Internato Valenhall
13 A escolha das casas
Clary continuou falando ao microfone, caminhando lentamente pelo palco enquanto observava os rostos atentos dos novos alunos.
— Hoje vocês irão conhecer melhor cada professor. Cada um deles será responsável por acompanhar não apenas o desempenho acadêmico de vocês, mas também seu desenvolvimento dentro de Valenhall.
Ela fez uma breve pausa.
— Logo em seguida, faremos um tour pelo internato. Vocês conhecerão os ambientes onde passarão boa parte da vida de vocês durante este ano letivo.
No telão atrás dela surgiu uma enorme planta do internato.
Um murmúrio percorreu o auditório.
O mapa era muito maior do que todos imaginavam.
— Este é Valenhall — disse Clary. — O internato possui quatro alas principais, além de áreas esportivas, jardins, biblioteca, laboratórios, dormitórios e espaços históricos preservados há séculos.
Trevor arregalou os olhos.
— Achei que fosse grande... mas isso parece uma cidade.
Alex deu um leve sorriso.
— Vai dar para se perder umas dez vezes.
Liam observava atentamente cada detalhe da planta, tentando memorizá-la.
Scott apenas cruzou os braços.
— Quanto maior o lugar... mais segredos ele pode esconder.
Cora permaneceu em silêncio.
Seu olhar percorreu o desenho até encontrar o enorme jardim central.
Por um instante, lembrou-se da saída da passagem secreta.
Sentiu um arrepio.
Enquanto isso, Noah permanecia próximo aos professores.
Cristian aproximou-se discretamente.
— Eles estão prestando atenção demais no mapa.
— Principalmente o Liam — respondeu Noah.
— Ele percebe tudo.
No palco, Clary retomou a palavra.
— Antes de iniciarmos a visita, permitam-me apresentar a equipe de professores que acompanhará vocês durante este ano.
Os refletores iluminaram a primeira fileira reservada aos docentes.
— Professor Noah Sanmerry...
Noah levantou-se sob os aplausos dos alunos.
— Professor de Educação Física e treinador das equipes esportivas do internato.
Noah fez apenas um discreto aceno antes de voltar a se sentar.
— Professor Cristian Rossi...
Cristian levantou-se em seguida.
— História, Literatura e Patrimônio Histórico de Valenhall.
Alguns alunos cochicharam ao ouvir o nome da disciplina.
Alex sorriu para Trevor.
— Aposto que ele é daqueles que passa prova surpresa.
Trevor riu baixinho.
Logo outros professores foram apresentados: Matemática, Ciências, Química, Música, Artes, Filosofia, Idiomas e Astronomia.
Cada um recebia uma salva de palmas antes de se sentar novamente.
Por fim, Clary voltou ao centro do palco.
— Agora chegou o momento de conhecerem o lugar que será sua casa pelos próximos meses.
Ela sorriu.
— Meredith conduzirá a visita.
A coordenadora aproximou-se do microfone.
— Organizem-se por casas e formem filas. Visitaremos o Grande Auditório, a Biblioteca Central, os laboratórios, o refeitório, o ginásio esportivo, os jardins, a torre do relógio, os corredores históricos e, por último, os dormitórios.
Os alunos começaram a se levantar.
Enquanto todos conversavam animadamente, Liam lançou um último olhar para o enorme mapa projetado no telão.
Algo não fazia sentido.
Ele contou mentalmente os prédios desenhados.
Um...
Dois...
Três...
Quatro...
Cinco.
Então franziu a testa.
No desenho havia um pequeno edifício circular, parcialmente coberto pela legenda do mapa.
Nenhum nome.
Nenhuma identificação.
Era como se aquele lugar simplesmente... não existisse.
Antes que Meredith pudesse se afastar do microfone, Clary ergueu a mão.
— Só mais uma coisa.
Meredith parou e deu um passo para o lado.
Clary voltou ao centro do palco.
— Neste primeiro momento, vocês poderão escolher livremente a casa com a qual mais se identificam.
Um burburinho animado tomou conta do auditório.
Trevor olhou imediatamente para as quatro bandeiras.
— Então podemos escolher qualquer uma?
Liam não respondeu. Continuava observando os brasões com atenção.
Clary esperou o auditório silenciar novamente.
— Porém, essa escolha será apenas temporária.
Os alunos se entreolharam.
— Depois das primeiras provas, atividades e avaliações, analisaremos o desempenho de cada um de vocês. Com base em suas habilidades, comportamento, resultados acadêmicos e participação, vocês serão oficialmente selecionados para uma das quatro casas de Valenhall.
Alex inclinou-se na direção de Scott.
— Então a gente escolhe agora, mas depois eles podem nos trocar?
— Foi exatamente isso que ela disse — respondeu Scott.
Clary apontou para as bandeiras suspensas atrás do palco.
— Leão, Tigre, Onça e Leopardo não são apenas nomes. Cada casa representa valores, talentos e formas diferentes de enxergar o mundo.
Ela caminhou lentamente diante dos quatro estandartes.
— Quando a seleção oficial acontecer, começarão as competições entre as casas.
Alguns alunos comemoraram.
Outros começaram a discutir em voz baixa sobre qual seria a melhor equipe.
— As casas acumularão pontos por meio das notas, competições esportivas, desafios culturais, projetos, comportamento e atividades especiais realizadas durante o semestre.
Noah cruzou os braços, observando a reação dos estudantes.
Cristian aproximou-se discretamente.
— Isso não fazia parte da reunião.
— Clary sempre guarda alguma surpresa — respondeu Noah.
Clary sorriu.
— Ao final do semestre, a casa que conquistar a maior pontuação será declarada campeã de Valenhall.
O telão exibiu uma grande taça dourada cercada pelos quatro animais.
— E todos os integrantes da casa vencedora ganharão uma viagem surpresa durante as férias de verão.
O auditório explodiu em aplausos.
Trevor sorriu.
— Agora ficou interessante.
Alex bateu as mãos uma vez, animado.
— Nós precisamos ficar na mesma casa.
— Não sabemos se isso será possível — alertou Liam.
Elena olhou para Cora e Katy.
— Pelo menos, por enquanto, podemos escolher juntas.
Cora permaneceu séria.
A palavra selecionados continuava ecoando em sua mente.
Primeiro, as mensagens misteriosas haviam escolhido alguns alunos.
Agora, o próprio internato também faria uma seleção.
Para todos os outros, aquilo parecia apenas uma competição escolar.
Para Cora, parecia mais uma etapa de algo muito maior.
Meredith retomou o microfone.
— Muito bem. Na saída do auditório, vocês encontrarão quatro mesas de inscrição, uma para cada casa. Escolham com calma, pois essa escolha definirá os grupos do primeiro período.
Clary olhou para os alunos uma última vez.
Seu olhar passou por Trevor.
Depois por Elena.
Em seguida, por Scott.
Por alguns segundos, permaneceu sobre Cora.
Então ela disse:
— Escolham com sabedoria.
As portas do Grande Auditório foram abertas.
Os estudantes se levantaram rapidamente e começaram a caminhar em direção às mesas das quatro casas.
No alto, acima dos estandartes, o espaço vazio do vitral parecia observar cada escolha.
Após a escolha temporária das casas, os alunos foram divididos em quatro grupos.
Noah caminhou até a frente do auditório e sorriu.
— Todos os alunos que escolheram a Casa do Leão, por favor, venham comigo.
Trevor foi um dos primeiros a levantar.
Logo atrás dele vieram Liam, Alex, Scott e vários outros estudantes. Elena, Cora e Katy haviam escolhido casas diferentes e seguiram seus respectivos professores.
Noah conduziu o grupo pelos amplos corredores de pedra do internato. Enquanto caminhavam, aproveitava para conversar.
— A Casa do Leão é conhecida por formar alunos determinados, disciplinados e que gostam de desafios. Mas lembrem-se: a escolha de hoje é apenas provisória. O verdadeiro pertencimento será definido pelas avaliações das próximas semanas.
Poucos minutos depois, enormes portas de madeira foram abertas.
— Bem-vindos ao Ginásio de Valenhall.
Os alunos entraram e ficaram impressionados.
O ginásio era gigantesco. As arquibancadas se erguiam dos dois lados da quadra, bandeiras da Casa do Leão decoravam uma das extremidades e, acima delas, enormes janelas góticas deixavam a luz da manhã iluminar o piso de madeira impecavelmente polido.
No centro da quadra estava gravado o brasão de Valenhall.
— É aqui que acontecerá grande parte das minhas aulas — explicou Noah. — Educação Física, treinamentos, competições internas e os Jogos das Casas.
Ele caminhou lentamente pela quadra.
— Vocês aprenderão muito mais do que esportes. Quero que entendam o valor do trabalho em equipe, da disciplina, do respeito e da superação.
Alex olhou para as cestas de basquete.
— Então vai ter campeonato de basquete também?
— Basquete, vôlei, handebol, atletismo e várias outras modalidades — respondeu Noah. — Todos terão a oportunidade de participar.
Trevor observava cada detalhe.
Liam percebeu que havia antigos troféus expostos em vitrines de vidro.
Alguns eram tão antigos que já estavam escurecidos pelo tempo.
Scott, por sua vez, notou uma porta metálica nos fundos do ginásio.
Ela estava trancada.
Acima dela havia apenas uma pequena placa escrita:
Acesso restrito.
Noah percebeu o olhar curioso do garoto.
— Aquela área pertence ao setor de manutenção. Não faz parte da visita.
Scott apenas assentiu, embora continuasse intrigado.
Após apresentar o ginásio, Noah conduziu o grupo por uma passagem lateral.
Alguns minutos depois, eles chegaram ao enorme campo de futebol.
A grama era perfeitamente aparada. Havia arquibancadas de pedra, refletores modernos e um grande placar eletrônico ao fundo.
Ao redor do campo existia uma pista de atletismo e, mais distante, um bosque cercava toda a área esportiva.
Noah abriu os braços.
— Este é o Campo Principal de Valenhall.
Os alunos admiravam a paisagem.
— Durante os campeonatos das casas, os meninos disputarão partidas de futebol neste campo. As meninas, caso desejem participar da organização das partidas, poderão integrar as equipes de torcida, ajudando a incentivar seus colegas durante os jogos.
Algumas alunas sorriram com a ideia, enquanto outras comentaram que preferiam participar de outras modalidades esportivas.
Noah fez questão de esclarecer:
— Mas ninguém é obrigado a isso. Em Valenhall existem diversas modalidades esportivas, e todos poderão escolher onde desejam competir. Nosso objetivo é que cada aluno encontre a atividade em que possa desenvolver melhor suas habilidades.
Trevor olhou para o gramado.
— Professor... quem foi o último campeão?
Noah sorriu.
— A Casa do Leopardo venceu o torneio do semestre passado. Mas isso muda todos os anos. Aqui, tradição ajuda... porém não garante vitória.
Alex já imaginava a final do campeonato.
— Então este ano vamos trazer o troféu para o Leão!
Alguns colegas comemoraram.
Noah apenas cruzou os braços, satisfeito com o entusiasmo.
— Gosto desse espírito competitivo. Só não se esqueçam de uma coisa...
Seu olhar percorreu lentamente o campo.
— Em Valenhall, algumas disputas acontecem dentro das quatro linhas...
Ele fez uma pequena pausa antes de concluir.
— ...outras começam muito antes de a partida sequer iniciar.
Enquanto isso, Cristian conduzia os alunos que haviam escolhido a Casa do Tigre pelos corredores mais silenciosos do internato.
Após subirem uma larga escadaria de pedra e atravessarem duas portas antigas, chegaram à Biblioteca Central de Valenhall.
Cristian empurrou as portas de madeira.
— Bem-vindos à biblioteca.
Os alunos entraram lentamente.
O lugar era enorme.
Estantes de madeira escura cobriam as paredes do chão ao teto. Escadas móveis permitiam alcançar os livros mais altos, enquanto grandes janelas góticas iluminavam mesas antigas espalhadas pelo salão.
No centro havia um globo terrestre, cercado por poltronas de couro e luminárias douradas.
— Aqui acontecerão algumas de nossas aulas de Literatura — explicou Cristian. — Vocês também poderão utilizar este espaço para pesquisas, estudos e trabalhos.
Cora ficou encantada.
Pela primeira vez desde que chegara a Valenhall, conseguiu esquecer por alguns instantes a mensagem que aparecera no espelho.
Ela caminhou entre as estantes, observando os títulos gravados nas lombadas dos livros.
História.
Mitologia.
Filosofia.
Lendas antigas.
Mistérios de Valenhall.
Cora parou.
Aquele lugar parecia ter sido construído especialmente para ela.
Naquele momento, teve certeza de que a Casa do Tigre seria a sua casa.
Mesmo que a seleção oficial ainda não tivesse acontecido.
Enquanto Cristian continuava explicando as regras da biblioteca, Cora percebeu um aluno sentado sozinho em uma das mesas mais afastadas.
Parecia ser do quarto ano.
Ele tinha os braços cruzados e olhava para os livros como se preferisse estar em qualquer outro lugar.
Cora teve certeza de que ele odiava aquela biblioteca.
Mas algo naquele garoto chamava sua atenção.
Era o colar que carregava no pescoço.
Um pequeno símbolo metálico pendia sobre o uniforme.
Cora estreitou os olhos.
Conhecia aquele desenho.
Era o mesmo símbolo que aparecera próximo à mensagem escrita no espelho de seu dormitório.
Ela sentiu o coração acelerar.
O garoto percebeu que estava sendo observado.
Levantou lentamente os olhos e encarou Cora.
Durante alguns segundos, nenhum dos dois se moveu.
Então ele colocou o colar para dentro da camisa.
Levantou-se.
Pegou um livro que estava sobre a mesa e começou a caminhar em direção à saída.
Ao passar ao lado de Cora, aproximou-se o suficiente para falar sem que os outros escutassem.
— Pare de procurar respostas.
Cora permaneceu imóvel.
O garoto continuou andando.
Antes de sair da biblioteca, virou o rosto discretamente e completou:
— Algumas perguntas fazem as pessoas desaparecerem.
As portas se fecharam atrás dele.
Cora sentiu um arrepio percorrer todo o corpo.
Cristian se aproximou.
— Está tudo bem?
Ela olhou para a porta.
Depois para o professor.
— Quem era aquele aluno?
Cristian acompanhou seu olhar, mas o garoto já havia desaparecido pelo corredor.
Por alguns segundos, a expressão do professor mudou.
— Provavelmente um aluno do terceiro ou quarto ano, ele é da casa leão
Cora apontou para a mesa vazia.
Sobre ela, o livro que o garoto carregava havia sido deixado para trás.
Cora aproximou-se lentamente.
Na capa estava escrito:
A história de Valenhall.
Enquanto Noah apresentava o complexo esportivo aos alunos da Casa do Leão e Cristian conduzia a Casa do Tigre pela biblioteca, outro grupo percorria o lado leste do internato.
Elena e Katy haviam escolhido, provisoriamente, a Casa do Leopardo.
Quem conduzia o grupo era o professor de Química, Dr. Victor Alencar, um homem de aproximadamente cinquenta anos, cabelos grisalhos, jaleco branco impecável e uma voz calma que fazia todos prestarem atenção.
Assim que chegaram diante de uma grande porta dupla de vidro fosco, ele sorriu.
— Bem-vindos ao Laboratório Central de Química.
As portas se abriram automaticamente.
Os alunos ficaram impressionados.
O laboratório era moderno, mas mantinha a arquitetura gótica característica de Valenhall. Longas bancadas de madeira escura ocupavam o centro da sala, equipadas com microscópios, vidrarias, tubos de ensaio, béqueres, destiladores e equipamentos científicos de última geração.
Nas paredes, armários de vidro guardavam centenas de frascos cuidadosamente identificados.
Ao fundo havia uma enorme tabela periódica iluminada.
O professor caminhou lentamente entre as bancadas.
— A Casa do Leopardo foi a campeã do semestre passado.
Os alunos comemoraram.
— Isso significa que vocês terão um grande desafio pela frente: manter essa tradição.
Elena sorriu.
— Então escolhemos a casa certa.
Alguns colegas concordaram imediatamente.
O professor continuou.
— Aqui vocês terão aulas de Química Experimental. Todas as práticas serão realizadas neste laboratório, sempre seguindo rigorosamente as normas de segurança.
Enquanto ele explicava o funcionamento dos equipamentos, Katy observava cada detalhe.
Ela admirava a organização impecável da sala.
— Parece um laboratório de universidade... — comentou, encantada.
Elena, porém, estava distraída.
Seu olhar percorreu as prateleiras até encontrar um armário antigo, diferente de todos os outros.
Era feito de madeira escura e possuía uma pequena placa de bronze.
ACESSO RESTRITO
Ela franziu a testa.
— Professor... o que fica naquele armário?
Victor olhou rapidamente para o local.
— Apenas materiais antigos que já não utilizamos nas aulas.
A resposta foi rápida demais.
Elena percebeu.
Antes que pudesse fazer outra pergunta, uma batida metálica ecoou do interior do armário.
Toc...
Os alunos olharam ao mesmo tempo.
O laboratório inteiro ficou em silêncio.
O professor manteve a expressão serena.
— Deve ter sido alguma vidraria se acomodando.
Mas Elena teve a impressão de que aquilo não parecia vidro.
Parecia...
Alguém batendo do lado de dentro.
Victor fechou discretamente a porta do armário com uma chave dourada que trazia presa ao jaleco.
Em seguida, voltou a sorrir.
— Vamos continuar nossa visita. Ainda há muitos lugares para conhecer em Valenhall.
Enquanto todos o seguiam, Elena lançou um último olhar para o armário.
Por um breve instante, teve a nítida sensação de ver a maçaneta mover-se sozinha.
Enquanto a Casa do Leão explorava o complexo esportivo, a Casa do Tigre conhecia a imensa biblioteca e a Casa do Leopardo visitava os laboratórios, os alunos da Casa da Onça seguiam pelos corredores do bloco acadêmico acompanhados pela professora de Astronomia, Professora Helena Monteiro.
Ela era uma mulher de cabelos longos e grisalhos, sempre elegante, e falava com uma calma que transmitia confiança.
Ao chegar ao corredor principal das salas de aula, ela parou diante de uma enorme janela que dava vista para o pátio central.
— Bem-vindos ao setor acadêmico de Valenhall.
Os alunos olharam ao redor.
O corredor era amplo, iluminado por janelas em arco e decorado com antigos retratos de ex-alunos que haviam se destacado ao longo da história do internato.
A professora abriu a porta da primeira sala.
— É aqui que acontecerá a maior parte das aulas teóricas de vocês.
As salas eram modernas, mas preservavam o estilo centenário do colégio. Havia grandes quadros digitais, carteiras organizadas em semicírculo e enormes janelas que permitiam a entrada da luz natural.
Ela conduziu o grupo por várias salas.
— Matemática.
— História.
— Geografia.
— Física.
— Biologia.
— Filosofia.
Por fim, pararam diante de uma porta diferente das demais.
Sobre ela havia uma pequena placa dourada.
Observatório Astronômico
A professora sorriu.
— Este é um dos lugares mais especiais de Valenhall.
Ela abriu a porta.
Os alunos encontraram uma escada em espiral que levava até uma enorme cúpula de vidro.
No centro havia um gigantesco telescópio apontado para o céu.
— Durante as aulas de Astronomia, estudaremos não apenas as estrelas e os planetas, mas também a história da navegação, das constelações e da exploração do universo.
Os alunos ficaram fascinados.
Depois de conhecerem o observatório, o grupo retornou ao corredor principal.
Enquanto isso, os demais grupos também concluíam suas visitas.
Noah encerrava a apresentação do complexo esportivo.
Cristian terminava sua explicação sobre a biblioteca.
O professor Victor fechava cuidadosamente o laboratório de Química.
Pouco depois, todos voltaram a se reunir no Grande Auditório.
Clary subiu novamente ao palco.
— Espero que tenham gostado de conhecer um pouco do internato que será a casa de vocês pelos próximos meses.
Os alunos aplaudiram.
— Amanhã começam oficialmente as aulas. Hoje vocês estão dispensados para aproveitar o restante do dia, organizar seus dormitórios, conhecer melhor os colegas e explorar as áreas permitidas do campus.
Meredith e alguns funcionários começaram a distribuir envelopes.
Cada aluno recebeu um com seu nome.
Dentro havia:
O horário completo das aulas.O mapa oficial de Valenhall.As regras do internato.A programação da primeira semana.Um cartão de identificação provisório da casa escolhida.Trevor abriu imediatamente o envelope.
— Primeira aula... Educação Física com o professor Noah.
Alex sorriu.
— Começamos bem.
Cora retirou lentamente sua folha de horários.
Sua primeira aula seria...
Literatura — Professor Cristian Rossi.
Ela sorriu discretamente.
Elena observou seu cronograma.
— Química logo no primeiro dia...
Katy deu uma risada.
— Acho que o professor Victor já vai querer fazer experimentos.
Scott olhou rapidamente para sua programação.
Depois dobrou a folha e a guardou no bolso.
Noah aproximou-se do grupo.
— Aproveitem o restante do dia. Amanhã às sete e meia em ponto quero todos uniformizados e nas respectivas salas.
— Sem atrasos — completou Cristian, passando pelo grupo.
Os alunos começaram a deixar o auditório.
Alguns seguiram para os dormitórios.
Outros caminharam pelos jardins.
Alguns foram até o refeitório.
Pela primeira vez desde que chegaram, Valenhall parecia apenas um internato comum.
Enquanto o restante dos alunos aproveitava a tarde para conhecer o campus, Trevor, Liam, Alex e Scott voltaram para o dormitório masculino.
Assim que a porta se fechou, Alex se jogou sobre a cama e abriu um sorriso.
— Então... quem topa fazer mais uma pegadinha?
Trevor riu.
— Já começou?
— O primeiro dia é o melhor momento. Ninguém conhece ninguém direito ainda.
Scott cruzou os braços.
— Desde que ninguém seja machucado.
— Relaxa — respondeu Alex. — É só uma brincadeira.
Liam fechou a porta e olhou para os corredores, certificando-se de que não havia ninguém ouvindo.
— O que você está pensando?
Alex pegou uma folha de papel e um marcador preto.
— Vamos escrever alguns bilhetes misteriosos e colocar debaixo das portas dos quartos.
Trevor caiu na risada.
— Isso vai deixar todo mundo sem dormir.
Scott deu um sorriso discreto.
— Desde que não usem mensagens muito pesadas.
Alex começou a escrever:
"Cuidado... Valenhall observa todos os seus passos."
Trevor escreveu outro.
"Nem todas as portas devem ser abertas."
Liam balançou a cabeça.
— Vocês têm uma imaginação estranha.
Mesmo assim, acabou pegando uma folha.
Escreveu apenas:
"Boa sorte no primeiro dia de aula."
Alex olhou para o bilhete.
— Esse ficou sem graça.
— Justamente. Assim ninguém vai perceber que todos vieram do mesmo lugar.
Scott deu uma risada.
— Você pensa em tudo.
Os quatro dobraram os papéis e saíram silenciosamente pelos corredores.
Um a um, deixaram os bilhetes sob algumas portas dos dormitórios dos calouros.
Depois voltaram correndo para o quarto antes que algum monitor os encontrasse.
Minutos depois, começaram os comentários pelos corredores.
— Quem deixou isso aqui?
— Você também recebeu um?
— Será que faz parte da recepção?
Trevor observava tudo pela fresta da porta, tentando não rir.
Alex estava quase sem conseguir conter as gargalhadas.
Scott apenas balançava a cabeça.
— Vocês são impossíveis.
Liam sorriu pela primeira vez desde que chegara ao internato.
Por alguns minutos, os quatro esqueceram completamente os mistérios de Valenhall e aproveitaram a leveza da brincadeira.
Aos poucos, as risadas diminuíram.
Trevor se jogou na cama.
Alex ainda ria sozinho ao lembrar da reação dos outros alunos.
Scott abriu a janela do dormitório e observou o pôr do sol iluminando as torres de Valenhall.
Já Liam ficou em silêncio.
Ele caminhou até sua mochila, retirou um caderno de capa preta já bastante usado e sentou-se à escrivaninha.
Na capa, escrito com letras pequenas, lia-se:
Caderno de Investigação — Valenhall
Trevor percebeu.
— Você vai começar hoje mesmo?
— Quanto antes, melhor.
Liam abriu a primeira página.
Ali já havia um desenho detalhado do mapa do internato.
Ele passou lentamente as folhas.
Havia anotações sobre o Grande Auditório.
O jardim.
A biblioteca.
O ginásio.
O laboratório de Química.
O observatório.
E, em uma página marcada por um pequeno marcador vermelho, estava desenhado um círculo sem identificação.
Ao lado, Liam havia escrito:
Construção desconhecida. Não aparece na apresentação oficial do colégio. Descobrir sua função.
Scott aproximou-se da mesa.
— Você realmente anota tudo.
Liam apenas respondeu:
— Todo mistério deixa pistas.
Na página seguinte havia uma lista.
Pessoas importantes:
Clary Hall Lewis — Diretora.Noah Sanmerry — Professor de Educação Física.Cristian Rossi — Professor de Literatura.Meredith — Recepção.Professor Victor — Química.Professora Helena — Astronomia.Mais abaixo, outra anotação chamava a atenção.
Alunos que merecem observação:
Elena.Trevor.Scott.Cora.Alex arregalou os olhos.
— Ei... por que meu nome não está aí?
Liam sorriu.
— Porque você fala tudo o que pensa.
Trevor começou a rir.
Scott também.
Alex fez cara de ofendido.
— Então isso é um elogio ou uma crítica?
— Os dois.
Liam virou mais uma página.
Ela estava praticamente em branco.
No topo havia apenas uma pergunta escrita em letras grandes:
Quem construiu a passagem secreta?
Abaixo dela, três nomes circulados.
Noah.
Cristian.
Clary.
Scott ficou sério.
— Você realmente acredita que eles sabem alguma coisa?
Liam fechou o caderno devagar.
— Talvez não contem tudo.
Talvez estejam tentando proteger alguém.
Ou esconder alguma coisa.
O dormitório ficou em silêncio.
Do lado de fora, o relógio da torre marcou seis horas da tarde.
As badaladas ecoaram por todo o internato.
Liam guardou novamente o caderno na mochila.
— Amanhã começam as aulas.
E eu tenho a impressão de que as respostas não vão aparecer na biblioteca...
Ele olhou pela janela na direção da antiga torre do relógio.
— Elas estão escondidas em algum lugar de Valenhall.
E nós só demos o primeiro passo.
Scott fechou a janela e olhou para os amigos.
— O jantar já está sendo servido.
Alex levantou imediatamente.
— Então vamos!
Trevor olhou para Liam.
— Ou podemos esperar um pouco. Ainda está cheio de gente.
Liam concordou.
— Vamos mais tarde. Assim o refeitório estará mais vazio.
Os outros aceitaram a ideia.
Enquanto Trevor e Alex começaram uma partida de cartas sobre a mesa, Liam pegou sua toalha e entrou no banheiro do dormitório.
Poucos minutos depois, o som do chuveiro ecoava pelo ambiente.
Ao terminar o banho, o vapor cobria completamente o espelho.
Liam passou a mão sobre o vidro, limpando uma faixa.
Observou seu próprio reflexo.
Sorriu de canto.
— Sendo o mais baixo dos meninos... e, obviamente, o mais bonito... alguém precisa desvendar esse mistério.
Com um gesto rápido, jogou o cabelo liso para o lado, ajeitando a franja.
Continuou encarando o espelho por alguns segundos.
Então caminhou até a pequena janela do banheiro.
Dela era possível ver parte do campus.
Ao longe, acima dos telhados antigos de Valenhall, destacava-se a enorme torre do relógio.
Liam estreitou os olhos.
— Você deve esconder alguma resposta...
A torre permanecia imóvel contra o céu alaranjado do entardecer.
O grande relógio marcava pouco depois das seis horas.
Uma revoada de corvos passou diante da torre e desapareceu atrás das árvores.
Naquele instante, Liam teve a impressão de enxergar uma silhueta próxima a uma das janelas superiores.
Piscou.
A figura já não estava mais lá.
— Talvez eu esteja imaginando coisas...
Mesmo assim, não conseguiu desviar o olhar.
Pegou o celular e ampliou a imagem da torre usando a câmera.
A resolução não era suficiente para mostrar detalhes.
Ainda assim, conseguiu perceber algo incomum.
Havia uma janela próxima ao relógio que parecia estar entreaberta.
Liam franziu a testa.
— Estranho... uma torre daquele tamanho deveria permanecer fechada.
Guardou o celular no bolso.
Antes de sair do banheiro, fez uma promessa para si mesmo:
— Mais cedo ou mais tarde... eu vou subir naquela torre.
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