Internato Valenhall
3 Como tudo começou
GRUPO HALL LEWIS
O Grupo Hall Lewis é liderado pelo empresário Erik Hall Lewis, pai de Clary Hall Lewis. Sua fundação remonta ao século XVIII, quando a família iniciou suas atividades com a venda de produtos provenientes de suas próprias terras. Ao longo dos anos, acumulou uma grande fortuna — embora poucos soubessem que o verdadeiro proprietário dessas terras roubava mais do que realmente comercializava.
Com o falecimento de seu pai, Erik assumiu os negócios da família aos 15 anos de idade. Na época, houve uma investigação sobre a morte de seu pai, cuja conclusão oficial foi de que se tratava de um acidente. No entanto, Erik sempre soube que tudo havia sido cuidadosamente planejado.
CLARY HALL LEWIS — 1995
Clary Hall Lewis é uma jovem ambiciosa e mimada, acostumada a sempre estar no centro das atenções. Filha única de um poderoso empresário, acreditava que tudo ao seu redor girava em torno dela. Aos 16 anos, loira e muito confiante de si, Clary se considerava a garota mais bela da Europa — e, em sua visão, do mundo.
Com sua chegada ao Internato Valenhall, muitos alunos bolsistas tentaram se aproximar, mas Clary os tratava com desprezo, mantendo distância de quem não considerava “à sua altura”.
Durante seus quatro primeiros anos em Valenhall, Clary conheceu um garoto chamado Cristian. Em determinado momento, os dois tiveram um envolvimento. Cristian era melhor amigo de Noah, um aluno popular e o melhor jogador do time de futebol do internato.
No entanto, em seu último ano, coisas estranhas começaram a acontecer. Durante uma festa clandestina no início das aulas, um casal se afastou do restante dos alunos. A garota relatou que o menino ficou preso ao chão por galhos de árvores. Assustada, ela foi pedir ajuda, mas, ao retornar, ele havia desaparecido sem deixar vestígios.
Confusa e em pânico, Clary ligou para seu pai:
— Pai… algo muito errado aconteceu aqui.
No local onde, supostamente, o garoto havia ficado preso, havia apenas uma marca no chão: um pentagrama.
NOAH SANMERRY — 1995
Em uma manhã ensolarada na Bulgária, Noah acordou com fortes socos na porta de seu quarto.
— Noah, Noah, acorda! Chegou uma carta para você! Noah, Noah!
Ainda com os olhos semiabertos, ele sabia exatamente quem fazia aquele escândalo: sua irmã mais nova. Levantou-se da cama cambaleando de sono e abriu a porta no momento em que ela entrou correndo, sentando-se na ponta da cama com algo nas mãos que realmente parecia uma carta.
— Noah, senta aqui e leia isso!
Ele se sentou ao lado dela, pegou a carta e logo viu o remetente: INTERNATO VALENHALL.
— Não acredito… fui aceito — disse, admirado, encarando o envelope.
Abriu a carta e começou a ler:
Prezado Noah Sanmerry,
Temos o prazer de informar que V.Sa. foi selecionado para ocupar uma vaga como bolsista no Internato Valenhall.
Num salto, Noah se levantou e saiu correndo para mostrar a carta ao pai, que mal prestou atenção, concentrado na televisão. Mesmo assim, Noah não conseguia conter a ansiedade pelo início das aulas.
De volta ao quarto, sua irmã já não estava mais ali. Parou em frente ao espelho e analisou o próprio reflexo. Noah tinha um corpo atlético, musculoso, fruto de muito treino; era extremamente talentoso no futebol. Seus cabelos eram avermelhados e o rosto carregava algumas sardas.
— Com todo esse talento, consegui entrar no internato que eu tanto queria — disse a si mesmo.
Seu sorriso desapareceu aos poucos.
— Agora vou descobrir o que realmente aconteceu com minha mãe…
Fez uma expressão fechada e baixou o olhar.
Um mês passou rapidamente. Quando se deu conta, Noah estava no porto, aguardando o navio que o levaria ao internato. Sentou-se ao lado de um garoto bem-arrumado, que logo se levantou e se afastou rapidamente.
CRISTIAN ROSSI — 1995
Cristian sempre foi extremamente dedicado aos estudos e, desde que foi aceito no Internato Valenhall, não fazia outra coisa além de estudar cada vez mais.
Destacava-se por seus cabelos pretos azulados e pelos óculos, que combinavam perfeitamente com o uniforme usado no internato. Naquela tarde, sua mãe chegou em casa e encontrou o filho concentrado, cercado por livros.
— Tudo pronto para ir em busca de uma vida melhor — disse ela, segurando a mão de Cristian.
Ele envolveu a mão da mãe com as duas mãos e respondeu com firmeza:
— Tudo pela nossa família.
Com lágrimas nos olhos, sua mãe falou em tom emocionado:
— Seja melhor do que eu… e do que seu irmão.
Cristian tinha um irmão gêmeo que mal havia terminado o ensino fundamental, alguém por quem ele também carregava um forte senso de responsabilidade.
No dia seguinte, Cristian foi até o porto para aguardar o navio que o levaria ao internato. De longe, presenciou uma cena que não lhe agradou: um garoto sentou-se ao lado de outro que claramente pertencia à alta elite, mas, poucos segundos depois, o rapaz bem-arrumado se levantou e se afastou, como se a simples proximidade o incomodasse.
Cristian franziu o cenho, guardando aquela imagem na memória.
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