Internato Valenhall
10 A passagem secreta
Scott estava sozinho em seu quarto.
Sentado na cama, observava a mala ainda fechada no canto do dormitório.
Ele mesmo não sabia ao certo por que estava ali.
Desde pequeno, aquele internato parecia fazer parte dos sonhos de sua mãe.
Ela havia sido selecionada para estudar em Valenhall quando era adolescente, mas a vida tomou outro rumo. Antes de embarcar, descobriu que estava grávida do irmão mais velho de Scott e precisou desistir da vaga.
Anos depois, quando Scott recebeu a carta de aprovação, ela quase o obrigou a aceitar.
— Você precisa viver a oportunidade que eu não pude viver — repetia sempre.
Scott nunca soube se aquilo era um incentivo... ou uma forma de realizar um sonho que não era dele.
Levantou-se e caminhou até o espelho.
Ficou alguns segundos encarando o próprio reflexo.
Era alto, com cerca de um metro e setenta e oito. Os cabelos ruivos chamavam a atenção de qualquer pessoa, e as inúmeras sardas espalhadas pelo rosto sempre fizeram parte de sua aparência.
Quando era mais novo, aquilo o incomodava bastante.
Muitas vezes sentia que era diferente dos outros e evitava chamar atenção.
Passou a mão pelos cabelos e soltou um pequeno suspiro.
— Espero que aqui seja diferente...
Foi então que seus olhos perceberam um detalhe estranho.
Scott permaneceu encarando o espelho por alguns segundos.
A sensação de estar sendo observado aumentava a cada instante.
Tentando afastar aquele pensamento, voltou até a cama para desfazer a mala.
Foi então que percebeu algo estranho.
Sob a cabeceira da cama havia um pequeno pedaço de papel dobrado, cuidadosamente escondido.
Seu coração acelerou.
Abaixou-se lentamente e retirou o papel.
O envelope não tinha nome.
Nem selo.
Era apenas uma folha dobrada ao meio.
Scott respirou fundo e a abriu.
No centro da página havia somente três palavras.
"Você é o terceiro."
Por alguns segundos, ele não conseguiu entender o significado.
— O terceiro... de quê?
Olhou rapidamente para os dois lados do quarto.
Não havia ninguém.
O corredor permanecia silencioso.
Sem saber o que fazer, dobrou novamente o bilhete e o guardou no bolso da calça.
No mesmo instante, do outro lado do internato, Cristian, Noah e Clary conversavam na antiga sala da diretoria.
A porta se abriu apressadamente.
Era Meredith.
Ela parecia sem fôlego.
— Professores...
Os três levantaram ao mesmo tempo.
— O que aconteceu? — perguntou Clary.
Meredith respirou fundo antes de responder.
tem um desenho estranho feito com giz na salão de baile.
Os três não perderam tempo.
— Vamos.
Noah e Clary o acompanharam pelos corredores do internato. O silêncio era tão grande que o som de seus passos ecoava pelas paredes antigas de Valenhall.
Ao chegarem ao salão de baile, a porta principal já estava entreaberta.
Meredith permaneceu do lado de fora.
— Foi aqui que eu encontrei... — disse, ainda nervosa.
Cristian empurrou lentamente a porta.
Ela rangeu.
O enorme salão estava completamente vazio.
A luz do sol atravessava os vitrais coloridos, iluminando o piso de madeira.
Mas havia algo no centro do salão.
Os três caminharam lentamente até lá.
Então pararam.
No chão, desenhado cuidadosamente com giz branco, estava um enorme pentagrama.
Era exatamente igual a todos.
Os traços eram precisos, como se tivessem sido feitos por alguém que conhecia perfeitamente aquele símbolo.
Noah ficou completamente imóvel.
— É impossível...
Cristian se ajoelhou ao lado do desenho.
Passou a mão próxima ao giz, sem tocar nele.
— Foi feito há pouco tempo.
Clary olhou atentamente ao redor do salão.
— Não havia câmeras funcionando aqui?
Cristian balançou a cabeça.
— Esta ala ainda está com o sistema de monitoramento desligado por causa das reformas.
Noah respirou fundo.
— Então alguém sabia exatamente onde não seria visto.
Foi nesse momento que Clary percebeu outro detalhe.
Em uma das pontas do pentagrama havia algo escrito em letras pequenas.
Ela se aproximou e leu em voz alta:
— "Quando o quinto chegar, o baile começará de verdade."
Os três permaneceram em silêncio.
Cristian levantou lentamente.
— Isso confirma o que temíamos.
Noah olhou novamente para o símbolo desenhado no chão.
— O jogo já começou...
E, desta vez, alguém queria que eles soubessem disso desde o primeiro momento.
Faltavam apenas algumas horas para o tradicional baile de máscaras de Valenhall.
Os corredores do dormitório feminino estavam movimentados.
As alunas terminavam de se arrumar, ajudavam umas às outras com penteados, maquiagem e vestidos, enquanto a expectativa para a primeira grande noite no internato só aumentava.
No quarto, Elena já estava pronta.
Escolhera um vestido rosa-choque que destacava sua personalidade e combinava perfeitamente com a máscara que usaria naquela noite.
Na verdade, aquela não era a máscara que havia encontrado sobre sua cama.
Ela a havia trocado com Cora mais cedo.
— Tenho certeza de que essa combina muito mais com você — disse Cora, sorrindo.
Elena agradeceu.
— E a sua ficou perfeita em você também.
Katy observava a cena enquanto terminava de prender o cabelo.
— Vocês trocaram as máscaras? Espero que isso não dê problema.
Cora deu de ombros.
— É só uma tradição... não deve fazer diferença.
Elena sorriu, mas, por algum motivo, sentiu um leve desconforto ao ouvir aquelas palavras.
Aproximou-se do espelho para ajeitar os últimos detalhes.
Foi então que percebeu algo estranho.
Na parte interna da máscara, havia uma pequena inscrição feita à mão.
Ela virou o objeto cuidadosamente.
As letras eram tão discretas que quase passavam despercebidas.
Estava escrito:
"As máscaras nunca escolhem a pessoa errada."
Elena ficou alguns segundos observando a frase.
— Estranho...
— O que foi? — perguntou Katy.
Rapidamente, Elena virou a máscara novamente.
— Nada... deve ser alguma marca do fabricante.
Ela preferiu não comentar sobre a mensagem.
No dormitório masculino, a situação era completamente diferente.
Enquanto as meninas já estavam praticamente prontas para o baile, os rapazes pareciam ter esquecido completamente o horário.
Trevor ainda discutia com Alex sobre qual gravata usar.
Liam tentava convencê-los a se arrumarem logo.
Scott permanecia sentado na cama, olhando distraidamente para o bilhete escondido no bolso do paletó.
Os quatro faziam qualquer coisa...
Menos se preparar para o baile.
Alex jogou um sapato para Trevor.
— Anda logo! Ainda nem escolheu a máscara.
Trevor riu.
— Relaxa. Ainda temos tempo.
Liam olhou para o relógio na parede.
— Vocês têm um conceito muito estranho de "tempo".
Foi nesse instante que o sistema de alto-falantes do internato chiou.
"Atenção, alunos..."
A voz era de Meredith.
Todos os corredores ficaram em silêncio.
— Falta uma hora para o início do Baile de Máscaras. Pedimos que todos os alunos estejam prontos no horário marcado.
Houve uma pequena pausa.
Então Meredith acrescentou:
— Todos os alunos calouros devem se dirigir à cozinha do internato imediatamente. Aguardarei vocês lá para uma breve orientação antes do baile.
O anúncio terminou.
Trevor franziu a testa.
— Cozinha?
Alex deu de ombros.
— Deve ser alguma tradição do internato.
Scott permaneceu em silêncio.
Por algum motivo, aquele chamado o deixou inquieto.
Liam foi o primeiro a se levantar.
— Melhor irmos. Depois vocês terminam de se arrumar.
Trevor pegou a máscara.
— Vamos logo.
Sem saber que aquela simples convocação mudaria completamente o rumo da noite, os quatro deixaram o dormitório e seguiram em direção à cozinha de Valenhall.
Enquanto isso, do outro lado do internato, Meredith conferia discretamente uma lista com os nomes dos vinte bolsistas.
Mas havia algo estranho.
Havia um aluno calouro na turma do segundo ano, e aparentemente ninguém percebeu.
A cozinha de Valenhall já estava cheia de calouros.
Alguns conversavam animadamente, enquanto outros aguardavam curiosos para saber qual seria a orientação de Meredith antes do baile.
Trevor, Alex, Liam e Scott chegaram juntos.
Enquanto esperavam, Scott olhou para Alex e abriu um pequeno sorriso.
— Ei... obrigado por me deixar me arrumar no quarto de vocês.
Alex sorriu de volta.
— Que isso. Não ia deixar você sozinho.
Scott deu de ombros.
— É que eu ainda estou sozinho no meu quarto.
Trevor estranhou.
— Como assim?
— Os dois alunos que vão dividir o quarto comigo ainda não chegaram. Pelo menos foi isso que disseram quando recebi a chave.
Liam franziu a testa.
— Estranho... todo mundo já desembarcou do navio.
Scott também achava aquilo esquisito.
— Pois é. Achei que eles apareceriam durante a tarde, mas o quarto continua vazio.
Alex tentou aliviar o clima.
— Melhor para você. Tem um quarto quase só seu.
Scott riu de leve.
— Talvez...
Mas, no fundo, aquela situação o incomodava.
Foi então que Meredith entrou na cozinha carregando uma prancheta.
Ela sorriu para os calouros.
— Boa noite, pessoal! Antes de seguirmos para o baile, preciso conferir a presença de todos.
Os alunos fizeram silêncio.
Meredith começou a chamar os nomes um a um.
Quando terminou a lista, percebeu algo que fez sua expressão mudar.
Conferiu novamente a prancheta.
Depois olhou para Scott.
Voltou a conferir.
Ela respirou fundo.
— Estranho...
Noah, que passava pelo corredor naquele instante, percebeu a preocupação no rosto de Meredith.
— Aconteceu alguma coisa?
Ela respondeu em voz baixa, para que os alunos não ouvissem.
— Professor... o quarto do Scott realmente deveria ter três ocupantes.
Noah assentiu.
— E...?
Meredith mostrou discretamente a ficha de hospedagem.
Havia três nomes registrados.
O de Scott...
E outros dois.
Mas, ao lado desses dois nomes, alguém havia escrito à mão uma única palavra.
"Atrasados."
No canto inferior da ficha havia um detalhe ainda mais inquietante.
A data de entrada dos dois colegas estava registrada para 1995.
Sobre esses dois, vemos após o baile.
Enquanto Meredith conversava discretamente com Noah na cozinha, Cora permanecia em silêncio, distante dos outros calouros.
Seu pensamento havia voltado para a primeira noite no navio.
Ela tentava esquecer aquela cena, mas a lembrança insistia em voltar.
Naquela madrugada, enquanto caminhava sozinha pelo corredor em direção ao quarto, viu um garoto sentado no chão.
Ele parecia estar machucado.
Havia um grande caco de vidro cravado em sua perna, e o sangue escorria lentamente pelo piso.
Antes que Cora pudesse pedir ajuda, um homem surgiu da escuridão do corredor.
Ela nunca conseguiu ver seu rosto.
Apenas o casaco escuro e as luvas pretas.
O homem se aproximou do garoto, falou algo que Cora não conseguiu ouvir e, poucos segundos depois, desapareceu com ele na penumbra do corredor.
Tudo aconteceu tão rápido que Cora chegou a pensar que tivesse sido apenas um vislumbre.
Ou um sonho provocado pelo cansaço da viagem.
Mas, ao voltar para o quarto naquela mesma noite...
Encontrou um bilhete cuidadosamente dobrado sobre sua cama.
Com as mãos trêmulas, abriu o papel.
A mensagem era curta.
"Guarde bem nosso segredo... ou sofrerá as consequências."
Desde então, ela não contou aquilo a ninguém.
Nem para Elena.
Nem para Katy.
Nem mesmo para Meredith.
Enquanto observava distraidamente os outros alunos conversando na cozinha, levou a mão até o bolso do vestido.
O bilhete ainda estava ali.
Amassado pelo tempo, mas guardado como uma prova de que aquela noite realmente havia acontecido.
Naquele instante, alguém passou bem atrás dela.
E seu bilhete havia desaparecido do bolso.
Cora levou a mão ao bolso novamente.
Estava vazio.
Seu coração disparou.
Ela olhou rapidamente para os lados, tentando descobrir quem havia passado por ela.
Mas todos os calouros continuavam conversando normalmente na cozinha.
Era como se ninguém tivesse percebido seu nervosismo.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Elena, aproximando-se.
Cora respirou fundo.
— Não... achei que tivesse perdido uma coisa.
Elena sorriu.
— Deve estar no quarto.
Cora apenas concordou com a cabeça.
Sabia que não estava.
Do outro lado da cozinha, Meredith terminou de conversar com Noah e caminhou até o centro do ambiente.
Bateu levemente uma colher em um copo para chamar a atenção.
O burburinho cessou.
— Muito bem, pessoal! Sejam bem-vindos oficialmente ao Internato Valenhall.
Os calouros fizeram silêncio.
— Dentro de alguns minutos, vocês seguirão para o salão principal, onde acontecerá o tradicional Baile de Máscaras.
Ela abriu um sorriso.
— Antes disso, preciso lembrar apenas três regras.
Todos prestaram atenção.
— Primeira: durante o baile, mantenham suas máscaras o tempo todo.
— Segunda: não entrem nas alas interditadas do internato.
— E terceira...
Meredith fez uma breve pausa.
— Se ouvirem o sino tocar três vezes depois da meia-noite, permaneçam exatamente onde estiverem até que um professor vá buscá-los.
Os alunos trocaram olhares curiosos.
Alex cochichou para Trevor:
— Que internato cheio de regras estranhas.
Trevor sorriu.
— Isso só deixa tudo mais interessante.
Scott permaneceu em silêncio.
As palavras de Meredith pareciam ter um significado muito maior do que uma simples orientação.
Foi então que as enormes portas da cozinha se abriram.
Cristian entrou.
Os dois observavam discretamente todos os calouros.
Noah aproximou-se de Cristian e falou quase sem mover os lábios:
— Elena... Trevor... E os outros?
Cristian completou:
— Ainda faltam três.
Nesse mesmo instante, Meredith voltou a consultar a lista de presença.
As enormes portas do salão de baile foram abertas.
Um a um, os alunos entraram.
O ambiente parecia saído de um conto antigo.
Lustres de cristal iluminavam o teto, cortinas vermelhas cobriam as enormes janelas, e centenas de velas decorativas davam ao salão um brilho elegante.
Uma orquestra tocava músicas suaves ao fundo.
Todos usavam máscaras.
Algumas simples.
Outras extremamente elaboradas.
Por alguns instantes, era impossível distinguir quem era quem.
Elena caminhava ao lado de Cora e Katy.
Seu vestido rosa-choque chamava a atenção, enquanto a máscara que havia trocado com Cora completava perfeitamente o visual.
Trevor entrou acompanhado de Alex, Liam e Scott.
Alex observava o salão com entusiasmo.
— Confesso... esperava algo muito menor.
— Parece um castelo — comentou Scott.
Liam apenas observava tudo ao redor, atento aos detalhes.
No alto da escadaria principal, Clary acompanhava discretamente a chegada dos alunos.
Mais atrás estavam Cristian, Noah e Meredith.
Nenhum deles tirava os olhos dos bolsistas.
Por enquanto...
Tudo parecia tranquilo.
Os alunos conversavam.
Alguns já começavam a dançar.
Outros conheciam novos amigos.
As risadas preenchiam o salão.
Durante alguns minutos, Valenhall parecia apenas um internato comum.
Cristian respirou aliviado.
— Talvez tenhamos nos preocupado à toa...
Noah não respondeu.
Continuava observando atentamente o salão.
Foi então que algo chamou sua atenção.
Que estava faltando 4 alunos naquele local
Noah continuou observando o salão.
Seu olhar percorria lentamente cada grupo de alunos.
De repente, franziu a testa.
— Cristian...
Cristian se aproximou.
— O que foi?
Noah olhou novamente ao redor.
— Estão faltando quatro alunos.
Cristian acompanhou seu olhar.
Elena, Cora, Katy e os demais bolsistas estavam presentes.
Mas quatro rostos conhecidos haviam desaparecido.
— Trevor...
— Alex...
— Liam...
— Scott...
Os quatro não estavam mais no baile.
Cristian respirou fundo.
— Não...
No mesmo instante, do outro lado do internato...
Trevor abriu cuidadosamente uma porta lateral do salão.
Os quatro saíram sem que ninguém percebesse.
Assim que fecharam a porta atrás de si, Alex começou a rir.
— Conseguimos!
Trevor sorriu.
— Eu falei que dava para escapar.
Liam passou a mão no rosto.
— Ainda dá tempo de voltar e fingir que nada aconteceu.
Alex respondeu imediatamente.
— Nem pensar.
Scott, que caminhava logo atrás, perguntou:
— Então... qual é o plano?
Trevor abriu um sorriso.
— Fazer as pegadinhas que planejamos ontem à noite.
Alex bateu palmas discretamente.
— Finalmente!
Liam apenas suspirou.
— Eu já estou arrependido.
Trevor retirou do bolso alguns pequenos bilhetes engraçados e um rolo de fita adesiva.
— Vamos trocar algumas placas dos quartos, esconder umas máscaras e deixar alguns recados nos corredores.
Scott deu uma pequena risada.
— Isso até parece divertido, vocês pensaram tudo isso ontem a noite então.
Os quatro seguiram pelos corredores escuros do internato.
Enquanto isso, no salão de baile, Noah virou-se para Cristian.
— Eles desapareceram.
Cristian fechou os olhos por um instante.
— Justamente os quatro que eu não queria que andassem sozinhos.
Meredith ouviu a conversa e se aproximou.
— Vou procurar pelo lado leste.
Clary respondeu imediatamente:
— Eu verifico os corredores do dormitório masculino.
Cristian olhou para Noah.
— Nós vamos atrás deles.
Sem saber, Trevor, Alex, Liam e Scott caminhavam exatamente na direção da antiga ala interditada do internato.
A mesma ala onde, trinta e um anos antes...
Cristian, Noah, Clary , Erick e Vick encontraram a passagem secreta pela primeira vez.
Os quatro caminhavam pelos corredores antigos do internato tentando conter o riso.
Trevor já havia trocado duas placas de quartos.
Alex escondia máscaras em vasos de plantas e atrás de estátuas espalhadas pelos corredores.
Scott observava tudo com curiosidade.
— Vocês realmente planejaram isso ontem à noite?
Trevor deu uma piscadela.
— A gente só não colocou em prática porque Cristian apareceu bem na hora.
Liam balançou a cabeça.
— Isso continua sendo uma péssima ideia.
Alex colocou discretamente um bilhete em uma porta.
— Pronto. Agora alguém vai passar meia hora procurando o quarto errado.
Os quatro riram.
Sem perceber, continuaram andando.
A iluminação do corredor começou a diminuir.
As paredes passaram a ser de pedra, muito mais antigas do que as do restante do internato.
Scott foi o primeiro a notar.
— Esse lugar é diferente...
Trevor olhou em volta.
— Acho que nunca estivemos nessa parte da escola.
Liam parou de andar.
Na parede havia uma pequena placa metálica.
Coberta por poeira, ainda era possível ler:
ALA LESTE — ACESSO RESTRITO
Ele respirou fundo.
— Gente...
Alex ainda ria.
— O quê?
Liam apontou para a placa.
— Acho que entramos justamente na ala que Meredith mandou ninguém visitar.
O sorriso de Trevor desapareceu.
Por alguns segundos, os quatro ficaram completamente em silêncio.
Foi então que ouviram um som.
Toc...
Parecia alguém batendo em madeira.
Depois...
Toc... Toc...
Os quatro se entreolharam.
Scott falou em voz baixa:
— Tem alguém aí?
Nenhuma resposta.
Alex aproximou-se lentamente da parede de pedra.
— O som veio daqui.
Trevor passou a mão pela superfície.
Havia algo estranho.
Uma das pedras parecia diferente das outras.
Ele fez um pouco mais de força.
A pedra afundou alguns centímetros.
No mesmo instante, um mecanismo antigo começou a funcionar.
Um forte rangido ecoou pelo corredor.
Diante dos quatro, parte da parede deslizou lentamente para o lado.
Atrás dela surgiu um estreito corredor escuro, iluminado apenas por pequenas tochas presas às paredes.
Liam deu um passo para trás.
— Não... isso não pode ser.
Scott permaneceu imóvel.
— É uma passagem secreta...
Trevor sorriu, sem imaginar o perigo que corriam.
— Acho que acabamos de encontrar o melhor esconderijo do internato.
Naquele mesmo instante, do outro lado da escola, Cristian parou abruptamente no meio do corredor.
Seu rosto perdeu a cor.
Ele conhecia aquele som.
Olhou para Noah e disse apenas uma frase:
— Alguém acabou de abrir a passagem.
Sem pensar duas vezes, Trevor deu o primeiro passo para dentro da passagem.
— Vamos. Se isso for uma pegadinha antiga do internato, vai ser a melhor de todas.
Alex entrou logo atrás.
— Agora sim a aventura começou.
Scott hesitou por alguns segundos, mas acabou acompanhando os amigos.
Liam foi o último.
Antes de atravessar a abertura, olhou para trás.
— Ainda dá tempo de desistirmos...
Ninguém respondeu.
Assim que Liam entrou, a parede de pedra voltou lentamente ao lugar.
Rrrr...
O mecanismo antigo se fechou com um estalo.
O corredor desapareceu como se nunca tivesse existido.
Os quatro se viraram assustados.
Trevor tentou empurrar a parede.
Nada.
Alex procurou a pedra que havia pressionado.
Ela simplesmente não existia mais.
Scott passou a mão pelas pedras frias.
— Parece uma parede normal...
Liam respirou fundo.
— Estamos presos.
O silêncio tomou conta do túnel.
Não havia outra opção além de seguir em frente.
As tochas espalhadas pelas paredes iluminavam fracamente o caminho de pedra.
Enquanto caminhavam, perceberam inscrições antigas gravadas nas paredes.
Algumas eram nomes.
Outras pareciam datas.
Scott passou a mão sobre o último número.
— Isso não pode ser coincidência...
Trevor também observou.
— Alguém esteve aqui em 1995.
Mais alguns metros adiante, encontraram cinco símbolos gravados lado a lado.
Cada símbolo possuía um pequeno espaço circular abaixo dele.
Todos estavam vazios.
Menos três.
Três pequenos discos de metal já ocupavam seus lugares.
Scott franziu a testa.
— Por que só três?
Ninguém soube responder.
Enquanto isso...
Do lado de fora da passagem, Cristian e Noah chegaram ofegantes à ala restrita.
— Foi aqui — disse Cristian.
Os dois começaram a examinar cuidadosamente cada parede.
Empurraram pedras.
Puxaram antigas tochas.
Bateram nas colunas.
Procuraram qualquer mecanismo escondido.
Nada.
Absolutamente nada.
A parede permanecia completamente lisa.
Noah respirava cada vez mais rápido.
— Não faz sentido...
Cristian fechou os olhos por um instante.
— Faz.
Noah olhou para ele.
— Como assim?
Cristian respondeu em voz baixa:
— Em 1995 aconteceu exatamente a mesma coisa.
— O quê?
— A passagem só podia ser aberta por quem fosse escolhido.
Noah permaneceu em silêncio.
Cristian encarou a parede de pedra.
— Nós não conseguimos encontrá-la porque... ela não quer ser encontrada.
Os quatro continuaram caminhando pelo estreito corredor de pedra.
O silêncio era interrompido apenas pelo som de seus passos e pelo crepitar das tochas presas às paredes.
Quanto mais avançavam, mais antigo o lugar parecia.
As paredes deixavam de exibir apenas datas.
Agora havia nomes.
Centenas deles.
Alguns desgastados pelo tempo.
Outros ainda perfeitamente legíveis.
Scott aproximou a lanterna de uma das paredes.
— Esperem...
Todos pararam.
No centro da parede havia uma enorme placa de pedra, diferente das demais.
Cinco nomes estavam gravados lado a lado.
Noah
Cristian
Clary
Erick
Vick
Trevor passou lentamente a mão sobre os nomes.
— Eles estiveram aqui...
Liam observou um detalhe.
Ao lado de cada nome havia um pequeno símbolo.
No de Noah, Cristian e Clary, o símbolo permanecia intacto.
Ao lado do nome de Erick, havia uma profunda rachadura atravessando a pedra.
Já ao lado do nome de Vick...
O espaço estava completamente vazio.
Como se alguém tivesse raspado seu nome da parede.
Scott arregalou os olhos.
— Por que apagariam só o nome dela?
Alex aproximou-se.
— Ou será que nunca terminou de ser escrito?
Trevor permaneceu olhando para a inscrição.
Então percebeu outra frase, gravada logo abaixo dos cinco nomes.
As letras eram antigas, mas ainda podiam ser lidas:
"Os cinco abriram o caminho."
"Agora será aberto novamente, cuidado, se vocês forem espertos vão embora."
Os quatro permaneceram em silêncio.
Pela primeira vez, Trevor deixou de pensar que tudo aquilo pudesse ser apenas uma aventura.
Enquanto isso, do lado de fora, Cristian permanecia com a mão apoiada sobre a parede.
Sem conseguir enxergar a passagem, fechou os olhos.
Quase como um sussurro, falou:
— Nós estivemos exatamente aí...
Noah olhou para o velho amigo.
— Você está lembrando?
Cristian assentiu lentamente.
— Sim...
Respirou fundo antes de completar:
— E aquela inscrição... não estava lá quando saímos em 1995.
As palavras gravadas na parede fizeram Trevor engolir em seco.
Ninguém comentou nada.
O grupo continuou caminhando pelo túnel.
As tochas iluminavam apenas alguns metros à frente, enquanto o restante permanecia mergulhado na escuridão.
Foi então que Scott perguntou:
— Será que Cristian, Noah e Clary chegaram até aqui?
A pergunta fez Trevor parar por um instante.
Naquele momento, a narrativa parecia voltar trinta e um anos no tempo.
1995
Cristian, Noah, Clary, Erick e Vick caminhavam pelo mesmo corredor.
Na época, todos eram apenas estudantes curiosos.
Assim como Trevor, Alex, Liam e Scott, acreditavam que haviam encontrado um esconderijo antigo do internato.
Ao longo do caminho, observaram dezenas de inscrições nas paredes.
Datas.
Nomes.
Símbolos.
E frases que pareciam avisos deixados por outras pessoas.
Algumas diziam apenas:
"Não continue."
Outras eram ainda mais estranhas.
"Nem todos conseguem voltar."
Mesmo assustados, continuaram caminhando.
Depois de vários minutos, chegaram ao fim do corredor.
Ou, pelo menos, ao que parecia ser o fim.
Ali havia uma grande câmara de pedra.
Dela partiam apenas dois caminhos.
À esquerda...
Uma enorme porta de ferro.
Antiga, enferrujada e coberta por símbolos gravados no metal.
Não possuía maçaneta.
Nem fechadura visível.
Cristian e Noah tentaram empurrá-la.
Erick bateu várias vezes.
Clary procurou algum mecanismo escondido.
Nada aconteceu.
A porta jamais foi aberta.
À direita...
Um corredor menor seguia até uma escadaria de pedra.
Ao subirem os degraus, encontraram uma saída escondida atrás de uma velha estátua.
Quando afastaram a vegetação...
Perceberam que haviam chegado ao jardim central do internato.
Naquela noite, os cinco decidiram não tentar abrir novamente a porta de ferro.
Achavam que poderiam voltar outro dia.
No presente...
Trevor olhou para os amigos.
À frente deles, o corredor começava a se alargar.
Seu rosto perdeu a cor.
— Gente...
Alex aproximou-se.
Liam também.
Os quatro ficaram completamente imóveis.
No fim do corredor...
Havia exatamente os mesmos dois caminhos descritos por Cristian anos atrás.
À esquerda...
A enorme porta de ferro.
À direita...
A antiga escadaria que levava ao jardim do internato.
Trinta e um anos depois...
Nada havia mudado.
Cristian permaneceu alguns segundos encarando a parede de pedra.
De repente, uma lembrança voltou com força.
Ele levou a mão à cabeça.
— Meu Deus...
Noah percebeu a mudança em sua expressão.
— O que foi?
Cristian abriu os olhos, agora completamente assustado.
— Eu lembrei.
— Do quê?
— Se eles conseguiram abrir a passagem... existe apenas um lugar para onde podem ter ido.
Noah aguardou a resposta.
Cristian respirou fundo.
— O final da passagem secreta.
Por um instante, os dois ficaram em silêncio.
Clary, que acabava de chegar à ala restrita, perguntou:
— O que tem no final?
Cristian respondeu imediatamente.
— Dois caminhos.
Ele fechou os olhos, tentando organizar as lembranças.
— Um leva ao jardim do internato.
— E o outro? A porta — perguntou Clary.
Cristian baixou a voz.
— À porta de ferro.
Noah sentiu um arrepio.
— Aquela que nunca conseguimos abrir...
Cristian confirmou com a cabeça.
— Exatamente.
Clary cruzou os braços.
— Então, se eles chegaram até lá...
Cristian interrompeu:
— Eles podem tentar abrir a porta.
Os três se entreolharam.
Noah falou com urgência:
— Existe outra maneira de chegar ao jardim?
Cristian respondeu sem hesitar.
— Sim.
— Então vamos!
Os três começaram a correr pelos corredores do internato.
Cristian conhecia um antigo caminho externo que levava diretamente ao jardim, sem precisar passar pela passagem secreta.
Enquanto corriam, ele só conseguia pensar em uma coisa.
— Trevor... não toque naquela porta...
No mesmo instante, no interior da passagem, Alex aproximou-se lentamente da enorme porta de ferro.
Passou a mão sobre o metal frio.
— Ela é muito antiga...
Símbolos estavam gravados por toda a porta.
Liam observou um detalhe.
— Esperem... Como vamos abrir essa porta?
Os quatro permaneceram parados diante da enorme porta de ferro.
Ela era ainda mais impressionante de perto.
O metal estava coberto por símbolos antigos, mas havia algo que chamava mais atenção.
Não existia maçaneta.
Não existia fechadura.
Não havia tranca.
Nem qualquer mecanismo aparente.
Era apenas uma gigantesca porta de ferro encaixada na pedra.
Trevor aproximou-se.
Colocou as duas mãos sobre o metal frio.
— Vamos empurrar.
Os quatro fizeram força ao mesmo tempo.
Nada.
A porta não se moveu um único centímetro.
Alex respirou fundo.
— De novo!
Empurraram ainda mais forte.
O resultado foi exatamente o mesmo.
Liam passou a mão pela lateral da porta.
— Não existe nem um espaço por onde colocar os dedos.
Scott observava atentamente.
— Parece que ela foi construída para nunca ser aberta.
Trevor deu um passo para trás.
— Talvez esteja emperrada.
Sem pensar muito, deu um chute na porta.
CLANG!
O som metálico ecoou por todo o túnel.
A porta permaneceu completamente imóvel.
Alex sorriu.
— Minha vez.
Também deu um forte chute.
Outro estrondo.
Nada aconteceu.
Trevor olhou ao redor.
— Deve ter alguma coisa aqui...
Alex encontrou uma pedra grande caída próxima à parede.
Ergueu-a com as duas mãos.
— Se não abre na força...
Arremessou a pedra com toda a potência contra a porta.
BOOOM!
O impacto fez o corredor inteiro tremer.
Pequenos pedaços de poeira caíram do teto.
A pedra se partiu ao meio.
Mas a porta...
Permaneceu intacta.
Sem um único arranhão.
Os quatro ficaram em silêncio.
Scott aproximou-se lentamente.
Passou a mão sobre o lugar onde a pedra havia atingido.
Nem mesmo a poeira havia permanecido.
Era como se a porta tivesse absorvido o impacto.
Liam respirou fundo.
— Acho que ela não foi feita para abrir pela força.
Enquanto isso, do lado de fora da passagem secreta, Cristian, Noah e Clary atravessavam rapidamente o jardim do internato.
O lugar estava muito diferente de como era em 1995.
As reformas haviam alterado completamente a paisagem.
Onde antes existia um pequeno lago, agora havia uma praça com bancos de pedra.
As árvores antigas haviam sido substituídas.
Novos caminhos cortavam o gramado.
Cristian parou no centro do jardim.
Olhava para todos os lados, tentando reconhecer algum ponto de referência.
— Era aqui...
Noah também parecia confuso.
— Tem certeza?
Cristian respirou fundo.
— Naquela época, a saída da passagem ficava atrás da estátua da fundadora do internato.
Clary apontou para o outro lado do jardim.
— Mas a estátua foi transferida durante a reforma.
Os três caminharam até o novo monumento.
Cristian passou as mãos pela base de pedra.
Nada.
Nenhuma abertura.
Nenhum mecanismo.
Noah começou a observar o restante do jardim.
— Se mudaram a estátua... a saída pode estar em qualquer lugar.
Clary concordou.
— As plantas do jardim foram completamente modificadas. Construíram novos canteiros, ampliaram os caminhos e aterraram parte do terreno.
Cristian fechou os olhos por alguns segundos.
Tentava reconstruir mentalmente o antigo mapa do internato.
— A passagem não desapareceu...
Ele olhou novamente para o jardim.
— Apenas esconderam a saída.
Os três começaram a caminhar lentamente, examinando cada árvore, cada banco e cada parede de pedra.
Tudo parecia normal.
Até que Noah percebeu algo.
Ajoelhou-se ao lado de um velho carvalho.
Havia pequenas marcas no chão.
Como se uma pesada estrutura de pedra tivesse deslizado recentemente.
Ele passou a mão sobre a terra.
Ainda estava solta.
— Cristian...
Cristian aproximou-se rapidamente.
— O que foi?
Noah apontou para as marcas.
— Alguém saiu daqui... há pouco tempo.
Os três trocaram um olhar.
Se aquelas marcas realmente pertenciam à saída da passagem secreta...
Então ela ainda existia.
E, naquele exato momento, Trevor, Alex, Liam e Scott podiam estar a poucos metros deles.
Separados apenas por uma parede de pedra invisível.
Clary ouviu as palavras de Meredith e manteve a postura firme.
Como eles ficaram sabendo?
Por fora, parecia tranquila.
Por dentro, porém, seu pensamento estava longe do salão.
Ela sabia exatamente onde Trevor, Alex, Liam e Scott estavam.
Ou, pelo menos, sabia onde provavelmente haviam ido.
O fim da passagem secreta.
O mesmo lugar onde ela, Cristian, Noah, Erick e Vick estiveram trinta e um anos antes.
Mesmo assim, não podia dizer nada.
Se revelasse a existência da passagem diante de alunos e funcionários, perguntas começariam a surgir.
Perguntas que ela ainda não estava preparada para responder.
Respirou fundo e tomou uma decisão.
— Meredith.
— Sim, diretora?
— Continue o baile normalmente.
Meredith estranhou.
— Mas os quatro alunos, procuramos por tudo e nada....
— Cristian e Noah já estão procurando por eles.
Era verdade.
Os dois ainda percorriam o jardim, tentando encontrar a saída da passagem secreta.
Clary sabia disso.
Também sabia que, naquele momento, não havia nada que ela pudesse fazer para ajudá-los sem revelar um segredo guardado havia décadas.
Ela olhou discretamente pela janela do salão, na direção do jardim.
Pensou consigo mesma:
"Por favor... encontrem os meninos antes que eles encontrem alguma coisa."
No mesmo instante, Elena aproximou-se.
— Diretora... aconteceu alguma coisa?
Clary voltou imediatamente à postura de sempre.
Sorriu com naturalidade.
— Não. Apenas alguns alunos resolveram passear pelo internato em vez de aproveitar o baile.
Elena pareceu acreditar na resposta.
— Ah... então está tudo bem.
— Está, sim.
Mas, assim que Elena voltou para perto de Cora e Katy, o sorriso desapareceu do rosto de Clary.
Ela apertou discretamente o bolso do casaco.
Lá dentro havia um velho pedaço de papel, dobrado havia mais de trinta anos.
Era o mesmo bilhete que recebera em 1995.
Nunca tivera coragem de jogá-lo fora.
E, pela primeira vez desde aquela noite, começou a temer que a história estivesse prestes a se repetir exatamente como antes.
Clary deixou o salão discretamente.
Subiu a antiga escadaria principal e caminhou até sua sala.
Assim que fechou a porta, apoiou-se na mesa por alguns segundos.
O silêncio daquele ambiente contrastava com a música que ainda ecoava ao longe.
Ela abriu lentamente uma gaveta.
Lá dentro havia uma caixa de madeira antiga.
Retirou-a com cuidado e a colocou sobre a mesa.
Ao abri-la, encontrou fotografias, recortes de jornais, anotações e um envelope amarelado pelo tempo.
Sentou-se na cadeira e começou a lembrar.
— Como tudo começou...
Seu pensamento voltou para 1995.
Naquele ano, ela, Cristian, Noah, Erick e Vick receberam exatamente as mesmas cartas que Elena e Trevor haviam recebido agora.
Na época, acreditavam que fosse apenas uma brincadeira.
Durante todo o primeiro ano...
Nada aconteceu.
As cartas cessaram.
O único acontecimento estranho foi durante o Baile de Máscaras.
Foi naquela noite que os cinco encontraram, por acaso, a passagem secreta escondida no internato.
Exploraram o túnel.
Descobriram a enorme porta de ferro.
E também a saída para o jardim.
Como não conseguiram abrir a porta, decidiram esquecer aquilo.
Os anos passaram.
Continuaram estudando normalmente.
Às vezes comentavam sobre a passagem, mas nunca mais voltaram até ela.
Tudo parecia apenas uma lembrança curiosa.
Até o último ano.
Foi então que tudo começou a desmoronar.
Erick morreu em circunstâncias que ninguém conseguiu explicar.
Pouco tempo depois...
Vick desapareceu.
As buscas duraram dias.
Nunca encontraram nenhuma pista.
Para a polícia, ela simplesmente fugira.
Mas Clary, Cristian e Noah sabiam que aquela história não fazia sentido.
Entretanto, havia um detalhe que quase ninguém lembrava.
Durante as férias daquele mesmo ano...
Uma aluna do terceiro ano foi encontrada morta em um lago próximo ao internato.
As autoridades concluíram rapidamente que ela havia se afogado.
O caso foi encerrado.
Ninguém investigou além disso.
Nenhum professor contestou a versão oficial.
Nenhum aluno fez perguntas.
Mas Clary nunca acreditou naquele laudo.
Ela sempre teve a sensação de que aquela garota havia descoberto alguma coisa.
Alguma coisa relacionada à passagem secreta.
Ou ao que existia atrás da porta de ferro.
Clary abriu um velho recorte de jornal.
A manchete dizia apenas:
"Estudante morre afogada durante as férias."
Ela fechou os olhos.
— Não foi um acidente...
Então retirou do fundo da caixa uma fotografia tirada em 1999.
Nela estavam os cinco amigos.
Cristian.
Noah.
Clary.
Erick.
Vick.
No canto inferior da foto, quase imperceptível, aparecia um símbolo desenhado com tinta escura.
Um pentagrama.
O mesmo pentagrama que, décadas depois, voltara a aparecer no navio, no salão de baile e nas cartas enviadas aos novos alunos.
Clary segurou a fotografia com força.
— Nunca foi embora...
— Apenas esperou a próxima geração.
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