depois destes eventos, mas eles não podia deixam de ir. Neste ano, Joey receberia um premio por uma historia que havia feito e que havia lhe rendido muitos elogios, mas junto com as parabenizações, sempre vinham os momentos de vergonha.
O garotinho estava no palco do auditório agora, Hermione sentia um misto de orgulho e angustia. Tão pequeno, tão cheio de coisas na cabeça. Às vezes ela só queria que ele fosse um menino mais tranquilo e menos esperto. Como ela havia previsto, no momento das congratulações, eles simplesmente esqueceram que o pai de Joseph não compareceria a festa e o anunciaram também.
— Gostaria de chamar para umas poucas palavras, os pais do Joseph.
Hermione levantou devagar, olhando diretamente para o filho, já estava acostumada àquele tipo de situação, onde ia sozinha para receber as vitórias ou curar as derrotas do filho. Mas ao levantar da cadeira e caminhar os primeiros passos em direção ao palco do auditório, percebeu uma movimentação estranha. Rony havia levantado-se de algum lugar e vinha em sua direção.
— O que você…
— É dia dos pais… O menino merece, então apenas segure minha mão e finja que eu sou o pai dele.
Ela então se sentiu mais confiante quando sentiu-o segurar sua mão, quando a maioria das pessoas arregalaram os olhos tentando descobrir quem era aquele ruivo que surgira do nada, quando menino abriu o sorriso mais lindo que ela já tinha visto, ao notar “seus pais” se aproximando.
Ela nem ouviu o que foi dito. Alguns dias depois se envergonharia de não lembrar sequer de uma palavra dita em elogio ao seu filho, mas a única coisa em que conseguia se concentrar era em como aqueles dois mereciam ser sangue um do outro. Só conseguia pensar em como Joey merecia aquele pai, e como Rony merecia aquele filho, e como ela se sentia feliz e orgulhosa em poder ter unilos
O evento terminou e Hermione mal sentiu o tempo passar, quando eles estavam deixando o lugar, Rony sentiu alguém chamando-o muito próximo. Ele virou-se e sorriu.
— Padma!
A morena sorriu de orelha a orelha.
— Ronald Weasley, que surpresa.
Hermione observou-os trocar cumprimentos por mais algum tempo, detestando de imediato a maneira com a jovem indiana olhava, sorria e falava para Rony.
— Não me apresenta os amigos? — Isto foi o que mais a irritou, era como se ele tivesse esquecido dela.
— Claro. Claro. Meu filho, Joseph e a mãe dele, Hermione.
Hermione não soube como interpretar a frase, tampouco estava preocupada. Estava com ciúmes. Uma sensação que ela nunca sentira antes, não com tanta ênfase. Estava com raiva.
Seu devaneio sobre a melhor maneira de despachar a indiana, fora interrompido por um casal que chegou para cumprimentá-la. Ela precisou desviar a atenção, mas não deixou de ouvir a conversa. Mal entendia o que o casal lhe falava, atendo-se apenas a sorrir e concordar.
— Nossa, Rony, nunca pensei que tivesse filhos. Você nunca me pareceu paternal – Disse a mulher.
— É, mas a vida me presenteou com esse garotão fantástico aqui — A conversa cansativa continuou por mais cinco minutos, quando ela conseguiu dar uma desculpa e chamou Ronald de onde estava, as pessoas saiam em massa e ela aproveitou o tumulto.
- Com licença… Ronald… — Ela se aproximou sutilmente dele.
— Oi.
— Já chega, não acha? Vai passar o dia todo falando com ela agora?
Rony riu, e voltou a atenção para se despedir da garota, que ao final da conversa, lhe deu um tapa carinhoso, na altura da nádega. Hermione arregalou tanto os olhos que os mesmo pareciam que saltariam das órbitas.
Fumegando, mas controlando-se a toda força para não perder a compostura, ela deu meio aceno com a cabeça, e um sorriso torno que poderia ser facilmente confundido com um arreganhar de dentes e saiu um pouco mais a frente, puxando Joseph, com Rony em seu encalço sorrindo abobadamente e perguntando o que foi.
De longe um par de olhos azuis os observava atentamente com um sorriso debochado nos lábios.
...
Hermione entrou em casa a passos muito duros, só faltava chiar de tanta raiva. Joey, a quem ela agarrou a mão com muita determinação, lutava para acompanhar os passos da mãe. Entrou, jogou a bolsa no sofá, e como já esperava que Rony viesse atrás dela, já virou em posição de discussão, com as duas mãos atracadas à cintura, bufando como um touro bravo, até maior ela parecia.
— É necessário que eu lhe peça para se explicar?
Ele arregalou os olhos.
— Me explicar sobre o que? — Hermione fechou os olhos e sua boca se moveu como se ela estivesse recorrendo ao velho habito de contar até dez para se acalmar.
— Ronald não brinque com a minha paciência.
— Eu não estou tentando... – Ele disse tentando segurar o riso.
— NÃO RIA DE MIM!
— Eu não estou... – Mas ele não conseguia se segurar e até Joey começou a rir também.
— JOSEPH! TÁ VENDO RONY?
— Mas é engraçado Hermione... Ok, ok – Ele ergueu as mãos em sinal de paz – Olha só, se você explicar por que está tão furiosa, eu posso...
— DUAS PALAVRAS! SUA AMIGUINHA!
— A Padma?
— NÃO, A MINHA MÃE!
— Eu não me lembro de sua mãe ser minha amiguinha — Joseph explodiu numa gargalhada tão sonora que Rony teve que ir em seu socorro.
— JOSEPH! QUARTO JÁ!
— Hermione, Hermione, calma, eu parei. Ele... Não tem culpa... Joe vai para o quarto amigão, por favor.
O menino saiu correndo ainda rindo alto como se tivesse ouvido a piada do século. Rony a encarou de novo tentando mesmo ficar sério.
— Ok... Olhe só, a Padma, é uma amiga antiga da escola, estudou comigo, era amiga da Gina, é só alguém que eu não vejo tem um bom tempo, não entendo por que você ficou tão nervosa — Ela estreitou os olhos e inclinou a cabeça.
— Ah não entende?
— Não, não entendo – Ele disse sentando-se e olhando-a, já controlado.
— Ela estava te cantando.
— Ah Hermione, é claro que não estava.
— Estava sim, e o que eram todas aquelas mãos, ela é uma lula por acaso?
— Você tá exagerando.
- Exagerando é um ca... Uma virgula!
— Hermione, ela estava apenas sendo gentil.
— Gentil uma ova Ronald e você simplesmente aceitou!
— Eu realmente não entendo a sua revolta.
— A garota te cantou, apertou sua bunda, na minha frente! E você não entende minha revolta?
— Ah… É… É, mas...
- NÃO TEM MAS! E o que foi aquilo de “Meu filho Joseph e a mãe dele, Hermione”? Por que você não disse logo, “Meu filho Joey e a chocadeira dele”? — Ele riu. Foi humanamente impossível não rir.
— Hermione, meu amor...
— Não me venha com meu amor agora... Por que você não disse meu amor quando estávamos lá?
— Você só está nervosa.
— Ahh vai se catar Ronald.
— Não, espera — Ele levantou e tentou se aproximar, mas ela recuou.
— Pode ficar onde está, pode ficar exatamente... Onde você está. Eu ainda não acredito que aquela filha da... – Ela respirou antes de continuar – Mãe... Apertou sua bunda.
— Mione, me ouve um segundinho...
— Não... Não vou ouvir... Sabe o que eu devia fazer? Eu devia te deixar um mês em abstinencia por isso.
— Hermione…
— Acho que você gostaria de ter um tempo para elas, não é?
— Não diz isso nem brincando.
— Eu não estou brincando.
— Mas Mione… Você não faria isso, não é? – Ele falou com um misto de incredulidade e medo, em um voz infantile. Ela sorriu sentindo bastante prazer com a angustia estampada no rosto dele.
— Humhum… Faria sim.
- Isso não é justo, eu nem esperava... — A face dele estava retorcida.
— Nem fez nada para evitar.
— Hermione... Olha só. A Padma é só minha amiga, ela age assim com todo mundo, além do mais isso é coisa da época do colégio. Meu Deus, eu não a vejo há uns dez anos. Não há por que ter ciúmes disso. Você não concorda?
— Eu não concordo com nada que você está dizendo e nem nada que você dirá nas próximas horas.
- Cara... Isso não é justo...
A campainha soou. Terrence Boot estava na porta. Hermione abriu um largo sorriso antes de abraçar o homem a sua frente sem pensar duas vezes.
— Terry! Que surpresa boa! – Ignorando completamente Rony que estava bem atrás dela, já com cara de poucos amigos quando ela gritou pelo filho – Joseph, corra aqui, venha ver quem chegou — Então ela abraçou o homem de novo.
- Olá Mione... — Ele disse retribuindo o abraço com gosto. Quando Joey conseguiu perceber quem era, correu até ele fazendo barulho, o que deixou Rony com mais ciúmes.
— Teeerryyy!!! — O menino deu um pulo e logo estava no colo do homem, dando-lhe um abraço apertado.
— Entra Terrence... — Ela se afastou para que ele entrasse, Rony viu aí a sua deixa e chegou perto deles.
— Ah não Mione, eu não posso, passei apenas para dar um oi e... – Ele foi ficando constrangido com a presença de Rony sem que Hermione os apresentasse e então apresentou a si mesmo – Ah... Oi... Sou Terry — Ele estendeu a mão que Rony aceitou a contragosto.
— Oi, sou Rony. Pai do Joey — Hermione olhou-o tão rápido que poderia ter ficado com torcicolo.
— Ah... é? Ah... Que engraçado... – Ele disse tentando achar um sorriso que não transparecesse todo o seu constrangimento – Eu... Não entendi muito bem – O homem completou olhando para Hermione. Ela riu sem graça.
— É... Uma longa historia.
— Ah... É... Tudo bem, eu já vou, estou muito cansado.
— Ahhh Terryyy.
— Ah Joey, não fica triste. Tá tarde, e nós nos veremos em breve. Ashley veio comigo Hermione... E nossa filha não está habituada com Londres ainda, se você... Vocês permitirem eu gostaria que... Joey a conhecesse... — Rony olhou Hermione de esguelha. Ela pareceu pensar uns segundos antes de forçar mais um sorriso.
— Claro, claro, quando quiser.
— Ah... – Ele viu que Rony não disse nada e continuou – Pode ser amanhã?
— Ah... Pode... Eu não estarei em casa, tenho um evento, mas a senhora Jennins, a babá dele, estará aqui, deixarei ordens de que ele pode sair com você.
- Ah... Você pode dispensar a babá, ele pode ficar conosco até domingo... Se não incomodar.
— Claro que não incomoda. Ele pode sim.
— Certo... – O clima já estava mais que pesado – Certo, eu vou indo... Até amanhã amigão e... Até mais... Legal conhecê-lo, Rony – Ele apenas ergueu o polegar com cara de poucos amigos. Quando Hermione conseguiu satisfazer todas as perguntas de Joseph e o mandou para a cama, finalmente pode voltar-se para ele e questioná-lo.
— Por que você disse que era o pai do Joey?
— Simplesmente por que eu sou.
— Ronald... Isso foi imprudente!
— Mesmo? — Ele cruzou os braços – Por que? Ele não pode saber que tem um homem na sua vida?
— Não tem nada haver... Não foi isso que eu quis dizer.
— Achei que eu sabia quem era o pai biológico do Joey.
— E você sabe!
— Então por que toda essa preocupação? Isso não diz respeito a ele, ou diz? Ou o problema seria com você? Deve satisfações a ele?
— Não seja ridículo.
— Qual é seu lance com esse cara Hermione?
— Nenhum... Ronald, o Terry...
— Eu não quero uma ficha da vida do Terry, quero só saber o que vocês tem um com o outro.
— NÓS SOMOS AMIGOS! – Hermione gritou e olhou em direção ao quarto de Joey – Somos amigos – Baixou a voz – Terry e Ashley me ajudaram muito quando Victor... Quando... Você sabe – Os olhos dela encheram de lágrimas – A filha deles tem a idade do Joey, a Ash também estava gravida na mesma época. Nós somos só amigos, por que todo mundo acha que temos alguma coisa?
— Talvez por que você sorria demais quando o vê.
— Me desculpe por ficar feliz em ver um amigo de verdade quando eu tive tão poucos Rony. Victor dizia a mesma coisa — Ele sentiu uma pontada no coração.
- Mione... — Ela sentou-se de costas para ele, e não respondeu. Ele se aproximou.
— Mione, desculpa, desculpa. Eu não quis... Eu não queria...
— Ele é só meu amigo. Eu adoro a Ash... Eles foram bons comigo, eles me ajudaram... — Ele a interrompeu, tomando-a nos braços, apertando-a.
— Shh, sem choro, sem choro, esqueça isso... Esqueça.
— Eu sei o que parece... – Ela soluçou – Sei que parece que eu sou leviana, eu... Tive um caso... Fora do casamento, eu engravidei... E depois eu dormi com você... Mas, eu não sou – Ela parecia angustiada – Eu não amava Victor, eu não amava... E... Eu deslizei... Eu acreditei nele... Ele disse que me amava, ele disse que me salvaria... — As lagrimas começaram a descer mais grossas.
— Mione...
— Ele disse Rony, que... ele...
As lembranças corroíam o coração dela, amargando-o.
Flashback
- Eu não devia estar aqui…
— Por que não?
— É errado.
— Não, não é. Errado é você perder tempo com aquele ogro, aquele homem das cavernas, ele não merece você. Já eu… Eu quero cuidar bem de você.
— Você vai ficar comigo?
— Vou, vou ficar com você e proteger você Hermione…
Aquelas eram lembranças das quais ela não fazia questão.
Flashback end
Rony a abraçou mais forte.
— Acabou. Ele enganou você, você vivia num inferno. É mais natural do que parece, não te acho leviana – Ele segurou o rosto dela com as duas mãos – Cada dia que passa, tenho mais certeza de que sou o pai do Joey... Não diga nada. Olhe para mim. Eu... Eu vou cuidar de você e esqueça, se já ouviu essa frase antes. Eu sou um homem, não um moleque. Eu vou cuidar de vocês dois.
Ele a beijou, havia tanta ternura naquele beijo que a emocionou. Ela se agarrou a ele. Não era de forma sexual, embora não deixasse de despertar desejo, era mais uma forma carente, uma necessidade da proteção que ele prometia.
— Por favor Rony... Cuide de mim... — Ela disse entre o beijo. Ele se emocionou com aquilo, o peito doeu e acelerou.
— Eu vou cuidar... Eu amo você, sabia? — Ela sorriu mais largo. Contrastando com o choro.
— Vamos para o quarto e mostre-me isso.
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