Ó pernas, me conduzam

Pelas trilhas da vida

Peço que não sofram,

Suportem as feridas.

Por tão longo caminho

Terão que passar,

Todavia no fim

Haverão de descansar.

Terreno pedregoso,

Ora amolecido,

Ora em declínio.

Para vós horroroso.

Planície e grama,

Floresta e mata.

Não se sabe por onde

Virá a ameaça.

Estradas escuras

Sempre virão.

Siga com fé nas estrelas

E em antigo sermão.

Por mais que andem

Em lugar algum chegarão.

Nosso destino é o enterro,

Temor e desespero.

Poesia empobrecida

Tal qual essa vida

De caminhar, caminhar

E nunca se bastar.

Fraqueza humana? Não,

Não há perdão

O homem se condena

Por miséria se envenena.