John então acordou. Ele olhou para Lestrade. Olhou para o homem. E olhou para Lestrade de novo. Agarrando o detetive pela gola, o soldado gritou:

–Você consegue vê-lo? Você consegue vê-lo?!- ele exigiu chacoalhando-0.

–Sim, John. — uma voz rouca e familiar falou, por trás dele enquanto desprendia suas mãos da gola de Lestrade.

John congelou. A perspectiva era muito surreal, muito cruel. Aquele homem era Sherlock Holmes. Vivo. Por quanto tempo?

–Por quanto tempo?- ele sussurrou, depois puxou a mão de Sherlock e deu-lhe uma chave de braço — POR QUANTO TEMPO VOCÊ ESTÁ VIVO?!

–Ai!- Sherlock reclamou- John, sinceramente-

–EXPLIQUE-SE!

–EU NUNCA MORRI!- Sherlock gritou.

–VOCÊ MORREU!- John gritou e derrubou-o, imobilizando de forma que estava olhando diretamente para ele quando disse, num sussurro mortal- Você morreu, eu vi você pular, eu senti seu pulso. Você está morto!-Uma lágrima rebelde escapou antes que ele pudesse apagá-la.

O olhar de Sherlock era doce. Ele olhou nos olhos de John, ambos esquecendo de Lestrade na porta por um estante:

–Me desculpe.- Sherlock disse, suavemente.

John então o soltou e o puxou para um abraço. Surpreso por um momento, Sherlock congelou. Mas aí retribuiu o abraço com igual força. A cabeça do homem menor se encaixava perfeitamente entre seu pescoço e clavícula e ele sentia lágrimas quentes aos pouco umedecer aquela área do tecido. Uma lágrima também lhe escapou.

Virando-se para o detetive, ainda parado perplexo no vão da porta, Sherlock fez um sinal de "Shh" com o dedo no meio dos lábios.

Assentindo e planejando passar rapidamente em casa para beber um copo, ou talvez uma garrafa de whisky, Lestrade partiu.

Depois de um tempo, eles estavam no sofá, ainda abraçados, mas dessa vez, nenhum chorava. Ao invés disso, Sherlock calmamente explicava como fingira a própria morte, por que fingira e o que passara esses anos todos fazendo.

Quando ele terminou, John perguntou:

–Mycroft sabe, correto?

–Sim, -Sherlock assentiu- ele me ajudou financeiramente e com a papelada.

Por algum tempo ambos ficaram calados. John assimilando a informação que Sherlock havia compartilhado e Sherlock calculando quanto John havia sofrido durante sua ausência. Muito, ele concluiu. Mais do que ele havia imaginado.

John finalmente quebrou o silêncio e se desprendendo do abraço ele o encarou:

–Não vou perdoá-lo. Você me enganou. Você me abandonou. — A voz de John era fria, sem qualquer emoção, o que mostrava o quando tinha sido machucado. Sherlock concordou:

–Não é justo que tenha. Me desculpe por isso John, mas... eu não te abandonei. Eu não pude. Quando eu parti, — ele pegou uma das mãos de John e a pôs em cima do coração — eu nem pensei que ele existisse, mas quando eu parti ele doeu tanto John... Você sempre esteve aqui comigo. — Sherlock fechou os olhos e encostou sua testa na dele.

Ele sentiu o amigo se mexer e pensou que ele iria se levantar de deixá-lo. Mas subitamente algo pressionou seus lábios. Surpreso ele abriu os olhos, só para dar de cara com o olhar quente de John.

Este levou a mão que não havia sido presa por Sherlock ao rosto do detetive e acariciou o seu lado.

–Separe os lábios. — John pediu, e ele obedeceu. Logo, ambos estavam se beijando apaixonadamente, dor, desejo, raiva e solidão, os sentimentos guardados durante todos esses anos finalmente libertos para deixar sobrar somente o amor.

–Pensei que não fosse gay. — Sherlock disse, quando eles pararam para respirar, um vestígio de sorriso em seus lábios.

–E eu não sou. — John responde, também quase sorrindo. — Você é especial.

–Nunca pensei que essa palavra seria um dia usada sem ter "esquisito" subentendido.

O que aconteceu depois vocês podem imaginar. Bem, acabou que não foi nossa querida Dominatrix, Irene Adler que tirou a virgindade do grande Sherlock Holmes. Ou que o fez pedir misericórdia. Duas vezes.

Notas finais
Não acredito que quando fui salvar saiu da minha conta. Bem, acabou ficando melhor :P
E ai, gostou? GOSTOU?! Comenta?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!