Notas iniciais
Bom, foi o melhor nome pra capítulo que arranjei de última hora. Olá pra todos! Enfim, vou ser bem rapidinha. Postei esse bem curtinho pra vocês lerem um pouquinho do que está por vir.
TS:
Ready Aim Fire - Imagine Dragons

Os “aposentos” de Hank era enorme. Tudo bem, aquilo poderia ser um apelido. Não era um quarto, mas praticamente uma casa. Com a mesma essência do restante do Castelo. Todo revestido em negro e passando uma aura acolhedora e ao mesmo instante assustadora. Olhei ao redor, enxergando as pilastras negras reluzentes, os cantos dos tetos dourados e um lustre de cristal iluminando tudo... ao menos aquele cômodo. Havia algumas portas pela parede. Provavelmente armário, banheiro, quarto e quem sabe até uma sala de jogos. Sorri com minha ideia.

— Pode me contar a piada. – Patch pediu atrás de mim, avaliando-me.

Me virei e me perdi em seus olhos negros. Sorri novamente, olhando ao redor, abismada.

— Olá, Nora. Vejo você limpa e parece um pouco ruborizada. – A voz de Kalona cortante como um frio enevoado, me arrebatou.

E, se eu não estava ruborizada, quando ele comentou, eu fiquei. Tentei sorrir, mas aquele gesto pareceu endurecer minhas bochechas e desisti, escondendo os dentes.

— Posso sentir que não teve uma ótima boas-vindas. – Ele comentou. – Cameron provocou rebuliço.

Arqueei as sobrancelhas. Sem entender como ele podia saber. Ele havia acabado de chegar e Patch ficou comigo o tempo todo...

— As notícias correm aqui dentro. Irá se acostumar. – Ele abanou a cabeça e seus fios negros cobriram mais um pouquinho de sua testa. – Por favor, sente-se. Pretendo não tomar muito tempo de ambos.

Patch afundou seus dedos em mim, fechando-os na parte do braço acima do cotovelo, me arrastou delicadamente até um sofá de dois lugares e nos sentamos.

Porque meu coração acelerou um pouco? Não era pela presença de Patch, ou de Kalona... era pelo o que estava por vir. Eu não sabia o que era exatamente. Mas por estar onde estava, na situação em que me encontrava, com certeza era algo de extrema importância. Suspirei. Rendendo-me a sensação de descobrir, na verdade, a necessidade de saber o que realmente estava acontecendo.

— Sei que está um tanto quanto animada. Mas quero esclarecer pequenos fatos. Tudo bem? – O tom de Kalona soou tão doce, parecendo não provir de seus lábios, que concordei inconscientemente com a cabeça. – Patch é como seu guardião aqui dentro. Por isso você ficou no quarto dele, assim como ele te levou ao Castelo. Todo e qualquer problema deverá ser entregue nas mãos dele. Tudo bem?

Acenei em positivo. E compreendi toda aquela proximidade. Talvez aquilo explicasse o fato de eu me sentir tão relaxada com sua presença... ou só estava querendo acreditar naquilo. Não era sua presença que me acalmava, era pura e simplesmente ele. Patch.

— Estamos desconfiados, Nora. – Fui atraída pelo chamado imposto na voz de Kalona. Meus olhos se voltaram para os seus. – Tudo se encaixa. Todos os fatos... menos um. O fato que não se encaixa é você. Tudo diz que a garota que chegaria seria amedrontadora, com aparência frágil. Tudo se volta para o fato de que a garota seria guerreira e que não deixaria nada nem ninguém destruir seu humor. Sua aparência não se encaixa com a garota que chegaria pela Profecia, encabeçando na Maldição... quem se encaixa na aparência, assim como na personalidade, é sua melhor amiga, Vee Sky.

Eu não sabia como interpretar tanta informação de uma única vez. Maldição. Profecia. Eu estava ali há pouco tempo – ao menos acordada – para poder botar tudo na mente... o que ele realmente queria comigo, então.

— Mas, a morte do demônio provocada pelo sangue só diz o contrário para nós. – Kalona prosseguiu, deixando-me ainda mais confusa.

Meus ombros despencaram em desapontamento.

— Quero que saiba. Que seu sangue é o da garota da profecia. Coisas se encaixam com ela. Você será caçada. Em terra, céu e inferno. Seu sangue é o próximo Instrumento Colossal. Já temos três. Você pode aniquilar toda humanidade, apenas com o doar de gotas de sangue. Olhe seus braços. – Ele pediu, cético, seus dedos passando por seu queixo.

Meia incerta, desci meus olhos até que enxergasse meus braços. Eles pareciam normais à primeira vista, foi por isso que não notei. Primeiramente ergui o braço direito, meus lábios se abriram, meus olhos arregalaram e todo o resto ao meu redor se desfez como a água em contato com o fogo, ou o gelo. Elas estavam lá, mórbidas, apagadas. Mas eu sentia um roçar, como algodão em pontos extremos do meu antebraço direito. Quantas andorinhas no tom cinza, na verdade, apenas o desenho delas... mas, como eu poderia estar lá dentro?

A resposta veio rápida, rasgando a paz inicial, impondo outra certa personalidade em mim, e pode parecer a maior besteira, mas me senti mais forte, mais capaz. Meu sangue esquentou e senti meus cabelos saírem de meus ombros sozinhos. O dragão em tom claro, com a grande boca aberta e fogo escapando pela palma da minha mão estavam lá, reverberando e solicitando por poder, por libertação. Suas bordas estavam com luzes opacas, mas lá, acesas, mostrando presença, me dizendo que eu poderia acabar com qualquer coisa naquele momento. Com qualquer coisa que estivesse diante de mim.

— Essa é uma das comprovações. Você é única. – O sorriso nos lábios de Kalona era iluminado e verdadeiramente feliz. Sorri do mesmo jeito. Não sentia mais Patch tão distante, ele estava mais próximo, averiguando com os próprios olhos. – Enfim, nossa Alma Dupla chegou, esperamos por tanto tempo. Aí está a prova. – Ele repetiu, como que para se certificar de que todo aquele momento fosse verdadeiro.

Então era aquilo que Deus me reservava? Ou a pontinha da enorme iceberg? Eu apostava na segunda opção. Assim como o calor do fogo do dragão e assim como o roçar das asas dos pequeninos pássaros.

Notas finais
Desculpem-me pelo tamanho. O próximo será maior, prometo! Beijinhos! s2