Internato Valenhall
15 Ligando os pontos
As semanas passaram rapidamente.
A rotina no Internato Valenhall finalmente parecia normal.
As aulas aconteciam todos os dias.
Os treinos entre as turmas se intensificavam.
As provas chegaram e, logo depois, terminaram.
Para surpresa de Noah, Cristian e Clary...
Nenhuma nova carta apareceu.
Nenhum símbolo foi encontrado nos corredores.
A torre do relógio permaneceu silenciosa.
E a enorme porta de ferro da passagem secreta continuava completamente fechada.
Liam ainda lamentava o desaparecimento de seu caderno de investigação, mas, sem novas pistas, acabou deixando o mistério de lado para se dedicar aos estudos.
Por alguns instantes...
Valenhall parecia apenas um internato comum.
Na tarde do último dia de provas, um sinal diferente ecoou pelos corredores.
TRIIIIIIIIIM...
Logo em seguida, a voz da diretora Clary soou pelos alto-falantes.
— Atenção, alunos. Todos devem se dirigir imediatamente ao Grande Auditório.
Os corredores rapidamente se encheram.
Alunos de todas as séries caminhavam curiosos.
— O que será? — perguntou Alex.
— Talvez o resultado das provas — respondeu Scott.
Trevor olhou ao redor.
— Ou algum anúncio importante.
Liam apenas deu de ombros.
Minutos depois, mais de quatrocentos estudantes ocupavam os assentos do enorme auditório.
No palco estavam a diretora Clary, o professor Noah, o professor Cristian e os demais professores do internato.
Quando todos se acomodaram, Clary aproximou-se do púlpito.
O murmúrio cessou.
Ela sorriu para os alunos.
— Boa tarde a todos.
— Boa tarde! — responderam os estudantes em coro.
Clary aguardou o silêncio completo antes de continuar.
— Hoje concluímos as provas e também encerramos todas as atividades de avaliação que vocês realizaram desde a chegada ao Internato Valenhall.
Ela caminhou lentamente pelo palco.
— Quero parabenizar cada um de vocês pelo empenho, pela dedicação e pela coragem demonstrada nestas primeiras semanas.
Alguns alunos sorriram, outros trocaram olhares curiosos.
Clary continuou:
— Daqui a algumas horas, vocês finalmente descobrirão a qual das quatro Casas de Valenhall pertencerão.
O auditório explodiu em comentários.
— Será que vou para a Casa Leão?
— Quero muito ir para a Tigre!
— E se eu cair na Onça?
— Dizem que a Leopardo nunca perde as competições!
Clary levantou a mão, pedindo silêncio.
Aos poucos, o auditório voltou a ficar em silêncio.
— A escolha não será feita por sorte.
Sua voz tornou-se mais séria.
— Cada prova, cada desafio, cada atitude e cada decisão tomada por vocês desde o primeiro dia foi cuidadosamente observada.
Ela fez uma breve pausa.
— Hoje à noite, cada aluno descobrirá o lugar onde escreverá sua história dentro de Valenhall.
Os olhares dos calouros se encheram de expectativa.
Até mesmo Noah e Cristian trocaram um discreto olhar.
Eles sabiam...
A cerimônia de escolha das Casas era uma das tradições mais importantes do internato.
Enquanto Clary continuava explicando como aconteceria a cerimônia, Cristian se aproximou discretamente de Noah.
Sem perceber que o microfone à sua frente ainda estava ligado, cochichou:
— Você se lembra de que, durante essa cerimônia, o antigo professor de História disse que havia alguém nos observando do alto da torre do relógio?
A frase ecoou por todo o auditório.
O silêncio foi imediato.
Centenas de alunos levantaram a cabeça ao mesmo tempo.
Clary virou-se rapidamente para Cristian.
Ele olhou para o microfone e percebeu o erro.
— Acho que isso estava ligado...
Antes que pudesse terminar, Noah se aproximou e falou em voz baixa, mas o microfone também captou suas palavras:
— Depois daquela noite, mais de trinta alunos deixaram o internato.
Os murmúrios começaram a se espalhar pelo auditório.
Noah continuou:
— Alguns foram embora por medo. Outros por razões que nunca explicaram.
Cristian desviou o olhar para a torre, visível por uma das grandes janelas laterais.
— E o professor que fez o aviso desapareceu pouco tempo depois.
Vários alunos se agitaram nos assentos.
Clary afastou-se do púlpito e desligou o microfone.
— Chega.
Sua voz foi firme.
Ela encarou os dois professores.
— Este não é o momento.
Noah permaneceu em silêncio.
Cristian apenas assentiu.
Clary voltou-se para os alunos.
— O que vocês acabaram de ouvir se refere a uma antiga história do internato.
Scott inclinou-se na direção dos amigos.
— Uma antiga história?
Trevor respondeu em voz baixa:
— Pela reação deles, não parece apenas uma história.
Liam olhou imediatamente para a janela.
A torre do relógio se erguia acima dos telhados de Valenhall.
Por um instante, teve a impressão de ver uma silhueta parada junto a uma das janelas superiores.
Piscou.
Não havia mais ninguém.
Alex percebeu sua expressão.
— O que foi?
Liam continuou olhando para a torre.
— Nada...
Mas sua voz demonstrava o contrário.
No palco, Clary retomou o discurso.
— Como eu estava dizendo, a cerimônia acontecerá hoje à noite.
Ela tentou sorrir, mas a tensão permanecia em seu rosto.
— Até lá, todos devem retornar aos seus dormitórios e aguardar as orientações de seus professores.
Os alunos começaram a se levantar.
O auditório logo se encheu de perguntas, cochichos e histórias sobre a torre.
Enquanto todos saíam, Noah segurou o braço de Cristian.
— Você não deveria ter falado sobre isso.
Cristian olhou para o microfone desligado.
— Eu não sabia que estava ligado.
— Agora todos sabem.
Cristian encarou Noah.
— Talvez já estivesse na hora de saberem.
Noah se aproximou.
— Você não entende. Aquilo aconteceu justamente na noite da cerimônia.
Cristian ficou sério.
— Eu entendo perfeitamente.
Seu olhar voltou-se para a torre.
— E hoje haverá outra cerimônia.
Noah e Cristian continuavam caminhando pelo corredor principal.
Os alunos já haviam deixado o auditório e o internato voltava, aos poucos, à sua rotina.
Noah quebrou o silêncio.
— Eu ainda acho que o trote do Liam teve alguma ligação com tudo isso.
Cristian balançou a cabeça.
— Não concordo.
— Por quê?
— Porque os veteranos adoram pregar peças nos calouros. Isso acontece há muito tempo em Valenhall.
Noah permaneceu em silêncio.
Cristian continuou:
— Lembra do que aconteceu alguns anos atrás?
Um pequeno sorriso surgiu no rosto de Noah.
— Você está falando do episódio dos sapatos?
Cristian riu.
— Exatamente.
— Aquilo foi inesquecível.
Os dois seguiram andando, enquanto a lembrança voltava à mente.
No dormitório feminino, Elena organizava algumas roupas em seu armário.
Katy e Cora conversavam sobre a cerimônia das Casas.
De repente, Elena começou a rir sozinha.
Cora olhou curiosa.
— Do que você está rindo?
Elena tentou se controlar.
— Acabei de lembrar de um trote que o Alex e os meninos fizeram na semana passada.
Katy sorriu.
— Conhecendo o Alex, deve ter sido alguma loucura.
— Foi durante um treino dos alunos do quarto ano.
As duas se aproximaram para ouvir.
Elena continuou:
— Enquanto eles estavam na quadra, Alex, Scott, Trevor e mais alguns amigos entraram escondidos no vestiário.
Cora arqueou uma sobrancelha.
— E aí?
Elena já ria antes mesmo de terminar.
— Eles passaram mostarda em todos os sapatos dos veteranos.
As três caíram na gargalhada.
— Em todos? — perguntou Katy.
— Em absolutamente todos.
— Quando o treino acabou, os veteranos calçaram os tênis sem perceber.
Cora já imaginava a cena.
— Não acredito...
— Alguns reclamavam que o pé estava escorregando.
— Outros diziam que sentiam um cheiro estranho.
— E só descobriram quando começaram a tirar os sapatos.
As três riram ainda mais.
Katy enxugou uma lágrima de tanto rir.
— E descobriram quem fez?
Elena sorriu.
— Nunca conseguiram provar nada.
Ela fechou a porta do armário.
— Por isso eu acho difícil acreditar que o que aconteceu com o Liam tenha ligação com os antigos mistérios.
— Brincadeiras entre veteranos e calouros sempre existiram em Valenhall.
Cora concordou com um leve aceno.
Elena ainda sorria ao lembrar da cena.
— Eu achei que vocês já soubessem dessa pegadinha.
Katy deu de ombros.
— Não. Nós estávamos tão empenhadas nas provas que nem percebemos o que aconteceu no treino.
Cora assentiu.
— Eu até ouvi alguns alunos comentando sobre isso nos corredores.
Elena cruzou os braços.
— Foi o assunto da escola por dois dias.
— Dizem que um dos veteranos passou a tarde inteira tentando descobrir quem tinha feito aquilo.
Katy riu.
— Aposto que desconfiaram do Alex.
— Claro que desconfiaram.
— Mas ninguém conseguiu provar nada.
As três voltaram a rir.
Cora então perguntou:
— E eles desistiram?
Elena sorriu de lado.
— Acho que não.
— Em Valenhall, um trote quase sempre acaba gerando outro.
Katy balançou a cabeça, divertida.
— Ainda bem que nós escapamos dessas maluquices.
Nesse instante, um novo sinal ecoou pelos corredores.
Enquanto os corredores do internato se enchiam de alunos se preparando para a cerimônia, Michel Styve observava o pátio pela janela de seu dormitório.
Sua chegada a Valenhall havia sido diferente da dos demais.
Ele havia ingressado no internato alguns dias depois do início das aulas.
Pouco tempo após chegar, precisou voltar para casa por causa de um problema envolvendo sua mãe.
Só conseguiu retornar uma semana antes, justamente em meio ao período de provas.
Por isso, ainda conhecia poucas pessoas.
Seu dormitório também havia mudado.
Um dos colegas desistira de estudar no internato logo nas primeiras semanas.
O outro havia sido transferido para outro quarto.
Agora, Michel ocupava sozinho aquele dormitório.
Alguns alunos diziam que era sorte.
Outros afirmavam que seria solitário demais.
Michel apenas organizava suas coisas em silêncio.
A solidão nunca o incomodara.
Pelo contrário.
Ela lhe dava tempo para pensar.
Sentou-se na cama e olhou para o uniforme cuidadosamente dobrado sobre a cadeira.
— Ainda tenho muito para conquistar...
Apesar dos contratempos, não estava disposto a desistir.
Sabia que estudar em Valenhall era uma oportunidade rara.
E faria de tudo para construir um futuro melhor.
Levantou-se, vestiu o uniforme e pegou sua mochila.
Antes de sair do quarto, olhou rapidamente para o corredor vazio.
Sorriu discretamente.
— Ainda vou encontrar o meu lugar aqui.
Fechou a porta atrás de si e seguiu em direção ao auditório, onde, dentro de poucas horas, descobriria a Casa à qual passaria a pertencer.
Michel descia calmamente a escadaria principal em direção ao saguão.
Pela primeira vez desde que retornara ao internato, sentia que conseguiria participar de um momento importante junto aos demais alunos.
Quando alcançou o último lance de escadas, ouviu uma voz conhecida.
— Michel.
Ele levantou a cabeça.
Era a diretora Clary.
Ela o aguardava no pé da escada com um semblante sério, porém acolhedor.
— Diretora?
Clary aproximou-se.
— Sua mãe acabou de ligar.
O sorriso de Michel desapareceu.
— Aconteceu alguma coisa?
Clary respirou fundo antes de responder.
— Ela precisa de você novamente.
Michel permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Baixou os olhos.
Parecia que, toda vez que conseguia recomeçar, algo o obrigava a interromper seus planos.
Clary colocou delicadamente a mão em seu ombro.
— Não se preocupe com a escola.
— Nós vamos preservar sua vaga.
Michel assentiu lentamente.
— Obrigado, diretora.
— Quando sua situação se resolver, Valenhall continuará de portas abertas para você.
Ele sorriu de forma discreta.
— Eu prometo que vou voltar.
Clary respondeu com um leve sorriso.
— Eu acredito nisso.
Michel subiu novamente as escadas em direção ao dormitório para arrumar suas poucas coisas.
Enquanto caminhava pelo corredor vazio, olhou pela janela para o grande pátio do internato.
A cerimônia das Casas aconteceria naquela noite.
Infelizmente...
Mais uma vez, ele não poderia participar.
O relógio da antiga torre marcava exatamente 20 horas.
As badaladas ecoaram por todo o Internato Valenhall.
Bong...
Bong...
Bong...
O som grave repetiu-se até completar vinte batidas.
Logo em seguida, os alto-falantes espalhados pelos corredores ganharam vida.
Um leve chiado antecedeu o anúncio.
— Atenção, alunos.
Algumas conversas cessaram imediatamente.
— Solicitamos que todos os estudantes se dirijam ao Grande Salão para a Cerimônia das Casas.
— Repetindo: todos os alunos devem se dirigir imediatamente ao Grande Salão.
As portas dos dormitórios começaram a se abrir.
Centenas de estudantes saíram ao mesmo tempo.
Os corredores, antes silenciosos, encheram-se de vozes, risadas e passos apressados.
Trevor ajustava os óculos enquanto caminhava ao lado de Scott.
— Finalmente chegou a hora.
Scott sorriu.
— Estou mais nervoso do que na semana de provas.
Alex apareceu logo atrás.
— Aposto que vou para a Casa do Leão.
Liam riu.
— Você aposta isso desde o primeiro dia.
Os quatro seguiram juntos em direção ao salão.
No dormitório feminino, Elena terminava de prender os cabelos.
Katy respirou fundo.
— Parece que meu coração vai sair pela boca.
Cora sorriu.
— Daqui a alguns minutos, nossa vida em Valenhall muda completamente.
As três deixaram o quarto e seguiram o fluxo de alunos.
Pelos corredores, professores observavam discretamente a movimentação.
Noah permanecia próximo à entrada do Grande Salão.
Cristian estava ao seu lado.
Os dois trocaram um breve olhar.
Nenhum deles havia esquecido a conversa sobre a antiga cerimônia.
Nem a estranha figura que, anos atrás, teria sido vista na torre do relógio.
Enquanto os primeiros alunos atravessavam as enormes portas de madeira do Grande Salão, as luzes dos antigos lustres foram acesas uma a uma.
A cerimônia estava prestes a começar.
O Grande Salão silenciou quando Clary subiu ao palco.
As bandeiras das quatro Casas pendiam do teto, iluminadas pelos antigos lustres de cristal.
Ela sorriu para os alunos antes de começar.
— Boa noite a todos.
Uma salva de palmas ecoou pelo salão.
— Antes de iniciarmos oficialmente mais um ano das Casas de Valenhall, quero anunciar uma novidade.
Os alunos se entreolharam curiosos.
— A partir deste ano, cada Casa contará não apenas com um professor responsável, mas também com um aluno representante.
Um murmúrio tomou conta do salão.
— Esse aluno auxiliará o professor na organização das atividades, incentivará sua equipe e representará sua Casa sempre que necessário.
Os estudantes aplaudiram a novidade.
Clary abriu uma pasta e começou a leitura.
— Meredith fará a leitura dos nomes dos integrantes de cada Casa. Eu anunciarei seus representantes.
Ela respirou fundo.
— A primeira Casa será... Casa Leão.
A bandeira dourada foi iluminada.
— O professor responsável será... Professor Noah.
O salão explodiu em aplausos.
Noah levantou-se apenas para agradecer com um discreto aceno.
Clary continuou.
— E a aluna representante da Casa Leão será... Katy Botton.
Katy arregalou os olhos.
— Eu?
Elena deu um pequeno empurrão em seu ombro.
— Vai!
Ainda surpresa, Katy levantou-se sob muitos aplausos.
Clary sorriu.
— Parabéns.
Em seguida, Meredith iniciou a chamada.
— Elena Santamarina.
Elena levantou-se.
— Cora Twocock.
Cora sorriu e também ficou de pé.
Outros alunos tiveram seus nomes anunciados até que a Casa Leão estivesse completa.
Os integrantes dirigiram-se ao lado esquerdo do salão, onde a bandeira dourada os aguardava.
Scott observava tudo de braços cruzados.
Quando o último nome foi anunciado, franziu a testa.
— Como assim...
Olhou para Alex.
— Nenhum de nós foi escolhido?
Alex apenas deu de ombros.
Trevor também parecia confuso.
Liam riu discretamente.
— Calma. Ainda faltam três Casas.
Scott continuava claramente incomodado.
Clary voltou ao microfone.
— Agora anunciaremos a... Casa Leopardo.
As luzes iluminaram a bandeira prateada.
— O professor responsável será... Professor Cristian.
Mais uma vez, o salão aplaudiu.
Cristian fez apenas um leve cumprimento com a cabeça.
Clary sorriu antes de revelar o representante.
— E o aluno auxiliar será... Scott Miller.
Por um instante, Scott ficou completamente imóvel.
Alex deu uma cotovelada em seu braço.
— Vai lá!
O salão inteiro aplaudia.
Scott caminhou até a frente.
Apesar dos aplausos, sua expressão permanecia séria.
Cristian percebeu.
— Não gostou da surpresa? — perguntou em voz baixa.
Scott respondeu quase sussurrando:
— Eu queria estar na mesma Casa dos meus amigos.
Cristian sorriu discretamente.
— Às vezes, líderes precisam seguir um caminho diferente.
Scott não respondeu.
Enquanto isso, Meredith iniciou a chamada.
— Alex Johnson.
Alex sorriu.
— Trevor Madden.
Trevor ajeitou os óculos antes de caminhar.
— Liam Rico.
Liam comemorou em silêncio, juntando-se aos amigos.
Outros estudantes também foram chamados até completar a Casa Leopardo.
Na sequência, Clary anunciou a Casa Tigre e a Casa Onça, revelando seus respectivos professores, alunos representantes e integrantes.
Ao final, todos os estudantes já estavam reunidos sob as bandeiras de suas novas Casas.
Clary voltou ao centro do palco.
— A partir desta noite, vocês carregam os símbolos de suas Casas.
— Aprenderão juntos.
— Competirão juntos.
— Crescerão juntos.
— E, acima de tudo, representarão Valenhall com honra.
Uma longa salva de palmas ecoou pelo Grande Salão.
Poucos minutos depois, a banda do internato começou a tocar.
As mesas foram afastadas.
As conversas voltaram.
Alunos de diferentes Casas se misturavam pelo salão.
Alguns dançavam.
Outros apenas riam e tiravam fotos para registrar aquele momento.
Pela primeira vez desde o início das aulas, Valenhall parecia apenas um internato comum.
Sem cartas.
Sem símbolos.
Sem mistérios.
Ao menos...
Era essa a impressão que todos tinham naquela noite.
Enquanto a música animava o Grande Salão, os sete amigos permaneciam inquietos.
Liam olhou para a enorme janela que dava vista para a torre do relógio.
— Vamos até a torre do relógio.
Scott franziu a testa.
— Pra quê?
— Ver se tem alguém lá.
Scott pensou por um instante e respondeu:
— Então vamos.
Olhou para os demais.
— Mas todos juntos.
Alex sorriu.
— Melhor assim.
Trevor ajeitou os óculos.
— Quanto mais gente, melhor.
Os quatro caminharam discretamente em direção à saída do salão.
Antes que conseguissem atravessar a porta, ouviram uma voz atrás deles.
— Ei!
Era Elena.
Ao lado dela estavam Katy e Cora.
Elena cruzou os braços.
— Vocês vão aonde?
Liam respondeu sem hesitar.
— Até a torre do relógio.
Katy arregalou os olhos.
— Agora?
Scott confirmou.
— Sim.
Por alguns segundos, nenhuma das três disse nada.
Então Cora deu um passo à frente.
— Então iremos todos juntos.
Alex sorriu.
— Pela primeira vez...
Trevor completou:
— ...os sete vão juntos para algum lugar.
Sem chamar atenção dos outros alunos, deixaram o Grande Salão e seguiram pelos corredores silenciosos do internato.
Subiram o primeiro lance de escadas.
Depois o segundo.
Em seguida, a estreita escada de pedra que levava até a torre.
Quanto mais alto chegavam...
Mais silencioso tudo ficava.
O som da música desaparecia aos poucos.
Quando estavam próximos ao último lance de escadas, Liam levantou a mão.
Todos pararam.
Então...
Ouviram vozes.
Vinham do alto da torre.
Uma voz masculina dizia, irritada:
— Aqueles meninos do primeiro ano vão nos pagar.
Trevor arregalou os olhos.
Scott trocou um olhar com Alex.
Liam apertou o corrimão.
Os quatros sabiam exatamente de quem aquela voz estava falando.
Era deles.
Os sete permaneceram completamente imóveis.
Logo outra voz respondeu:
— Eles passaram dos limites.
A primeira voltou a falar, ainda mais irritada:
— Se eles acham que isso vai ficar assim...
Houve um breve silêncio.
Então completou:
— ...estão muito enganados.
Ninguém ousou fazer qualquer movimento.
Os sete apenas continuaram escondidos na curva da escada, ouvindo atentamente a conversa que acontecia poucos metros acima deles.
Os sete permaneceram imóveis.
A conversa continuava no alto da torre.
Então outra voz, ainda mais firme, disse:
— Dessa vez, temos que acabar com todos eles...
Fez uma breve pausa.
— ...e sem hesitar.
Liam sentiu um frio percorrer a espinha.
Sem perceber, sua mão começou a tremer.
O celular escorregou de seus dedos.
CLAC!
O aparelho bateu com força nos degraus de pedra.
O barulho ecoou por toda a torre.
O silêncio tomou conta do lugar.
Por um segundo...
Ninguém respirou.
Então uma sombra apareceu no alto da escada.
Um dos alunos do quarto ano olhou para baixo.
Seus olhos encontraram o grupo escondido.
— Tem alguém aí!
Outra voz gritou:
— São eles!
No instante seguinte, passos apressados começaram a descer a escada.
Scott não pensou duas vezes.
— Corram!
Os sete dispararam escada abaixo.
O som das botas dos veteranos ecoava logo atrás deles.
— Vamos pegar essas crianças! — gritou um dos alunos do quarto ano.
Alex puxou Trevor pelo braço.
Liam quase tropeçou, mas Elena o segurou antes que caísse.
Katy e Cora vinham logo atrás.
Eles atravessaram os corredores do internato sem olhar para trás.
Não sabiam para onde correr.
Apenas queriam escapar.
Quando dobraram um corredor pouco iluminado, Scott apontou para uma velha porta de madeira.
— A área restrita!
Sem pensar, empurrou a porta.
Ela abriu com um rangido.
Todos entraram.
Scott a fechou rapidamente.
Do outro lado, ouviam-se os passos dos veteranos se aproximando.
Os sete permaneceram em silêncio.
— Espera...
Rrrr...
A passagem secreta apareceu novamente diante deles.
Sem outra alternativa, entraram rapidamente.
Assim que o último atravessou a abertura se fechou.
Os passos dos veteranos passaram pelo corredor.
— Eles sumiram!
— Procurem!
— Eles não podem ter ido longe!
Do outro lado da parede...
Os sete permaneciam em completo silêncio dentro da passagem secreta.
Apenas a respiração acelerada quebrava o vazio daquele corredor esquecido pelo tempo.
Pela primeira vez...
Todos eles estavam juntos naquele lugar misterioso.
Por alguns instantes, ninguém disse uma palavra.
O único som era o da respiração dos sete ecoando pelo estreito corredor de pedra.
Cora foi a primeira a quebrar o silêncio.
— Que lugar é esse?
Liam iluminou o caminho com a lanterna do celular.
— É uma passagem secreta.
Olhou para Elena, Katy e Cora.
— Nós a encontramos no início do ano.
As três observavam cada detalhe.
As paredes antigas estavam cobertas por poeira.
Em alguns trechos, símbolos desgastados pelo tempo ainda eram visíveis.
Elena abraçou os próprios braços.
— Que lugar macabro...
Olhou para trás, como se esperasse que algo surgisse da escuridão.
— Vamos embora daqui.
Scott sorriu de leve.
— Calma.
Apontou para frente.
— Vocês precisam ver isso.
Os sete continuaram caminhando.
Passaram pelas inscrições antigas.
Scott mostrou os nomes gravados na pedra.
— Aqui encontramos esses nomes.
Elena aproximou a lanterna.
— Noah...
— Cristian...
— Clary...
Ela olhou surpresa para os amigos.
— Os professores?
Liam apenas assentiu.
Continuaram andando até chegarem ao fim do corredor.
Ali, como sempre, estava ela.
A enorme porta de ferro.
Escura.
Enferrujada.
Imponente.
Parecia fazer parte da própria montanha.
Trevor aproximou-se.
— Foi aqui que nossa investigação parou.
Passou a mão pela superfície fria do metal.
— Ninguém conseguiu abrir essa porta.
Katy caminhou lentamente ao redor dela, observando cada detalhe.
Passou os dedos pela lateral.
Depois pelo centro.
Franziu a testa.
— Mas...
Todos olharam para ela.
— Ela não tem fechadura.
Scott respondeu:
— Não.
Katy continuou examinando.
— Também não tem trinco.
Alex completou:
— Nem dobradiças aparentes.
Cora aproximou-se.
— Então...
Olhou novamente para a porta.
— Como isso abre?
Liam soltou um pequeno sorriso.
Já havia feito a mesma pergunta dezenas de vezes.
Então respondeu, quase automaticamente:
— Não se abre.
O silêncio voltou a dominar o corredor.
Os sete permaneceram diante da gigantesca porta de ferro.
E, pela primeira vez, Elena, Katy e Cora compreenderam por que aquele lugar havia se tornado uma obsessão para os quatro amigos.
A porta estava ali.
À frente deles.
Como se escondesse um segredo que esperava, pacientemente, há séculos para ser revelado.
Elena continuava observando a enorme porta de ferro.
Quanto mais a encarava, mais curiosa ficava.
Ela respirou fundo e disse:
— Se há uma porta...
Passou a mão pela superfície fria do metal.
— ...tem um jeito de abrir.
Olhou para os amigos.
— Só precisamos descobrir como.
Os seis permaneceram em silêncio por alguns segundos.
Então Scott concordou.
— Faz sentido.
Trevor assentiu.
— Nenhuma porta é construída sem um propósito.
Alex sorriu.
— Ainda vamos descobrir.
Katy e Cora também concordaram.
A curiosidade agora era compartilhada por todos.
Enquanto voltavam lentamente pelo corredor, Elena passou a iluminar as paredes com a lanterna.
Havia inscrições antigas.
Datas.
Nomes.
Símbolos.
Algumas partes pareciam muito mais recentes que outras.
De repente, ela parou.
— Gente...
Todos olharam para ela.
— Nessas paredes...
Ela passou os dedos cuidadosamente sobre uma inscrição.
— ...tem a história do colégio.
Alex aproximou a lanterna.
Observou as gravações por alguns instantes.
— Aparentemente...
Fez uma pausa.
— Toda a história.
Continuou caminhando lentamente enquanto lia algumas inscrições.
— Desde a fundação de Valenhall...
Apontou para outra parte da parede.
— ...até os dias de hoje.
Cora arregalou os olhos.
— Mas quem escreve nas paredes?
O corredor mergulhou novamente no silêncio.
Scott respondeu sem desviar os olhos das inscrições.
— Provavelmente...
Respirou fundo.
— A mesma pessoa que envia as cartas.
Olhou para cada um dos amigos.
— A mesma pessoa que está por trás de tudo isso.
As palavras ecoaram pelo corredor de pedra.
Ninguém respondeu.
Todos voltaram a observar as paredes.
Se Scott estivesse certo...
Isso significava que alguém continuava entrando naquela passagem secreta.
Alguém que conhecia cada canto de Valenhall.
E que, de alguma forma, registrava ali os acontecimentos do internato como se escrevesse um diário que ninguém deveria encontrar.
Os sete permaneceram diante das escrituras e da gigantesca porta de ferro.
O silêncio era interrompido apenas pelo gotejar de água que caía do teto da antiga passagem.
Katy continuava observando atentamente a porta.
Seus olhos percorriam cada detalhe do metal.
De repente, ela deu um passo à frente.
— Gente...
Todos olharam para ela.
Ela respirou fundo.
— Eu tive uma ideia...
Fez uma pequena pausa antes de completar:
— Uma ideia macabra.
Liam arqueou uma sobrancelha.
— Fala.
Katy apontou para a porta.
— Quatro pessoas receberam cartas, certo?
Scott assentiu.
— Noah.
— Cristian.
— Clary.
— Erick
Trevor completou:
— E a Vick desapareceu antes que soubéssemos de qualquer coisa.
Katy cruzou os braços.
— Exatamente.
Ela voltou a olhar para a porta.
— Se a conta estiver certa...
— São cinco pessoas.
Todos ficaram em silêncio.
Então Katy apontou para a superfície da porta.
— Vocês estão vendo aqueles cinco espaços diferentes?
As lanternas iluminaram o metal.
Pela primeira vez, todos prestaram atenção nos cinco encaixes, discretamente distribuídos pela porta.
Elena aproximou-se.
— Eu nunca tinha reparado nisso...
Cora também observou.
— Parecem feitos para encaixar alguma coisa.
Scott deu mais um passo à frente.
Passou os dedos por um dos espaços.
— Nós sempre olhamos para a porta...
— Mas nunca para esses detalhes.
Katy continuou seu raciocínio.
— E se esses cinco espaços tiverem relação com as cinco pessoas que receberam as cartas?
Ninguém respondeu.
A ideia parecia absurda.
Mas...
Ao mesmo tempo...
Era a hipótese mais lógica que haviam ouvido até então.
Alex quebrou o silêncio.
— Se isso for verdade...
Trevor completou:
— Cada pessoa seria uma espécie de... chave?
Liam olhava fixamente para a porta.
— Ou cada uma teria algo necessário para abri-la.
Elena respirou fundo.
— Então existe uma quinta pessoa.
Scott assentiu lentamente.
— Sim...
Seus olhos permaneceram fixos nos cinco encaixes.
— E, até hoje...
— Ninguém sabe quem ela é.
Um silêncio pesado tomou conta da passagem.
Pela primeira vez desde que encontraram aquela porta...
Eles não tinham apenas uma pergunta.
Tinham um novo objetivo.
Descobrir quem era a quinta pessoa.
O silêncio permaneceu por alguns instantes.
Liam olhava fixamente para a porta de ferro.
Então passou a mão na cabeça e soltou um suspiro.
— Cadê meu caderno nessas horas?
Os amigos sorriram discretamente.
Desde que o caderno desaparecera, Liam sentia falta de todas as anotações que havia feito sobre o caso.
Alex cruzou os braços.
— Tá...
Olhou para os cinco encaixes da porta.
— Mas como vamos descobrir quem é essa quinta pessoa?
Ninguém respondeu.
Alex continuou:
— Entre nós, só conhecemos quatro.
— Elena, Trevor, Scott e Cora.
Respirou fundo.
— E agora?
— Como vamos descobrir quem é a quinta pessoa?
Elena levantou a mão timidamente.
— Eu tenho uma ideia.
Todos olharam para ela.
— E se a gente contar tudo para o professor Noah?
Ela olhou para os amigos.
— Talvez ele possa nos ajudar.
Antes mesmo que terminasse a frase, uma única resposta ecoou pela passagem.
— NÃO!
Os seis responderam ao mesmo tempo.
Elena deu um pequeno passo para trás, surpresa com a reação.
Scott respirou fundo.
— Eles já passaram por isso.
Apontou para os nomes gravados na parede.
— Noah...
— Cristian...
— Clary...
— Eles viveram tudo isso há anos.
Sua expressão ficou séria.
— E tenho certeza de que eles não contam tudo o que sabem para nós.
Trevor concordou.
— Sempre que perguntamos alguma coisa, eles respondem só uma parte.
Alex completou:
— Como se estivessem escondendo alguma coisa.
Scott voltou a olhar para Elena.
— Então não vamos entregar o ouro para eles.
Liam cruzou os braços.
— Primeiro vamos descobrir o máximo que conseguirmos.
Katy assentiu.
— Se realmente precisarmos de ajuda...
— Aí pensamos nisso.
Cora respirou fundo.
— Confesso que estou morrendo de medo.
Elena sorriu de leve.
— Eu também.
Scott olhou para cada um dos amigos.
Apesar do medo estampado no rosto de todos, sua voz soou firme.
— Mesmo assustados...
Fez uma breve pausa.
— Vamos resolver isso.
Os outros seis concordaram em silêncio.
Naquele instante, sem perceberem, os sete formavam muito mais do que um grupo de amigos.
Estavam se tornando uma equipe.
E, dali em diante, o mistério de Valenhall também passava a ser responsabilidade deles.
Mesmo sem saber quem havia recebido a quinta carta, Scott continuava encarando os cinco espaços da porta.
Parecia tentar organizar todas as informações em sua cabeça.
De repente, ele perguntou:
— Será que existe um padrão?
Os outros olharam para ele.
Scott começou a contar nos dedos:
— Agora temos Elena, Trevor, eu e Cora.
Apontou para as inscrições antigas na parede.
— E, antigamente, foram Noah, Cristian, Clary, Erick e Vick. Não necessariamente nessa ordem.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, analisando os nomes.
— No passado eram três homens e duas mulheres.
Elena franziu a testa, tentando acompanhar o raciocínio.
Scott continuou:
— Agora temos duas meninas e dois meninos. Se estiver seguindo o mesmo padrão...
Olhou novamente para os cinco encaixes.
— Um homem recebeu a quinta carta.
Elena ergueu uma sobrancelha.
— Menino, você quis dizer, né?
Alex segurou o riso.
— É, Scott. Nós ainda estamos no primeiro ano.
Scott revirou os olhos.
— Está bem. Um menino.
Trevor se aproximou da porta.
— Então o quinto destinatário pode ser um de vocês dois.
Ele apontou para Liam, Alex.
Katy cruzou os braços.
— Ou pode ser algum menino que nem sequer sabemos que está envolvido nisso.
Cora observou o corredor escuro atrás deles.
— Talvez ele tenha recebido a carta e esteja escondendo de todos.
O sorriso de Alex desapareceu.
— Ou talvez ainda não tenha recebido.
Liam permaneceu em silêncio.
Enquanto os amigos discutiam, ele analisava cada um dos cinco espaços da porta.
Então falou:
— Existe outra possibilidade.
Todos se calaram.
— A pessoa pode não saber que faz parte disso.
O grupo trocou olhares preocupados.
Se o padrão realmente estivesse se repetindo, o quinto escolhido poderia estar muito mais próximo do que imaginavam.
Liam olhou para os amigos.
— Acho melhor voltarmos para os dormitórios.
Todos concordaram.
— Lá a gente consegue discutir isso melhor, sem correr o risco de alguém aparecer por aqui.
Katy deu um sorriso de canto.
— Tem um pequeno problema.
Todos olharam para ela.
— Meninos não podem entrar no dormitório das meninas...
Ela apontou para Liam, Scott, Alex e Trevor.
— ...e meninas não podem entrar no dormitório dos meninos.
Alex suspirou.
— Tinha me esquecido desse detalhe.
Scott deu de ombros.
— Para isso, sim.
Os outros ficaram sem entender.
Scott sorriu.
— Se alguém descobrir, a gente inventa alguma desculpa.
Trevor riu.
— Uma desculpa para sete alunos estarem reunidos no dormitório depois do horário?
— A criatividade resolve.
Elena balançou a cabeça, rindo.
— Você tem resposta para tudo, né?
Scott sorriu.
— Quase tudo.
Cora olhou para os corredores vazios.
— Então vamos logo. Quanto mais tempo ficarmos aqui, maiores as chances de alguém aparecer.
Liam iluminou o caminho com a lanterna.
— Certo.
— Vamos sair da passagem antes que ela resolva nos prender aqui também.
Os sete deram uma última olhada para a gigantesca porta de ferro.
Os cinco encaixes permaneceram imóveis.
Silenciosos.
Como se esperassem, pacientemente, pelas cinco pessoas certas.
Em seguida, o grupo caminhou de volta em direção à saída secreta, levando consigo muito mais perguntas do que respostas.
Os sete saíram cuidadosamente da passagem secreta.
A porta de pedra voltou a se fechar atrás deles, escondendo novamente o corredor subterrâneo.
Depois de atravessarem o jardim sem encontrar ninguém, seguiram rapidamente em direção ao prédio dos dormitórios.
Assim que chegaram, Scott olhou para os lados para ter certeza de que o corredor estava vazio.
— Vamos.
Sem perder tempo, todos entraram no dormitório das meninas.
Katy fechou a porta com cuidado.
Elena encostou o ouvido na madeira.
— Ninguém viu.
Liam respirou aliviado.
— Ótimo.
Ele olhou para Katy.
— Você tem um papel e uma caneta?
Katy abriu a gaveta da escrivaninha.
— Tenho.
Ela entregou uma folha em branco e uma caneta para Liam.
Ele sentou-se à mesa.
— Se a gente continuar tentando lembrar de tudo de cabeça, vai acabar esquecendo alguma pista.
Liam escreveu no alto da folha:
Mistério de Valenhall
Em seguida, fez uma linha no meio da página.
— Vamos organizar tudo o que sabemos.
Trevor puxou uma cadeira.
— Começa pelas cartas.
Liam escreveu:
Cartas recebidas:
ElenaTrevorScottCoraAlex apontou para o papel.
— E coloca um ponto de interrogação embaixo.
Liam escreveu:
? Quinta pessoa
Cora caminhava de um lado para o outro.
— Depois vem a passagem secreta.
Liam anotou:
Passagem secreta.Inscrições nas paredes.História do colégio sendo atualizada.Porta de ferro com cinco encaixes.Elena lembrou de outro detalhe.
— Não esquece de escrever que ninguém sabe quem construiu a passagem.
— Boa.
Liam acrescentou a informação.
Scott olhava para a folha.
— Agora coloca outra coisa.
Liam ergueu a cabeça.
— O quê?
Scott respondeu sem hesitar:
— As cinco pessoas do passado.
Liam escreveu logo abaixo:
NoahCristianClaryErickVickKaty aproximou-se da mesa.
— E escreve a teoria do padrão.
Liam anotou:
Passado: 3 homens e 2 mulheres.
Presente: Elena, Cora, Trevor, Scott...
Parou a caneta no ar.
Depois escreveu lentamente:
Quinta pessoa: provavelmente um menino.
O quarto mergulhou em silêncio.
Pela primeira vez, todas as pistas estavam reunidas em uma única folha.
Agora, bastava descobrir como elas se encaixavam.
Scott permaneceu olhando para a folha que Liam havia preenchido.
Quanto mais observava as anotações, mais percebia que havia algo errado.
Ou melhor...
Algo que todos estavam ignorando.
Ele respirou fundo.
— Gente...
Todos levantaram os olhos.
Scott apontou para a lista.
— Se quem escreve as cartas é o mesmo que escreve na passagem secreta...
Fez uma pequena pausa.
— Consequentemente, não pode ser a mesma pessoa de mais de vinte anos atrás.
Alex cruzou os braços.
— Faz sentido.
Scott continuou:
— Ou então...
Coçou a cabeça.
— Alguém passou o bastão para outra pessoa.
Sorriu de lado.
— Sei lá...
Ninguém interrompeu.
Todos esperavam que ele terminasse o raciocínio.
Scott começou a andar pelo quarto.
— A gente está tentando descobrir quem é a quinta pessoa.
Parou diante da janela.
— Mas talvez essa nem seja a pergunta mais importante.
Liam apoiou os cotovelos sobre a mesa.
— Então qual é?
Scott respondeu quase imediatamente.
— Por que sempre são escolhidas cinco pessoas?
O quarto inteiro ficou em silêncio.
Scott continuou.
— E por que pessoas desaparecem do internato?
Olhou para Elena.
— Erick morreu.
Olhou para Trevor.
— Vick desapareceu.
Respirou fundo.
— Teve aquele professor de História que também sumiu.
Olhou para todos.
— E ainda existem aqueles símbolos estranhos espalhados pelo colégio.
Katy assentiu lentamente.
— Nunca tinham pensado nisso desse jeito...
Scott deu um leve sorriso.
— Enfim...
Fez um gesto para a folha.
— Fora isso...
— Estamos tentando montar um quebra-cabeça sem saber qual é a figura da caixa.
As palavras fizeram todos refletirem.
Talvez estivessem concentrados demais nas cartas...
Quando o verdadeiro mistério fosse muito maior do que elas.
O quarto permaneceu em silêncio.
Todos olhavam para a folha cheia de anotações.
Scott pegou a caneta da mão de Liam.
Começou a desenhar alguns círculos e ligá-los com linhas.
Depois levantou a cabeça.
— Vamos lá.
Todos prestaram atenção.
— Essa tal de Vick desapareceu.
Fez uma pausa.
— Acho que podemos começar nossas pesquisas por aí.
Olhou para Elena e Trevor.
— Elena e Trevor, vocês ficam com isso.
Trevor assentiu.
— Vamos procurar tudo o que encontrarmos.
— Fotos, documentos, anuários... qualquer coisa.
Elena completou:
— E conversar com alunos mais velhos também.
Scott fez outra anotação.
Depois olhou para Katy, Liam e Alex.
— Já vocês três...
Apontou para os nomes deles.
— Explorem melhor a passagem secreta.
Liam sorriu.
— Essa parte eu gosto.
Scott continuou.
— Vejam se existe alguma sala escondida, algum símbolo que passou despercebido, alguma inscrição diferente...
Alex respondeu:
— Pode deixar.
Katy assentiu.
— Vamos olhar tudo com calma.
Scott voltou a escrever.
Em seguida olhou para Cora.
— Cora...
Ela levantou os olhos.
— Você vem comigo.
— Vamos investigar a Torre do Relógio.
Liam imediatamente olhou para ele.
Scott explicou:
— Você mesmo disse que aquela torre parece ter ligação com tudo isso.
Fez uma breve pausa.
— E naquele dia...
Olhou para os amigos.
— O professor Noah ficou completamente desconcertado quando aquele assunto veio à tona.
Liam concordou.
— É verdade.
— A reação dele foi estranha demais.
Scott terminou de escrever a divisão das tarefas.
Depois colocou a caneta sobre a mesa.
— Gente...
Todos ficaram em silêncio.
— Amanhã começamos nossos trabalhos.
Olhou para cada um deles.
— Façam pesquisas.
— Procurem livros.
— Perguntem para colegas.
— Vasculhem a biblioteca.
— Qualquer informação pode fazer diferença.
Trevor sorriu.
— Vamos montar um arquivo.
Scott assentiu.
— Exatamente.
Apontou para a folha.
— A partir de agora, tudo o que descobrirmos vai ficar registrado.
Liam sorriu ao ouvir aquilo.
— Um novo caderno de investigação.
Scott deu um leve sorriso.
— E, se nesse meio-tempo...
Olhou novamente para o desenho dos cinco encaixes na folha.
— Descobrirmos quem é a quinta pessoa...
Sua voz ficou mais baixa.
— Todos nós iremos até a passagem secreta.
Fez uma pausa.
Então concluiu:
— E tentaremos abrir aquela porta.
Ninguém respondeu.
Mas, pelos olhares determinados ao redor da mesa, não havia mais dúvidas.
Naquela noite, os sete amigos deixaram de apenas seguir pistas.
Eles haviam criado sua própria investigação.
E, sem perceber, estavam cada vez mais próximos da verdade escondida por trás dos quatrocentos anos de história de Valenhall.
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