Interativa - Survivors: Terceira Temporada
13 S02CAP07 - What Keep Them Together
Notas iniciais
O revólver preto de Guilherme atingia a terceira vítima em dez minutos, ele e Natalie estavam abaixados atrás de um palete de metal que tinha alguns produtos em cima. Do outro lado do mercado iluminado pela luz do sol na janela, vários presidiários armados atiravam contra os dois.
— Quantas balas? – Ela perguntou recarregando a arma. O cara podia ser um bosta, mas sabia matar ela pensou.
— Vinte. E aí? – Ele se levantou e atirou, o primeiro tiro pegou em um braço, o terceiro numa cabeça. – Devem ter uns quinze caras ali.
Os tiros não paravam, mas nenhum dos dois parecia estar nervoso. Eram pessoas preparadas para aquela situação. Mais ou menos.
Natalie se abaixou e correu rápido, as balas passavam pela suas costas enquanto corria para outra proteção. Guilherme deu cobertura a ela atirando contra os inimigos.
E então, Natalie foi surpreendida, uma arma foi apontada direta para sua cabeça por um inimigo qualquer e então, ela viu seu fim quando ouviu o som do tiro. Fechou seus olhos com força.
Para sua surpresa não sentiu nada, e abriu os olhos lentamente. Miller havia dado aquele tiro, e o cara que apontava a arma para ela estava caído no chão.
— Você está bem? – Miller estendeu a mão para ela, que havia caído. Guilherme chegou mais perto, quase atirou em Miller, mas eles se reconheceram como aliados.
— Eles foram pra dentro do mercado, mas logo estão de volta.
— Bloqueei as outras saídas. – Cam havia surgido de algum lugar e quase que Guilherme atira nela.
— Certo, reagrupar e atacar. Vamos pela porta lateral, vocês dois peguem pela frente. Eles estão encurralados. E animais encurralados se tornam ferozes. – Miller disse e seguiu para a próxima porta, enquanto Guilherme e Natalie se preparavam na porta da frente.
— Seus parceiros são estranhos. Nem quiseram saber de onde eu saí. – Guilherme recarregou a arma. – Dez balas.
— Gosto deles por isso, saber seu nome não ia interferir no nosso sucesso. Então, pronto? – Ela pegou seu rifle e se abaixou. – Vou ficar de longe. Cobertura.
Ela disse a chutou a porta, em dez segundos ouviu Miller abrir outra. Em segundos a chuva vertical de projéteis recomeçou, ela ouviu gritos mas não conseguiu entender uma palavra.
Natalie apoiou o rifle em uma caixa de madeira e mirou. Estava escuro, mas ela conseguiu identificar um alvo. Estava prestes a atirar quando o grito de Miller a interrompeu. Foi o último som do momento, pois o silêncio predominou enquanto as luzes se acendiam. O alvo em quem Natalie quase atirou era Claire, segurada e amarrada por Marcos.
Armas estavam apontadas em todas as direções. O mercado era bem maior agora que foi iluminado. Eles estavam entre as prateleiras vazias de alimentos.
— Guilherme? Seu filho de uma puta desgraçado! – Marcos gritou ao ver que a arma de Guilherme estava virada em sua direção.
— Olha, não me leve a mal. Seu grupo é uma merda completa. Igual você. – Ele teria cuspido no chão, mas não se deu ao trabalho.
— Solta ela. Você quer eu, né? – Miller se aproximou e soltou a arma. Os inimigos olhavam desconfiados.
— Você acha que eu quero você? Agora que eu tenho essa delícia aqui comigo? – Marcos disse e passou a língua sobre o rosto de Claire. Ela fechou os olhos com força e gritou. – Quietinha! – Agora ele acertou o rosto dela com um tapa, que a jogou no chão.
O estalo extremamente alto daquele tapa ecoou pelo mercado silencioso. Miller sorriu por um segunda antes de pegar sua arma escondia atrás do casaco. O tiro raspou em Claire, deixando uma marca sangrenta em seu braço, mas atravessou e atingiu Marcos no peito. Ele caiu para trás, sem nem ao menos gritar. Miller viu então que havia atingido a irmã. Mais, viu que havia perdido o controle. Por um momento, um segundo.
O mundo ficou em câmera lenta. Ele correu colocando toda força possível nas pernas e saltou, pegando a irmã e a jogando no chão, balas atingiam tudo ao lado deles.
Natalie mirou e atirou. Alguém deu um grito e morreu atrás de uma das prateleiras. Mirou e atirou novamente. Outra vítima.
Cam se abaixou, Guilherme se posicionou ao seu lado. Eles atiraram juntos contra os inimigos.
Natalie parou de atirar por um instante. Pegou um pente de balas para recarregar, e então seu peito foi tomado por uma dor extremamente forte. Ela viu tudo ao seu redor escurecer, e então a última coisa que sentiu foi o impacto das costas no chão.
☆ ☆ ☆ ☆
Quanto tempo ficou desacordada, a mulher não lembrava. Tentou abrir os olhos mas não conseguiu, estava consciente. Em coma talvez? Mas não saberia se estivesse.
— Ela matou minha vadia e apontou uma arma pra mim. Ai eu tenho que arrancar uma bala do meio dos peitos dessa... – Era a voz de Guilherme. Natalie entendeu rapidamente o que havia acontecido.
— Se você não ficar quieto, vou ser obrigado a socar sua cara, Guilherme. – Era a voz de Bruno. Parecia ser amigo de Guilherme já pelo tom da voz.
— Claire está bem já. O tiro pegou de raspão. – Era Guilherme novamente. Ouviu Miller sussurrar "desculpa" para ela. Pensou que estava delirando já.
— Ele botou as mãos nos meus peitos? – Foi a primeira palavra que Natalie disse, abriu os olhos e deu uma risada que doeu no coração. Literalmente.
— Botei sim. Pra tirar o que tava ali.
— Meu Deus, vocês não conseguem parar? – Bruno falou novamente. Natalie reconheceu que estava deitada no sofá da casa de Bruno.
— Natalie! Você está bem? – Claire perguntou quase gritando, estava sentada ao lado do irmão.
— Melhor impossível. Levamos tiros, somos irmãs de tiro. – Os quatro riram alto com o comentário de Natalie.
☆ ☆ ☆ ☆
— ... E então ele nos ajudou no fim. Bruno surgiu com o carro de algum lugar e quase atropelou nós. Mas conseguimos te trazer. – Claire terminava de contar a história sobre como eles saíram de lá. Elas estavam no quarto do andar de cima. Já estava noite.
— Muito obrigado mesmo. E você? Passou por algo horrível lá... – Natalie estaria sem jeito. Mas sendo atriz, disfarçou bem.
— Eu estou bem. Um pouco de nojo, mas pelo menos não passou daquilo.
— Sabe, não sei o que eu faria se algo acontecesse. Não costumo me importar com os outros assim, mas você é uma pessoa muito especial. – Natalie parou de falar e olhou para a mulher a sua frente. Mal conseguia acreditar nas coisas que dizia. Coisas que nunca disse a ninguém.
— Mas tudo está bem quando termina bem, né? – Claire disse e sorriu disfarçadamente. Natalie também sorriu.
☆ ☆ ☆ ☆
O próximo mês havia demorado a passar, muita coisa havia acontecido. Guilherme foi convencido por Bruno a ficar, Claire não gostava muito dele, mas não disse nada. Enquanto que Miller sabia dos sentimentos da irmã, também não gostou dele desde já. Miller não costumava ficar tempo em um grupo, mas essas pessoas eram dignas de algum jeito, se fossem "Só mais uns" já estariam mortos, e o homem não podia simplesmente sair, não deixaria sua irmã, e não gostaria de arriscar a vida dela, porque, por mais que gostasse dela, não estaria preparada pra lutar então não arriscaria ela.
Guilherme não sabia exatamente o que fazia ali, não era a favor de ficar em grupo, para ele, todos atrapalhavam de algum modo ou outro, Miller e Natalie eram exceções ao seu julgamento. Cam sempre estava muito quieta, raramente falava com os outros integrantes, e quando falava era sempre com Bruno, pois era ele quem sempre puxou assunto com ela naquele período.
O mais estranho sobre eles era o que os unia, era que quatro dos seis preferia estarem sozinhos. Muitos eram os problemas que um grupo grande e unido poderia enfrentar, mais do que aquele grupo quase independente um do outro. E era isso que os mantinha unidos, não precisavam dar satisfação do que fariam ao sair, não precisavam se preocupar com a hora de voltar, o grupo não iria atrás. Só se uniam para sair em busca de suprimentos e lutar contra as criaturas.
Eles tinham uma convivência assim, baseada em tolerância e indiferença. E funcionava, estavam lá há um mês. Nenhuma morte, nenhum incidente. Mas as coisas mudam.
☆ ☆ ☆ ☆
Provavelmente seria fevereiro já, o calor começava a diminuir, embora estivesse ainda muito quente. Bruno deduziu que os efeitos da parada de todos as empresas e coisas do tipo, afetaram o ambiente de forma positiva até. Em alguns anos, se a situação não voltasse ao normal, o mundo haveria voltado ao seu equilíbrio. E naquela tarde, por pura sorte, eles saíram da casa juntos, coisa que salvaria a vida deles mais tarde.
Bruno dirigia um carro, acompanhado de Guilherme e Miller. O clima ali estava pesado demais, na opinião dele, nenhum deles se olhava, muito menos falava, se não fosse o ronco do carro, provavelmente ouviriam suas respirações.
Já no carro das garotas, dirigido por Natalie, era mais animado. Cam que não costumava falar muito, estava se abrindo um pouco mais aquele dia, e isso alegrava Claire, que gostava de ver todos bem. Era uma psicóloga, então conseguia ver ninguém mal. Natalie relembrava pedaços de peças que havia participado e ria junto com as garotas. Não parecia que Cam era tímida, parecia que era opção dela não se envolver com eles, e Claire, que era incapaz de fazer aquilo, entendia muito bem que era melhor desse jeito.
A conversa das garotas foi interrompida pelo som da freada brusca do carro a frente. Estavam de frente para um enorme prédio, a rua estava bloqueada completamente pelo que parecia um acidente de carro. As criaturas chegavam pelos carros e assim que Natalie tentou dar ré, mas bateu em alguma coisa, um dos mortos se estraçalhou sobre as rodas do carro, e prendeu a roda. Mais deles vinham por trás.
Miller foi o primeiro a sair.
— Não deixa a Claire sair do carro! – Ele gritou para Natalie, que passou a informação para Claire. Ela não chegou a protestar.
Miller segurava uma Saber-52, e parecia completamente carregada. Havia conseguido vasculhando alguns carros. Ele começou a atirar, a arma tinha uma velocidade incrível e ele derrubou cerca de dez mortos em vinte segundos, mas a situação não parecia melhor.
Natalie tinha uma arma enorme, mais precisamente uma Remington M24 com mira, que ela usava com muita precisão, protegendo a traseira do carro. Cam e Bruno usavam revólveres policiais Beretta 93FS, ambos atiravam seguidamente em qualquer um dos mostrou que se aproximasse de Miller e Natalie.
Guilherme havia saído também, como arma tinha uma faca, preferia o combate de perto e foi na direção de um dos mortos que saia dos prédios, matou ele rapidamente.
Com a adrenalina do momento, nenhum deles ouviu os gritos femininos de dentro de um prédio, então simplesmente continuaram a diminuir o número das criaturas. Todos menos Claire, que pegou uma faca que tinha na cintura e correu na direção do prédio. A porta de metal estava trancada, ela pensou duas vezes antes de chutar, mas viu que não tinha escolha e bateu com força. A mulher que estava lá dentro gritou com mais intensidade, dessa vez Miller ouviu, mas não chegou a dar atenção. A porta se abriu e Claire que havia pego impulso para arromba-la acabou caindo para dentro, por muito pouco não teve o corpo esmagado por um bloco de concreto que caiu bloqueando a porta.
Quando Natalie percebeu, já era tarde demais, e ela recuou.
— Claire! – Ela gritou, ouviu a mulher responder do outro lado da parede, mas Natalie não conseguiu pensar em nada, um dos mortos se aproximou dela. Miller se virou ao ouvir o nome da irmã. Em circunstâncias normais não teria feito nada ao ver a criatura colocar a mão sobre Natalie, mas agora precisava dela pela sua irmã então atirou e derrubou ele.
— Onde ela está? Onde? – Ele gritou e correu para onde Natalie estava.
— Ela correu pra dentro do prédio, a entrada está bloqueada. – Natalie deu alguns passos para trás, se iam fazer alguma coisa, a hora era agora. Os mortos vinham na direção deles em um grupo enorme.
— Teremos que entrar pela porta dos fundos! – Bruno gritou e sinalizou com a mão para seguirem ele, que correu pela borda do prédio, seguido pelo grupo.
Fale com o autor