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1 II Before the Final Storm


Notas iniciais
Podemos dizer que tanto Subaru e Kamui (X) estão OOC, me desculpe se exagerei... mas foi feito através de Entwined, onde Subaru não sofre tanto mais por causa de Seishiro, já que ele curou as cicatrizes de Kamui em troca das suas próprias, graças a Yuko. E agora eles estão tentando apoiar um ao outro...

My dearest.

Subaru suspirou. Já era, provavelmente, a sexta vez que o fazia. O quarto clareava pouco a pouco com os raios solares da manhã. Ele não havia dormido e, embora não se sentisse cansado agora, suspeitava que a exaustão o cobraria no final do dia. Minutos atrás, saíra para comprar donuts para Kamui comer assim que acordasse. Não era o café da manhã ideal, mas o plano era dar cinco a ele; Subaru comera um e, pela primeira vez em muito tempo, lutava contra a vontade de devorar os outros, entendendo finalmente por que Kamui era tão viciado naqueles doces.

Kamui virou o corpo, ficando de frente para Subaru, que se deitou de lado para observar a face adormecida. Ele sabia que proteger Kamui, mesmo durante o sono, ainda era necessário.

Segundos depois, os olhos cor de âmbar se abriram lentamente. Ao notar a presença de Subaru, o rapaz juntou as sobrancelhas em uma expressão emburrada e fechou os olhos novamente, piscando várias vezes até despertar por completo. Olhou para o homem ao seu lado com um rosto inocente, quase desarmado.

— Hey — Subaru alargou o sorriso e acariciou os fios de cabelo dele.

— Isso pode ser um pouco estranho... — Kamui disse com a voz rouca de sono. — Olhar pessoas enquanto elas dormem. Você não se importa?

Subaru riu, sem responder de imediato, continuando apenas a admirar o rosto à sua frente. As pequenas marcas de expressão abaixo dos olhos, a boca, o cabelo bagunçado que o deixava ainda mais charmoso, e aqueles belos olhos que Subaru passaria horas admirando. Céus, ele é viciado nele.

— Eu conversei mais um pouco com a Yuzuriha-chan e depois vim me despedir, mas você dormiu logo. Já era manhã quando voltei do trabalho, então encontrei algo mais interessante para fazer.

— E o que seria?

— Ficar olhando para o seu rosto adormecido, sonhando como se nada mais te preocupasse no mundo.

Kamui balançou a cabeça em negação e afundou o rosto no travesseiro para esconder as bochechas vermelhas. Subaru daria tudo, naquele momento, pela permissão de beijá-las.

— Eu tinha... quer dizer, eu tenho donuts.

— Não estou com fome.

— Não, Kamui. Você vai comer, nem que eu mesmo coloque na sua boca.

— Subaru... você sempre foi tão mandão?

Subaru pegou a sacola entre eles e tirou um donut com cobertura de chocolate, entregando-o a Kamui. Observou-o comer com vontade; o rapaz devorou o doce em um minuto e já buscava o próximo.

— Você "não estava" com fome — Subaru zombou, carinhosamente. — Eram para ser cinco donuts, mas alguém comeu um no caminho.

— Quem? — Kamui perguntou com uma inocência fingida, como se falasse sério.

— Hm...

— O que são essas manchas? — Kamui interrompeu, indicando as marcas nos braços de Subaru.

Subaru desviou o olhar por alguns segundos. — Às vezes eu me machuco. E, às vezes, elas simplesmente aparecem. — Ele fez uma pausa e respirou fundo. Fazia parte do seu fardo. — Eu tenho que te contar uma coisa...

Ele começou, mas não conseguiu continuar. O olhar atento de Kamui o paralisava. Subaru abriu a boca, mas acabou fechando-a em seguida, mudando de assunto: — Quer sair para algum lugar? — Como o outro não respondeu de imediato, ele acrescentou: — Podemos ficar o dia inteiro assim, se quiser aproveitar sua folga. Eu tenho o dia livre.

— Era isso o que você ia me contar? — Kamui sorriu.

— ... Isso também.

— Podemos sair.

— Tem certeza? Quero dizer...

Kamui assentiu. — Faz tempo que não fazemos isso. Tenho que sair e encontrar alguém, mas... eu quero passar um tempo com você.

Era raro, mas, desta vez, Kamui conseguiu fazer Subaru corar com sucesso. — Por que você está vermelho?

— Não pergunte isso — Subaru pediu em tom de clemência, sorrindo. — Não se faz essa pergunta.

Ele levantou da cama e pegou Kamui pela mão, puxando-o de súbito para tentar esconder a própria vermelhidão.

O Passeio

Após esperar do lado de fora enquanto Kamui se arrumava — sempre tão casual e charmoso —, saíram do dormitório. Como ainda era cedo, não encontraram ninguém nos corredores. Na rua, no entanto, os transeuntes não conseguiam evitar olhar. Subaru era atraente demais, e o charme enigmático de Kamui atraía olhares curiosos e admirados.

— E o seu trabalho? Soube que você esteve muito ocupado ultimamente — comentou Kamui.

— Oh, sim... — Subaru soltou um murmúrio forçado. — Está tudo bem.

— Oh, ok.

De repente, Subaru parou diante de uma vitrine. — Uma loja de brinquedos. Vou comprar algo para você.

— Você quer me comprar um brinquedo?

Subaru não respondeu, apenas o guiou para dentro, entre as estantes repletas de pelúcias. Enquanto Kamui olhava os ursinhos, Subaru se afastou um pouco, encarando os gatos de pelúcia. O primeiro que viu foi um Grumpy Cat; ele imediatamente imaginou o rosto de Kamui naquela expressão ranzinza.

Rindo internamente, Subaru segurou o bicho, até que ouviu o sussurro de duas mulheres atrás dele: — Será que ele está escolhendo um presente para a namorada? — Elas encaravam Kamui, que, alheio a tudo, analisava ursos com mensagens românticas. — Eu adoraria saber quem é a sortuda!

Subaru sorriu com o comentário. Logo, as moças o olharam como se ele fosse um alvo e suspiraram, sendo prontamente ignoradas. Ele voltou para perto de Kamui, que agora segurava uma abelha de pelúcia do tamanho de um capacete. O modo como ele mexia as mãos para observar o brinquedo era, para Subaru, adoravelmente fofo.

Aproximando-se, Subaru roubou um olhar acalorado de Kamui e lhe fez um afago rápido e quente na bochecha rosada. Quando se afastou, Kamui já estava vermelho e confuso. — O que... o que houve?

— O quê? — Subaru fez-se de desentendido. — Por acaso, encontrei você por ali. — Ele mostrou o Grumpy Cat. — Se comprar um uniforme escolar para ele, fica igualzinho a você.

— Isso é um gato...

— Exatamente. Um gatinho.

Kamui fez um biquinho, o rosa enfeitando seu rosto. — E por que você estava olhando uma abelha?

— Eu gosto de abelhas.

Pelo olhar que recebeu, Kamui entendeu que o onmyōji não era um grande fã de insetos. — Você não gosta delas?

— Não. Graças à agitação de algumas pessoas, fui picado uma vez. Minha coxa e meu pé doeram por uma semana.

Kamui começou a rir, tentando conter o riso para não ofender a experiência de Subaru. Fingindo estar emburrado, Subaru revirou os olhos, mas, no fundo, adorava aquele som; era injusto que os momentos de riso de Kamui fossem tão raros. Ele pagou pelo gato e pela abelhinha e seguiram para uma confeitaria do outro lado da rua.

A Conexão Silenciosa

— Então, o seu amigo... o Keiichi-kun... — começou Subaru, enquanto caminhavam. — Ele deu a entender que nós estamos namorando.

Kamui, em pânico total, sorriu incrédulo e evitou encará-lo. — Estou com fome — desconversou.

— Muito esperto.

— Você precisa ir para casa hoje? — Antes que Subaru respondesse, Kamui acrescentou: — Pensei que talvez pudéssemos assistir a um filme. Se você quiser, obviamente.

Aos poucos, ele está se tornando mais sociável... pensou Subaru, sem se dar conta de que ele também estava mudando graças a Kamui.

Após o almoço e horas de conversas banais em bancos de praça — sem dores passadas ou obrigações de trabalho —, eles voltaram para o dormitório. Kamui estava visivelmente exausto, embora tentasse disfarçar. No quarto, dividiram uma torta que Subaru comprara. O silêncio era confortável, preenchido apenas pela música que compartilhavam nos fones de ouvido — um presente de Arashi e Sorata.

Deitaram-se de lado, um de frente para o outro. Kamui adormeceu primeiro. Subaru permaneceu ali, observando-o, sentindo que o rapaz caminhava sobre um gelo fino em sua recuperação, mas prometendo a si mesmo que estaria lá para segurá-lo.

— Boa noite, Kamui... — sussurrou, encostando sua testa na dele antes de também pegar no sono.

A Tempestade Interna

Horas depois, Subaru despertou. Kamui tremia. A respiração era difícil e ele suava frio, apertando a mão de Subaru com uma força dolorosa. Um pesadelo. Mas não era apenas mental; a agitação de Kamui estava começando a afetar o ambiente espiritual ao redor.

— Não... por favor... — Kamui murmurou.

Preocupado, Subaru decidiu intervir. Pressionou delicadamente a mão no centro do peito de Kamui. Não queria invadir suas memórias, apenas acalmar o caos. Assim que o toque ocorreu, os poderes de Subaru reagiram, mesclando-se aos de Kamui.

O núcleo de poder do jovem era uma tempestade de dor e exaustão. Com determinação, Subaru enviou ondas de tranquilidade violeta que se misturaram ao verde de Kamui. Ele doou sua própria essência para estabilizar o outro. Gradualmente, o tremor parou. A respiração de Kamui suavizou.

Ao amanhecer, a agitação ameaçou voltar, mas Subaru já sabia o que fazer. Canalizou uma quantidade maior de energia, sentindo uma conexão intensa e única. Seus poderes se entrelaçavam em uma harmonia perfeita, como se tivessem sido feitos para se complementar.

Subaru surpreendeu-se ao perceber o quanto Kamui vinha aguentando sozinho, ao ponto de se tornar um perigo para si mesmo. A energia os envolveu como uma auréola de luz e calor, criando um laço indissolúvel entre suas almas. Finalmente, o sono de Kamui tornou-se pacífico.

Em sintonia completa, Subaru finalmente fechou os olhos, sentindo que, pela primeira vez, ambos podiam realmente descansar.