Notas iniciais
Esse capítulo tá mais calminho. Eu o criei para criar laços e mexer um pouquinho com a Nora pelo Castelo. Agora, vou demorar um pouquinho pra postar, pq faz pouco tempo e o próximo capítulo vai ser o com o qual mais irei trabalhar. E estou postando hoje de presente pra minha amiga, Stella! Que fez aniversário ontem, então, conforme ela me pediu, postei nas minhas três estórias que ela acompanha! Curtiu o presente? *-* Bom, eu coloquei essa música porque ela representa cada trechinho em especial do capítulo e porque ela é linda demais!

It's in the stars. It's been written in the scars on our hearts. We're not broken just bent. And we can learn to love again. ( Just Give Me a Reason – P!nk feat Nate Ruess).

O quarto de Cameron consistia em cores mais escuras que as do quarto de Patch. Havia uma porta em uma extremidade oposta. Os lençóis de sua cama eram escuros, assim como os móveis colocados estrategicamente encostados nas paredes. A pintura das mesmas era de um grafite que deixava o ar ainda mais mórbido. Luzes de vela iluminava o cômodo parcialmente.

- Como vocês enxergam somente com velas? – Perguntei repentinamente, espantando a mim mesma.

- Enxergando. Com os olhos, sabe. – Cameron respondeu, caminhando pelo quarto.

Eu ainda estava agarrada ao travesseiro e pouco me importei com sua ironia ao vociferar as palavras. Depois de tantos acontecimentos para uma única noite, meu corpo só pedia descanso total, ou talvez para sempre.

Cameron começou a retirar a bermuda que vestia. E naquele momento, agradeci pelas velas que transbordavam luzes suaves, pois, caso contrário, ele teria notado o rubor do meu rosto. Ele dobrou a bermuda em três partes e caminhou até o closet, usando apenas uma box preta, que entrava em um belo afronte com o tom claro de sua pele. Ele voltou depois, com um lençol extra.

- Vai esfriar. – Explicou e se jogou contra a cama, ligando a TV LCD pregada a parede, na altura dos seus olhos, diante do pé da cama.

Ele soltou o lençol sobre seu corpo e repousou os braços atrás da cabeça, assistindo a uma série de suspense que coloria a TV. E eu fiquei lá, parada no meio do quarto, totalmente sem jeito.

- Onde eu vou dormir? – Indaguei, e infelizmente minha voz saiu em um sussurro muito baixo.

- Na minha cama. – Ele respondeu, sem tirar os olhos da tela. – O carpete não está limpo, sinto muito. -
Deu de ombros, com um olhar travesso.

Arremessei meu travesseiro contra seu rosto, mas ele o pegou no ar e o colocou no lado oposto ao da cama, dando tapinhas para amaciá-lo. Aquele comentário hilário tirou o rubor de todo o meu corpo e toda a vergonha também, eu dei a volta na cama king-size e quando ergui a perna para subir na mesma, alguém bateu a porta. O som era baixo, mas impunha que queria ser atendido, fosse quem fosse lá dentro.

Eu olhei para Cameron, não querendo que fosse Patch a bater naquela porta, mas acreditava que ele não faria aquilo.

- O que foi? – Cameron indagou para quem estava lá fora, sem retirar os olhos da tela, realmente interessado pelo seriado.

- Você gosta desse programa? – Indaguei, enquanto o garoto do lado de fora respondia com o nome: “Damien”.

Mas o que aquele garoto estava fazendo ali?

- Esse programa só perde para mulher. Que é a coisa que mais aprecio no mundo. – Ele deu uma piscadela, se levantando sem retirar os olhos da tela e abrindo a porta. – Sim?

- Me disseram que a Nora... – Damien tentou falar, sua voz era passiva e calma, talvez até com um pouco de receio.

- Estou aqui. – Respondi, abanando a mão.

Para não incomodar Cameron por muito tempo, me locomovi até a porta e acenei com a cabeça para Cameron que fechou a porta atrás de mim.

- Olá. – Disse com um sorriso. – Você está bem?

- Melhor do que você, acredito. – Ele respondeu, apontando displicentemente para o meu abdômen.

Seus cabelos escuros estavam sobre a testa, eu percorri seu corpo com meus olhos, avistando a tatuagem mais escura que a minha em seu braço.

- Sinto que o Ritual está chegando. – Ele deu de ombros e notei que estava um pouco medonho quanto à data do que ocorreria.

Eu acenei com a cabeça, enquanto um silêncio permanecia ao nosso redor, no meio daquele corredor acarpetado com um tecido fofo da cor cinza e paredes de pedra no tom grafite nos protegia do frio noturno. – Obrigada por ter chamado os garotos para mim... obrigada mesmo.

- Era a única coisa que conseguiria fazer. Se é que me entende. – Ele respondeu, dando uma piscadela, o que amenizou o clima estranho da conversa. – Espero que encontre logo sua melhor amiga.

Pensei nos olhos de Vee e em quanto estava aflita por tê-la tão longe e por ninguém me dar informações quanto ao seu estado.

- Obrigada. – Eu respondi. Damien acenou com a cabeça e deu as costas para partir, me deixando no meio de lágrimas carregadas do sentimentalismo de uma falta sem fim.

*

O grande dia para as mulheres havia chegado. Não. Não era a noite do baile, ela aconteceria em dois dias. Então, estávamos organizando os preparativos para tudo. Alguns dos Escolhidos foram até a cidade e compraram – sim, os Castelos tinham cartão de crédito com um limite infindável – os utensílios para decoração.

Quem escolhia o vestido do Baile para as garotas, era Kalona e os Sete Tronos. Eu realmente não via tanta importância para que eles escolhessem roupa por roupa. Mas, para eles aquilo era de extrema importância. Todos me avisaram que eu me impressionaria com o que estavam preparando, pois, conforme a palavra de terceiros: eu nunca tinha estado em um baile como aquele.

Havia fadas e sereias em forma humana espalhadas pelo enorme salão. E quando digo enorme, quero dizer que eram mais de 20x30m. Eu não consegui deduzir o tamanho daquele hall com o piso extremamente laminado e com todos os detalhes banhados em ouro. Da maçaneta ao gesso. Dos desenhos estratégicos as molduras dos quadros. Dos batentes das altas janelas aos talheres e bordas de taças que estávamos limpando.

Então me abateu que aquilo tudo era para chamar a atenção dos Renegados, e trazer Vee de volta. Para mim, aquilo era uma injustiça pura. Mas os residentes do Castelo Sombrio pareciam realmente animados com a Grande Noite. Infelizmente, eu não retratava o mesmo sentimento. E nem queria retratar, a cada dia que passava eu ficava mais tensa. Esperando algum ataque, ou alguma aparição repentina de Vee. Traduzindo, eu estava com medo. Com receio do que viria a seguir. Meus melhores amigos estavam longe de mim. Minha mãe e minha melhor amiga estavam desaparecidas. Meu Medalhão nunca mais deu sinal de vida. E durante muitos dias, eu não vira Patch. E sempre que o vislumbrava de relance, ele estava com Dabria.

E eu podia jurar que não eram ciúmes. Era mais como uma sensação de ser trocada. Como se eu fosse substituível facilmente. E então, me perguntei: seria aquilo mesmo?

*

- Tá muito legal. – Stevie murmurou, provavelmente, pela centésima vez.

- Ai, cale a boca. – Damien murmurou repentinamente.

Mesmo com suas palavras esnobes, o local do Grande Baile estava realmente deslumbrante. Demonstrando nosso trabalho repleto de esforço. Deixamos da maneira que bem entendemos. Um globo dourado pendurado no centro, com quatro focos de luz apontando para ele, o que, na Grande noite, traria vários flocos brilhantes, iluminando rostos e corpos parcialmente. Em um dos cantos continha uma longa mesa com toalha de linho também dourada. Os talheres e taças estavam dispostos organizadamente sobre a toalha, sem protuberâncias ao longo de seu caminho. A mesa era longa, o que acarretaria bastante comida. Acima de nossa cabeça, várias decorações douradas percorriam de uma parede a outra, quase impossibilitando a vista das pinturas do teto de vidro, que deixaria com que o hall fosse iluminado pela luz do luar pela noite.

Puxamos as cortinas para os lados, prendendo-as ao meio com um laço branco e deixando o ar gelado externo refrescar o ambiente um pouco. Passei a mão pela testa, sentindo meu abdômen arder um pouco, mas completamente recuperado, depois de alguns dias andando para lá e para cá.

Realmente, era bastante confortável estar com Cameron. Eu também fiquei muito viciada naquela série de suspense, e sempre tínhamos o trato de assisti-la juntos. Certa noite, enquanto eu estava com Shaunee em seu quarto, ele foi até lá e sem pedir licença, ou emitir explicações, me tomou pelo cotovelo e me arrastou até seu quarto. Quando chegamos, a cama estava repleta de guloseimas, do jeito que eu gostava e assistimos a série. Às vezes, chegávamos a discutir com nossos palpites distintos, enquanto Cameron imitava as vozes com estranha perfeição, fazendo minha barriga doer de tanto gargalhar.

Sorri. Sim, realmente era bom estar ao seu lado.

- Escolhidos. – Uma voz soou sobre o restante do som. Tudo se silenciou rapidamente, e os rostos viraram em direção à porta dupla de entrada. – Garotas, venham comigo. – Era Kalona, vestindo apenas uma calça negra com o peito e os pés nus.

As solas de seus pés faziam sons como tapas contra o chão. Nós, as garotas, o seguimos sem restrição. Ele caminhou pelo corredor em silêncio e escutava seu gélido riso soar quando as garotas atrás dele sussurravam algo como “lindo demais”, “muito gostoso nesse jeans” ou apenas um “ai, ai”. Sim, era realmente engraçado, mas o mais engraçado era que Kalona não se incomodava com isso, ou não via motivo para restrições. Ou realmente se achava aquilo tudo. Bem cabível para alguém como ele.

Chegamos ao hall de entrada, construído em ouro que brilhava contra o sol que adentrava pelo teto com desenhos negros, transbordando pelas bordas e possuindo o seu redor.

Os Sete Tronos se ocuparam em um piscar de olhos. Antes, ao chegarmos, todos estavam desocupados. Mas, com um leve piscar de olhos, eles se ergueram, vestindo suas túnicas pretas resplandecentes. Apareceram como uma fumaça de vapor. Rodando ao redor de suas cadeiras, e sentando-se confortavelmente. O dono da voz sarcástica estava ao lado direito do ponto mais alto. E o dono da voz viciante como seda, estava no topo com o rosto erguido e completamente escondido.

- Garotas. – O ponto alto sussurrou, chamando a atenção de todas, menos a minha, que já estava fixa nele. Quando ele notou que todas estavam prestando atenção, ele estalou os dedos, esfregando o polegar contra o indicador. – Vão para seus referidos quartos. – Ele salientou a palavra, como se aquilo coubesse a mim.

Meu rosto se retorceu em dúvida. Qual era o meu quarto, agora?

*

Depois de tamborilar entre meus pensamentos. Enquanto meus três novos amigos faziam piadinhas sem graça, descobri que meu quarto – ao menos para os Sete Tronos – era o quarto de Patch. Repentinamente me ocorreu, que eu merecia ter um quarto para mim. Decorado da forma que eu quisesse e que representasse um balsamo de qualquer problema. Sem mencionar que eu poderia estar interrompendo Cameron com seus possíveis planos com a coisa que mais gostava no mundo: garotas.

Sorri, me lembrando de seu comentário e empurrei a porta do quarto de Patch, sem fazer menção de bater antes de entrar. Fechei a mesma atrás do meu corpo. Recebendo um impacto estranho no estômago ao entrar. Era realmente esquisito estar lá dentro, sem realmente estar. Afinal, eu não dormia ou passava minhas tardes ali, esperando. Era morbidamente triste. Dispersei os pensamentos chacoalhando meus cabelos e olhei para a cama de Patch.

Meus olhos se arregalaram. O vestido não era como os de baladas comuns. Sempre a mesma coisa e que nunca daria para alterar seu estilo sem você se parecer com como estava antes. Eu gostei. Minha cor preferida estava retratada na peça bem disposta sobre a cama organizada de Patch. O tom vermelho entrava em contraste com o negro dos lençóis. Me aproximei lentamente, vendo as joias ao redor e os saltos completamente altos ao pé da cama. Passei meus dedos pelas faixas de seda que desciam em saia, formando um belo quadril. O vestido era sem mangas, apenas com um corpete para segurar os seios, o que o deixava ainda mais antiquado e lindo. As amarras estavam soltas para as laterais, nos tons perfeitos de prata.

- Vermelho vai combinar com você. – Dei um pulo, me virando com a mão sobre o peito.

Patch estava encostado despojadamente à parede. Uma perna erguida, presando a mesma atrás de si. E um sorriso de canto de boca formando seu semblante cafajeste.

- Quase me matou de susto. – Murmurei, retornando ao vestido, sem querer encarar seus olhos, ou mostrar o rubor do rosto devido às batidas nada ritmadas do meu coração.

- O vermelho do vestido combina com seu rosto no momento. – Ele disse, como se nada o afetasse.

Instantaneamente, fiquei ainda mais vermelha.

Eu recolhi a peça delicadamente, utilizando o cabide e erguendo-o acima da minha cabeça, ainda assim, a barra prateada roçava o chão. Patch se desencostou da parede e caminhou lentamente na minha direção, eu disfarcei, fingindo retirar algo do vestido.

- Você vai me permitir uma dança no tal Baile? – Ele indagou. Eu ergui os olhos, realmente achando que ele estava de brincadeira comigo.

Mas assim que fitei a escuridão em que seus olhos se encontravam, conclui que não.

- Você não merece uma dança. Mas estou sentindo que isso, infelizmente, vai acontecer. – Respondi, soando amarga e realmente querendo ser.

Ele não quebrou meu coração em mil pedacinhos. Mas, agora, enquanto Dabria não estava ali, ele começava a se importar comigo? As coisas não podem ser assim. Não comigo. Não sou como as outras.

Patch acenou de maneira seca com a cabeça e abriu caminho para que eu passasse. Eu nunca o tinha visto fazer aquilo, aceitar algo sem ter uma opção diferente na ponta da língua. E aproveitei a oportunidade, carregando tudo de maneira destrambelhada até o quarto ao lado. O quarto de Cameron.

*

- Porque, diabos, eu não tenho um quarto? – Vociferei para o nada no quarto de Cam, jogando minhas roupas sobre sua cama. Tremendo de raiva, angústia e mais um pouco de raiva.

- Porque você nunca tinha dito palavrão! Agora você tem um. Se quiser, o carpete já está limpo. – Me virei, nada assustada com Cameron saindo do banheiro com uma toalha amarrada a sua cintura.

Seu torso nu e banhado em gotículas de água. Eu sorri, escondendo a raiva e o rubor por presenciar aquela cena. – Então pode dormir na droga do carpete.

- Agora merece um quarto com dois andares. – Ele ergueu dois dedos, retratando o que falava com um sorriso divertido no rosto. – Você está de TPM? – Indagou normalmente, passando os dedos entre os fios negros e deixando seus músculos ressaltados. Minha boca encheu d’água.

Ai, minha nossa.

- Não sei. – Respondi, passando a mão no vestido.

- Como – Ele iniciou e me virei para ele. – uma garota não sabe se está de TPM? Isso é estranho, Nora. Muito estranho.

Eu ignorei seu comentário, me sentando pesadamente em sua cama, faltavam alguns minutos para o nosso seriado diário. – É sério. – Retomei a conversa, confusa. – Porque não tenho um quarto?

Cameron voltou do closet com uma bermuda escura e uma blusa de mangas longas cinza. – Normalmente – Ele começou, passando gel nos cabelos meramente secos – os Escolhidos dividem quartos e não tem ninguém sobrando, então acharam inconveniente deixar você sozinha em um quarto. Por isso te deixaram com seu Guardião, que deixou você para trás, a propósito.

- Puxa, obrigada por ressaltar. – Cruzei os braços.

Cameron se agachou diante de mim e ele apoiou suas mãos másculas sobre meus joelhos que esquentaram com o toque. – Você não pode deixar ele te atingir tanto assim. Pense um pouco.

Eu acenei em positivo. – Eu concordo com você. Só não gostei daquela loira na cama em que eu costumava dormir.

- Ela também costumava dormir ali, Nora. – Cameron pronunciou as palavras com extremo cuidado.

Seus olhos esmeraldas esperavam minha reação, que foi a de completa compreensão.

- Eles namoraram, não foi? – Indaguei, com voz baixa.

- Namoraram. Foi Patch quem a trouxe para cá. Tirou a mesma do bando de Imortais que causam os crimes contra os humanos. Ele a salvou. – Cameron explicou, e notei que em seus olhos passavam os momentos que ele dizia em voz alta.

E o que aquilo poderia significar para mim? Que Dabria e Patch tinham uma bagagem e que Patch e eu nem poderíamos sequer começar uma.

Notas finais
Stella, esse é uma mega presente pra ti. Seu personagem preferido tá aparecendo bastante. Gostou dos presentes atrasados? Beijos meus amores e me comentem contando o que acharam! Até mais ver!