Sherlock Holmes era o nome que todos falavam. Ele estava nos jornais, nos becos, nas ruas, nas prisões e até no palácio de Buckingham. Quando o homem que tinha aquele nome se jogou do telhado do Hospital St. Bartholomew, a Inglaterra parou.

John Watson viu seu melhor amigo cair. Ele sentiu seu pulso, antes acelerado com a ideia de um novo caso, agora inexistente. Mas não foi até a última pá de cheia de terra ter coberto seu caixão de mogno, até a última pessoa que atendeu ao humilde funeral — Mycroft cuidou da imprensa — se despedir — Molly, com os olhos inchados de tanto chorar — que a ficha finalmente caiu.

Sherlock Holmes, o primeiro detetive consultor do mundo, estava morto. E enterrado, sete palmos embaixo da terra. O túmulo era sinalizado apenas por uma simples lápide preta com seu nome.

Mas o doutor não chorou. Ele não podia chorar. Ele já viu amigos morrerem na guerra, pacientes não sobreviverem e até mesmo alguns que se mataram em desgosto, cansados da solidão e de sofrer. Ele chorou por eles. Mas por Sherlock, ele não podia.

Com Sherlock não havia tristeza. Só raiva e mágoa. John acreditava ser seu melhor amigo e que era confiável o bastante para ter sido posto a par da situação. Não, quem ele queria enganar... o soldado estava zangado pelo fato do amigo ter morrido sem a sua permissão. Era ridículo e irracional. Mas desde quando o amor é racional?

"Sim, amor" era o que ele pensava ao voltar para a Baker Street naquele dia "Quando ele morre é que eu percebo. Que grande idiota eu sou." John sabia que Sherlock concordaria com ele nisso.

Ele entrou no apartamento deles(agora dele), vagamente pensando se Mycroft iria pagar a parte dele do aluguel. Entrou em seu quarto, no segundo andar e tirou o casaco. O celular que Harry tinha lhe dado caiu. Ao se abaixar para pegá-lo ele ouviu aquela voz rouca em seu ouvido:

"Adeus, John."

John desistiu de pegá-lo. Em vez disso chutou-o e o mandou voando para a parede oposta, mas mesmo assim ele não quebrou.

"A coisa é resistente." John talvez teria pensado se estivesse são. Mas aquela raiva irracional o consumiu tão completamente que ele seguiu o celular e chutou-o, uma, duas, três vezes contra a parede até quebrá-lo.

Ele se sentiu triunfante, mas por pouco tempo. A raiva fora direcionada ao objeto e agora usada, nada o sustentava. O soldado desabou. Soluços secos, de partir o coração saíram dele. Dor, uma dor crua ocupava seu coração, e era como se uma parte dele tivesse sido arrancada.

O que tecnicamente tinha acontecido.

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Notas finais
Okay, primeira parte, feita. Só pra não ficar muito grande, vou postar a continuação como segundo capítulo.