O Internato Valenhall localizado em uma das ilhas britânicas, sempre foi considerado referência mundial em excelência acadêmica e formação profissional. Durante séculos, formou líderes, cientistas, artistas e políticos. Contudo, após o trágico incidente amplamente divulgado pelos tabloides no fim do século XX — e a destruição completa de suas instalações —, a pequena cidade próxima entrou em colapso econômico. O comércio fechou. Apenas os habitantes da ilha permaneceram.

Anos depois, um grupo de investidores decidiu reabrir as portas do lendário internato.

O projeto foi liderado pelo poderoso grupo Hall Lewis uma família que acumulou uma fortuna incalculável ao longo dos séculos. A reconstrução levou cinco anos. Arquitetos renomados e engenheiros de elite foram contratados para erguer um internato moderno, sem apagar completamente os traços históricos.

Durante as escavações, operários relataram marcas estranhas no solo — manchas escuras na terra, sinais inexplicáveis no concreto recém-lançado. Alguns trabalhadores desapareceram. Outros morreram em acidentes nunca totalmente esclarecidos. A imprensa explorou cada rumor. O Grupo Hall Lewis negou tudo.

Em 2018, o internato Valenhall foi oficialmente reinaugurado.

A noite marcou um grande baile de recepção. A imprensa foi recebida com luxo, enquanto os primeiros alunos — herdeiros da elite mundial e alguns poucos bolsistas aprovados em testes rigorosos realizados em Londres — cruzavam novamente os portões do internato.

Para comandar a instituição, foi escolhido o renomado Dr. Evans, escritor premiado, ex-diretor de escolas lendárias, vencedor de múltiplos prêmios internacionais. Sua aparência impunha respeito — cabelos e barba brancos contrastavam com um físico disciplinado. Poucos imaginavam que ele parecia mais jovem do que realmente era.

Sob sua direção, Valenhall voltou rapidamente ao topo. Contudo, após a formatura da primeira turma, em 2011, começaram os problemas: professores deixaram seus cargos sem explicação, e alunos desapareceram silenciosamente. Evans tornou-se mais rígido. Mais atento. Mais temido.

Ainda assim, o fascínio pelo internato só crescia.


AGOSTO DE 2021 — O BAILE

Na noite de recepção dos novos alunos, Evans subiu ao palco.

— Costumo fazer discursos longos — disse, após uma breve pausa —, mas hoje serei breve. É com satisfação que apresento a vice-diretora que passará a me auxiliar.

Ele apontou a mulher loira ao seu lado.

— Clary Hall Lewis

Aplausos ecoaram pelo salão.

Clary falou com confiança, citando ex-alunos de sucesso e reforçando a grandiosidade do internato. Em poucos minutos, deixou claro que Valenhall não era apenas uma escola — era uma marca, um destino.

JANEIRO DE 2026 — ECOS DO PASSADO

Noah carregava lembranças fragmentadas do fechamento do internato em 1999. Flashs desconexos. Dor sem forma. Ele se lembrava claramente de duas coisas: Cris, seu único amigo e, Clary a garota que sempre parecia estar no centro de tudo.

Agora, anos depois, Noah retornava a Valenhall como professor de educação física e treinador do time de futebol do internato, mesmo sendo apaixonado por história. Aceitou o cargo sem questionar — algumas oportunidades não permitem recusa.

Enquanto se preparava para o primeiro dia, pensamentos antigos insistiam em voltar. O passado nunca realmente deixara aquela ilha.

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Na estrada silenciosa, Cris dirigia em direção ao internato. Professor de história e literatura, ele sentia um misto de orgulho e inquietação. As casas — leão, tigre, onça e leopardo — continuavam sendo parte fundamental do sistema pedagógico, assim como no século XIX. Cada casa, liderada por um professor.

Nada parecia diferente.

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Para Trevor o último dia de férias fora dedicado à corrida — seu refúgio mental. Bolsista recém-aprovado, ele sabia que aquele internato representava uma chance única. Seu coração acelerava não apenas pela expectativa acadêmica, mas por sentimentos que ainda não compreendia totalmente.

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Katy indecisa diante do espelho, escolheu um vestido desenhado por ela mesma. Criativa, sensível, carregava um talento que sua família nunca incentivou. Valenhall poderia ser sua libertação — ou sua prisão.

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Michel Styve músico talentoso e problemático, decidiu chegar após o baile de máscaras. Detestava recepções. Guardava segredos demais para sorrir em público.

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No porto, Elena, aguardava o navio com fones de ouvido no volume máximo. Quando um garoto tentou falar com ela, mal percebeu. Só se deu conta do mundo ao redor quando o luxuoso navio surgiu no horizonte, cortando a névoa.