Instrumento Tempestuoso.
10 Informada.
Notas iniciais
Oi, gente! Como postei faz um tempinho e um bem curtinho, vim postar a continuação! Eu dividi em dois capítulos, pois achei mais digno, ok? E prometo que em breve posto um capítulo completo!
TS: Gravity - Sarah Bareilles
Ride - Lana Del Rey
Dark Days (do filme Jogos Vorazes)
Boa leitura! ♥
TS: Gravity - Sarah Bareilles
Ride - Lana Del Rey
Dark Days (do filme Jogos Vorazes)
Boa leitura! ♥
Todo o torpor passou. Kalona saiu para tomar um pouco d’água. Me virei para Patch, um sorriso ainda estampava meu rosto.
Patch estava momentaneamente sério. Suas mãos saíram de sua pose relaxada e comum, e desceram pelo meu ombro. As pontas cálidas de seus dedos percorreram – primeiro – as andorinhas. Ele as tocou uma por uma, como se aquilo fosse necessário para sentir se elas realmente estavam ali. Depois, seus olhos com um tom mais negro que o de sempre, saltaram para o dragão no outro antebraço. Pude sentir uma emoção borbulhar por seus poros. Como se – mesmo sem tocar – já soubesse que era verdade. Como se já soubesse de tudo aquilo. Seus dedos passaram com mais poder e velocidade, pelos traços duros do dragão. Ao fim, seu indicador tocou delicadamente a chama clara que estava na palma da minha mão. — Ninguém estava mentindo. – Ele declarou. Voz seca, rude. Vi quando engoliu em seco e retomou sua posição habitual. Olhos focados no nada, mas as bordas pareciam avermelhadas. Os lábios pareciam implorar para serem tocados, os cabelos para serem organizados e quis fazer tudo aquilo. Quis tocar meus lábios nos seus, quis afundar minhas mãos em seus fios, para ver se eram tão macios quanto pareciam. Agora eu podia jurar, vendo seu rosto em uma máscara diferente, que nunca havia visto traços iguais, fortes, mas delicados e másculos, mas um tanto quanto divinos. Desviei os olhos, focando novamente naqueles desenhos momentaneamente embaçados, pelas lágrimas... que lágrimas? De onde? — Pronto. Podemos retomar agora. Pedi uns cookies, isto tudo pode demorar um pouco. – Kalona avisou com um erguer de sobrancelhas e se sentou em uma poltrona mais próxima de nós. – Você tem uma grande importância agora. Pessoas falsas chegarão e outras irão querer te levar, precisa relevar toda a situação. Agora, sobre sua melhor amiga, tenho a dizer que estão confundindo ela com você. Provavelmente seu cheiro ainda está nela, mas não irá demorar muito para eles notarem que ela não é você e sinto em dizer que quando notarem... Ele não precisava terminar. Minha mente já havia tomado esse rumo por conta própria. Seguindo, passo por passo pela escuridão da minha mente, se acendendo em uma luz nem um pouco prazerosa. Engoli o choro, sentindo a garganta arder. Acenei em positivo. — Entraremos em missão. Patch avisará os outros hoje e recrutará os melhores dos Submundos. Você ficará sobre proteção de seu guardião. — Preciso ir. – Me assustei com minha voz junto a de Patch. Ambas saíram ao mesmo tempo e nos olhamos de relance. — Os dois? Você está em risco, Nora. — Sou o Guardião dela, não sou? E nunca decepcionei. Não será agora que isso ocorrerá. – Patch afirmou. Certo. Cético. Kalona não pestanejou e pude sentir que seus ombros despencaram em alívio por suas palavras. — Você conhece os arredores dos Renegados como ninguém. Será o capitão de patrulha e agirá de maneira a achar cética. Já entrei em contato com os outros Clãs e eles disponibilizaram gente. Vocês começam amanhã. – Ele informou, levantando-se. Algo esquentou em meu bolso quando me levantei e o toquei, momentaneamente. Enruguei as sobrancelhas. Eu não havia colocado o medalhão em meu bolso... ele queria ficar comigo. Eu poderia mostra-lo para Kalona... “Peça para ler, ao menos, parte da Profecia.” Senti-me momentaneamente espantada. Aquela não era a voz de Patch. Ela era delicada. Embaçada e perdida nos cantos profundamente confusos da minha mente... eu nunca havia escutado antes. Mas eu queria seguir a ordem, pois a todo instante Kalona mencionou a Profecia, então eu queria escuta-la e acho que era um direito meu. Por estar onde estava, por ser quem era. — Kalona? – Era a primeira vez que dizia seu nome em voz alta. Patch e Kalona se espantaram ao meu redor, me olhando de soslaio, avaliando. — Quero ouvir a Profecia. – Pedi. Minha voz saiu mais firme do que esperava que ocorresse, talvez fosse influencia do dragão momentaneamente embaçado, mas presente. E então o silêncio percorreu os quatro cantos do cômodo. Eu sabia que não deveria cobrar o meu pedido; pois eu sentia a conversa deles. E sentia que Patch estava sendo bem insistente para que ele lesse a Profecia para mim. Kalona parecia um tanto quanto incerto, e eu – sinceramente – não conseguia pensar em um por que. Kalona pareceu ponderar por alguns instantes, ficando quieto e se levantando. — Tenho registrada em minha mente. Mas prefiro que leia diretamente do papel amarelado. Palavras sempre nos fazem bem. – Ele assegurou algo de que eu gostava muito. Mexeu em algumas gavetas em uma estante próxima e voltou com um envelope gasto em mãos. Estendeu-o para mim. — É de grande poder, Nora. – Ele assegurou. Aquele era um pedido oculto para que eu tomasse cuidado, podia sentir isto. Acenei em positivo e puxei o papel frágil de lá de dentro. Eu sentia que ele poderia esfarelar entre meus dedos a qualquer instante, e aquela sensação era aterrorizante, como uma resposta se perdendo no tempo, uma resolução sufocada na mente.
“Em um ponto mágico confiará. Os portões se abrirão. O medalhão ressurgirá. Um demônio irá morrer e outro se apaixonar. Clamando pela chama da Maldição. Um amor proibido. Um caído alado. Uma alma perdida, recentemente encontrada. Sangue distinto, jamais visto. Quando dois corações opostos decidem seguir apenas um caminho, pelo puro amor, a paz pode deixar de reinar e o inferno proclamará. O veneno do primeiro semi demônio não afetará, muito menos destruirá. A maldição é encontrada com um beijo aceso. Quem irá querer matar quem? Só o tempo dirá. Fujam. Não se aproximem... caso contrário nada quebrará o encanto da Maldição concretizada. Uma Grey e um Cipriano não podem estar juntos, assim como uma Alma Dupla não fica com um de ponto alto em qualquer lado, caso contrário o caos surgirá. Não só para ambos. Para todos. Imortais. Demônios. Anjos. Sombrios. Divinos e... humanos. Os menos culpados.” Um arrepio percorreu pontos estratégicos do meu corpo, fazendo-me tremer. Pelas palavras, pelo futuro imposto e por todas as verdades do que ocorrera comigo. Eu confiara em um ponto mágico. Todos os portões se abriram sem ninguém de seu lado por perto... só com minha presença. Eu tinha um medalhão, queimando em meu bolso naquele mesmo instante. Um demônio morreu, por meu sangue e pelo esclarecimento, era para eu ter morrido. Agora, a parte de um demônio se apaixonar... meu coração saiu um pouco do lugar, enlouquecendo pela probabilidade daquele demônio ser Patch... mas que besteira. Mas ali mesmo, enxerguei que a Maldição não seria boa. Procurei por algo mais, mas as pontas do papel estavam rasgadas, com pontinhas precisando de outras pontinhas para se encaixar. — Não sabemos o que ocorreu. – Kalona se explicou, retirando – com extremo cuidado – os papéis dos meus dedos. – Foi encontrada assim. Há outras cópias destas espalhadas por aí e há milênios procuramos a outra parte. Dizem também que será você quem encontrará. O desencadeamento para quebrar todo esse sufocamento. – Ele falava rápido e com precisão, enquanto guardava o papel dentro do envelope. Aquela movimentação de seus grandes braços parecia um tanto quanto engraçada. Meio desengonçado, Kalona conseguiu guardar o papel e o recolocou na gaveta, mas, de alguma forma, eu sabia que ele trocaria de lugar mais tarde, talvez por precaução. — Já podem se retirar agora. Temos uma reunião a tarde Patch. Nos encontramos no hall. – Seus olhos procuraram pelos meus, encontrando-os com um sorriso. – E espero revê-la lá, Nora. Depois disso, Patch e eu saímos de seus aposentos em silêncio. Eu não sabia o que falar, nunca fui boa nessa coisa de puxar conversa, e diferente do silêncio que eu compartilhava com Vee, aquele estava desconfortável. Muito desconfortável. — O que aconteceu lá dentro? – Eu não sabia se agradecia, ou respondia a pergunta de Shaunee, que surgiu repentinamente ao nosso lado, caminhando conosco. — Nora conheceu a Profecia. – Patch parecia um pouco abalado, como se eu não tivesse capturado o que fora dito lá dentro. Shaunee ficou inquieta e não disse mais nada. Pronto, em questão de silêncio, eu estava perdida. Porque tínhamos que nos perder sozinhos no caminho mais sinuoso do Mundo? No caminho sinuoso e duvidoso perdido nos arredores de nossa mente. — E... Então. – Shaunee quebrou o silêncio novamente, ela também parecia desconfortável com aquela situação. — Foi... estranho. – Confessei. Chegamos à porta do quarto de Patch e este entrou, deixando-a semiaberta, como um convite implícito. — Acho melhor você ir lá. – Shaunee disse, balançando a cabeça em direção a porta. Acenei em positivo, abanando a mão em um tchau e fechando a porta atrás de mim. Patch andava de um lado para o outro. Pegando algo em uma prateleira e algo em outra. Eu fitava o seu caminhar confiante, indo e vindo. Mesmo conhecendo-o há tão pouco tempo, sabia que ele estava desconfortável com algo. Só precisava saber se aquele algo era eu. Sem notar, minhas pernas caminharam até ficar atrás de seu corpo. Ele de costas para mim, mas mesmo assim sua autoridade ganhando comando no espaço. Ele tirou a camisa pela cabeça, como se aquele gesto fosse normal, com uma garota desconhecida dentro do quarto. Fiquei sem jeito, a mão fria, os olhos apressados, olhando os movimentos precisos de seus braços. Fitando seus ombros a mostra. Vendo como o mesmo era mais alto que eu, fazendo com que eu me sentisse uma garota precisando de sua proteção. Ele dobrou a camisa, e colocou-a dentro do guarda roupa. O dragão de seu antebraço esquerdo ganhou vida, assim como a chama na palma da sua mão. Aquele desenho parecia ter muito mais poder na pele dourada dele, bronzeada e sedosa. Só então notei o estranho V encaixado em suas costas. Ele estava de cabeça para baixo. Parecia uma cicatriz dolorosa, grossa e escura, como se fosse – de alguma forma – recente. Ou como se quisesse lembra-lo de algo. Fiquei instigada a toca-la, como se houvesse uma dor ali que precisasse ser acalmada. Fiquei impressionada comigo mesma quando meus dedos tocaram certo ponto de suas costas. Ele não se retesou, como se não tivesse sentido o toque verdadeiramente. Aproveitei para toca-lo com toda a mão. Sentindo-me instigada pelo calor gostoso de sua pele contra a minha. Caminhei com os dedos pelas costas. E toquei a ponta da cicatriz. Puxei o dedo para seguir o contorno, mas o mesmo pareceu grudado, ou pareceu entrar em sua pele. As beiradas dos meus olhos escureceram, o chão começou a sumir sob meus pés e só então Patch se virou, meu dedo preso aquela estranha marca e meu braço rodeando sua cintura. — Nora? – Ele indagou, mas sua voz estava tão distante, que ela – mesmo sendo a voz de Patch – não foi capaz de me afastar da escuridão que me embalou. A última coisa que senti, foram os músculos de seus braços.Eu não sabia se estava acordando, ou simplesmente trocando de lugar. Só sabia que estava em um lugar em que nunca estive. Mas, aquelas paredes, decoração e cores não me eram estranhas. Meu corpo não estava pesado e aquilo também não se parecia com um sonho. Patch surgiu diante dos meus olhos. Me aproximei dele. – O que estamos fazendo aqui? O local era amplo, amplo demais. Paredes claras e arquibancadas escuras, de madeira pesada. O chão sob meus pés era polido e aquilo – para simplificar – parecia uma quadra de ginásio escolar. A jaqueta de couro gasta de Patch cobria seus ombros... mas me lembro de vê-lo sem camisa. — Como me trouxe aqui? Onde estamos? – Eu estava desesperada. Meu coração estava acelerado, minhas mãos estavam frias... eu estava com medo e pela primeira vez aquele medo era de Patch. — Você veio mesmo. – Uma voz nos saudou. Nos viramos ao mesmo instante e Patch pareceu reconhecê-lo, pois seus olhos encheram-se de uma consideração tangível. — Sinto que quer muito aquele pedaço de papel um tanto quanto sensível. – O garoto repetiu. Corpo magro esguio, pele meramente bronzeada e cabelos e olhos escuros. Era bonito, mas não tanto quanto Patch. Fiquei interessada na conversa. Eles pareciam não me ver, ou não notar minha presença. Como se eu estivesse invisível, encoberta por camadas e mais camadas de ar em meu corpo. — Precisamos do papel, Rixon, você sabe disso. – Patch disse, lábios prensados. Aquele nome, não me era estranho. Mas de onde eu havia escutado ele? Quando? Como? Quem era ele? — Conhece a Profecia, não é mesmo? E sabe que seu lindo sobrenome aparece lá. Paixão amaldiçoada, Cipriano. E com o papel em mãos, eu conheço como você se livrará de algo que nunca quis. – Rixon parecia intimidador. Até Patch parecia momentaneamente abalado por sua presença. — O papel está aqui. – Ele disse, tocando o bolso com os dedos. – Venha pegar. – Um sorriso persuasivo dominava seu rosto. — Sei que ele não está aí. – Patch disse, inabalável. — Só haverá um jeito de você tirar isto de mim. E vai ser quando ela chegar e eu a ter em minhas mãos. Só então, você mesmo poderá pegar o papel de minhas mãos, simples assim. Leve-a até mim e descubra o final dessa Maldição. Só então a ficha foi caindo aos poucos. As informações batendo institivamente em meu cérebro. Cipriano. Aquele era o nome em que aparecia na Maldição. Uma Grey e um Cipriano não podem estar juntos. Era o que a frase dizia. Eu era Grey e Patch o Cipriano. Éramos a Maldição. Por isso todas aquelas sensações. Por isso todo aquele lance de proteção e ele queria acabar com ela. Mesmo antes de me conhecer. Patch queria me levar até a profundidade da escuridão, pois Rixon era o líder dos Renegados.
A sensação que me ocorreu inicialmente era que algo estava saindo do meu corpo pela boca. Uma sensação de furto e um peso no coração. Só depois de respirar profundamente foi que senti na posição em que me encontrava. Minhas pernas rodeavam a cintura de Patch e seus braços a minha. Encarei seus olhos escuros e mesmo sem lhe contar nada eu soube que ele sabia o que tinha ocorrido. — O que você viu? – Ele indagou cético. Meu dedo desgrudou de sua cicatriz e entrelacei meus dedos, mantendo-o mais próximo, mesmo sem ter intenção de tal. — Eu vi você e Rixon. Somos a Maldição. – Eu disse, engolindo em seco. — Não sou o único Cipriano e você não é a única Grey. – Ele me assegurou. Aquilo me acalmou inicialmente, mas meu coração me dizia que de alguma forma estávamos ligados, sendo ou não me pela Maldição. — Pelas palavras de Rixon... eu sou a única que pode quebrar essa droga toda. – Me irritei, engolindo o choro. Um riso rouco proveio dos lábios de Patch e minha vontade era de fazê-lo rir mais vezes, pois seus olhos pareciam mais escuros. Seus lábios mais convidativos. Seu rosto mais corado, tradução, ele parecia ainda mais belo. — Esqueceu que há outra forma de encontrar a Maldição? – Ele indagou. Meus olhos serpentearam por seu rosto, parando em seus lábios. O canto da boca de Patch estava repuxado em um sorriso cafajeste. E bonito pra valer. Lábios cheios e vermelhos. E convidativos até demais. — A outra forma de encontrar a Maldição é com um beijo aceso. Quer tentar achar? – Ele indagou, seus dentes agora se mostravam em escárnio pelo o que fora dito. Meu corpo correspondeu às suas palavras. E meu rosto ficou ruborizado enquanto eu suava em vergonha instantânea. Sorri, empurrando seu ombro de leve. — Patch, você não... Nos viramos, momentaneamente abalados pela interrupção da crosta criada, como se o Mundo não pudesse nos atrapalhar. Os olhos esmeraldas de Cameron nos fitava. — Que droga é essa? – Ele fora direto, olhando a cena com olhos semicerrados, mas ainda assim dava para ver os círculos vermelhos atrapalhando a divina cor de seus olhos. — Estou no meu quarto, faço o que quiser nele. O que quer? – Patch indagou, sentia seu peito tremer contra o meu enquanto vociferava as palavras. — A merda toda já vai começar. Kalona pediu para avisar aos demais. – Ele terminou com uma piscadela e batendo a porta com força. — Acho que ele não gosta de mim. – Disse, olhando a porta recentemente fechada. — Cameron não gosta de ninguém, Anjo.
Notas finais
Ai, gente. Me contem tudo! Para a Stella, fã de Cameron de plantão, no próximo ele vai estar um tanto quanto mais presente. E, Stella, este eu escrevi no mesmo dia que o anterior, Tá tão bom quanto? hahahah Até mais pessoar! Nos vemos nos comentários!
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