Intimidade

16 A Viagem Surpresa II


"Nenhum trauma é eterno. Nenhuma dor é infinita. Mas existem feridas quase impossíveis de cicatrizar..."

Eles jantaram num quase silencio completo, a não ser por Joey que não conseguia ficar cinco minutos calado. Hermione estava tensa demais e respondia ao menino por monossílabos, já Rony, tentou com a maior paciência do mundo, satisfazer toda a curiosidade do garoto.

Após terminarem, ele retirou-se primeiro da mesa, sem olhar para ela, nem dizer nada.

Apenas pegou o garoto nos braços e levou para a sala, fazendo um tipo de avião.
Joseph ria alto, como se há muito não conseguisse se divertir daquele jeito.

Enquanto eles saíam da sala de jantar, Hermione tentava calibrar as sensações dentro dela. A tensão pelo tom de voz de Rony antes de jantar estava muito misturada à emoção de ver como ele tratava seu filho.

Ela demorou mais do que realmente precisava na cozinha, fez todo o trabalho que não era necessário que fizesse, e com uma lentidão monstruosa. Sabia que não adiantava adiar o inevitável, mas queria um pouco mais de tempo. Precisava pensar no que dizer e em como se defender de qualquer coisa que Rony lhe dissesse.

Quando finalmente não havia mais nada que ela pudesse fazer, resignou-se a encará-lo.


Saiu da cozinha a passos lentos e o encontrou na sala. Arriado no enorme sofá com Joseph dormindo em seu colo. Ele não a viu chegar, estava concentrado assistindo “Shrek”. Ela quase riu. Aquele era o filme favorito de Joe, ela mesma não aguentava mais assistir. Ele acariciava levemente a cabeça do menino, totalmente apagado em seu colo, parecia dormir um sono muito pesado. Ele piscou algumas vezes antes de pegar o controle da TV e desligar. Depois pegou Joe no braço.

— Vou levar ele lá pra cima. Você vem?- O tom de voz era um mistério. Não estava sendo doce, nem rude, ela não sabia exatamente o que esperar.

— Vou... Vou apenas... Arrumar estas coisas e já subo.

— Certo. Te espero lá em cima.

Ele subiu e ela arriou no sofá.

Havia algo estranhamente gostoso naquela sensação de rotina, ou ela estava ficando maluca? Estava tensa e precisa se explicar por algum motivo a um homem que ela sequer sabia designar qual papel tinha em sua vida, não deveria estar com raiva?

As coisas estavam saindo completamente dos trilhos.

Ela demorou mais do que percebeu perdida em pensamentos. Quando chegou no quarto, Rony já tinha tomado banho. Estava sentado na enorme cama, a qual eles já tinham compartilhado, folheando um jornal.

- Que inferno, este homem fica gostoso vestindo qualquer coisa — Ela pensou assim que bateu os olhos nele. Ele estava com uma calça larga de pijama e uma camiseta branca, meio grudada no corpo por causa da umidade do banho. Os cabelos ruivos, mais escurecidos por estarem molhados, caiam um pouco nos olhos.

— Demorei?

Ele levantou os olhos e suavizou a face, mas não sorriu.

— Nem tanto. Quer ir tomar banho?

— Se importa de esperar?

— Não, claro que não. Vou dar um telefonema.

— Para quem? — Foi por impulso e ela se odiou no segundo seguinte, mas ele não demorou a responder.

— Gina, minha irmã. Preciso saber se minha casa está inteira.

Ela assentiu envergonhada e rumou para o banheiro.

Rony demorou cerca de quinze minutos ouvindo todas as falsas queixas que Gina tinha de Harry e do seu hábito de dar liberdade a desconhecidos.

Quando ele finalmente conseguiu desligar e voltou para o quarto, Hermione estava saindo do banheiro, enxugando os cabelos. Ela usava um robe de seda fina, por cima da camisola, que se insinuava pela pouca abertura do pano.

Ele sentiu uma pontada de excitação, mas respirou fundo.

Conversar primeiro... Conversar primeiro...

- Tá tudo bem na sua casa?

— Humhum... — Ele rodeou a cama e sentou na ponta dela – Joe está dormindo e... Nós... Estamos aqui...

De repente as palavras emperraram. Ela sentou na outra ponta da cama, de olhos baixos.

— Você disse que precisávamos conversar.

— É... Precisamos... Precisamos esclarecer alguns pequenos pontos e eu não vou fazer rodeios, vamos direto ao ponto.

— Certo.

— Então olhe para mim — Ela o fez, relutante, mas fez – Por que mentiu para mim Hermione?

— Eu menti?

— Sim, você mentiu, e sabe que mentiu.

— Rony, se está falando do Joey, eu já lhe disse que...

— Não estou falando do Joe.

— Então do que exatamente está falando?

— Estou falando da agressão do seu ex-marido.

Mais direto, impossível.

Ela ficou pálida. Gélida. Estática. Tentou falar, mas as palavras se enrolaram na garganta.

— Ah.. O... O que?

Ele suspirou.

— Vamos lá Hermione, eu fui direto, seja também. E não adianta negar, eu não só sei que ele te agrediu como sei que ele faz isso constantemente e sei também que ele fez isso na quinta feira.

— Mas como você... Joseph – A voz dela assumiu um tom mais grave, mais irritado — Foi ele, não foi?

Rony estreitou um pouco os olhos.

— Foi, foi o Joey que me disse.

— EU. NÃO. ACREDITO. NISSO — Ela aumentou o volume da voz, declarando em alto e bom som a sua irritação, mas em vez de recuar como normalmente fazia quando ela se irritava, Rony assumiu uma posição de ataque.

Ele estreitou mais os olhos e andou um pouco mais apra frente. Sua altura e até mesmo a sua largura faziam-na parecer um bichinho acuado. As narinas se abriram e ela podia ver claramente o movimento que a mandíbula dele fazia ao trincar os dentes.

— Foi o Joey Hermione, ele me disse. O que tem isso?

— Como assim, o que tem isso? Joseph não pode simplesmente falar a você dos nossos problemas domésticos como se ele estivesse discutindo um dos seus desenhos favoritos!

- Sabe de uma coisa? – Ele baixou a voz e isso a tornou mais perigosa – Não me pareceu nem um pouco com uma discussão de desenho animado, ver um menino de quatro anos, chorando desesperado, por que vê a mãe ser machucada e ele não poder fazer nada para impeder. Na verdade ele veio até mim por que acha que eu posso parar com isso. Ele veio me pedir ajuda e você sabe por que ele fez isso? Por que ele ama e se preocupa com você, ele não suporta mais ver esse cara fazer o que faz.

Ela abriu a boca, mas a voz não saiu. Ele se adiantou um pouco mais. Ela retrocedeu. E o que parecia improvável estava acontecendo, de novo. Ela estava ficando excitada.


Não conseguiria responder se perguntassem por que. Não sabia se eram os cabelos ruivos, escurecidos pela agua, caindo sobre a testa, despenteados, se eram as roupas casuais, delineando aquele corpo, que na concepção dela, era perfeito. Poderia ser o tom da voz, ou se fosse mais sincera consigo mesmo, poderia até revelar que era a maneira como ele a fazia se sentir dominada.
Mas ainda assim, aquele desejo estava sobrecarregado pela dor do que acabara de ouvir e pela dor das lembranças recentes que tinha.

— Rony...

— Ele não sabe o que fazer Hermione. Ele está tentando te proteger, ele está fazendo isso como pode. Joseph não tem a mentalidade apropriada para a idade dele e você sabe disso. Ele é inteligente e desenvolvido demais, mas ainda assim, ele tem quatro anos.

— Eu... Eu sei...

Os olhos dela encheram de lágrimas e aquilo repercutiu na ferocidade com que as coisas estavam sendo processadas dentro dele. Pareceu amolecer um pouco da raiva que ele estava sentindo.

Tanto que ele suavizou a expressão. Ela soluçou e uma lágrima desceu pelo rosto dela.

— Hermione...

— Eu...

— Me conte.

— Ron...

- Chega de mentiras, Hermione. Chega de esconder as coisas… Eu quero saber, quero saber tudo, quero com detalhes, e você vai me contar.

— Isso é... Isso...É...

— Vergonhoso? — Ela afirmou com a cabeça e o peito doeu. Muito. Ele não sabia definir exatamente o tipo de sensação que experimentou, mas a necessidade de cuidar dela, despertou ferozmente e ele a abraçou.

— Não tenha vergonha de mim... Não de mim...

— Eu gostaria... De mudar... De que Joseph não... Oh meu Deus eu gostaria que fosse diferente.

— Conte-me...

Ainda abraçada a ele, ela contou. A conversa durou quase uma hora. Quase uma hora de um horror que ele não podia presumir. A dor nas palavras dela faziam com que ele fechasse os olhos e presenciasse cada ato de covardia que ela experimentara.

A primeira vez acontecera seis meses depois do casamento. Victor vinha de uma família rigorosamente religiosa, rigorosa ao ponto de poder ser classificada como fanática.
Durante o curto namoro e o noivado relâmpago, eles praticamente não se viram, mas como qualquer moça normal de vinte e cinco anos, Hermione esperava ansiosa por um amor verdadeiro.

Além disso, toda a tensão dos hormônios adolescentes não saciados ainda queimava dentro dela. Era casta, completamente casta, mas ainda assim estava viva.

Cultivou durante os meses seguintes toda uma fantasia em torno do casamento e da sua lua de mel. Apesar de ter sido praticamente “coagida” a casar-se com Victor, ela o admirava. Ele era realmente bonito. Sempre se destacara em qualquer meio. Muito educado e prestativo também. Ela não podia dizer que estava apaixonada, mas cultivava uma forte atração. Achava que ele era um príncipe, tal qual os de contos de fadas, achava que ele seria delicado e que a ensinaria todos os prazeres que costumava ouvir de suas amigas.

Ela acreditou demais nisso. Seus sonhos morreram quando disse sim.

Victor era um verdadeiro fanático pela religião. Doentio ao ponto de dar medo. Sua lua de mel já se iniciou mal. A primeira vez foi estupidamente dolorosa, e rápida. Tão rápida que ela podia chutar menos de uma hora entre cruzar a porta do hotel e ele estar dormindo pesadamente ao seu lado.

Não houve preliminares.

Segundo Victor, sexo não era para ser apreciado e sim cumprido por “obrigação em procriar”. Eles não deviam perder tempo saboreando o pecado. Ela mesma tirou o vestido e enquanto o fazia, a excitação foi substituída por uma vergonha violenta. Ele não deu atenção. Proibiu-a de se despir inteira.

— Não podemos ceder ao desejo. É uma obrigação.

Ela foi praticamente jogada na cama e violada em seguida. Foi quase um estupro. Ou totalmente um estupro, de um ponto de vista mais justo. No dia seguinte ela tentou se convencer de que o tempo faria melhorar, de que era apenas fervor, de que era apenas fé.

Mas ela sabia no intimo que precisava mascarar sua vergonha.

Três anos se passaram sem que absolutamente nada mudasse. Ele era seco, distante e rude. Transavam uma ou duas vezes por semana, e ela não conseguia nem chegar perto de sentir o frenesi de um orgasmo.

As agressões começaram seis meses depois do casamento. Quando ela se queixou da frequência com que transavam. Ele a agrediu com um pano molhado. Doeu. Mas as marcas não apareciam.

Ela tentou relevar, tentou perdoar, tentou acreditar que era um desvio de comportamento. Mas aconteceu de novo, e de novo, até que ela não suportou mais e procurou os pais, dizendo querer o divorcio. Eles se negaram a ajuda-la. O casamento era uma instituição indissolúvel. Ela não trabalhava, não tinha meios de se sustentar, não tinha como deixa-lo.

Aos vinte e sete anos, conseguiu a permissão para começar a trabalhar na SB, foi quando conheceu Rony, foi quando sua vida saiu dos trilhos, foi quando cometeu seus maiores pecados, foi quando perdeu o rumo e as certezas, foi quando ela perdeu o juízo, quando acreditou em contos de fadas, quando confiou demais, quando Joey nasceu. As agressões pioraram e a partir daí ele começou a ameaçar sua vida e a vida de seu filho.

— Você... Me disse que Joey não é... Filho...

— Não. Não é, Joey é... Foi... Um momento... Um...

— Eu entendi. Eu...

Eles estavam sentados na cama agora. Ele estava recostado na cabeceira da cama, com ela sentada entre suas pernas, de costas para ele. Não conseguia encará-lo. Ele acariciava os cabelos ainda úmidos dela, enquanto a sentia soluçar.

— Eu cometi erros, muitos erros, eu não sou perfeita.

— Você vivia num inferno.

— Mas eu era casada Rony.

— Mas não se sentia assim. Do que adianta um papel quando não há nada envolvido em matéria de sentimento?

— Mas...

— Não existem“mas”, Hermione, o cara é um cavalo, um idiota. Eu sei que é meio um conceito universal que os homens sejam idiotas, em sua maioria, mas seu ex-marido é um completo porco.

— Eu sei...

— Você ainda o ama?

- Não. Eu acho que nunca amei.

Havia tensão em sua voz. Foi convicto, seguro, preciso.

Ele pareceu tirar alguns quilos dos ombros.

— Por que você disse que ele era pai do Joey?

— Estava tentando proteger meu filho, achei que assim ele não...

— Entendi... E o pai do Joey, ele...

— Rony... Não...

— Eu só queria saber...

— Eu não estou preparada para tanta coisa num só dia. Por favor... Por favor — Ele segurou o rosto dela e a virou para si. Sorriu. Não conseguia não sorrir quando a olhava. O que aquela mulher estava fazendo com ele?

— Tudo bem. Tá tudo bem.

— Obrigado.

Ele beijou-a na testa.

— Hermione...

— Hum...?

— Isso acabou.

— O que?

— As... As agressões, elas acabaram...

— Rony...

— Estou falando sério. Ele te... Tocou pela ultima vez. Na próxima, eu arranco as bolas dele.

Eles se beijaram.

Foi uma iniciativa mútua, quase harmônica, parecia até mesmo sincronizada. Os lábios já se encontraram sôfregos. Eles precisavam se sentir.

Ele deixou as mãos penetrarem nos cabelos encaracolados, ainda úmidos do banho e ela agarrou a camisa branca com as duas mãos. O beijo ganhou proporções maiores, bem maiores, agora era uma batalha de línguas, uma deliciosa guerra de posse. Sem muito jeito, ele a deitou e a cobriu com seu corpo. De repente o quarto parecia quente demais. Para ambos.

Ela puxou a camisa branca completamente sem jeito, bagunçando ainda mais os cabelos ruivos. Ele tirou-lhe a camiseta, ela já não estava usando nada por baixo.

As mãos ficaram frenéticas, ansiosas, os corpos mais quentes, a necessidade de se despir, foi tornando o ato desesperado. Eles começaram a se atacar até que não sobrou nada a ser tirado, só compartilhado.

— Me beija... Me beija Ron... — Ele a beijou, mordeu, sugou seu lábio inferior. Ela segurou em seu cabelo, apertou e gemeu — Entra em mim, entra?

Ele sentiu o sexo enrijecer até o limite, mas respirou fundo.

Estavam sozinhos e tinham a noite toda, por que não aproveitar?

— Ainda não... Ainda não... Ainda tenho, muito o que fazer... Muito o que saborear.

Então ele lhe atacou o pescoço.

Ele estava literalmente lambendo-a, propositalmente devagar. Ele fazia círculos molhados em pontos estratégicos do seu pescoço, pontos que ele passou a conhecer muito, muito bem.

As mãos corriam todo o corpo pequeno e esguio, mãos grandes e quentes. Mãos que faziam pequenos milagres reverberarem em suas células. Mãos que faziam um estrago em seu corpo. Ele escorreu os dedos pelo seu corpo... Um caminho com destino certo.

— Ron...

— Oi minha delicia...

— Vem… Vem para dentro de mim.

— Não. Me deixe tocá-la… Sua pele, é sua maior ferramenta sexual… O tato…É mais que apenas um sentido… Me deixe tocá-la e conhecer você… Saber o que gosta… O que não gosta…

— Ai…

— Gosta?

— Muito…

— As sensações variam em partes diferentes do corpo — Ele disse quando a tocou sobre a virilha — Consegue sentir a diferença?

— Sinto… Oh meu Deus, eu sinto, eu sinto…

Ele estava excitado, mas queria mais, queria muito mais, algo muito primitivo dentro dele gritava posse. Ele queria marca-la. Expurgar toda e qualquer lembrança ruim, ser o homem dela.

Em todos os sentidos.

Hermione era uma mulher incompleta. Um vulcão em potencial, forçado a se manter adormecido. De certa maneira, intocada. Não no corpo, mas sim no prazer. Ele a libertaria. De tudo. Seria ele. Ele se curvou e beijou seu joelho, fazendo um caminho perigoso, muito perigoso com a boca pela parte interna das suas coxas.

O gosto daquela mulher era viciante.

— Eu... Vou... Possuir você Hermione... No real sentido da coisa, eu vou... Possuir você inteira...

— Ron... Ah...

— Quando eu marcar você… Quando eu te deixar vermelha… — Ele disse aplicando pequenas mordidas em suas pernas — Você vai gritar, mas vai ser de prazer.

— Morde… Morde Rony, morde…

Era difícil, tão difícil manter o controle, quando ele podia simplesmente se afundar nela até que não sobrasse mais o que ejacular, mas havia um prazer masoquista em retardar o gozo, em enlouquecê-la. E ele queria mais, queria tanto mais.

Queria explorar mais daquele corpo lindo e quente.

— Eu quero... – A voz dele se abafava na carne dela, enquanto ele mesclava mordidas e beijos, bem próximos da sua virilha – Eu quero chupar você inteira... Inteira...

— Rooooooonnn....

Ele não esperou uma resposta, um pedido ou uma permissão. Ele simplesmente afundou a língua dentro dela, fazendo com o que era para ser um gemido baixo, se tornasse quase uma suplica.

— M-eu De-us... Rony eu vou gozar...

— Então goze... Adoro quando você perde a razão...

Ela respirou fundo, algumas vezes, como se lutasse por concentração. Ele estava se divertindo muito, apesar da enorme dor concentrada em seu pênis rígido, era delicioso enlouquecê-la. Perdido no prazer de contemplá-la, ele foi pego de surpresa quando ela o puxou, fazendo-o cair em cima dela e forçou-o para trás e invertendo as posições.

— Mione...

— Minha vez.

— Hermione...

— Eu também quero...

— Quer?

Ela riu de lado, um sorriso que ele raramente via, um sorriso que ela raramente deixava escapar. Ele sentiu seu membro envolvido pelas mãos finas e delicadas. Ela apertou de leve.

— Ai... — Ele gemeu.

— Quero... — Ela desceu com beijos pelo peito dele.

— O que?

O frenesi aumentava na região do baixo ventre.

— Te possuir... Te chupar...

Ele fechou os olhos e sorriu. Sentindo a língua dela traçar o mesmo caminho que antes ele fizera.

— Então... Ah... Cacete... então quer dizer que... Aquela Hermione certinha, quase casta que eu conheci… Sumiu?

Ela riu abafado com a boca colada abaixo do seu umbigo.

— Sumiu. Você acabou com ela.

Ele ia responder, mas o toque da língua envolvendo a sua glande transformou as palavras num gemido estrangulado de puro prazer. O que era aquilo? Ela andara engolindo um manual do sexo oral? Estava se tornando uma perita? A língua dela estava operando um milagre. Mais heroico ainda era o fato dele não ter cedido ao impulso de gozar...

A pressão em seu pênis era tão grande que causava dor.

— Ai Mione... Doi sabia?

— Doi? Onde Ron? Aqui?

Ela apertou em seguida lambeu.

— Ai caralho Mione, devaga,r devagar... Eu vou... Puta que pariu...

— Vai gozar Ron?

— Ai porra, vou...

— Na minha boca?

— Mione, puta merda...

— Você quer? Me diz?

Ele resfolegou antes de responder...

— Q-quero...

Ela soltou-o de repente.

— Se quiser, tem que ser aqui Ron... Dentro de mim.

Ele a segurou nos dois braços e tentou levantar, como quem fosse inverter as posições novamente, mas ela se forçou por cima dele, e o fez permanecer no lugar.

— Não vire...

— Eu te quero...

— Você me tem...

— Agora Mione...

— Agora...

Ela acomodou uma perna de cada lado do corpo dele de modo que seus sexos se tocavam, mas não se fundiam.

— A... caralho, que porra! – Ele disse irritado – A camisinha tá...

— Shh – Ela o tocou nos lábios – Está tudo bem...

— Como assim?

— Estou protegida.

— Está?

— Estou — Ela roçou nele e o viu fechar os olhos e morder os lábios...

— Mas e... Mas...

— Eu confio em você... Entra em mim Ron...

Ele segurou em sua cintura e a fez descer.

Devagar, centímetro a centímetro, rasgando-a. Delicioso demais para os dois. Era uma experiência única. Ele se sentia sufocado. Ela se sentia invadida. Era perfeito.

— Mova-se, mova-se Hermione, me mostre como quer... Me mostre seu ritmo.

— Ai… Ron…

— Não pára… Eu quero isso… Quero que comande… Quero que faça…

Estavam muito próximos do orgasmo, os dois... Mas estavam literalmente se deliciando um com o outro. Rony desceu as mãos pelos quadris dela, contornando suas nádegas, apertando-as, movimentando seus corpo. Ele desceu mais as mãos, acariciando o caminho entre as duas nadegas, invadindo-a num território nunca antes tocado. Hermione sentiu o corpo estremecer quando sentiu o dedo dele afundar numa região tão intimida quanto desconhecida.

Ela retesou.

— Apenas relaxe... Relaxe, eu não vou machucar você.

Ele afundou mais o dedo, ela sentiu o corpo formigar mais, mas não o impediu de continuar, na verdade, aquele ato estranho, lhe proporcionava prazer.

— É gostoso Mione? Sinta... Apenas me diga como se sente — Ele afundou mais o dedo, a medida que aumentou o ritmo da penetração.

— Ai... É... É gostoso.

— Consegue imaginar-me... Dentro de você... Desse jeito.

O dedo entrou mais fundo.

Ela não sentia exatamente dor, era uma espécie de incomodo que lhe proporcionava prazer. A voz dele ecoando em seu ouvido naquele tom, era puro afrodisíaco.

— Ron... Eu...

Ela aumentou o ritmo dos movimentos, e ele a seguiu, em ambos os lados.

— Consegue imagine-se embaixo de mim, de costas para mim – Quanto mais rápido ele falava, mais rápido ela se movia, mais rápido também eram os movimentos das penetrações dele – Minhas mãos... nos seus... Ah cacete... Nos seus seios... Meu dedo, afundado em sua vagina...

— Ai... Rooon, ai meu Deus... Eu vou...

— Eu quero tanto Hermione... Tanto...

A testa dele brilhava de suor, ela já não suportava mais segurar-se.

— Mais rápido... Mais rápido... Mais forte Rony, mais fundo...

E ele lhe deu o que ela queria, ele foi mais rápido, mais forte e muito, muito mais fundo.

Sentiu-a tremer, e seu pênis pulsou.

Ele segurou-a nos quadris, sentindo o gozo chegar forte, muito forte, então a soltou.

Era bom demais gozar dentro dela sem temer nada. Era quente, tão quente, tão apertado, tão maravilhosamente pecaminoso. Ele rugiu com os primeiros jatos de prazer enquanto a via se contorcer de prazer, de um ângulo completamente desfocado.

Ela afundou as unhas em sua carne, mas ele não sentiu. Ela arriou e o mordeu no ombro, mas não doeu.

A única certeza que ele tinha era de ter entrado nela com toda força, em ambos os lados e sentí-la pulsar... Em todos os lugares... E depois... Só a explosão do seu próprio prazer.

As lembranças eram meio incoerentes. Lembrava de sentí-la arriar ao seu lado e depois tudo ficou escuro.

O sono que o acometeu foi o sono do sexo, aquele que pesa quando se tem um bom orgasmo, que faz o corpo adormecer e os sentidos sumirem.

Mas o calor do corpo dela, e o cheiro... Foram as duas ultimas coisas que seu cérebro processou antes de cair num sono profundo e sem sonhos.

…

Eram três da manhã quando Hermione despertou com um choramingo baixo.

Ela saltou da cama. Era Joey.

O instinto de mãe a fez ter o timing perfeito para que o garoto não os pegasse em flagrante.

Rony a sentiu mover-se para sair da cama e a agarrou pela cintura.

— Onde você vai?

— Ron... — Ela sussurrou baixo.

— Não vai sair desta cama moça. Vai dormir aqui.

— Preciso ir no quarto ao lado. Joey está chorando.

Ele sentou alerta no segundo seguinte.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, não... Ele sempre tem pesadelos... Meu Deus preciso vestir alguma coisa – Ela tremeu com uma rajada de vento e então se deu conta de que estava chovendo lá fora.

— Está com frio? Tome, vista isto.

Ele estendeu um suéter de lã enorme.

Ela sorriu e vestiu. Quando levantou da cama ouviu um assobio.

— Fica sexy demais na minha camisa.

— Ela fica como um vestido em mim.

— Isso te deixa gostosa.

— Você é maluco.

— Eu sou fetichista.

Ela gargalhou.

— Eu já percebi.

Rony levantou e vestiu a calça e uma camisa de mangas longas azul escura.

— Quer que eu vá junto?

— Não precisa... Eu venho logo.

— Vou pegar um café.

— Ok. Eu não demoro.

Ela não demorou a conseguir fazer Joey voltar a dormir, voltou ao quarto e tomou o café que ele havia trazido.

Ficaram um tempo conversando sobre o dia, sobre tudo e sobre nada. Não viram o tempo passar, não sentiram o sono chegar, não perceberam que deitaram juntos, assumindo a posição típica de um casal que vive junto, não perceberam que foi uma sincronia tão perfeita que parecia normal.

Dormiram juntos… Sem nem ao menos sentir o sono chegar… Pela primeira vez.

…

Rony havia acordado com a disposição de Joseph.

Eles arrancaram-na, literalmente, da cama.

“Ir a praia”.

Hermione tentou lembrar da ultima vez que fez algo tão espontâneo, quando fora a ultima vez que simplesmente decidira fazer algo. Sem planos, sem organização.

Apenas levantar da cama e ir.

Joseph e Rony a acordaram com a ideia fixa de irem a praia, ela questionara no inicio a falta de preparo, mas diante de tanto entusiasmo foi impossível recusar.

Quando se deu conta, ela estava no carro e estava tão ou mais entusiasmada do que o próprio filho. Rony solicitara um dos motoristas de Harry, ele tinha levado cervejas e não queria arriscar dirigir depois de consumir álcool.

Foram os três no banco de trás do carro, fazendo uma farra “colegial” com uma filmadora.

— Sorria para a câmera gatinha.

— Pára com isso Rony!

— Vamos lá Hermione, só um registro. Manda um beijinho.

— Não…

— Vai morena.

— Não Rony…

— Só um?

Ela rolou os olhos e mandou um beijo timido.

— Satisfeito?

Eles só se deram conta das cenas que protagonizavam quando Joey gargalhou. Hermione se retraiu, vermelha de vergonha e Rony acompanhou o garoto no riso.

— Não ria Ron -Ela ralhou.

Só serviu para os dois rirem mais alto.

— Vocês estão namorando?

— NÃO!

— SIM!

Eles disseram ao mesmo tempo.

— A Mia disse que vocês parecem estar namorando.

— A Mia tá certa.

— Não! Ela não está!

Joe riu.

— Ahh vocês tão namorando, é tão sim.

Hermione estava pronta para retrucar, mas o carro parou e Joey gritou alto quando viu um grupo de surfistas passarem correndo ao lado do carro.

Rony abriu a porta e o menino saltou, festejando na areia.

Eles saíram do carro e Hermione o puxou pelo braço.

— Você está louco?

— O que foi? — Ele perguntou rindo.

— Você disse... Você...

— Relaxa Mione, foi brincadeira, ele esquece.

— Você não conhece o Joey, ele não esquece, nunca...

— E daí?

— Ele vai pensar que namoramos...

— E daí?

— Ronald.

— É até bom, eu posso fazer isso.

Então ele roubou um beijo rápido dela. Hermione sabia que não devia, mas riu.

— Seu louco.

Mas Joseph não estava olhando. Ele estava encantado demais com a movimentação da praia para ligar.

— Mãe! O Jeff vai me mostrar os barcos, deixa? Deixa mãe?

Ela riu.

— Não solte a mão do Jeff.

Ele assentiu e foi correndo até o motorista que o pegou no colo e seguiu em direção a um pequeno cais.

— Poderíamos nos divertir... — Ele disse aos sussurros no ouvido dela.

— Ron... — Ela tremeu com o arrepio que lhe percorreu a espinha.

— Tem um minuto de vantagem...

— Para que?

— Para correr e eu não te jogar no mar...

— O que?

— Cinquenta e sete...

— Rony...

— Cinquenta e seis...

— Não vou correr...

— Cinqueta e cinco

— Rony...

— Não vou dar mais tempo. Cinqueta...

— Droga! — Ela gargalhou e começou a correr pela areia como uma criança.

Eles não se preocuparam com as pessoas ao redor, desataram a correr.

Rony não demorou a alcançá-la, algumas passadas foram suficiente para que ele a pegasse.

— Agora sua vez de me pegar — Ele disse abraçado a ela.

— Não Vale Ronald! – Ela protestou – Eu nunca vou pegar você.


Ele deu de ombros rindo.

— Tente morena.

Ela tentou, mas ele era rápido demais. Afastaram-se muito de onde as pessoas estavam.

Rony rodeou uma pedra. Propositalmente.

Ela cansou de persegui-lo e parou uns minutos, sentou na pedra segurou no pé e começou a gritar.

— AHHH AI RON! RONY!

Não demorou para que os gritos surtissem o efeito esperado. Logo ele estava ao lado dela.

— Mione! O que foi? O que houve?

— Meu pé... Acho que machuquei meu pé.

Ele correu e ajoelhou perto dela, segurando o pé, tentando ver algum machucado.

— Ai Ron... Tá doendo... Olha, meu colar caiu.

Ela apontou um ponto brilhante na areia e ele foi olhar. De repente sentiu-se agarrado por trás.

— Peguei você. Agora é sua vez.

Então ela saiu correndo disparada pela beira do mar. Rony sorriu, raramente via Hermione tão leve, tão natural. Lhe deu alguns segundos de vantagem e correu atrás dela.

— Isso não vale Hermione!

A perseguição não fora tão fácil dessa vez como ele achava que seria e quando ele a alcançou desequilibrou-se e eles caíram na areia.

— Desajeitado.

Ele sorriu olhando diretamente para seus olhos.

— Você tem olhos lindos. Verdadeiros olhos de mel.

E sem aviso prévio a beijou. Um beijo que já começou intenso.

— Não… Rony… Aqui não…

— Por que não?

— Estamos na praia.

— E daí?

— Estamos… – Ele a calou com um novo beijo – Rony não podemos transar na praia…

— Quem disse?

— E... Eu... Mas e o Joey?

Ele alcançou bolso da bermuda e tirou o celular. Discou rapidamente sem mover um centímetro de cima dela.

— Jeff? Rony. Cadê o Joey? Ok. Olha só, Hermione e eu vamos demorar um pouco, nós viemos... Comprar protetor solar, você pode olhá-lo um pouco? Pode comprar o que ele quiser, ok? Otimo. Obrigado — Ele olhou para ela com uma das sobrancelhas arqueadas – Mais alguma reclamação senhorita?

Ela riu.

— Creio que há uma.

Ele estreitou os olhos.

— Qual?

— Você tá demorando para me beijar.

Delicioso e intenso sempre foi, mas a relação estava ganhando outras proporções. Eles sabiam. Ambos sabiam, mas nenhum dos dois queria admitir.

Era perigoso admitir.

Mas os sinais estavam claros como água. O ciúme existia, a saudade existia, eles se importavam. As coisas estavam ficando completamente fora dos limites impostos por eles mesmos.

Ele rasgou sua saída de praia. Estava enrolada em seu corpo de um jeito complicado e não saiu do corpo dela nas primeiras tentativas. Ele não teve muita paciência. Desenrolou os farrapos do seu corpo e puxou o laço da frente do biquíni, deixando despida da cintura para cima.

O primeiro ponto que ele atacou foi seu pescoço. Primeiro uma longa lambida em linha reta até a clavícula, depois pequenas mordidas e um chupão foram inevitáveis.

Estava ficando complicado, complicado demais. As sensações estavam se confundindo dentro dele. Não devia sentir aquela dor gostosa no peito. Aquele aperto que dá quando se beija a pessoa amada. A dor deveria se concentrar apenas nas regiões baixas e não passar dali. Não fazia parte dos seus planos se envolver, se viciar daquela maneira.

Ele não podia estar se apaixonando por Hermione Granger.

Era inacreditável, mas ela devia ter previsto que algo do tipo acabaria acontecendo.

Sabia que acabaria ligando-se a ele de alguma maneira, mas a falha no plano a assustava. A conexão crescia e aquilo a estava deixando em pânico.

Era inacreditável, melhor a cada dia… A cada novo beijo, a cada novo toque. Apenas o roçar da pele lhe causava espasmos internos. Ela se perguntava se aquilo teria um fim um dia e se tivesse, ela suportaria?

Ele desceu as mãos, seguindo até seu short, enfiando a enorme mão por dentro de maneira desajeitada. Ela sentiu os dedos dele tocando sua região mais sensível e tentou segurar em alguma coisa. Mas a areia lhe escapava entre os dedos. Era insuportavelmente excitante a ideia de que estavam quase transando em um lugar publico.

-Desde quando tinha esses desejos? — Ela pensou, ao passo que ele se preocupava em não deixar o corpo dela à mostra.

Não conseguia conceber a ideia de outro homem contemplando aquele corpo que o enlouquecia.

-E desde quando se preocupava com isso? — Ele pensou. Mas não adiantava buscar respostas, não adiantava, questionar sobre o tempo não mudava o fato de que ele se importava.

- Mione...

— Hum... — Ela gemeu enquanto sentia os dedos dele rodearem seus mamilos nus, deixando-os eretos.

— Vem para água...

— Não! Não, Ron, não se move, não sai... Vem cá — Ela o prendeu com as pernas, cruzando-as na altura dos seus quadris.

— Acredite, não desejo me mover, não para longe — Ela tinha os braços cruzados em seu pescoço e as pernas em sua cintura, ele aproveitou a posição e com um único impulso ergueu-se trazendo-a nos braços em direção a agua — Mas não vou permitir que te vejam.

Ele afundou com ela ainda atracada em seu corpo, até que a agua os cobrisse na altura dos ombros dela. Depois a beijou desenfreadamente.

— Tô com muito... Muito tesão...

Ela riu e ondulou de encontro ao pênis duro dele.

— Acho que percebo... E gosto muito disso...

— Acho... Estamos... Indo... Longe... Mas... Quero Mione... Quero você agora.

— Aqui?

— É... Preciso...

— Vem? Vem... Vem cá... faz...

Foi devagar, bem devagar... Ele sequer tirou a própria bermuda, só a dela.

Segurou as pernas ao redor de si e a penetrou lentamente. Ela o mordeu no ombro... Era absurdamente gostoso senti-lo entrar. Principalmente quando ele o fazia devagar, quando ela podia sentir cada centímetro do membro rijo empalar seu próprio sexo.

Era viciante a maneira como tudo nele atingia potenciais orgásticos, como ela pulsava ao redor dele. Para Rony a sensação era sempre de primeira vez. Aquela mulher parecia uma virgem em determinados momentos.

Tão quente, tão estreita, tão deliciosa.

— Aii meu Deus, que gostoso!

- Meu Deus Rony estamos fazendo… Isso dentro da agua.

— Já sei, já sei, você vai dizer que é loucura.

— Na verdade eu ia dizer sim… Ia dizer também que é uma das loucuras mais gostosas que já fiz — Ele apertou sua nádegas trazendo-a mais para perto, mais para fundo.

— Mais forte... — Ela sussurrou em seu ouvido e fechou as mãos nos cabelos ruivos molhados puxando-os um pouco para trás – Meu Deus você me deixa louca...

— Gostosa... Muito gostosa... — Ele devolveu na mesma altura e intensidade de voz – Você é a mais gostosa de todas as mulheres...

— Você... É o melhor... Ai Ron... — Ele chocou o corpo contra o dela de novo...

— Porra Mione... Vou gozar.

Ela apertou as pernas ao redor dele.

— Goze... Quero sentir... Quero... Ai... Meu... Deus...

Ela sentiu os tremores começarem em pequenos pontos pulsantes do seu corpo. As pernas formigaram como câimbras e ate seu ventre concentrou todo o tesão e explodiu... Explodiu no mesmo instante em que ele liberou seu gozo quente dentro dela com um gemido gutural e prolongado em seu ouvido.

— Delicia... Puta que... Pariu... Mione... Delícia... — Ela não conseguiu formar frases coerentes. Apenas se chocar cada vez mais rápido contra o corpo dele, tentando apaziguar aquela sensação deliciosa e atormentadora dentro de si. Ele esperou até que os movimentos dela cessassem e a respiração voltasse ao normal.

— Mione...

— Hum...

— Consegue ficar de pé?

— Não...

Ele riu.

— Faz um esforço...

— Por quê? — Ela perguntou com a voz manhosa.

— Por que eu tenho que pegar suas roupas para você sair da agua.

Ela se aconchegou mais aos braços dele.

— NãO. Me leva junto...

— Nem pensar! Não ouse sair do mar deste jeito!

Ela riu. Mais alto do que gostaria.

Era gostoso ver Rony com ciúme.

— Não tem ninguém...

— Não! Pode aparecer alguém! Não saia. Eu volto num instante, fique coberta pela água.

Ele a colocou em segurança até que seus pés tocassem a areia.

— Autoritário você não é?

— Não... Não é bem assim, só estou... Tentando... Bem... Eu só... Eu volto logo.

Ele saiu de perto dela desconcertado, buscando as roupas deixadas pelo caminho, imaginando exatamente por que acabara de pagar o maior mico do mundo.

Enquanto ele pegava as peças espalhadas, Hermione ficou lhe observando.

O que aquele homem estava fazendo com ela era inacreditável. Já tinha há muito ultrapassado todas as barreiras morais que conhecia, e surpreendentemente estava pouco se importando com isto. Seu corpo já tinha se moldado ao dele, era como se qualquer experiência sexual anterior tivesse sido de outra vida. Era como se ele tivesse sido seu único homem.

Observou onde estavam.

Uma praia.

Uma praia publica. Mas isso não foi suficiente para deter o desejo entre eles. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, misturada a agua do mar, despercebida...

Ela estava se apaixonando por ele.

E o sol, a água, as pedras…Foram as unicas testemunhas daquele que foi o primeiro ato de amor consciente dos dois.

Rony ainda sentia o coração acelerado, e não tinha nada haver com o recente orgasmo. As pulsações já tinham se acalmado, apenas seu peito martelava de forma intensa.

O que estava fazendo? Estava louco em deixar-se enredar de novo naquele jogo? Não fazia parte do plano se envolver além do físico. E por que agora ele estava agindo como um marido ciumento e um pai preocupado? Por que raios ele estava se comportando como um pai de família? Ele sabia que aquela poderia ser a maior merda que fizera em sua vida, mas era tarde demais para ignorar o que estava sentindo.

Estava apaixonado por ela.

Eles namoraram mais alguns minutos na agua, enquanto vestiam as roupas adequadamente. Hermione fez o que pôde para que a saída de praia não parecesse o trapo que Rony deixou, mas ela não estava realmente se importando com o estado da roupa. Não quando as consequências do estrago tinham sido tão maravilhosas.

Eles voltaram para a parte “povoada” da praia e não tiveram grandes dificuldades de encontrar Joey. Ele estava parado de frente para a água, com os olhos vidrados, como se pedissem sem palavras para experimentar aquilo. Havia um garotinho perto dele e eles conversavam algo que de longe parecia ser o assunto mais interessante do mundo.

Rony foi o primeiro a alcança-los.

Ele pegou Joey no colo e jogou para cima, de surpresa. O menino deu um grito de susto, mas caiu em seus braços gargalhando.

— Oi Joe.

— Oi Ron... Dan... Este é o Ron.

O garotinho sorriu para ele.

— É seu pai?

Joe deu de ombros.

— Ainda não. Mas eu escolhi ele para ser meu pai, não foi Rony? Ai pode ser que ele vire um dia.

— E pode escolher? — O menino pareceu espantado.

— Quem não tem pai como eu, pode, não é Ron?

Rony apenas riu, abaixou-se até ficar na altura de Joey e lhe disse algo no ouvido que o fez sorrir. Hermione chegou perto deles e quase esqueceu que estavam em publico.

Sentiu uma vontade muito intensa de abraça-lo por trás e quase o fez. Mas a voz de Joe a tirou do devaneio bem à tempo.

— E esta é minha mãe, Dan — Hermione sorriu meio desconcertada enquanto o garotinho lhe acenava – Ela e o Rony vão namorar quando ela parar de dizer que não. Ai ele vai ser meu pai.

Hermione estreitou os olhos para o ruivo ao seu lado, dizendo-lhe com os olhos que sabia de onde partira aquele pensamento.

- Quem quer mergulhar? — Rony perguntou sorrindo, antes que Joey piorasse, mesmo que inconscientemente, sua situação.

Os garotos gritaram eufóricos.

— Não! – Hermione disse apressada – Nada disso Joseph, você não sabe nadar.

— Mas mãe.... — O menino chiou.

— AH vai Hermione! Vamos com eles, Joey fica no meu braço. Não viemos só para olhar.

Ela olhou-o de lado.

— Certo, mas quando sairmos, eles vem junto. Nada de ficar mais um pouquinho, combinado?

Os meninos assentiram. Então Rony pegou a mão de Joey e exclamou de repente:

— O ultimo a entrar no mar come lesma cozida!

Aquela era provavelmente a brincadeira mais velha e boba que as crianças faziam, mas funcionava. Funcionou naquele momento.

De repente eles estavam todos correndo em direção ao mar.

Eles passaram o dia na praia. Pareciam estar numa dimensão à parte, onde não existiam problemas, nem regras, apenas eles. A rotina que se seguiu, que para a maioria das pessoas, pareceria maçante e irritante, os envolveu completamente.

Eles voltaram para casa, Hermione preparou o jantar pessoalmente enquanto Rony e Joey se aprontavam.

Rony ajudou o garoto a escolher as roupas, depois ajudou Hermione a lavar a louça.
Eles arrumaram colchões no chão e ficaram vendo TV, até Joey dormir.

Depois Rony o levou para a cama enquanto Hermione se vestia para dormir — o que não adiantou muito.

Depois eles fizeram amor até que seus corpos não aguentassem mais o cansaço, e dormiram juntos, abraçados, aninhados... Como tem que ser com os amantes... Mas não qualquer tipo de amante... Como amantes destinados...

"Existe somente um momento para ser feliz. Esse momento é o presente, e tem duração do instante que passa.
desconhecido".

Autor desconhecido