Insuportável
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Três anos e alguns meses depois, John Watson voltava ao seu apartamento 221b na Baker Street com uma sacola de compras.
Durante esses três anos, John continuava a viver como um meio-homem. Sim, ele continuava trabalhando no hospital. Sim, ele teve outros by Text-Enhance\\\">relacionamentos, inclusive uma namorada de quase um ano, que terminou por que ele não era "devotado" o bastante.
O que ninguém entendia era por que ele não se mudava daquela casa cheia de memórias. Mas também, ninguém sabia que ele era meio-homem e que só chegava a se sentir inteiro ali, deitado no sofá que muitas vezes o detetive consultor desmaiara, após dias num caso.
As roupas de Sherlock continuavam lá, só que guardadas numa caixa, ao lado da dos materiais que ele uma vez usara para fazer experimentos que ninguém além dele e talvez alguns dos melhores cientistas do mundo iriam entender. O violino estava guardado em seu estojo, em cima da caixa e ao lado da caveira. Todos trancados no guarda-roupa do quarto de Sherlock.
Guardados mas não jogados fora. Por quê? Se John os visse, desabaria de novo. Se jogasse fora, morreria.
A vida sem seu companheiro de quarto estava, pouco a pouco, se tornando insuportável. Mais de uma vez ele ouvira, durante sua rotina diária, o fantasma da voz de Sherlock, sussurrando-lhe no ouvido: "Chatooo!"
Mais de uma vez ele pensou em tirar a própria vida, mas Greg, a Sra. Hudson e até mesmo Molly o impediam. Não fisicamente, mas lembrar que eles existiam e se importavam com ele fazia.
Ocasionalmente, Lestrade aparecia para pedir ajuda em algum caso, pois embora não fosse como um certo detetive consultor, ele vivera bastante tempo com um e acabou aprendendo a ver, pelo menos mais que uma pessoa normal.
Então, é. John Watson, mesmo após todos esses anos ainda não conseguia viver. Só sobreviver.
Ah, eu esqueci de adicionar. Alguns dias antes, um homem alto, de cabelos pretos encaracolados e olhos claros apareceu na porta. Eles se olharam por um momento, e com um dar de ombros, John, deixou-o entrar.
Hoje, de novo, o homem estava lá, sentado na cadeira preferida de Sherlock, e quando John passou pela porta, ele simplesmente o seguiu com o olhar, preocupado.
Como John explicava aquela aparição é simples. John Watson é um médico. Um médico que com certeza já viu alguns de seus pacientes comentarem sobre verem pessoas ou animais que já haviam morrido. Então ele pensou que aquele homem não era Sherlock. Sim, uma ilusão do seu cérebro, já que o dono deste não queria, não podiaacreditar que Sherlock estava morto. Por que aí, seria doloroso de mais.
Sim. Ele era só uma ilusão. Aquele homem que o seguia com o olhar dentro do apartamento, mas nunca fora. Que comia, mas não falava. Quer dizer, o Sherlock de verdade, não aguentaria um dia-a-dia tão chato.
À tarde, John ouviu alguém bater na porta. O homem na poltrona se levantou e foi pra trás dela, segurando-a com força, até os nós dos dedos ficarem brancos.
John abriu a porta:
–John, preciso da sua ajuda. Um corpo acabou de aparecer no lixo da estação e-
Lestrade parou, olhando pasmado para o homem perto da poltrona e deu um passo para trás.
–Sherlock. -ele sussurrou, totalmente surpreso.
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