Internato Valenhall
12 Dia 1
Cristian e Noah deixaram o quarto em silêncio.
Assim que a porta se fechou, os quatro rapazes permaneceram olhando um para o outro, tentando compreender tudo o que haviam acabado de ouvir.
No corredor, Noah caminhava lentamente ao lado de Cristian.
As luzes já estavam parcialmente apagadas.
Apenas algumas luminárias iluminavam o dormitório.
Depois de alguns metros em silêncio, Noah falou:
— Aquele verão foi bizarro...
Cristian continuou andando, ouvindo atentamente.
— Foi naquele verão que tudo começou a mudar.
Noah respirou fundo.
— O internato estava praticamente vazio.
A maioria dos alunos voltou para suas famílias.
Uns viajaram.
Outros passaram as férias em seus países.
Só permaneceram ali alguns estudantes, professores e funcionários.
Cristian assentiu lentamente.
As lembranças voltavam aos poucos.
— É verdade...
Noah olhou para o chão.
— Foi naquele verão que todos os que permaneceram em Valenhall viram o pentagrama pela primeira vez.
Cristian parou de caminhar.
— Não foi apenas o nosso grupo...
Noah confirmou.
— Não.
— Funcionários viram.
— Professores viram.
— Os poucos alunos que ficaram também viram.
O silêncio tomou conta do corredor.
Cristian passou a mão na testa.
— Eu lembrava apenas do pentagrama na floresta...
Noah balançou a cabeça.
— Ele aparecia em todos os lugares.
Nas paredes.
Nos corredores.
No jardim.
Até mesmo nas portas das salas de aula.
Cristian fechou os olhos.
Fragmentos daquele verão começavam a voltar.
— E foi exatamente naquela época...
Noah completou a frase:
— Que aconteceu o primeiro desaparecimento.
Os dois permaneceram em silêncio.
Depois de alguns segundos, Cristian perguntou:
— Você acha que foi ali que Erick começou a investigar sozinho?
Noah demorou para responder.
Então disse em voz baixa:
— Não...
— Acho que foi ali que alguém começou a observar nós cinco.
Os dois continuaram caminhando pelos corredores vazios do dormitório.
A conversa era baixa, quase um sussurro.
Noah olhava pela janela enquanto lembranças surgiam de forma desordenada.
— Agora estou começando a entender por que eu bloqueei tantas memórias.
Cristian permaneceu em silêncio.
Noah voltou a falar.
— Lembra do professor Arthur?
Cristian parou imediatamente.
— O bibliotecário?
— Sim.
— Ele foi a primeira pessoa que acreditou na gente.
Cristian respirou fundo.
Aquela lembrança estava voltando.
— Ele dizia que havia documentos antigos escondidos na biblioteca...
— E que alguém estava arrancando páginas dos livros mais antigos — completou Noah.
Os dois voltaram a caminhar.
No fim do corredor, já próximos aos quartos dos professores, Cristian perguntou:
— Você se lembra do desaparecimento?
Noah fechou os olhos por alguns segundos.
— Lembro de algumas partes.
— Era madrugada.
— Todos estavam dormindo.
— Quando acordamos, uma aluna do terceiro ano havia desaparecido.
Cristian tentou completar a memória.
— Procuramos por ela durante horas...
— E nunca encontramos nada.
Noah assentiu.
— Até que chegaram as férias.
Ele fez uma breve pausa.
— Alguns dias depois disseram que ela havia se afogado.
Cristian balançou a cabeça negativamente.
— Nunca acreditei nisso.
— Nem eu.
Os dois permaneceram em silêncio.
Foi então que Noah lembrou de outro detalhe.
Parou de andar abruptamente.
— Cristian...
— O que foi?
Noah arregalou os olhos.
— O professor Arthur...
Cristian olhou para ele, confuso.
— O que tem ele?
Noah respirou fundo.
— Ele desapareceu poucos dias depois.
Cristian ficou completamente imóvel.
Por mais que tentasse, não conseguia recordar aquele fato.
Noah continuou.
— Ele marcou um encontro conosco na biblioteca.
— Disse que finalmente havia descoberto quem construiu a passagem secreta.
Cristian começou a respirar mais rápido.
Pequenos fragmentos daquela noite voltavam à sua mente.
— Nós fomos...
— Mas ele nunca apareceu.
Noah assentiu lentamente.
— E no dia seguinte...
Os dois terminaram a frase juntos.
— O quarto dele estava completamente vazio.
Nenhum móvel havia sido levado.
Nenhuma roupa.
Nenhum livro.
Era como se o professor Arthur jamais tivesse existido em Valenhall.
Cristian olhou novamente para Noah.
— Se ele realmente descobriu quem construiu a passagem secreta...
Noah completou:
— Talvez tenha sido por isso que desapareceu.
Ao longe, o antigo relógio do internato marcou uma hora da manhã.
Os dois permaneceram em silêncio.
Pela primeira vez, perceberam que talvez o verdadeiro mistério de Valenhall nunca tivesse sido a porta de ferro.
Talvez alguém estivesse protegendo o segredo daquela passagem havia séculos.
Noah permaneceu parado no corredor.
O relógio marcava pouco depois da uma da manhã.
As luzes do internato já haviam sido apagadas, restando apenas a iluminação fraca das arandelas espalhadas pelas paredes.
Cristian percebeu que o amigo estava olhando fixamente para um antigo quadro pendurado no corredor.
Era uma fotografia em preto e branco.
Mostrava a primeira turma formada após a fundação de Valenhall.
— O que foi? — perguntou.
Noah respirou fundo.
— Eu lembrei de mais uma coisa.
Cristian permaneceu em silêncio.
— Naquele verão... nós não éramos os únicos que ficaram no internato.
— Como assim?
— Havia outros alunos.
— Poucos.
— Acho que uns quinze ou vinte.
Cristian começou a fazer um esforço para recordar.
— É verdade...
— Alguns eram do primeiro ano.
— Outros já estavam no terceiro.
Noah continuou:
— E havia um motivo para eles permanecerem.
Cristian franziu a testa.
— Eu não lembro.
— Eles participavam de um projeto de férias promovido pelo internato.
Os dois voltaram a caminhar lentamente.
Noah fechou os olhos por um instante.
As lembranças surgiam como pequenos fragmentos.
— Na segunda semana das férias...
— Todos começaram a comentar sobre um desenho que aparecia pelo colégio.
Cristian completou:
— O pentagrama.
Noah assentiu.
— Primeiro apareceu na biblioteca.
— Depois no refeitório.
— Em seguida, na quadra.
— Até que uma manhã...
Os dois pararam de andar ao mesmo tempo.
— Ele apareceu no Grande Salão.
Cristian ficou completamente imóvel.
— Eu lembro...
— Todos os alunos estavam reunidos.
— Ninguém sabia quem havia desenhado aquilo.
Noah respirou fundo.
— O diretor Evans mandou apagar imediatamente.
— Mas, na manhã seguinte...
Cristian terminou a frase.
— O pentagrama havia voltado.
Os dois permaneceram em silêncio.
Depois de alguns segundos, Noah disse algo que fez Cristian gelar.
— Nós sempre acreditamos que tudo começou no verão.
— Mas acho que estávamos errados.
Cristian olhou para ele.
— Como assim?
Noah voltou seus olhos para a fotografia antiga.
— Acho que quando encontramos a passagem secreta no primeiro ano...
— Alguém percebeu que nós a encontramos.
— E esperou quatro anos.
Cristian sentiu um arrepio.
— Esperou... para quê?
Noah respondeu quase em um sussurro:
— Para ter certeza de que nós voltaríamos até ela.
Naquele instante, uma janela no fim do corredor bateu violentamente com o vento.
Os dois se assustaram.
Cristian caminhou até ela para fechá-la.
Quando olhou para o jardim...
Depois da conversa, os dois seguiram caminhos diferentes.
Cristian entrou em seu quarto ainda tentando organizar as lembranças que retornavam pouco a pouco.
Noah caminhou lentamente até o fim do corredor.
Fechou a porta de seu quarto, girou a chave e permaneceu alguns segundos parado.
O silêncio era absoluto.
Sem acender a luz principal, abriu a gaveta da mesa de cabeceira.
Lá dentro havia um envelope envelhecido pelo tempo.
Ele o retirou com extremo cuidado.
Era o mesmo envelope que carregava consigo havia vinte e sete anos.
Noah respirou fundo antes de retirar uma folha dobrada.
certidão de nascimento.
Seus olhos foram diretamente para o campo que evitava ler durante anos.
Pai: Erik Hall Lewis.
Noah fechou os olhos.
Aquela única linha explicava muita coisa.
E destruía outras tantas.
Erik Hall Lewis.
O homem mais poderoso da família que fundara e reconstruíra Valenhall.
Pai de Clary.
Isso significava apenas uma coisa.
Noah era meio-irmão de Clary.
Sentou-se lentamente na cama.
Durante anos carregara aquele segredo completamente sozinho.
Nem Cristian sabia.
Nem Clary.
Muito menos qualquer outra pessoa.
Se aquela informação viesse à tona, não mudaria apenas sua vida.
Mudaria toda a história de Valenhall.
Noah passou a mão sobre a certidão.
— Por que você nunca me procurou? — murmurou para si mesmo.
Naquele instante, lembrou-se da ameaça recebida horas antes.
"Não se envolva. Você tem muitos segredos... e eles serão revelados um a um."
Seu coração acelerou.
Até aquele momento, acreditava que ninguém conhecia sua verdadeira origem.
Mas agora...
Alguém sabia.
Dobrou cuidadosamente a certidão e a guardou novamente no envelope.
Antes de fechar a gaveta, porém, percebeu algo estranho.
Havia um pequeno papel que estava em cima da cama.
Com as mãos trêmulas, pegou o bilhete.
Nele havia apenas uma frase escrita com tinta preta.
"Para de se envolver, ou você irá se arrepender."
Noah sentiu o corpo inteiro gelar.
Alguém havia entrado em seu quarto.
E sabia exatamente o segredo que ele escondia havia quase três décadas.
Noah permaneceu imóvel por alguns segundos, encarando a certidão de nascimento.
As chamas da lareira iluminavam fracamente o quarto.
Em suas mãos estava a única prova que possuía.
Se alguém a encontrasse...
Tudo mudaria.
Olhou novamente para o nome.
Erik Hall Lewis.
Fechou lentamente os olhos.
— Chega...
Murmurou para si mesmo.
— Esse segredo morre comigo.
Caminhou até a lareira.
Retirou um pequeno isqueiro do bolso da calça.
Ficou alguns segundos apenas observando a certidão.
Lembrou-se da mãe.
Das perguntas que nunca foram respondidas.
Dos anos tentando descobrir quem era seu pai.
E, agora que finalmente sabia...
Percebia que aquela verdade poderia destruir muito mais vidas do que imaginava.
Com um movimento firme, acendeu o isqueiro.
A pequena chama azul iluminou seu rosto.
Aproximou-a lentamente da borda da certidão.
Durante alguns segundos, nada aconteceu.
Então o papel começou a escurecer.
As primeiras chamas surgiram.
Noah permaneceu olhando.
Não tentou apagar.
Apenas observou enquanto o fogo consumia lentamente a única cópia que possuía daquele documento.
Em poucos instantes...
O nome de Erik Hall Lewis desapareceu entre as chamas.
Depois vieram a data.
As assinaturas.
Os carimbos.
Tudo virou cinzas.
Noah esperou até que o último pedaço de papel fosse consumido.
Pegou o atiçador da lareira e espalhou as cinzas.
Não restava absolutamente nada.
Respirou profundamente.
Pela primeira vez em muitos anos, acreditou que aquele segredo havia desaparecido para sempre.
Os primeiros raios de sol começaram a atravessar as grandes janelas do Internato Valenhall.
O silêncio da madrugada dava lugar ao canto dos pássaros e ao movimento dos funcionários preparando o café da manhã.
No dormitório feminino, Cora foi a primeira a despertar.
Ainda sonolenta, levantou-se sem fazer barulho para não acordar Elena e Katy.
Pegou uma toalha e entrou no banheiro.
Bocejando, aproximou-se da pia.
Quando levantou os olhos para o espelho...
Seu corpo inteiro congelou.
Escrita com uma tinta vermelha, que escorria lentamente pela superfície do vidro, havia uma única frase.
"VOCÊ É A QUARTA SELECIONADA."
Cora arregalou os olhos.
Por alguns segundos, ficou completamente imóvel.
Seu coração começou a bater tão forte que parecia ecoar pelo banheiro.
Deu um passo para trás.
Tropeçou no pequeno tapete.
Então soltou um grito.
— AAAAAAH!
O grito atravessou o quarto.
Elena levantou assustada.
— Cora!
Katy também despertou de um salto.
— O que aconteceu?
As duas correram até o banheiro.
Encontraram Cora encostada na parede, pálida, apontando para o espelho com as mãos tremendo.
Elena olhou para a mensagem.
Ficou sem palavras.
Katy aproximou-se lentamente.
Leu novamente.
"VOCÊ É A QUARTA SELECIONADA."
As três permaneceram em silêncio.
Elena respirou fundo.
— Isso... isso não pode ser uma brincadeira.
Cora balançava a cabeça negativamente.
— Eu não recebi carta...
— Eu nunca recebi carta...
Elena aproximou-se dela.
— Eu acredito em você.
Naquele instante, Katy pegou uma toalha e tentou apagar a mensagem.
Passou o pano sobre o espelho.
Nada.
Esfregou com mais força.
A tinta não saía.
Era como se as palavras fizessem parte do próprio vidro.
As três se entreolharam.
Agora não havia mais dúvidas.
O quarto escolhido acabara de ser revelado.
E apenas um nome ainda permanecia desconhecido.
O quinto e último escolhido.
Ainda tremendo por causa do que acabara de acontecer, Cora lavou o rosto diversas vezes.
O reflexo no espelho agora mostrava apenas seu rosto assustado.
A mensagem havia desaparecido tão misteriosamente quanto surgira, Katy e Elena esfregaram tanto, que parecia um espelho novo.
Elena colocou a mão sobre o ombro da amiga.
— Vamos sair daqui.
Katy concordou.
— Acho melhor fingirmos que nada aconteceu... pelo menos por enquanto.
Cora apenas assentiu.
As três se arrumaram rapidamente e deixaram o dormitório.
Os corredores do internato já estavam cheios de alunos.
Alguns comentavam sobre o baile da noite anterior.
Outros falavam sobre as aulas que começariam naquele dia.
Para qualquer pessoa, parecia uma manhã comum.
Para Cora, cada rosto parecia esconder um segredo.
Ao entrarem no refeitório, sentiram o aroma de café recém-passado, pães, frutas e doces espalhados pelo enorme salão.
Trevor, Liam, Alex e Scott já estavam sentados em uma das mesas.
Liam fazia algumas anotações em seu caderno.
Trevor levantou a mão ao ver as meninas.
— Bom dia!
Elena respondeu com um sorriso discreto.
Cora, porém, permaneceu em silêncio.
Scott percebeu imediatamente.
— Está tudo bem?
Antes que ela pudesse responder, um chiado tomou conta de todo o internato.
Os alto-falantes espalhados pelos corredores e pelo refeitório foram ligados.
Em seguida, ouviu-se a voz calma de Meredith.
— Atenção, alunos.
O refeitório silenciou.
Todos voltaram seus olhares para as caixas de som.
— Após o café da manhã, espero todos no Grande Auditório.
Ela fez uma breve pausa antes de continuar.
— Teremos nossa reunião de boas-vindas. Conversaremos sobre o funcionamento do internato, as regras de convivência, a divisão das casas e como será este primeiro bimestre.
Alguns alunos comemoraram.
Outros apenas continuaram tomando café.
Trevor sorriu.
— Finalmente vamos conhecer nossas casas.
Liam fechou lentamente o caderno.
— Espero que a reunião seja tranquila.
Cora olhou discretamente para Elena.
Depois para Scott.
Por fim, abaixou os olhos.
Naquele momento, apenas uma coisa ocupava seus pensamentos.
Ela agora era a quarta escolhida.
E, em algum lugar daquele internato...
O quinto escolhido ainda não fazia ideia de que sua vida estava prestes a mudar para sempre.
As meninas caminharam até a mesa onde Trevor, Liam, Alex e Scott já estavam sentados.
Sem dizer uma palavra, Cora ocupou uma cadeira ao lado de Scott.
Elena sentou-se ao lado de Trevor.
Katy ficou ao lado de Liam.
Durante alguns segundos, ninguém falou.
O silêncio daquela mesa contrastava completamente com o restante do refeitório.
Enquanto outros alunos riam, faziam amizades e comentavam sobre o baile da noite anterior, os sete apenas tomavam café.
Trevor percebeu que Cora parecia ainda mais pálida do que no baile.
Olhou discretamente para Elena.
Ela apenas balançou a cabeça, indicando que contaria depois.
Scott também percebeu.
Mas preferiu não perguntar.
Liam, por sua vez, mantinha o caderno fechado ao lado do prato.
Nem ele teve coragem de tocar no assunto da noite anterior.
Aquele foi, sem dúvida, o café da manhã mais silencioso que qualquer um deles já havia vivido.
Poucos minutos depois, os alunos começaram a terminar suas refeições.
As cadeiras eram empurradas para trás.
Bandejas eram recolhidas.
O enorme refeitório começou a esvaziar.
Trevor levantou-se primeiro.
— Vamos?
Todos concordaram apenas com um gesto de cabeça.
Os sete deixaram o refeitório junto com os demais estudantes e seguiram pelos largos corredores de pedra.
A cada passo, mais alunos se juntavam ao fluxo que caminhava na mesma direção.
O Grande Auditório ficava no centro do internato, logo abaixo da torre do relógio.
Quando chegaram, ficaram impressionados.
O auditório era gigantesco.
Centenas de cadeiras de madeira ocupavam o salão.
No palco havia um púlpito, um enorme telão e, logo atrás, quatro grandes bandeiras pendiam do teto.
Cada uma trazia o símbolo de uma das casas de Valenhall.
O Leão.
O Tigre.
A Onça.
O Leopardo.
Os alunos foram ocupando seus lugares enquanto conversavam animadamente.
Trevor olhou discretamente para Liam.
Liam respondeu com um leve aceno.
Sem que ninguém percebesse, os dois observaram Cora.
Agora eles sabiam.
Dos cinco escolhidos, quatro já haviam sido revelados.
Elena.
Trevor.
Scott.
Cora.
Restava apenas um.
E, em algum lugar daquele enorme auditório, o quinto escolhido provavelmente estava sentado sem imaginar que seu destino já havia sido decidido.
O Grande Auditório estava completamente lotado.
Alunos do primeiro ao quarto ano ocupavam praticamente todas as cadeiras.
Os professores permaneciam próximos ao palco, conversando entre si enquanto aguardavam o início da reunião.
Trevor, Liam, Alex, Scott, Elena, Cora e Katy sentaram-se na mesma fileira.
Noah entrou por uma das portas laterais e foi diretamente para a área reservada aos professores.
Seu olhar percorreu rapidamente o auditório.
Ao encontrar Scott, Trevor, Elena sentados próximos uns dos outros, seu semblante ficou sério.
Cristian aproximou-se discretamente.
— Eles estão todos juntos.
Noah respondeu sem desviar o olhar.
— Eu também percebi.
— Ainda falta dois.
Antes que continuassem a conversa, Clary entrou no auditório.
Vestia um elegante conjunto azul-marinho e caminhava com a postura firme de quem estava acostumada a comandar o internato.
Assim que subiu ao palco, o burburinho cessou.
Meredith aproximou-se do microfone.
— Bom dia a todos.
Os alunos responderam em coro.
— Bom dia!
Meredith sorriu.
— Sejam oficialmente bem-vindos ao Internato Valenhall.
Ela fez uma breve pausa.
— Hoje vocês conhecerão um pouco da história desta instituição, das quatro casas e dos professores que os acompanharão durante este ano.
Enquanto Meredith falava, Liam observava atentamente o palco.
Algo chamou sua atenção.
Logo acima das bandeiras das quatro casas existia um enorme vitral colorido.
No centro dele havia os símbolos do leão, do tigre, da onça e do leopardo.
Mas havia também um quinto espaço.
Vazio.
Como se algum símbolo tivesse sido retirado dali muitos anos antes.
Liam cutucou Trevor discretamente.
— Está vendo aquilo?
Trevor levantou os olhos.
Franziu a testa.
— Tem alguma coisa faltando...
Scott também olhou.
— Parece que havia um quinto brasão.
Antes que pudessem comentar mais, Clary aproximou-se do púlpito.
Ela observou cada aluno presente.
Seu olhar passou lentamente pelas primeiras fileiras.
Quando chegou até Elena, Trevor e Scott fez uma pequena pausa.
Depois continuou como se nada tivesse acontecido.
— Há quase quatrocentos anos, quatro homens fundaram Valenhall acreditando que o conhecimento mudaria o mundo.
Ela apontou para as quatro bandeiras.
— Cada um criou uma casa para representar seus valores.
Leão.
Tigre.
Onça.
Leopardo.
Então olhou novamente para o vitral.
Por um breve instante, sua expressão mudou.
Como se também tivesse percebido o espaço vazio.
Mas continuou o discurso normalmente.
Lá no fundo do auditório, um aluno que ninguém parecia conhecer observava tudo em silêncio.
Usava o uniforme do internato, mas permanecia sozinho.
Quando Clary pronunciou a palavra "fundadores", um leve sorriso apareceu em seu rosto.
E, quase imperceptivelmente, ele murmurou:
— Ainda falta o quinto...
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