As construções metálicas esculpidas em pedras do século XVII que circundam todo o castelo do internato conferem-lhe uma aparência estranhamente moderna, apesar de sua fundação ter aproximadamente quatrocentos anos. Entre muros antigos e estruturas contemporâneas, ergue-se o internato Valenhall, envolto por lendas, silêncio e controvérsias.

Muito se discute sobre o mito criado em torno de sua origem. Alguns historiadores acreditam que o local de sua construção foi palco da maior atrocidade já presenciada pelo planeta Terra. Homens e mulheres acusados de praticar bruxaria teriam sido condenados e mortos ali, e há quem diga que suas almas jamais deixaram aquelas terras.

Durante uma antiga guerra entre bruxos, uma figura em especial canalizou um poder que ultrapassava qualquer limite conhecido. Incapaz de controlá-lo, acabou causando a morte de inúmeros inocentes. Um grupo de caçadores foi enviado para cessar sua magia, mas antes que pudessem alcançá-la, foram consumidos por sua energia. Sozinha, tomada por um poder que não compreendia, a bruxa encontrou ali o seu fim.

Desde então, muitos afirmam que sua presença ainda percorre os corredores do internato.

Outros acreditam em uma versão diferente da história: dizem que aquelas terras norueguesas foram palco de uma guerra entre deuses nórdicos, e que o solo permanece marcado por esse conflito divino. Verdade ou não, o que todos concordam é que Valenhall se tornou uma referência absoluta em educação, servindo de modelo para inúmeros internatos ao redor do mundo.

Desde sua fundação, mortes estranhas e inexplicáveis vêm ocorrendo. Ninguém, em quatrocentos anos, jamais descobriu quem é o responsável ou o motivo por trás desses acontecimentos. A única pista deixada é sempre a mesma: o mesmo tipo de morte e o mesmo pentagrama marcado junto às vítimas — a assinatura de um assassino que jamais foi identificado.

Ainda assim, Valenhall continua sendo o internato mais cobiçado da Europa — e talvez do mundo.

O internato é gigantesco, com salas amplas e uma estrutura impecável, projetada para acolher seus alunos com excelência. Todos os anos, vagas são abertas para bolsistas, permitindo que estudantes fora da elite frequentem o local até sua formação.

Há cem anos, porém, o internato foi consumido por um incêndio causado por brincadeiras imprudentes envolvendo bolsistas. Como consequência, durante noventa anos, Valenhall proibiu qualquer aluno da classe média de ingressar em seus muros.

Mesmo após o retorno das bolsas, as tragédias continuaram. Todos os anos, membros da alta elite morrem dentro do internato. As mortes nunca são explicadas, os responsáveis jamais identificados. Ainda assim, paradoxalmente, a cada ano surgem mais vagas para novos bolsistas.

Quando as aulas começam, a morte vem junto. Entre seis e dez alunos morrem por ano — e, mesmo assim, o internato nunca foi fechado para investigação.