Notas iniciais
Enfim gente, capitulo novo.

Yara reconheceu o grito da mãe de longe, embora outra pessoa não pudesse ter certeza do que ouviria.

— É ela! – A jovem gritou e correu imediatamente na direção que ouviu, esquecendo completamente dos mortos por perto.

— Isabela? – Kwon perguntou gritando de longe a filha. Imediatamente correu na direção dela, atingindo com um tiro uma criatura que se aproximava dela.

— Pai, é ela! – Yara gritou e empurrou a porta com força. O edifício parecia de certa forma bem velho.

— Ei... A ação é pra esse lado, viram? – Jhess chegou ao lado deles e começou a atirar na direção dos monstros, quase sempre dava tiros certeiros.

— Tem alguém lá... – Ricardo que estava mais longe tentou se aproximar, mas seu irmão o puxou.

— Não podemos entrar, é perigoso.

Leticia olhou de longe, atirava com um rifle que estava apoiado sobre o carro. Pablo dava cobertura a ela, as costas dos dois se tocavam, sua arma era uma Colt Phyton comum. Ricardo tinha como arma um bastão com pregos afiados, havia sido feito pelo irmão para ele.

Marina estava no carro e tentou segurar o pequeno animal que escapou pela janela e correu até Yara que ainda tentava abrir a porta. Tiros podiam ser ouvidos do outro lado do prédio, e em seguida alguma coisa caiu. O cãozinho deslizou pela rua rapidamente, Ricardo teria tentado salvar ele, mas viu que não precisava quando ele passou entre as pernas de um dos mortos, que ao se abaixar para pegá-lo, caiu sobre si mesmo. Jhess gritou "olé" e viu o cãozinho começar a latir, avisando Yara do perigo constante.

☆ ☆ ☆ ☆

— A porta por onde vim está bloqueada... – Claire soluçava descontroladamente enquanto contava o que aconteceu a uma mulher e um homem que ali estavam.

O prédio era velho, provavelmente não era usado a muito tempo, tudo tinha tonalidades acinzentadas e usadas. As janelas estavam bloqueadas e batidas permanentes denunciavam a presença de mortos.

Aquele local era apenas um corredor, algumas portas estavam emperradas e as que estavam abertas davam para salas vazias ou desarrumadas. O elevador estava aberto mas não funcionava e as escadas estavam destruídas.

As duas pessoas que estavam com Claire eram bem diferentes não só em aparecia, mas em ação. A mulher era morena clara, tinha cabelo cacheado e longo, cor castanha da mesma cor dos olhos. Usava um vestido simples e de cores escuras. Ela estava suada e os cabelos grudavam pelo rosto devido ao suor. Do seu lado um homem jovem, de cabelos castanhos e olhos verdes. Os cabelos eram um pouco arrepiados e encaracolados, tinha uma barba simples e rala. Usava uma camisa branca e uma calça jeans.

— O que está acontecendo? – Claire perguntou, os tiros eram ouvidos dos dois lados.

— Ficamos presos aqui... Estamos há um mês, todo mundo havia morrido e conseguimos ficar bem, mas eles começaram a se agitar, tivemos que fugir e as coisas começaram a cair por aqui. – O homem contou a Claire, ela procurava por uma saída.

— Não tem como sair, as janelas estão bloqueadas, e os mortos nos preveniam de botar um pé pra fora daqui. – A mulher falava com voz embriagada pelo choro.

— Meu grupo está lá fora e meu irmão vai conseguir nós salvar. – Claire parecia confiante, mas nenhum dos dois acreditava nisso.

— Sou Taylan, a mulher é a Isabela. – Batidas e empurrões acompanhavam a voz deles.

— Claire aqui, essas batidas nas portas...? – Claire jurou ter ouvido a voz de uma garota.

— Não é nada além desses mortos desgraçados... Eu queria tanto ver o rosto da minha filha antes de morrer... – Isabela baixou a cabeça, soluçava silenciosamente.

Outra batida, outro grito. Claire se levantou atenta.

— Tem mais gente aqui! Essa voz não é do meu grupo... – Agora Claire observava o ambiente escuro e a porta prestes a ceder.

— Gente morta tem bastante. Olha, aqui não tem... – A frase com tom pessimista de Taylan foi interrompida por um grito. "Mãe", foi isso que os três ouviram.

— Filha? – Isabela gritou, seus olhos se encheram de lágrimas. Não houve resposta. – Se tem mais alguém aqui, eles tem que sair, e rápido.

— Como assim? – Claire viu a esperança no olhar da mulher desaparecer. Pressentiu que ela esperava algo ruim.

— Vão bombardear a cidade. Todas as capitais segundo as notícias que recebi pelo rádio.

Claire sentiu como se um bloco de ferro atingisse suas costas enquanto deslizava as costas pela parede com as mãos no rosto. Não sabia quanto tempo tinham, mas parecia que não era muito. Mais uma vez começou a chorar, então ia acabar assim? Morta longe do irmão e de seus amigos, queimada.

Para sua surpresa, quando achou que não tinha mais nada a fazer, a luz entrou pelo prédio, e junto com a luz, como cena de um filme de ação cliché estavam parados lá algumas pessoas, apenas a silhueta era visível até ela se acostumar com a luz. Yara correu e pulou nos braços da mãe, as duas deixaram-se chorar um pouco e soluçar alto.

— Quem são vocês? – Taylan percebeu que Yara era a filha que Isabela tanto falava.

— Onde está meu irmão...? – Claire perguntou ao não vê-lo.

— Ele e os outros estão limpado o caminho. – Marina, falou, parecia feliz ao ver Yara e a mãe reunidas.

— Mãe... Como você aguentou...? – Yara perguntou em soluços, mas a mãe limpou o rosto e mostrou parte do seu braço, Taylan estendeu sua mão como se fosse impedi-la mas não adiantou.

— Isabela... – Kwon percebeu rapidamente o que havia acontecido assim que viu as marcas roxas e vermelhas de mordida que estavam no antebraço da mulher.

— Kwon, Yara... Vocês todos, vão embora o mais rápido que puder em se quiserem viver. Ninguém vai sobreviver as explosões se estiverem em cidades. Kwon, leve ela daqui. Vão, vão!

Kwon teria dito que não, que não deixaria sua mulher ali, Yara desandou em lágrimas, Marina abraçou a amiga. Mas não tinham tempo sobrando. Kwon pensou pouco mas se decidiu, agarrou a filha que começou a se debater. Isabela assentiu com a cabeça.

— Me desculpe... – Ele sussurrou mas ninguém o ouviu, Yara se debatia e gritava que não ia abandonar sua mãe mas sua força não era suficiente. Isabela deu um sorriso fraco e agradeceu a filha.

Agora todos estavam fora dali, em carros separados, Taylan havia deixado uma arma para Isabela, que não iria se tornar uma daquelas coisas. E colocou a arma sobre a cabeça, ainda podia ouvir a filha chorando e gritando por ela. Mas não adiantava mais, ela puxou o gatilho e seu corpo caiu inerte no chão.

☆ ☆ ☆ ☆

Os carros andavam o mais rápido possível, viram os aviões passando e a confirmação do que eles esperavam finalmente se realizou.

Yara ainda chorava bastante, seus olhos estavam vermelhos já, seu pai a abraçava ainda, embora já tivesse parado de chorar.

— Por que aconteceu isso com ela...? – Yara não conseguia falar muito bem devido aos soluços.

— Não temos tempo pra isso. – A voz de Pablo parecia inabalada pela tragédia, Ricardo e Kwon estavam sentados ao lado de Yara nos bancos de trás, Leticia na freme olhava a estrada.

— Pablo! – O irmão o repreendeu, parecia de certo modo triste também.

— Filha, não podemos fazer mais nada agora. – Kwon sentia o peso das próprias palavras, embora não demonstrasse. Yara ouviu, sabia que era verdade, mas não podia ignorar que depois de tudo para encontrar sua mãe, as coisas tivessem terminado assim.

— Sinto muito por ela... – Ricardo falou triste, sua voz estava mais baixa e grave que o normal.

Em outro carro Jhess não parecia muito atingida pela morte da mulher, Taylan estava triste sem dúvidas, mas não chegava a chorar. Marina estava do mesmo jeito e Agnes não havia dito muita coisa.

— Vai nem chorar? – Jhess dirigia mas não olhava para a estrada, para sorte dos outros era o último carro.

— Não cheguei a conhecer ela melhor. Mas parecia ser uma boa pessoa. – Taylan falou praticamente sozinho.

— A Yara vai ficar tão triste, eu nem sei como vou ajudar ela... – Marina fechou os olhos e baixou a cabeça.

Bruno, Guilherme, Miller, Claire e Natalie estavam em outro carro. Claire abraçava o irmão com força.

— Tem certeza que está tudo bem? – Era praticamente a décima vez que ele perguntava isso.

— Já disse que sim... – Claire respondeu, estava desanimada. Natalie também havia perguntando isso e provavelmente ela já estaria enjoada de responder, mas eles se preocupavam com ela.

— Vocês são paranoicos, credo. – Guilherme falou despreocupado. Miller sentiu uma raiva tomar conta de seu corpo. Nunca havia ido com a cara daquele desgraçado, atirar ele do carro a cem quilômetros por hora e o deixar para ser comido vivo.

— Cala a boca, idiota. – Natalie respondeu menos de um segundo após o colega terminar de falar. Um certo clima de raiva começava a tomar conta do local. Bruno sentiu Isso rapidamente e teria dito algo, mas preferiu o silêncio.

Agora estavam fora da cidade, e então a explosão aconteceu. A primeira, quatro aviões circulavam a cidade. Quase todos viraram seus rostos para trás, enquanto a cidade sucumbia as chamas e os bombardeios seguidos espalhavam a destruição.

Muitos deles choravam ali mesmo, totalmente sem saber o que fazer. Mas algo de esperança surgia, em algum lugar, longe talvez no outro lado do mundo, alguém estava lutando, e se alguém estava, eles não podiam desistir.

Notas finais
Desculpem por ter deixado meio curto, mas era a falta de criatividade atacando, espero que tenham gostado msm assim. Até mais.