Notas iniciais
Ai, meu povo. Vou ser muito sincera... Estou sentindo os capítulos péssimos, muito sem sal, sem açúcar, isso não se parece comigo ao escrever um sobrenatural. Então, tentarei me focar mais e aplicar coisas mais "bang". Desculpem, por isso! Espero que vocês curtam o que eu criei até então! Beijinho

- Ainda tenho muito que explicar em relação ao baile. – Shaunee bufou atrás de mim, enquanto procurava peças em seu enorme closet para fadas. Eu estava olhando ao redor, vendo a quantidade de plantas e aberturas naturais das paredes. Destes buracos as luzes ensolaradas atingiam o quarto. Enruguei as sobrancelhas, achando um tanto quanto diferente, mas não me espantando, como aconteceria se fosse há alguns dias.

- Como o que, por exemplo? Vee adoraria estar aqui. – Eu disse a última frase mais para mim, que para alguma outra pessoa ouvir.

- Você realmente a adora, não é? – Levantei a cabeça quando me dei conta que aquela não era a voz de Shaunee. Vislumbrei uma garota miúda e esguia, mas que tinha traços tão doces que a tornavam linda. Olhos azuis grandes e curiosos me fitavam, enquanto eram puxados nas laterais pelo sorriso sincero que iluminava seu rosto e deixava suas bochechas grandes e com covinhas. Seus cabelos louros eram curtos e meramente ondulados, o que era anormal para garotas na nossa idade. – A propósito, meu nome é Stevie Rae, prazer Nora.

Eu sorri, aliviando a tensão do meu rosto. – Olá, você também é uma fada? – Não pude negar a questão.

Ela fechou a porta atrás de si e sentou na cama junto comigo. Suas roupas eram normais, tanto quanto as minhas: jeans e camiseta.

- Que nada, ela está em fase de transformação. – Shaunee disse, vindo do closet e colocando diversas peças no chão. – E está quase terminando. – Terminou lá de dentro do closet, fazendo sua voz parecer muito distante para ser escutada.

Meus olhos percorreram seu ombro e desceram por seu braço esquerdo, encontrando um dragão com esboços fracos, mas exigindo atenção. Na palma de sua mão, o fogo se estendia, em traços doces e gentis. Quando ergui meus olhos na direção dos seus, notei que estavam repuxados demais, completamente arregalados. Observei que ela fitava impacientemente as andorinhas percorrendo meu antebraço direito.

- É verdade, tipo, mesmo! – Ela disse, em um misto de animação e indignação. Sorri com extremo alívio. Deixando a aflição de lado pelo fato das pessoas lá conhecerem a mim mais do que eu mesma era capaz. Aquilo era tenebroso.

- Já tem sua roupa pro baile? – Perguntei, puxando uma das peças do amontado e pensando em quanto Vee estaria animada com a ocasião. A peça que eu segurava era de um negro intenso, abandonando qualquer expressão de pretinho básico. O ar antiquado lhe rodopiava, mas nem por isso tirava a vontade de utiliza-lo. Uma saia de seda longa com fendas nas pernas, sem decote e de mangas fininhas, não havia tecido que cobrisse as costas e um cinto de pedras em ouro rodopiavam a cintura, as manguinhas e a barra. Era deslumbrante.

- Ah, me forneceram um vestido vermelho, mas não curto essa cor. Shaunee e eu vamos trocar. – Ela disse, de maneira cúmplice, então notei que a camada ao nosso redor estava leve pela amizade que ambas tinham e aquilo me arrastou ainda mais para a realidade. Eu quis chorar, vendo todos os preparativos para um baile falso, para nos levar para mais perto de Vee, mas ainda assim, eu me sentia o mais distante possível dela.

Eu estava deitada na cama de Patch quando a garota entrou. Loira, rebuliça e sorridente, mas ao me ver toda a beleza saiu de seu rosto. Seus dentes trincaram e seus olhos verdes olharam para mim com extremo interesse, ela procurou ao redor, enquanto eu estava sem reação alguma.

- Algum problema? – Consegui perguntar, me erguendo nos cotovelos. – Patch não está aqui.

- Isso eu já notei, né, querida. – Eu odiava quando as pessoas me chamavam daquele jeito, aquilo clamava pela falsidade. Seu corpo bonito se apoiou contra o batente da porta. – Me chamo Dabria, avise a ele quando chegar. – Por fim, ela bateu a porta com extrema força, como se quisesse marcar sua presença.

Depois de alguns minutos, Patch entrou pela porta, e eu fingi não notar sua presença, continuei com atenção fixa em uma leitura que estava fazendo para tentar esquecer Vee. E para tentar esquecer a dúvida de como me vestir para o baile, conforme as instruções de Shaunee seguidas pelas as de Stevie.

- Vamos. – Sua voz rouca me acordou do transe e eu o espiei por cima do livro, dobrando a ponta da página e jogando-o na cama. – Sabe, — Ele disse, lambendo os lábios e me obrigando a olha-los por alguns segundos. – suas pernas ficam lindas na minha cama.

Enrubesci no mesmo instante e encolhi as pernas contra meu peito. – Vamos para onde? – Indaguei com um pigarro, tentando aliviar a tensão que se formava nos meus músculos, e a ansiedade que crescia no meu estômago.

- Para o Castelo Divino, sua estadia por aqui é só por uma semana e vice-e-versa. – Ele disse, me espantando.

Eu queria ir para lá, mas tinha medo de não me sentir tão segura o quanto me sentia ali. Com Pach. No Castelo Sombrio.

Estranhamente, eu estava lá, diante do Castelo grande e branco, adornado em dourado. Estava com medo e mesmo quando Patch me ofereceu sua jaqueta jeans, que eu aceitei de bom grado, continuei com frio. Mas não aceitei a mesma por estar tremendo toda, e sim pelo fato de que teria algo dele por perto durante a distância.

- Eu trarei suas roupas para o Baile e serei seu acompanhante. Como fomos nós que demos a ideia, ele será no Castelo Sombrio, acharemos sua amiga o quanto antes. – Ele me assegurou, empurrando uma mexa do meu cabelo para trás da orelha, para que eu pudesse olhar diretamente em seus olhos.

- Patch. – Eu o chamei, engolindo em seco e aproveitando o calor da palma da sua mão na minha bochecha. – Estou com medo.

- Ora, Anjo. – Ele sussurrou, erguendo o canto da boca. – Com medo do Castelo Divino e não teve do Sombrio? – Acenei em positivo, me sentindo mais próxima dele e me lembrando que não dera o recado da tal Dabria, pelo fato da ansiedade ter me corroído de dentro para fora. – As borboletas fazem cócegas aqui, Anjo. Não há o que temer. Eu estarei mais próximo do que imagina.

Como que para provar suas palavras e imersa em medo percorrendo minha coluna me deixando travada, eu me joguei contra seus braços. Curtindo do seu calor e das suas mãos cruzadas em minhas costas, mantendo-me ainda mais próxima. Aquilo foi o suficiente para que eu criasse coragem e entrasse.

Hank me recebeu muito bem quando os portões se abriram e agora eu entendia o fato de eles se abrirem sem comando algum. As andorinhas no meu antebraço se moveram por dentro, e quando as olhei, elas estavam com um contorno mais forte e envolvente. Sorri, sentindo-me mais segura a progredir e encarar o gigantesco hall.

Ele me apresentou cada canto do Castelo e mostrou onde eu dormiria, notei que não havia apenas a minha cama, mas mais uma do lado direito e tudo indicava que a residente estava por ali, pois a bagunça persistia em aparecer sobre os lençóis lilás.

- Antes de você se instalar, quero que conheça quem vai te guardar aqui dentro. – Hank disse e sua voz se propagou pelas paredes do corredor branco. As andorinhas estavam despostas de maneira prática em seu antebraço direito.

Chegamos ao hall novamente e lá, um garoto que eu já havia visto antes estava em pé no centro. Suas mãos estavam para trás e eram seus olhos violetas que sorriam para mim, eu não contive meu sorriso em sua direção, mas mudei as feições quando a garota atrás dele mostrou suas rodelas douradas nos olhos para mim. Seus fios louros iam até a cintura, lindos e sedosos. Sua estatura magra deixava qualquer garota com inveja, pernas torneadas e altura apropriada para usar salto. Seus olhos eram grandes e verdes, o que mais chamava atenção em seu rosto. Suas bochechas estavam pintadas de rosa assim como seus lábios cheios.

- Olá, novamente, Nora. – Daniel disse, aproximando-se de maneira descontraída. – Espero que se sinta bem aqui, por essa semana. Vou te mostrar tudo. – Ele me garantiu, tomando minha mão na sua e beijando o nó de um dos meus dedos.

A garota pigarreou ao fundo. Chamando nossa atenção para ela.

- Daniel. – Hank chamou. – Faça as devidas apresentações daqui em diante. – Depois disso dito, ele seguiu em direção a um dos corredores e trancou uma porta atrás de si.

- Olá. – A menina se apressou, rebolando em seus passos longos em nossa direção. Eu vi uma semelhança enorme em suas bochechas altas com as de Stevie, mas preferi ignorar aquele fato, Stevie era gentil e não extremamente fria quanto aquela menina demonstrava ser. – Meu nome é Aphrodite.

Seu sorriso insinuante iluminou seu belo rosto, deixando o formato à vista, seu antebraço continha as andorinhas pela metade, o que implicava no fato de que ela estava em fase de transformação. Aquilo – de uma maneira muito estranha – me aproximou dela. Era evidente que não nos daríamos nada bem, mas poderíamos fazer bem uma à outra. E aquilo me levou a memórias alegres de Vee ao meu lado, que fora arrancada sem pena da minha vida. E da sua própria.

Notas finais
E aí, o que acharam da presença de novos leitores? Encontro todos nos comentários!!! E até maissss!!!!