Interlaced
3 Where do We go
Notas iniciais
O brilho debilitado do círculo mágico de Mokona dissipou-se lentamente no ar. No silêncio que se seguiu, uma única voz destacou-se, resgatando os espectadores atônitos daquela realidade suspensa.
— Subaru.
— Hn.
Com uma simples troca de monossílabos, os gêmeos entrelaçaram as mãos. O gesto era instintivo, uma extensão natural de seus seres. Os membros do Governo Metropolitano de Tóquio despertaram do transe, observando os irmãos com uma mistura de admiração e melancolia.
Kazuki percebeu-se unindo os próprios dedos inconscientemente, perdida em reflexões. Kamui, embora fosse alguém de difícil convivência, provara ser um companheiro fiel nos últimos três anos, compartilhando fardos e breves momentos de paz. A realização de que ele — um vampiro, um ser além da humanidade — partiria em breve, trazia um peso ao peito de todos.
— Kamui... vocês vão mesmo embora?
Diante do aceno afirmativo de Kamui, Kazuki murmurou algo inaudível, com a expressão sombria de quem tenta se convencer do inevitável. Ela baixou o olhar, tocando gentilmente o ombro de Nataku em um mudo encorajamento. Ao presenciar a cena, os olhos de Subaru suavizaram-se, e ele expressou sua gratidão com sinceridade:
— Muito obrigado pela ajuda durante todos estes anos.
Kusanagi e Yujin retribuíram com sorrisos brandos.
— Por favor, tenham cuidado.
— ... Cuidem-se.
— Nós cuidaremos. Obrigado — respondeu Subaru.
Nataku e Sohime fixaram a atenção em Kamui, notando a leve inquietação do vampiro mais novo diante da despedida. Ao lado dos gêmeos, Fūma também se despedia de seus aliados da torre; afinal, quatro anos de convivência não se apagavam facilmente.
— Obrigado pela ajuda, Fūma.
— Fūma-san, vamos nos encontrar de novo!
Quando Kamui finalizou suas despedidas, instigando Subaru a apressar a partida, Fūma o interrompeu, lendo com precisão seus pensamentos:
— Kamui, para qual mundo vocês pretendem ir agora?
Ao ouvir a pergunta, os olhos de Kamui brilharam em um dourado predatório. Sua postura eriçou-se em fúria enquanto ele encarava Fūma com intensidade. Subaru suspirou internamente; seu irmãozinho era provocado com facilidade demais. A tensão tornou-se palpável.
Apesar do olhar letal de Kamui, Fūma manteve um sorriso gélido no rosto relaxado. As garras de Kamui alongaram-se, afiadas, emanando uma aura de perigo iminente.
— Kamui.
Uma voz suave, leve como uma brisa de primavera, acariciou o ouvido do jovem vampiro. O tom sereno do irmão mais velho o fez desviar a atenção do caçador.
— Vamos.
O aperto de Kamui na mão de Subaru intensificou-se, carregado de raiva e determinação. Seus olhos dourados transmutaram-se em um azul penetrante sob o influxo de poder, mantendo-se firmemente ligado ao irmão.
Um círculo mágico, ostentando o mesmo padrão daqueles usados por Sakura e os outros em suas viagens, materializou-se sob os pés dos gêmeos. A luz radiante envolveu-os gradualmente. Kazuki acenou uma última vez, sua voz ecoando no brilho que os consumia:
— Até logo!
Fale com o autor