Internato Valenhall
14 O desaparecimento de???
O dormitório estava completamente silencioso.
A única luz vinha da lua, que atravessava a janela e desenhava sombras sobre as camas.
Liam abriu os olhos.
Esperou.
Scott continuava dormindo profundamente. Trevor respirava de forma calma, com um livro ainda aberto sobre o peito. Alex roncava baixo, abraçado ao travesseiro.
Liam olhou o relógio.
02h17.
— Agora... — murmurou.
Vestiu o casaco do uniforme, pegou sua pequena lanterna e, principalmente, seu Caderno de Investigação.
Abriu a porta do dormitório lentamente.
Nem um rangido.
Fechou a porta atrás de si e começou a caminhar pelos corredores escuros do Internato Valenhall.
Durante o dia, aqueles corredores pareciam comuns.
À noite...
Pareciam pertencer a outro lugar.
As grandes janelas deixavam entrar apenas a luz prateada da lua. Os retratos antigos pareciam observá-lo enquanto ele passava.
Liam parou diante de uma enorme pintura do fundador do internato.
No quadro havia uma pequena placa.
"O tempo revela apenas aquilo que está preparado para ser encontrado."
Ele anotou a frase no caderno.
— Talvez isso tenha relação com a torre...
Continuou andando.
Após alguns minutos chegou ao enorme saguão principal.
À sua frente estava a gigantesca escadaria que levava até a Torre do Relógio.
Respirou fundo.
— Vamos descobrir o que você esconde...
Subiu o primeiro lance de escadas.
O silêncio era absoluto.
Somente o som dos seus passos ecoava pelas paredes de pedra.
Quando alcançou o último andar, encontrou uma pesada porta de madeira.
Ela estava entreaberta.
Estranho.
Durante a visita do primeiro dia, Noah havia dito que a torre permanecia sempre fechada durante a noite.
Liam empurrou a porta lentamente.
Creeeec...
A sala da torre era enorme.
No centro funcionava o antigo mecanismo do relógio.
Engrenagens gigantes giravam lentamente, produzindo um som constante.
Toc... Toc... Toc...
Liam ficou alguns segundos apenas observando.
Tudo parecia antigo demais...
Mas havia algo diferente.
No chão existiam marcas recentes de poeira removida.
Alguém estivera ali.
Ele se ajoelhou.
Pegou o caderno.
Desenhou rapidamente o formato das marcas.
— Não são pegadas... alguém arrastou alguma coisa...
Seguiu o rastro.
Ele terminava atrás de uma das enormes engrenagens.
Quando iluminou o local com a lanterna, percebeu um pequeno símbolo gravado na parede.
Era exatamente o mesmo símbolo encontrado na passagem secreta.
O coração acelerou.
— Então... a torre também faz parte disso...
Liam passou a mão sobre o desenho.
Nada aconteceu.
Tentou pressionar cada pedra ao redor.
Silêncio.
De repente...
TUM...
Um barulho metálico ecoou acima de sua cabeça.
Liam congelou.
As engrenagens continuavam girando normalmente.
Mas...
Havia alguém caminhando no andar superior da torre.
E, teoricamente...
A torre terminava exatamente onde ele estava.
Ele apagou imediatamente a lanterna.
Prendeu a respiração.
Os passos continuaram.
Lentos.
Pesados.
Cada vez mais próximos.
Toc...
Toc...
Toc...
Liam segurou o caderno com força.
Liam fechou os olhos.
Sem enxergar nada, sentiu uma brisa gelada passar pelo corredor da torre.
Ela parecia atravessá-lo.
Seu coração acelerou.
Havia alguém parado exatamente à sua frente.
Ele podia sentir a respiração daquela pessoa.
Antes que conseguisse acender novamente a lanterna, uma mão cobriu seu rosto com um tecido escuro.
Tudo ficou completamente negro.
Liam tentou se desvencilhar.
— Me solta! Quem é você?
Sua voz ecoou pela torre.
Mas, imediatamente, uma voz grave e calma respondeu ao seu ouvido:
— Calado...
Liam continuou tentando gritar.
A mão apertou ainda mais o tecido contra seu rosto.
— Você veio aqui por conta própria...
A voz fez uma pequena pausa.
— Então... cale-se.
Outro segundo de silêncio.
— Ou será pior.
Liam sentiu alguém segurando seus braços.
Depois outro par de mãos.
Ele foi puxado para algum lugar.
Não conseguia enxergar.
Não conseguia saber para onde estava sendo levado.
Apenas ouvia o som das engrenagens do relógio ficando cada vez mais distante.
Então...
Silêncio.
Os primeiros raios do sol começaram a iluminar os vitrais do Internato Valenhall.
Os corredores voltavam lentamente à vida.
No dormitório da Casa Leão, Scott foi o primeiro a despertar.
Abriu os olhos lentamente.
Olhou para o relógio preso à parede.
06h08.
Bocejou.
Sentou-se na cama.
Trevor ainda dormia profundamente, com os óculos sobre a mesa de cabeceira.
Alex continuava completamente enrolado no cobertor.
Scott passou a mão pelos cabelos ruivos e olhou, por hábito, para a cama ao lado.
Parou imediatamente.
A cama de Liam estava vazia.
O lençol permanecia praticamente intacto.
Como se ele tivesse saído havia horas.
Scott franziu a testa.
— Liam...?
Nenhuma resposta.
Levantou-se.
Foi até o banheiro.
Vazio.
Olhou novamente para a cama.
Foi então que percebeu um detalhe.
O Caderno de Investigação também havia desaparecido.
Scott respirou fundo.
Lembrou-se da conversa da noite anterior.
"A torre do relógio deve ter alguma resposta..."
Seus olhos se arregalaram.
— Não...
Sem perder tempo, caminhou rapidamente até Trevor.
Sacudiu seu ombro.
— Trevor... acorda.
Trevor abriu os olhos lentamente.
— O que foi?
Scott respondeu em voz baixa, mas com preocupação evidente:
— O Liam sumiu.
Trevor sentou-se imediatamente.
— Como assim?
Scott apontou para a cama vazia.
— Ele foi até a torre do relógio.
Os dois permaneceram alguns segundos em silêncio.
Alex ainda dormia, completamente alheio ao que estava acontecendo.
Scott encarou Trevor.
— Se ele realmente foi até lá...
Trevor terminou a frase antes mesmo que Scott conseguisse falar:
— ...ele pode ter encontrado alguém.
Os dois trocaram um olhar.
Pela primeira vez desde que chegaram a Valenhall...
A investigação deixava de ser apenas um jogo de curiosidade.
Agora, um dos quatro amigos havia desaparecido.
Alex despertou assustado com toda a movimentação no dormitório.
Ainda sonolento, esfregou os olhos e olhou para Scott e Trevor, que já estavam completamente vestidos.
— O que aconteceu? — perguntou, confuso.
Scott respondeu sem esconder a preocupação:
— O Liam desapareceu.
Alex arregalou os olhos.
— O quê?
Trevor apontou para a cama vazia.
— A gente acha que ele foi até a torre do relógio durante a madrugada.
O rosto de Alex perdeu o ar brincalhão de sempre.
— Eu sabia que ele ia fazer isso...
Sem dizer mais nada, calçou os tênis às pressas.
— Então vamos atrás dele.
Os três saíram correndo do dormitório.
Os corredores ainda estavam vazios.
Os poucos alunos que já acordavam caminhavam em direção ao refeitório, sem imaginar o que estava acontecendo.
Scott seguia à frente.
Trevor analisava cada detalhe enquanto caminhava.
Alex olhava para todos os lados, esperando encontrar Liam a qualquer momento.
Ao chegarem ao saguão principal, a enorme torre do relógio dominava o ambiente.
Scott apontou para a escadaria.
— É lá.
Subiram os degraus rapidamente.
Quando chegaram ao último andar, encontraram a pesada porta de madeira.
Ela continuava entreaberta.
Os três trocaram um olhar.
Trevor foi o primeiro a entrar.
A enorme sala das engrenagens permanecia exatamente como Liam a havia encontrado durante a madrugada.
As engrenagens giravam lentamente.
Toc...
Toc...
Toc...
Scott começou a chamar:
— Liam!
Nenhuma resposta.
Alex caminhou pelo local.
— Liam! Para de brincar!
Silêncio.
Trevor se ajoelhou perto de uma das engrenagens.
Havia marcas na poeira.
— Esperem...
Scott aproximou-se.
Trevor apontou para o chão.
— Essas marcas são recentes.
Alex também observou.
— Parece que alguém foi arrastado...
Scott sentiu um frio percorrer a espinha.
Foi então que seus olhos encontraram um objeto caído próximo à parede.
Ele caminhou lentamente até lá.
Abaixou-se.
Era um lápis de desenho.
Scott o reconheceu imediatamente.
— É do Liam...
Os três ficaram em silêncio.
Trevor começou a examinar cuidadosamente a parede onde estavam as marcas.
Passou a mão sobre as pedras antigas.
Uma delas parecia ligeiramente mais fria que as outras.
Ele pressionou a superfície.
Nada aconteceu.
Tentou novamente.
Silêncio.
Alex, impaciente, começou a bater levemente nas pedras.
De repente...
Toc.
Uma delas produziu um som oco.
Os três congelaram.
Scott olhou para Trevor.
— Tem alguma coisa atrás dessa parede.
Antes que pudessem tentar descobrir como abri-la, ouviram passos vindos da escada.
Passos firmes.
Calmos.
Cada vez mais próximos.
Os três se afastaram rapidamente da parede.
A porta da torre se abriu lentamente.
Quem apareceu foi Noah Sanmerry.
O professor de Educação Física observou os três alunos em silêncio.
Depois olhou para o lápis nas mãos de Scott.
Seu olhar mudou imediatamente.
— O que vocês estão fazendo aqui...?
Scott respirou fundo e respondeu:
— Professor...
O Liam desapareceu.
Noah franziu a testa.
— Como assim... desapareceu?
Scott respirou fundo, ainda segurando o lápis de Liam.
— Quando acordamos, a cama dele estava vazia. O caderno de investigação também sumiu.
Trevor continuou:
— Ontem à noite ele comentou que tinha certeza de que a torre do relógio escondia alguma coisa. Nós achamos que ele veio para cá durante a madrugada.
Alex apontou para o chão.
— Quando chegamos, encontramos apenas isso...
Scott entregou o lápis ao professor.
Noah o observou por alguns segundos.
Reconheceu imediatamente o nome gravado na lateral.
L. Rico.
Seu semblante mudou.
— Vocês encontraram mais alguma coisa?
Trevor respondeu:
— Apenas essas marcas na poeira... e uma parede que parece oca. Mas não conseguimos descobrir como abri-la.
Noah caminhou lentamente até o local indicado.
Passou a mão sobre as pedras antigas.
Permaneceu alguns segundos em silêncio.
Seu olhar parecia distante.
Como se aquela parede lhe trouxesse lembranças que preferia esquecer.
Então respirou fundo e voltou-se para os três.
— Eu percebi que alguma coisa havia acontecido.
Os garotos se entreolharam.
— Vi vocês três correndo pelo saguão logo cedo. Achei estranho e resolvi vir atrás.
Fez uma breve pausa.
— Agora tenho certeza de que aconteceu algo sério.
Scott perguntou, aflito:
— O senhor acha que o Liam está em perigo?
Noah não respondeu imediatamente.
Olhou mais uma vez para a parede.
Depois para as enormes engrenagens do relógio.
Por fim, encarou os três alunos.
— Nós vamos encontrá-lo.
A firmeza de sua voz trouxe um pouco de esperança.
— Vamos procurar em todo o internato.
Alex deu um passo à frente.
— E se ele realmente estiver preso aqui?
Noah balançou a cabeça.
— Primeiro precisamos verificar todos os lugares possíveis. Não podemos tirar conclusões precipitadas.
Trevor percebeu que o professor escondia alguma coisa.
Havia preocupação em seu rosto...
Mas também reconhecimento.
Como se aquela situação lhe fosse familiar.
Antes de sair da torre, Noah falou em tom baixo:
— Escutem com atenção.
Os três se aproximaram.
— Não comentem isso com ninguém.
Scott estranhou.
— Nem com a diretora Clary?
Noah respondeu imediatamente:
— Ainda não.
Seu olhar permaneceu sério.
— Se a notícia de que um aluno desapareceu se espalhar, o internato inteiro entrará em pânico. E, se isso estiver ligado ao que aconteceu anos atrás...
Ele interrompeu a frase antes de terminá-la.
Trevor percebeu.
— O senhor já viu isso acontecer antes, não é?
Noah ficou em silêncio por alguns segundos.
Então respondeu apenas:
— Vamos encontrar o Liam primeiro.
Sem dizer mais nada, abriu a porta da torre.
Os quatro desceram rapidamente as escadas.
Noah respirou fundo.
— Vamos nos dividir. Assim cobrimos mais áreas do internato em menos tempo.
Os três concordaram.
— Scott, venha comigo. Vamos verificar os corredores do bloco antigo, a biblioteca e a enfermaria.
Scott assentiu.
— Certo.
Noah voltou-se para os outros dois.
— Trevor e Alex, procurem nos jardins, no ginásio, na sala de música e no observatório. Se encontrarem qualquer pista, vão imediatamente ao refeitório.
— Combinado — respondeu Trevor.
Sem perder mais tempo, as duas duplas seguiram em direções opostas.
Os minutos passaram rapidamente.
Scott e Noah percorreram corredores vazios, abriram salas de aula, verificaram depósitos e até a pequena enfermaria do internato.
Nenhum sinal de Liam.
Enquanto isso, Trevor e Alex correram pelos jardins, chamaram pelo amigo próximo ao lago, olharam atrás do ginásio e até subiram ao observatório.
Nada.
O relógio da torre começou a tocar.
BONG...
BONG...
Sete badaladas ecoaram pelo internato.
Poucos minutos depois...
Os ponteiros marcavam 7h20.
Conforme haviam combinado, todos seguiram para o ponto de encontro.
A entrada do refeitório.
Noah e Scott chegaram primeiro.
Logo em seguida apareceram Trevor e Alex.
Os quatro se entreolharam.
Bastou um olhar para entender.
Ninguém havia encontrado Liam.
Noah respirou fundo.
— Vamos entrar.
Assim que atravessaram as grandes portas de madeira do refeitório...
Foram recebidos por uma explosão de risadas.
Centenas de alunos olhavam para o centro do salão.
Alguns apontavam.
Outros tentavam esconder o riso.
Scott sentiu um aperto no peito.
— O que está acontecendo...?
Trevor afastou alguns estudantes para conseguir enxergar.
Então congelou.
No meio do refeitório...
Estava Liam.
Ele parecia completamente desorientado.
Vestia apenas a camisa do uniforme... e uma saia longa do uniforme feminino.
No pescoço havia um grande papel preso por um barbante.
Nele estava escrito, em letras enormes:
"BEM-VINDO, CALOURO!"
Alex arregalou os olhos.
— Liam!
Os três correram até ele.
Scott retirou imediatamente o cartaz.
Trevor ajudou o amigo a se levantar.
Liam olhava para os lados, completamente confuso.
— O... o que aconteceu?
Sua voz era baixa.
— Como eu vim parar aqui?
Noah aproximou-se rapidamente.
Observou Liam da cabeça aos pés.
Não havia ferimentos aparentes.
Apenas um olhar perdido.
— Liam... você se lembra de alguma coisa?
Ele fechou os olhos por alguns segundos.
Respirou fundo.
— Eu... lembro da torre...
Fez uma pausa.
Levou a mão à cabeça.
— Depois... tudo ficou escuro.
Olhou novamente para os amigos.
— E então...
Sua voz falhou.
— Eu acordei aqui...
As risadas no refeitório continuavam.
Para todos os outros alunos, aquilo parecia apenas mais um trote de recepção aos calouros.
Noah colocou a mão no ombro de Liam.
— Vamos. Leve-o para o dormitório.
Os quatro saíram do refeitório sem olhar para trás.
As risadas dos outros alunos ainda ecoavam pelo salão, mas, aos poucos, foram ficando distantes.
Liam caminhava de cabeça baixa.
Nunca havia se sentido tão envergonhado.
Quando chegaram ao dormitório da Casa Leão, Noah fechou a porta.
— Vou buscar roupas limpas para você. Fiquem aqui.
Assim que o professor saiu, o silêncio tomou conta do quarto.
Liam sentou-se na cama.
Passou as mãos pelo rosto e soltou um longo suspiro.
— Foi... foi o pessoal do quarto ano.
Os três levantaram a cabeça ao mesmo tempo.
Scott perguntou:
— Você tem certeza?
Liam assentiu lentamente.
— Agora algumas coisas estão voltando à minha memória.
Respirou fundo.
— Quando eu acordei... ouvi um deles rindo.
Fez uma pausa.
— Um garoto falou: "Relaxa... já estamos no último ano. Não vai acontecer nada com a gente."
Trevor cruzou os braços.
— Então isso foi um trote...
Liam balançou a cabeça.
— Pelo menos essa parte, sim.
Alex fechou os punhos.
Seu rosto já demonstrava indignação.
— Eles fizeram todo o internato rir de você.
Liam tentou dar um sorriso sem graça.
— Faz parte...
Alex interrompeu imediatamente.
— Não.
Os três olharam para ele.
Alex sorriu daquele jeito que sempre antecedia uma ideia perigosa.
— Vamos dar o troco.
Scott já imaginava o que vinha pela frente.
— Alex...
— Não, escuta.
Ele começou a andar pelo quarto.
— Eles acham que, por serem veteranos, podem fazer qualquer coisa.
Trevor respondeu:
— E você quer fazer exatamente o quê?
Alex parou.
Sorriu.
— Um trote que eles nunca mais vão esquecer.
Liam finalmente deu uma pequena risada.
— Acho melhor não...
Alex apontou para ele.
— Você ficou no meio do refeitório usando saia!
Scott não conseguiu segurar o riso.
Trevor também sorriu discretamente.
Alex continuou:
— Eles disseram que estão no último ano e que ninguém faria nada.
Abaixou a voz.
— Então vamos mostrar que calouros também sabem brincar.
Scott respirou fundo.
— Sem machucar ninguém.
— Claro.
Trevor acrescentou:
— E sem quebrar nenhuma regra importante.
Alex levantou as mãos.
— Prometo...
Fez uma pequena pausa.
— Bom... quase nenhuma.
Os quatro começaram a rir.
Pela primeira vez desde aquela manhã, o clima pesado deu lugar a um instante de descontração.
Mas, enquanto os amigos conversavam sobre como poderiam se vingar do trote...
Nenhum deles percebeu que o caderno de investigação de Liam continuava desaparecido.
E, em algum lugar do Internato Valenhall, alguém folheava lentamente suas páginas, lendo cada anotação que ele havia feito sobre os segredos da passagem subterrânea.
Poucos minutos depois, a porta do dormitório se abriu novamente.
Noah entrou carregando um conjunto completo do uniforme da Casa Leão.
— Peguei algumas peças reservas na rouparia. Vista isso.
Liam levantou-se imediatamente.
— Obrigado, professor.
Sem perder tempo, foi até o banheiro do dormitório para trocar de roupa.
Alguns minutos depois voltou vestindo novamente o uniforme da escola.
Parecia bem mais tranquilo, embora ainda estivesse visivelmente constrangido com o que havia acontecido no refeitório.
Noah observou os quatro alunos.
— Estão todos bem?
Scott respondeu primeiro.
— Acho que sim.
Alex sorriu.
— Menos o orgulho do Liam.
Liam deu um leve empurrão no amigo.
— Muito engraçado.
Pela primeira vez naquela manhã, todos riram.
Noah também sorriu discretamente, mas logo voltou a ficar sério.
— Escutem.
Os quatro prestaram atenção.
— Esqueçam esse assunto por enquanto.
Trevor franziu a testa.
— Como assim?
— Quero que vocês ajam normalmente.
Fez uma pequena pausa.
— Daqui a pouco começam as aulas. Se vocês desaparecerem pelos corredores ou começarem a fazer perguntas, quem quer que tenha feito isso vai perceber que estamos investigando.
Scott concordou.
— Faz sentido.
Noah continuou:
— Vão tomar café. A primeira aula começa em poucos minutos.
Liam olhou para o professor.
— E o meu caderno de investigação?
Noah permaneceu em silêncio por um instante.
— Nós vamos encontrá-lo.
Foi uma resposta firme, mas Liam percebeu que o professor também estava preocupado.
Alex colocou a mochila nas costas.
— Então vamos comer. Não consigo pensar com fome.
Trevor sorriu.
— Isso nunca muda.
Os quatro deixaram o dormitório e seguiram pelo corredor em direção ao refeitório.
Desta vez, muitos alunos ainda olhavam para Liam e cochichavam entre si.
Alguns davam risadinhas.
Outros apenas observavam.
Liam manteve a cabeça erguida e continuou caminhando.
Scott aproximou-se discretamente.
— Não liga para eles.
Trevor completou:
— Daqui a alguns dias ninguém mais vai lembrar disso.
Alex sorriu de lado.
— Principalmente depois do nosso troco.
Liam balançou a cabeça, tentando esconder um sorriso.
Enquanto os quatro entravam novamente no refeitório, o grande relógio da torre marcou 7h40.
As aulas do primeiro dia em Valenhall estavam prestes a começar.
E, sem que qualquer um deles soubesse...
Em uma sala escondida atrás das antigas paredes do internato, alguém fechava lentamente o caderno de investigação de Liam e dizia em voz baixa:
— Eles estão mais perto da verdade do que eu imaginava...
O café da manhã transcorreu de forma surpreendentemente tranquila.
A conversa no refeitório já havia mudado de assunto. Alguns alunos comentavam sobre os professores, outros reclamavam do horário das aulas, enquanto os veteranos riam em grupos espalhados pelo salão.
Liam permanecia em silêncio.
Apesar de ainda se sentir envergonhado pelo trote, ver que a atenção dos outros alunos começava a desaparecer o deixava um pouco mais aliviado.
Scott percebeu.
— Está melhor?
Liam deu um pequeno sorriso.
— Acho que sim.
Trevor tomou um gole de suco.
— Ainda vamos descobrir quem fez isso.
Alex sorriu.
— E quando descobrirmos...
Trevor o interrompeu antes mesmo que terminasse.
— Nada de ideias malucas.
Alex fingiu inocência.
— Eu nem falei nada.
Os quatro riram.
Pela primeira vez desde a madrugada, o clima entre eles parecia voltar ao normal.
Quando terminaram o café, recolheram as bandejas e seguiram para o saguão principal.
Centenas de alunos já caminhavam pelos corredores, procurando suas salas.
O enorme relógio da torre dominava o ambiente.
Os ponteiros avançavam lentamente.
Então...
DONG...
DONG...
DONG...
As oito badaladas ecoaram por todo o Internato Valenhall.
Logo em seguida, um sinal metálico percorreu todos os corredores.
TRIIIIIIIIIM...
As conversas cessaram quase instantaneamente.
Os alunos começaram a caminhar rapidamente em direção às salas.
Era o início oficial das aulas.
Scott consultou o horário.
— Primeira aula...
Trevor olhou a folha.
— História.
Alex sorriu.
— Então é com o professor Cristian.
Liam respirou fundo.
— Espero que o resto do dia seja mais tranquilo do que esta manhã.
Os quatro seguiram juntos pelo corredor da Casa Leão em direção à sala do primeiro ano.
Sem perceber, ao passarem pela escadaria que levava à torre do relógio, uma pessoa observava os quatro do alto da escada.
Quando eles desapareceram no corredor, essa figura retirou discretamente do bolso um pequeno caderno de capa preta.
Era o caderno de investigação de Liam.
A pessoa passou os dedos sobre a capa e sussurrou:
— A aula vai começar...
— Mas a verdadeira lição de Valenhall ainda nem começou.
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