Internato Valenhall
16 As peças do quebra-cabeça
Na manhã seguinte, o despertador pareceu tocar mais cedo do que de costume.
Nenhum dos sete amigos conseguiu dormir direito.
As perguntas sobre a quinta pessoa, a porta de ferro e o desaparecimento de Vick não saíam de suas cabeças.
Durante o café da manhã, eles trocaram apenas alguns olhares.
Ninguém queria levantar suspeitas.
Scott foi o primeiro a quebrar o silêncio.
— Lembrem-se.
Falou baixo para que apenas eles ouvissem.
— Nada de agir em grupo.
— Cada dupla faz sua investigação normalmente.
— No fim do dia nos encontramos no dormitório das meninas.
Todos concordaram discretamente.
Assim que as aulas terminaram, cada grupo seguiu seu caminho.
Elena e Trevor foram em direção à biblioteca.
Precisavam descobrir quem era Vick e tudo o que havia acontecido antes de seu desaparecimento.
Enquanto isso, Liam, Katy e Alex caminharam até o jardim.
Esperaram o momento em que ninguém estivesse olhando.
Então desapareceram novamente pela entrada da passagem secreta.
O objetivo era simples:
Procurar qualquer detalhe que tivesse passado despercebido nas visitas anteriores.
Já Scott e Cora seguiram para a Torre do Relógio.
Os dois pretendiam investigar o lugar onde Liam jurava ter visto uma sombra naquela noite e descobrir por que o professor Noah havia ficado tão abalado quando o assunto surgiu na cerimônia das Casas.
Antes de cada grupo se separar completamente, Scott olhou para todos mais uma vez.
— Não façam nada sozinhos.
— Se encontrarem qualquer coisa estranha...
Fez uma pausa.
— Não tentem resolver na hora.
— Esperem até nos reunirmos novamente.
Liam sorriu.
— Hoje começa a investigação de verdade.
Trevor respondeu:
— E, pela primeira vez...
Olhou para os amigos.
— Cada um de nós tem uma missão.
Sem perceber, os sete seguiram por caminhos diferentes.
Mas todos estavam caminhando em direção ao mesmo mistério.
E talvez...
Em algum lugar do internato...
Alguém já soubesse exatamente o que cada um deles estava prestes a descobrir.
Assim que chegaram ao jardim, Liam colocou a mão na mochila.
Seu rosto mudou completamente.
— Não acredito...
Alex olhou para ele.
— O que foi?
Liam abriu a mochila rapidamente.
Revirou os cadernos.
Olhou novamente.
Depois levou a mão à testa.
— Esqueci meu novo caderno de investigação.
Scott franziu a testa.
— Como assim?
Liam sorriu sem graça.
— Ontem à noite eu fiquei escrevendo nele até tarde.
— Organizei todas as pistas, desenhei a porta, os cinco encaixes, fiz um mapa da passagem secreta...
Respirou fundo.
— E acabei deixando em cima da minha cama.
Alex riu.
— O investigador esqueceu justamente o caderno de investigação.
Katy também sorriu.
— Isso é bem a sua cara.
Liam balançou a cabeça.
— Podem rir.
Depois apontou para a entrada da passagem.
— Façam o seguinte.
— Entrem e já vão explorando a passagem secreta.
Olhou para Alex e Katy.
— Procurem qualquer coisa diferente.
— Alguma inscrição nova.
— Algum símbolo.
— Qualquer detalhe.
— Eu vou buscar o caderno e encontro vocês lá dentro.
Alex assentiu.
— Não demora.
Katy fez um sinal positivo com a cabeça.
— A gente começa pela parte das inscrições.
Liam deu meia-volta e saiu correndo em direção ao dormitório masculino.
Enquanto isso, Alex e Katy esperaram alguns segundos para garantir que ninguém estivesse observando o jardim.
Em seguida, abriram cuidadosamente a entrada secreta.
A antiga passagem voltou a revelar seu corredor escuro de pedra.
Os dois trocaram um olhar.
Sem Liam, teriam que explorar aquele lugar pela primeira vez sozinhos.
E nenhum dos dois imaginava que, antes mesmo de o amigo retornar, encontrariam algo que nunca havia sido visto por ninguém.
Alex e Katy entraram na passagem secreta pelo jardim.
A pesada porta de pedra fechou-se lentamente atrás deles.
O corredor voltou a mergulhar no mais absoluto silêncio.
Os dois seguiram iluminando o caminho com as lanternas dos celulares.
Passaram pelas antigas inscrições.
Pelos símbolos gravados na pedra.
Pelos nomes de Noah, Cristian, Clary, Erick e Vick.
Sem dizer uma palavra, continuaram caminhando até chegarem novamente diante da gigantesca porta de ferro.
Os cinco encaixes permaneciam exatamente como no dia anterior.
Alex aproximou-se para observar melhor.
Foi então que Katy segurou seu braço.
— Alex...
Sua voz saiu quase como um sussurro.
— Olha aquilo.
Alex levantou a lanterna.
Na parede, bem ao lado da porta de ferro...
Havia uma inscrição.
Ela não estava ali no dia anterior.
Os dois tinham certeza.
As letras pareciam ter sido riscadas recentemente na pedra.
Alex aproximou a luz.
Os dois leram em voz baixa:
"Vocês estão fazendo as perguntas erradas."
Os dois ficaram imóveis.
Um arrepio percorreu a espinha de Katy.
— Isso...
Ela engoliu em seco.
— Isso não estava aqui ontem.
Alex passou a mão sobre as palavras.
A pedra ainda parecia áspera, como se tivesse sido marcada havia pouco tempo.
Seu coração começou a acelerar.
— Alguém entrou aqui depois da gente.
Os dois permaneceram em silêncio.
Então perceberam outro detalhe.
Logo abaixo da frase havia um pequeno símbolo.
O mesmo símbolo que aparecia nas cartas.
Alex respirou fundo.
— Ele sabe.
Katy olhou para ele.
— Quem?
Alex não desviava os olhos da parede.
— Quem escreve as cartas...
Fez uma pausa.
— Sabe que estamos investigando.
Naquele instante, os dois tiveram a mesma sensação.
Eles não estavam procurando o responsável pelas cartas.
Era o responsável pelas cartas que estava acompanhando cada passo deles.
Liam correu pelos corredores do dormitório masculino.
Subiu as escadas de dois em dois degraus até chegar ao seu quarto.
Ao abrir a porta, viu exatamente o que esperava.
Sobre a cama estava seu novo caderno.
Na capa, escrito com caneta preta, lia-se:
Caderno de Investigação — Valenhall
Ele sorriu.
— Ainda bem...
Pegou o caderno e conferiu rapidamente as primeiras páginas.
Ali estavam todas as anotações da noite anterior.
As teorias.
Os desenhos da porta de ferro.
Os cinco encaixes.
Os nomes dos escolhidos.
Tudo estava ali.
Liam colocou o caderno debaixo do braço e caminhou até a porta.
Girou a maçaneta.
Mas a porta não abriu.
— Ué...
Tentou novamente.
Nada.
— Deve ter emperrado.
Empurrou.
Puxou.
A porta continuava presa.
Liam respirou fundo.
— Vamos...
Segurou a maçaneta com as duas mãos e puxou com toda a força.
No mesmo instante, a porta cedeu de repente.
Sem qualquer resistência.
Liam perdeu completamente o equilíbrio.
Foi lançado para trás.
Não teve tempo de se apoiar.
Sua cabeça bateu violentamente na quina metálica de uma das camas.
Toc!
Tudo ficou escuro.
O caderno escapou de sua mão e deslizou pelo chão.
Liam permaneceu imóvel.
Inconsciente.
O quarto voltou ao silêncio.
Enquanto isso, do outro lado do internato...
Trevor e Elena entravam na biblioteca.
Assim que passaram pela porta, trocaram um olhar.
— Vamos direto ao assunto — disse Trevor.
Elena concordou.
Os dois caminharam entre as enormes estantes de madeira.
Passaram pelas prateleiras de Literatura.
Ciências.
Geografia.
Até chegarem à seção que procuravam.
Uma placa antiga indicava:
História do Internato Valenhall
Centenas de livros, anuários, jornais antigos e caixas de documentos ocupavam as prateleiras.
Trevor sorriu.
— Se existe algum lugar onde podemos encontrar informações sobre a Vick...
Passou a mão pelos livros.
— É aqui.
Elena começou a retirar alguns volumes.
— Vamos dividir.
— Você pesquisa os anuários.
— Eu procuro nos livros sobre a história do internato.
Trevor assentiu.
Os dois sentaram-se em mesas diferentes.
A investigação havia começado.
E nenhum deles imaginava que a primeira descoberta seria muito mais estranha do que esperavam.
As pesquisas avançavam lentamente.
Trevor folheava um antigo anuário enquanto Elena examinava um grosso livro sobre a história do Internato Valenhall.
Os dois já estavam há quase uma hora na biblioteca.
Até que Elena chamou baixinho:
— Trevor...
Ele levantou a cabeça.
— Achei uma coisa estranha.
Trevor aproximou a cadeira.
No livro havia uma fotografia antiga da turma de 1995.
Os alunos apareciam enfileirados em frente ao prédio principal.
Elena passou o dedo pela imagem.
— Olha.
Trevor observou atentamente.
Cinco alunos estavam marcados com pequenos círculos feitos à caneta.
Não faziam parte da impressão original.
Alguém havia marcado a fotografia anos depois.
Os nomes eram facilmente identificados.
Noah.
Cristian.
Clary.
Erick.
E...
Trevor arregalou os olhos.
— Vick.
Os dois se entreolharam.
Elena virou rapidamente a página seguinte.
Havia uma lista com todos os alunos daquele ano.
Ao lado do nome de Vick não existia nenhuma observação.
Mas ao lado de Erick havia apenas uma palavra escrita a lápis.
"Falecido."
Trevor sentiu um arrepio.
— Isso não deveria estar aí.
Elena concordou.
— Alguém escreveu isso depois que o livro foi publicado.
Continuaram pesquisando.
Alguns minutos depois, Trevor encontrou uma caixa cheia de recortes de jornais antigos.
Enquanto separava os papéis, um título chamou sua atenção.
"Aluna desaparece durante excursão escolar."
Ele abriu rapidamente a matéria.
Leu em silêncio.
Depois olhou para Elena.
— Não fala o nome dela.
Elena pegou o jornal.
Também leu.
No texto dizia apenas:
"Uma estudante do terceiro ano desapareceu durante uma atividade promovida pelo Internato Valenhall. A direção optou por preservar a identidade da família."
Elena franziu a testa.
— Será que é a Vick?
Trevor balançou a cabeça.
— Não sei.
— Pode ser...
— Mas também pode ser outra pessoa.
Eles voltaram às estantes.
Já não estavam procurando apenas respostas.
Agora começavam a encontrar perguntas ainda maiores.
E a sensação de que alguém havia apagado partes importantes da história do internato só aumentava a cada novo documento encontrado.
Trevor continuava revirando uma pilha de álbuns antigos.
As capas eram grossas, revestidas de couro escuro, com o brasão do Internato Valenhall gravado em dourado.
— Acho que encontrei os álbuns de formatura... — murmurou.
Elena levantou os olhos do livro que lia.
— De que ano?
Trevor conferiu a lombada.
— Mil novecentos e noventa e cinco.
Os dois se aproximaram da mesa.
Trevor abriu cuidadosamente o álbum.
As primeiras páginas mostravam os preparativos para a cerimônia de formatura.
Alunos sorrindo.
Professores reunidos.
A entrega dos diplomas.
Tudo parecia absolutamente normal.
Ele continuou folheando.
Mais algumas páginas.
Fotos do baile.
Dos dormitórios.
Dos jardins.
Até que parou abruptamente.
Seu rosto perdeu a expressão.
Os olhos ficaram fixos na fotografia.
— Elena...
Ela percebeu imediatamente que havia algo errado.
— O que foi?
Trevor não respondeu.
Apenas virou lentamente o álbum em sua direção.
Elena olhou para a fotografia.
E ficou sem palavras.
A imagem mostrava um dos pátios internos do internato.
No centro do piso de pedra...
Três jovens estavam ajoelhados.
Era impossível confundir aqueles rostos.
Noah.
Cristian.
E Clary.
Os três pareciam desenhar cuidadosamente um enorme pentagrama no chão usando um pedaço de giz branco.
Ao redor deles havia velas apagadas e vários símbolos riscados nas pedras.
Trevor deu um passo para trás.
— Não...
Sua voz saiu quase sem força.
— Isso... isso não faz sentido.
Elena aproximou o rosto da fotografia.
— Eles eram alunos...
Trevor assentiu lentamente, ainda incrédulo.
— Nós ouvimos histórias sobre pentagramas aparecendo no internato...
Respirou fundo.
— Mas... eles estavam desenhando um.
O silêncio tomou conta da biblioteca.
Trevor voltou a observar cada detalhe da fotografia.
Foi então que percebeu algo ainda mais estranho.
Os três não pareciam estar sorrindo nem brincando.
Seus rostos demonstravam extrema concentração.
Como se estivessem realizando algo importante.
Ou seguindo alguma instrução.
Trevor virou a página seguinte.
Seu coração acelerou.
A fotografia seguinte mostrava exatamente o mesmo pátio.
Mas o pentagrama havia desaparecido completamente.
Não existia qualquer marca no chão.
Como se nunca tivesse estado ali.
Ele voltou rapidamente para a foto anterior.
Depois para a seguinte.
Novamente.
A diferença era impossível de ignorar.
Trevor fechou o álbum lentamente.
— Seja lá o que aconteceu naquele dia...
Olhou para Elena.
— Eles nunca contaram a ninguém.
E, pela primeira vez desde o início da investigação, Trevor teve a sensação de que os três adultos que hoje comandavam o Internato Valenhall escondiam um segredo muito maior do que imaginavam.
Trevor continuava olhando a fotografia, tentando entender o que via.
Foi quando Elena colocou a mão sobre o álbum.
— Espera.
Trevor levantou os olhos.
— O quê?
— Volta uma página.
Ele obedeceu.
A fotografia voltou a mostrar Noah, Cristian e Clary ajoelhados no centro do pátio, desenhando o enorme pentagrama de giz.
Elena estreitou os olhos.
Inclinou o álbum um pouco para aproveitar melhor a luz que entrava pela janela da biblioteca.
Então apontou para o canto superior direito da fotografia.
— Ali.
Trevor aproximou o rosto.
No início não conseguiu enxergar nada.
Mas, observando com mais atenção, percebeu um detalhe quase escondido.
Atrás de alguns arbustos...
Havia alguém.
Uma pessoa completamente encapuzada.
Era apenas uma silhueta escura, parcialmente escondida pela vegetação.
O rosto estava coberto pela sombra do capuz.
Era impossível identificar quem era.
Trevor sentiu um frio percorrer a espinha.
— Meu Deus...
Elena não tirava os olhos da fotografia.
— Você está vendo?
Trevor apenas assentiu.
A figura parecia estar observando os três jovens sem que eles percebessem.
Ou...
Talvez eles soubessem que ela estava ali.
O silêncio tomou conta da biblioteca.
Então Elena falou, quase num sussurro:
— Olha...
Trevor virou-se para ela.
— É a mesma pessoa...
Fez uma pausa.
— A pessoa que Noah e Cristian disseram que estava na Torre do Relógio.
Trevor arregalou os olhos.
Na mesma hora, lembrou-se da conversa que os professores haviam deixado escapar no microfone antes da cerimônia das Casas.
Da misteriosa figura observando do alto da torre.
Da antiga história contada pelo professor de História, anos atrás.
Seu coração começou a bater mais rápido.
— Então ela já estava aqui...
— Há mais de trinta anos.
Elena voltou a analisar a fotografia.
— E, se essa pessoa é a mesma...
Respirou fundo.
— Significa que ela acompanhava Noah, Cristian e Clary desde quando eles eram alunos.
Trevor segurou o álbum com firmeza.
— Ou pior...
Elena olhou para ele.
— Talvez tenha sido ela quem reuniu os três naquele dia.
Os dois permaneceram imóveis, encarando a figura encapuzada.
Ela ocupava apenas uma pequena parte da fotografia.
Mas, naquele momento, parecia dominar toda a imagem.
E, pela primeira vez, Trevor teve a impressão de que o verdadeiro mistério de Valenhall não começara com as cartas.
Nem com a passagem secreta.
Talvez tudo tivesse começado com aquela pessoa silenciosa, escondida atrás dos arbustos, observando... esperando.
Enquanto isso, Scott e Cora chegavam à antiga Torre do Relógio.
O lugar continuava tão silencioso quanto das outras vezes.
Os degraus de madeira rangiam a cada passo.
A poeira cobria as janelas.
Os ponteiros do enorme relógio marcavam lentamente a passagem do tempo.
Scott iluminava cada canto com a lanterna do celular.
Cora examinava as paredes.
Procurava inscrições.
Marcas.
Símbolos.
Qualquer coisa.
Durante mais de uma hora, os dois vasculharam a torre inteira.
Subiram até o último andar.
Examinaram as vigas do telhado.
Olharam atrás de móveis antigos.
Abriram armários esquecidos.
Remexeram caixas cobertas de poeira.
Nada.
Nem um símbolo.
Nem uma carta.
Nem pegadas.
Nem qualquer sinal de que alguém tivesse estado ali recentemente.
Scott soltou um longo suspiro.
— Acho que perdemos nosso tempo.
Cora cruzou os braços.
— Não necessariamente.
Scott olhou para ela.
— Como assim?
— Às vezes...
Ela passou a mão sobre a madeira envelhecida da janela.
— Descobrir que não existe nada também é uma descoberta.
Scott sorriu de leve.
— Você está começando a pensar como uma investigadora.
Cora devolveu o sorriso.
Os dois caminharam até a grande janela da torre.
Dali era possível enxergar praticamente todo o internato.
O pátio.
Os jardins.
Os dormitórios.
As quadras.
A biblioteca.
Scott permaneceu alguns segundos observando a paisagem.
Foi então que comentou:
— Agora eu entendo por que alguém escolheria este lugar.
Cora acompanhou seu olhar.
— Daqui dá para ver quase tudo.
Scott assentiu.
— Se realmente existia alguém observando daqui anos atrás...
Fez uma pausa.
— Essa pessoa podia acompanhar cada movimento do internato sem ser percebida.
O comentário fez Cora olhar novamente para o interior da torre.
Mesmo depois de uma hora de buscas, o lugar parecia completamente comum.
Silencioso.
Abandonado.
Mas, por algum motivo, ela não conseguia afastar a sensação de que aquele silêncio escondia alguma coisa.
Talvez não fosse um objeto.
Nem uma passagem secreta.
Talvez o verdadeiro segredo da torre não estivesse no que havia ali.
Mas no que alguém já tinha visto daquele lugar, muitos anos antes.
Depois de mais de uma hora de buscas sem encontrar absolutamente nada, Scott fechou a velha porta da Torre do Relógio.
— Acho que não tivemos muita sorte... — disse, descendo os últimos degraus.
Cora olhou uma última vez para o alto da torre.
— Pelo menos agora sabemos que, se existe algum segredo aqui, ele não está à vista.
Os dois seguiram pelo jardim em direção ao prédio principal.
Durante o caminho, Scott quebrou o silêncio.
— Vamos até a biblioteca.
Cora olhou para ele.
— Você acha que Trevor e Elena encontraram alguma coisa?
Scott deu de ombros.
— Espero que sim.
— Porque nós voltamos praticamente de mãos vazias.
Poucos minutos depois, empurraram a pesada porta de madeira da biblioteca.
O ambiente permanecia silencioso.
A bibliotecária organizava alguns livros atrás do balcão.
No fundo da sala, Trevor e Elena estavam sentados diante de uma mesa completamente coberta por álbuns, jornais e livros antigos.
Trevor nem percebeu a chegada dos amigos.
Continuava olhando fixamente para uma fotografia.
Elena foi a primeira a notar Scott e Cora.
Levantou-se imediatamente.
— Vocês chegaram.
Scott sorriu.
— Pelo jeito vocês tiveram mais sorte do que nós.
Trevor levantou lentamente a cabeça.
Seu rosto estava pálido.
— Muito mais.
Cora estranhou a expressão do amigo.
— O que aconteceu?
Trevor respirou fundo.
Sem dizer uma palavra, virou o álbum na direção deles.
— Olhem isso.
Scott e Cora se aproximaram.
Primeiro observaram Noah, Cristian e Clary ajoelhados no pátio, desenhando um enorme pentagrama de giz no chão.
Scott franziu a testa.
— Não pode ser...
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Elena apontou para o canto da fotografia.
— Não olhem para eles.
— Olhem para trás dos arbustos.
Scott aproximou ainda mais o rosto.
Então viu.
Uma figura encapuzada.
Parada.
Quase escondida pela vegetação.
Observando tudo.
Cora levou a mão à boca.
— É ela...
Trevor assentiu.
— Também pensamos isso.
Scott olhou novamente para a imagem.
Quanto mais observava, mais estranho tudo parecia.
Então fez uma pergunta que deixou todos em silêncio.
— Espera...
Ele apontou para Noah, Cristian e Clary.
— Se essa pessoa estava escondida...
— Quem tirou a fotografia?
Os quatro permaneceram imóveis.
Nenhum deles havia pensado nisso.
Se alguém fotografou aquela cena...
Então havia pelo menos uma quinta pessoa presente naquele momento.
Ou talvez...
Uma sexta.
O silêncio na biblioteca era absoluto.
Os quatro permaneciam em volta da mesa, observando a fotografia.
Foi Elena quem o quebrou.
Ela fechou lentamente o álbum de formatura e puxou um livro muito mais antigo, cuja capa já estava desgastada pelo tempo.
— Esperem...
Ela abriu o volume em uma página marcada por uma fita vermelha.
— Enquanto vocês olhavam as fotografias, eu encontrei uma linha do tempo da história do internato.
Scott aproximou-se.
— Encontrou alguma coisa importante?
Elena assentiu.
Seu semblante havia mudado.
— Muito importante.
Ela respirou fundo antes de continuar.
— As mortes... e os desaparecimentos... não começaram em 1995.
Todos se entreolharam.
— O quê? — perguntou Cora.
Elena virou o livro para que todos pudessem ler.
— Segundo este registro, tudo começou em 1834.
Trevor arregalou os olhos.
— Cento e noventa e dois anos atrás...
Elena passou o dedo sobre o texto.
— Aqui diz que um aluno do segundo ano desapareceu durante uma excursão organizada pelo internato.
Scott perguntou imediatamente:
— Encontraram o corpo?
Ela balançou a cabeça.
— Nunca.
— Ele simplesmente desapareceu.
O silêncio voltou a dominar a biblioteca.
Então Elena continuou lendo.
Sua voz agora era mais baixa.
— Depois do desaparecimento...
Ela fez uma pausa.
— O internato entrou em caos.
Cora franziu a testa.
— Como assim?
Elena leu o trecho seguinte.
— "Durante semanas, pentagramas passaram a aparecer desenhados nas paredes, corredores e salas da instituição. Bilhetes com ameaças eram encontrados diariamente pelos estudantes e professores, causando medo generalizado."
Trevor sentiu um arrepio.
Era praticamente a mesma coisa que estava acontecendo agora.
Elena continuou.
— "Por motivos de segurança, as aulas foram suspensas temporariamente enquanto as autoridades investigavam os acontecimentos."
Scott olhava fixamente para o livro.
— Então...
Respirou fundo.
— Isso já aconteceu antes.
— Muito antes.
Elena assentiu.
— E não apenas uma vez.
Ela folheou mais algumas páginas.
— Há registros de outros períodos em que símbolos e ameaças reapareceram.
Nem sempre houve desaparecimentos.
Mas sempre que alguém sumia...
Os pentagramas voltavam.
Trevor apoiou as mãos sobre a mesa.
— Então alguém está repetindo um padrão que existe há quase duzentos anos.
— Ou...
Corrigiu Scott.
— Alguém nunca parou.
As palavras fizeram os quatro se calarem novamente.
Se aquilo fosse verdade...
Noah, Cristian e Clary talvez fossem apenas mais um capítulo de uma história muito mais antiga.
Uma história que começara em 1834.
E que, quase dois séculos depois, parecia estar recomeçando diante dos olhos deles.
Elena continuou folheando cuidadosamente o antigo livro.
As páginas eram frágeis e amareladas pelo tempo.
Ela parou alguns instantes, lendo em silêncio.
Então levantou os olhos.
— Tem mais uma coisa.
Os três voltaram a prestar atenção.
— Depois de 1834... não existe mais nenhum registro.
Scott estranhou.
— Como assim?
— Simplesmente... nada.
Elena mostrou o índice do livro.
— Não há relatos do restante daquele ano.
— Nenhuma investigação.
— Nenhuma explicação.
— Nenhum desfecho.
Trevor franziu a testa.
— Como se alguém tivesse arrancado uma parte da história.
Elena assentiu.
— Exatamente.
Ela virou mais algumas páginas.
— Mas no ano seguinte...
Respirou fundo.
— Os registros voltam.
Cora cruzou os braços.
— E o que aconteceu?
Elena leu o trecho lentamente.
— "Durante o tradicional acampamento de verão promovido pelo Internato Valenhall, um estudante foi encontrado morto à beira-mar. O relatório oficial concluiu que a causa da morte foi afogamento."
Scott permaneceu em silêncio.
Elena continuou.
— Mas existe uma anotação feita à margem da página...
Ela aproximou o livro da luz.
A escrita era diferente da impressão original.
Parecia ter sido feita à tinta muitos anos depois.
Elena leu:
— "O mar levou o corpo... mas não levou a marca."
Trevor sentiu um arrepio.
— Que marca?
Elena virou a página seguinte.
Ali havia um desenho reproduzido à mão.
No centro da folha...
Um pentagrama.
Exatamente igual aos que apareciam nas paredes do internato.
Ela olhou para os amigos.
— Diz que esse símbolo foi encontrado desenhado na areia...
— Ao lado do corpo.
O silêncio voltou a dominar a biblioteca.
Então Elena fechou lentamente o livro.
Um leve sorriso de incredulidade surgiu em seu rosto.
— E imaginem uma coisa...
Os três aguardaram.
— O acampamento de verão acontecia exatamente na mesma praia para onde o internato leva os alunos até hoje.
Nenhum deles disse uma palavra.
Trevor foi o primeiro a quebrar o silêncio.
— Então... nós já estivemos lá.
Scott olhou para Elena.
— E talvez...
— Sem saber...
— Tenhamos caminhado exatamente no lugar onde tudo começou.
Scott permaneceu alguns segundos olhando para os livros espalhados sobre a mesa.
Depois fez a pergunta que mais o intrigava desde que entraram na biblioteca.
— Vocês encontraram alguma coisa sobre a passagem secreta?
Elena balançou a cabeça negativamente.
— Ainda não.
Ela olhou para a pilha de livros ao seu lado.
— São muitos livros... muitos documentos... muitas histórias para ler.
Passou a mão sobre uma das capas empoeiradas.
— Até agora só consegui pesquisar os registros históricos do internato e os acontecimentos envolvendo os desaparecimentos.
— Ainda nem comecei a procurar algo sobre a passagem secreta.
Scott assentiu.
Aquilo fazia sentido.
Quase dois séculos de história não seriam pesquisados em apenas uma manhã.
Trevor também entrou na conversa.
— Eu fiquei com a parte das fotografias.
Fechou cuidadosamente o álbum de 1995.
— Encontrei aquela foto do Noah, do Cristian e da Clary desenhando o pentagrama...
Olhou rapidamente para a imagem da figura encapuzada.
— E essa pessoa escondida atrás dos arbustos.
Respirou fundo.
— Mas, sobre a passagem secreta...
Balançou a cabeça.
— Também não encontrei absolutamente nada.
Cora estranhou.
— Nenhuma foto?
— Nenhuma planta do internato?
— Nenhuma obra?
Trevor respondeu imediatamente.
— Nada.
— É como se ela nunca tivesse existido.
Scott ficou pensativo.
— Isso é impossível.
Todos olharam para ele.
— Um corredor daquele tamanho não aparece do nada.
— Alguém construiu.
— Alguém precisou planejar.
— Alguém precisou esconder.
Fez uma breve pausa.
— E, se ninguém escreveu nada sobre ela...
Seu olhar ficou sério.
— Talvez alguém tenha feito questão de apagar qualquer registro da sua existência.
Os quatro permaneceram em silêncio.
Pela primeira vez, perceberam que talvez estivessem procurando respostas no lugar errado.
Talvez a passagem secreta nunca tivesse sido esquecida pela história.
Talvez...
Ela tivesse sido deliberadamente apagada dela.
Enquanto Scott, Cora, Trevor e Elena reuniam novas peças da história na biblioteca...
Alex e Katy permaneciam diante da gigantesca porta de ferro.
O corredor continuava mergulhado no mais absoluto silêncio.
As lanternas dos celulares iluminavam apenas uma pequena parte da antiga estrutura.
Os cinco encaixes permaneciam exatamente como antes.
Alex passou lentamente a mão pela superfície enferrujada.
— Tem que existir alguma coisa que deixamos passar.
Katy ajoelhou-se diante da porta.
Começou a observar os encaixes um por um.
Passava os dedos pelas bordas, procurando alguma diferença.
— Esses cinco espaços não podem estar aqui apenas como decoração.
Alex concordou.
— Foram feitos para encaixar alguma coisa.
Os dois passaram vários minutos examinando cada detalhe.
Nada.
Nem uma fechadura.
Nem dobradiças aparentes.
Nem qualquer mecanismo.
Foi então que Katy iluminou a parte inferior da porta.
— Alex...
Ele se abaixou ao lado dela.
— O que foi?
Katy apontou para o chão.
Havia uma fina camada de poeira acumulada ao longo de toda a base da porta.
Mas exatamente no centro...
A poeira estava interrompida.
Como se, em algum momento, algo muito pesado tivesse sido arrastado por apenas alguns centímetros.
Alex aproximou ainda mais a lanterna.
A marca seguia por poucos centímetros e desaparecia.
— Está vendo?
Katy assentiu.
— Essa porta...
Respirou fundo.
— Já foi aberta.
Alex ficou imóvel.
A porta parecia antiga.
Enferrujada.
Impossível de mover.
Mas aquela marca no chão dizia outra coisa.
Alguém...
Em algum momento...
Havia conseguido movê-la.
Alex continuou acompanhando a marca com a luz da lanterna.
Foi então que percebeu outro detalhe.
Bem ao lado do terceiro encaixe havia um pequeno risco vertical.
Quase invisível.
Não parecia fazer parte da porta.
Parecia uma marca deixada por algum objeto metálico.
Alex passou a ponta do dedo sobre o risco.
— Isso não é ferrugem...
Murmurou.
Katy aproximou o rosto.
— Parece desgaste.
— Como se alguém tivesse tentado encaixar alguma coisa aqui várias vezes.
Os dois se entreolharam.
Talvez estivessem olhando, pela primeira vez, para uma evidência de que aquela porta não era apenas uma barreira.
Ela era um mecanismo.
E alguém, em algum momento da história do Internato Valenhall...
Já havia descoberto como fazê-lo funcionar.
O silêncio tomou conta da passagem secreta.
Foi Katy quem percebeu primeiro.
Ela olhou ao redor.
Contou mentalmente.
Franziu a testa.
— Espera...
Todos voltaram a atenção para ela.
— Cadê o Liam?
Alex arregalou os olhos.
— Nossa...
Passou a mão na cabeça.
— Eu nem percebi.
Respirou fundo.
— Faz mais de duas horas que ele saiu para buscar o caderno de investigação.
Olhou para a entrada da passagem.
— E ainda não voltou.
Trevor sentiu um aperto no peito.
— Será que aconteceu alguma coisa?
Ninguém respondeu.
Mas todos pensaram exatamente a mesma coisa.
Scott foi o primeiro a agir.
— Vamos!
Sem perder mais um segundo, os seis correram pelo corredor de pedra.
Saíram pela passagem secreta.
Atravessaram o jardim.
Entraram no prédio principal.
Subiram as escadas do dormitório masculino quase sem fôlego.
Quando chegaram ao corredor...
Todos pararam bruscamente.
Na porta do quarto de Liam...
Havia um enorme pentagrama.
Desenhado com tinta branca.
O símbolo ocupava quase toda a madeira.
As linhas ainda pareciam recentes.
Como se tivessem sido feitas havia pouco tempo.
Trevor deu um passo para trás.
— Não...
Elena levou a mão à boca.
— Isso não pode estar acontecendo...
Scott segurou a maçaneta.
Olhou para os amigos.
— Preparados?
Ninguém respondeu.
Ele girou lentamente a maçaneta.
A porta se abriu com um rangido.
Os seis entraram rapidamente.
— Liam!
Nenhuma resposta.
O quarto estava completamente vazio.
A cama estava desarrumada.
O caderno de investigação não estava em lugar nenhum.
A cadeira havia caído no chão.
Então Alex viu.
Bem ao lado de uma das camas...
Havia uma pequena mancha de sangue.
Todos congelaram.
Cora aproximou-se lentamente.
Abaixou-se ao lado da marca.
Ainda estava úmida.
Seu coração disparou.
— É recente...
Trevor olhava desesperadamente para todos os cantos do quarto.
— Liam!
Silêncio.
Elena começou a procurar debaixo das camas.
Dentro do armário.
Atrás da porta.
Nada.
Scott caminhou até a janela.
Ela continuava trancada por dentro.
Voltou-se para os amigos.
Seu rosto estava completamente pálido.
— Ele não saiu daqui sozinho.
O silêncio foi interrompido apenas pela respiração acelerada dos seis.
No corredor, o enorme pentagrama pintado na porta parecia observar cada um deles.
E, naquele instante, todos compreenderam uma terrível verdade.
Pela primeira vez desde que iniciaram a investigação...
O mistério de Valenhall havia deixado de ser apenas uma história do passado.
Agora...
Um deles havia desaparecido.
Ninguém dizia uma palavra.
Os seis permaneciam imóveis no quarto de Liam.
Scott caminhou lentamente até a pequena mancha de sangue.
Abaixou-se.
Passou os dedos próximos ao piso, sem tocar na marca.
— Isso aconteceu há pouco tempo...
Trevor respirava cada vez mais rápido.
— Precisamos chamar a diretora!
Alex balançou a cabeça.
— E explicar o quê?
— Que estávamos investigando uma passagem secreta escondida dentro do internato?
O grupo voltou ao silêncio.
Foi então que Cora percebeu algo.
— Esperem...
Ela apontou para a parede ao lado da cama de Liam.
Havia uma folha de papel presa com um pequeno prego.
Todos tinham certeza de que ela não estava ali quando entraram.
Scott aproximou-se.
Retirou cuidadosamente a folha.
No centro, havia apenas uma frase, escrita com tinta preta.
"O primeiro já foi escolhido."
Um arrepio percorreu a espinha de todos.
Trevor deu um passo para trás.
— Isso... isso está falando do Liam...
Elena sentiu o coração acelerar.
— Então ele está vivo?
Scott permaneceu olhando fixamente para a mensagem.
Seu rosto ficou sério.
— Não sei.
— Mas quem escreveu isso quer que a gente saiba que o desaparecimento dele fazia parte de um plano.
Alex fechou os punhos.
— Um plano que começou muito antes de nós chegarmos aqui.
Katy lembrou da porta de ferro.
— Os cinco encaixes...
— Será que têm alguma relação com isso?
Scott assentiu lentamente.
— Pode ser.
— Talvez os cinco encaixes não representem pessoas do passado...
Olhou para os amigos.
— Talvez representem pessoas do presente.
O silêncio tomou conta do quarto.
Pela primeira vez, todos perceberam que Liam talvez não tivesse sido escolhido ao acaso.
Talvez...
Ele fosse apenas o primeiro.
Naquele instante, um barulho ecoou pelo corredor.
Toc...
Toc...
Toc...
Passos.
Lentos.
Pesados.
Parando exatamente diante da porta do quarto.
Os seis prenderam a respiração.
A maçaneta começou a girar lentamente.
Ninguém teve coragem de se mover.
A maçaneta girou lentamente.
Os seis prenderam a respiração.
Scott fez sinal para que ninguém falasse.
O quarto mergulhou em um silêncio absoluto.
A maçaneta parou de girar.
Por alguns segundos...
Nada aconteceu.
Então...
Toc...
Três batidas secas na porta.
Trevor deu um salto para trás.
Alex apanhou uma cadeira caída no chão, segurando-a como se pudesse se defender.
Scott caminhou lentamente até a porta.
Respirou fundo.
Girou a maçaneta de uma vez.
A porta se abriu.
O corredor estava vazio.
Nenhuma pessoa.
Nenhum som.
Apenas o longo corredor iluminado pelas lâmpadas amareladas do dormitório.
— Não tem ninguém... — murmurou Scott.
Foi então que Cora apontou para o chão.
— Scott...
Bem diante da porta havia um pequeno envelope preto.
Ninguém o havia visto antes.
Scott abaixou-se e o pegou.
Na parte da frente estava escrito apenas:
"Para os curiosos."
Ele abriu cuidadosamente.
Dentro havia uma única folha dobrada.
Scott começou a ler em voz alta.
"Vocês procuram respostas no passado.
Mas a resposta sempre esteve diante dos seus olhos.
Parem de procurar quem construiu a passagem.
Descubram por que ela foi construída.
Antes que o segundo seja escolhido."
O grupo ficou imóvel.
Trevor foi o primeiro a quebrar o silêncio.
— "O segundo seja escolhido..."
Elena apertou a carta entre as mãos.
— Então o Liam realmente foi o primeiro.
Alex olhou para Scott.
— Quem está fazendo isso conhece todos os nossos passos.
Scott releu a carta.
Uma palavra chamou sua atenção.
— "Diante dos seus olhos..."
Ele repetiu baixinho.
— O que existe diante dos nossos olhos o tempo todo?
Ninguém respondeu.
Foi então que Katy se lembrou de uma coisa.
— Esperem...
Todos olharam para ela.
— Na foto de 1995...
— O pentagrama estava desenhado no pátio principal.
Scott assentiu.
— Sim.
Katy continuou:
— E esse é o lugar por onde todos os alunos passam todos os dias.
O silêncio voltou.
Cora arregalou os olhos.
— Você acha que...?
Katy respirou fundo.
— Talvez a pista nunca tenha estado escondida.
— Talvez ela sempre tenha ficado no lugar mais óbvio do internato...
Scott dobrou lentamente a carta.
Seu olhar ficou distante.
— Amanhã, antes das aulas...
— Vamos examinar cada centímetro do pátio principal.
Naquele instante, o relógio da torre começou a tocar.
Dong...
Dong...
Dong...
Meia-noite.
Ao mesmo tempo, muito longe dali, na escuridão da passagem secreta...
Atrás da gigantesca porta de ferro...
Algo produziu um som metálico.
Como se, pela primeira vez em muitos anos...
Uma engrenagem tivesse acabado de se mover.
Trevor quebrou o silêncio.
— Como assim o segundo escolhido?
Ele passou as mãos pelos cabelos, completamente confuso.
— Isso não faz sentido!
Olhou para Scott.
— E as pessoas que receberam as cartas?
Apontou para Elena, Cora e para si mesmo.
— Eu... a Elena... a Cora...
Respirou fundo.
— E ainda tem a quinta pessoa que nunca descobrimos quem é.
Sua voz ficou mais alta.
— Isso está muito insano!
Ninguém respondeu de imediato.
Scott permaneceu olhando para a carta.
Então falou:
— Talvez este seja justamente o erro que estamos cometendo.
Todos voltaram a atenção para ele.
— Desde o começo acreditamos que as cartas escolhiam as vítimas.
Fez uma pausa.
— Mas... e se elas escolhessem apenas quem deveria encontrar a verdade?
Elena franziu a testa.
— Você acha que os destinatários das cartas e os escolhidos são pessoas diferentes?
Scott assentiu lentamente.
— É uma possibilidade.
Alex cruzou os braços.
— Então por que o Liam desapareceu?
— Ele nunca recebeu carta nenhuma.
Scott respondeu sem tirar os olhos do papel.
— Exatamente.
— Talvez as cartas nunca tenham servido para avisar quem seria levado.
— Talvez elas fossem um convite.
Cora completou o raciocínio.
— Um convite para investigar.
Scott concordou.
— Enquanto isso...
Olhou para a mancha de sangue no chão.
— Quem escolhe as vítimas segue outro critério.
Katy permaneceu em silêncio durante alguns segundos.
Então lembrou de um detalhe.
— Esperem...
Todos olharam para ela.
— Em 1995 também eram cinco.
— Noah...
— Cristian...
— Clary...
— Erick...
— E Vick.
Trevor arregalou os olhos.
— Cinco.
Elena completou:
— E na porta de ferro existem cinco encaixes.
Scott respirou fundo.
— Agora pensem em outra coisa.
Todos aguardaram.
— Erick morreu.
— Vick desapareceu.
— Noah, Cristian e Clary sobreviveram.
Fez uma pausa.
— E se aquela história nunca terminou?
O grupo ficou completamente imóvel.
Alex foi o primeiro a falar.
— Você está dizendo que...
Scott terminou a frase.
— Talvez alguém esteja tentando repetir exatamente o que aconteceu em 1995.
Um silêncio pesado tomou conta do quarto.
Então Trevor olhou novamente para a carta.
Sua expressão mudou completamente.
— Esperem...
Todos olharam para ele.
— E se o Liam não foi escolhido por acaso...
Ele respirou fundo.
— E se ele ocupou o lugar que deveria ser da quinta pessoa que recebeu a carta?
Ninguém soube responder.
Mas, pela primeira vez, a hipótese parecia ligar dois mistérios que até então caminhavam separados:
As misteriosas cartas...
E os cinco escolhidos de Valenhall.
As palavras de Trevor ecoaram pelo quarto.
Ninguém teve coragem de responder.
Scott caminhou lentamente até a janela.
Olhou para o pátio escuro do internato.
— Vamos organizar tudo o que sabemos.
Virou-se para os amigos.
— Em 1995 existiam cinco pessoas ligadas ao mistério.
Levantou um dedo.
— Noah.
Outro.
— Cristian.
Mais um.
— Clary.
— Erick.
— E Vick.
Baixou a mão.
— Hoje também existem cinco pessoas ligadas às cartas.
Trevor interrompeu.
— Não...
— Quatro.
Scott balançou a cabeça.
— Quatro que nós conhecemos.
Todos ficaram em silêncio.
Scott continuou.
— Você mesmo disse isso há alguns dias.
— Existe uma quinta carta.
— Mas nunca descobrimos quem a recebeu.
Elena arregalou os olhos.
— Então a quinta pessoa está escondendo isso de todo mundo.
Cora fez uma careta.
— Ou não teve tempo de contar.
Alex cruzou os braços.
— Esperem...
— E se essa pessoa já estiver sendo observada há dias?
O grupo voltou ao silêncio.
Scott abriu novamente o envelope preto.
Olhou para a frase escrita.
Depois para a folha presa na parede.
De repente, seus olhos pararam em um detalhe.
— Esperem...
Todos olharam para ele.
Scott colocou as duas folhas lado a lado.
— As letras...
Trevor aproximou-se.
— O que tem?
Scott apontou.
— A carta que recebemos hoje foi escrita com tinta preta.
— Mas a frase presa na parede...
— Foi escrita com um pincel bem mais grosso.
Elena percebeu imediatamente.
— Você está dizendo que...
Scott assentiu.
— Foram pessoas diferentes.
O quarto ficou completamente silencioso.
Alex franziu a testa.
— Então existem duas pessoas envolvidas?
Scott respirou fundo.
— Talvez.
— Uma envia as cartas.
— Outra deixa mensagens.
Cora lembrou da parede da passagem secreta.
— Igual aconteceu na porta de ferro.
— A frase "Vocês estão fazendo as perguntas erradas" também apareceu depois.
Trevor ficou pálido.
— Então estamos sendo observados por mais de uma pessoa.
Antes que alguém respondesse...
Um grito ecoou pelo corredor.
— Socorro!
Os seis correram imediatamente para fora do quarto.
No fim do corredor, vários alunos saíam assustados de seus dormitórios.
Uma das janelas estava aberta.
A cortina balançava com o vento.
E bem no vidro...
Escrita do lado de fora, com tinta branca...
Havia uma única palavra.
"ATRASEM."
Scott sentiu um frio percorrer a espinha.
Aquela mensagem não era para assustá-los.
Era um aviso.
Enquanto eles discutiam as cartas...
Alguém ainda estava circulando livremente pelo Internato Valenhall.
O grito ecoou por todo o corredor.
Em poucos segundos, portas começaram a se abrir.
Alunos saíam assustados de seus dormitórios, tentando entender o que estava acontecendo.
Scott rapidamente dobrou a carta e a guardou no bolso do casaco.
— Não comentem nada sobre a passagem secreta — sussurrou.
Todos concordaram com um discreto movimento de cabeça.
Logo em seguida, passos apressados começaram a subir a escada.
O primeiro a aparecer foi Noah.
O professor de Educação Física olhou para os alunos reunidos e percebeu imediatamente que algo estava errado.
— O que aconteceu aqui?
Atrás dele vieram Cristian e, alguns segundos depois, a diretora Clary, acompanhada por outros professores e inspetores do internato.
Quando Clary levantou os olhos para a porta do dormitório...
Parou completamente.
Na madeira, o enorme pentagrama branco parecia recém-pintado.
O corredor inteiro ficou em silêncio.
Cristian aproximou-se lentamente.
Passou a mão bem perto do desenho, sem tocá-lo.
— A tinta ainda está fresca...
Murmurou.
Noah olhou para Scott.
— Quem encontrou isso?
Scott respirou fundo.
— Nós chegamos agora há pouco.
— A porta já estava assim.
Clary entrou no quarto.
Seu olhar percorreu rapidamente cada canto.
A cama desarrumada.
A cadeira caída.
Então seus olhos pararam na pequena mancha de sangue ao lado da cama.
Sua expressão mudou completamente.
Ela se ajoelhou.
Observou a marca por alguns segundos.
Levantou-se devagar.
— Onde está Liam?
Nenhum dos seis respondeu.
O silêncio foi suficiente.
Clary olhou para Noah e Cristian.
Os três trocaram um olhar que nenhum aluno conseguiu compreender.
Parecia um olhar de reconhecimento.
Como se aquela cena lhes despertasse uma lembrança antiga.
Cristian respirou fundo.
— Esvaziem este corredor imediatamente.
Os inspetores começaram a retirar os alunos curiosos.
Noah permaneceu parado diante do pentagrama.
Seu rosto estava pálido.
Quase sem perceber, murmurou baixinho:
— Outra vez...
Scott ouviu.
E também percebeu que Clary havia escutado.
Ela lançou um olhar firme para Noah.
Os dois permaneceram em silêncio.
Mas, naquele instante, Scott teve certeza de uma coisa.
Aquele pentagrama não era novidade para eles.
Eles já tinham visto aquele símbolo antes.
E sabiam muito mais sobre o desaparecimento de Liam do que estavam dispostos a contar.
Clary levantou-se lentamente.
Seu olhar percorreu Scott, Elena, Trevor, Alex, Cora e Katy.
Sua voz, normalmente calma, agora era firme.
— Vocês seis...
Fez uma breve pausa.
— Na minha sala. Agora.
Em seguida olhou para Noah e Cristian.
— Vocês também.
Os dois apenas concordaram com um discreto movimento de cabeça.
Clary voltou-se para Meredith.
— Meredith, dispense todos os alunos para os dormitórios.
A recepcionista assentiu imediatamente.
— Sim, diretora.
Ela respirou fundo e falou em voz alta:
— Atenção! Todos os alunos devem retornar imediatamente aos seus quartos. Não há mais nada para ver aqui.
Enquanto os estudantes eram conduzidos pelos inspetores, Clary dirigiu-se aos demais professores.
— Chamem a equipe de manutenção.
— Quero essa porta limpa e o corredor isolado até amanhã.
Dois funcionários chegaram poucos minutos depois com baldes, panos e materiais de limpeza.
Um deles olhou assustado para o enorme pentagrama branco.
— Quem faria uma coisa dessas...
Ninguém respondeu.
Outro funcionário entrou cuidadosamente no quarto de Liam.
Ao notar a pequena mancha de sangue, parou por um instante.
Clary falou com firmeza.
— Limpem tudo.
— Não deixem nenhum aluno entrar aqui.
Os funcionários apenas obedeceram.
Scott observava tudo em silêncio.
A sensação era estranha.
Parecia que a diretora queria apagar qualquer vestígio do que havia acontecido.
Sem dizer mais nenhuma palavra, Clary começou a caminhar pelo corredor.
Noah e Cristian seguiram logo atrás.
Os seis estudantes vieram logo depois.
Ninguém ousava quebrar o silêncio.
Os corredores do Internato Valenhall pareciam mais escuros naquela noite.
O relógio marcava poucos minutos após a meia-noite.
Quando finalmente chegaram à diretoria, Clary abriu a porta.
Todos entraram.
Ela fechou a porta lentamente.
O clique da fechadura ecoou pela sala.
Scott percebeu um detalhe.
Pela primeira vez desde que chegaram ao internato...
A diretora havia trancado a porta.
Clary caminhou até sua mesa.
Permaneceu alguns segundos em silêncio, olhando para cada um deles.
Depois respirou fundo.
— Antes de qualquer pergunta...
Seu olhar encontrou o de Scott.
— Quero que vocês me contem absolutamente tudo.
— Desde o momento em que essa investigação começou.
O grupo se entreolhou.
Scott sentiu que aquele era o momento que tanto esperavam.
Mas também percebeu outra coisa.
Noah e Cristian não pareciam surpresos.
Pelo contrário.
Os dois tinham a expressão de quem esperava que esse dia chegasse... há muitos anos.
Os seis permaneceram em completo silêncio.
A sala parecia sufocante.
Clary aguardava uma resposta.
Noah mantinha os braços cruzados.
Cristian observava atentamente cada um dos alunos.
Foi Trevor quem quebrou o silêncio.
Sem dizer uma palavra, abriu lentamente o álbum de fotografias de 1995 que havia trazido da biblioteca.
Virou algumas páginas.
Parou exatamente na fotografia.
Empurrou o álbum sobre a mesa da diretora.
A imagem mostrava Noah, Cristian e Clary, ainda adolescentes, ajoelhados no pátio do internato, desenhando um enorme pentagrama com giz.
Trevor olhou diretamente para os três.
Sua voz era firme.
— Primeiro...
Fez uma pausa.
— Expliquem isso para nós.
O silêncio voltou a dominar a sala.
Nenhum dos três respondeu imediatamente.
Trevor continuou.
— Nós encontramos essa fotografia na biblioteca.
— Depois encontramos um pentagrama na porta do quarto do Liam.
Respirou fundo.
— Então me respondam...
Seu olhar alternava entre Noah, Cristian e Clary.
— Quem garante que não foi um de vocês três que fez aquilo esta noite?
Scott arregalou os olhos.
Nunca imaginou que Trevor faria uma acusação tão direta.
Alex e Katy prenderam a respiração.
Cora olhou discretamente para Elena.
Clary permaneceu imóvel.
Cristian fechou lentamente o álbum.
Noah deu um passo à frente.
Por um instante, Scott imaginou que ele ficaria irritado.
Mas aconteceu exatamente o contrário.
Noah respirou fundo.
Olhou para a fotografia.
E sorriu de forma amarga.
— Eu esperava que essa pergunta fosse feita um dia.
Os seis trocaram olhares.
Cristian apoiou as mãos sobre a mesa.
— Sim...
Disse calmamente.
— Fomos nós que desenhamos esse pentagrama.
O choque tomou conta da sala.
Trevor permaneceu em silêncio.
Cristian continuou.
— E não vamos mentir para vocês.
— A fotografia é verdadeira.
Clary finalmente falou.
Sua voz carregava um peso que nenhum dos alunos jamais havia percebido.
— Mas aquela fotografia não mostra a história inteira.
Scott inclinou-se para frente.
— Então contem.
Noah olhou novamente para a imagem.
Seus olhos pareciam perdidos em lembranças de trinta e um anos atrás.
Então pronunciou uma frase que fez todos congelarem.
— Naquela noite...
— Nós não desenhamos aquele pentagrama porque queríamos.
Fez uma longa pausa.
Seu olhar encontrou o de Scott.
— Nós desenhamos...
— Porque alguém mandou.
— Quem mandou? — perguntou Scott.
A pergunta ficou suspensa no ar.
Noah abaixou lentamente a cabeça.
Seus dedos apertavam a borda da mesa.
Cristian fechou os olhos por um instante, como se revivesse uma lembrança que preferia esquecer.
Foi Clary quem respondeu primeiro.
— Nós nunca descobrimos.
Os seis ficaram imóveis.
— Como assim? — perguntou Elena.
Cristian respirou fundo.
— Tudo começou exatamente como está acontecendo com vocês.
Scott franziu a testa.
— Cartas?
Cristian assentiu.
— Cartas anônimas.
Trevor arregalou os olhos.
— Iguais às nossas?
— Muito parecidas.
Noah completou:
— A primeira dizia apenas uma frase.
Ele fechou os olhos por um instante.
Como se ainda conseguisse enxergar o papel diante dele.
— "Se querem conhecer a verdade sobre Valenhall... venham sozinhos ao pátio à meia-noite."
O silêncio tomou conta da sala.
— Nós fomos.
Disse Clary.
— Jovens, curiosos... exatamente como vocês.
Alex perguntou:
— Vocês já se conheciam?
— Sim.
— Éramos amigos.
Respondeu Noah.
— Assim como vocês seis.
Cora olhou para a fotografia sobre a mesa.
— Então essa foto...
Clary assentiu.
— Foi tirada naquela noite.
Scott imediatamente lembrou da pergunta que havia feito na biblioteca.
— Então quem tirou a fotografia?
Noah sorriu sem humor.
— Essa foi exatamente a primeira pergunta que fizemos quando ela apareceu.
Trevor arregalou os olhos.
— Ela apareceu?
Cristian confirmou.
— Nenhum de nós levou câmera.
— Nenhum fotógrafo estava ali.
— Mesmo assim...
Ele empurrou a fotografia na direção dos alunos.
— Dias depois, ela surgiu dentro do nosso armário.
Todos olharam novamente para a imagem.
Agora ela parecia ainda mais perturbadora.
Scott falou devagar.
— Então...
— Alguém observava vocês desde o começo.
Noah respondeu apenas com um movimento de cabeça.
— Sim.
Katy respirou fundo.
— Mas por que desenhar o pentagrama?
Os três adultos se entreolharam.
Foi Clary quem respondeu.
— Porque a carta dizia que aquele símbolo abriria o caminho para a verdade.
Scott estreitou os olhos.
— E abriu?
Os três permaneceram em silêncio.
Um silêncio longo demais.
Foi então que Noah respondeu, quase em um sussurro.
— Sim.
Os seis prenderam a respiração.
Noah continuou.
— Na manhã seguinte...
— Nós encontramos a entrada da passagem secreta.
O choque estampou o rosto dos estudantes.
Cristian levantou-se da cadeira.
Caminhou até a janela.
Sem olhar para ninguém, disse:
— E foi nesse exato momento...
— Que nossas vidas nunca mais voltaram ao normal.
Clary caminhou lentamente até a janela da diretoria.
Por alguns segundos, observou a chuva cair sobre os jardins de Valenhall.
Sem se virar, começou a falar.
— Na passagem secreta existe uma porta de ferro.
Ela fez uma breve pausa.
— Acredito que, nesta altura, vocês já saibam exatamente do que estou falando.
Os seis permaneceram em silêncio.
Scott assentiu discretamente.
Clary continuou.
— O que vocês não sabem...
Ela voltou o olhar para o grupo.
— É que nós descobrimos como abrir aquela porta.
Os seis arregalaram os olhos ao mesmo tempo.
Trevor deu um passo à frente.
— Então... por que ela continua fechada?
Clary abaixou a cabeça.
Por um instante, parecia não encontrar forças para continuar.
Foi Noah quem prosseguiu.
— Porque nunca conseguimos abri-la.
Scott franziu a testa.
— Como assim?
Noah aproximou-se da mesa e pegou uma folha em branco.
Com um lápis, desenhou rapidamente um grande retângulo representando a porta.
Depois desenhou cinco pequenos encaixes distribuídos pela superfície metálica.
— Existem cinco marcações.
Ele apontou para o desenho.
— Nós passamos semanas tentando entender para que serviam.
Cristian completou:
— Chaves.
— Símbolos.
— Objetos antigos.
— Tudo o que vocês puderem imaginar.
— Nada funcionou.
Noah respirou fundo.
— Até que encontramos uma anotação escondida em um dos diários antigos do internato.
Todos prenderam a respiração.
— Ela dizia apenas uma frase.
Ele olhou diretamente para Scott.
— "Somente os cinco chamados poderão despertar o portão."
A sala voltou a mergulhar no silêncio.
Foi Cora quem perguntou:
— Chamados?
Noah assentiu.
— Nós acreditamos que significava os cinco que receberam as cartas.
Trevor olhou imediatamente para Scott.
— Igual a nós...
Noah continuou.
— Nossa última teoria era a seguinte...
Ele passou o dedo sobre os cinco encaixes desenhados.
— Cada um dos cinco deveria pressionar a própria mão sobre uma das marcações.
— Havia indícios de que os encaixes exigiam sangue.
— Não muito...
— Apenas o suficiente para que cada marcação reconhecesse a presença de um dos cinco.
Alex ficou completamente imóvel.
— Então...
— A porta precisava do sangue dos cinco escolhidos?
— Era o que acreditávamos.
Respondeu Noah.
Clary fechou os olhos.
— Mas nunca tivemos como testar.
Scott já imaginava a resposta.
Mesmo assim perguntou.
— Por quê?
Noah respondeu com a voz pesada.
— Porque perdemos dois deles antes de conseguir.
O silêncio tornou-se quase insuportável.
— Vick desapareceu.
Disse Clary.
— Erick morreu.
Continuou Cristian.
Noah concluiu:
— Restamos apenas nós três.
Ele olhou novamente para o desenho da porta.
— Três nunca seriam suficientes.
A porta jamais se abriu.
Os seis estudantes permaneceram em absoluto silêncio.
Então Scott olhou lentamente para Trevor, Elena, Cora, Alex e Katy.
Seu coração começou a acelerar.
Cinco encaixes.
Cinco pessoas em 1995.
Cinco cartas em 2026.
Mas havia um detalhe que ninguém conseguia ignorar.
Scott respirou fundo e falou quase num sussurro:
— Se a teoria de vocês estiver certa...
Todos voltaram os olhos para ele.
— Então alguém está tentando completar o grupo de cinco outra vez.
E, pela primeira vez desde o início daquela conversa, Noah, Cristian e Clary não disseram uma única palavra.
O silêncio dos três foi, por si só, a confirmação mais assustadora de toda a noite.
Cristian permaneceu alguns segundos olhando para o desenho da porta.
Então puxou uma cadeira e sentou-se lentamente.
Sua voz saiu baixa.
— Procuramos Vick por semanas...
Fez uma pausa.
— Depois por meses.
Respirou fundo.
— Mobilizamos professores, policiais, bombeiros...
— Vasculharam a floresta, o lago, os túneis de drenagem...
— Nunca encontraram absolutamente nada.
A sala permaneceu em silêncio.
Cristian continuou.
— Depois que Erick morreu...
Olhou para Noah e Clary.
— Ainda tentamos uma última vez.
Trevor franziu a testa.
— Como?
Noah respondeu.
— Antes de morrer, Erick havia deixado uma pequena amostra de sangue para exames médicos.
— Conseguimos recuperar um frasco no hospital.
Alex arregalou os olhos.
— Vocês usaram o sangue dele?
Cristian assentiu lentamente.
— Sim.
Seu olhar endureceu.
— Colocamos o sangue de Erick em um dos cinco encaixes.
— Nós três usamos o nosso nos outros três.
Fez uma pausa.
— Mas o quinto...
Abaixou a cabeça.
— O quinto continuava vazio.
Clary completou quase num sussurro:
— A porta permaneceu imóvel.
Cristian fechou a mão.
— Nem mesmo com um frasco contendo o sangue de Erick conseguimos abrir aquela maldita porta.
O silêncio voltou a dominar a diretoria.
Trevor parecia pensar em alguma coisa.
De repente, levantou a cabeça.
— Esperem...
Todos olharam para ele.
— Será que...
Ele respirou fundo antes de continuar.
— Será que a Vick, de certa forma, não está envolvida nisso?
Ninguém respondeu.
Trevor prosseguiu.
— Digo...
— E se ela for a responsável?
A frase caiu como uma pedra.
Alex imediatamente discordou.
— Você acha que ela esperou trinta e um anos?
— Isso é impossível.
Trevor deu de ombros.
— Nós nem sabemos se ela morreu.
— Nunca encontraram um corpo.
Cora cruzou os braços.
— Também nunca encontraram qualquer prova de que ela saiu do internato.
Scott permaneceu pensativo.
Elena olhou para Clary.
— Vocês chegaram a suspeitar dela?
Os três adultos trocaram um longo olhar.
Foi Noah quem respondeu.
— Sim.
Os seis ficaram imóveis.
— Durante muito tempo.
Cristian continuou.
— Pensamos que ela tivesse planejado tudo.
— Que tivesse fugido.
— Que estivesse nos observando.
Clary respirou fundo.
— Mas havia um problema nessa teoria.
Scott perguntou:
— Qual?
Clary aproximou-se de uma antiga estante de madeira.
Abriu uma gaveta trancada.
Retirou um envelope amarelado pelo tempo.
Voltou até a mesa.
Com muito cuidado, retirou de dentro dele uma fotografia.
Empurrou-a na direção dos estudantes.
Os seis se inclinaram para observá-la.
Era uma fotografia tirada poucos dias antes do desaparecimento de Vick.
Ela aparecia sorrindo ao lado de Noah, Cristian, Clary... e Erick.
Mas havia algo que fez Scott gelar.
No canto inferior da fotografia, escrito à mão com tinta já desbotada, havia apenas uma frase:
"Se um desaparecer... os outros nunca conseguirão abrir a porta."
Scott sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Aquilo significava que alguém...
Já sabia exatamente o que aconteceria antes mesmo de Vick desaparecer.
O silêncio voltou a dominar a sala.
Trevor olhava fixamente para a fotografia de 1995.
Então levantou a cabeça.
— Tem uma coisa que não faz sentido.
Todos voltaram os olhos para ele.
— Até onde sabemos...
Ele falou devagar, organizando os pensamentos.
— O Liam não é um dos escolhidos.
Olhou para Noah.
— Então por que levaram justamente ele?
— Se a porta precisa dos cinco que receberam as cartas...
Trevor respirou fundo.
— Por que sequestrar alguém que nem sequer recebeu uma delas?
Noah permaneceu alguns segundos em silêncio.
Por fim, respondeu:
— Porque nem todos os desaparecimentos estavam ligados à porta.
Os seis franziram a testa.
Cristian completou:
— Ao longo da história de Valenhall, algumas pessoas desapareceram sem nunca terem recebido cartas.
Clary assentiu.
— Algumas pareciam ter sido escolhidas ao acaso.
— Outras... nunca entendemos o motivo.
Scott perguntou:
— Então o Liam pode ser apenas mais uma dessas vítimas?
Noah respirou fundo.
— Pode.
A resposta fez Katy abaixar a cabeça.
Mas Noah continuou.
— Porém...
Todos voltaram a olhá-lo.
— Existe outra possibilidade.
A sala ficou completamente silenciosa.
— Liam pode ser, sim...
Ele fez uma pausa.
— A quinta pessoa.
Trevor arregalou os olhos.
— Mas ele nunca mostrou nenhuma carta!
Noah respondeu calmamente:
— Que vocês saibam.
A frase caiu como um peso sobre os estudantes.
Alex imediatamente rebateu.
— Nós convivemos com ele todos os dias.
— Ele teria contado.
Cristian balançou a cabeça.
— Foi exatamente isso que pensamos sobre Vick.
Os alunos ficaram imóveis.
Clary continuou:
— Vick jurava que nunca havia recebido nenhuma carta.
— Dias depois...
Ela olhou para Noah.
— Encontramos uma escondida entre os livros do quarto dela.
Scott franziu a testa.
— Ela mentiu?
Noah respondeu:
— Nunca soubemos.
— Talvez tenha escondido.
— Talvez estivesse com medo.
— Ou talvez alguém tenha colocado a carta lá depois do desaparecimento.
Trevor passou a mão no rosto.
— Então nem sabemos ao certo quem recebeu as cartas...
— Nem em 1995.
— Nem agora.
Cristian assentiu lentamente.
— Exatamente.
Scott ficou pensativo por alguns instantes.
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— Esperem...
Todos olharam para ele.
— Quando encontramos o quarto do Liam...
— O caderno dele havia desaparecido.
Alex confirmou.
— Sim.
Scott olhou diretamente para Noah.
— E se...
— E se havia uma carta escondida naquele caderno?
A sala inteira mergulhou em silêncio.
Noah e Cristian trocaram um olhar rápido.
Pela expressão dos dois, Scott percebeu que aquela hipótese nunca havia passado pela cabeça deles.
Clary fechou lentamente os olhos.
— Se vocês estiverem certos...
Ela falou quase num sussurro.
— Então quem levou Liam não queria apenas levar um estudante.
Ergueu o olhar para os seis.
— Queria impedir que descobríssemos que ele era o quinto escolhido.
O relógio marcava quase uma hora da manhã.
A conversa havia deixado a sala mergulhada em um silêncio pesado.
Clary levantou-se da cadeira e caminhou até a porta.
Antes de abri-la, voltou-se para os seis estudantes.
Seu semblante era sério, mas havia preocupação em sua voz.
— Acho que já ouvimos o suficiente por esta noite.
Olhou para Scott, depois para Trevor, Elena, Alex, Katy e Cora.
— Sugiro que vocês voltem para seus quartos... e tentem dormir.
Nenhum deles se moveu.
Clary continuou:
— Se Liam não aparecer até amanhã à noite...
Ela respirou fundo.
— Teremos que comunicar oficialmente o desaparecimento aos pais dele e às autoridades.
Aquelas palavras fizeram o peso da situação se tornar ainda mais real.
Alex abaixou a cabeça.
— Então... ainda existe esperança de que ele volte?
Noah respondeu antes que Clary pudesse falar.
— Existe.
Todos olharam para ele.
— Já houve casos de alunos que desapareceram por algumas horas... e reapareceram sem lembrar de absolutamente nada.
Trevor perguntou imediatamente:
— E eles estavam bem?
Cristian respondeu:
— Fisicamente, sim.
Fez uma pausa.
— Psicologicamente... nem todos.
O silêncio voltou.
Clary abriu a porta.
— Tentem dormir.
— Amanhã veremos o que fazer.
Os seis saíram lentamente da diretoria.
Noah e Cristian permaneceram na sala.
Assim que Scott foi o último a atravessar a porta, ouviu Clary dizer baixinho:
— Boa noite...
A porta fechou.
Do lado de fora, nenhum dos seis caminhava em direção aos dormitórios.
Pararam no meio do corredor.
Trevor foi o primeiro a falar.
— Dormir?
Ele soltou uma pequena risada nervosa.
— Depois de tudo isso?
Alex balançou a cabeça.
— Eu não consigo.
Katy olhou para Scott.
— E agora?
Scott ficou alguns segundos pensando.
Depois respondeu em voz baixa.
— Agora... fazemos o que eles pediram.
Os cinco olharam para ele, surpresos.
Scott sorriu de leve.
— Pelo menos até eles acharem que estamos dormindo.
Um sorriso discreto surgiu no rosto de Trevor.
— Eu sabia que você diria isso.
Cora cruzou os braços.
— Então você já tem um plano.
Scott olhou para o relógio do corredor.
— Sim.
Sua voz tornou-se quase um sussurro.
— Esperamos todas as luzes do internato apagarem.
Então olhou para cada um dos amigos.
— E voltamos para a passagem secreta.
Todos compreenderam imediatamente.
Se Liam ainda estivesse em algum lugar de Valenhall...
A resposta provavelmente os esperava atrás da gigantesca porta de ferro.
Pouco a pouco, o corredor foi ficando vazio.
Os seis se despediram sem trocar muitas palavras.
Cada um seguiu para o seu dormitório.
A noite parecia mais silenciosa do que nunca.
No dormitório masculino, Scott e Trevor deitaram logo depois de chegarem.
Os dois estavam completamente exaustos.
Em poucos minutos, já dormiam profundamente.
Alex permaneceu acordado, olhando para a cama vazia de Liam.
A ausência do amigo tornava o quarto estranho e silencioso.
Sem fazer barulho, pegou o celular e abriu o grupo que havia criado.
Os Sete.
Ele digitou rapidamente.
Alex:
"Scott e Trevor já dormiram."
No dormitório feminino, o celular de Elena vibrou.
Ela olhou para as outras duas camas.
Katy e Cora ainda estavam acordadas.
Elena respondeu:
Elena:
"Aqui ninguém conseguiu dormir ainda."
Alex digitou novamente.
Alex:
"Então amanhã, às 6h da manhã, nos encontramos na passagem secreta."
Após alguns segundos, surgiu a resposta.
Elena:
"Combinado."
Alex bloqueou o celular e o colocou sobre o criado-mudo.
Olhou mais uma vez para a cama vazia de Liam.
— Aguenta firme, cara... — murmurou.
Apagou a luz do quarto.
No corredor escuro...
Uma sombra aproximou-se silenciosamente do dormitório masculino.
Parou diante da porta.
Nenhuma luz escapava por baixo dela.
A pessoa permaneceu imóvel por alguns segundos, como se estivesse ouvindo.
Depois seguiu até o dormitório feminino.
Também não havia qualquer movimento.
Satisfeita, a sombra caminhou até o fim do corredor.
Retirou um pequeno celular do bolso.
Digitou apenas uma mensagem.
"Já estão todos nos quartos."
A resposta chegou quase imediatamente.
"Perfeito. Amanhã, antes do amanhecer."
A tela do celular apagou.
E a sombra desapareceu novamente na escuridão do Internato Valenhall.
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