Intimidade

17 A Viagem Surpresa III


"Um dos maiores prazeres da vida consiste em fazer o que os outros lhe dizem que você não pode"
(Walter Bagehot)

Era muito difícil acreditar que a manhã havia chegado... Não por ser manhã, mas sim por ser domingo. Por que ser a ultima manhã daquele momento que ela queria eternizar.

Não conseguia entender como se deixou enredar naquilo, mas não podia mais se imaginar vivendo de outra maneira. Dois dias... Dois dias e ela já estava completamente ligada aquela rotina. Acordar com ele... Cozinhar para ele... Conversar com ele no fim da tarde, vê-lo com Joey... Vê-lo com Joey talvez tenha sido a parte mais perigosa de todas. Ele era naturalmente paternal e aquilo era tão bonito, tão bonito que doía.

Ela virou de lado e contemplou o corpo parcialmente descoberto do homem que estava enlouquecendo sua vida. Para o bem e para o mal.

Sentiu uma ponta na região intima e sorriu. Ele era mesmo perturbadoramente bonito. Tão bonito que poderia colocar qualquer mulher aos seus pés. Mas não era só a beleza externa. Rony tinha algo que emanava e encantava, era difícil de descrever.
A única coisa que conseguia dizer com clareza era que estar ao lado dele já não era mais uma questão de vontade, era uma questão de necessidade.

Ela o tocou. Tudo estava acabando tão depressa. Ela queria aproveitar cada segundo daquele momento.

Ele respirou fundo e se moveu ao ser tocado. Ela não tinha prestado atenção se o sono dele era leve ou pesado. Estivera em seu limite durante todo o fim de semana. Apagara todas as vezes que fora dormir, mas ao que parecia, ele tinha o sono leve. Bastaram pequenos toques para que ele despertasse.

— Bom dia olhos de mel.

Ela se arrepiou e sorriu. Aquela sensação estava se tornando um hábito gostoso.

— Por que você me chama de olhos de mel?

— Por que se você olhar um vidro de mel contra a luz do sol, vai notar que ele tem tons únicos de chocolate amendoados, tons que não vai encontrar em nenhum outro lugar, assim como seus olhos, quando a luz reflete neles — Ela sorriu desconcertada.

— Não precisa me enrolar Ron... Já estamos na cama... — Ele gargalhou.

— É verdade... Eu já enrolei você...

— Com certeza já... — Ela tocou os lábios dele devagar...

— Joey... Já acordou?

— Ainda não... Por que? -Por um momento ele pareceu sem graça.

-Ah... Por nada específico... Só... Para saber...

Ela riu mais alto.

— Não minta para mim Rony... Suas bochechas ficam vermelhas quando você mente.

Ele abriu e fechou a boca no mesmo instante, e sorriu. Trouxe-a mais para cima de si, de modo que os corpos se encaixaram...

— Que bom que você sabe das minhas más intenções... Ele vai acordar logo?

— Acho que temos meia hora ainda...

— Meia hora é muito bom.

— É?

— Humhum... Muito, muito bom...

Ele beijou seu pescoço e virou com ela na enorme cama de plataforma, no estilo lacado. Havia espaço suficiente para brincarem sobre ela. Ele a encarou, por alguns segundos, tempo suficiente para constatar o quanto ela era linda, mesmo tendo acabado de acordar. Depois sem aviso, atacou-lhe a boca de maneira faminta. Sim, o tesão já despertara aquela hora da manhã.

Ele a beijou, não era lento, nem depressa. Foi um meio termo, combinado com leves mordidas e respirações entrecortadas. Mas ele deixou que tudo se resumisse ao beijo. As vezes, beijos na boca eram as únicas preliminares necessárias.

Deixou que os lábios se marcassem, sem machucar, que as línguas se encontrassem, que em alguns momentos elas se amassem e em outros se atacassem numa luta constante e deliciosa, onde o que menos importava era quem ia ganhar.

Ela curvou as pernas e o sentiu penetrar... Rápido demais? Não para ela... Seu corpo já ardia, há muito, muito tempo, desde que estava simplesmente olhando para ele.

E ele entrou devagar. Muito devagar para um corpo já desesperado, faminto, pronto, excitado, mas aquele era o jogo dele, e ele o faria até o final. Ela sabia que naquele jogo, não venceria, e também sabia que perder seria delicioso.


Ele encostou a boca em seu ouvido e sussurrou baixo.

— Sexo de manhã… Definitivamente o melhor jeito para acordar...

— Ai...

Ele a penetrou de novo, com a mesma calma de antes. Ela podia sentí-lo, podia sentir cada centímetro dele empalando-a. Ela cruzou os pés em sua cintura e o forçou para baixo, como resposta. Tê-lo dentro de si era pecaminosamente delicioso, ainda que não fosse com a fome e a selvageria que ela desejava.

Era gostoso de qualquer jeito.

Ele entrou e saiu dela, com calma, mais uma, mais duas... Mais três vezes. Era uma tortura. Que durasse para sempre...

As investidas eram lentas, firmes, rítmicas... Suficientes para levá-la a um bom orgasmo. E ela estaria satisfeita, mas com Rony nada podia ser bom, tinha que ser melhor. Quando conhecera Hermione, transara com ela sem sequer saber seu nome, mas pôde identificar cada traço de pudor e recato mesmo conseguindo despí-la de falso moralismo.

Ao reencontrá-la, apenas confirmara o que supunha. Era uma mulher tímida, mas que se perdia no prazer.

Agora que sabia de sua historia, entendia mais ainda por que ela se abandonava tanto ao desejo que ele lhe provocava. Saber daquilo só aumentara sua fome dela. Era como se apesar do seu passado ela fosse uma menina virgem. De certa forma era. Virgem de sensações, e ele, era seu iniciador.

Era bom senti-la à sua mercê, era bom saber que poderia fazer dela o que bem quisesse, e como que para provar sua própria teoria ele parou os movimentos e saiu calmamente de dentro dela, quase gargalhando da expressão de terror que ela fez.

— Rony...

Ele apenas sorriu.

— Rony!

Desta vez foi mais forte, mas a resposta para ela foi um puxão, um puxão surpresa que a fez levantar completamente em seu colo. Com uma agilidade só dele, Rony inverteu as posições, colocando-a em cima de si e deslizou o dedo em suas costas.

— Sh... Para que a pressa?

— Você não pode... Não pode parar simplesmente e...

— Posso... Posso sim... E você vai gostar...

— Vou gostar mais se você me... Ela parou de repente e respirou fundo. Ele riu... Riu por que sabia que ela iria soltar a língua, falar algo que se arrependeria depois... Ah Hermione, sempre tão controlada.

— Se eu?

Ela se debateu como uma criança mimada e ele lhe segurou a cintura com as duas mãos.

— Rony... Por favor...

— Já vamos apressadinha, já vamos, apenas faça no meu tempo — Ele falava devagar, com pausas prolongadas, o que significava que estava se controlando a duras penas. Conseguir se controlar, principalmente numa transa como aquelas, era um mérito fortíssimo, é assim para qualquer homem. Ter a consciência de que tem a capacidade de prolongar o prazer de sua mulher funciona como estímulo sexual.

Ele a guiou pela cintura, com as mãos, encaixando-a em si perfeitamente, fazendo-a deslizar e conduzir seu prazer. Veria do que Hermione era capaz, estando completamente no controle. Ela deslizou por ele, tragando-o para dentro de si. Gostoso, quente...

Quando ele soltou sua cintura e segurou seus seios, o caminho estava livre, o ritmo mudou por completo. Agora, era ela quem mandava, e quem comandava.

Os lençóis já estava no chão, ninguém lembrava mais do mundo lá fora, a vida se resumia a aquele momento e ao desejo que os consumia. Hermione aumentou o ritmo da transa na primeira investida e colou a boca na dele, tanto para evitar ver o sorriso vitorioso em seu rosto, quando para evitar os gemidos altos que teimavam em sair.

Se ele a queria excitada, vencera. Ela martelava, por dentro, pulsar era um eufemismo.

Ela perdeu o controle do corpo. O que era aquilo dentro dela? E aquela vontade de mover-se mais e mais rápido, e por que doía tanto? Por que era gostoso mesmo assim?

Independente das respostas, ela não conseguia parar. Só conseguia obedecer ao estímulo de aumentar mais e mais a velocidade, tentar aliviar aquela dor no meio das pernas, a pressão no ventre e o calor do corpo. Rony sentiu um aperto no baixo ventre e seu sexo retesou, latejou... Era o prenuncio do gozo... Mas não qualquer gozo, com Hermione nada era menos que um orgasmo arrebatador. Ele prendeu as pernas na cama e sentiu-a apertar sua cintura com as dela.

— Ai Rony... — Ela deitou mais o corpo, aumentando a fricção dos sexos e ele a segurou no rosto, impedindo que o beijo se quebrasse.

— Hum... Hum...

Ela tremeu... O orgasmo chegou... Exatamente quando sentiu o liquido quente em jatos fortes de Rony dentro dela. Não sabia exatamente por que, mas sentia um tesão instantâneo com o gozo dele. Aquele calor, saber que era produto dos atos deles juntos, saber que ela era a responsável por aquele desejo, era... Excitante.

Ela soltou-lhe a boca num gesto automático, fechou os olhos mordeu o lábio e gemeu abafado enquanto seu corpo se contorcia e pulsava esfregando-se a ele.

Por segundos... Minutos...

Em seguida ela arriou exausta... E satisfeita.

Ele rolou ficando lado a lado com ela e sorriu, dando beijos leves em seu rosto.

— Não pode dormir morena. Não esqueça do Joey...

— Joey... É… AH MEU DEUS O JOEY! — Ela levantou de um salto, tão de repente que tonteou.

— Hermione!

Ele levantou rápido e a segurou na mão.

— Tá tudo bem... Eu acho que... Levantei rápido demais...

— Tudo bem?

— Está tudo bem... Quer dizer... Não! Não está tudo bem, eu esqueci meu filho! — Ele gargalhou — Não tem graça Ronald!

— Olha tem graça sim... Parei — Ele levantou as mãos em rendição.

— Será que ele acordou?

— Acho que não... Ele teria entrado, ou batido...

— Droga! Preciso me vestir.

- Vamos.

Ela pegou as peças que haviam sido descartadas no chão na noite anterior e rumou para o banheiro às pressas. Rony riu escondido, não queria que ela visse o quanto ele se divertia com a sua situação, pelo menos não por hora. Era até um perigo.

Ela não demorou e passou correndo por ele em direção à saída, resmungando algo sobre “preparar o café”, às vezes ele não conseguia decidir se ela esquecia ou ignorava a presença de Angel.

Para lhe dar mais tempo, tanto de fazer o que necessitava quanto de se calmar, ele demorou no banho, tanto quanto demorou para se vestir. Passou no quarto contíguo e viu que Joey ainda dormia. Devia estar muito exausto do dia anterior. Ir à praia pela primeira vez podia ser bastante exaustivo, principalmente se passasse o dia inteiro exposto ao sol.

Olhou o garoto por uns minutos. Gostava dele. Genuinamente gostava dele, independente de quem fosse filho. Sabia por ouvir de conversas alheias que poucos homens conseguiam se afeiçoar a crianças de outros homens, quando se relacionava com a mãe deles, mas Rony não conseguia atribuir Joey a um pai. A um homem qualquer, era quase comO se o menino tivesse sido uma produção independente. Ele ficava muito confortável pensando desta maneira.

Além disso, era humanamente impossível não gostar do garoto. O menino era inteligentíssimo, espontâneo... É... Ele gostava muito daquele moleque. Joey era o tipo de criança que fazia um homem sentir vontade de ser pai.

Tomou uma ducha longa. Riu ao lembrar do projeto ainda intocado na mala. Precisava apresenta-lo no dia seguinte, não havia feito absolutamente nada, mas com a disposição e inspiração que estava naquele exato momento o acabaria em duas ou três horas. Tinha certeza que Hermione também precisava trabalhar em seu projeto. Conversaria com ela no café e combinaria para que trabalhassem nos projetos à tarde... Em cômodos separados... Senão realmente não fariam nada.

Ele riu de novo, em frente ao espelho enquanto se trocava. Há quanto tempo não tinha um fim de semana como aquele? Há quanto tempo não se sentia tão leve, tão entusiasmado? Por que não dizer, tão feliz?

Seria impossível vestir aquela camisa sem lembrar de Hermione. Não depois que já a tinha visto dentro daquela camisa... E só com ela.

Resolveu deixar aqueles pensamentos libidinosos de lado por uns instantes e acordar Joseph. Ele não era tarado ao ponto de viajar em devaneios sexuais com uma mulher enquanto encarava o filho dela. Nenhum homem seria capaz de uma estupidez dessas...

Ok, talvez Harry fosse capas, mas... Ali o caso era outro.

Até mesmo por que aquele menino o olhava como se pudesse ler seus pensamentos.
Ele sentou devagar ao lado do garoto. Se não fossem os cabelos ele pareceria muito com seu irmão Gui. Até no jeito de dormir. Relaxado, com os braços jogados e a boca levemente aberta. Se não fossem os cabelos castanhos ele seria muito parecido com um Weasley. Se bem que para ser parecido com um Weasley bastava que tivesse cabelos ruivos.

Rony o balançou levemente, recebendo em resposta um chiado, misturado com uma respiração profunda e um muxoxo. Ele tentou mais algumas vezes até conseguir que o menino abrisse um pouco os olhos.

— Bom dia cara... Já passa das dez.

O menino levou algum tempo para processar a informação, mas de repente sentou na cama, alerta.

— A escola! Caramba Rony... A escola!

— Fica frio garotão, ainda é domingo — Ele sentiu os ombros tensos do menino relaxarem no mesmo instante – Ela é general demais com você, não é?

O garoto apenas riu.

— Essa cama é muito massa! – Ele disse parecendo genuinamente feliz.

— Eu também achei campeão. O que você acha de um banho rápido e uma corrida até o café da manhã?

— Quem ganhar leva o que?

— Hum bom negociador, hein? Quem ganhar escolhe o sabor do sorvete mais tarde.

— Falou — Eles apertaram as mãos.

— Vamos para o banheiro.

— Você vai me dar banho? – Ele falou com uma sobrancelha arqueada.

— Vou. E vai ser divertido, vem comigo.

…

Eles desceram às carreiras para a mesa do café, Hermione se assustou ao ver Joseph passar gritando e correndo por ela como um furacão.

— GANHEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!! O SORVETE É DE BRIGADEIROOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!

Rony vinha em seguida com um sorriso enorme.

— Que farra é essa garotos?

— Rony vai comer lesma cozida mamãe! – Ele disse com o rosto afogueado pela corrida e brilhante pela felicidade.

— ECA! – Ela fez careta.

— Assuma Hermione. Este menino é filho do The Flash.

Ela lhe deu língua.

— Você que deve tá ficando velho Ron – Ela disse e Joey gargalhou.

— NUSS RONY MAMÃE FEZ PANQUECA!! — Ele disse e já se preparava para atacar a que estava em cima, se apoiando na cadeira quando Hermione o segurou pelo braço.

— Nada disso garoto. Pode ir lavar as mãos.

— Mas mãe acabei de tomar banho.

— Mas ainda assim precisa lavar as mãos Joey. Rony te deu banho?


— Foi sim. Tô limpinho.

— Não duvido disso – Ela disse sorrindo – Mas por precaução lave as mãos duas vezes.

Rony estreitou os olhos e o menino gargalhou antes de sair correndo.
Ela se virou para continuar o que estava fazendo e sentiu as mãos dele agarrem-na pela cintura.

- Onde você vai?

— Fazer nosso café da manhã Ron.

— Não… Não, vem cá, tem coisa melhor para fazer.

Ele a beijou e ela se perdeu por alguns segundos, mas afastou-se em seguida.

— Rony... O Joey...

— Eu sei só um beijinho.

E a beijou de novo, mais forte desta vez. Ela separou-se dele como um gato ao ouvir os
passos pesados do menino correndo de volta.

— POSSO COMER DUAS MÃE?

...

O café da manhã foi agitado. Hermione tinha consciência de que o sonho estava acabando e queria aproveitá-lo ao máximo.

Eles combinaram durante a refeição que tirariam pelo menos duas horas para elaborarem seus projetos. Lupin não ia engolir desculpas de ambos, eles precisavam trabalhar. Acertaram de fechar o dia com um passeio à cavalo enquanto Joey faria um passeio com um professor de montaria.

Cumpriram a risca o tempo que determinaram para o trabalho e depois saíram para o passeio juntos. O dia estava claro, limpo, nenhuma nuvem no céu. Sol já ameno. Propício para um passeio.

Eles caminharam de mãos dadas até a baia onde já tinham cavalos selados.

Rony estava excitado. E isso estava quase representando um problema para ele, por que se agora estava ficando deste jeito, com apenas algumas horas separados como passaria uma semana inteira sem ela quando voltassem para a rotina deles?

Tentou afastar os questionamentos da cabeça, não era hora para pensar em coisas ruins, iriam aproveitar o máximo possível o tempo que tinham juntos sem restrições e depois ele pensaria num jeito de burlar as regras, até mesmo por que ele sabia que ela também não aguentaria mais passar uma semana inteira em abstinência. Ele cuidara direitinho para acostumá-la mal.

Conseguiu afastar parte dos pensamentos ruins, mas a excitação ficou.

Não havia uma razão concreta para ele estar com tesão naquele minuto. Eles passavam pelo meio de um pasto, completamente vestidos — até demais para o gosto dele — debaixo de um sol escaldante, com cheiros naturais fortes demais. Nada que pudesse constituir um clima de sedução.

Certo que Hermione estava linda naquelas roupas personalizadas... A calça justa denotavam suas formas. Rony era um homem que gostava de mulheres com formas, com acentuações femininas. Ele se deixou atrasar um pouco com a desculpa de ajeitar algo nas botas apenas para visualizar melhor a maneira como a calça delineava seu quadril.

Sorriu.

Nem mesmo o sol escaldante e o cheiro de estrume podiam fazê-lo esquecer o quanto aquela mulher era gostosa, nem por um minuto. Seu pensamento reverberou em seu corpo. O sexo dele reagiu. Ele respirou fundo e tentou não agir como um daqueles cavalos, como se nada mais importasse quando o assunto era tesão.

Deu mais uma conferida antes de apressar o passo e unir-se a ela. Eles andaram os metros finais que faltavam até o pequeno estábulo onde estavam os dois cavalos selados à espera.

Hermione entrou na frente e ele em seguida. Quando passou alguns centímetros da velha porta, ouviu um barulho, uma batida, virou-se e se viu agarrado pelo colarinho da camisa. Sequer teve tempo de reagir ou identificar o que estava acontecendo. Sentiu os lábios de Hermione pressionados de maneira possessiva sobre os dele, enquanto ela o empurrava para trás.

— Hermione... — Ele gemeu abafado em meio ao beijo, mas ela não pareceu se importar.

— Por Deus! Eu não aguentava mais esperar.

Bateu com ele numa velha mesa de madeira mal cortada e o virou, sentando no móvel e puxando-o para si. Definitivamente ele estava surpreso e se seu sexo estava dando sinais de vida antes agora ele estava completamente desperto. Ela o puxou mais para perto e eles se beijaram quase que com desespero. As mãos se confundiam sobre onde realmente queria estar.

Aquela mulher era uma caixinha de surpresas.

— Os cavalos… — Ele disse.

— Que tem os cavalos?

— Não iamos… Cavalgar…

— A idéia é essa… Vem aqui garanhão.

Não era um caso à ser discutido, era um caso à ser obedecido e ele o fez.

No instante seguinte a confusão de mãos era ainda maior. O beijo ficou mais intenso e mais ardente, as bocas não se descolavam de jeito nenhum. Apenas quando a necessidade de menos roupas se fez forte demais para ser ignorada foi que eles se afastaram um pouco. E ai a pressa se tornou maior.

Ela lhe arrancou a camisa e cinto, abriu sua calça com tanta força que o botão de cima arrebentou.

Já ele, lhe despiu do colete e do suéter, depois arriou sua camisa pelos ombros, deixando-a embolada na cintura. Apenas na hora de lhe tirar a calça ele foi mais meticuloso.

Hermione o observou com curiosidade enquanto ele arrancava-lhe as botas e a calça junto com a calcinha, e em seguida lhe devolvia as botas aos pés. Ao ver seu olhar interrogativo quando subiu o fecho da segunda bota, ele sorriu com um ar cafajeste.

— Fica sexy... É um fetiche.

Ela sorriu de volta e o resto deixou de interessar. As bocas tornaram a se unir. Hermione o prendeu com as pernas e aproximou seus corpos. A ausência de roupas tornava tudo mais intenso, mas eles ainda não havia conseguido encaixar uma posição satisfatória o suficiente.

Rony olhou ao redor quase desesperado, como se fosse encontrar uma cama a disposição, mas tudo o que achou foi sacas enormes de sementes e montes de fenos e folhas secas. Sabia que depois, até mesmo pelo bom senso, lhe pediria desculpas, mas naquele momento não havia o que pensar. Pegou-a no colo e levou-a para o lugar que julgou mais confortável, um embolado de feno e folhas.

Hermione chiou um silvo alto e agudo, pois assim que ele a colocou, sem muita delicadeza no chão, abriu-lhe as pernas e a penetrou sem demora. Foi tudo muito rápido, meio desajeitado, mas não menos gostoso por causa disso. Ele serpenteou desordenado sobre seu corpo, enquanto os sexos se encaixavam perfeitamente. Então raspou-lhe a barriga com os dentes e subiu até os seios.

Ela arqueou e gemeu mais alto. Buscou algo para descontar a dor que o tesão lhe causava, mas ali não haviam lençóis, então os cabelos dele lhe serviram de consolo.

— Hermione... Eu vou gozar... — Ela sentiu o ventre revirar, a ardência aumentou, a dor também. Ela precisava de mais.

— Me fode Ronald! Me... Deixa sentir... Me dei... Xa... Ahhhh... Ron... — Ele não suportou muito mais curvou-se mais sobre ela beijou-a e gozou.

Ele se largou sobre seu corpo, sem sair dela, sem conseguir nem se colocar numa posição confortável. Estava suado, muito suado, ofegante, pálido como se tivesse sido tragado todo o seu sangue e imensamente satisfeito.
Hermione o abraçou quando o formigamento do corpo cedeu.

— Uau! Ron!

— Uau! Mione!

Eles riram juntos.

— Precisamos ir Rony... Tínhamos um... Nossa... Não vou conseguir.

— Esqueça os cavalos... Quando eu conseguir me mover, vou carregá-la de volta para o quarto e vou te ensinar a montar direitinho.

Ela gargalhou.

— Seu pervertido!

Ele a beijou em resposta. E o mundo ficou de novo em segundo plano, como sempre acontecia...

“O desejo para fazer, a alma para ousar”.
Walter Scott